{"id":130,"date":"2024-03-12T21:28:57","date_gmt":"2024-03-13T00:28:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/?p=130"},"modified":"2024-03-12T23:08:58","modified_gmt":"2024-03-13T02:08:58","slug":"a-importancia-de-cultivar-a-setima-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/2024\/03\/12\/a-importancia-de-cultivar-a-setima-arte","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia de cultivar a s\u00e9tima arte"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Christian Fonseca, Mariana Saldanha e Mauricio Mello<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>As experi\u00eancias das salas de cinema, que marcam vidas com momentos \u00fanicos, at\u00e9 hoje s\u00e3o relembradas. Wilson Ferigollo, 84 anos, morador de Frederico Westphalen \u00e9 um admirador dos filmes de faroeste e durante muitos anos foi um cliente fiel do Cine Floresta e do Cine Jussara. Ele j\u00e1 ganhou pr\u00eamios por frequentar o lugar todos os dias e at\u00e9 ganhou um m\u00eas de entrada gr\u00e1tis para assistir aos filmes.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o fim do Cine Jussara em 1989, ele passou 30 anos sem uma sala de cinema e sem apreciar as experi\u00eancias cinematogr\u00e1ficas que tanto amava. A chegada do Cine Globo em 2019 trouxe \u00e0 tona um sentimento de nostalgia para Wilson e uma oportunidade para as novas gera\u00e7\u00f5es criarem um sentimento de paix\u00e3o pela cultura do cinema, a qual foi perdida na cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O frederiquense diz que a experi\u00eancia da sala de cinema foi\u00a0 importante para toda a sua gera\u00e7\u00e3o. Desde o cheiro da pipoca at\u00e9 a imers\u00e3o na sala, o cinema tem o poder de transportar o telespectador para v\u00e1rios lugares diferentes, \u00e0s vezes at\u00e9 mesmo para locais internos da pr\u00f3pria mente. Essa \u00e9 uma experi\u00eancia capaz de fazer qualquer pessoa fugir completamente da realidade.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Wilson relembra uma hist\u00f3ria muito famosa em sua \u00e9poca, que aconteceu em Seberi, uma cidade pr\u00f3xima de Frederico. Um senhor estava assistindo um filme de faroeste, e nele havia a cena de uma on\u00e7a que estava correndo atr\u00e1s de uma menina. O homem levantou no meio da proje\u00e7\u00e3o e falou: \u201cJ\u00e1 que ningu\u00e9m vai salvar essa menina, eu salvo\u201d. Tirou o rev\u00f3lver do bolso e atirou na tela do cinema.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por causa de viv\u00eancias como essas que a poss\u00edvel falta delas preocupa o professor do departamento de ci\u00eancias da comunica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), C\u00e1ssio Tomaim, que estuda cinema com foco em document\u00e1rios, em especial document\u00e1rios brasileiros. Tomaim acredita que as pessoas est\u00e3o perdendo a experi\u00eancia do audiovisual que apenas as salas de cinema conseguem transmitir. \u201cO que eu temo muito enquanto sociedade \u00e9 que cada vez mais n\u00f3s estamos abrindo m\u00e3o, em termos culturais, de espa\u00e7os coletivos de consumo cultural, como \u00e9 o cinema e como era a locadora\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"680\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cinema_1-1024x680.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-138\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cinema_1-1024x680.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cinema_1-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cinema_1-768x510.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cinema_1-1536x1020.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cinema_1-272x182.jpg 272w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cinema_1.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Wilson Ferigollo no cinema de Frederico Westphalen. Foto: Maur\u00edcio Mello<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Com o in\u00edcio do streaming no Brasil, em 2011, muitas empresas viam nessa&nbsp; nova ferramenta de distribui\u00e7\u00e3o de filmes e s\u00e9ries como uma amea\u00e7a. Por\u00e9m, para o atual gerente administrativo do Cine Globo, Samuel Schuch, 28 anos, v\u00ea o cinema como meio cultural e acredita que os servi\u00e7os de streaming n\u00e3o representam uma amea\u00e7a, mas sim uma ajuda. \u201cO streaming at\u00e9 agora est\u00e1 ajudando, n\u00e3o \u00e9 uma amea\u00e7a, ao contr\u00e1rio, na verdade \u00e9 um incentivo\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Com valor mais acess\u00edvel e o f\u00e1cil acesso, a pandemia acelerou o crescimento das plataformas. Houve a possibilidade de alcan\u00e7ar muita audi\u00eancia e, com isso, auxiliar as obras do audiovisual a chegarem a um p\u00fablico maior. Por\u00e9m, muitas pessoas acabaram abandonando as salas de cinema pois preferiram o aconchego do seu lar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO cinema tem a capacidade de nos despertar um sentimento diferente de qualquer outra coisa\u201d, como o pr\u00f3prio Wilson relata. Ir \u00e0 sala de cinema se tornou um sentimento nost\u00e1lgico. Essa incr\u00edvel ferramenta de contar hist\u00f3rias, de levar o telespectador para outro mundo n\u00e3o pode ser substitu\u00edda pela tela da TV, do celular ou do computador.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O professor C\u00e1ssio considera o cinema um objeto de cultura, capaz de envolver entretenimento, conhecimento, difus\u00e3o de ideias e uma ferramenta que utiliza a capacidade do ser humano de contar hist\u00f3rias, diz que o cinema tamb\u00e9m pode ser visto como o produto de uma \u00e9poca. De acordo com C\u00e1ssio, um filme diz muito sobre a \u00e9poca em que foi produzido, j\u00e1 que nos permite visualizar todo o contexto hist\u00f3rico e social do per\u00edodo, principalmente os filmes do g\u00eanero document\u00e1rio que s\u00e3o baseados em fatos e pessoas reais.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, uma eficaz forma de combater essa amea\u00e7a, seria por meio de pol\u00edticas p\u00fablicas que reconhecesse mais o valor do cinema, a partir de iniciativas em escolas, levando mais vezes alunos ao cinema como forma de preserva\u00e7\u00e3o cultural, ou a partir de uma din\u00e2mica diferente de aulas em disciplinas como por exemplo hist\u00f3ria, para que usem filmes de \u00e9poca ou at\u00e9 document\u00e1rios para uma melhor compreens\u00e3o de estudo em sala.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"680\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cinema_2_Christian-Fonseca_-680x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-156\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cinema_2_Christian-Fonseca_-680x1024.jpg 680w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cinema_2_Christian-Fonseca_-199x300.jpg 199w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cinema_2_Christian-Fonseca_-768x1156.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cinema_2_Christian-Fonseca_-1020x1536.jpg 1020w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cinema_2_Christian-Fonseca_-1361x2048.jpg 1361w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/03\/Cinema_2_Christian-Fonseca_-scaled.jpg 1701w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Wilson Ferigollo manuseia seu acervo de negativos fotogr\u00e1ficos da hist\u00f3ria do cinema. <\/em><em>Foto: Christian Fonseca<\/em><sub><em>.<\/em><\/sub><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Mediante tantas informa\u00e7\u00f5es e perspectivas diferentes do que \u00e9 o cinema e de tudo o que ele pode oferecer e agregar para a sociedade, nota-se uma car\u00eancia de investimentos e pol\u00edticas governamentais. Recentemente, com a Lei Paulo Gustavo (lei complementar n\u00ba 195, 8 de julho de 2022), houve a destina\u00e7\u00e3o de R$ 3,862 bilh\u00f5es a estados, munic\u00edpios e o Distrito Federal para incentivar a produ\u00e7\u00e3o no setor cultural. No Rio Grande do Sul, o valor aportado foi de 104,3 milh\u00f5es de reais, para ser repassado entre as 497 cidades ga\u00fachas. Desse total, 74,25 milh\u00f5es de reais foram destinados a projetos audiovisuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 uma esperan\u00e7a para que haja mais projetos de incentivo cultural que possam trazer maior visibilidade e investimentos para o cinema, pois tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de valoriza\u00e7\u00e3o da arte. De acordo com o Anu\u00e1rio Estat\u00edstico da Ag\u00eancia Nacional de Cinema (Ancine), em 2017 dentre os 20 filmes com maior p\u00fablico nas salas brasileiras, apenas um era nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos de 1964 a 1989, como relembra Ferigollo, os filmes favoritos da \u00e9poca eram os mexicanos. A falta de visibilidade nos filmes nacionais prejudicou o crescimento do cinema brasileiro no cen\u00e1rio internacional. Isso explica porque as obras dom\u00e9sticas jamais ganharam um \u00d3scar e tiveram poucas indica\u00e7\u00f5es, como o filme O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte. Outro filme nacional s\u00f3 foi conseguir uma indica\u00e7\u00e3o, na mesma categoria, 33 anos depois, em 1996 com o filme O Quatrilho, de F\u00e1bio Barreto.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir desse epis\u00f3dio, o Brasil come\u00e7ou a se fazer mais presente na premia\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica mais aclamada do mundo. Lan\u00e7ado em 30 de agosto de 2002, o filme brasileiro com maior n\u00famero de indica\u00e7\u00f5es na hist\u00f3ria foi Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, indicado a melhor diretor, melhor roteiro adaptado, melhor edi\u00e7\u00e3o e melhor fotografia. Infelizmente n\u00e3o levou nenhum, mas \u00e9 um dos filmes nacionais mais reverenciados, tanto no Brasil quanto no mundo. A indica\u00e7\u00e3o mais recente foi para o filme O Menino e o Mundo, de Al\u00ea Abreu, na categoria de melhor filme de anima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O cinema vai muito al\u00e9m das telas, como pensa Ferigollo, \u00e9 uma ferramenta de educa\u00e7\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o da capacidade que as pessoas t\u00eam de contar hist\u00f3rias, de acordo com o professor C\u00e1ssio. Como cultura, para Samuel Schuch, \u00e9 uma forma de escapismo para as pessoas, permitindo que elas possam se desconectar da realidade e se envolver em mundos imagin\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao se deparar com tantas perspectivas \u00fanicas sobre o que \u00e9 o cinema e sua grande amplitude al\u00e9m de somente um meio de entretenimento, como \u00e9 comumente visto pela maioria das pessoas, para os amantes das telas, o cinema&nbsp; faz trazer novas hist\u00f3rias e novas viv\u00eancias, e a\u00ed fica a pergunta para o leitor: O que \u00e9 cinema para voc\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>Frederico Westphalen, RS<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>*Esta \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o laboratorial e experimental, desenvolvida por estudantes do curso de Jornalismo da UFSM Campus Frederico Westphalen. O texto n\u00e3o deve ser reproduzido sem autoriza\u00e7\u00e3o. Contato: meiomundo@ufsm.br.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Christian Fonseca, Mariana Saldanha e Mauricio Mello As experi\u00eancias das salas de cinema, que marcam vidas com momentos \u00fanicos, at\u00e9 hoje s\u00e3o relembradas. Wilson Ferigollo, 84 anos, morador de Frederico Westphalen \u00e9 um admirador dos filmes de faroeste e durante muitos anos foi um cliente fiel do Cine Floresta e do Cine Jussara. 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