{"id":250,"date":"2022-11-04T21:10:00","date_gmt":"2022-11-05T00:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/?p=250"},"modified":"2024-05-10T14:53:34","modified_gmt":"2024-05-10T17:53:34","slug":"diante-das-margens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/2022\/11\/04\/diante-das-margens","title":{"rendered":"Diante das margens"},"content":{"rendered":"\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><em><strong>Preservar as matas ciliares que protegem os rios garante a continuidade dos ecossistemas que possibilitam a exist\u00eancia da vida<\/strong><\/em><\/h5>\n\n\n\n<p><em>Ana Carolina Zago, Jo\u00e3o Carlos Neto, L\u00eddia Veronica Tedesco, Ta\u00eds Schakofski Busanello, Thalita Vizioli<\/em><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"469\" height=\"665\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/1-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-251\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/1-1.jpg 469w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/1-1-212x300.jpg 212w\" sizes=\"(max-width: 469px) 100vw, 469px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto:<\/em> Jo\u00e3o Carlos Neto<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Ber\u00e7o das nascentes e da biodiversidade. O fluxo das \u00e1guas vai al\u00e9m dos rios. Transpassa a no\u00e7\u00e3o humana de tempo. Entre o profundo e o superficial, est\u00e1 o movimento da vida, no ritmo do equil\u00edbrio da natureza e no descompasso do dia a dia das cidades. Enquanto a humanidade faz morada nas margens dos rios, e a partir desse ambiente extrai recursos para sobreviver, a estrutura das bacias hidrogr\u00e1ficas \u00e9 colocada em risco. Ignorar os problemas que afetam os ecossistemas significa dar vaz\u00e3o \u00e0 nossa pr\u00f3pria destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O Rio da V\u00e1rzea \u00e9 o principal curso d\u2019\u00e1gua que integra a Bacia do Rio da V\u00e1rzea e a Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Rio Uruguai. A teia dos rios que comp\u00f5em a Bacia da V\u00e1rzea conecta a vida de mais de 300 mil habitantes humanos e uma infinidade de outras esp\u00e9cies vivas, em um territ\u00f3rio de 9.479 km\u00b2 e que envolve 55 munic\u00edpios do noroeste do Rio Grande do Sul. Ainda que intensamente desmatadas, as pequenas regi\u00f5es com vegeta\u00e7\u00e3o nativa abrigam fauna e flora de grande import\u00e2ncia, servindo de corredor ecol\u00f3gico para esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, como a on\u00e7a-parda. Al\u00e9m disso, a regi\u00e3o est\u00e1 pr\u00f3xima ao Parque Estadual do Turvo, \u00faltimo ref\u00fagio no estado para animais como a on\u00e7a-pintada, a anta e o gavi\u00e3o-real.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um sentido humano, no campo ou na cidade, a import\u00e2ncia da Bacia da V\u00e1rzea \u00e9 dada pelas atividades que ela proporciona. Al\u00e9m de garantir o fornecimento de \u00e1gua, o entorno do rio da V\u00e1rzea \u00e9 terreno para diversas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas, em especial lavouras de soja, de trigo e de milho. A cria\u00e7\u00e3o de animais, como a avicultura e a suinocultura, se somam \u00e0 essa lista. H\u00e1 tamb\u00e9m interesses na capacidade hidrel\u00e9trica da bacia, assim como na extra\u00e7\u00e3o de rochas com valor econ\u00f4mico, dentre elas, a ametista.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rzea significa in\u00edcio raso. Um lugar com pouca \u00e1gua, mas muitas hist\u00f3rias. Nos mapas, \u00e9 poss\u00edvel saber onde a bacia come\u00e7a e onde termina. No entanto, a cartografia n\u00e3o mostra o futuro dos rios e dos riachos, que \u00e9 incerto. Desde a derrubada das \u00e1rvores nas margens, at\u00e9 a polui\u00e7\u00e3o das \u00e1guas, resultado direto da explora\u00e7\u00e3o humana ao longo do tempo, os cursos d\u2019\u00e1gua sofreram diversas modifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Al\u00e9m das margens<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>As matas ciliares possibilitam manter a qualidade da \u00e1gua, diminuindo os problemas de eros\u00e3o e de contamina\u00e7\u00e3o. A vegeta\u00e7\u00e3o serve como conten\u00e7\u00e3o do solo e filtro da \u00e1gua que escorre para o leito dos rios e c\u00f3rregos. A legisla\u00e7\u00e3o florestal brasileira, Lei N.\u00ba 12.727, define que devem ser conservadas as matas ciliares em torno dos cursos d\u2019\u00e1gua com uma metragem que varia de 30 \u00e0 500 metros, determinada pela largura do rio, por\u00e9m a falta de preserva\u00e7\u00e3o dessas florestas \u00e9 o maior problema do rio da V\u00e1rzea atualmente. O professor Edner Baumhardt, 39 anos, do curso de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), campus Frederico Westphalen, menciona que devido \u00e0 falta de mata ciliar e \u00e0 eros\u00e3o do solo, uma quantidade enorme de terra pode descer para o rio todos os anos, fazendo com que sedimentos se acumulem no fundo do leito e a \u00e1gua tenha uma apar\u00eancia terrosa.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"718\" height=\"535\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/2-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-252\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/2-1.jpg 718w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/2-1-300x224.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 718px) 100vw, 718px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto:<\/em> Jo\u00e3o Carlos Neto<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>De acordo com dados da pol\u00edcia ambiental de Frederico Westphalen (RS), que realiza patrulha na Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio da V\u00e1rzea, foram registradas 150 ocorr\u00eancias de desmatamento em \u00c1reas de Prote\u00e7\u00e3o Permanente (APP), nos \u00faltimos tr\u00eas anos, o que influencia na degrada\u00e7\u00e3o de nascentes e rios. O comandante da Pol\u00edcia Ambiental, sargento Fabiano Lima da Silva, 37 anos, revela que em per\u00edodos que antecedem o plantio na regi\u00e3o j\u00e1 ocorreram at\u00e9 16 infra\u00e7\u00f5es,&nbsp; enquanto no restante do ano apenas dois casos foram registrados.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nota, a Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental Henrique Luis Roessler (FEPAM\/RS) respondeu \u00e0 reportagem que, no per\u00edodo de 2021 e 2022, n\u00e3o existem registros de den\u00fancias sobre desmatamento na mata ciliar no munic\u00edpio de Frederico Westphalen. Al\u00e9m disso, a FEPAM relata que os dados n\u00e3o s\u00e3o coletados apenas pelo estado, j\u00e1 que os munic\u00edpios tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis pelo licenciamento e pela fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental. Assim, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel realizar um c\u00e1lculo ou estimativa concreta do problema.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 evidente que informa\u00e7\u00f5es sobre den\u00fancias, nestes casos, n\u00e3o entram em todos os sistemas estaduais e nacionais. Essa burocratiza\u00e7\u00e3o institucional dificulta a integra\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es e, consequentemente, o mapeamento de poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es. Mesmo com a turbidez nos dados oficiais, as modifica\u00e7\u00f5es nos rios dessa bacia s\u00e3o vis\u00edveis, e puderam ser acompanhadas pela popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As margens foram sendo ocupadas por planta\u00e7\u00f5es e casas para lazer, enquanto as \u00e1guas ficaram visual e quimicamente polu\u00eddas. O servidor da UFSM FW, Milton Guerra, 56 anos, explora os rios durante passeios e pescarias recreativas h\u00e1 mais de quarenta anos. Segundo ele, a quantidade de \u00e1reas de lazer tem aumentado, bem como a quantidade de lixo jogado nesses rios, ocupando at\u00e9 locais onde antes existia mata ciliar.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o as lavouras e os espa\u00e7os de lazer que atualmente tomam o espa\u00e7o que deveria ser de preserva\u00e7\u00e3o permanente. Um estudo na \u00e1rea de Engenharia Florestal, conduzido pelos pesquisadores da UFSM, Bruno Conte, Anderson Pertuzzatti, Silvia Conten e Felipe Turchetto, publicado pela revista Enciclop\u00e9dia Biosfera, em 2013, concluiu que houve um aumento das \u00e1reas destinadas ao cultivo de monocultura entre 1985 e 2010, resultando na redu\u00e7\u00e3o de florestas nativas na bacia hidrogr\u00e1fica do rio da V\u00e1rzea.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O professor Edner Baumhardt aponta que h\u00e1 cerca de cem anos toda essa bacia hidrogr\u00e1fica tinha sua margem composta por florestas. Em entrevista realizada na nascente do rio Pardinho, que \u00e9 fonte de \u00e1gua para o munic\u00edpio de Frederico Westphalen, o professor mostra o cemit\u00e9rio Osvaldo Cruz, localizado em um ponto mais alto, tecnicamente um problema que deveria ser considerado. Isso porque o necrochorume, resultado da decomposi\u00e7\u00e3o dos cad\u00e1veres nos cemit\u00e9rios, infiltrado no solo, acaba por ser uma fonte de contamina\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel. Edner Baumhardt ainda cita como exemplo a contamina\u00e7\u00e3o proveniente dos res\u00edduos de rem\u00e9dios tomados ao longo da vida, que se acumulam nos corpos, e durante a decomposi\u00e7\u00e3o, s\u00e3o carregados pelas \u00e1guas da chuva e chegam nas \u00e1reas de nascentes.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"716\" height=\"535\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/3-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-253\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/3-1.jpg 716w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/3-1-300x224.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 716px) 100vw, 716px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto:<\/em> Jo\u00e3o Carlos Neto<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Sem prote\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Os sedimentos transformam a qualidade da \u00e1gua e mudam toda a estrutura destes rios, como sua profundidade, for\u00e7a da correnteza, a exist\u00eancia de barrancos e o solo no entorno. Os riscos, ampliados pelo desmatamento, s\u00e3o v\u00e1rios. Al\u00e9m de reduzir drasticamente a quantidade de \u00e1gua, permite a entrada dos mais diversos poluentes e destr\u00f3i o habitat natural para os animais que vivem nas matas ciliares.<\/p>\n\n\n\n<p>A bi\u00f3loga Cl\u00e9ria Meller, 76 anos, ex-presidente do Comit\u00ea de Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio Turvo, ressalta que a destrui\u00e7\u00e3o dessas florestas implica em um gradativo desaparecimento de vegetais e animais, pois quando a cadeia alimentar fica comprometida o ecossistema como um todo \u00e9 prejudicado. Educadora ambiental h\u00e1 mais de quarenta anos, ela esclarece que para recuperar as matas ciliares e os corredores ecol\u00f3gicos \u00e9 necess\u00e1ria a reposi\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies nativas. Outra alternativa seria isolar o local de atividades humanas e deixar as esp\u00e9cies se desenvolverem naturalmente, pela a\u00e7\u00e3o de p\u00e1ssaros disseminadores e outros animais, por exemplo, que carregam sementes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda segundo Cl\u00e9ria Meller, que atuou no projeto Garabi-It\u00e1 nos anos 2000, cujo objetivo era buscar a educa\u00e7\u00e3o ambiental a partir da compensa\u00e7\u00e3o florestal de mata ciliar em oito munic\u00edpios do noroeste ga\u00facho, a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre os danos causados ao meio ambiente \u00e9 dif\u00edcil de ser trabalhada. Isso acontece porque os aspectos econ\u00f4micos se sobrep\u00f5em ao ambiental. \u201cDeixamos de perceber as altera\u00e7\u00f5es que ocorrem e nem sequer reconhecemos o que \u00e9 um ambiente natural\u201d, afirma o ex-diretor de Licenciamento Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama), Luiz Felippe Kunz J\u00fanior, 60 anos. M\u00e9dico veterin\u00e1rio de forma\u00e7\u00e3o, sempre teve como interesse profissional as \u00e1reas de meio ambiente e sa\u00fade p\u00fablica. Ele argumenta que um dos motivos da destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 nosso afastamento da natureza, e tamb\u00e9m a dificuldade da maior parte da popula\u00e7\u00e3o em entender processos como a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, a extin\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies e a diminui\u00e7\u00e3o de qualidade e quantidade de \u00e1gua dispon\u00edvel. \u201cS\u00e3o processos longos que escapam a um observador pouco atento\u201d, refor\u00e7a Luiz Felippe.<\/p>\n\n\n\n<p>O ex-diretor de Licenciamento Ambiental do Ibama enfrentou obst\u00e1culos no per\u00edodo em que trabalhou no \u00f3rg\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente, de 2003 at\u00e9 2007. \u201cAs dificuldades sempre foram o reduzido quadro de pessoal para atender a demanda de licen\u00e7as e fiscaliza\u00e7\u00f5es\u201d, alega. Apesar dos esfor\u00e7os, havia outros empecilhos no caminho da institui\u00e7\u00e3o, como a insufici\u00eancia de recursos financeiros para a \u00e1rea ambiental e a movimenta\u00e7\u00e3o de empresas para barrar o cumprimento das leis.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipe limitada para ajudar na fiscaliza\u00e7\u00e3o de crimes ambientais tamb\u00e9m \u00e9 realidade para a Pol\u00edcia Ambiental de Frederico Westphalen. O Sargento Fabiano declara que a corpora\u00e7\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel por 24 munic\u00edpios da regi\u00e3o, mas que nem sempre \u00e9 poss\u00edvel estar em todos os locais onde as infra\u00e7\u00f5es ocorrem. \u201cTem que ter a ajuda de todo mundo\u201d diz o Sargento, sugerindo que a sensibiliza\u00e7\u00e3o de outros setores da sociedade poderia colaborar com a prote\u00e7\u00e3o dos ecossistemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na regi\u00e3o do Alto Uruguai, s\u00e3o raros os projetos que buscam a preserva\u00e7\u00e3o da natureza, o que acende um alerta, j\u00e1 que na dire\u00e7\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o n\u00e3o faltam iniciativas. O presidente da cooperativa de cr\u00e9dito Cresol, Cledir Magri, 40 anos, depois de retornar ao local onde cresceu, pr\u00f3ximo \u00e0 nascente do rio Pardinho, percebeu a necessidade de propor a\u00e7\u00f5es capazes de reverter a deteriora\u00e7\u00e3o desses ambientes. Cledir justifica que essa \u00e9 uma das motiva\u00e7\u00f5es do projeto Preservar a \u00c1gua, Preservar a Vida, desenvolvido pela Cresol, que pretende reflorestar \u00e1reas pr\u00f3ximas aos cursos d\u2019\u00e1gua, al\u00e9m de realizar a coleta do lixo nesses locais e promover a educa\u00e7\u00e3o ambiental em escolas.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"774\" height=\"538\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-254\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/4.jpg 774w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/4-300x209.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/4-768x534.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 774px) 100vw, 774px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto:<\/em> Jo\u00e3o Carlos Neto<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Na regi\u00e3o, outro agente respons\u00e1vel pela discuss\u00e3o de mecanismos de gest\u00e3o e de prote\u00e7\u00e3o dos rios e arroios \u00e9 o Comit\u00ea da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio da V\u00e1rzea. O grupo incentiva pesquisas acad\u00eamicas que contribuam com a recupera\u00e7\u00e3o e a prote\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos, al\u00e9m de realizar capacita\u00e7\u00f5es com a sociedade civil e informar, por meio das redes sociais do Comit\u00ea, sobre a import\u00e2ncia e a necessidade de preserva\u00e7\u00e3o das matas ciliares no noroeste do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde a\u00e7\u00f5es da iniciativa privada at\u00e9 a compreens\u00e3o dos nossos deveres e direitos enquanto cidad\u00e3os, existem alternativas capazes de promover mudan\u00e7as positivas nas quest\u00f5es ambientais. \u201cDevemos avaliar bem as candidaturas e escolher representantes que possam transformar positivamente este quadro\u201d, prop\u00f5e o ex-diretor de Licenciamento Ambiental do Ibama, Luiz Felippe. Ele acrescenta a import\u00e2ncia de estar por dentro de discuss\u00f5es p\u00fablicas e a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas que consigam despertar em toda a sociedade a import\u00e2ncia deste tema.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Hist\u00f3rias da V\u00e1rzea<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Rios que marcam grandes territ\u00f3rios atravessam vidas tamb\u00e9m. Adonis Busato, produtor rural, perto de completar 80 anos, e Lucilia Maria Busato, 78 anos, perceberam ao longo do tempo mudan\u00e7as no papel que o rio tinha na vida da comunidade Castelinho, que fica entre Frederico Westphalen e Ametista do Sul.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"714\" height=\"478\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/5.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-255\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/5.jpg 714w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/5-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/5-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 714px) 100vw, 714px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto:<\/em> Lidia Veronica Tedesco<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A fam\u00edlia Busato, que trabalha com agricultura, conta sobre as \u201chist\u00f3rias da V\u00e1rzea\u201d. O professor de hist\u00f3ria aposentado, Nadir Jos\u00e9 Busato, 74 anos, irm\u00e3o de Adonis, cita boas lembran\u00e7as da \u00e9poca de inf\u00e2ncia com seu pai no rio: \u201cMeu pai uma vez foi a Frederico e carregou uma carro\u00e7a de telha para trocar as tabuinhas da casa. A\u00ed quando foi subir em cima da balsa que tem a\u00ed, quando subiu em cima com a carro\u00e7a, virou com boi e tudo dentro da \u00e1gua\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A luta para vencer as \u00e1guas nas atividades do dia a dia era frequente. Naquela \u00e9poca, o moinho estava localizado na \u00e1rea urbana, e era preciso atravessar o rio com os animais da propriedade para chegar at\u00e9 l\u00e1. \u201cUma vez era assim, era tudo em Frederico [na \u00e1rea urbana]. Ent\u00e3o meu pai tinha um animal, botava os apelo dentro do barco. S\u00f3 puxava o animal e atravessava o rio, pro lado de c\u00e1, a\u00ed encilhava ele e ia at\u00e9 Frederico levar a moagem\u201d, relembra Adonis.<\/p>\n\n\n\n<p>Adonis e Lucilia contam que n\u00e3o eram os \u00fanicos a usar o rio da V\u00e1rzea com frequ\u00eancia. Em sua propriedade, o fundo do rio possu\u00eda uma caracter\u00edstica favor\u00e1vel a atividades que eram restritas em outros lugares, como lavar roupas. \u201cEra s\u00f3 aqui que tinha o rio com aquela pedra, que da\u00ed ficava limpinho na beira do rio, e todos vinham ali\u201d, narra Lucilia. Naquela \u00e9poca, alguns moradores de Castelinho vinham de carro\u00e7a at\u00e9 o local.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para o casal, permanecer por d\u00e9cadas no mesmo lugar permitiu acompanhar a constante transforma\u00e7\u00e3o da paisagem. Lucilia relata que quando sua casa foi constru\u00edda, h\u00e1 cerca de 50 anos, havia mais vegeta\u00e7\u00e3o ciliar nativa e era comum avistar capivaras na margem. Os animais eram alvo de ca\u00e7a por parte de pessoas da regi\u00e3o. A presen\u00e7a delas tornou-se rara, mas o comportamento humano que prejudica a fauna e a flora n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m dos rios que a comp\u00f5em, a bacia da V\u00e1rzea conecta hist\u00f3rias e possibilita a vida, mas seu futuro mostra-se cada vez mais incerto. Os problemas existentes nesta bacia perpassam as margens e delimita\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas, sendo realidade em in\u00fameros lugares. A continuidade da vida da bacia hidrogr\u00e1fica depende diretamente da uni\u00e3o entre consci\u00eancia ambiental e a\u00e7\u00f5es efetivas de prote\u00e7\u00e3o, s\u00f3 poss\u00edveis quando h\u00e1 uma clara percep\u00e7\u00e3o de que os seres humanos n\u00e3o s\u00e3o insepar\u00e1veis do espa\u00e7o natural. N\u00e3o estar \u00e0 margem disso \u00e9 saber que a vida de todos depende de um equil\u00edbrio profundo, permitindo que um futuro vivo possa fluir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>Frederico Westphalen, RS<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>*Esta \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o laboratorial e experimental, desenvolvida por estudantes do curso de Jornalismo da UFSM Campus Frederico Westphalen. O texto n\u00e3o deve ser reproduzido sem autoriza\u00e7\u00e3o.<\/em> Contato: meiomundo@ufsm.br.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Preservar as matas ciliares que protegem os rios garante a continuidade dos ecossistemas que possibilitam a exist\u00eancia da vida Ana Carolina Zago, Jo\u00e3o Carlos Neto, L\u00eddia Veronica Tedesco, Ta\u00eds Schakofski Busanello, Thalita Vizioli Ber\u00e7o das nascentes e da biodiversidade. O fluxo das \u00e1guas vai al\u00e9m dos rios. Transpassa a no\u00e7\u00e3o humana de tempo. 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