{"id":42,"date":"2022-03-02T17:44:50","date_gmt":"2022-03-02T20:44:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/?p=42"},"modified":"2022-03-02T17:44:51","modified_gmt":"2022-03-02T20:44:51","slug":"as-dores-e-as-delicias-de-um-relacionamento-a-distancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/2022\/03\/02\/as-dores-e-as-delicias-de-um-relacionamento-a-distancia","title":{"rendered":"As dores e as del\u00edcias de um relacionamento \u00e0 dist\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\">Pesquisa divulgada no <em>Journal Of Communication<\/em> afirma que pessoas envolvidas nesse tipo de rela\u00e7\u00e3o s\u00e3o capazes de formar la\u00e7os mais intensos e profundos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong><em>B\u00e1rbara Linhares<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Frederico Westphalen<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Se procurarmos o significado do termo \u201crelacionamento \u00e0 dist\u00e2ncia&#8221; na internet, uma das respostas o define como um relacionamento \u00edntimo entre parceiros geograficamente separados um do outro. Ainda navegando na web, \u00e9 poss\u00edvel encontrar in\u00fameros sites e blogs dando dicas de como fazer esse tipo de rela\u00e7\u00e3o funcionar, e a maioria desses conselhos tem a&nbsp; ver com a fidelidade do casal. Mas fora da teoria do mundo virtual, a pr\u00e1tica funciona? Como duas pessoas deixam de lado as cren\u00e7as de que um relacionamento acontece, preferencialmente, de modo presencial, e vivenciam o amor a quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A P\u00e2mela e a Francieli estudam na mesma faculdade e fazem o mesmo curso, por\u00e9m s\u00f3 vieram a realmente se conhecer, no final de 2020, por conta de uma rede social. J\u00e1 a Izadora e o Gabriel pertencem ao mesmo clube de jovens, mas de cidades opostas, e foi atrav\u00e9s dele que os dois tiveram o primeiro contato.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conex\u00e3o S\u00e3o Paulo &#8211; Rio Grande do Sul<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 por aplicativo de relacionamento que se d\u00e1 <em>match<\/em> com algu\u00e9m. Atrav\u00e9s do Twitter a estudante de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria &#8211; Campus Frederico Westphalen) P\u00e2mela Francelino, 29 anos, iniciou um relacionamento com a tamb\u00e9m estudante de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, Francieli Paholski, 22 anos. P\u00e2mela \u00e9 natural de Campinas, em S\u00e3o Paulo, e Francieli, da cidade de Alpestre, interior ga\u00facho. As duas aproveitaram bem a rede social de frases curtas para poder enfim, se conhecer, j\u00e1 que ambas se viam apenas pelos corredores da faculdade, e nunca haviam conversado ou demonstrado interesse.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi em dezembro de 2020, quando Francieli atravessou a rua do pr\u00e9dio em que P\u00e2mela mora. Ela estava na sacada e resolveu registrar o seu interesse no <em>Twitter<\/em>, s\u00f3 que n\u00e3o esperava que Francieli fosse respond\u00ea-la com uma mensagem direta. \u201cFoi quando algu\u00e9m (Francieli) atravessou a rua. A\u00ed eu <em>tweetei<\/em> sobre e ela respondeu o meu <em>tweet<\/em>, me mandou uma mensagem direta, respondendo o meu <em>tweet <\/em>perguntando se era sobre ela. E eu disse que se ela tivesse passado naquele hor\u00e1rio, naquele dia, ent\u00e3o, sim. E a\u00ed, a gente se viu no mesmo dia\u201d, conta P\u00e2mela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No dia seguinte, Francieli voltou para a casa de sua fam\u00edlia em Alpestre mas com sentimentos novos pela pessoa que rec\u00e9m havia conhecido e se dando conta de que queria se relacionar com P\u00e2mela. \u201cFoi quando eu fui pra casa e eu senti saudade e falta de estar com ela. Mesmo que a gente ficou s\u00f3 um dia. A gente ficou conversando e quanto mais a gente conversava, mais eu gostava, mais eu queria estar com ela, \u201c relembra.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ambas estarem em Frederico Westphalen e viverem curtos per\u00edodos a dist\u00e2ncia como quando Francieli retorna para Alpestre, o casal revela que n\u00e3o se preocupa com o momento que cada uma tiver de retornar para suas cidades de forma definitiva, e que o importante \u00e9 preservar a individualidade para manter uma rela\u00e7\u00e3o sadia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O psic\u00f3logo Robson Rodrigues Feij\u00f3, de Florian\u00f3polis, especialista em terapia de casais e fam\u00edlia, declara que essa n\u00e3o preocupa\u00e7\u00e3o com o futuro distanciamento tem haver em como cada indiv\u00edduo na rela\u00e7\u00e3o, lida com suas quest\u00f5es pessoais, como a solid\u00e3o e a inseguran\u00e7a. \u201cUm casal que mora em cidades ou estados ou at\u00e9 pa\u00edses diferentes, vai precisar lidar com a solid\u00e3o, que \u00e9 n\u00e3o ter a presen\u00e7a do outro ali consigo. Ent\u00e3o, a diferen\u00e7a no trato em rela\u00e7\u00e3o a isso est\u00e1 em como cada um vai lidar com as suas quest\u00f5es pessoais. Porque cada um de n\u00f3s tem uma mochilinha, e nessa mochilinha tem v\u00e1rios modos de relacionamento, tem v\u00e1rias cren\u00e7as, tem v\u00e1rias ideias de como deve ser uma rela\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, vai depender dessa mochilinha que cada um tem, sabe? \u00c9 lidar com isso, a partir das coisinhas que tem dentro dessa mochila\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conex\u00e3o Rio do Sul &#8211; Campos Novos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os 180 km que separam Rio do Sul e Campos Novos, n\u00e3o foram o suficiente para evitar o relacionamento entre a estudante de Direito na Furb (Universidade Regional de Blumenau), Izadora Linhares Kuhnen, 20 anos, e o namorado Gabriel Henrique Carvalho, 19 anos, estudante de Publicidade e Propaganda na Unoesc (Universidade do Oeste de Santa Catarina). Com dois anos e meio de namoro, a riosulense, e o rapaz, campos-novense, fazem planos para, depois de formados, juntarem as escovas de dentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dois se conheceram em 2017 por causa do Interact Club, um clube que visa ajudar a sociedade atrav\u00e9s de campanhas e doa\u00e7\u00f5es. Foi quando Gabriel mandou uma mensagem na rede social do clube de Izadora, solicitando participar de uma reuni\u00e3o, porque no final de semana estaria em Rio do Sul. \u201cEle mandou uma mensagem pra p\u00e1gina do Interact, perguntando se ele poderia participar de uma reuni\u00e3o. Fui eu que respondi, porque era administradora da p\u00e1gina. Disse que tudo bem, e tal. S\u00f3 que as nossas reuni\u00f5es eram na segunda-feira. Ele estaria l\u00e1 no final de semana, ent\u00e3o n\u00e3o pode ir \u201d, conta Izadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Gabriel salvou o contato de Izadora para futuros eventos do clube. Depois, adicionaram um ao outro na rede social <em>SnapChat<\/em>, por\u00e9m sem trocar mensagens, at\u00e9 que em 2018, uma foto de gosto em comum levou a uma conversa.\u201cEm 2018, eu participei do Parlamento Jovem, fui para Florian\u00f3polis. E quando eu mandei um post, um m\u00eas antes de ir, que tinha sido escolhido para ser parlamentar jovem, ela me respondeu: \u2018Nossa, tu \u00e9 muito parecido comigo\u2019. E a\u00ed, eu chamei ela no WhatsApp e a gente come\u00e7ou a conversar\u201d, relata Gabriel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da pouca idade, o casal j\u00e1 realizou uma viagem internacional juntos. Tentam manter uma rotina de verem-se a cada quinze dias, no m\u00ednimo, revezando quem vai at\u00e9 o encontro do outro, acordo que tem funcionado.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para o Psic\u00f3logo, Robson Rodrigues Feij\u00f3, que tamb\u00e9m j\u00e1 viveu um relacionamento a dist\u00e2ncia, realizar acordos entre o casal \u00e9 uma das partes fundamentais para a constru\u00e7\u00e3o de um bom relacionamento. \u201cEu acho que por isso que a conversa e os acordos s\u00e3o muito importantes. Porque digamos que uma das partes do casal entenda que essa dist\u00e2ncia tem haver com priva\u00e7\u00e3o. Se essa pessoa entender que essa dist\u00e2ncia \u00e9 priva\u00e7\u00e3o, talvez, de fato, ela possa ir atr\u00e1s de, de outras fontes de satisfa\u00e7\u00e3o sexual, afetiva, enfim. E um acordo que quase sempre rola, eu tenho a impress\u00e3o que \u00e9 desse acordo que t\u00e1 relacionado a planos de encontro, sabe? Das pessoas que se relacionam \u00e0 dist\u00e2ncia, de se encontrar sei l\u00e1, de tr\u00eas em tr\u00eas meses, de quinze em quinze dias. Eu atendo uma pessoa que encontra o namorado periodicamente. Eles moram em estados diferentes e eles t\u00eam esse acordo. E isso funciona muito bem\u201d, reflete.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando perguntei ao psic\u00f3logo Robson Rodrigues Ferreira se relacionamentos \u00e0 dist\u00e2ncia eram poss\u00edveis, ele afirmou que sim, desde que houvesse vontade e desejo para estar nesse tipo de rela\u00e7\u00e3o e ainda revelou, que j\u00e1 foi uma dessas pessoas que n\u00e3o acreditam nesta ideia de se relacionar a dist\u00e2ncia. \u201cIsso \u00e9 muito interessante, porque eu n\u00e3o achava que isso era uma possibilidade pra mim, sabe? Eu sou muito do contato, muito de estar perto, enfim, do toque. E quando eu conheci esse meu \u00faltimo namorado, ele n\u00e3o me contou logo de cara que era plano dele ir pra uma outra cidade. Eu sabia que ele estava no final da resid\u00eancia m\u00e9dica dele, e a\u00ed quando ele me contou, aquilo foi um choque, e eu falei, \u2018Ah, eu acho que n\u00e3o vai dar certo, talvez a gente tenha que terminar\u2019, porque n\u00f3s t\u00ednhamos acabado de nos conhecer. Se conheceu e a\u00ed com tr\u00eas semanas a gente j\u00e1 tava namorando, eu pedi ele em namoro. Mas a\u00ed, ele come\u00e7ou a trazer outras perspectivas em rela\u00e7\u00e3o a essa dist\u00e2ncia, em rela\u00e7\u00e3o a essa possibilidade de relacionamento desse modo e tal. E eu fui aceitando, e no fim, todo final de semana eu tava indo l\u00e1 pra cidade dele\u201d, revela.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade da cidade de Hong Kong e Universidade Cornell, nos Estados Unidos, e divulgada pelo Journal of Communication, revelou que, pessoas em relacionamento a dist\u00e2ncia por terem menos contato cotidiano, possuem um desenvolvimento mais significativo por revelarem mais de si mesmas em cada conversa e por idealizarem as rea\u00e7\u00f5es de seus parceiros quando fazem essas revela\u00e7\u00f5es. Para os pesquisadores, relacionamentos a dist\u00e2ncia n\u00e3o possuem relev\u00e2ncia para serem estudados, porque as pessoas acostumaram a pensar que eles s\u00e3o raridade, ou anormais, mas diversos estudos recentes mostraram que eles podem ser iguais ou melhores do que aqueles geograficamente pr\u00f3ximos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rep\u00f3rter:<\/strong> B\u00e1rbara Linhares<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Edi\u00e7\u00e3o digital e publica\u00e7\u00e3o: <\/strong>Emily Calderaro (monitora)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Professor respons\u00e1vel: <\/strong>Reges Schwaab<\/p>\n\n\n\n<p>* Trabalho experimental desenvolvido na disciplina de <em>Reportagem em Jornalismo Impresso <\/em>em 2021\/1, per\u00edodo em que trabalhamos de modo remoto em raz\u00e3o da pandemia do novo coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Contato:<\/strong> <a href=\"mailto:meiomundo@ufsm.br\">meiomundo@ufsm.br<\/a>.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa divulgada no Journal Of Communication afirma que pessoas envolvidas nesse tipo de rela\u00e7\u00e3o s\u00e3o capazes de formar la\u00e7os mais intensos e profundos. 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