{"id":425,"date":"2024-11-27T14:56:08","date_gmt":"2024-11-27T17:56:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/?p=425"},"modified":"2024-12-04T20:17:22","modified_gmt":"2024-12-04T23:17:22","slug":"talpaitalfilha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/2024\/11\/27\/talpaitalfilha","title":{"rendered":"Tal pai, tal filha"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"425\" class=\"elementor elementor-425\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-67b3b3c elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"67b3b3c\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element 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data-id=\"ab610bf\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-8f1c5ee\" data-id=\"8f1c5ee\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-a417956 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"a417956\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cDas roupas velhas do pai<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">queria que a m\u00e3e fizesse<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">uma mala de garupa<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">e uma bombacha e me desse<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Queria boinas, alpargatas<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">e um cachorro companheiro<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">pra me ajudar a botar as vacas no meu peti\u00e7o sogueiro\u201d<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Os versos da can\u00e7\u00e3o guri, conhecida na voz do ga\u00facho C\u00e9sar Passarinho, traduzem, em parte, as hist\u00f3rias aqui contadas. S\u00f3 que nesta reportagem, s\u00e3o as gurias, de bota e bombacha, que est\u00e3o seguindo o legado dos pais, assumindo a linha de frente em propriedades rurais na regi\u00e3o do M\u00e9dio Alto Uruguai.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">A estudante Luani Aparecida Calegari, 19 anos, terceiro semestre do curso de Agronomia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), campus Frederico Westphalen, \u00e9 uma delas. Primog\u00eanita entre os irm\u00e3os, Rafaella, 11, e Davi, tr\u00eas anos, aos cinco j\u00e1 estava atenta aos passos do pai, Roberto.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Quando fala dele, Luani se emociona. Busca o acalento no calor do chimarr\u00e3o. A cuia fica na m\u00e3o durante toda a entrevista. Diz ter o mesmo jeito dele, mais fechado, mas que n\u00e3o deixa trancado o sentimento de amor e de gratid\u00e3o. Hoje, ela j\u00e1 assume a cria\u00e7\u00e3o especializada de terneiras, parte da produ\u00e7\u00e3o leiteira, al\u00e9m dos terneiros que ficam para gado e a lavoura. Com a m\u00e3e, ainda divide as tarefas dom\u00e9sticas e o cuidado com os irm\u00e3os. Focada na insemina\u00e7\u00e3o, com curso realizado em 2022, ela diz que o incentivo veio da veterin\u00e1ria Ana Paula Ferigollo e do consultor Jeferson Vidal Figueiredo, da Empresa de Assist\u00eancia T\u00e9cnica e Extens\u00e3o Rural (Emater).<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">A irm\u00e3, Rafaella Calegari, \u00e9 estudante do quinto ano do ensino fundamental. Chama a aten\u00e7\u00e3o pelos olhos brilhantes, curiosos e a inquietude corporal, que logo a colocam no centro da entrevista. \u201cAh! Morar no campo \u00e9 bom, pelo menos n\u00e3o tem que ficar dentro de casa como na cidade. D\u00e1 para sair, ajudar tamb\u00e9m\u201d. Rafa, como \u00e9 chamada, explica que \u201cajudar\u201d \u00e9 ir para o chiqueiro. De modo l\u00fadico, ela v\u00ea que, ao colocar a ra\u00e7\u00e3o, consegue brincar com os porcos e subir na escada. A filha do meio j\u00e1 plantou alface, girassol, milho e algod\u00e3o. Para vida profissional, vislumbra, sem hesitar, ser veterin\u00e1ria de pequenos animais. A fam\u00edlia adotou cinco c\u00e3es que a rodeiam.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">O pai, o produtor rural Roberto Calegari, 48 anos, ensino m\u00e9dio completo, \u00e9 natural de Frederico Westphalen (RS). Confiante na continuidade do seu legado, nota que Luani foi tomando gosto pelas quest\u00f5es da propriedade com as visitas para acompanhamento da produ\u00e7\u00e3o pela Emater. Roberto lembra que, desde muito pequena, a filha mais velha j\u00e1 o acompanhava na lida. Hoje, tem plena confian\u00e7a nela e credita o desempenho da propriedade ao envolvimento dela no manejo e nas decis\u00f5es. Com a forma\u00e7\u00e3o da filha, novas oportunidades e uma renda melhor devem ser alcan\u00e7adas pela pequena propriedade. \u201cMas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, tem que ser persistente\u201d, conclui.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">A comunidade Linha Barra do Braga ainda segue a pol\u00edtica de troca dia. As fam\u00edlias se ajudam mutuamente, com rara necessidade de contrata\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra externa. Nesses per\u00edodos, cada um organiza-se na rotina interna para contribuir com os afazeres dos vizinhos. S\u00e3o \u00e1reas n\u00e3o mecanizadas, a maioria de produ\u00e7\u00e3o leiteira e cria\u00e7\u00e3o su\u00edna, cultivando alimentos para consumo pr\u00f3prio, buscando-se minimamente o com\u00e9rcio aliment\u00edcio na cidade. Sentem falta de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 pequena propriedade, e est\u00e3o preocupados com os reflexos clim\u00e1ticos, seja pela estiagem, seja pelo excesso de chuvas e temporais.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">O agr\u00f4nomo Jeferson, consultor da Emater em Frederico h\u00e1 13 anos, pontua que para a sucess\u00e3o rural acontecer, \u00e9 necess\u00e1ria uma renda, um incentivo financeiro, para que as novas gera\u00e7\u00f5es permane\u00e7am na propriedade. Al\u00e9m de assist\u00eancia t\u00e9cnica e extensionista, os consultores buscam incluir crian\u00e7as e jovens nas tarefas cotidianas de forma gradativa.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Para ele, a sucess\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil quando se trata de choque de gera\u00e7\u00f5es. \u201cN\u00f3s temos uma gera\u00e7\u00e3o com setenta anos que talvez seja a mais dif\u00edcil de lidar, de fazer aceitar que tem que dar sal\u00e1rio aos filhos, de implantar mudan\u00e7a de manejos\u201d, reflete.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">O consultor tamb\u00e9m observa que muitos homens deixam o campo em fun\u00e7\u00e3o de suas mulheres. Elas preferem a vida urbana a permanecer na atividade rural, tocando o neg\u00f3cio conjuntamente. \u201cExige manh\u00e3, tarde, noite, n\u00e3o tem final de semana, n\u00e3o tem domingo, n\u00e3o tem feriado\u201d, acrescenta. O \u00eaxodo para as cidades era comum. Os pr\u00f3prios pais criaram a gera\u00e7\u00e3o que hoje tem entre quarenta, cinquenta anos dizendo que a vida no interior era dif\u00edcil. Hoje, Jeferson, j\u00e1 v\u00ea uma migra\u00e7\u00e3o de volta ao campo. \u201c\u00c9 algo importante, os filhos decidirem ficar porque os pais abriram as porteiras para o di\u00e1logo\u201d, salienta. Para isso, o protagonismo feminino nas propriedades \u00e9 a chance de futuro.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">A for\u00e7a da agricultura est\u00e1 representada por fam\u00edlias que colocam a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola como uma das principais atividades no Brasil, com grande destaque econ\u00f4mico na gera\u00e7\u00e3o de renda e no Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Ainda h\u00e1 uma vis\u00e3o pessimista de muitas mulheres por n\u00e3o se sentirem reconhecidas e respeitadas no meio, por\u00e9m os n\u00fameros j\u00e1 indicam um novo cen\u00e1rio em constru\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Indicadores sociais<\/strong><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Em 2020, o Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Mapa), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) apresentaram dados sobre mulheres rurais no Brasil, baseados no \u00faltimo Censo Agropecu\u00e1rio de 2017. Dos 5,07 milh\u00f5es estabelecimentos rurais, 947 mil (19%) eram dirigidos por mulheres, destes 104 mil na regi\u00e3o Sul (11%). Com terras pr\u00f3prias somavam 755 mulheres (18%), onde a atividade econ\u00f4mica \u00e9 50% de pecu\u00e1ria e cria\u00e7\u00e3o de outros animais e 32% de produ\u00e7\u00e3o de lavouras tempor\u00e1rias. Produtoras rurais associadas \u00e0s cooperativas eram apenas 8,6% \u00e0 \u00e9poca.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo o Censo, a \u00e1rea total de estabelecimentos no campo, em Frederico Westphalen, era de 18.592 hectares (ha), com 8.912 ha de lavouras e 4.613 ha com pastagens. A zona rural estava legalmente ocupada por 431 produtores individuais, com 70 mulheres, entre 25 e mais de 75 anos, colaborando nos resultados da produ\u00e7\u00e3o familiar. Na faixa et\u00e1ria dos 45 aos 75 anos, 55 produtoras estavam na ativa.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Outro dado importante foi o n\u00famero de pessoas com la\u00e7o de parentesco com o produtor. Dos 995 estabelecimentos agropecu\u00e1rios, apenas oito n\u00e3o estavam sendo ocupados por pessoas da mesma fam\u00edlia. Eram 2.593 produtores nesses espa\u00e7os, com a atua\u00e7\u00e3o de 1.010 mulheres, das quais 32 com menos de 14 anos. E como em outros espa\u00e7os, no meio rural elas se ocupam da produ\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m do aprimoramento das atividades e do cuidado com os filhos, com a casa e o bem-estar da fam\u00edlia.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com um estudo publicado pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas as mulheres respondem por quase um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o ocupada com o agroneg\u00f3cio, sendo que 34% delas em cargos de gest\u00e3o na \u00e1rea. Isso representa mais de um milh\u00e3o de mulheres no comando de mais de 30 milh\u00f5es de hectares no pa\u00eds. A remunera\u00e7\u00e3o, todavia, \u00e9 desigual. Elas recebem em m\u00e9dia 20% menos, mesmo exercendo as mesmas fun\u00e7\u00f5es dos homens, o que contribui para a dificuldade em conseguir cr\u00e9dito e insumos.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Transforma\u00e7\u00f5es culturais, ao longo dos anos, diminu\u00edram as situa\u00e7\u00f5es desconfort\u00e1veis e intimidadoras. Em Frederico Westphalen, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais promove encontros de mulheres produtoras, e inclusive, possui uma Comiss\u00e3o de Mulheres, ligada \u00e0 diretoria do Sindicato. Segundo o presidente Amarildo Manfio, o Sindicato est\u00e1 atento \u00e0 sucess\u00e3o feminina na regi\u00e3o e busca oferecer forma\u00e7\u00e3o e treinamentos espec\u00edficos para as trabalhadoras. \u201cElas se sentem mais valorizadas como agricultoras familiares, vendo que t\u00eam um papel fundamental\u201d, comenta.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">A coordenadora do curso de Agronomia da UFSM campus Frederico Westphalen, Denise Schmidt, 53 anos, est\u00e1 na doc\u00eancia h\u00e1 22. Formada em Engenheira Agron\u00f4mica, relata que a m\u00e9dia de mulheres na \u00e1rea vem crescendo progressivamente. \u201cNos \u00faltimos cinco anos, temos a m\u00e9dia de 46% de ingressantes mulheres. Atualmente, o curso conta com 117 alunas, 42% do total de alunos do curso. Hoje, se observa aumento exponencial no n\u00famero de vagas para cargos gerenciais dentro das fazendas e empresas ligadas ao agro. Independentemente do setor, \u00e9 estrat\u00e9gico entender que a presen\u00e7a feminina s\u00f3 tem a agregar. A compet\u00eancia feminina \u00e9 vista em todos os processos do agro\u201d, comenta Denise.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-daf725b elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"daf725b\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-aef1682\" data-id=\"aef1682\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-76ef81c elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"76ef81c\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"680\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/11\/Joana_foto-2-5-1-1024x680.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-429\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/11\/Joana_foto-2-5-1-1024x680.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/11\/Joana_foto-2-5-1-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/11\/Joana_foto-2-5-1-768x510.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/11\/Joana_foto-2-5-1-1536x1020.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/11\/Joana_foto-2-5-1-272x182.jpg 272w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/11\/Joana_foto-2-5-1.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-0319943 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"0319943\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-4a7cf93\" data-id=\"4a7cf93\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-8972777 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"8972777\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><strong>Caminhos para a ro\u00e7a<\/strong><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Na regi\u00e3o do M\u00e9dio Alto Uruguai ga\u00facho, encontramos a Casa Familiar Rural, uma escola de ensino m\u00e9dio que prepara e qualifica jovens para a continuidade da agricultura familiar. Hoje, a escola conta com 70 jovens de 18 munic\u00edpios nas tr\u00eas turmas, 15 s\u00e3o meninas. Em 2023, a escola formou 21 jovens, com oito mulheres compondo o grupo. Desses jovens, 15 seguiram para cursos de gradua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">A diretora, Dulcin\u00e9ia Zonta, explica que a metodologia de ensino \u00e9 a de altern\u00e2ncia, criada na Fran\u00e7a, na d\u00e9cada de 1930. Na Casa Rural, os estudantes conhecem a realidade das propriedades, fazem um levantamento do patrim\u00f4nio familiar, o que j\u00e1 permite a reflex\u00e3o de quanto tempo levariam para adquirir o montante, caso optassem pela vida na cidade. Esses jovens despertam para novos percursos ou para aprimorar aquilo que os pais j\u00e1 cultivam ao elaborar um projeto profissional com metas de curto a longo prazos, aplicados na pr\u00f3pria terra. Conhecem os aspectos econ\u00f4micos, o mercado local, a viabilidade de suas decis\u00f5es e adquirem autonomia.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Na sala dos professores, t\u00edmidas e internamente euf\u00f3ricas, aguardam oito gurias, todas alunas do primeiro ano do ensino m\u00e9dio. S\u00e3o Daianas, Karolines, Larissas, Alessandras, Marianas, K\u00e9tnis, Micheles e Alanas que ocupam seus lugares na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e na Casa Familiar, que, na \u00e9poca da funda\u00e7\u00e3o, em 2002, s\u00f3 dispunha de alojamento masculino. A primeira mulher formada em Ci\u00eancias Agr\u00e1rias a trabalhar na escola foi Dulcin\u00e9ia, que chegou em 2013. \u201cNosso objetivo n\u00e3o \u00e9 formar jovens para o mercado de trabalho porque eles j\u00e1 t\u00eam um emprego, j\u00e1 t\u00eam as suas propriedades e desenvolvem o projeto de vida junto com a fam\u00edlia\u201d, esclarece Dulcin\u00e9ia.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">O agricultor Valdeir Sarmento, 52 anos, pai de duas mulheres, chegou a cogitar morar na cidade. As filhas, alunas da Casa Familiar, no entanto, manifestaram o interesse pela continuidade. Isso fez com que ele investisse outra vez na propriedade. O conhecimento de Valdecir veio dos pais. Agora, com aux\u00edlio das filhas est\u00e3o conseguindo melhorar a gen\u00e9tica das vacas, por exemplo. \u201cElas sempre dizem, o pai que decide. Mas eu converso com elas, a gente planeja juntos. Uma fam\u00edlia n\u00e3o existe sem metas, uma de ser feliz e outra de trabalho\u201d, reflete.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Formada em Agroneg\u00f3cio e com especializa\u00e7\u00e3o em insemina\u00e7\u00e3o artificial, a primeira filha dos Sarmento, Debora, 23 anos, hoje est\u00e1 cursando Tecnologia em Agropecu\u00e1ria. Tentou a vida na cidade aos 17 anos, mas foi a partir de uma fala do presidente da cooperativa de cr\u00e9ditos onde trabalhava, que decidiu retornar ao campo. \u201cEra anivers\u00e1rio da cooperativa, e ele disse que no pr\u00f3ximo ano queria ver todos ali, mas felizes no que faziam. Mas eu n\u00e3o estava feliz\u201d, relembra. Para ela, \u00e9 preciso perseverar, ter vontade de fazer diferente, ter determina\u00e7\u00e3o e ambicionar novos resultados. Em 2019, ela ganhou o pr\u00eamio Jovem Empreendedor Rural, oferecido pelo munic\u00edpio de Frederico Westphalen e pela Emater local: \u201cSignificou muito, deu um g\u00e1s. Tinha rec\u00e9m sa\u00eddo do banco. Para muitos foi um espanto: \u2018nossa!\u2019, sair do banco para trabalhar com vaca?\u201d, recorda.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">A aluna do terceiro ano na Escola de Ensino M\u00e9dio Casa Familiar Rural, e irm\u00e3 ca\u00e7ula de Debora, Helen, 17 anos, \u00e9 coringa na propriedade da fam\u00edlia: \u201cEu sou meio um faz tudo. Posso tirar leite ou tratar, ajudo onde falta m\u00e3o de obra naquele dia\u201d. A forma\u00e7\u00e3o traz reflexos para o trabalho: \u201ca gente sempre contribui com o que sabe. Como a gente estuda tamb\u00e9m, e recebe um incentivo, sempre vem com novas ideias, trazemos para a propriedade\u201d. Nessa caminhada inicial como agricultora, j\u00e1 sentiu dificuldade por ser mulher. Foi ao realizar o curso de insemina\u00e7\u00e3o artificial junto com a irm\u00e3. Mas n\u00e3o desanimaram. \u201cDesistir nunca \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9? \u00c0s vezes, aparecem as dificuldades, mas a gente vai e enfrenta\u201d, completa. O pai transmite conhecimento e incentivo. Entre l\u00e1grimas e sorrisos, contam que o trabalho e a fam\u00edlia caminham juntos. O ref\u00fagio dos pais reafirma a certeza de que a propriedade familiar continua.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Bons ventos<\/strong><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">O produtor rural Roberto Piovesan, 57 anos, tamb\u00e9m tem duas filhas, mas h\u00e1 um ano e pouco atr\u00e1s olhava para a propriedade onde nasceu e n\u00e3o via lugar para as meninas. Por sorte, as previs\u00f5es n\u00e3o formam assertivas. Hoje, a filha mais velha lida com su\u00ednos e a ca\u00e7ula com vacas e terneiras. Homem de poucas palavras e de sorriso f\u00e1cil, ele compara as gera\u00e7\u00f5es e as hist\u00f3rias e reconhece a import\u00e2ncia das filhas e da mulher. \u201cSe n\u00e3o fossem elas, eu acho que n\u00e3o estava mais conseguindo tocar. Aqui \u00e9 a minha vida. Est\u00e1 tudo aqui, desde o come\u00e7o\u201d, conta. Ao mesmo tempo que\u00a0 tenta motivar as filhas, sente falta do incentivo p\u00fablico para as estradas e infraestrutura b\u00e1sica, por exemplo. \u201cUm acesso bem caprichado, n\u00e3o precisa muita coisa, s\u00f3 olhar mais para o agricultor que trabalha e que depende disso\u201d, pondera.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Agricultora e artes\u00e3, J\u00e9ssica Maria Frizon Piovesan dos Santos, 31 anos, \u00e9 a primog\u00eanita do Roberto. A conversa foi dividida entre suas hist\u00f3rias e a aten\u00e7\u00e3o com os dois filhos, Cec\u00edlia, sete anos, e Miguel, cinco, que brincam livremente pela propriedade. Na lida, \u00e9 a respons\u00e1vel pelo chiqueir\u00e3o. Acredita que que a maioria das pessoas n\u00e3o valoriza a mulher do campo: \u201cDizem, ela \u00e9 uma colona. Ela s\u00f3 est\u00e1 l\u00e1 para ir na ro\u00e7a, parece que ela n\u00e3o pode se arrumar\u201d.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Estudante de Medicina Veterin\u00e1ria no Instituto Federal Farroupilha (IFFAR), campus Frederico Westphalen, Larissa Frizon Piovesan, 18 anos, completou o ensino m\u00e9dio na Escola Casa Familiar Rural, onde come\u00e7ou a despertar para a atividade com os animais. A ca\u00e7ula dos Piovesan tem curso de insemina\u00e7\u00e3o artificial, atende a propriedade da fam\u00edlia e as de vizinhos. \u201cHoje, toda a parte de insemina\u00e7\u00e3o, reprodu\u00e7\u00e3o, ra\u00e7\u00e3o das terneiras, das vacas, os pedidos para os animais \u00e9 comigo\u201d, explica. Mas pondera: \u201cQuando tem alguma coisa para resolver, geralmente o pessoal chega e j\u00e1 procura o homem da casa\u201d. A diferen\u00e7a est\u00e1 em pessoas como o consultor da Emater, Jeferson Figueiredo, \u201cque conversa do mesmo modo com todos\u201d.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Do anonimato ao compartilhamento do espa\u00e7o e ao protagonismo, as meninas e mulheres igualzitas aos pais, d\u00e3o eco a outros versos da can\u00e7\u00e3o de C\u00e9sar Passarinho, lembrada na abertura da reportagem: \u201cE de lambuja permita, que eu nunca saia daqui\u201d. <\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-1f3244a elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"1f3244a\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-996da4b\" data-id=\"996da4b\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-bc8906c elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"bc8906c\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figure class=\"wp-caption\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/11\/Joana_foto-3-1024x683.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-430\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/11\/Joana_foto-3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/11\/Joana_foto-3-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/11\/Joana_foto-3-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/11\/Joana_foto-3-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/11\/Joana_foto-3-272x182.jpg 272w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/760\/2024\/11\/Joana_foto-3.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<figcaption class=\"widget-image-caption wp-caption-text\">Fam\u00edlia Frizon Piovesan, de produtores rurais. A filha mais velha, J\u00e9ssica, se divide entre a agricultura, o artesanato e o cuidado com os filhos. A mais nova, Larissa, ex-aluna da Casa Familiar Rural, estuda Medicina Veterin\u00e1ria no IFFAR<\/figcaption>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/figure>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-68764ad elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"68764ad\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-35b38cc\" data-id=\"35b38cc\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-c1d12eb elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"c1d12eb\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><b>Mantendo o rancho<\/b><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">O f\u00f4lego da fam\u00edlia Gabbi da Silva vem da matriarca, Jurema Bulegon da Silva, 78 anos. As terras ficam na linha Peixeira, em Rodeio Bonito (RS), onde criou sozinha os onze filhos. Os caminhos dessa \u00e1rea, literalmente, foram abertos com a participa\u00e7\u00e3o dela com enxada e pic\u00e3o, e levam \u00e0s lembran\u00e7as de gera\u00e7\u00f5es. O patrim\u00f4nio, hoje, \u00e9 conservado pelo filho Valdir e pela neta Caroline, que seguem cultivando essa hist\u00f3ria.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Alegria, for\u00e7a, entusiasmo pela vida, assim \u00e9 a prosa com a v\u00f3 Jurema. Ela conta que desde os cinco anos j\u00e1 pegava o arado de manh\u00e3 cedo, e seguia at\u00e9 a noite lavrando os peraus. Ela estava trabalhando at\u00e9 quatro anos atr\u00e1s, quando vendeu a terra para o filho Valdir, que chama carinhosamente de Dile. Fala que ainda chega a sonhar que est\u00e1 na lida. Se v\u00ea refletida na neta. \u201cA Carol \u00e9 igual a mim, porque eu n\u00e3o paro de lidar, eu n\u00e3o paro um dia\u201d, conta.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Jurema nunca quis ir para a cidade. Quando visita as filhas em Ametista do Sul n\u00e3o v\u00ea a hora de voltar para casa. \u201cEu n\u00e3o quero estar l\u00e1 parada na cidade, olhando pro c\u00e9u. Aqui, n\u00f3s pegamos o ar livre. De noite, \u00e9 a coisa mais linda. Tu se entret\u00e9m, tu distrai a cabe\u00e7a, tu vai l\u00e1 e faz uma horta, tu v\u00ea as galinhas, junta um ovo, cuida os porcos\u201d, explica.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">O sofrimento que passaram tamb\u00e9m foi pauta. Comentou que n\u00e3o tinha dinheiro, n\u00e3o tinha bolsa escola, n\u00e3o tinha bolsa fam\u00edlia. Tinha que trabalhar de pe\u00e3o, na lavoura, no garimpo, tratando os bichos, dirigindo a carro\u00e7a pelo perau, abrindo estradas. \u201cQuantas vezes eu chorei na ro\u00e7a, porque a m\u00e3e quer ver os filhos comerem. Se a gente comeu, comeu. Nunca abandonei meus filhos, tudo em roda de mim\u201d, relembra. Carol, ent\u00e3o, aparece com uma foto antiga, com parte dos filhos de Jurema, e mais um \u00e1lbum com boas recorda\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Filho, o produtor rural Valdir Gabbi da Silva, 47 anos, come\u00e7ou cedo no garimpo e na lida na ro\u00e7a. Foi para Novo Hamburgo (RS) com 16 anos, trabalhar numa f\u00e1brica de cal\u00e7ados. O sonho era comprar uma moto, ent\u00e3o foi juntando dinheiro dos trabalhos realizados um ano e meio na cidade, bastou. \u201cSaudade do lugar? Eu nunca gostei da cidade. Fui pra trabalhar, pra ganhar um dinheiro, n\u00e9? O dinheiro que eu empreguei l\u00e1, segurei\u201d, compartilha. A m\u00e3e, Jurema, representa a base. Comprou a terra que pertencia \u00e0 m\u00e3e, em 2009, e j\u00e1 trazia a filha Caroline junto. \u201cEu levava ela na carretinha agr\u00edcola, carregada, e ela com duas caninhas l\u00e1 atr\u00e1s levando, me ajudando. N\u00e3o que ela me ajudasse, mas eu tentando ensinar. Sempre a minha ideia. J\u00e1 digo, me ajudar a fazer a diferen\u00e7a, \u00e9 o ensinamento\u201d, considera.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Valdir, com humor, prontamente fala sobre a confian\u00e7a que tem na filha. \u201cS\u00f3 com os olhos fechados que eu confio. Com os olhos abertos n\u00e3o d\u00e1 pra confiar muito n\u00e3o&#8221;, brinca. &#8220;Eu n\u00e3o estresso nada. Se eu tocar de sair viajar, alguma coisa, se ela tiver aqui, \u00e9 tranquilo. Ela sabe fazer neg\u00f3cio, sabe como trabalhar&#8221;, completa. A comunidade j\u00e1 chegou a rotul\u00e1-lo de &#8220;provalecido&#8221; por carregar a filha ainda pequena, mas Caroline sempre frequentou a escola e hoje est\u00e1 na universidade. Os anos mudaram a vis\u00e3o e os coment\u00e1rios pela redondeza. Pensa na filha tocando o pr\u00f3prio neg\u00f3cio, todavia entende que ela pode sair, fazer um p\u00e9 de meia, mas sempre ter o canto para voltar. Do seu legado, o maior \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o, afirma. tamb\u00e9m \u00e9 pai do Mois\u00e9s, oito anos, a quem orienta a enfrentar os problemas de frente.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Caroline Gabbi da Silva, 19 anos, al\u00e9m de produtora rural, \u00e9 estudante do terceiro semestre de Agronomia da UFSM-FW, decis\u00e3o pela continuidade na propriedade veio por amor a tudo que o pai ensinou, al\u00e9m das hist\u00f3rias aguerridas da av\u00f3 paterna. Com o incentivo da fam\u00edlia, est\u00e1 segura da sua escolha. \u201cOlhar para um pasto, ver ele verde, cheio de gado, sabe? Todo esse processo que tem de plantar cana e colher. Olha, uma coisa que eu tenho certeza, \u00e9 que eu nunca vou abandonar a terra ali, sabe?&#8221;, comenta ela, enquanto fala dos planos: &#8220;Eu quero muito viajar, fazer est\u00e1gio e tal. Mas, independente, do lugar para onde eu for nunca vou deixar a propriedade abandonada. Quero que continue de onde meu pai deixou, pra melhor. Essa \u00e9 a minha ideia\u201d, relata emocionada.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Menina de sorriso amplo, cuja delicadeza n\u00e3o comporta fragilidade, Caroline \u00e9 assertiva, inquieta e trabalha muito. Traz consigo uma fala do pai, que nunca esqueceu. \u201cFoi numa conversa aleat\u00f3ria que a gente estava tendo. Ele olhou para o pasto e disse: \u2018eu vejo Deus nesse pasto\u2019. E eu entendi totalmente o sentido daquela frase, sabe? Vejo Deus nesse pasto, desde a for\u00e7a que Deus d\u00e1 pra gente trabalhar, pra plantar e a continuidade, tipo, de ter chuva pra regar, e est\u00e1 verde, est\u00e1 bonito, sabe?\u201d, recorda.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">A guria se assemelha ao pai pelo amor por aquela terra, a vis\u00e3o empreendedora e o valor pelo trabalho. Carol tamb\u00e9m ajuda na colheita da uva em uma propriedade vizinha. O brilho nos olhos da estudante s\u00f3 aumenta ao falar da lida. \u201cIa pro meio da lavoura com toda aquela <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">turmada<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, sabe? Da\u00ed a gente colhendo ali, batendo papo, ver o dia desde o orvalho at\u00e9 chegar no meio-dia, aquele calor\u00e3o, sabe? N\u00e3o tinha coisa melhor, n\u00e3o tem ainda\u201d, declara. Entre as incumb\u00eancias dela na propriedade est\u00e1 a piscicultura. Ademais,\u00a0 tem o sonho de trabalhar na EMATER, visitar as propriedades, apresentar e aplicar o melhor. No meio da realidade da produ\u00e7\u00e3o, as trocas com a av\u00f3 Jurema aliviam o estresse. Quando pensou em desistir dos estudos e ficar no campo, lembrou dos ensinamentos da fam\u00edlia: \u201cAonde chega a tua limita\u00e7\u00e3o, entra a tua f\u00e9\u201d, finaliza.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Do anonimato ao compartilhamento do espa\u00e7o e ao protagonismo, as meninas e mulheres <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">igualzitas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> aos pais, d\u00e3o eco a outros versos da can\u00e7\u00e3o de C\u00e9sar Passarinho, lembrada na abertura da reportagem: \u201c\/\/E de lambuja permita\/ que eu nunca saia daqui\/\/\u201d.\u00a0<\/span><\/p><p>FREDERICO WESTPHALEN, RS<\/p><p>RODEIO BONITO, RS<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sucess\u00e3o do legado rural por mulheres na regi\u00e3o do Alto Uruguai. Texto e foto: Joana Seger Foto: Franchesco de Oliveira Y Castro \u201cDas roupas velhas do pai queria que a m\u00e3e fizesse uma mala de garupa e uma bombacha e me desse Queria boinas, alpargatas e um cachorro companheiro pra me ajudar a botar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8453,"featured_media":444,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[58],"tags":[70],"class_list":["post-425","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagem","tag-meiomundo13"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/425","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8453"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=425"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/425\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/444"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=425"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=425"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/meio-mundo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=425"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}