{"id":267,"date":"2022-11-04T21:40:00","date_gmt":"2022-11-05T00:40:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/?p=267"},"modified":"2024-05-10T15:57:02","modified_gmt":"2024-05-10T18:57:02","slug":"doce-tradicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/2022\/11\/04\/doce-tradicao","title":{"rendered":"Doce tradi\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Ana Alice Viana, Luiza Nunes, Maria Eduarda Cardomingo<\/em><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"339\" height=\"460\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/Foto-2-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-268\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/Foto-2-2.jpg 339w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/Foto-2-2-221x300.jpg 221w\" sizes=\"(max-width: 339px) 100vw, 339px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto:<\/em> Luiza Nunes<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>&#8211; \u201cSe a senhora pudesse mudar algo em Frederico, o que seria?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; \u201cQue n\u00e3o tivesse tantas sorveterias!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O coment\u00e1rio bem humorado \u00e9 de Ver\u00f4nica Coutinho, 75 anos, que h\u00e1 trinta anos comanda uma sorveteria em Frederico Westphalen (RS). Nascida no munic\u00edpio, filha de agricultores, teve uma inf\u00e2ncia tranquila e feliz, conta ela. Habituada a estar na ativa desde cedo, come\u00e7ou a trabalhar aos oito anos de idade, como bab\u00e1. Quando era crian\u00e7a, o mais comum era o picol\u00e9, o amor pelo sorvete n\u00e3o veio desde cedo. Afinal, em uma fam\u00edlia de onze irm\u00e3os, alguns tipos de doces ainda n\u00e3o estavam presentes no cotidiano. Aos onze anos mudou-se para Santiago, para estudar e, posteriormente, se casou. Em 1992, com a aposentadoria do marido, decidiu voltar para Frederico e comprar o estabelecimento, come\u00e7ando assim o seu legado. Um ato de coragem. Na \u00e9poca, lembra, n\u00e3o entendia sobre o neg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p>Pode-se dizer que foi um acaso que deu certo. Quando a sorveteria foi comprada, era a \u00fanica da cidade que possu\u00eda m\u00e1quinas, por isso o sucesso quase imediato, mas, \u00e9 claro, com muito trabalho e dedica\u00e7\u00e3o. Para aprender a trabalhar com sorvetes e milk-shakes, Ver\u00f4nica fez dois cursos de capacita\u00e7\u00e3o nas ind\u00fastrias em que comprava os ingredientes. Esse aprendizado foi, em seguida, passado para os filhos, Eduardo Coutinho Scalabrin e Ricardo Coutinho Scalabrin, que trabalham com ela atualmente. O que talvez muitos n\u00e3o saibam, \u00e9 que o t\u00e3o conhecido nome \u201cSorvetes Dona Ver\u00f4nica\u201d s\u00f3 surgiu h\u00e1 alguns anos, antes simplesmente n\u00e3o tinha. Ainda assim, todos conheciam e gostavam, frequentando o local \u201csem t\u00edtulo\u201d no centro de Frederico.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"339\" height=\"461\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/Foto-3-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-269\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/Foto-3-2.jpg 339w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/Foto-3-2-221x300.jpg 221w\" sizes=\"(max-width: 339px) 100vw, 339px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto:<\/em> Maria Eduarda Cardomingo<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Hoje, com d\u00e9cadas de funcionamento, a fachada vermelha e amarela mostra um neg\u00f3cio que se expandiu, inclusive mudando para um local mais amplo, localizado na Rua do Com\u00e9rcio, no centro, pr\u00f3ximo \u00e0 Pra\u00e7a da Matriz. Essa mudan\u00e7a possibilitou a compra de mais equipamentos, como uma m\u00e1quina de crepe su\u00ed\u00e7o e uma de chocolate quente. Tendo uma filial em Panambi, a 118 km de Frederico, e uma inaugura\u00e7\u00e3o em Iju\u00ed (a 170 km), marcada para este ano, o legado est\u00e1 se enraizando al\u00e9m das fronteiras frederiquenses. Vale lembrar que a sorveteria de Panambi vende os produtos que s\u00e3o feitos pelas m\u00e3os da pr\u00f3pria Ver\u00f4nica, que faz quest\u00e3o de colocar carinho em cada sabor vendido.<\/p>\n\n\n\n<p>Os sorvetes servidos todos os dias v\u00eam da f\u00e1brica localizada em outro bairro, onde s\u00e3o produzidos os potes vendidos nos supermercados da regi\u00e3o h\u00e1 dez anos. Ricardo Coutinho, filho da Dona Ver\u00f4nica, \u00e9 quem cuida da ind\u00fastria. Ao cri\u00e1-la, foi ele quem sugeriu o nome \u201cSorvetes Dona Ver\u00f4nica\u201d. A sorveteria esteve presente na vida de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es. Perguntada sobre a tradi\u00e7\u00e3o que o seu com\u00e9rcio representa, a empres\u00e1ria diz: \u201cEu tenho clientes que vinham com a m\u00e3e, de m\u00e3ozinha dada, e hoje eles trazem os filhinhos deles aqui, pra tomar sorvete. \u00c9 muito legal\u201d. Al\u00e9m disso, ela conta que clientes que moravam na cidade, e foram embora, ainda voltam para degustar os sorvetes e matar a saudade com gosto de nostalgia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ver\u00f4nica comenta tamb\u00e9m um pouco sobre a sua rotina de trabalho. Com quase trinta ess\u00eancias para sorvete, de fabrica\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, e um esquema de revezamento que ela n\u00e3o revela a ningu\u00e9m, os maravilhosos gelatos s\u00e3o preparados sempre pela manh\u00e3, antes da abertura do com\u00e9rcio. \u00c0s dez horas, fa\u00e7a calor ou fa\u00e7a frio, com quatro op\u00e7\u00f5es de sabores, servidos em casquinha ou casc\u00e3o, al\u00e9m de diversas possibilidades de milk-shake, crepes e chocolate quente, a Sorvetes Dona Ver\u00f4nica abre as portas para fazer a alegria de quem passa pela Rua do Com\u00e9rcio. Vai at\u00e9 tarde da noite. Particularmente, para as rep\u00f3rteres, p\u00eassego, cereja e tr\u00eas leites s\u00e3o a sant\u00edssima trindade dos sabores, mas os mais vendidos s\u00e3o morango e chocolate.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma sorveteria liderada por uma mulher desde os anos 1990, \u00e9poca que existia ainda mais machismo que os dias atuais, quando l\u00edderes femininas ainda eram subestimadas e dificilmente sendo levadas a s\u00e9rio no mundo dos neg\u00f3cios, Dona Ver\u00f4nica nos mostra a for\u00e7a, garra e coragem que uma mulher pode ter, trabalhando praticamente a vida toda com o seu com\u00e9rcio. Tendo escolhido ficar com a sorveteria, ao inv\u00e9s de sua casa, ao se divorciar, mostra o amor e a determina\u00e7\u00e3o no que faz. E ainda que tenha passado muitos anos servindo aos seus clientes, n\u00e3o pensa em parar t\u00e3o cedo: \u201c[..] eu gosto de trabalhar, adoro meus fregueses\u201d. Nem mesmo a concorr\u00eancia foi capaz de desanim\u00e1-la, afirmando com tranquilidade que \u00e9 dif\u00edcil em todos os ramos comerciais.<\/p>\n\n\n\n<p>A pandemia de Covid-19 trouxe algumas dificuldades para diversas empresas, e n\u00e3o foi diferente para a Sorvetes Dona Ver\u00f4nica, o estabelecimento teve que parar os trabalhos logo no come\u00e7o da pandemia, ficando, por volta de um m\u00eas sem atividades. Ap\u00f3s isso, a sorveteria foi voltando a ativa gradativamente, tomando todos os cuidados necess\u00e1rios, como evitar filas e aglomera\u00e7\u00f5es. \u201cN\u00f3s trabalhamos normalmente, n\u00e9? S\u00f3 que bem menos, pouca gente circulava. \u00c0 noite n\u00e3o tinha quase ningu\u00e9m [&#8230;]\u201d, explica a empres\u00e1ria. Entretanto, agora, \u00e9 s\u00f3 parar por alguns minutos em frente ao local e observar o movimento de muitas pessoas chegando para aproveitar as del\u00edcias de Dona Ver\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo feito com muito amor, n\u00e3o encontra dificuldades em realizar a sua rotina di\u00e1ria, ao ser indagada sobre a rela\u00e7\u00e3o com os clientes, ela comenta, \u201ceu respeito eles n\u00e9, eu nunca tive problema, nunca mesmo [&#8230;] de chegarem e desaforarem, nunca, s\u00e3o todos legais.\u201d Al\u00e9m disso, nunca houve problemas de seguran\u00e7a, como assaltos ou baderna. No trabalho, a simp\u00e1tica senhora n\u00e3o para. A todo momento chegam pessoas ansiosas por degustar as op\u00e7\u00f5es do dia, e ela com o cora\u00e7\u00e3o quentinho em entregar a sobremesa sorri, e seu sorriso se estende por todo o expediente, um sorriso terno como um creme franc\u00eas, seu sabor favorito de sorvete. \u201cEu conhe\u00e7o, n\u00e3o por nome, mas de carinha assim, eu conhe\u00e7o todos\u201d Nas tr\u00eas d\u00e9cadas em que a sorveteria esteve presente na cidade, Dona Ver\u00f4nica pode acompanhar as mudan\u00e7as que ocorreram em Frederico Westphalen.&nbsp; De acordo com ela, antes a regi\u00e3o n\u00e3o era muito agrad\u00e1vel, mas melhorou \u201cComo \u00e9? \u00c9 maravilhosa!\u201d, diz, ao descrever o munic\u00edpio. \u201c\u00c9 uma cidade que est\u00e1 evoluindo, n\u00e9? T\u00e1 crescendo bastante, principalmente depois que veio a universidade pra c\u00e1\u201d comenta, fazendo refer\u00eancia \u00e0 Universidade Federal de Santa Maria, que tem campus na cidade h\u00e1 15 anos e trouxe estudantes para esta regi\u00e3o, e tamb\u00e9m agregando muitos fregueses aos neg\u00f3cios locais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel a relev\u00e2ncia que Dona Ver\u00f4nica e sua sorveteria t\u00eam para o local e as pessoas que vivem aqui. Uma senhora que lutou para conquistar uma vida tranquila, cuidando de sua casa, seus filhos, e do trabalho, mostra a coragem de se arriscar e a import\u00e2ncia de deixar a sua marca. Um neg\u00f3cio familiar, que um dia ser\u00e1 passado para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es, mantendo o eco da trajet\u00f3ria da m\u00e3e. As portas brancas com ilustra\u00e7\u00f5es de sorvetes, as duas m\u00e1quinas, e um sorriso \u00e0 vista de todos que passam pelo centro, convidam n\u00e3o apenas para tomar um sorvete, mas tamb\u00e9m para participar da tradi\u00e7\u00e3o e da hist\u00f3ria que o estabelecimento de Ver\u00f4nica carrega.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"716\" height=\"472\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/Foto-1-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-270\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/Foto-1-2.jpg 716w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/05\/Foto-1-2-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 716px) 100vw, 716px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto:<\/em> Luiza Nunes<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>Frederico Westphalen, RS<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>*Esta \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o laboratorial e experimental, desenvolvida por estudantes do curso de Jornalismo da UFSM Campus Frederico Westphalen. O texto n\u00e3o deve ser reproduzido sem autoriza\u00e7\u00e3o.<\/em> Contato: meiomundo@ufsm.br.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Alice Viana, Luiza Nunes, Maria Eduarda Cardomingo &#8211; \u201cSe a senhora pudesse mudar algo em Frederico, o que seria? &#8211; \u201cQue n\u00e3o tivesse tantas sorveterias!\u201d O coment\u00e1rio bem humorado \u00e9 de Ver\u00f4nica Coutinho, 75 anos, que h\u00e1 trinta anos comanda uma sorveteria em Frederico Westphalen (RS). 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