{"id":316,"date":"2024-10-31T13:51:55","date_gmt":"2024-10-31T16:51:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/?p=316"},"modified":"2024-12-04T20:34:02","modified_gmt":"2024-12-04T23:34:02","slug":"expressao-resistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/2024\/10\/31\/expressao-resistencia","title":{"rendered":"Express\u00e3o de resist\u00eancia"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"316\" class=\"elementor elementor-316\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-1ad65dd elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"1ad65dd\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-95495d3\" data-id=\"95495d3\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1099766 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"1099766\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><em><strong><span style=\"font-size: 10pt;font-family: georgia, palatino, serif\">A moda afro-brasileira promove a diversidade e a inclus\u00e3o, transformando o ato de vestir em um s\u00edmbolo de empoderamento e de luta.<\/span><\/strong><\/em><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-ea5919f elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"ea5919f\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-7654061\" data-id=\"7654061\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-f8ca3bb elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"f8ca3bb\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p align=\"left\"><em><span style=\"font-size: 10pt\">Texto e Fotografia: <\/span><\/em><em><span style=\"font-size: 10pt\">Ananda Matias Machado<\/span><\/em><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-6da20a1 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"6da20a1\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-0a893b6\" data-id=\"0a893b6\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-6d437a7 elementor-widget__width-initial elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"6d437a7\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figure class=\"wp-caption\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"680\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Copia-de-Copia-de-DSC_0129-1024x680.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-368\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Copia-de-Copia-de-DSC_0129-1024x680.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Copia-de-Copia-de-DSC_0129-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Copia-de-Copia-de-DSC_0129-768x510.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Copia-de-Copia-de-DSC_0129-1536x1020.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Copia-de-Copia-de-DSC_0129-272x182.jpg 272w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Copia-de-Copia-de-DSC_0129.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figcaption class=\"widget-image-caption wp-caption-text\">Fatumata San\u00e9, 41 anos, Frederico Westphalen<\/figcaption>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/figure>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-445c6ba elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"445c6ba\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-f176130\" data-id=\"f176130\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-a7b77c5 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"a7b77c5\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p align=\"left\">Nascida na Guin\u00e9-Bissau, pa\u00eds da \u00c1frica Ocidental, Fatumata San\u00e9 (fotos), 41 anos, ainda \u00e9 sustentada por suas ra\u00edzes africanas. Hoje, ela vive em Frederico Westephalen (RS), munic\u00edpio com pouco mais de 30 mil habitantes. Mas Fatumata chegou ao Brasil em 2004 para apoiar o sonho do marido, Samba San\u00e9. Ele, que j\u00e1 havia conclu\u00eddo uma gradua\u00e7\u00e3o no pa\u00eds tropical antes de conhec\u00ea-la, decidiu enfrentar um novo desafio: um mestrado. Dessa vez, toda a fam\u00edlia embarcou na nova fase da vida. E desde ent\u00e3o, mesmo estando no Brasil, junto com Samba, Fatumata compartilha com os filhos Baluta, Djenabu e Adulay a cultura africana, celebrando sua origem.<\/p><p align=\"left\">A cultura afro-brasileira desempenha um papel crucial na forma\u00e7\u00e3o da identidade nacional. S\u00e3o muitas as manifesta\u00e7\u00f5es, especialmente na moda. Ao longo dos anos, a moda afro-brasileira vem ressignificando conceitos, tradi\u00e7\u00f5es e comportamentos, abrangendo tanto pessoas negras como aquelas que se identificam com esse estilo.<\/p><p align=\"left\">A moda afro-brasileira tem ra\u00edzes na hist\u00f3ria e na cultura dos africanosescravizados trazidos ao Brasil. Segundo o artigo <em>\u00c1frica, n\u00fameros do tr\u00e1fico atl\u00e2ntico<\/em>, de Luiz Felipe de Alencastro, a cifra de africanos introduzidos no Brasil entre 1500 e 1850 foi de 4,8 milh\u00f5es. Hoje, os negros representam 56% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, mais de 115 milh\u00f5es de pessoas.<\/p><p align=\"left\">Estilistas e designers afrodescendentes t\u00eam sido fundamentais na promo\u00e7\u00e3o e na reinven\u00e7\u00e3o da moda afro-brasileira. Nomes como<em> Negrif, Santa Resist\u00eancia e Projeto Tran\u00e7ados<\/em> t\u00eam se destacado ao mesclar elementos tradicionais e contempor\u00e2neos em suas cria\u00e7\u00f5es. Eles n\u00e3o apenas celebram a cultura afro, mas questionam e desafiam os padr\u00f5es estabelecidos pela ind\u00fastria tradicional da moda.<\/p><p align=\"left\">Tecidos, padr\u00f5es, acess\u00f3rios, cores e estilos de cabelo mostram a heran\u00e7a que atravessou s\u00e9culos. \u201cNo momento que eu pego o algod\u00e3o cru e transformo ele em roupa, ali ele j\u00e1 tem outro valor. Eu transformo aquele tecido que era considerado ruim, e oferecido aos escravizados, em pe\u00e7as para diferentes ocasi\u00f5es\u201d, comenta a designer de moda Madalena da Silva, 51 anos, de Salvador (BA), conhecida como Mad\u00e1 Negrif. Filha de uma costureira, iniciou a trajet\u00f3ria na moda ao observar e ajudar a m\u00e3e, dona Estelita, a costurar. Mesmo crescendo nesse ambiente, Mad\u00e1 n\u00e3o planejava seguir essa carreira. Sem um objetivo claro, ela se inscreveu em um curso de moda no Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Salvador.<\/p><p align=\"left\">Sua marca original, Linha Branca, evoluiu para Negrif ap\u00f3s receber um retorno inspirador de um amigo de Cabo Verde (\u00c1frica), que sugeriu o novo nome. \u201cQuando meu amigo sugeriu o nome eu acho que fui presenteada pela minha ancestralidade, at\u00e9 porque eu digo que o nome da marca fez a mesma trajet\u00f3ria dos meus ancestrais, sa\u00edram do continente africano e vieram para c\u00e1\u201d, afirma Mad\u00e1. Foi quando come\u00e7ou a desenvolver estampas exclusivas, especialmente rostos de mulheres negras, que se tornaram a assinatura da marca.<\/p><p align=\"left\">Um estudo do Central \u00danica das Favelas (Cufa), afirma que, em 2020, oito a cada dez empreendedores negros acreditam que seus negocios s\u00e3o uma forma de resistir ao racismo e promover a cultura afro-brasileira. A moda \u00e9 um dos principais setores de atua\u00e7\u00e3o desses empreendedores.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-0dc2205 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"0dc2205\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-852b218\" data-id=\"852b218\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-975779b elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"975779b\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"680\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Ananda_foto-2-1024x680.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-353\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Ananda_foto-2-1024x680.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Ananda_foto-2-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Ananda_foto-2-768x510.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Ananda_foto-2-1536x1020.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Ananda_foto-2-272x182.jpg 272w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Ananda_foto-2.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-538b423 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"538b423\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-7a14291\" data-id=\"7a14291\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-e0ccf5c elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"e0ccf5c\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<h3 align=\"left\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><strong><span style=\"font-size: 14pt\">Resist\u00eancia e afirma\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><\/span><\/h3>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-ba7435c elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"ba7435c\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-e79a032\" data-id=\"e79a032\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-6df00b3 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"6df00b3\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p align=\"left\">A partir do S\u00e9culo 20, movimentos culturais e art\u00edsticos, como o samba e o candombl\u00e9, come\u00e7am a incorporar e celebrar esses elementos, trazendo-os para a moda brasileira. No Livro Moda afro-brasileira \u00e9 design de resist\u00eancia da luta negra no Brasil, Maria do Carmo Paulino afirma que a moda afro-brasileira sempre foi uma forma de resist\u00eancia e de afirma\u00e7\u00e3o cultural.<\/p><p align=\"left\">Durante as d\u00e9cadas de 1960-70, influ\u00eancias da cultura negra estadunidense, como o movimento <em>Black Power<\/em>, inspiraram uma revaloriza\u00e7\u00e3o das ra\u00edzes africanas. Esta era foi marcada por um resgate de s\u00edmbolos e est\u00e9ticas tradicionais africanas, adaptadas ao contexto urbano e moderno do Brasil. Turbantes, vestidos estampados e acess\u00f3rios de mi\u00e7angas tornaram-se \u00edcones de uma identidade afro-brasileira renovada. \u201cO que eu mais gosto nas minhas roupas \u00e9 o turbante, n\u00e3o fico sem\u201d, afirma Fatumata, ressaltando a import\u00e2ncia do acess\u00f3rio.<\/p><p align=\"left\">Colabora\u00e7\u00f5es com estilistas negros e o uso de modelos de diferentes etnias nas campanhas s\u00e3o passos importantes para a democratiza\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o da diversidade na moda. O principal evento da \u00e1rea no Brasil, o <em>S\u00e3o Paulo Fashion Week<\/em> (SPFW), j\u00e1 teve estilistas negros, como Isaac Silva, em destaque, promovendo uma mudan\u00e7a importante no cen\u00e1rio da moda.<\/p><p align=\"left\">Em 2016, o SPFW teve um destaque especial com o desfile da marca LAB, criada pelo rapper Emicida e seu irm\u00e3o Evandro Fi\u00f3ti. Este evento foi um marco significativo, n\u00e3o apenas pela qualidade e originalidade das pe\u00e7as apresentadas, mas tamb\u00e9m pelo impacto cultural e social que ele trouxe \u00e0 maior semana de moda do pa\u00eds. O desfile da LAB foi muito mais do que uma apresenta\u00e7\u00e3o de moda; foi um manifesto cultural. Emicida e Fi\u00f3ti utilizaram a plataforma do SPFW para promover a inclus\u00e3o, a diversidade e o empoderamento das comunidades negras e perif\u00e9ricas.<\/p><p align=\"left\">A moda afro-brasileira n\u00e3o est\u00e1 restrita \u00e0s passarelas e aos ateli\u00eas. Ela \u00e9 vis\u00edvel nas ruas, nos eventos nas periferias e nas manifesta\u00e7\u00f5es culturais de resist\u00eancia. Nos bairros e comunidades, a moda afro aparece de maneira vibrante e aut\u00eantica, refletindo o cotidiano e a realidade dessas comunidades. \u201cEssa moda tem origem nas periferias, nos terreiros, nos quilombos e nas marchas e manifesta\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia negra. Ela \u00e9 criada por pessoas pretas que desejam ver nas passarelas a representa\u00e7\u00e3o da est\u00e9tica negra, incluindo o cabelo crespo e os tra\u00e7os negroides \u2014 rostos pretos, peles retintas, narizes e l\u00e1bios largos\u201d cita Maria do Carmo. Essa moda \u00e9 utilizada como uma estrat\u00e9gia de visibilidade negra, transformando o ato de se vestir em um ato pol\u00edtico. Emicida por meio do document\u00e1rio AmarElo afirma isso, relembrando que \u00e9 por meio do rap, do break e do grafite que os jovens da periferia paulistana encontram uma plataforma para se expressar.<\/p><p>O estilo segue pelas periferias do Brasil e se torna um movimento de conscientiza\u00e7\u00e3o a respeito do racismo e da desigualdade social.<\/p><p align=\"left\">Eventos como a Feira Preta em S\u00e3o Paulo (SP), que em 2024 ocorreu em maio com o tema \u201cSer Feliz \u00e9 a Nossa Revolu\u00e7\u00e3o\u201d, e a Marcha do Orgulho Crespo, que acontece anualmente em Curitiba (PR), s\u00e3o exemplos de como a moda afro-brasileira se manifesta como uma forma de resist\u00eancia e afirma\u00e7\u00e3o. Esses eventos celebram a cultura e promovem a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre quest\u00f5es sociais, raciais e econ\u00f4micas. A Feira Preta, desde 2002, tem sido um espa\u00e7o crucial para a visibilidade de empreendedores, designers e artistas negros, criando uma plataforma para a promo\u00e7\u00e3o da economia criativa afrodescendente.<\/p><p>A moda afro-brasileira \u00e9 uma das armas de resist\u00eancia contra a discrimina\u00e7\u00e3o racial, funcionando como um meio de empoderamento e luta por igualdade.<\/p><p align=\"left\">Ainda, ela tem influenciado a ind\u00fastria da moda em geral, incentivando marcas a adotarem pr\u00e1ticas mais inclusivas e diversificadas. Colabora\u00e7\u00f5es com estilistas negros e o uso de modelos de diferentes etnias nas campanhas publicit\u00e1rias s\u00e3o passos importantes para a democratiza\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o da diversidade na moda. Um exemplo dessa transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 o comunicador de moda Edhie Colucci, 30 anos, de S\u00e3o Paulo (SP), que come\u00e7ou seu trabalho digital aos 15 ao criar um blog de moda, em 2009. Edhie sente a falta de representatividade em desfiles de moda, onde quase n\u00e3o v\u00ea pessoas pretas. E observa que a inclus\u00e3o de pessoas n\u00e3o brancas muitas vezes n\u00e3o ocorre de forma espont\u00e2nea. Ele relata ter ouvido frases como \u201ca roupa em um corpo preto n\u00e3o vende\u201d, refletindo o maior desafio que enfrenta: a escassa representatividade.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-4786894 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"4786894\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-149d845\" data-id=\"149d845\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-e5de298 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"e5de298\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" width=\"970\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Copia-de-Copia-de-DSC_0167-970x1024.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-371\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Copia-de-Copia-de-DSC_0167-970x1024.jpg 970w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Copia-de-Copia-de-DSC_0167-284x300.jpg 284w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Copia-de-Copia-de-DSC_0167-768x811.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Copia-de-Copia-de-DSC_0167-1455x1536.jpg 1455w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/10\/Copia-de-Copia-de-DSC_0167.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 970px) 100vw, 970px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-2ef3a11 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"2ef3a11\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-25dd559\" data-id=\"25dd559\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-8385469 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"8385469\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<h3 align=\"left\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><strong>Joias afro-brasileiras<\/strong><\/span><\/h3>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-e0b97de elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"e0b97de\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-4919b6b\" data-id=\"4919b6b\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-6751863 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"6751863\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p align=\"left\">A joalheria escrava baiana \u00e9 um exemplo da contribui\u00e7\u00e3o africana ao design de joias brasileiro. A constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do design de joias no Brasil \u00e9 profundamente influenciada pela heran\u00e7a africana, afirma Ana Beatriz Simon Factum em sua disserta\u00e7\u00e3o<em> Joalheria escrava baiana: a constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do design de j\u00f3ias brasileiro<\/em>. A utiliza\u00e7\u00e3o de ouro, pedras preciosas e t\u00e9cnicas tradicionais de manufatura s\u00e3o tra\u00e7os distintivos dessa joalheria, que continua a inspirar designers.<\/p><p align=\"left\">A exist\u00eancia de j\u00f3ias confeccionadas exclusivamente para mulheres negras sugere que essas pe\u00e7as possam representar a manuten\u00e7\u00e3o ou, mais precisamente, a reconstru\u00e7\u00e3o de uma identidade cultural para quem as usa. Podem ser vistas como s\u00edmbolos de poder, ancestralidade, lideran\u00e7a ou mesmo imposto pela for\u00e7a.<\/p><p align=\"left\">A moda afro-brasileira \u00e9 mais do que uma tend\u00eancia est\u00e9tica; \u00e9 uma poderosa express\u00e3o de identidade, resist\u00eancia e criatividade. Ela resgata e reinventa tradi\u00e7\u00f5es, promovendo um di\u00e1logo cont\u00ednuo entre o passado e o presente. \u00c0 medida que a sociedade avan\u00e7a na luta por igualdade e reconhecimento, a moda afro-brasileira continuar\u00e1 a desempenhar um papel central na celebra\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o da cultura afro no Brasil e no mundo. \u201cA cultura nunca morre, ela vive na gente\u201d afirma Fatumata San\u00e9, lembrando-nos da import\u00e2ncia da heran\u00e7a africana em todos os aspectos de nossas vidas, inclusive na moda. O<\/p><p align=\"left\">FREDERICO WESTPHALEN, RS, SALVADOR, BA, S\u00c3O PAULO, SP<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A moda afro-brasileira promove a diversidade e a inclus\u00e3o, transformando o ato de vestir em um s\u00edmbolo de empoderamento e de luta. Texto e Fotografia: Ananda Matias Machado Fatumata San\u00e9, 41 anos, Frederico Westphalen Nascida na Guin\u00e9-Bissau, pa\u00eds da \u00c1frica Ocidental, Fatumata San\u00e9 (fotos), 41 anos, ainda \u00e9 sustentada por suas ra\u00edzes africanas. Hoje, ela [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8452,"featured_media":368,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[58],"tags":[70],"class_list":["post-316","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagem","tag-meiomundo13"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8452"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=316"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/368"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=316"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=316"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=316"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}