{"id":306,"date":"2024-10-31T13:17:24","date_gmt":"2024-10-31T16:17:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/?p=306"},"modified":"2024-12-04T20:39:23","modified_gmt":"2024-12-04T23:39:23","slug":"fe-na-cura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/2024\/10\/31\/fe-na-cura","title":{"rendered":"F\u00e9 na cura"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"306\" class=\"elementor elementor-306\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-3bf658d elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"3bf658d\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-6775a73\" data-id=\"6775a73\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-c2fd006 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"c2fd006\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><span style=\"font-size: 10pt\"><em><strong>Quem s\u00e3o e qual \u00e9 a hist\u00f3ria das benzedeiras que mant\u00eam viva a tradi\u00e7\u00e3o do tratamento para doen\u00e7as com ervas e ora\u00e7\u00f5es na cidade de Cerro Grande (RS).<\/strong><\/em><\/span><\/p><p><span style=\"font-size: 10pt\"><em><span style=\"font-weight: 400\">Texto e Fotografia:\u00a0<\/span><span style=\"text-align: var(--bs-body-text-align);font-weight: var( --e-global-typography-text-font-weight )\">J\u00falia Negrello Decarli<\/span><\/em><\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-a939df9 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"a939df9\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-49db132\" data-id=\"49db132\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-48b5a33 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"48b5a33\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"512\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-1-768x512.jpg\" class=\"attachment-medium_large size-medium_large wp-image-328\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-1-272x182.jpg 272w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-1.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-40c4d24 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"40c4d24\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-322eda6\" data-id=\"322eda6\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1365351 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"1365351\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><span style=\"font-weight: 400\">Todos os dias, Claudetinha, Quidinho e Lorena dividem a rotina dom\u00e9stica com os benzimentos que realizam. Benzem em casa, e os ambientes s\u00e3o repletos de ora\u00e7\u00f5es e de ervas sagradas. L\u00e1, recebem visitas de pessoas que almejam a recupera\u00e7\u00e3o das mais diversas doen\u00e7as. As benzedeiras, com rituais aprendidos de gera\u00e7\u00f5es passadas, benzem tanto para as enfermidades originadas por causas naturais, como para doen\u00e7as sem rem\u00e9dio na medicina convencional, como o quebrante.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Ainda que existam medicamentos, muitas s\u00e3o as pessoas que procuram por quem benza para a m\u00edngua, o rendido, as bichas, o ar na cabe\u00e7a ou para mordidas de animais pe\u00e7onhentos. S\u00e3o termos que as benzedeiras utilizam para falar de anemia, distens\u00e3o muscular, vermes ou dor de cabe\u00e7a.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Fui criada sendo benzida. Naturalizei esses rituais como parte do cotidiano. Mas nunca havia pensado em pesquisar como \u00e9 a vida de quem benze e como s\u00e3o feitos os benzimentos. At\u00e9 agora. Para essa reportagem, refiz um trajeto conhecido. O destino era minha cidade natal. Desta vez, no entanto, foi para ouvir e poder narrar essas hist\u00f3rias. Cerro Grande, com aproximadamente 2,5 mil habitantes, fica no noroeste do Rio Grande do Sul. Emancipada h\u00e1 36 anos, guarda um fato curioso. L\u00e1, v\u00e1rios moradores realizam rituais e ora\u00e7\u00f5es para cura. Aqui, conto as hist\u00f3rias de tr\u00eas deles.<\/span><\/p><h3><strong><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">O come\u00e7o<\/span><\/strong><\/h3><p><span style=\"font-weight: 400\">Minha av\u00f3, Maria Etelvina Decarli, tinha dois anos quando chegou \u00e0 localidade com a fam\u00edlia. Em 1947, Cerro Grande era distrito de Palmeira das Miss\u00f5es. Havia poucos moradores e as casas ficavam distantes umas das outras. Ap\u00f3s a chegada da fam\u00edlia, outras pessoas come\u00e7aram a povoar o distrito. Por ser um vilarejo pequeno, n\u00e3o existia acesso facilitado a m\u00e9dicos e \u00e0 medicina convencional, conta. O hospital mais pr\u00f3ximo, ainda que com poucos recursos, era em Liberato Salzano. S\u00f3 que para chegar l\u00e1, precisavam atravessar, de balsa, o Rio da V\u00e1rzea. A cidade de Palmeira das Miss\u00f5es tamb\u00e9m era refer\u00eancia na regi\u00e3o. Mas ir at\u00e9 a sede do munic\u00edpio custava, em m\u00e9dia, um dia e meio de viagem, feita a cavalo. Se uma pessoa estava em estado grave, ou com uma doen\u00e7a em est\u00e1gio avan\u00e7ado, n\u00e3o conseguiria chegar a tempo de ter atendimento.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">As ervas e as ora\u00e7\u00f5es s\u00e3o uma forma de cura desde o in\u00edcio da humanidade. Em Cerro Grande, os benzimentos remontam ao in\u00edcio do povoamento na localidade, por volta da metade do s\u00e9culo XX. N\u00e3o existe uma data precisa sobre quando os benzimentos surgiram ali, mas isso aconteceu naturalmente, n\u00e3o s\u00f3 pela dificuldade no acesso a tratamentos tradicionais, mas porque essa sempre foi uma marca identit\u00e1ria da popula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Os benzimentos s\u00e3o simpatias e rituais de origem religiosa que, utilizando de ora\u00e7\u00f5es e de plantas ditas de origem sagrada, em tempos antigos substitu\u00edram os rem\u00e9dios da medicina convencional quando o acesso a eles era mais dif\u00edcil. Mas, mesmo com todo o avan\u00e7o na medicina tradicional, como esses rituais ainda persistem? Para responder essa pergunta, com a ajuda de minha fam\u00edlia, mapeei as benzedeiras e benzedores de Cerro Grande. Nessa reportagem irei tratar de ambos os g\u00eaneros apenas como benzedeiras, no feminino, visto que a maioria das pessoas ouvidas foram mulheres.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Muitos nomes surgiram, e as especialidades dos benzimentos s\u00e3o os mais diversos, desde as doen\u00e7as do corpo at\u00e9 as enfermidades da alma. Conheci de perto e em detalhes tr\u00eas benzedeiras, as personagens dessa hist\u00f3ria: Claudete Maria Gon\u00e7alves, a Claudetinha, Lorena de Moraes Wagner e Euclides Guerra, chamado por todos de Quidinho.<\/span><\/p><h3><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><strong>A vida de quem benze<\/strong><\/span><\/h3><p><span style=\"font-weight: 400\">Claudete Maria Gon\u00e7alves, conhecida na cidade como Claudetinha, tem 64 anos. \u00c9 natural de Rodeio Bonito, cidade vizinha a Cerro Grande, para onde mudou-se aos 15 anos. Morou inicialmente no interior, na linha Beatto, e h\u00e1 oito anos mora na cidade. Claudetinha aprendeu os benzimentos com a falecida sogra que, ap\u00f3s a descoberta de um c\u00e2ncer, quis passar seu saber para algu\u00e9m. Claudete aceitou o desafio. \u00c9 necess\u00e1rio ter uma atribui\u00e7\u00e3o divina para conseguir benzer. \u201cA pessoa tem de ter um dom, se n\u00e3o, n\u00e3o aprende\u201d, confidencia. Junto, precisa de f\u00e9 para que os rituais funcionem, tanto da parte de quem benze como de quem \u00e9 benzido, destaca.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Vinda de uma fam\u00edlia que tinha pouco contato com os benzimentos, a dona de casa s\u00f3 conheceu essa forma de cura com a fam\u00edlia do falecido marido. A\u00a0 jornada levou Claudetinha ter renome na cidade pela quantidade de benzimentos que realiza. Est\u00e1 sempre de casa cheia. Perguntei se ela j\u00e1 havia se benzido. Disse que sim, mas quem a benzeu foi um companheiro de of\u00edcio, Quidinho. Era para uma picada de aranha. Quidinho n\u00e3o s\u00f3 benzeu Claudete como, logo depois, ensinou-a para que pudesse benzer quem precisasse. A rela\u00e7\u00e3o de companheirismo permanece at\u00e9 hoje, sem competi\u00e7\u00f5es.\u00a0 O que conta \u00e9 a amizade e a voca\u00e7\u00e3o de fazerem algo que, dizem, \u00e9 poss\u00edvel pelo dom e pela f\u00e9 que possuem.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Euclides Guerra, conhecido como Quidinho, foi o \u00fanico benzedor homem que entrevistei. Nascido no interior de Cerro Grande, morou a vida inteira no munic\u00edpio. Hoje tem 66 anos, e come\u00e7ou a benzer aos 30. Perdeu o pai ainda quando era beb\u00ea, v\u00edtima da descarga el\u00e9trica de um raio. At\u00e9 tinha interesse em aprender a benzer, mas n\u00e3o perguntava \u00e0 m\u00e3e, que era benzedeira, por medo de que ela viesse a falecer. H\u00e1 uma cren\u00e7a de que quando uma benzedeira passa os conhecimentos a outra pessoa, ela cumpriu seu papel no mundo e j\u00e1 pode morrer.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Quidinho aprendeu a benzer apenas observando a m\u00e3e. Mas come\u00e7ou a praticar os rituais, de fato, somente ap\u00f3s o falecimento dela. Hoje, aprende novos benzimentos at\u00e9 via celular. Ele mesmo j\u00e1 foi procurado para ensinar, em troca de receber instru\u00e7\u00f5es de um benzimento mais eficaz do que o que ele fazia. Quidinho e Claudetinha contam que n\u00e3o existem fronteiras para o benzimento, para ajudar quem precisa. Se precisar, vale at\u00e9 benzer pelo celular, atendendo pessoas de outras cidades e estados. Segundo eles,\u00a0 se a pessoa tem f\u00e9, o benzimento funciona at\u00e9 a dist\u00e2ncia. A rela\u00e7\u00e3o de amizade volta \u00e0 conversa quando Quindinho fala de Claudetinha: \u201cQuando chega um [uma pessoa] mal l\u00e1, que ela v\u00ea que ela sozinha n\u00e3o d\u00e1 conta, ela me liga pra ajudar. E se chega um [mal] aqui, eu pe\u00e7o pra ela ajudar\u201d, explica.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-6caccc9 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"6caccc9\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-004e92a\" data-id=\"004e92a\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-c4adc6c elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"c4adc6c\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figure class=\"wp-caption\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-2-1024x683.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-343\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-2-272x182.jpg 272w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-2.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figcaption class=\"widget-image-caption wp-caption-text\">Quidinho, com galho de arruda, benze para ar na cabe\u00e7a<\/figcaption>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/figure>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-e8ac2eb elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"e8ac2eb\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-d8debfb\" data-id=\"d8debfb\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-c22e877 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"c22e877\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><span style=\"font-weight: 400\">Lorena de Moraes Wagner foi a \u00faltima benzedeira com quem conversei. Com 64 anos, nasceu na regi\u00e3o que antigamente pertencia \u00e0 cidade de Tenente Portela, o atual munic\u00edpio de Derrubadas, no extremo noroeste do Rio Grande do Sul. Est\u00e1 em Cerro Grande h\u00e1 31. Lorena aprendeu a benzer jovem, com 20 e poucos anos, n\u00e3o recorda a idade exata. Quem ensinou foi um vizinho de Derrubadas: \u201cMeu finado pai foi erguer uma madeira e se rendeu [machucou]. A\u00ed ele pediu para um vizinho vir benzer ele. E eu arrisquei: \u2018o senhor n\u00e3o me ensina?\u2019\u201d.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Lorena diz que ao chegar em Cerro Grande aprendeu novos benzimentos. Em especial, o benzimento para a \u201cm\u00edngua\u201d, que conhecemos como anemia. Essa \u00e9 uma das especialidades da dona de casa, uma das poucas pessoas no munic\u00edpio a atender casos assim. O ritual tem muitas particularidades. Relembra do dia em que, ao encontrar um conhecido seu atravessando um riacho para benzer uma pessoa, conversaram sobre a benzedura. Ela recorda do di\u00e1logo: \u201cAh, a senhora \u00e9 interessada em aprender? Eu gostaria de ensinar, mas ningu\u00e9m quer pegar, e quando eu ensino outro, eu n\u00e3o posso mais [benzer]\u201d, disse ele. Uma das peculiaridades \u00e9 que o benzimento para a m\u00edngua deve ser ensinado na Quinta-feira Santa, precedendo a P\u00e1scoa, relata. Al\u00e9m disso, se uma benzedeira ou benzedor ensina o ritual, quem repassou os conhecimentos n\u00e3o pode mais benzer.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">A principal raz\u00e3o pela qual nem todas as benzedeiras rezam para curar a m\u00edngua \u00e9 que, segundo Lorena, quem benze \u201cabsorve\u201d a energia da pessoa, que se instaura na benzedeira na forma de um des\u00e2nimo. Lorena lembra que j\u00e1 ficou por at\u00e9 um ano sem realizar benzimentos porque teve depress\u00e3o em uma das ocasi\u00f5es em que fez o ritual para curar a m\u00edngua.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Claudetinha, Lorena e Quidinho s\u00e3o cat\u00f3licos praticantes. Na conversa para a reportagem, contaram sobre os tipos de benzimento que realizam. Os rituais, apesar de terem o mesmo intuito, s\u00e3o feitos de maneiras diferentes, devido ao modo como foram ensinados de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p><h3><strong><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Os benzimentos<\/span><\/strong><\/h3><p><span style=\"font-weight: 400\">Existem rituais de benze\u00e7\u00e3o tanto para doen\u00e7as de causas naturais como sobrenaturais. O termo sobrenatural n\u00e3o aparece como normalmente \u00e9 empregado. Aqui, se refere \u00e0s doen\u00e7as da alma, do esp\u00edrito, aquelas que n\u00e3o t\u00eam cura por meio dos rem\u00e9dios convencionais. Os benzimentos atuam em diferentes tipos de enfermidades, naturais ou n\u00e3o. Entre elas, o famoso quebrante ou quebranto, as mordidas de animais pe\u00e7onhentos, o rendido ou machucadura (distens\u00e3o muscular), o ar na cabe\u00e7a (uma dor de cabe\u00e7a originada por exposic\u00e3o longa ao sol ou a r\u00e9stia desse), a m\u00edngua (anemia) e as bichas (vermes).<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Quebrante ou quebranto, explica Claudetinha, \u00e9 quando o beb\u00ea ou a crian\u00e7a n\u00e3o dorme, ou quando pessoas, at\u00e9 mesmo da pr\u00f3pria fam\u00edlia, acham a crian\u00e7a bonita. Isso pode colocar quebrante, uma esp\u00e9cie de inveja, que impede o desenvolvimento. Nesses casos, ela cita o nome da crian\u00e7a, reza a ora\u00e7\u00e3o do Pai Nosso e entrega a inten\u00e7\u00e3o para os anjos da guarda, explica. Quidinho, para benzer esses casos, pega um galhinho de arruda, um copo cheio de \u00e1gua, cita o nome da crian\u00e7a com quebrante e repete as palavras \u201ctem quebrante, tem mal-olhado, olho gordo, em nome da Sant\u00edssima Trindade intercedo a Jesus Cristo, que Deus te cure\u201d, detalha.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Para o benzimento das bichas, o ritual \u00e9 parecido nos tr\u00eas casos. Utiliza-se de um copo com \u00e1gua e peda\u00e7os pequenos de linha. Assim, a cada pedacinho de linha largado no copo, reza-se para Nossa Senhora e recita-se a ora\u00e7\u00e3o do Pai Nosso. Depois, a benzedeira pede para a crian\u00e7a tomar a \u00e1gua. As diferen\u00e7as de cada benzedeira est\u00e3o na ora\u00e7\u00e3o que fazem e nos versos que repetem, como no caso de Lorena, que fala \u201ceu te benzo de bicha assustada, bicha \u201cpasmada\u201d, com o nome de Deus e da Virgem Maria\u201d.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">O rendido pode ser caracterizado por uma les\u00e3o ou uma distens\u00e3o muscular, ocasionados pelo carregamento de peso em excesso, por exemplo. O benzimento pode ser feito de dois modos. Na primeira forma, realizada por Claudetinha e Quidinho, s\u00e3o utilizados peda\u00e7os de palha de milho. Depois, enche-se um copo ou x\u00edcara com \u00e1gua fervente e se despeja o l\u00edquido sobre um prato. A benzedeira coloca a x\u00edcara vazia virada para baixo sobre o prato e relata que se a pessoa estiver de fato machucada, a \u00e1gua borbulha de fervura, mesmo sem estar em contato com o corpo, e o copo absorve toda a \u00e1gua numa esp\u00e9cie de v\u00e1cuo. O outro modo de benzer \u00e9 o adotado por Lorena. Como em uma costura, simulando uma forma de unir o m\u00fasculo distendido. A benzedeira pega uma folha de laranjeira e pergunta \u201co que que eu cozo? Osso rendido, nervo torto e carne rasgada\u201d. Depois, costura tr\u00eas cruzes na folha com agulha e linha.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Mesmo que para curar uma mesma enfermidade, a forma de realizar o benzimento pode ser distinta. Diferente de outras pessoas, Claudetinha, por exemplo, pede para o benzido rezar uma novena para complementar o ritual.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-8f7b6fb elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"8f7b6fb\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-3c0b4de\" data-id=\"3c0b4de\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-49c0d2c elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"49c0d2c\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figure class=\"wp-caption\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-3-1024x683.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-362\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-3-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-3-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-3-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-3-272x182.jpg 272w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-3.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figcaption class=\"widget-image-caption wp-caption-text\">Lorena com a folha de laranjeira, com tr\u00eas cruzes costuradas para o benzimento de rendido<\/figcaption>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/figure>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-41531a4 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"41531a4\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-92c0a29\" data-id=\"92c0a29\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-523f7d6 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"523f7d6\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<h3><strong><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">A f\u00e9<\/span><\/strong><\/h3><p><span style=\"font-weight: 400\">Para que o benzimento funcione \u00e9 preciso f\u00e9, reiteram as tr\u00eas benzedeiras. Mas n\u00e3o uma f\u00e9 unilateral, vinda somente da benzedeira. Depende de uma cren\u00e7a no ritual por parte de quem \u00e9 benzido: \u201cPorque \u00e9 a tua f\u00e9 que vai te curar. Deus te d\u00e1 um dom sobre a tua f\u00e9\u201d, explica Claudetinha.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">As tr\u00eas benzedeiras ainda ressaltam que, ao benzer, n\u00e3o existe distin\u00e7\u00e3o entre as pessoas, mesmo em situa\u00e7\u00f5es de desaven\u00e7as pessoais. Se algu\u00e9m precisar de ajuda, ir\u00e3o ajudar. Nas conversas, percebi tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o dessas pessoas com a medicina tradicional. As benzedeiras at\u00e9 aconselham que a pessoa procure tamb\u00e9m por rem\u00e9dios convencionais para que complementem o processo de cura da doen\u00e7a.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Por meio da f\u00e9 das pessoas que, ao longo do tempo, conhecimentos e tradi\u00e7\u00f5es foram passadas de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o. A cultura do benzimento segue viva, seja entre fi\u00e9is da religi\u00e3o cat\u00f3lica ou de outras religi\u00f5es, como as de matriz africana. Claudetinha, Quidinho e Lorena est\u00e3o entre as pessoas que doam um tempo de suas vidas para ajudar, sem pedir algo em troca. \u00c9 a f\u00e9, e a f\u00e9 na cura, que move seus dias. \u00a0 O<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;font-size: 12pt\">Cerro Grande, RS<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-03bf299 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"03bf299\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-0597be6\" data-id=\"0597be6\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-17a35d2 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"17a35d2\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figure class=\"wp-caption\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"681\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-6-681x1024.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-369\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-6-681x1024.jpg 681w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-6-199x300.jpg 199w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-6-768x1155.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-6-1021x1536.jpg 1021w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-6-1362x2048.jpg 1362w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Julia_foto-6-scaled.jpg 1702w\" sizes=\"(max-width: 681px) 100vw, 681px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figcaption class=\"widget-image-caption wp-caption-text\">Outra forma de realizar o benzimento de rendido<\/figcaption>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/figure>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem s\u00e3o e qual \u00e9 a hist\u00f3ria das benzedeiras que mant\u00eam viva a tradi\u00e7\u00e3o do tratamento para doen\u00e7as com ervas e ora\u00e7\u00f5es na cidade de Cerro Grande (RS). Texto e Fotografia:\u00a0J\u00falia Negrello Decarli Todos os dias, Claudetinha, Quidinho e Lorena dividem a rotina dom\u00e9stica com os benzimentos que realizam. Benzem em casa, e os ambientes [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8447,"featured_media":447,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[58],"tags":[70],"class_list":["post-306","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagem","tag-meiomundo13"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/306","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8447"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=306"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/306\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/447"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=306"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=306"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=306"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}