{"id":3830,"date":"2021-02-03T16:59:07","date_gmt":"2021-02-03T19:59:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/?p=3830"},"modified":"2021-03-15T15:21:51","modified_gmt":"2021-03-15T18:21:51","slug":"bota-a-cara-na-paisagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/2021\/02\/03\/bota-a-cara-na-paisagem","title":{"rendered":"Bota a cara na paisagem"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"466\" height=\"466\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/VUcyNfa0dltmKz1axaaJo3-7dPTIgp0xiMTvF7UMOr02cJl_bi_FxCY19t_YQYRQGF7eiLdF_RhofN5RNE46C74BhA6O1DelABQF1T3hSkAMbLgizN4TzuzAqOWthBpeWz4Coc5B\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, embora haja a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas relacionadas \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o de paisagens consideradas &#8220;belas&#8221; e &#8220;raras&#8221;, segundo publica\u00e7\u00e3o do professor Oliveira em 2015, ainda s\u00e3o incipientes as iniciativas voltadas para agenciar as paisagens cotidianas, as de zonas vizinhas \u00e0s cidades, as abandonadas pela agricultura ou mesmo aquelas invadidas pelos equipamentos tur\u00edsticos, que v\u00eam degradando as pr\u00f3prias paisagens que pretendem divulgar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Conven\u00e7\u00e3o Europeia da Paisagem \u00e9 um modelo interessante a ser seguido. Propondo novas estrat\u00e9gias de gest\u00e3o, prote\u00e7\u00e3o e ordenamento da paisagem, ela conta com a valida\u00e7\u00e3o da maioria dos Estados-membros do Conselho da Europa. Constitui o primeiro tratado internacional exclusivamente voltado para a paisagem e determina que todos t\u00eam direito \u00e0 qualidade nesse \u00e2mbito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um exemplo de aplica\u00e7\u00e3o das propostas dessa Conven\u00e7\u00e3o em grande escala, indicado por Oliveira neste mesmo cap\u00edtulo, \u00e9 o Parque De La De\u00fble, situado em Lille, ao norte da Fran\u00e7a. Em um territ\u00f3rio p\u00f3s industrial e degradado o parque &#8211; contemplado com os pr\u00eamios da Paisagem da Fran\u00e7a e da Paisagem do Conselho da Europa &#8211; demonstra a possibilidade de \u201cinverter\u201d a tradicional rela\u00e7\u00e3o entre cidade e natureza, determinando como a cidade deve &#8220;avan\u00e7ar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/8q4xprcNxMfeL1ZI6hfuOHHxQ7EH-MVtgSvci7P1-AKdvzCm2w3kt80QfcIrinPHwl7nMi1YTxPZ9CG0ESyK71Kct7qCATvNyS1-xNVGXTTXTWwgX-mY9UPInBO0zq6KE_tobZI3\" alt=\"\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para essa reconcilia\u00e7\u00e3o dos mundos urbano-rural e &#8220;natural&#8221;, o parque conta com \u00e1reas de lazer ligadas \u00e0s terras agr\u00edcolas, al\u00e9m da padroniza\u00e7\u00e3o de limites dessas propriedades. A prote\u00e7\u00e3o de ecossistemas e recursos h\u00eddricos e a revitaliza\u00e7\u00e3o de canais de drenagem tamb\u00e9m foram medidas tomadas para o projeto, assim como a implementa\u00e7\u00e3o de grandes vias estruturantes interligando os espa\u00e7os seminaturais e semirrurais \u00e0s \u00e1reas urbanizadas. Desse modo, a paisagem determina as \u00e1reas urbanas e o planejamento dos espa\u00e7os livres da cidade determinam como e para onde ela ir\u00e1 crescer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Avaliando desde outra escala e tomando como exemplo \u201cnosso terreno mais pr\u00f3ximo\u201d, ou seja, o da paisagem das universidades, h\u00e1 o campus do arroz na Universidade de Shenyang. Projetado pelo paisagista e professor chin\u00eas Kongjian Yu, popularmente conhecido por seu trabalho em defesa da reconstru\u00e7\u00e3o da infraestrutura ecol\u00f3gica e defini\u00e7\u00e3o de uma nova est\u00e9tica baseada na \u00e9tica ambiental. Veja mais no site <a href=\"http:\/\/www.turenscapeacademy.com\/\">http:\/\/www.turenscapeacademy.com\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Levando em considera\u00e7\u00e3o os in\u00fameros hectares de terra f\u00e9rtil dos campus da China e seu baixo aproveitamento &#8211; assim como no Brasil, onde predominam grandes vazios gramados normalmente pontilhados por esparsos canteiros de flores &#8211; Kongjian Yu desenvolveu um projeto de melhor aproveitamento e funcionalidade para essas \u00e1reas: um campo de arroz.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/_Ungx0EEFiTaxfgtDwvRZPItGuRQCRCp95MgYGAAL97kHvkB1upZPM0-nY7CKFTPv2LrrzQ0GbetWVdKrr1Zk-P6FvNGiZ4AqpXgK_9f6MKnLm0r63GX1P4jjThwoPJEKpWHdnQS\" alt=\"\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/GxXoqW3dQfUdFL8Jk2cRef25SgqlTs_HYl1AlO4xV3jD4eG1306P_AgO-kBMXjkqfbqRw43P5-0Ds4ZQZ6fGdKLuTLwibO2-OKvtoTjeR_Uj3T4A2bJNjEsgykqMR1Ymr7RvitvP\" alt=\"\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O campo de arroz, al\u00e9m de organizar a paisagem do campus, gerar empregos, alimento e renda, proporciona inclus\u00e3o ao localizar salas de estudo abertas em meio \u00e0s planta\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, a \u00e1gua da chuva \u00e9 coletada para criar um lago que tamb\u00e9m serve como reservat\u00f3rio para irrigar o campo de arroz em frente \u00e0s salas de aula.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/uWKMQTS-NcmMBXyd8h38ZxMECcBA1X7gWtF829LUCe71tFIhip0Ec45Jq_aoawZkmcL1R6t9N3Gl62vtibZwsAJwjpBslaM2VLoPhdQKufVGNg5pNs99LwJch3GQfSagGgwUHrCv\" alt=\"\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/izr20B_BTomswuUdICHFqaFMG6LrwzxE1bg8Sk_5tgZcL42Us1cg5dD5fH-HseNHzgq5a11o70YFLYeY_obrfhv3LeyccAnQsSJGFTxH8-G_CSVQ99C__7pNSipdxvvXY4SXnVIt\" alt=\"\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/77E7tLtmH6qBZ6ohURVnD8EYbayhJuxaNJKqi-kys3edq6cd0lUOuAe5K0-FgLlh0Tr3iP8brVR2Z3cj6uIxl5FH-sRuUqhU4EMeep7vQ9l55mK2zDdpcT6CvSJUYsym0iwNdG0-\" alt=\"\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse plantio de arroz nos d\u00e1 tamb\u00e9m a possibilidade de questionar, de forma \u201ct\u00e9cnica\u201d nossa rela\u00e7\u00e3o de supremacia sobre as plantas. O geneticista Alex Kahmn, em uma confer\u00eancia p\u00fablica em 13 de novembro de 2004, que comparava a quantidade de genes do arroz e dos seres humanos exp\u00f4s um ponto de vista inovador aos seus colegas bi\u00f3logos: \u201cvoc\u00eas tinham raz\u00e3o, quanto mais evolu\u00eddo for um organismo mais genes ele ter\u00e1. N\u00f3s devemos nos render a essa evid\u00eancia, o arroz \u00e9 mais evolu\u00eddo que n\u00f3s\u201d. Pressionado a explicar o paradoxo, ele observou \u201ctentem \u2013 disse Alex Kahn \u2013 passar sua vida inteira com os p\u00e9s dentro d\u2019\u00e1gua, tendo como \u00fanico alimento o g\u00e1s carb\u00f4nico e a luz solar. Com toda certeza, voc\u00eas n\u00e3o sobreviveriam a isto. O arroz, por\u00e9m, sobrevive gra\u00e7as ao seu genoma, muito mais complexo que o do ser humano (pois este \u00faltimo, como os animais m\u00f3veis, vive em condi\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis e relativamente ao abrigo das intemp\u00e9ries).\u201d Essa hist\u00f3ria foi contada no livro \u00cbloge de la plante (p. 322), com tradu\u00e7\u00e3o de Ana Rosa de Oliveira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A planta, por ser fixa, enfrenta as adversidades ao inv\u00e9s de fugir delas, diferente dos animais, que o fazem com tanta frequ\u00eancia. Talvez esteja a\u00ed a resposta para um conv\u00edvio mais respeitoso e baseado no aux\u00edlio m\u00fatuo entre as esp\u00e9cies. Compreender o papel desempenhado por cada ser vivo, sem desmerecer ou inferiorizar qualquer que seja, poderia ser um in\u00edcio. Afinal, aprender a conviver de forma respons\u00e1vel s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando investimos tempo e interesse em nossas rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">YU, Kongjian (Building Ecological Chinese Cities: The need of a big foot Revolution) Regional Outlook Paper: No. 28, 2011.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttp:\/\/www.turenscapeacademy.com\/\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HALL\u00c9, Francis. \u00cbloge de la plante (p. 322) \u2013 tradu\u00e7\u00e3o de Ana Rosa de Oliveira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">OLIVEIRA, A. R. Paisagens de resist\u00eancia: pr\u00e1ticas de sustentabilidade e conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. In (A vegeta\u00e7\u00e3o nativa no planejamento e no projeto paisag\u00edstico), Rio de Janeiro: RioBooks, 2015, p\u00e1gs. 69 \u2013 73<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagem Parque de la De\u00fble dispon\u00edvel em:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Parc_de_la_De%C3%BBle_P%C3%A2tures_%C3%A0_wavrin.jpg\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagens campos de arroz de Turenscape Academy em: https:\/\/www.turenscape.com\/en\/project\/detail\/324.html<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conven\u00e7\u00e3o Europeia da Paisagem: http:\/\/www.dhnet.org.br\/direitos\/sip\/euro\/ue_convencao_eu_paisagem.pdf<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttp:\/\/www.turenscapeacademy.com\/\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Texto: Mara Patricia Souza Teixeira, Marina de Oliveira Boschetti e Witor Santos Silva<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left wp-block-paragraph\"><strong>Supervis\u00e3o: Professora Cl\u00e1udia Moraes, disciplina Comunica\u00e7\u00e3o, Cidadania e Ambiente<\/strong> &#8211; <strong>Especial para \u00cdntegra<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, embora haja a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas relacionadas \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o de paisagens consideradas &#8220;belas&#8221; e &#8220;raras&#8221;, segundo publica\u00e7\u00e3o do professor Oliveira em 2015, ainda s\u00e3o incipientes as iniciativas voltadas para agenciar as paisagens cotidianas, as de zonas vizinhas \u00e0s cidades, as abandonadas pela agricultura ou mesmo aquelas invadidas pelos equipamentos tur\u00edsticos, que v\u00eam [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2784,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[310,323],"class_list":["post-3830","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-movimentacao","tag-ods11","tag-uma-ufsm"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3830","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2784"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3830"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3830\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3830"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3830"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3830"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}