{"id":40,"date":"2022-02-23T16:35:06","date_gmt":"2022-02-23T19:35:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/?p=40"},"modified":"2022-07-11T06:01:36","modified_gmt":"2022-07-11T09:01:36","slug":"pets-deixam-isolamento-mais-leve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/2022\/02\/23\/pets-deixam-isolamento-mais-leve","title":{"rendered":"Pets deixaram o isolamento mais leve"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\">A mudan\u00e7a de rotina causada pelo isolamento pode estressar felinos, mas o conv\u00edvio com eles pode acalmar os humanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong><em>Marcos Pellegatti<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Santa Cruz do Rio Pardo\/SP<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Seja gato ou cachorro, um animal de estima\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre uma \u00f3tima companhia, principalmente com o isolamento social causado pela pandemia de covid-19 a partir de mar\u00e7o de 2020. Com o intuito de diminuir a circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus e de n\u00e3o se contaminar, muitas pessoas ainda est\u00e3o trabalhando remotamente ou tendo aulas online. Com mais tempo em casa, os amados pets passaram a ter mais tempo com seus donos. Esse contato mais intenso pode aliviar o estresse do isolamento para os humanos, mas a mudan\u00e7a na rotina pode estressar os felinos.<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e9dico veterin\u00e1rio Kaio S\u00e9rgio, explica que os gatos sentiram muito com seus donos mudando sua rotina e passando mais tempo em casa, mas isso n\u00e3o significa que os bichanos n\u00e3o gostem de seus donos. Ele conta que, felinos s\u00e3o animais que criam sua rotina na cabe\u00e7a e quando acontece uma quebra nessa rotina, pode causar o aumento do cortisol. \u201cIsso come\u00e7a a formar nele o aumento do o horm\u00f4nio do estresse e isso vem carregado de coisas que acabam acontecendo. Tem um problema urin\u00e1rio muito comum, muito frequente acontece com essa eleva\u00e7\u00e3o do estresse que \u00e9 a cistite idiop\u00e1tica ou cistite inflamat\u00f3ria do felino. Isso aconteceu bastante, de dez gatos que vem pra cl\u00ednica, pelo menos sete \u00e9 desse problema. Porque mudou totalmente a rotina deles, ent\u00e3o eles t\u00eam se estressado mais\u201d. J\u00e1 os c\u00e3es, segundo Kaio, gostaram mais deste per\u00edodo. \u201cCachorro \u00e9 companhia, n\u00e9? Ent\u00e3o, quanto mais companhia pra ele, t\u00e1 \u00f3timo\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>A professora do Departamento de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o da UFSM-FW (Universidade Federal de Santa Maria \u2013 Campus Frederico Westphalen), Marluza da Rosa, conta que sempre teve gatos e sente que s\u00e3o animais muito calmos, sua gata e \u2018filha\u2019, Hematomas, est\u00e1 com ela desde 2016, apesar de ter passado um per\u00edodo longe dela, elas j\u00e1 enfrentaram diversos momentos e desde agosto de 2020 est\u00e3o juntas novamente. Marluza conta como a companhia da Ema est\u00e1 ajudando neste per\u00edodo isolada. \u201cAjuda bastante sim nesses momentos em que a gente est\u00e1 confinado no espa\u00e7o, ent\u00e3o parece que a gente mora no trabalho como de fato acontece, ent\u00e3o nesses momentos em que a gente tem as op\u00e7\u00f5es de lazer, as op\u00e7\u00f5es de contato social muito restritos, sem d\u00favida ela ajuda bastante nessa, n\u00e3o s\u00f3 em termos de desestressar, mas de uma companhia mesmo, de algu\u00e9m com quem voc\u00ea vai fazer um social, algu\u00e9m a mais, com quem voc\u00ea pode interagir, com quem voc\u00ea pode assistir TV junto, enfim, nesse sentido sim, concordo que que \u00e9 uma experi\u00eancia produtiva. Eu acho que seria muito mais solit\u00e1rio esse trabalho durante esse per\u00edodo de confinamento se ela n\u00e3o existisse, se ela n\u00e3o estivesse por perto. Muito embora como se possa imaginar, ela sobe no computador no meio das aulas, ent\u00e3o desfoca as vezes, tira um pouco a nossa aten\u00e7\u00e3o, mas sem d\u00favida \u00e9 uma companhia importante pra gente nesse per\u00edodo\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>O isolamento deu tamb\u00e9m um novo lar a Malu, uma cadela da ra\u00e7a Lulu da Pomer\u00e2nia. A Psic\u00f3loga \u00c2ngela Barbieri conta que a ideia de um novo cachorrinho surgiu porque sua filha mais nova estava desenvolvendo alguns medos relacionados \u00e0 pandemia. Cuidar de um filhote trouxe algumas responsabilidades para toda fam\u00edlia, mantendo assim muitas vezes a cabe\u00e7a ocupada. \u201cEstar ocupando a cabe\u00e7a com essa responsabilidade de cuidar tamb\u00e9m desse animalzinho de estima\u00e7\u00e3o ajuda muito a gente a deixar de lado pensamentos negativos ou ficar s\u00f3 pensando na doen\u00e7a, ou ficar catastrofizando algo na nossa vida. E se envolvendo com atividades assim que s\u00e3o saud\u00e1veis, tu se desliga tamb\u00e9m um pouco da tecnologia\u201d. \u00c2ngela aconselha a conviv\u00eancia com animais dom\u00e9sticos em momentos como este, em que as pessoas est\u00e3o mais deprimidas. \u201cEu aconselho muito pessoas que n\u00e3o est\u00e3o bem emocionalmente, psicologicamente, at\u00e9 que se sentem deprimidas. Porque o animal ele d\u00e1 carinho sem receber nada em troca, assim, ele t\u00e1 sempre ali querendo um carinho, querendo a companhia\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Animais n\u00e3o se infectam<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A estudante mexicana Mar\u00eda del Mar Aguilar relata que durante os dezessete dias em que esteve com covid-19, ela ficou isolada em seu quarto e sem a companhia de suas duas cadelas, Cami e Sasha. \u201cN\u00e3o as vi, n\u00e3o me deixaram toca-las porque havia o medo de que se eu tocasse, o v\u00edrus pegasse meu irm\u00e3o, minha m\u00e3e. Como se o v\u00edrus estivesse em seu pelo, e como havia o medo de cont\u00e1gio n\u00e3o me deixaram v\u00ea-las\u201d, ela conta tamb\u00e9m que s\u00f3 as via no quintal, atrav\u00e9s de sua janela.<\/p>\n\n\n\n<p>O veterin\u00e1rio Kaio Sergio explica que sa\u00edram j\u00e1 v\u00e1rias not\u00edcias falsas sobre que os animais podem ficar doentes e at\u00e9 mesmo transmitir o v\u00edrus, ele conta que at\u00e9 o momento nada foi provado sobre a infec\u00e7\u00e3o dos pets, e explica a diferen\u00e7a entre estar contaminado e estar infectado. \u201cAt\u00e9 agora nada disso foi comprovado, todos os trabalhos que entregaram os animais como positivo sendo doente para covid-19, o tutor estando doente, vai, faz o teste swab nos c\u00e3es, e \u00f3bvio que vai aparecer part\u00edculas, vai aparecer o positivo, porque o exame ele pega part\u00edculas do v\u00edrus. Ent\u00e3o, se voc\u00ea est\u00e1 em contato o tempo todo com uma pessoa que est\u00e1 contaminada, ela est\u00e1 eliminando v\u00edrus, eles v\u00e3o estar presente no pelo, v\u00e3o estar presente no fundo da garganta, v\u00e3o estar presente no focinho. Mas isso n\u00e3o indica que eles est\u00e3o infectados, estar contaminado \u00e9 diferente que estar infectado. Estar contaminado \u00e9 ele ter a presen\u00e7a do de uma part\u00edcula ali, estar infectado, \u00e9 ele ter ficado doente com esse v\u00edrus. Ent\u00e3o, isso n\u00e3o foi comprovado, por enquanto estamos tranquilos em rela\u00e7\u00e3o aos gatos e cachorros com a covid-19\u201d, pondera.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rep\u00f3rter:<\/strong>  Marcos Pellegatti <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Edi\u00e7\u00e3o digital e publica\u00e7\u00e3o: <\/strong>Emily Calderaro (monitora)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Professor respons\u00e1vel: <\/strong>Reges Schwaab<\/p>\n\n\n\n<p>* Trabalho experimental desenvolvido na disciplina de <em>Reportagem em Jornalismo Impresso <\/em>em 2021\/1, per\u00edodo em que trabalhamos de modo remoto em raz\u00e3o da pandemia do novo coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Contato:<\/strong><a href=\"mailto:meiomundo@ufsm.br\">meiomundo@ufsm.br<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mudan\u00e7a de rotina causada pelo isolamento pode estressar felinos, mas o conv\u00edvio com eles pode acalmar os humanos. 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