{"id":215,"date":"2022-11-04T19:41:00","date_gmt":"2022-11-04T22:41:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/?p=215"},"modified":"2024-05-10T16:16:13","modified_gmt":"2024-05-10T19:16:13","slug":"a-diversidade-de-um-pais-nas-telas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/2022\/11\/04\/a-diversidade-de-um-pais-nas-telas","title":{"rendered":"A diversidade de um pa\u00eds nas telas"},"content":{"rendered":"\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>A produ\u00e7\u00e3o da identidade cultural pelas lentes de quem desbrava um Brasil profundo<\/em><\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p><em>Isabeau Cotrim, Heloisa Gamero, Lucas Postal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O trepidar das rodas sobre a estrada de ch\u00e3o batido invade aquele espa\u00e7o buc\u00f3lico como um grito. A luz do sol arde nos olhos dos passageiros do ve\u00edculo, um holofote no teatro da natureza. Os galhos das \u00e1rvores ao lado de fora surgem como m\u00e3os acariciando o autom\u00f3vel. Ao mesmo tempo, limitam a estrada de terra sem-fim \u00e0 frente. Os produtores Ilka Goldschmidt e Cassemiro Vitorino t\u00eam uma hist\u00f3ria para contar. O ritual milenar do Kiki est\u00e1 prestes a iniciar na aldeia ind\u00edgena Cond\u00e1, no interior de Chapec\u00f3 (SC). Alicerce da cultura kaingang, para muitos ali presentes, esse \u00e9 o primeiro Kiki de suas vidas. Depois da voz dos pais, av\u00f3s e bisav\u00f3s da tribo perpetuarem o ritual apenas em lembran\u00e7a, a ansiedade domina a aldeia e carrega o ar.<\/p>\n\n\n\n<p>As c\u00e2meras de Ilka e Cassemiro s\u00e3o um elemento \u00e0 parte, irregular e disruptivo naquele mundo forjado em terra, ocas e costumes tradicionais. Os produtores catarinenses traduzem em suas lentes o que apenas o cora\u00e7\u00e3o de cada um dos presentes no ritual pode verbalizar. Procuram n\u00e3o interferir nem emular cenas daquele peda\u00e7o de Brasil profundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Perder-se para se encontrar, \u00e9 o que dizem. Contar hist\u00f3rias foi o que aproximou Ilka, 52 anos, Cassemiro, 60 anos, mesmo sem nunca terem se perdido. Crias do jornalismo, hoje s\u00e3o respons\u00e1veis pela Margot Filmes, uma produtora especializada em produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado independente na cidade de Chapec\u00f3. O casal se conheceu na rotina jornal\u00edstica, Cassemiro j\u00e1 trabalhava no setor operacional na TV Barriga Verde quando Ilka entrou na empresa como editora e produtora do canal. Depois da TV, Ilka lecionou por 24 anos no curso de jornalismo que ajudou a fundar, na Universidade Comunit\u00e1ria da Regi\u00e3o de Chapec\u00f3 (Unochapec\u00f3). Aproximaram-se ainda mais quando Cassemiro decidiu fazer a gradua\u00e7\u00e3o e teve Ilka como professora. O interesse em comum pela profiss\u00e3o foi ingrediente para unirem seus trabalhos e suas vontades em produzir sobre aquilo que n\u00e3o era mostrado pelas m\u00eddias tradicionais. <\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"776\" height=\"516\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/04\/1-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-218\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/04\/1-1.jpg 776w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/04\/1-1-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/04\/1-1-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/04\/1-1-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 776px) 100vw, 776px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto: Heloisa Gamero<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Uniram-se com o prop\u00f3sito de amplificar as vozes daqueles que n\u00e3o s\u00e3o constantemente representados por meio do audiovisual, com produ\u00e7\u00f5es como document\u00e1rios e filmes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Ilka, trabalhar com mais autonomia e com um car\u00e1ter autoral, algo que n\u00e3o encontravam em outros meios de comunica\u00e7\u00e3o, \u00e9 o que torna a arte de documentar t\u00e3o maravilhosa. \u201cContar hist\u00f3rias \u00e9 necess\u00e1rio\u201d, ressalta a produtora. E acrescenta: \u201c\u00c9 fundamental para a gente se conhecer, para entender a nossa hist\u00f3ria, para a gente desconstruir muitas coisas que foram at\u00e9 hoje, n\u00e3o \u00e9?\u201d. As hist\u00f3rias t\u00eam o poder de narrar nosso passado e prever o futuro, mais do que isso, podem salvar nosso presente. \u00c9 preciso registrar o agora. Especialmente aquelas hist\u00f3rias que n\u00e3o se pode deixar para depois. O desejo de registrar o que acontece nos bastidores foi o que acendeu o interesse de contar aquilo que muitas vezes \u00e9 obstru\u00eddo por grandes figuras. Da\u00ed a paix\u00e3o do casal pela tem\u00e1tica socioambiental. Os Brasis dentro do Brasil carregam uma infinidade de vidas e de hist\u00f3rias, muitas delas com prazo de vida curto. O objetivo dos produtores sempre foi perpetuar essas hist\u00f3rias para que sejam lembradas entre as pessoas que assistem suas produ\u00e7\u00f5es e para que conhe\u00e7am suas origens. Se n\u00e3o contarmos as hist\u00f3rias do que acontece com o nosso planeta hoje, teremos algum amanh\u00e3?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O contato inicial de uma pessoa com hist\u00f3rias acontece geralmente na primeira inf\u00e2ncia, quando as crian\u00e7as s\u00e3o levadas a experimentar e imaginar outras realidades, seja nas lendas, contos ou outras formas de arte. A partir dessas experi\u00eancias, somos instigados, cada vez mais, a conhecer novos mundos, escrever nossas pr\u00f3prias hist\u00f3rias, e viver sob novas perspectivas. O objetivo do audiovisual \u00e9 contar, com o uso das c\u00e2meras, as viv\u00eancias que fazem o nosso pa\u00eds ser t\u00e3o diverso, mas tamb\u00e9m entender o que acontece em lugares que muitas vezes n\u00e3o conhecemos, como a pr\u00f3pria Aldeia Cond\u00e1. \u201c[&#8230;] primeiro, a gente tenta contextualizar nossa realidade. Para que voc\u00ea consiga mostrar que aqui a gente tem temas que podem ser debatidos em todo o Brasil\u201d, explica Ilka.<\/p>\n\n\n\n<p>A dupla de produtores desejava retratar a cultura do Brasil, ampliar a voz das hist\u00f3rias que viam ao redor, e foi nessa busca que encontraram o Kiki. Ilka e Cassemiro nos contaram como utilizar o audiovisual para dar espa\u00e7o a essas tradi\u00e7\u00f5es brasileiras, que por muito pouco n\u00e3o foram apagadas e esquecidas por completo, \u00e9 uma forma de mostrar o ber\u00e7o da cultura, \u00e9 uma for\u00e7a para resistir. \u201cA gente chamou de resist\u00eancia, porque eles estavam resistindo. O ritual da resist\u00eancia Kaingang. [&#8230;] Eles foram muito resistentes. Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 olhar para o ind\u00edgena e dizer \u2018ah, eu vou l\u00e1 ajudar\u2019. N\u00e3o. \u00c9 olhar como eles s\u00e3o fortes, olhar essa cultura, o ind\u00edgena n\u00e3o acabou, n\u00e9? T\u00e1 acabando. Ent\u00e3o [&#8230;] a gente \u00e9 respons\u00e1vel por isso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao fim da produ\u00e7\u00e3o, o document\u00e1rio ilustrou toda a hist\u00f3ria do Kiki, fotografou o cen\u00e1rio da aldeia Cond\u00e1, guardando a ancestralidade brasileira que merece ser preservada.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"477\" height=\"459\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/04\/2-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-219\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/04\/2-1.jpg 477w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/04\/2-1-300x289.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 477px) 100vw, 477px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto: Heloisa Gamero<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pol\u00edticas p\u00fablicas e resist\u00eancia<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Assim como o povo Kaingang, o audiovisual brasileiro tamb\u00e9m resiste.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde a extin\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Cultura, quando as fun\u00e7\u00f5es foram transferidas para o Minist\u00e9rio do Turismo, em janeiro de 2019, as pol\u00edticas p\u00fablicas que fomentam as produ\u00e7\u00f5es nacionais ficaram mais centralizadas e ainda mais escassas. Isso apesar da contribui\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria criativa na economia do pa\u00eds, que em 2019, adicionou R$ 27,5 bilh\u00f5es ao PIB brasileiro, de acordo com levantamento da Ag\u00eancia Nacional do Cinema (Ancine).<\/p>\n\n\n\n<p>A paralisa\u00e7\u00e3o de investimentos, que ocorreu desde o come\u00e7o de 2020 at\u00e9 dezembro do ano passado, \u00e9 uma manobra do governo federal contra o setor cultural para cortar gastos em decorr\u00eancia da crise econ\u00f4mica no cen\u00e1rio pand\u00eamico. Este artif\u00edcio preocupa os profissionais distantes dos grandes centros, j\u00e1 que s\u00e3o dependentes dos editais que financiam as produ\u00e7\u00f5es. \u201cA gente perdeu a Secretaria de Cultura, perdeu tudo. Os editais foram por \u00e1gua abaixo\u201d, relata Ilka. Sem mais pol\u00edticas p\u00fablicas, como o Edital das Linguagens, a Lei de Incentivo \u00e0 Cultura e o Fundo Nacional da Cultura, as produ\u00e7\u00f5es nacionais se veem amea\u00e7adas. Entretanto, quase como uma teimosia, produtores independentes persistem com o objetivo de continuar reproduzindo a hist\u00f3ria do povo brasileiro nas telas. \u201c\u00c9 importante, tamb\u00e9m, n\u00e3o s\u00f3 contar derrotas, mas mostrar que existe resist\u00eancia e que a resist\u00eancia consegue\u201d, Ilka desabafa sobre sua esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A vontade de persistir e continuar tocando suas produ\u00e7\u00f5es \u00e9 o que motiva os profissionais a se organizarem e exigirem a amplia\u00e7\u00e3o de investimentos na \u00e1rea, reconhecendo o papel do audiovisual como uma forma de retratar as lutas no territ\u00f3rio brasileiro, contando a hist\u00f3ria do povo que daqui se origina. \u201cO que a gente faz \u00e9 contar hist\u00f3rias [&#8230;] e fazer isso no Brasil, \u00e9 isso, tem tantas hist\u00f3rias ainda para serem contadas, muitas. Acho que o cinema cumpre esse papel\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>O audiovisual tem o poder de ser parte do cotidiano e das viv\u00eancias das pessoas. Seja para fazer rir, chorar ou refletir, as produ\u00e7\u00f5es que chegam \u00e0s nossas telas e nos emocionam, mesclam o real e o ficcional em um clique. De acordo com a plataforma de not\u00edcias HubSpot, 78% das pessoas veem v\u00eddeos semanalmente, e 55% assistem a conte\u00fados audiovisuais diariamente. Retratar o Brasil, em toda sua miscel\u00e2nea de rostos e culturas, \u00e9 retratar a fome e a ostenta\u00e7\u00e3o no mesmo territ\u00f3rio. O luxo em encontro com a mis\u00e9ria. O passado frente a um futuro que avan\u00e7a, em meio ao brado retumbante daqueles que o renegam. Se o audiovisual pode retratar todas as viv\u00eancias, o Brasil tem o contexto social que permite que todas existam.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como Ilka e Cassemiro, o diretor e s\u00f3cio-fundador da Pindorama Filmes, Est\u00eav\u00e3o Ciavatta, 54 anos, trabalha com foco em audiovisuais que retratam o contexto brasileiro tanto no espa\u00e7o urbano como no rural, com reivindica\u00e7\u00f5es sociais, culturais e ambientais. O diretor \u00e9 respons\u00e1vel por produ\u00e7\u00f5es como \u201cVozes do clima\u201d, \u201cAmaz\u00f4nia S.A.\u201d e \u201cFonte da juventude\u201d, trazendo \u00e0 tona a pluralidade de quest\u00f5es e viv\u00eancias dentro do Brasil. Ciavatta p\u00f5e em pr\u00e1tica seu trabalho dando visibilidade para aqueles que buscam espa\u00e7o de representa\u00e7\u00e3o. \u201cDentro do Brasil a gente precisa falar muitas l\u00ednguas, conhecer muitas realidades, aprender a gostar do que \u00e9 diferente, sen\u00e3o a gente n\u00e3o entende esse pa\u00eds. Enfim, acho que esse \u00e9 o grande mist\u00e9rio do pa\u00eds e a coisa mais linda, mais interessante que a gente tem pra oferecer pro mundo\u201d, destacando a import\u00e2ncia do audiovisual para a identidade cultural brasileira.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Enxergar-se nas telas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Os produtores contam as hist\u00f3rias da popula\u00e7\u00e3o brasileira, mas por que isso representa uma resist\u00eancia? Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA) e da Ancine mostram como o p\u00fablico telespectador do audiovisual brasileiro \u00e9 reduzido. Em 2018, 39,9% das pessoas moravam em munic\u00edpios sem, ao menos, um cinema. Enquanto filmes estrangeiros levaram mais de 12 milh\u00f5es de pessoas ao cinema, os filmes nacionais tiveram queda de 300 mil espectadores. 54% dos brasileiros nunca foram ao cinema. N\u00fameros que refletem a falta de identifica\u00e7\u00e3o dos brasileiros nas grandes telas, n\u00e3o conhecendo suas pr\u00f3prias hist\u00f3rias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Fazer com que aconte\u00e7a maior participa\u00e7\u00e3o do telespectador brasileiro, que este se enxergue e se identifique no enredo contado, \u00e9 o objetivo do casal de documentaristas catarinenses. Ilka e Cassemiro afirmam que \u201cno filme a gente quer ampliar a voz dessas pessoas que est\u00e3o ali, que elas n\u00e3o v\u00e3o estar no semin\u00e1rio na universidade, elas n\u00e3o v\u00e3o estar nos espa\u00e7os que os especialistas est\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi o que ocorreu com Seu Aristides, vindo de uma comunidade ribeirinha \u00e0s margens do Rio Uruguai, que presenciou sua hist\u00f3ria na tela grande de um cinema \u2013 pela primeira vez. O document\u00e1rio \u201cO Goio-en transbordou\u201d conta a vida dos moradores do Goio-en, distrito de Chapec\u00f3, jogando luz sobre conflitos que passariam despercebidos: a narrativa de Seu Aristides, areeiro que participou da constru\u00e7\u00e3o de Chapec\u00f3 e nem ao menos sabia, seguiria invis\u00edvel se n\u00e3o fosse pelo resgate e registro empreendidos por Ilka e Cassemiro. \u201cE a\u00ed esse Seu Tide, [&#8230;] se olha naquela tela gigante do cinema, com aquele som do cinema e ele se v\u00ea l\u00e1, cara. Isso foi muito emocionante. Foi muito legal pra gente, a gente trabalha muito nisso assim, n\u00e9? De humanizar, assim, sabe?\u201d, relata contente o casal de realizadores.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"710\" height=\"492\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/04\/3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-220\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/04\/3.jpg 710w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/04\/3-300x208.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 710px) 100vw, 710px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto: Heloisa Gamero<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Levar essas narrativas aos espectadores \u00e9 um dos principais desafios enfrentados pelos profissionais do audiovisual brasileiro. O grande trabalho dos produtores independentes \u00e9 financiar e exibir as produ\u00e7\u00f5es, que muitas vezes n\u00e3o chegam \u00e0 grande parte da popula\u00e7\u00e3o. Os festivais regionais permitem o alcance de pessoas que, em outras ocasi\u00f5es, n\u00e3o teriam acesso a essa fonte de cultura.<\/p>\n\n\n\n<p>Ilka e Cassemiro nos contam sobre seu projeto Cinema na Linha, que incentiva a produ\u00e7\u00e3o e conhecimento do audiovisual brasileiro em diversas comunidades do interior, que possuem pouco ou nenhum acesso a eventos culturais. Os dois utilizam a tela infl\u00e1vel que t\u00eam dispon\u00edvel para apresentar as produ\u00e7\u00f5es ao ar livre nas comunidades rurais: \u201cA gente pensou, vamos juntar duas pontas: uma o cinema que n\u00e3o entra no circuito comercial, que n\u00e3o vai pra TV, que n\u00e3o vai pro cinema [&#8230;], a\u00ed a gente vai para l\u00e1 para fazer uma noite de cultura\u201d, explica Ilka.<\/p>\n\n\n\n<p>Projetos como os de Ilka e Cassemiro permitem a visibilidade da cultura brasileira e estabelecem uma identidade nacional. \u201c\u00c9 incr\u00edvel isso, s\u00e3o hist\u00f3rias que circulam, n\u00e9? O mundo. Ent\u00e3o, acho que tem sim a produ\u00e7\u00e3o, e a produ\u00e7\u00e3o brasileira, se for pensar agora no macro, n\u00e9? O cinema brasileiro \u00e9 incr\u00edvel\u201d, afirma Ilka. As hist\u00f3rias que foram contadas s\u00e3o fruto de quem j\u00e1 fomos e de quem ainda seremos. Profissionais do audiovisual como Ilka, Cassemiro e Est\u00eav\u00e3o retratam a vida do povo brasileiro atrav\u00e9s das telas, permitindo que o sujeito enxergue sua cor, seus costumes, suas comidas, sua l\u00edngua e uma parte de sua trajet\u00f3ria como habitante do pa\u00eds em que nasceu.<\/p>\n\n\n\n<p>A tela deixa de ser substantivo para tornar-se verbo. Cenas e dizeres de um Brasil Profundo que, mesmo continental e distante de si mesmo, faz todos os seus filhos encontrarem-se na busca&nbsp; por uma identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Chapec\u00f3, SC<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>*Esta \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o laboratorial e experimental, desenvolvida por estudantes do curso de Jornalismo da UFSM Campus Frederico Westphalen. O texto n\u00e3o deve ser reproduzido sem autoriza\u00e7\u00e3o.<\/em> Contato: meiomundo@ufsm.br.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A produ\u00e7\u00e3o da identidade cultural pelas lentes de quem desbrava um Brasil profundo Isabeau Cotrim, Heloisa Gamero, Lucas Postal O trepidar das rodas sobre a estrada de ch\u00e3o batido invade aquele espa\u00e7o buc\u00f3lico como um grito. A luz do sol arde nos olhos dos passageiros do ve\u00edculo, um holofote no teatro da natureza. 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