{"id":1166,"date":"2013-06-07T13:02:28","date_gmt":"2013-06-07T16:02:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufsm.br\/revistatxt\/?p=1166"},"modified":"2019-08-14T15:10:50","modified_gmt":"2019-08-14T18:10:50","slug":"alem-da-rotina-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/educom\/2013\/06\/07\/alem-da-rotina-2","title":{"rendered":"Al\u00e9m da rotina"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\"><strong>Alberi dedica uma vida \u00e0 Universidade, de segunda a segunda, 24 horas por dia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right\">J\u00e9ssica Ribeiro\u00a0\u2013\u00a0ribeirojessica77@gmail.com<br \/>\nKelem Freitas Duarte\u00a0\u2013\u00a0kelemdf@gmail.com<\/p>\n<p><i>N<\/i>a casa simples de cor azul, o caseiro sonhador faz planos para o futuro. J\u00e1 pr\u00f3ximo da aposentadoria, cultua um sonho da mesma cor, a vontade de seu Alberi \u00e9 morar \u201cperto de \u00e1gua e pescar\u201d. Leva uma vida humilde, por\u00e9m<b>,<\/b> tem seu diferencial:<b> <\/b>o que \u00e9 um centro de estudos, pesquisas e experimentos para muitos, a ele representa sua pr\u00f3pria moradia.<\/p>\n<p>Todos os anos cerca de cinco mil alunos ingressam na Universidade com o objetivo de concluir uma gradua\u00e7\u00e3o, curso t\u00e9cnico ou p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Seja em sala de aula, laborat\u00f3rio ou em outros tantos espa\u00e7os dispon\u00edveis para o aprendizado. Assim, \u00e9 a rotina da maioria das institui\u00e7\u00f5es, e na UFSM n\u00e3o \u00e9 diferente. A cada semestre observamos e nos encantamos com novos rostos, sonhos e perspectivas. No entanto, h\u00e1 quem permane\u00e7a na Universidade por um per\u00edodo maior de tempo, como os professores e servidores, mas h\u00e1 tamb\u00e9m, aqueles que vivem no Campus. Esse \u00e9 o caso de Alberi Francisco Barbosa, 51 anos, caseiro do Departamento da Zootecnia, que h\u00e1 15 anos reside na UFSM.<\/p>\n<p>Com a perda da m\u00e3e aos quatro anos de idade, seu Alberi viu sua vida mudar e passou a viver apenas com o pai. Aos sete, outra grande mudan\u00e7a aconteceu<b>,<\/b> foi morar em Porto Alegre. Voltou \u00e0 terra natal, Santa Maria, com 17 anos, quando casou-se pela primeira vez. Aos 18 encontrou a possibilidade de entrar na Universidade, mas de um jeito diferente<b>:<\/b> n\u00e3o para estudar, mas para trabalhar. Inicialmente, Alberi acompanhava como motorista os mestrandos e doutorandos do curso de Zootecnia em viagens de estudos. Nesta fun\u00e7\u00e3o, ele viu a necessidade de morar mais pr\u00f3ximo do trabalho. E a proximidade foi tanta que Alberi encontrou no pr\u00f3prio Campus um lar para residir. Mudou-se, ent\u00e3o, com a esposa e o filho, inicialmente para uma casa pr\u00f3ximo ao Cefd, e, hoje, j\u00e1 soma 33 anos de dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 Universidade.<\/p>\n<p>Algumas concep\u00e7\u00f5es mudaram ao longo do tempo, pois o motorista que carregava zootecnistas, agora, trabalha em outro Departamento da UFSM. A fim de auxiliar nas aulas pr\u00e1ticas de regulagem e implemento de m\u00e1quinas agr\u00edcolas ele foi \u201cemprestado\u2019\u2019 a outro setor. Atualmente, integra a equipe do N\u00facleo de Ensaios de M\u00e1quinas Agr\u00edcolas (Nema). Alberi \u00e9 operador de m\u00e1quinas, o que lhe proporciona o contato direto com os alunos. Atrav\u00e9s de pesquisas de campo e trabalhos em sala de aula, interage com mestrandos e doutorandos. Esse contato \u00e9 um dos diferenciais que impulsionam o caseiro: \u201cAqui a gente tem uma segunda fam\u00edlia. Entre funcion\u00e1rios, professores e alunos [&#8230;] todo mundo se d\u00e1 bem, se trata bem. A conviv\u00eancia \u00e9 muito boa e a gente tem at\u00e9 gosto de trabalhar. Aqui a gente n\u00e3o tem do que se queixar, \u00e9 tudo tranquilo. \u00c9 uma mania do setor, isso j\u00e1 foi implantado pelos professores antigos\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, seu Alberi desempenha outra fun\u00e7\u00e3o na Universidade, no Laborat\u00f3rio de Avicultura, onde \u00e9 respons\u00e1vel pelo funcionamento correto de um gerador. O caseiro tem apenas 40 minutos para reestabelecer a energia el\u00e9trica do setor em caso de queda de luz, para que os animais n\u00e3o sejam prejudicados. Esta ocupa\u00e7\u00e3o faz com que ele pouco se desloque para outras regi\u00f5es da cidade, pois o plant\u00e3o \u00e9 cont\u00ednuo: de segunda a segunda. Este se tornou um dos motivos para a sua perman\u00eancia no Campus, mas isso n\u00e3o parece um empecilho ou desgaste para ele. A sua rotina di\u00e1ria se confunde com a dos estudantes e servidores da UFSM, pois passa 24 horas envolvido no trabalho.<\/p>\n<p>Apesar de viver em um lugar que oferece educa\u00e7\u00e3o de n\u00edvel superior, seu Alberi possui somente ensino m\u00e9dio. Com simplicidade, se mostra uma pessoa serena e que almeja apenas o sossego. Satisfeito com a vida que leva, ele diz que a melhor oportunidade que teve em sua vida foi morar na Universidade. E reconhece que com a escolaridade que possui n\u00e3o haveria como ambicionar muito mais do que conquistou: \u201cNunca joguei nada para ter esse desejo de ficar rico, porque com segundo grau tu n\u00e3o enriquece\u201d.<\/p>\n<p>Ao lado do Laborat\u00f3rio da Cunicultura (nutri\u00e7\u00e3o e manejo de coelhos), fica localizada a atual resid\u00eancia de seu Alberi, onde moram tamb\u00e9m sua atual esposa e seu filho, de 16 anos. O caseiro tem a Universidade como p\u00e1tio da resid\u00eancia, de onde pode observar a movimenta\u00e7\u00e3o dos alunos que circulam pelos Laborat\u00f3rios ali pr\u00f3ximos. Seu sonho jamais foi ter posses materiais, mas sim poder desfrutar de um lugar tranquilo para que possa aproveitar a vida, como a beira de um rio, a\u00e7ude ou at\u00e9 mesmo a imensid\u00e3o do mar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Bastidores da .txt<\/strong><\/p>\n<p>Na tarde quente de quinta-feira, dia 02 de maio, seu Alberi nos recebeu no pr\u00e9dio do Nema (N\u00facleo de Ensaios de M\u00e1quinas Agr\u00edcolas), local onde trabalha. Embaixo das \u00e1rvores, ao lado pr\u00e9dio, o operador de m\u00e1quinas reservou algum tempo da sua tarde para nos atender.<\/p>\n<p>Reparamos, ent\u00e3o, que, quando a pauta foi sugerida, t\u00ednhamos pr\u00e9-estabelecido um estere\u00f3tipo de quem trabalha como caseiro. Mas, quando encontramos seu Alberi, podemos observar que ele n\u00e3o correspondia \u00e0s caracter\u00edsticas imaginadas, algo que n\u00e3o comprometeria a mat\u00e9ria, pois suas hist\u00f3rias prevaleceriam sobre isso.<\/p>\n<p>A ideia para o perfil surgiu do interesse em contar a hist\u00f3ria de pessoas que vivem na UFSM. Pois, n\u00f3s, como estudantes, normalmente costumamos ficar entre 4 e 5 anos na institui\u00e7\u00e3o, onde\u00a0 aprendemos os conhecimentos necess\u00e1rios \u00e0 vida e seguimos nosso caminho profissional. Por\u00e9m, atrav\u00e9s dessa pauta, pudemos refletir sobre aquelas pessoas que permanecem integralmente na institui\u00e7\u00e3o desempenhando v\u00e1rias atividades importantes.<\/p>\n<p>Em apura\u00e7\u00f5es para outras mat\u00e9rias feitas durante o curso, tivemos contato com zeladores que residiam na Universidade. Tais pessoas despertaram-nos curiosidade, pela possibilidade de terem hist\u00f3rias de vidas que pudessem ser compartilhadas com o p\u00fablico. S\u00e3o exemplos de pessoas que mesmo an\u00f4nimas t\u00eam muito a contribuir para o funcionamento correto da nossa Universidade.<\/p>\n<p>Durante a an\u00e1lise das edi\u00e7\u00f5es anteriores da revista, notamos que pautas desse cunho n\u00e3o haviam sido abordadas ou, pelo menos, n\u00e3o com esse foco. Vimos, ent\u00e3o, que na edi\u00e7\u00e3o 17 da<strong> .txt<\/strong> esta pauta poderia ser\u00a0 apurada. A escolha de seu Alberi como fonte surgiu atrav\u00e9s de contatos com alunos do curso de Zootecnia, que j\u00e1 haviam trabalhado com ele. Foi de fundamental import\u00e2ncia as refer\u00eancias desses alunos, que destacaram a personalidade do caseiro: uma pessoa tranquila, acess\u00edvel e muito simples.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s da entrevista, conseguimos obter todas as informa\u00e7\u00f5es que serviram como base para a mat\u00e9ria. Em conversa descontra\u00edda, ele contou-nos detalhes sobre o trabalho e a sua rotina dentro da Universidade, al\u00e9m de nos fornecer informa\u00e7\u00f5es sobre sua hist\u00f3ria pessoal.<\/p>\n<p>Aprendemos com seu Alberi, n\u00e3o s\u00f3 um modo de vida dentro da UFSM, mas tamb\u00e9m pudemos conhecer como funciona o dia-a-dia dos caseiros que dedicam a sua vida para atender o p\u00fablico universit\u00e1rio. A Universidade para n\u00f3s (estudantes) \u00e9 uma fase na vida em que decidimos o que queremos para o nosso futuro, mas para as pessoas que vivem nela, e que dela sobrevivem, representa o seu presente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alberi dedica uma vida \u00e0 Universidade, de segunda a segunda, 24 horas por dia. J\u00e9ssica Ribeiro\u00a0\u2013\u00a0ribeirojessica77@gmail.com Kelem Freitas Duarte\u00a0\u2013\u00a0kelemdf@gmail.com Na casa simples de cor azul, o caseiro sonhador faz planos para o futuro. J\u00e1 pr\u00f3ximo da aposentadoria, cultua um sonho da mesma cor, a vontade de seu Alberi \u00e9 morar \u201cperto de \u00e1gua e pescar\u201d. 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