{"id":721,"date":"2023-02-03T04:23:10","date_gmt":"2023-02-03T07:23:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/?p=721"},"modified":"2023-02-03T04:23:11","modified_gmt":"2023-02-03T07:23:11","slug":"frederico-em-choque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/2023\/02\/03\/frederico-em-choque","title":{"rendered":"<strong>Frederico em choque<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: center\"><em>Com o fluxo de pessoas que chegam e saem, vem acontecendo uma estranheza entre a cidade e os novos moradores. Essa estranheza \u00e9 tamb\u00e9m conhecida como choque cultural.<\/em><\/p>\n<p><strong>Texto:<\/strong> <span style=\"font-weight: 400\">Amanda Busnello, Beatriz Vieira e Gabrieli Ferla Guenzer<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure id=\"attachment_722\" aria-describedby=\"caption-attachment-722\" style=\"width: 685px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-722\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2023\/02\/imagem-certa-300x252.jpg\" alt=\"\" width=\"685\" height=\"575\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2023\/02\/imagem-certa-300x252.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2023\/02\/imagem-certa-1024x859.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2023\/02\/imagem-certa-768x644.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2023\/02\/imagem-certa.jpg 1086w\" sizes=\"(max-width: 685px) 100vw, 685px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-722\" class=\"wp-caption-text\"><br \/><pre>Centro da cidade de Frederico Westphalen. Foto: Gabrieli Ferla Guenzer<\/pre><br \/><\/figcaption><\/figure><p><i><span style=\"font-weight: 400\">Choque<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, no dicion\u00e1rio, significa encontro violento. J\u00e1 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">cultural <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u00e9 aquilo que \u00e9 caracter\u00edstico da cultura. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Choque cultural<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, nada mais \u00e9 do que uma <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">colis\u00e3o violenta <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">entre culturas. A antrop\u00f3loga e professora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Maria Catarina Chitolina Zanini, afirma que o choque cultural pode ser <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">traumatizante<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">incomodativo <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">profundo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. E tamb\u00e9m \u00e9 o momento em que os indiv\u00edduos e grupos se reconhecem e s\u00e3o reconhecidos como diferentes. A <\/span><span style=\"font-weight: 400\">antrop\u00f3loga tamb\u00e9m argumenta que cada cultura possui suas especificidades, o que implica que aquilo que pode ser considerado bom e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">positivo <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">num grupo, possa causar muita <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">estranheza <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">em outro. Afinal, cada cultura possui suas formas espec\u00edficas de <\/span><span style=\"font-weight: 400\">compreender o mundo e de nele agir.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Frederico Westphalen, cidade do noroeste do Rio Grande do Sul com 31.675 habitantes, tem atra\u00eddo novos moradores em busca de oportunidades de trabalho e <\/span><span style=\"font-weight: 400\">estudos universit\u00e1rios. Vindos de outras cidades, estados e at\u00e9 mesmo de outros pa\u00edses, os novos moradores encontram aqui uma cidade pequena e com poucos habitantes, mas com sua cultura bem enraizada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Deyanauris Gonz\u00e1lez, de 41 anos, e Javier M\u00e1rquez, de 36, um casal vindo da cidade de Bol\u00edvar, na Venezuela, relatam ter sentido de in\u00edcio dificuldades com o idioma, j\u00e1 que na Venezuela falavam espanhol. O chimarr\u00e3o tamb\u00e9m foi um costume que gerou uma certa <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">estranheza <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">para os dois, pois, tanto na Venezuela quanto em <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Manaus, onde eles moraram antes de vir a Frederico Westphalen, ningu\u00e9m conhece ou consome a bebida. Eles complementam ainda que a capital do Amazonas, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Manaus, possui algumas <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">colis\u00f5es culturais <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">com Frederico e que a mais forte \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o ao clima. \u201cAqui \u00e9 muito frio\u201d, exclamam.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m do fator clim\u00e1tico, Deyanauris tamb\u00e9m v\u00ea diferen\u00e7as na forma de festejo de datas comemorativas. No Natal venezuelano, por exemplo, existe o costume de fazer uma grande festa, com dan\u00e7as e queima de fogos, como tradicionalmente \u00e9 feito na virada do ano no Brasil. J\u00e1 na P\u00e1scoa, n\u00e3o h\u00e1 comemora\u00e7\u00e3o da data, embora se tenha conhecimento do seu significado. Ela diz que os eventos de Natal e P\u00e1scoa que ocorrem na pra\u00e7a de Frederico\u201cs\u00e3o algo muito impactante para n\u00f3s, porque \u00e9 <\/span><span style=\"font-weight: 400\">algo novo, muito bonito\u201d.<\/span><\/p><figure id=\"attachment_723\" aria-describedby=\"caption-attachment-723\" style=\"width: 794px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-723\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2023\/02\/FOTO-DEJA-300x142.jpg\" alt=\"\" width=\"794\" height=\"376\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2023\/02\/FOTO-DEJA-300x142.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2023\/02\/FOTO-DEJA-1024x485.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2023\/02\/FOTO-DEJA-768x364.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2023\/02\/FOTO-DEJA-1536x728.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2023\/02\/FOTO-DEJA.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 794px) 100vw, 794px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-723\" class=\"wp-caption-text\">Deyanauris Gonz\u00e1lez na pra\u00e7a da cidade durante o evento Frederico em Luz no ano de 2023. Foto: Beatriz Vieira.<\/figcaption><\/figure><p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo o psic\u00f3logo do CRAS (Centro de Refer\u00eancia de Assist\u00eancia Social) do munic\u00edpio, Mathiel da Rosa, o maior desafio de integra\u00e7\u00e3o das pessoas \u00e0 <\/span><span style=\"font-weight: 400\">sociedade frederiquense s\u00e3o as diferen\u00e7as culturais e lingu\u00edsticas, tanto para pessoas que v\u00eam de outras partes do Brasil, pelo fato de a cidade possuir outra cultura, como para os estrangeiros que v\u00eam de fora do pa\u00eds,e que enfrentam as dificuldades da nova l\u00edngua. \u201cO fato de essas pessoas sa\u00edrem de seu lugar de origem, onde tinham fam\u00edlia e amigos, para come\u00e7ar a construir novas rela\u00e7\u00f5es sociais tamb\u00e9m \u00e9 um desafio para elas\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O psic\u00f3logo acrescenta que a quest\u00e3o lingu\u00edstica era contornada com a ajuda de um dos recepcionistas do CRAS, que era a \u00fanica pessoa com espanhol fluente na institui\u00e7\u00e3o. Um dos pap\u00e9is do CRAS \u00e9 orientar as pessoas rec\u00e9m-chegadas quanto <\/span><span style=\"font-weight: 400\">aos benef\u00edcios sociais e demais pol\u00edticas p\u00fablicas na cidade, explica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Petterson Amorim, de 44 anos, mudou-se para a cidade em 2019 para <\/span><span style=\"font-weight: 400\">acompanhar sua esposa, professora do curso de Medicina Veterin\u00e1ria no Instituto Federal Farroupilha (IFFar) de Frederico Westphalen. Ele diz que sua adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 <\/span><span style=\"font-weight: 400\">cidade foi tranquila e, em sua opini\u00e3o, seria mais complicado para algu\u00e9m sair daqui e ir morar em um lugar agitado, como o Rio de Janeiro, estado onde ele nasceu. Ele explica que seu estado \u00e9 um lugar muito diversificado, por conta da mistura de <\/span><span style=\"font-weight: 400\">culturas que existem l\u00e1. Mas apesar de ter convivido com essas diferen\u00e7as culturais, Amorim respeita muito a cultura ga\u00facha, que, em sua opini\u00e3o, \u00e9 bem enraizada, mais <\/span><span style=\"font-weight: 400\">que em seu estado. O que o empres\u00e1rio sente mais falta do Rio de Janeiro s\u00e3o os est\u00e1dios de futebol e a praia.<\/span><\/p><figure id=\"attachment_724\" aria-describedby=\"caption-attachment-724\" style=\"width: 690px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-724\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2023\/02\/FOTO-PETTERSON-300x210.jpg\" alt=\"\" width=\"690\" height=\"483\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2023\/02\/FOTO-PETTERSON-300x210.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2023\/02\/FOTO-PETTERSON-1024x716.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2023\/02\/FOTO-PETTERSON-768x537.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2023\/02\/FOTO-PETTERSON.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 690px) 100vw, 690px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-724\" class=\"wp-caption-text\">Petterson Amorim em seu ambiente de trabalho, localizado no centro da cidade.Foto: Enviada pelo entrevistado Petterson Amorim.<\/figcaption><\/figure><p><span style=\"font-weight: 400\">Marilisa Baggio, de 60 anos, moradora e natural de Frederico, compara a cidade atual com a do passado. \u201cH\u00e1 60 anos atr\u00e1s n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos esgoto, \u00e1gua encanada, cal\u00e7amento, hoje a gente tem cal\u00e7amento na rua. Frederico foi se desenvolvendo com a chegada das pessoas.\u201d Apesar de haver um crescimento <\/span><span style=\"font-weight: 400\">positivo, a frederiquense acredita que Frederico pode crescer ainda mais, por\u00e9m, em sua opini\u00e3o, existe um medo da cidade crescer e avan\u00e7ar, por isso fica no limite para expandir. Sobre as pessoas vindas de fora, Marilisa explica que, na sua vis\u00e3o, elas n\u00e3o ligam muito para o que os outros pensam e expressam quem s\u00e3o verdadeiramente, al\u00e9m de terem culturas diferentes para oferecer. Ela enfatiza dizendo que foi muito emocionante ver pessoas negras e asi\u00e1ticas chegando na <\/span><span style=\"font-weight: 400\">cidade.<\/span><\/p><figure id=\"attachment_725\" aria-describedby=\"caption-attachment-725\" style=\"width: 606px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-725\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2023\/02\/FOTO-MARILISE-298x300.jpg\" alt=\"\" width=\"606\" height=\"610\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2023\/02\/FOTO-MARILISE-298x300.jpg 298w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2023\/02\/FOTO-MARILISE-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2023\/02\/FOTO-MARILISE.jpg 720w\" sizes=\"(max-width: 606px) 100vw, 606px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-725\" class=\"wp-caption-text\">Marlisa Baggio em sua casa na cidade de Frederico Westphalen Foto: Beatriz Vieira<\/figcaption><\/figure><p><span style=\"font-weight: 400\">Para Mathiel da Rosa, ainda existe um caminho a ser percorrido para a <\/span><span style=\"font-weight: 400\">cidade estar completamente preparada para acolher os imigrantes. Ele argumenta que o CRAS j\u00e1 realiza um trabalho de suporte emocional e social para os venezuelanos que residem em Frederico e que o apoio oferecido facilita a vida deles. Ao final, ele complementa que o trabalho com grupos de encontros voltado a emigrantes ir\u00e1 <\/span><span style=\"font-weight: 400\">crescer e assim ajudar mais pessoas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A antrop\u00f3loga diz que devem haver mais di\u00e1logos interculturais nas pol\u00edticas p\u00fablicas, especialmente nas sociedades que recebem um fluxo maior de pessoas. Segundo ela, n\u00e3o se deve aceitar diante dessa <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">colis\u00e3o violenta <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">de culturas que as diferen\u00e7as culturais sejam motivo para diminuir a dignidade do outro ou para gerar viol\u00eancia. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Estranhezas e inc\u00f4modos <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">fazem parte das mobilidades humanas e <\/span><span style=\"font-weight: 400\">compreender as caracter\u00edsticas do outro \u00e9 o melhor caminho para o bom conv\u00edvio intercultural, exclama.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o fluxo de pessoas que chegam e saem, vem acontecendo uma estranheza entre a cidade e os novos moradores. Essa estranheza \u00e9 tamb\u00e9m conhecida como choque cultural. Texto: Amanda Busnello, Beatriz Vieira e Gabrieli Ferla Guenzer Choque, no dicion\u00e1rio, significa encontro violento. 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