{"id":3463,"date":"2020-05-06T13:59:21","date_gmt":"2020-05-06T16:59:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/?p=3463"},"modified":"2020-05-15T13:54:53","modified_gmt":"2020-05-15T16:54:53","slug":"jornalismo-em-tempos-de-incertezas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/2020\/05\/06\/jornalismo-em-tempos-de-incertezas","title":{"rendered":"Jornalismo em Tempos de Incertezas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><em>O Professor Reges Schwaab conversa com estudantes e profissionais de Comunica\u00e7\u00e3o sobre as incertezas na conjuntura pol\u00edtica, social e cultural que interferem o fazer Jornalismo e a credibilidade dos profissionais.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima segunda-feira, 04\/05, no instagram da <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/instagram.com\/integraufsm\" target=\"_blank\">@integraufsm<\/a> foi realizada uma live junto com o professor <em><strong>Reges Schwaab<\/strong><\/em>, docente do <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ufsm.decom\/?__cft__[0]=AZUAC2xwMA8WpeXh2AgI75SYULyv_Ohrq7rpqD8RurgaUwwDWtgBn3ThpBJwYL01QOCfHtox5GqSUthXMy3FvLODED2T8nUXJGKtNtbdldfAh1w0Fcp-ItmNRakTNUMUDeGMivrgarq1D4dZC2K2E_QLo8vFpJeeH7Wwt7bNBcg0sg&amp;__tn__=kK-R\">Departamento de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o-UFSM \/ FW<\/a>, no qual proferiu uma discuss\u00e3o sobre&nbsp; o<em><strong> Jornalismo em tempos de Incertezas<\/strong><\/em>. O debate traz a reflex\u00e3o do papel do jornalismo e dos seus profissionais dentro da sociedade brasileira, em in\u00fameros momentos como os de <em>crises pol\u00edticas, cient\u00edficas e sanit\u00e1rias.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A <em>Ag\u00eancia Experimental<\/em>, com o objetivo de divulgar, mediar e integrar conhecimentos do <em>DECOM<\/em> da <em>UFSM de Frederico Westphalen<\/em>, convidou o professor para contribuir com esse debate. O Projeto de ensino<em><strong> MovimentA\u00e7\u00e3o: comunica\u00e7\u00e3o para forma\u00e7\u00e3o profissional e cidad\u00e3 por meio da Ag\u00eancia \u00cdntegra<\/strong><\/em>, com o objetivo de sensibilizar, articular e promover a delibera\u00e7\u00e3o acerca das tem\u00e1ticas que envolvem a Sustentabilidade, teve importantes contribui\u00e7\u00f5es do professor nas reflex\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 a segunda Live da s\u00e9rie, sendo que a primeira, com a professora Claudia H. de Moraes, falou sobre Educomunica\u00e7\u00e3o socioambiental, relatando a import\u00e2ncia de se pensar no papel educacional da comunica\u00e7\u00e3o, e como comunicadores podem contribuir com a sociedade na conscientiza\u00e7\u00e3o ambiental, pol\u00edtica, cient\u00edfica e cultural, de modo a possibilitar aos agentes participantes uma leitura cr\u00edtica do mundo. Com a Educomunica\u00e7\u00e3o, o fazer comunica\u00e7\u00e3o se torna participativo, de forma que consolida a credibilidade p\u00fablica da informa\u00e7\u00e3o qualificada e encaminha um novo modo de se fazer comunica\u00e7\u00e3o dentro das inova\u00e7\u00f5es na busca e recebimento da informa\u00e7\u00e3o. Para dar continuidade a este debate, o Professor Reges nos provoca a refletir sobre a import\u00e2ncia do Jornalismo em tempo de crise.<\/p>\n\n\n\n<p>Crise essa que perpassa por diferentes aspectos, n\u00edveis e teores. Por um lado, temos a crise da COVID-19, uma pandemia que faz o mundo inteiro parar e reviver lembran\u00e7as hist\u00f3ricas que n\u00e3o v\u00edamos desde 1920. Ainda no meio disso, uma crise pol\u00edtica que amea\u00e7a a popula\u00e7\u00e3o invis\u00edvel, como dito no programa de jornal com maior alcance nacional, que impulsiona mortes e desestrutura nossos direitos. Ainda, por outro lado, a crise da ci\u00eancia, que nasce do descr\u00e9dito e desmonte do conhecimento e de institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 neste contexto que o Reges ressalta que o descr\u00e9dito nas institui\u00e7\u00f5es e profissionais de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o fatores que corroboram a circula\u00e7\u00e3o do grande n\u00famero de not\u00edcias fraudulentas, intensificando as consequ\u00eancias das crises e evidenciando a  necessidade de se repensar em como a Comunica\u00e7\u00e3o, em espec\u00edfico o Jornalismo, pensa no para quem e para que agem. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/wp-content\/uploads\/sites\/813\/2020\/05\/10-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3465\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/813\/2020\/05\/10-1024x1024.png 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/813\/2020\/05\/10-300x300.png 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/813\/2020\/05\/10-150x150.png 150w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/813\/2020\/05\/10-768x768.png 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/813\/2020\/05\/10.png 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Segundo Reges, esses \u00faltimos anos mostrou que \u00e9 necess\u00e1rio uma reflex\u00e3o dos meios e profissionais de comunica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, pois o jornalismo brasileiro se encontra em descr\u00e9dito junto ao seu p\u00fablico, onde grandes ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o tem sua credibilidade colocada em cheque. \u00c9 necess\u00e1rio que os jornalistas fa\u00e7am uma autocr\u00edtica, eles devem pensar de como, e como funciona o papel social democr\u00e1tico do jornalismo.&nbsp; O momento agora&nbsp; \u00e9 de pensar em novas formas de se fazer o Jornalismo, \u00e9 momento de refletir o porqu\u00ea da descredibilidade dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o e dos seus profissionais. As diferentes crises que estamos vivendo agora na ci\u00eancia, educa\u00e7\u00e3o, meio ambiente e&nbsp; informa\u00e7\u00e3o mostram que este \u00e9 momento para reconstruir a credibilidade dos meios de comunica\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Fazer jornalismo \u00e9 fazer escolhas, ou seja \u00e9 escolher temas, letras, fotos e hist\u00f3rias para contar um acontecimento. Os Jornalistas tentam chegar o mais pr\u00f3ximo da realidade, para levar ao p\u00fablico informa\u00e7\u00e3o sobre o que est\u00e1 acontecendo no Brasil e no mundo. O Brasil \u00e9 um continente vasto, com diferentes culturas, povos e realidades dentro dele. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa n\u00e3o conseguem trazer todas as viv\u00eancias e realidades do povo brasileiro, ou como Regis diz \u201c o Brasil nunca foi ao Brasil\u2019\u2019. A pergunta que n\u00e3o quer calar, para quem \u00e9 feito o jornalismo no Brasil. Observando os grandes ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, eles focam seu olhar em um p\u00fablico branco, elitista e das grandes capitais do sudeste, deixando de lado outras hist\u00f3rias, viv\u00eancias e popula\u00e7\u00f5es do restante do pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A desigualdade no Brasil afeta o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, pois as diferen\u00e7as sociais acarretam a possibilidade de abranger todas as pessoas do pa\u00eds. Para ele \u00e9 necess\u00e1rio que os profissionais e os estudantes de jornalismo devem refletir sobre as discrep\u00e2ncias existentes no Brasil, eles devem levar em conta para suas mat\u00e9rias e reportagens que nem todo brasileiro tem acesso a uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade, cultura e lazer. Outro problema enfrentado por milhares de brasileiros \u00e9 a falta de acesso a internet, isso ocasiona diferentes formas de se informar e interpretar a realidade. Sendo assim,&nbsp; o profissional de comunica\u00e7\u00e3o deve levar em conta essas realidades na hora de construir o seu trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Schwaab tamb\u00e9m traz a discuss\u00e3o, sobre como uma parte da popula\u00e7\u00e3o desdenha do jornalismo, que n\u00e3o acredita e deprecia o trabalho destes profissionais. Com isso, essa parcela da sociedade busca outras formas de informar-se,&nbsp; como correntes no Whatsapp, ficando mais suscet\u00edvel a acreditar em Fake News, pois n\u00e3o checam se a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 verdadeira ou falsa.&nbsp; Os profissionais e estudantes de comunica\u00e7\u00e3o devem sempre pensar em seu p\u00fablico, \u00e9 um momento de analisar o p\u00fablico que perdeu a confian\u00e7a nos jornais de massa e seus profissionais; e o p\u00fablico que n\u00e3o tem acesso a internet no seu dia a dia e buscar formas de chegar at\u00e9 eles.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O jornalismo cometeu erros na forma de fazer jornalismo, ele flertou com movimentos antidemocr\u00e1ticos, levantou certas bandeiras, algumas das coisas que ele deveria combater. Juntando isso, com outros erros consecutivos, os jornais perderam sua credibilidade perante o p\u00fablico, um erro grave, pois credibilidade \u00e9 um capital&nbsp; dentro do se&nbsp; fazer Jornalismo. Com isso, uma parcela da popula\u00e7\u00e3o al\u00e9m de n\u00e3o confiar na imprensa, acha que ela n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria no processo democr\u00e1tico de direito. Juntando esses aspectos citados, junto com um governo que incita o \u00f3dio contra os profissionais de comunica\u00e7\u00e3o, temos vistos nos \u00faltimos meses diversos ataques verbais e f\u00edsicos contra jornalistas. O Brasil \u00e9 o 4\u00ba pa\u00eds mais&nbsp; perigoso do mundo para se ser jornalista, ficando atr\u00e1s do M\u00e9xico, Afeganist\u00e3o e Paquist\u00e3o segundo o senso de 2019 da ABI(Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa). \u00c9 preciso buscar formas de tornar o trabalho dos profissionais de imprensa&nbsp; mais seguros, pois assim a informa\u00e7\u00e3o que \u00e9 um direito de todo cidad\u00e3o pode chegar a seu destino.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil al\u00e9m de ser um lugar perigoso para ser um profissional de jornalismo, \u00e9 um pa\u00eds que n\u00e3o valoriza esses profissionais, pois n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ter diploma para exercer a profiss\u00e3o, sendo assim muitos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o prestam um servi\u00e7o de qualidade duvidosa. E com o congresso atual, \u00e9 pouco prov\u00e1vel que este cen\u00e1rio mude nos pr\u00f3ximos anos, mesmo assim este fato \u00e9 um tema discutido recorrente no meio jornal\u00edstico. A valoriza\u00e7\u00e3o do profissional, e o requerimento de diploma para fun\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica deve permanecer na luta da classe para um jornalismo s\u00e9rio e de qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Reges o jornalismo \u00e9 um local de alteridade, pois reportagens n\u00e3o podem ser superficiais, elas tamb\u00e9m n\u00e3o podem apenas checar os n\u00fameros de v\u00edtimas e perdas materiais, ou na divulga\u00e7\u00e3o semelhante dos fatos. O jornalismo deve pensar nas intersec\u00e7\u00e3o dos acontecimentos, das pessoas envolvidas e dos meios em que elas vivem. O rep\u00f3rter deve fazer o recorte que envolva classe, g\u00eanero, ra\u00e7a, cultura, viv\u00eancias e pol\u00edticas para narrar algum acontecimento, pois elas podem ter impactos de causa e consequ\u00eancia dos acontecimentos descritos nas reportagens. O profissional deve entender que cada hist\u00f3ria tem sua singularidade, dentro dos borr\u00f5es que o jornalismo faz dentro daquilo que eles chamam de reflexo da realidade. Pois na realidade, o jornalismo n\u00e3o reflete totalmente a realidade, mas sim parte dela, ent\u00e3o ele acaba deixando aspectos das viv\u00eancias e das realidades de brasileiros no raso, sem aprofundar as peculiaridades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Deve-se entender que o jornalismo n\u00e3o deve apenas informar, mas tamb\u00e9m educar, levar pluralidade de temas e de pessoas. Este pensamento deve vir de dentro das universidades, de como fazer o jornalismo mais plural, profundo e de como ele pode chegar a todos, principalmente de quem tem necessidade de informa\u00e7\u00e3o. Ela deve pensar em como&nbsp; furar a bolha, para chegar em toda a sociedade. Para finalizar o papel do jornalista \u00e9 fazer que a alteridade seja entendida, feita e fragmentada por todos na sociedade.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/wp-content\/uploads\/sites\/813\/2020\/05\/5-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3464\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/813\/2020\/05\/5-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/813\/2020\/05\/5-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/813\/2020\/05\/5-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/813\/2020\/05\/5-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/813\/2020\/05\/5.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\"><em>Por <strong>Andr\u00e9 Luis<\/strong> e <strong>Kaw\u00ea Veronezi<\/strong><br>Orientado pela professora <strong>Mirian Quadros<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Professor Reges Schwaab conversa com estudantes e profissionais de Comunica\u00e7\u00e3o sobre as incertezas na conjuntura pol\u00edtica, social e cultural que interferem o fazer Jornalismo e a credibilidade dos profissionais. 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