{"id":127,"date":"2024-03-12T21:24:41","date_gmt":"2024-03-13T00:24:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/?p=127"},"modified":"2024-03-12T21:25:11","modified_gmt":"2024-03-13T00:25:11","slug":"as-mudancas-do-mercado-de-trabalho-e-a-saude-mental-dos-universitarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/2024\/03\/12\/as-mudancas-do-mercado-de-trabalho-e-a-saude-mental-dos-universitarios","title":{"rendered":"As mudan\u00e7as do mercado de trabalho e a sa\u00fade mental dos universit\u00e1rios"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Beatriz Vieira e Leda Evangelista<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 te falaram que para ser \u201calgu\u00e9m na vida\u201d \u00e9 preciso ter um diploma universit\u00e1rio? Provavelmente sim. Mas o que ningu\u00e9m conta \u00e9 que o caminho para a chegada ao t\u00e3o desejado diploma pode ser longo e cansativo. Al\u00e9m disso, uma das maiores preocupa\u00e7\u00f5es \u00e9 a entrada no mercado de trabalho, que est\u00e1 em constante movimento e isso pode ser assustador para o universit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa fase da vida do estudante \u00e9 recheada de desafios e de novas sensa\u00e7\u00f5es, ali acontece uma troca de pap\u00e9is. O jovem, que antes era estudante, vai se tornar um profissional para entrar no mercado de trabalho, como comenta a psic\u00f3loga da Universidade Federal de Santa Maria, campus Frederico Westphalen, La\u00eds Piovesan. Geralmente, este momento se caracteriza pelo surgimento de sentimentos ambivalentes\/conflitantes, como as inseguran\u00e7as e as expectativas sobre a vida profissional. \u201c\u00c9 muito frequente a sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o estar suficientemente preparado ou ent\u00e3o de n\u00e3o ter aproveitado como poderia as oportunidades ao longo do curso\u201d, comenta Piovesan.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 o caso de Barluta San\u00e9, estudante do quinto semestre do curso de Biomedicina, na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai (URI). Ba, como gosta de ser chamada, conta que uma de seus maiores medos \u00e9 se formar sem ter conseguido aprender tudo. \u201cMinha inseguran\u00e7a \u00e9 justamente essa, de n\u00e3o atingir o que eu queria, de n\u00e3o ter o conhecimento necess\u00e1rio para fazer aquilo, sabe\u201d, confessa a universit\u00e1ria. Ela tamb\u00e9m aponta sua preocupa\u00e7\u00e3o de trabalhar em uma \u00e1rea em que n\u00e3o se identifica por n\u00e3o ter certeza sobre o seu emprego no futuro.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A situa\u00e7\u00e3o do mercado no Brasil<\/h3>\n\n\n\n<p>A pesquisadora e soci\u00f3loga Marilis Almeida, professora da Universidade Federal de Pelotas, explica que o mercado de trabalho vem se recuperando das consequ\u00eancias da pandemia de Covid-19, mas que ele ainda apresenta instabilidade. Por isso, as empresas t\u00eam procurado, cada vez mais, empregados que tenham mais experi\u00eancia pr\u00e1tica e te\u00f3rica. A pesquisadora relembra que, no Brasil, existe uma grande dificuldade para jovens entrarem e permanecerem em um curso superior.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quem s\u00e3o esses jovens? Segundo o site Planalto.gov, s\u00e3o considerados jovens as pessoas entre 15 e 29 anos, o que representa 49 milh\u00f5es de pessoas dos 214,3 milh\u00f5es de brasileiros. Cerca de 20% dos jovens no Brasil n\u00e3o estudam e n\u00e3o trabalham, estes s\u00e3o conhecidos como \u201cnem-nem\u201d. Isso acontece porque, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (PNAD), muitos jovens abandonam os estudos ou nem chegam a frequentar uma escola. A principal justificativa \u00e9 a necessidade de trabalhar.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, Almeida pontua que, desde 2014, o mercado vem sofrendo com o desemprego. Ela alerta que outros fen\u00f4menos devem ser considerados, como aqueles que gostariam de trabalhar e n\u00e3o conseguem emprego por medo de tentar, pessoas com idade para trabalhar mas que n\u00e3o trabalham e o emprego informal. A soci\u00f3loga tamb\u00e9m destaca que, nos \u00faltimos anos, a falta de investimento na educa\u00e7\u00e3o e a desvaloriza\u00e7\u00e3o de algumas profiss\u00f5es acabou por afastar muitos jovens das universidades.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O sonho e a realidade profissional<\/h3>\n\n\n\n<p>A indecis\u00e3o \u00e9 um fator que influencia na escolha de uma profiss\u00e3o ou de um curso. Como no caso de Ba, que come\u00e7ou a cursar Jornalismo, depois Est\u00e9tica e agora cursa Biomedicina, mas ainda n\u00e3o se achou em nenhuma dessas profiss\u00f5es. A psic\u00f3loga La\u00eds explica que isso est\u00e1 ligado ao pensamento de que certas decis\u00f5es que o jovem toma, em um determinado momento de sua vida, ser\u00e3o para sempre. \u201cAs nossas escolhas nem sempre s\u00e3o para a vida toda, elas podem ser escolhidas por um momento e depois n\u00e3o fazerem mais sentido, ele [o estudante]&nbsp; vai vivenciar aquilo como um grande fracasso e uma frustra\u00e7\u00e3o\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p>A especialista ainda conta que a constru\u00e7\u00e3o da carreira \u00e9 algo gradual e que leva tempo. Tanto no momento da gradua\u00e7\u00e3o, quanto no mercado de trabalho, \u00e9 muito importante que o estudante\/profissional mantenha expectativas realistas. Uma coisa muito comum de acontecer \u00e9 a compara\u00e7\u00e3o com profissionais j\u00e1 formados, e uma forma de amenizar isso \u00e9 se permitir explorar o seu lado pessoal e profissional, lembrando sempre que a constru\u00e7\u00e3o de cada carreira \u00e9 individual. Isso quer dizer que \u00e9 interessante conhecer as possibilidades de atua\u00e7\u00e3o e de aperfei\u00e7oamento em sua \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra quest\u00e3o que pode afetar o jovem s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es sociais, seja com a fam\u00edlia, seja com os amigos ou seja com os professores. Alguns estudantes carregam a responsabilidade de dar uma vida melhor aos seus pais. Outros t\u00eam dificuldade de se desligar do espa\u00e7o acad\u00eamico. Esses exemplos demonstram que outros fatores psicol\u00f3gicos devem ser considerados durante a gradua\u00e7\u00e3o. Por isso \u00e9 muito importante que as institui\u00e7\u00f5es de ensino deem suporte psicol\u00f3gico aos seus alunos.<\/p>\n\n\n\n<p>A URI, universidade de Ba, criou um grupo de apoio para os seus estudantes, coordenado pelas professoras Janara Luzanin e Jana\u00edna Corso, do curso de Psicologia. O Programa de Apoio Psicol\u00f3gico ao Universit\u00e1rio (PAPU) abrange todas as demandas psicol\u00f3gicas que os estudantes podem ter, tanto para quest\u00f5es acad\u00eamicas quanto para quest\u00f5es pessoais. \u201cO objetivo dele \u00e9 realmente, fazer um acolhimento com esse aluno aqui da universidade, promover reflex\u00f5es, autoconhecimento e, conforme a demanda de cada um, a gente faz encaminhamentos externos\u201d, conta Janara Luzanin, atual coordenadora do projeto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os acompanhamentos s\u00e3o feitos no pr\u00f3prio campus da universidade. Os atendimentos s\u00e3o realizados pelos estudantes do curso de Psicologia, a partir do 6\u00ba semestre. Integrar o corpo de atendimento do PAPU \u00e9 uma forma de fazer est\u00e1gio, o que pode ser uma forma de ganhar experi\u00eancia para entrar no mercado de trabalho. Para Luzanine e Corso, a alta procura por ajuda \u00e9 um sinal de que o projeto est\u00e1 funcionando. Al\u00e9m do PAPU, Corso coordena a Escola de Psicologia, que \u00e9 aberta \u00e0 comunidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Trabalhar em est\u00e1gio \u00e9 uma grande oportunidade de come\u00e7ar a adquirir experi\u00eancia antes mesmo de terminar a gradua\u00e7\u00e3o. A psic\u00f3loga La\u00eds pontua que o estudante que realiza um est\u00e1gio, seja ele obrigat\u00f3rio ou n\u00e3o, consegue ter expectativas mais realistas e uma no\u00e7\u00e3o maior sobre como o mercado de trabalho funciona. Da mesma forma, quando o estudante participa de atividades pr\u00e1ticas do curso ele tem a oportunidade de encontrar mais possibilidades e alternativas para se encontrar na profiss\u00e3o escolhida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>Frederico Westphalen, RS<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>*Esta \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o laboratorial e experimental, desenvolvida por estudantes do curso de Jornalismo da UFSM Campus Frederico Westphalen. O texto n\u00e3o deve ser reproduzido sem autoriza\u00e7\u00e3o. Contato: meiomundo@ufsm.br.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Beatriz Vieira e Leda Evangelista J\u00e1 te falaram que para ser \u201calgu\u00e9m na vida\u201d \u00e9 preciso ter um diploma universit\u00e1rio? Provavelmente sim. Mas o que ningu\u00e9m conta \u00e9 que o caminho para a chegada ao t\u00e3o desejado diploma pode ser longo e cansativo. 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