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Consumo e descarte de resíduos sólidos ainda são uma questão no Brasil



Em um país de grandes dimensões como o nosso, o movimento de consumidores tem proporções consideráveis e se mostra um importante aliado para girar a economia. Apesar do consumo gerar dinheiro, o seu excesso provoca impactos negativos ao meio ambiente e coloca em risco nossa sociedade e as gerações posteriores a nossa. Em 2010, foi sancionada a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), lei que estabelece a maneira como os resíduos devem ser tratados, e as estratégias e metas para enfrentar problemas ambientais, sociais e econômicos. No entanto, há uma realidade distante das diretrizes impostas. A princípio o prazo para que os municípios dessem fim aos aterros sanitários era até 2014, porém o cenário com o qual nos deparamos foi a postergação deste prazo.

Atualmente, a data limite para que as prefeituras se adequem à lei é: capitais e regiões metropolitanas terão até agosto de 2021 para dar fim aos lixões, já as cidades que contam com mais de 100 mil habitantes têm até agosto de 2022. Para os municípios entre 50 e 100 mil habitantes o prazo é até 2023, e as cidades com menos de 50 mil habitantes têm até 2024 para promover a adequação à PNRS.

Fonte: iStockphoto.com/zeljkosantrac

Falta de práticas conscientes

De acordo com dados da ONU Meio Ambiente, o Brasil produz cerca de 541 mil toneladas de lixo ao dia, representando 40% do total gerado em toda a América Latina. O que garante sua liderança na produção de resíduos sólidos. Um outro levantamento realizado pela WWF (World Wildlife Fund), com base nos dados do Banco Mundial, apontou que o país produz aproximadamente 1 quilo de lixo plástico por habitante a cada semana.

Esses números alarmantes  se somam ao fato de que a prevenção, redução, reciclagem e reuso não são discussões desenvolvidas na sociedade, o que impacta diretamente no comportamento humano. Uma pesquisa de 2018, feita pelo Ibope, revelou que 66% dos brasileiros sabem pouco ou nada sobre coletas selecionadas, e 39% não separam o lixo.

O descaso político também é um impedimento na batalha contra o lixo, uma vez que as autoridades falharam em controlar o destino dos resíduos, que acabam indo para lixões e aterros sanitários, bem como em diminuir os riscos de contaminação das pessoas que trabalham com coleta. Menos da metade dos municípios brasileiros possui planos de gestão dos resíduos, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Como se não bastasse, juntamente aos Estados Unidos, o Brasil não aderiu ao acordo global proposto pela Organização das Nações Unidas, evento realizado em maio de 2020 que visa reduzir a poluição plástica no mundo, sediado em Genebra, na Suíça.

Caminhos para a mudança

Diversos países já aderiram a práticas que visam minimizar a quantidade de lixo e obtiveram resultados promissores. Em Hernani, município da Espanha, a população e o poder público entraram em consenso e passaram a reciclar 80% de seus resíduos. 

Um dos pontos necessários é entender que mesmo que alguns materiais possam ser reciclados e reutilizados, seu consumo deve ser desenfreado e liberado. O incentivo à prática de seleção do lixo de maneira correta também deve ser incentivado, assim como um planejamento eficiente para o destino dos resíduos sólidos por parte do poder público. Atualmente milhares de pessoas garantem sua renda a partir da separação de lixo. Isso quer dizer que, se houver interesse político, essa área pode ser promissora não só no âmbito ambiental, quanto social e econômico.

Texto: Alice Rodrigues e Luana Ferreira

Supervisão: Professora Cláudia Moraes, disciplina Comunicação, Cidadania e Ambiente

Especial para Íntegra

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