{"id":4379,"date":"2026-09-18T09:14:35","date_gmt":"2026-09-18T12:14:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/?p=4379"},"modified":"2026-09-18T09:21:29","modified_gmt":"2026-09-18T12:21:29","slug":"brasil-avanca-na-igualdade-de-genero-mas-ainda-faltam-mulheres-na-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/2026\/09\/18\/brasil-avanca-na-igualdade-de-genero-mas-ainda-faltam-mulheres-na-politica","title":{"rendered":"Brasil avan\u00e7a na igualdade de g\u00eanero, mas ainda faltam mulheres na pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil apresenta avan\u00e7os em diferentes indicadores de igualdade de g\u00eanero, mas ainda<br>enfrenta obst\u00e1culos estruturais para garantir a participa\u00e7\u00e3o plena das mulheres nos espa\u00e7os de<br>poder. Segundo dados divulgados pela ONU Mulheres a partir do Sustainable Development<br>Report 2026, apenas 17,2% das cadeiras do Parlamento brasileiro s\u00e3o ocupadas por mulheres.<br>O indicador permanece estagnado, enquanto \u00e1reas como educa\u00e7\u00e3o, planejamento familiar e<br>participa\u00e7\u00e3o feminina na for\u00e7a de trabalho apresentam evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left wp-block-paragraph\"><strong>Igualdade de g\u00eanero como objetivo de desenvolvimento sustent\u00e1vel<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A igualdade entre homens e mulheres constitui uma das metas centrais da Agenda 2030<br>para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, estabelecida pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas<br>(ONU). Entre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), o ODS 5 tem como<br>finalidade alcan\u00e7ar a igualdade de g\u00eanero e empoderar todas as mulheres e meninas.<br>A discuss\u00e3o sobre igualdade de g\u00eanero ultrapassa a garantia formal de direitos. O ODS<br>5 envolve diferentes dimens\u00f5es da vida social, incluindo o combate \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o e \u00e0<br>viol\u00eancia, a participa\u00e7\u00e3o das mulheres em espa\u00e7os de tomada de decis\u00e3o, o acesso \u00e0<br>educa\u00e7\u00e3o, a autonomia econ\u00f4mica e a divis\u00e3o das responsabilidades dom\u00e9sticas e de cuidado.<br>Nesse contexto, os indicadores apresentados em 2026 permitem observar tanto<br>conquistas quanto limita\u00e7\u00f5es brasileiras no processo de constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais<br>igualit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Brasil apresenta avan\u00e7os, mas participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o acompanha o mesmo ritmo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com a ONU Mulheres (2026), o Brasil apresenta resultados positivos em tr\u00eas<br>indicadores centrais relacionados ao ODS 5. Um deles \u00e9 o acesso ao planejamento familiar:<br>89,8% das mulheres em idade reprodutiva t\u00eam sua demanda por planejamento familiar atendida<br>por m\u00e9todos modernos.<br>Na educa\u00e7\u00e3o, o pa\u00eds tamb\u00e9m apresenta um resultado expressivo. A raz\u00e3o entre os anos<br>m\u00e9dios de estudo de mulheres e homens chega a 105,5%, o que significa que as mulheres<br>brasileiras apresentam, em m\u00e9dia, maior escolaridade do que os homens.<br>Outro indicador em trajet\u00f3ria de melhora est\u00e1 relacionado \u00e0 participa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. A<br>for\u00e7a de trabalho feminina corresponde a 72,8% da participa\u00e7\u00e3o masculina. Apesar da<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">evolu\u00e7\u00e3o, o dado evidencia que ainda existe uma diferen\u00e7a significativa entre homens e<br>mulheres no mercado de trabalho.<br>O principal ponto de estagna\u00e7\u00e3o, entretanto, est\u00e1 na esfera pol\u00edtica. As mulheres<br>ocupam somente 17,2% das cadeiras do Parlamento brasileiro, percentual considerado<br>estagnado pelo relat\u00f3rio. Segundo a ONU Mulheres (2026), esse \u00e9 o \u00fanico indicador do ODS 5<br>analisado no qual o Brasil n\u00e3o apresenta avan\u00e7o relevante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A import\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o feminina na pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A presen\u00e7a das mulheres na pol\u00edtica constitui uma dimens\u00e3o fundamental para o<br>cumprimento do ODS 5. A participa\u00e7\u00e3o nos espa\u00e7os de decis\u00e3o possibilita que diferentes<br>experi\u00eancias e demandas sociais sejam consideradas na elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas.<br>A baixa representa\u00e7\u00e3o feminina, portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o quantitativa. Ela<br>tamb\u00e9m est\u00e1 relacionada \u00e0 capacidade das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas de representar a<br>diversidade da sociedade.<br>Nesse sentido, alcan\u00e7ar maior equil\u00edbrio entre homens e mulheres na pol\u00edtica significa<br>ampliar a participa\u00e7\u00e3o feminina em espa\u00e7os como parlamentos, governos, partidos pol\u00edticos e<br>demais institui\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis pela tomada de decis\u00f5es.<br>O percentual de 17,2% apresentado pelo Brasil demonstra que existe uma dist\u00e2ncia<br>consider\u00e1vel entre a participa\u00e7\u00e3o feminina na sociedade e sua presen\u00e7a nas estruturas formais<br>de poder. O desafio, portanto, n\u00e3o est\u00e1 apenas em garantir que as mulheres tenham acesso \u00e0<br>educa\u00e7\u00e3o e ao mercado de trabalho, mas tamb\u00e9m em criar condi\u00e7\u00f5es para que possam ocupar<br>posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a e decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Educa\u00e7\u00e3o: avan\u00e7o que ainda precisa se transformar em oportunidades<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados sobre educa\u00e7\u00e3o representam um dos principais avan\u00e7os observados no Brasil.<br>Com uma raz\u00e3o de 105,5% entre os anos m\u00e9dios de estudo de mulheres e homens, o pa\u00eds<br>demonstra que as mulheres brasileiras alcan\u00e7aram, em m\u00e9dia, n\u00edveis de escolaridade<br>superiores aos dos homens.<br>Esse resultado \u00e9 significativo porque a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 frequentemente apontada como um<br>dos instrumentos fundamentais para ampliar oportunidades sociais e econ\u00f4micas.<br>Entretanto, maior escolaridade n\u00e3o significa automaticamente igualdade de<br>oportunidades. A perman\u00eancia de desigualdades no mercado de trabalho e nos espa\u00e7os de<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">poder demonstra que outros fatores estruturais continuam influenciando a trajet\u00f3ria profissional<br>e pol\u00edtica das mulheres.<br>Dessa forma, o desafio relacionado ao ODS 5 passa pela transforma\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0<br>educa\u00e7\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es efetivas de autonomia, participa\u00e7\u00e3o e reconhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Trabalho e autonomia econ\u00f4mica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A participa\u00e7\u00e3o das mulheres na for\u00e7a de trabalho tamb\u00e9m aparece como um indicador<br>em trajet\u00f3ria de melhora. Entretanto, a propor\u00e7\u00e3o de 72,8% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 participa\u00e7\u00e3o<br>masculina evidencia que a inser\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica ainda n\u00e3o ocorre de maneira equivalente.<br>A autonomia econ\u00f4mica \u00e9 uma dimens\u00e3o importante da igualdade de g\u00eanero porque<br>est\u00e1 relacionada \u00e0 capacidade das mulheres de tomar decis\u00f5es sobre suas pr\u00f3prias vidas,<br>ampliar sua independ\u00eancia e participar de forma mais efetiva da sociedade.<br>As desigualdades no mercado de trabalho tamb\u00e9m podem ser influenciadas pela<br>distribui\u00e7\u00e3o das responsabilidades dom\u00e9sticas e de cuidado. Quando essas atividades s\u00e3o<br>atribu\u00eddas predominantemente \u00e0s mulheres, podem reduzir o tempo dispon\u00edvel para forma\u00e7\u00e3o<br>profissional, trabalho remunerado e participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<br>Assim, o cumprimento do ODS 5 depende de pol\u00edticas que n\u00e3o apenas ampliem o<br>acesso das mulheres ao mercado de trabalho, mas tamb\u00e9m enfrentem as condi\u00e7\u00f5es que<br>dificultam sua perman\u00eancia e ascens\u00e3o profissional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O Brasil no cen\u00e1rio internacional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O desempenho brasileiro no ODS 5 est\u00e1 inserido em um cen\u00e1rio internacional de<br>avan\u00e7os lentos. Segundo a ONU Mulheres (2026), menos de 20% das metas dos Objetivos de<br>Desenvolvimento Sustent\u00e1vel est\u00e3o em rota de cumprimento no mundo.<br>No conjunto dos ODS, o Brasil ocupa a 53a posi\u00e7\u00e3o entre 169 pa\u00edses, com pontua\u00e7\u00e3o de<br>74,2. O pa\u00eds est\u00e1 acima da m\u00e9dia da Am\u00e9rica Latina e do Caribe e acumulou crescimento de<br>4,3 pontos desde 2015.<br>Apesar desse resultado, a ONU Mulheres alerta para obst\u00e1culos que podem<br>comprometer o avan\u00e7o da igualdade de g\u00eanero, como conflitos, cortes or\u00e7ament\u00e1rios e<br>retrocessos nos direitos das mulheres.<br>Outro problema destacado pelo relat\u00f3rio \u00e9 a aus\u00eancia de dados internacionais<br>compar\u00e1veis sobre a viol\u00eancia contra as mulheres. A falta de informa\u00e7\u00f5es consistentes dificulta a identifica\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o do problema e, consequentemente, a formula\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o de<br>pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O desafio de cumprir o ODS 5 at\u00e9 2030<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados apresentados demonstram que o Brasil n\u00e3o parte de uma situa\u00e7\u00e3o de<br>aus\u00eancia de avan\u00e7os. Pelo contr\u00e1rio, existem resultados positivos em \u00e1reas como educa\u00e7\u00e3o,<br>planejamento familiar e participa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Entretanto, os indicadores tamb\u00e9m mostram<br>que o progresso n\u00e3o acontece de maneira uniforme.<br>A perman\u00eancia de uma baixa representa\u00e7\u00e3o feminina na pol\u00edtica evidencia uma das<br>principais barreiras para a consolida\u00e7\u00e3o da igualdade de g\u00eanero. Al\u00e9m disso, as diferen\u00e7as na<br>participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho demonstram que a autonomia econ\u00f4mica ainda n\u00e3o foi<br>plenamente alcan\u00e7ada.<br>O ODS 5, portanto, deve ser compreendido como um objetivo transversal, relacionado a<br>diferentes dimens\u00f5es do desenvolvimento sustent\u00e1vel. A igualdade de g\u00eanero influencia a<br>educa\u00e7\u00e3o, o trabalho, a sa\u00fade, a democracia, a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades e a qualidade das<br>institui\u00e7\u00f5es.<br>Para que as metas da Agenda 2030 sejam alcan\u00e7adas, ser\u00e1 necess\u00e1rio transformar<br>avan\u00e7os pontuais em mudan\u00e7as estruturais. Isso envolve ampliar a participa\u00e7\u00e3o das mulheres<br>nos espa\u00e7os de decis\u00e3o, combater diferentes formas de viol\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o, promover<br>autonomia econ\u00f4mica e garantir oportunidades iguais.<br>O cen\u00e1rio brasileiro apresentado em 2026 revela, assim, uma realidade de avan\u00e7os e<br>contradi\u00e7\u00f5es. As mulheres conquistaram maior escolaridade e apresentam evolu\u00e7\u00e3o em<br>indicadores econ\u00f4micos e de sa\u00fade, mas continuam sub-representadas nos espa\u00e7os pol\u00edticos.<br>O desafio para os pr\u00f3ximos anos ser\u00e1 fazer com que os avan\u00e7os j\u00e1 conquistados se convertam<br>em maior igualdade efetiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Por Yasmim Della Mea Nilson &#8211; Bolsista do Projeto Agenda 2030.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Fonte consultada:<\/em><br>https:\/\/brasil.unwomen.org\/pt-br\/stories\/noticia\/2026\/07\/relatorio-ods-5-em-2026 <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados do Sustainable Development Report 2026 mostram avan\u00e7os brasileiros em educa\u00e7\u00e3o, planejamento familiar e mercado de trabalho<\/p>\n","protected":false},"author":9603,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[349,355,285],"class_list":["post-4379","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-movimentacao","tag-agencia","tag-destaques","tag-ufsm-fw"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4379","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9603"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4379"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4379\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4379"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4379"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/integra\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4379"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}