{"id":502,"date":"2022-08-06T13:56:49","date_gmt":"2022-08-06T16:56:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revista-o-qi\/?page_id=502"},"modified":"2022-08-06T14:02:21","modified_gmt":"2022-08-06T17:02:21","slug":"cultura-por-onde-comecar","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revista-o-qi\/cultura-por-onde-comecar","title":{"rendered":"Cultura: por onde come\u00e7ar"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"502\" class=\"elementor elementor-502\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-23c604d elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"23c604d\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-9a6ba15\" data-id=\"9a6ba15\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d78532d elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"d78532d\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><span style=\"font-weight: 400\">Para iniciar as reflex\u00f5es sobre a tem\u00e1tica da nossa nova edi\u00e7\u00e3o, nada mais adequado do que uma explana\u00e7\u00e3o do professor do Departamento de Comunica\u00e7\u00e3o da UFSM que \u00e9 refer\u00eancia nos estudos em cultura, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Fomos at\u00e9 a Pr\u00f3-Reitoria de Extens\u00e3o (PRE), onde ele agora ocupa o cargo de Pr\u00f3-Reitor, para conversar um pouco com o professor Flavi Ferreira Lisb\u00f4a Filho sobre a amplitude do conceito de \u201ccultura\u201d, dos estudos que podem se utilizar dele como refer\u00eancia e o que o profissional da Comunica\u00e7\u00e3o pode (e o que n\u00e3o deve!) fazer em se tratando de suas pautas.<\/span><\/p><p><em><span style=\"text-decoration: underline\"><strong>O QI: O que, afinal, \u00e9 cultura?<\/strong><\/span><\/em><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Flavi: A defini\u00e7\u00e3o de cultura \u00e9 bastante complexa porque aciona v\u00e1rios saberes e fazeres. N\u00f3s temos uma no\u00e7\u00e3o de cultura muito ligada a uma pr\u00e1tica, a um fazer cultural, mas antecede a esse fazer um conhecimento, e esse conhecimento faz parte de um arcabou\u00e7o de conhecimentos de um dado grupo social. Quando falamos em pr\u00e1tica cultural, estamos usando de um reducionismo para falar sobre cultura, porque cultura n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma a\u00e7\u00e3o: precede a ela um saber, um conhecimento espec\u00edfico que a move. Portanto, a nossa no\u00e7\u00e3o de cultura tem que ser de um processo, que envolve v\u00e1rios elementos.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Para exemplificar: o nosso aprendizado para a vida em sociedade se d\u00e1 com base na cultura em que nascemos, no conjunto de conhecimentos que existe nesse grande reposit\u00f3rio da cultura do grupo em que nos inserimos. \u00c9 por isso que n\u00f3s, nos primeiros anos de vida, agimos de maneira t\u00e3o parecida com aqueles entes familiares mais pr\u00f3ximos. Aprendemos na fam\u00edlia, na escola, na religi\u00e3o que frequentamos\u2026 E esses conhecimentos da socializa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria v\u00e3o nos acompanhar por boa parte da vida. Quando sa\u00edmos para um novo aprendizado, como aprender uma profiss\u00e3o, vamos viver um processo de socializa\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria: teremos um novo aprendizado com um grupo diferente daquele de origem.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">E, muitas vezes, esse segundo aprendizado nos coloca em conflito com aqueles conhecimentos anteriores. A\u00ed entramos em discord\u00e2ncia com muitas das coisas que ouvimos na escola que frequentamos, na religi\u00e3o que \u00edamos ou que as fam\u00edlias diziam; entramos em dissenso com isso porque estamos convivendo num novo grupo social, que disp\u00f5e de um outro conjunto de conhecimentos e que vai influenciar a nossa vida social.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Mas, sobretudo, cultura deve refletir tamb\u00e9m o modo de vida de um povo, de um grupo social. Muitas pessoas relacionam a cultura a um conhecimento erudito, que faz parte de uma elite. Tanto \u00e9 que quando chamamos as pessoas que t\u00eam um certo grau de instru\u00e7\u00e3o de \u201ccultas\u201d, geralmente estamos falando de uma cultura de erudi\u00e7\u00e3o. E quando fazemos isso, muitas vezes estamos negando um conhecimento que \u00e9 popular, da cultura popular. Um sujeito que n\u00e3o tem um grau de instru\u00e7\u00e3o, que \u00e9 analfabeto, tamb\u00e9m tem cultura: ele tem uma cultura que \u00e9 de um saber popular, que move o seu dia-a-dia, que representa o seu modo de vida. A cultura, nesse sentido, foi usada como marca de distin\u00e7\u00e3o entre os grupos que tinham essa possibilidade de instru\u00e7\u00e3o e os que n\u00e3o tinham. Ent\u00e3o, aqueles que tinham, traziam para si um status em fun\u00e7\u00e3o de uma distin\u00e7\u00e3o cultural erudita desses grupos que n\u00e3o tinham, n\u00e3o querendo reconhecer cultura nesses grupos populares.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Ent\u00e3o, trazendo para o nosso dia-a-dia: o hip-hop \u00e9 cultura? O funk \u00e9 cultura? Sim! Funk e hip-hop s\u00e3o express\u00f5es culturais. O hip-hop, especialmente, nasce como movimento pol\u00edtico e amplia sua atua\u00e7\u00e3o para outras \u00e1reas, se colocando como movimento art\u00edstico, tamb\u00e9m. \u00c9 um conjunto de express\u00f5es art\u00edsticas que vai qualificar o hip-hop tamb\u00e9m como express\u00e3o cultural.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">J\u00e1 o funk \u00e9 a express\u00e3o de uma cultura perif\u00e9rica, uma cultura marginal. Muitas vezes, a letra dessas m\u00fasicas parece que \u201cincomoda\u201d \u2013 parece que \u00e9 uma letra \u201cbagaceira\u201d, que faz muitos apelos er\u00f3ticos, e at\u00e9 sexuais; mas o que essas m\u00fasicas refletem? Elas refletem o cotidiano de uma determinada popula\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 exposta a tudo isso de maneira muito precoce.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Mas por qu\u00ea? Porque falta a participa\u00e7\u00e3o do Estado por meio de pol\u00edticas p\u00fablicas dentro dessas comunidades. Pol\u00edticas p\u00fablicas que deem condi\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o, de moradia e de seguran\u00e7a. Quando isso n\u00e3o acontece, \u00e9 por meio dessa m\u00fasica (que \u00e0s vezes, parece agressiva para a sociedade) que \u00e9 feita uma manifesta\u00e7\u00e3o, um lamento, uma express\u00e3o daquilo que se vive ali dentro.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Gosto muito de fazer um contraponto com aqueles que dizem que \u201cCultura \u00e9 a nativista!\u201d, \u201cCultura mesmo \u00e9 o ga\u00facho que tem!\u201d. Eu digo: \u201cAh, que beleza\u2026 E aquelas letras gauchescas daquelas m\u00fasicas machistas, n\u00e3o \u00e9\u2026 Eu sempre lembro daquele trecho da m\u00fasica: \u2018Ajoelha e chora, e me desculpa se eu te esfolei com as minhas esporas\u2026\u2019, do ga\u00facho cantando para sua prenda. Isso sim \u00e9 poesia, n\u00e3o \u00e9\u2026\u201d.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 engra\u00e7ado\u2026 Quando \u00e9 dos outros, \u00e9 ofensivo; quando \u00e9 nosso, parece que \u00e9 naturalizado e n\u00f3s aceitamos, como se tiv\u00e9ssemos uma certa superioridade cultural \u2013 outra ideia fadada ao insucesso. As pessoas n\u00e3o s\u00e3o superiores \u00e0s outras em termos culturais. Na verdade, isso \u00e9 uma heran\u00e7a colonialista de quando nos submet\u00edamos a uma metr\u00f3pole e pens\u00e1vamos que tudo o que vinha da Europa era melhor do que o que t\u00ednhamos aqui, nacionalmente. Mas enfim\u2026 Isso \u00e9 para mostrar como \u00e9 complexo o conceito de cultura.<\/span><\/p><p><em><span style=\"text-decoration: underline\"><strong>O QI: Que tem\u00e1ticas podem ser tratadas sob o ponto de vista da cultura? Que pesquisas v\u00eam sendo desenvolvidas no grupo de pesquisa \u201cEstudos culturais e audiovisualidades\u201d?<\/strong><\/span><\/em><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Flavi: As tem\u00e1ticas que podem ser trabalhadas pelo vi\u00e9s da cultura s\u00e3o as mais variadas. Cada \u00e1rea vai fazer uma an\u00e1lise conforme a sua estrutura, sua ordem epistemol\u00f3gica. A Sociologia vai olhar para a cultura de uma forma, o antrop\u00f3logo vai olhar de outra, a Psicologia de outra e n\u00f3s, da Comunica\u00e7\u00e3o, vamos olhar para a cultura atrav\u00e9s das suas manifesta\u00e7\u00f5es, das suas express\u00f5es que acabam sendo midiatizadas de diferentes formas.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">No meu<\/span><a href=\"http:\/\/w3.ufsm.br\/estudosculturais\/home.php\"> <span style=\"font-weight: 400\">grupo de pesquisa<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, trabalhamos com a representa\u00e7\u00e3o dos grupos sociais minorit\u00e1rios na m\u00eddia. Quando falo em grupos sociais minorit\u00e1rios, estou falando sobre as classes populares, sobre as identidades de g\u00eanero e orienta\u00e7\u00f5es sexuais do grupo LGBTQI+, sobre a quest\u00e3o \u00e9tnico-racial (em especial do negro e do ind\u00edgena), sobre quest\u00f5es de g\u00eanero envolvendo, especialmente, a mulher &#8211; ou melhor, o feminismo, para ser um pouco mais amplo e dar conta tamb\u00e9m da transgenia.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Tem toda uma cultura institu\u00edda na nossa sociedade que estabeleceu como padr\u00e3o a heteronormatividade, e eu sempre gosto de brincar: n\u00e3o tem problema nenhum as pessoas serem heterossexuais, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 uma orienta\u00e7\u00e3o que elas t\u00eam. O \u00fanico problema \u00e9 definir a heterossexualidade como padr\u00e3o normalizante da sociedade, como se todos tivessem que se espelhar nele.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">A branquitude: a nossa sociedade \u00e9 pautada pelo homem e pela mulher brancos, em detrimento de todas as outras etnias que d\u00e3o essa configura\u00e7\u00e3o diferenciada e plural para nossa sociedade. Al\u00e9m disso, \u00e9 uma sociedade patriarcal e machista, centrada na figura do homem, delegando \u00e0 mulher um segundo plano.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Ent\u00e3o: todas as pesquisas que procuram trabalhar de maneira respons\u00e1vel com a pauta desses grupos sociais minorit\u00e1rios encontram vaz\u00e3o no meu grupo de pesquisa. Eu poderia citar como exemplo o document\u00e1rio<\/span><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_WXV2SnWpSk\"> <span style=\"font-weight: 400\">\u201cTudo acaba em funk\u201d<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, que foi um trabalho experimental feito pelo Julien Moretto que tenta desmistificar essa tem\u00e1tica. Para voc\u00eas terem ideia, eu aprendi que existem 32 tipos diferentes de funk&#8230; Eu achava que funk era funk, mas n\u00e3o: al\u00e9m disso, \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o cultural, a manifesta\u00e7\u00e3o de um grupo espec\u00edfico, e assim vale para todos os outros grupos sociais.<\/span><\/p><p><strong><span style=\"text-decoration: underline\"><em>O QI: Como n\u00f3s, enquanto profissionais da Comunica\u00e7\u00e3o, podemos atuar em prol da cultura? O que podemos e o que n\u00e3o devemos fazer?<\/em><\/span><\/strong><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Flavi: N\u00e3o existe um manual do \u201cpoliticamente correto\u201d na hora de trabalhar com Comunica\u00e7\u00e3o, mas eu acho que todo o comunicador que tem a oportunidade de ter uma viv\u00eancia pr\u00f3xima a esses grupos vai ter uma postura bem mais respeitosa. Muitas vezes, quando n\u00f3s escrevemos de forma negligente as pautas desses grupos, \u00e9 por pura ignor\u00e2ncia, por n\u00e3o conhecermos da luta, da hist\u00f3ria, da origem ou at\u00e9 mesmo da milit\u00e2ncia desses grupos. Acabamos sendo embalados pelo senso comum, que menospreza todas essas atua\u00e7\u00f5es diferentes em nome de uma atua\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica de um grupo espec\u00edfico. Acho que nos permitirmos conhecer um pouco mais desses grupos, dessas atua\u00e7\u00f5es, nos deixa menos ignorantes na hora de fazer uma pauta.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">E outra coisa: evitar falar pelos grupos, mas sim dar voz a esses grupos, encontrar os espa\u00e7os em que essas vozes podem aparecer, tratando de forma respeitosa, sem editar suas falas para dar o sentido que se quer dar em detrimento do que se tem na origem. Falar com e nunca falar por, quando estamos falando de grupos sociais minorit\u00e1rios, \u00e9 o fundamental. No mais, \u00e9 agir sempre de forma \u00e9tica, \u00edntegra e respeitosa com as diferen\u00e7as, e deixando (ou tentando, pelo menos) os nossos preconceitos de lado.<\/span><\/p><p style=\"text-align: right\"><i>Publicado originalmente no blog do WordPress em 05 de Abril de 2018<\/i><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para iniciar as reflex\u00f5es sobre a tem\u00e1tica da nossa nova edi\u00e7\u00e3o, nada mais adequado do que uma explana\u00e7\u00e3o do professor do Departamento de Comunica\u00e7\u00e3o da UFSM que \u00e9 refer\u00eancia nos estudos em cultura, n\u00e3o \u00e9 mesmo? 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