{"id":118,"date":"2024-03-12T20:35:38","date_gmt":"2024-03-12T23:35:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/?p=118"},"modified":"2024-04-16T13:00:15","modified_gmt":"2024-04-16T16:00:15","slug":"o-cerne-do-saber","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/2024\/03\/12\/o-cerne-do-saber","title":{"rendered":"O cerne do saber"},"content":{"rendered":"\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><em><strong>A hist\u00f3ria de uma fam\u00edlia de marceneiros e a experi\u00eancia que passa de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/h5>\n\n\n\n<p><em>Brenda Oliveira, Isadora Torres e Julia Cechin<\/em><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"680\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Brenda-1024x680.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-199\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Brenda-1024x680.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Brenda-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Brenda-768x510.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Brenda-1536x1020.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Brenda-272x182.jpg 272w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Brenda.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto: <\/em>Brenda Oliveira<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Todos os dias, nas primeiras horas da manh\u00e3, o marceneiro Luiz Centenaro Argenta, 69 anos, e a esposa Clarinda Argenta, 68 anos, abrem as portas do estabelecimento n\u00famero 1845 da Avenida Lu\u00eds Milani em Frederico Westphalen (RS). No ch\u00e3o coberto de poeira da Marcenaria Argenta, o casal vai deixando o desenho dos passos por onde se movimentam. A trajet\u00f3ria dos p\u00e9s leva a peda\u00e7os de madeira espalhados pelo ch\u00e3o, m\u00e1quinas e m\u00f3veis ainda inacabados. A cor predominante \u00e9 o marrom. O lugar tem cheiro de madeira na maior parte do dia, s\u00f3 abrindo espa\u00e7o para o aroma de caf\u00e9, ou do chimarr\u00e3o, nos fins de tarde.<\/p>\n\n\n\n<p>A poucos metros de dist\u00e2ncia, o filho, tamb\u00e9m marceneiro, Cleomar Argenta, 40 anos, tamb\u00e9m marca o ch\u00e3o poeirento da A3 M\u00f3veis enquanto se prepara para mais um dia de trabalho. Todo dia, antes de come\u00e7ar o expediente, liga o r\u00e1dio, sempre sintonizado na mesma esta\u00e7\u00e3o. O costume vem dos pais, que, com o r\u00e1dio ligado, j\u00e1 est\u00e3o com as m\u00e1quinas funcionando.<\/p>\n\n\n\n<p>O neto do casal, Henrique Argenta, cinco anos, ainda est\u00e1 dormindo. Quando acordar, o menino vai procurar os brinquedos de madeira que ele mesmo fez na marcenaria do av\u00f4. Henrique, assim como o pai, \u00e9 acostumado com as ferramentas, m\u00e1quinas e t\u00e1buas. As tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es da fam\u00edlia s\u00e3o marcadas por um saber que vem do dia a dia da lida com a madeira.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Ess\u00eancia familiar<\/h3>\n\n\n\n<p>A experi\u00eancia profissional de Cleomar Argenta, chamado de Dede pela fam\u00edlia e amigos, come\u00e7ou no dia em que Luiz e Clarinda decidiram abrir a empresa. A Marcenaria Argenta foi a sala de aula n\u00e3o convencional de Dede.<\/p>\n\n\n\n<p>Para quem entra pela primeira vez na marcenaria \u00e9 intrigante olhar para tantas m\u00e1quinas, com diferentes formas, sem se perguntar como algu\u00e9m pode saber manusear tantos equipamentos com a t\u00e9cnica necess\u00e1ria. Dede explica: \u201c\u00c9 a experi\u00eancia, n\u00e9?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O lugar fez parte da hist\u00f3ria da fam\u00edlia antes mesmo de abrir as portas pela primeira vez. \u201cA gente ajudou a cavoucar tudo para ele [Luiz] colocar as m\u00e1quinas\u201d, relembra Dede. A express\u00e3o \u201ca gente\u201d na fala se refere ao pai, \u00e0 m\u00e3e e ao irm\u00e3o, sempre juntos nos primeiros anos da f\u00e1brica.<\/p>\n\n\n\n<p>Dede, hoje dono da sua pr\u00f3pria marcenaria, a A3, diz que o pai nunca o treinou formalmente para ser marceneiro. \u201cN\u00f3s ficamos dentro da firma desde pequenos, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nem que ele ensinou, a gente foi aprendendo junto\u201d, esclarece.<\/p>\n\n\n\n<p>Onde acaba a escada de acesso para a antiga casa da fam\u00edlia come\u00e7am as paredes da Marcenaria Argenta. A inf\u00e2ncia de Dede \u00e9 marcada por essa proximidade e, com o dia a dia, o marceneiro se acostumou com o barulho dos equipamentos e com a serragem espalhada pelos cantos. A repeti\u00e7\u00e3o das tarefas dentro da marcenaria permitiu que Dede aprendesse por meio da pr\u00e1tica como transformar pe\u00e7as de madeira em m\u00f3veis e objetos.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns trabalhos s\u00e3o simples, outros demandam mais tempo e tem alguns que ficam marcados na mem\u00f3ria. \u201cQuando eu estava trabalhando com o pai chegavam m\u00f3veis de at\u00e9 80 anos para restaura\u00e7\u00e3o, entalhados \u00e0 m\u00e3o\u201d, relembra Dede. \u201cEm alguns casos, as pessoas sentem ang\u00fastia no momento de entregar objetos antigos ou raros para recupera\u00e7\u00e3o\u201d, revela ainda.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando surge alguma d\u00favida no processo da fabrica\u00e7\u00e3o, Dede recorre aos marceneiros mais velhos, com mais anos de experi\u00eancia. Luiz Centenaro, o pai, \u00e9 o primeiro contato nessa lista de assist\u00eancia. \u201cBah, n\u00e3o deu certo isso, como \u00e9 que eu fa\u00e7o? Da\u00ed ele [Luiz] me d\u00e1 uma m\u00e3o, se ele n\u00e3o sabe: fala com fulano de tal que ele vai te dar uma dica\u201d, explicou o marceneiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando era mais jovem, Dede tentou fazer um curso na \u00e1rea para adquirir mais conhecimento, mas acabou desistindo. A dificuldade foi que o marceneiro, \u00e0s vezes, sabia mais que o professor. \u201cNo curso eu tinha que dizer para o professor \u201cOlha isso a\u00ed n\u00e3o vai dar certo, fa\u00e7a diferente que \u00e9 mais f\u00e1cil e melhor\u201d, relatou Dede.<\/p>\n\n\n\n<p>O marceneiro ressalta que conversar com os profissionais mais experientes \u00e9 sempre a melhor op\u00e7\u00e3o. \u201cVoc\u00ea aprende nas coisas antigas, voc\u00ea n\u00e3o aprende nas coisas novas, o novo j\u00e1 vem pronto\u201d, ensinou. Dede coleciona mais de vinte anos de profiss\u00e3o, e diz: \u201cAinda tem muita coisa que eu n\u00e3o sei\u201d. Ocasionalmente, o marceneiro tenta compreender alguma t\u00e9cnica desconhecida praticando at\u00e9 acertar ou discando o n\u00famero do pai.<\/p>\n\n\n\n<p>O passado dos Argenta foi dentro de diferentes marcenarias. Luiz conta que quase toda a fam\u00edlia trabalhou com a madeira e, na sua opini\u00e3o, n\u00e3o existe servi\u00e7o melhor do que ser marceneiro. \u201cHoje tu faz um servi\u00e7o e amanh\u00e3 tu faz outro diferente. Jamais faz o mesmo servi\u00e7o\u201d, diz o pai.<\/p>\n\n\n\n<p>A f\u00e1brica, al\u00e9m de local de trabalho, \u00e9 espa\u00e7o para risadas, brincadeiras e conversas com os netos e filhos. A m\u00e3e, Clarinda Argenta, costumeiramente com o chimarr\u00e3o na m\u00e3o, fala que criou os filhos dentro da marcenaria. \u201cToda a hist\u00f3ria da fam\u00edlia t\u00e1 aqui dentro\u201d, conta entre uma cuia e outra. Essa hist\u00f3ria, que come\u00e7ou na marcenaria dos pais, se repete no dia a dia de Dede. As semelhan\u00e7as v\u00e3o do jeito de anotar pedidos at\u00e9 o ambiente de trabalho em si.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cerne_5_IsadoraTorres-683x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-165\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cerne_5_IsadoraTorres-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cerne_5_IsadoraTorres-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cerne_5_IsadoraTorres-768x1152.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cerne_5_IsadoraTorres-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cerne_5_IsadoraTorres-1365x2048.jpg 1365w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cerne_5_IsadoraTorres-scaled.jpg 1707w\" sizes=\"(max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto: Isadora Torres<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Pais e filhos<\/h3>\n\n\n\n<p>Ao conviver tanto com uma pessoa, fica claro que costumes e manias acabam passando de um para o outro. Isso aconteceu com seu Argenta e Dede, que dividem praticamente a mesma rotina de trabalho. A de Cleomar, mais intensa, clientes, encomendas e entregas acontecem o tempo todo independente de ser hor\u00e1rio comercial ou n\u00e3o. Afinal \u201cdepois que a gente vira chefe perde totalmente a vida, n\u00e3o tem hor\u00e1rio pra atender, nem pra ficar\u201d, afirma Dede, sem hor\u00e1rio para sair da empresa, mas com tempo reservado para ficar com o filho Henrique, no fim do dia.<\/p>\n\n\n\n<p>A rotina de Argenta j\u00e1 foi muito parecida com a do filho, mesmo n\u00e3o utilizando nenhuma forma de comunica\u00e7\u00e3o, apenas no boca a boca pela cidade. Isso n\u00e3o ocorre mais hoje em dia. Por conta da idade, seu Argenta diminuiu em 80% suas encomendas. Como n\u00e3o s\u00e3o muitos os marceneiros na cidade, a procura pelo seu trabalho \u00e9 recorrente. A entrevista com seu Argenta foi interrompida v\u00e1rias vezes pela chegada de clientes. Por\u00e9m, trabalhando apenas com tr\u00eas ou quatro pedidos por vez, seu Argenta repassa seus clientes ao filho, com a marcenaria a poucos metros de dist\u00e2ncia da sua, de f\u00e1cil acesso \u00e0s novas encomendas de Dede.<\/p>\n\n\n\n<p>Independentemente de qual marcenaria recebe o pedido, a forma de organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma. Pai e filho organizam seus pedidos em seus cadernos, com as informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a produ\u00e7\u00e3o e o contato do cliente. Seu Argenta com os pedidos menores e a agenda de Dede lotada at\u00e9 o fim do ano. Utilizam a simplicidade do papel e caneta para n\u00e3o correr o risco, mas em ambas as mentes \u00e9 onde s\u00e3o anotadas as informa\u00e7\u00f5es importantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Com anos de trabalho, marcas foram deixadas em toda a fam\u00edlia Argenta. Nem mesmo Clarinda escapou das dores. \u201cFiz cirurgia nos dois bra\u00e7os, me arrebentou o tend\u00e3o e agora t\u00f4 com dor na coluna\u201d, relata, ap\u00f3s explicar que ajudava a carregar chapas junto com o marido na semana anterior. J\u00e1 seu Luiz, teve a tampa do dedo decepada logo ap\u00f3s a esposa dar \u00e0 luz a filha, fato relatado com gra\u00e7a por Clarinda. Al\u00e9m da presen\u00e7a dessas marcas de trabalho, Argenta perdeu boa parte da audi\u00e7\u00e3o, causado pelo barulho ensurdecedor das m\u00e1quinas produzidas por ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Toda essa rotina \u00e9 acompanhada pelo mesmo som. O r\u00e1dio ligado o tempo todo \u00e9 algo marcante quando entramos em seus locais de trabalho. M\u00fasica alta para tentar disfar\u00e7ar o barulho da madeira sendo cortada, lixada e esculpida. Em ambas as marcenarias o r\u00e1dio \u00e9 antigo, coberto de poeira e sendo proibido trabalhar sem ligar o som. Na Marcenaria Argenta, o p\u00f3 teve de ser contido por uma capa improvisada, para garantir o funcionamento ainda mais duradouro da rel\u00edquia.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas caracter\u00edsticas refor\u00e7am ainda mais o saber adquirido pela experi\u00eancia dos dois, saber esse que n\u00e3o se restringe \u00e0 rela\u00e7\u00e3o familiar. Uma lista com outros marceneiros fica pendurada na parede da A3, fonte de pesquisa para quando Dede tem dificuldade em algum trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia Argenta n\u00e3o se encerra e nem tem a pretens\u00e3o de acabar com Luiz e Dede, estendendo as liga\u00e7\u00f5es entre pai, filho e neto.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cerne_4_IsadoraTorres-683x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-164\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cerne_4_IsadoraTorres-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cerne_4_IsadoraTorres-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cerne_4_IsadoraTorres-768x1152.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cerne_4_IsadoraTorres-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cerne_4_IsadoraTorres-1365x2048.jpg 1365w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cerne_4_IsadoraTorres-scaled.jpg 1707w\" sizes=\"(max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto: Isadora Torres<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">\u00c2mago do ser<\/h3>\n\n\n\n<p>Seu Luiz, quando pequeno, sonhava em tornar crian\u00e7as mais felizes com brinquedos de madeira. Hoje, o neto Henrique alegra a fam\u00edlia ao construir seus pr\u00f3prios brinquedos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um primeiro instante, o filho de Dede, Henrique, se esconde atr\u00e1s de uma porta. Mas ao perceber que o foco das pessoas estava em seus brinquedos de madeira, o menino aparece para explicar que ele fez tudo sozinho: \u201cEu pintei com todas as cores: azul, rosa, verde, branco [&#8230;]\u201d. Em meio \u00e0 entrevista, Henrique salta janelas e contorna as m\u00e1quinas com maestria, como se soubesse exatamente onde pisar. O av\u00f4, Luiz, apesar de n\u00e3o repreender o neto, sempre est\u00e1 pronto para ajud\u00e1-lo caso caia. Esse amor e carinho vis\u00edvel entre os dois, mostra-se ainda mais evidente quando Henrique come\u00e7a a falar sobre o que ele vive aprendendo na marcenaria.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando questionado a respeito da afinidade de seu filho com a madeira, Cleomar conta: \u201cEle j\u00e1 tem cinco anos de idade, ele adora vir aqui, ele vem aqui e faz homenzinho, carrinho, ele deixa a gente assustado com as coisas que ele faz\u201d. Henrique n\u00e3o aprendeu a construir uma cadeirinha de madeira na escola. Bem, isso se a \u201cfirma\u201d de seu pai n\u00e3o for considerada como escola. Ao adentrar a marcenaria de Cleomar, no meio de toda serragem e poeira, \u00e9 poss\u00edvel encontrar resqu\u00edcios dos trabalhos do pequeno. Quando questionado sobre o filho, Cleomar relata: \u201cHoje ele [Henrique] n\u00e3o veio de noite porque eu e ele brigamos, ele n\u00e3o quer estudar e eu disse que n\u00e3o vai para a firma\u201d. O que para o mais velho \u00e9 trabalho, uma obriga\u00e7\u00e3o, para o mais novo \u00e9 algo a se esperar todo dia.<\/p>\n\n\n\n<p>A madeira foi a base de constru\u00e7\u00f5es durante milhares de anos, desde pequenos casebres, at\u00e9 grandes portas entalhadas em pal\u00e1cios. Apesar de hoje ser considerado um material tratado \u201csimples\u201d, muitas moradias contam com m\u00f3veis de madeira de anos. Sendo um dos \u00faltimos marceneiros da fam\u00edlia Argenta, Cleomar expressa: \u201cEu sempre digo: acabou os marceneiros. Eu sou a \u00faltima gera\u00e7\u00e3o de marceneiro. O que trabalha com a madeira.\u201d Assim como a madeira, algumas experi\u00eancias podem se mostrar \u201ccomuns\u201d para as pessoas, mas s\u00e3o elas que constituem a base do ser humano.<\/p>\n\n\n\n<p>O cerne \u00e9 a \u00fanica parte da madeira que resiste ao tempo. Assim como o conhecimento adquirido e marcado pela fam\u00edlia Argenta perdura em cada pe\u00e7a feita por eles.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"680\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cerne_3_JuliaCechin-680x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-167\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cerne_3_JuliaCechin-680x1024.jpg 680w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cerne_3_JuliaCechin-199x300.jpg 199w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cerne_3_JuliaCechin-768x1156.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cerne_3_JuliaCechin-1020x1536.jpg 1020w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cerne_3_JuliaCechin-1361x2048.jpg 1361w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cerne_3_JuliaCechin-scaled.jpg 1701w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto: Julia Cechin<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>Frederico Westphalen, RS<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>*Esta \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o laboratorial e experimental, desenvolvida por estudantes do curso de Jornalismo da UFSM Campus Frederico Westphalen. O texto n\u00e3o deve ser reproduzido sem autoriza\u00e7\u00e3o.<\/em> Contato: meiomundo@ufsm.br. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria de uma fam\u00edlia de marceneiros e a experi\u00eancia que passa de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o Brenda Oliveira, Isadora Torres e Julia Cechin Todos os dias, nas primeiras horas da manh\u00e3, o marceneiro Luiz Centenaro Argenta, 69 anos, e a esposa Clarinda Argenta, 68 anos, abrem as portas do estabelecimento n\u00famero 1845 da Avenida Lu\u00eds [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1811,"featured_media":162,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[58],"tags":[56],"class_list":["post-118","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagem","tag-meiomundo12"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1811"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=118"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/118\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/162"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=118"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=118"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=118"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}