{"id":418,"date":"2024-11-27T13:32:35","date_gmt":"2024-11-27T16:32:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/?p=418"},"modified":"2024-12-04T20:38:33","modified_gmt":"2024-12-04T23:38:33","slug":"exaustao-invisivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/2024\/11\/27\/exaustao-invisivel","title":{"rendered":"A exaust\u00e3o invis\u00edvel"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"418\" class=\"elementor elementor-418\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-6ff0797 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"6ff0797\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-f46f5f8\" data-id=\"f46f5f8\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-c8ca101 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"c8ca101\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><strong>O esgotamento f\u00edsico e emocional das mulheres \u00e9 despercebido e naturalizado h\u00e1 anos.<\/strong><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Texto e foto: Mabel da Rosa<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-6601dcf elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"6601dcf\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1001\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/11\/MAE2-1001x1024.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-419\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/11\/MAE2-1001x1024.jpg 1001w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/11\/MAE2-293x300.jpg 293w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/11\/MAE2-768x786.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/11\/MAE2-1501x1536.jpg 1501w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/11\/MAE2.jpg 1639w\" sizes=\"(max-width: 1001px) 100vw, 1001px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-f777152 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"f777152\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-e982bfa\" data-id=\"e982bfa\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-29a345b elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"29a345b\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><span style=\"font-weight: 400\">Era in\u00edcio do ano letivo e eu estava mudando de apartamento. Minha rotina voltaria ao normal em tr\u00eas dias, imaginava. Mas eu estava carregando um cansa\u00e7o imenso de lidar com contratos, viagens, namoro e um novo semestre da faculdade. Eu e meu namorado nos mudamos e fomos dividindo as tarefas, seguindo assim por um m\u00eas inteiro. Na primeira semana, com a volta das demandas, a minha cabe\u00e7a n\u00e3o parava. Eu pensava na faculdade enquanto organizava as coisas, e na montagem dos m\u00f3veis enquanto estava nas aulas. A exaust\u00e3o j\u00e1 tomava conta de mim.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), <\/span><span style=\"font-weight: 400\">existem cerca de 104 milh\u00f5es de mulheres no Brasil. Os dados do <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Censo Demogr\u00e1fico de 2022 mostram que elas s\u00e3o <\/span><span style=\"font-weight: 400\">51,5% da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">O estudo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Esgotadas, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">da <\/span><span style=\"font-weight: 400\">organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Think Olga<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, que aborda <\/span><span style=\"font-weight: 400\">empobrecimento, sobrecarga de cuidado e o sofrimento ps\u00edquico das mulheres, fez um relat\u00f3rio sobre as \u00e1reas da vida delas, e concluiu que nenhuma est\u00e1 minimamente satisfeita em nenhuma \u00e1rea da vida.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ningu\u00e9m nasce mulher, e sim torna-se mulher, nos mostram os estudos feministas. \u00c9 uma constru\u00e7\u00e3o que se d\u00e1 em meio aos desafios da vida. A transi\u00e7\u00e3o mental e f\u00edsica da inf\u00e2ncia para a pr\u00e9-adolesc\u00eancia traz in\u00fameras mudan\u00e7as, assim como a fase de menina para mulher, que gera grande impacto, e para muitas, um impacto assustador.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Essa idade, geralmente, traz o aumento de responsabilidades, da press\u00e3o, e uma rotina que leva ao cansa\u00e7o. Os compromissos surgem todos os dias e s\u00f3 aumentam. A press\u00e3o social e a ansiedade parecem ser companheiras para lidar com as provas da escola e da faculdade, para cuidar de uma casa, para se manter estudando, para ter um trabalho. Al\u00e9m disso, vigiar a sa\u00fade e o bem estar da fam\u00edlia, fun\u00e7\u00e3o historicamente atribu\u00edda&nbsp; \u00e0s mulheres.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 comum que a sociedade responsabilize o sexo feminino por v\u00e1rios papeis, dentro de um estere\u00f3tipo do que cabe e do que \u00e9 ser mulher. Dona de casa, casada, que cuida do lar e dos filhos. \u00c9 quem lava a lou\u00e7a, a roupa, alimenta as crian\u00e7as, assim como quem trabalha fora, chega em casa \u00e0 noite e brinca com enfrenta a jornada interna do lar, mesmo com o estresse e o cansa\u00e7o de um dia que j\u00e1 foi cheio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Desde a inf\u00e2ncia, as mulheres s\u00e3o cobradas sobre como se portar e o que fazer, como que destinadas a determinadas fun\u00e7\u00f5es. A necessidade de repesar estas quest\u00f5es j\u00e1 apareceu at\u00e9 como tema da reda\u00e7\u00e3o do Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem). Em 2023, o Exame solicitou uma reda\u00e7\u00e3o sobre o<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil. Uma realidade presente na maioria das fam\u00edlias brasileiras, mas invisibilizada. Nos \u00faltimos dez anos, o pa\u00eds testemunhou um acr\u00e9scimo de 1,7 milh\u00e3o de m\u00e3es que assumiram a responsabilidade exclusiva pela cria\u00e7\u00e3o dos filhos, sem a colabora\u00e7\u00e3o dos pais.<\/span><span style=\"font-weight: 400\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><b>CANSA\u00c7O MENTAL&nbsp;<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 2019, a S\u00edndrome do Burnout faz parte da Classifica\u00e7\u00e3o Internacional de Doen\u00e7as (CID-11). Desde l\u00e1, muitas pessoas passaram a identificar com mais clareza os epis\u00f3dios de&nbsp; sobrecarga que j\u00e1 tinham ou tiveram. Burnout \u00e9 uma altera\u00e7\u00e3o ps\u00edquica provocada por exaust\u00e3o extrema e diretamente relacionada ao ambiente de trabalho. Por isso, ela \u00e9 conhecida tamb\u00e9m como a \u201cs\u00edndrome do esgotamento profissional\u201d, que tende a surgir devido ao ac\u00famulo de estresse.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A estudante Camila Fagundes de Lima, 20 anos, desde crian\u00e7a teve o sonho de ser m\u00e9dica. Desde 2022, vem se preparando para ingressar na faculdade. No primeiro ano de cursinho, ela n\u00e3o conseguiu ser aprovada. Foi um choque de realidade. Havia mudado de cidade, de casa, e de vida para conquistar o objetivo. Tentou recuperar o tempo perdido estudando at\u00e9 dez horas por dia. A cren\u00e7a de que precisava dar conta do conte\u00fado era grande ao ponto de n\u00e3o se permitir descansar, at\u00e9 mesmo quando estava passando mal. Como a d<\/span><span style=\"font-weight: 400\">emanda do cursinho estava muito pesada, a ansiedade chegou em um n\u00edvel muito maior do que imaginava, resultando em um problema g\u00e1strico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Eu parecia que estava dando tudo de mim e n\u00e3o conseguia ver resultado. Em algum momento, quando dava uma evolu\u00edda, baixava de novo [no resultado das provas]. Estava muito dif\u00edcil e eu comecei a ver que eu n\u00e3o estava buscando aux\u00edlio m\u00e9dico, porque eu estava nessa coisa de &#8216;n\u00e3o posso perder tempo&#8217;. Estava acontecendo de eu me sentir muito mal. Era o meu corpo dando sinais do estava acontecendo com a minha parte mental. Minha psic\u00f3loga me falava disso em todas as sess\u00f5es&#8221;, relembra.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Muitas meninas se veem na obriga\u00e7\u00e3o de dar uma melhor condi\u00e7\u00e3o de vida para si e para a fam\u00edlia. Elas lutam por isso todos os dias, e mesmo seu cansa\u00e7o sendo desvalorizado e diminu\u00eddo, dar um futuro melhor para a fam\u00edlia \u00e9 indispens\u00e1vel, ou ao menos imprescind\u00edvel retribuir todo o esfor\u00e7o empenhado por anos nelas.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As mulheres ainda assumem a maior parte das responsabilidades dom\u00e9sticas, mesmo quando trabalham fora de casa. Em muitas fam\u00edlias, elas s\u00e3o as principais cuidadoras dos filhos, o que pode envolver desde atividades di\u00e1rias at\u00e9 a gest\u00e3o de todos os compromissos escolares e de sa\u00fade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Bianca*, 26, tem um filho de tr\u00eas anos. M\u00e3e, filha, e respons\u00e1vel pelo lar, concilia os outros compromissos que a vida exige, batalhando por seus objetivos todos os dias. Ela conta que nos primeiros meses de vida do filho, a prioridade era ele. Qualquer roupa estava boa, qualquer cal\u00e7ado, um coque no cabelo e nada mais. O importante era a crian\u00e7a estar bem, bem vestida: \u201cQuando tu \u00e9 m\u00e3e, tu esquece que \u00e9 mulher\u201d, comenta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">M\u00e3e aos 23 anos, ficou gr\u00e1vida no per\u00edodo da pandemia do Covid-19, em 2020. Assim, atividades \u201cnormais\u201d, como caminhar ao ar livre, acabaram restritas em alguns momentos pelo contexto sanit\u00e1rio. Bianca foi uma das pessoas afetadas pela falta do conv\u00edvio social e ficou deprimida, pois estava isolada, gerando uma crian\u00e7a, sem ter contato com o mundo l\u00e1 fora. Al\u00e9m disso, estava cursando uma gradua\u00e7\u00e3o da qual n\u00e3o gostava. Decidiu trocar de curso e reiniciar do zero.<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">\u201c[Naquele momento] Tu s\u00f3 pensa na crian\u00e7a, s\u00f3 vive pela crian\u00e7a. Depois, eu n\u00e3o sabia voltar a ser eu\u201d, reflete. Recorda que se sentiu perdida, sem olhar para si e para a sua condi\u00e7\u00e3o mental. Em uma consulta com sua a psic\u00f3loga, a b\u00e1sica pergunta sobre o que ela gostava, ficou sem respostas. Percebeu que seus gostos eram os de outras pessoas, principalmente do filho.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O relat\u00f3rio <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Esgotadas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> indica que 45% das mulheres brasileiras t\u00eam um diagn\u00f3stico de ansiedade, depress\u00e3o, ou outros tipos de transtornos mentais, especialmente decorrentes do contexto p\u00f3s-pandemia de Covid-19. A maioria desses sintomas foram acarretados pelo isolamento, pelo medo, pelo luto, pela inseguran\u00e7a financeira e pelo sentimento de incerteza. Segundo a pesquisa, 68% dos casos de ansiedade foram registrados em mulheres, com destaque para as faixas de 20 a 40 anos para depress\u00e3o, e de 15 aos 40 anos para ansiedade.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><b>CASA, REFLEXO DA MENTE<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tr\u00eas das quatro entrevistadas para esta reportagem relataram que a carga de limpar e organizar a casa recai nelas, mesmo morando com outras pessoas. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Mait\u00ea*, 29, microempreendedora, tamb\u00e9m foi m\u00e3e jovem. Na chegada do filho, hoje com cinco anos, ela passou a conviver com a culpa por n\u00e3o ter conseguido amamentar. A sobrecarga mental e f\u00edsica com a nova rotina de uma crian\u00e7a rec\u00e9m nascida, mais as demandas de cuidar da casa e do casamento, pesaram. Sentia n\u00e3o conseguir se doar 100% em todos os afazeres: <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201cNasce uma m\u00e3e, nasce a culpa\u201d, desabafa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Querer abra\u00e7ar o mundo cansa, mas nem sempre \u00e9 s\u00f3 o f\u00edsico, \u00e9 um cansa\u00e7o mental. Estudos confirmam que a carga do trabalho e do estudo esgotam a energia das pessoas, causando estresse e irritabilidade mais frequente, geralmente em mulheres. Segundo pesquisa da plataforma Vittude, mantida por psic\u00f3logos e voltada a pessoas que procuram uma terapia mais acess\u00edvel, 10,4% das mulheres enfrentam n\u00edveis graves ou extremamente graves de estresse, um \u00edndice mais alto do que o observado nos homens. No \u00e2mbito da sa\u00fade mental, essa disparidade persiste, principalmente nas crises de ansiedade severa que seguem em maior propor\u00e7\u00e3o entre elas (15,72%). E na realidade da mulher brasileira, chegar em casa significa roupa a ser estendida, comida a ser preparada, cadernos e deveres dos filhos para serem revisados, al\u00e9m das demandas por aten\u00e7\u00e3o e cuidado das crian\u00e7as. A mulher olha para tudo \u00e0 sua volta, menos para sua condi\u00e7\u00e3o mental.<\/span><\/p>\n<p><b>SOBRECARREGADAS<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao longo da hist\u00f3ria, o imagin\u00e1rio sobre a mulher foi sendo imposto por achismos e constru\u00e7\u00f5es machistas da sociedade. O feminino esteve associado \u00e0s bruxas ou \u00e0 pessoas mal\u00e9ficas, carregando in\u00fameros adjetivos pejorativos e depreciativos. O feminino era sempre o errado e inadequado. Exclu\u00eddas por s\u00e9culos dos ambientes de trabalho fora de casa, muitas abandonaram os neg\u00f3cios familiares por falta de espa\u00e7o. Eram taxadas de incapazes de ocupar papeis de lideran\u00e7a e de destaque por uma pretensa instabilidade mental. Por muito tempo n\u00e3o puderam votar, decidir sobre quest\u00f5es financeiras e do seu pr\u00f3prio corpo. At\u00e9 hoje, os reflexos disso fazem com que as mulheres sejam consideradas menos capacitadas do que homens.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com o relat\u00f3rio<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Women in the Workplace<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> 2022, da McKinsey &amp; Company, um estudo com uma das centenas de empresas participantes, mostra que a promo\u00e7\u00e3o de um n\u00edvel b\u00e1sico para cargos gerenciais \u00e9 majoritariamente masculina. No geral, 60% dos gestores analisados eram homens.<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Os homens superam significativamente as mulheres no n\u00edvel gerencial, e elas nunca conseguem alcan\u00e7\u00e1-los. &#8220;H\u00e1 simplesmente muito poucas mulheres promovidas a cargos de lideran\u00e7a s\u00eanior\u201d, diz a pesquisa.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A carga mental ainda \u00e9 agravada por uma expectativa social de que toda mulher veio ao mundo para casar e ser m\u00e3e. O roteiro ainda inclui, no caso do trabalho fora de casa, uma boa carreira profissional. E, nos espa\u00e7os em que atuam, devem atender aos padr\u00f5es estereotipados, ou seja, se portar como a sociedade espera. E se calar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mait\u00ea percebeu isso. Ela \u00e9 a filha mais velha de tr\u00eas irm\u00e3os. No relato, lembra da m\u00e3e, que teve um casamento marcado por momentos dif\u00edceis. Mesmo assim, seguiu em frente porque, afinal, tinha uma casa, um marido e tr\u00eas filhos para cuidar. Quando Mait\u00ea se viu seguindo os mesmos passos da m\u00e3e, percebeu que era hora de terminar o relacionamento e preservar o filho, podendo cuidar melhor dele.<\/span><\/p>\n<p><b>VOC\u00ca DORMIU ESSA NOITE?&nbsp;<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Algumas mulheres passam por estresses cont\u00ednuos que s\u00e3o um desafio significativo para a sa\u00fade do sono. \u00c9 o caso de Bianca. Ela acorda todos os dias por volta das 5h da manh\u00e3. Concilia faculdade, trabalho e fam\u00edlia. S\u00e3o quatro percursos de \u00f4nibus para os dois empregos em cidades diferentes. S\u00f3 v\u00ea o filho \u00e0 noite, na volta para casa. Hoje, aproximadamente 15% dos domic\u00edlios brasileiros s\u00e3o chefiados por mulheres m\u00e3es, que enfrentam uma jornada solo.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo um estudo publicado na revista <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sleep Epidemiology<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">,<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">65,5% dos brasileiros t\u00eam sono de m\u00e1 qualidade e dormem de 6,5h \u00e0 7,7h por noite. Gislaine conta que quando virou m\u00e3e, n\u00e3o conseguia dormir durante uma noite inteira. \u201cTu fica preocupada com a crian\u00e7a. Ela d\u00e1 uma mexida, tu j\u00e1 desperta. N\u00e3o se dorme, tu n\u00e3o relaxa\u201d.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A sobrecarga consome as mulheres. Elas acabam deixando de lado seus sonhos e seus desejos. Muitas abandonam projetos pessoais, trabalho, forma\u00e7\u00e3o. No correr di\u00e1rio, repleto de tarefas que n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 nossas, mas que realizamos sozinhas, esquecemos do principal, n\u00f3s mesmas. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Perceber-se <\/span><span style=\"font-weight: 400\">vulner\u00e1vel \u00e9 um ato de coragem, para o qual n\u00e3o fomos educadas. A sociedade nos dize que se abalar, se frustrar \u00e9 ser fraca e incapaz. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Poderia dizer que somos parecidas por lutarmos pelos mesmos direitos. Mas n\u00e3o somos. Talvez hoje, sejamos mais parecidas por carregar a mesma sobrecarga e a mesma exaust\u00e3o, fingindo estar tudo bem.<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> Mas seguimos fortes, porque precisamos ser.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">*Nomes fict\u00edcios.<\/span><\/p>\n<p>FREDERICO WESTPHALEN, RS<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O esgotamento f\u00edsico e emocional das mulheres \u00e9 despercebido e naturalizado h\u00e1 anos. Texto e foto: Mabel da Rosa Era in\u00edcio do ano letivo e eu estava mudando de apartamento. Minha rotina voltaria ao normal em tr\u00eas dias, imaginava. Mas eu estava carregando um cansa\u00e7o imenso de lidar com contratos, viagens, namoro e um novo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8453,"featured_media":439,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[58],"tags":[70],"class_list":["post-418","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagem","tag-meiomundo13"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8453"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=418"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/439"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=418"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=418"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=418"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}