{"id":764,"date":"2024-06-28T12:00:00","date_gmt":"2024-06-28T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revista-o-qi\/?p=764"},"modified":"2024-06-28T11:51:46","modified_gmt":"2024-06-28T14:51:46","slug":"entrevista-com-editor-leandro-muller","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revista-o-qi\/2024\/06\/28\/entrevista-com-editor-leandro-muller","title":{"rendered":"ENTREVISTA COM EDITOR LEANDRO M\u00dcLLER"},"content":{"rendered":"\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-765 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/830\/2024\/06\/0036_analeandro-1-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"239\" height=\"359\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/830\/2024\/06\/0036_analeandro-1-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/830\/2024\/06\/0036_analeandro-1-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/830\/2024\/06\/0036_analeandro-1-768x1152.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/830\/2024\/06\/0036_analeandro-1-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/830\/2024\/06\/0036_analeandro-1-1365x2048.jpg 1365w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/830\/2024\/06\/0036_analeandro-1-scaled.jpg 1707w\" sizes=\"(max-width: 239px) 100vw, 239px\" \/><\/p>\n<h5 style=\"text-align: center\">Leandro M\u00fcller (acervo pessoal)<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify\">Em mais uma entrevista da s\u00e9rie que contempla estudiosos e atuantes na \u00e1rea da editora\u00e7\u00e3o, a O QI conversou com Leandro M\u00fcller, pesquisador do mercado editorial, doutor em Comunica\u00e7\u00e3o (UERJ \/ Universit\u00e9 Clermont-Auvergne), mestre em Comunica\u00e7\u00e3o (UERJ), graduado em Publicidade (UFRJ) e graduado em Filosofia (UERJ \/ Universidade do Porto). Al\u00e9m disso, ele \u00e9 autor de obras como \u201cComo editar seu pr\u00f3prio livro: um manual b\u00e1sico para quem quer publicar ou ser publicado\u201d, \u201cO consumidor de livros: pr\u00e1tica de comportamento em livrarias\u201d, e \u201cPequeno Tratado Herm\u00e9tico sobre Efeitos de Superf\u00edcie\u201d. Conforme o site da NESPE (https:\/\/www.nespe.com.br\/), Leandro passou cinco anos na equipe docente da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Editora\u00e7\u00e3o do IUPERJ. Ele tamb\u00e9m esteve \u00e0 frente da coordena\u00e7\u00e3o do curso por 2 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Leandro conta que a paix\u00e3o pelos livros surgiu quando ele estava no Ensino M\u00e9dio. \u201cA paix\u00e3o pelos livros surgiu tardiamente, marcada antes pela avers\u00e3o aos livros. Infelizmente n\u00e3o nasci em uma fam\u00edlia de leitores e, em nossa casa, n\u00e3o t\u00ednhamos livros, salvo um dicion\u00e1rio e uma enciclop\u00e9dia em tr\u00eas volumes. Assim, foi na escola meu primeiro contato com a literatura (&#8230;) aquela que considero minha primeira leitura viria aos 14 anos, \u2018Senhora\u2019, de Jos\u00e9 de Alencar. Achei o livro t\u00e3o chato que s\u00f3 voltei a me aproximar de um livro aos 19 anos\u201d. Essa reaproxima\u00e7\u00e3o foi intensa: \u201cAcabei ingressando na Escola de Comunica\u00e7\u00e3o da UFRJ, por ser uma institui\u00e7\u00e3o federal. Em janeiro de 1998, na rodovi\u00e1ria de Volta Redonda, enquanto aguardava o \u00f4nibus para viajar e realizar minha matr\u00edcula, deparei-me na banca local com uma rec\u00e9m lan\u00e7ada cole\u00e7\u00e3o da Folha de S\u00e3o Paulo cujo livro era de um autor completamente desconhecido e de nome estranho: Fiodor Dostoi\u00e9vski. Adquiri Crime e Castigo por R$6,90 e li ininterruptamente. N\u00e3o tenho mem\u00f3ria de quantos dias se passaram, mas eu apenas lia. Faltando 20 p\u00e1ginas para o fim, j\u00e1 \u00e0s quatro horas da manh\u00e3, cochilei sobre a obra, despertando \u00e0s seis horas e finalizando a leitura. Ao t\u00e9rmino, eu chorava copiosamente, n\u00e3o por ser uma hist\u00f3ria particularmente triste, mas porque eu tinha me tornado um grande amigo e confidente de Rodion Rom\u00e2novitch Rask\u00f3lnikov e nunca mais o encontraria novamente. Naquele mesmo ano, como minhas aulas come\u00e7aram em 26 de outubro, li mais de 100 livros. Empr\u00e9stimos, bibliotecas, sebos. Graciliano Ramos, Machado de Assis, Camus, Herman Hesse, Goethe, e uma enorme lista de autores brasileiros e estrangeiros, al\u00e9m de muitos e muitos livros policiais. E nunca mais parei de ler\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao relatar a possibilidade de usar o gosto pela editora\u00e7\u00e3o em uma perspectiva profissional, Leandro fala sobre os desafios do ramo. \u201cDediquei meu tempo na universidade para montar uma editora, sem entender nada do assunto. Meu trabalho final foi uma revista de filosofia (nos moldes de algumas revistas francesas), que pretendia lan\u00e7ar nas bancas de jornais. Terminei meu curso em 2002 e fui empreender, mas sem sucesso, pois minhas bases e conhecimentos de neg\u00f3cios eram muito fr\u00e1geis. Ent\u00e3o surgiu a oportunidade de trabalhar na livraria da Travessa, na qual entrei e sa\u00ed por diversas vezes, ficando ao todo por praticamente sete anos. Paralelamente \u00e0 carreira de livreiro, dediquei-me aos estudos informais de edi\u00e7\u00e3o e escrita. Eu ajudava colegas a publicar livros e acabei eu mesmo publicando alguns\u201d. Foi em 2011 sua primeira experi\u00eancia como professor em uma sala de aula: \u201cRecebi um convite da professora Michelle Sales para dar algumas aulas na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o \u2018O mercado do livro\u2019, no IUPERJ, na qual ela era a coordenadora. A convite dela, assumi a coordena\u00e7\u00e3o do curso em 2014. (&#8230;) Foi a partir de ent\u00e3o que passei a pensar no mercado editorial como um ramo de atividade, embora j\u00e1 fizesse parte dele h\u00e1 mais de 10 anos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na sequ\u00eancia, foi questionado de que modo as suas forma\u00e7\u00f5es influenciaram em sua abordagem na pesquisa, na escrita e na edi\u00e7\u00e3o de livros, assim Leandro comenta: \u201c\u00c9 importante contextualizar que, naquela \u00e9poca, eu queria ser escritor. Era a profiss\u00e3o que eu imaginava para mim, logo, os primeiros cursos que me vieram \u00e0 cabe\u00e7a foram aqueles que comumente relacionamos \u00e0 escrita: publicidade, jornalismo, letras. Por\u00e9m, ainda no segundo per\u00edodo, tive uma aula com o incr\u00edvel professor Edwaldo Cafezeiro, que tomou conhecimento da minha ambi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. Lembro at\u00e9 hoje textualmente de sua resposta ao meu coment\u00e1rio \u2018quero ser escritor, estou pensando em fazer uma faculdade de letras\u2019. Ele disse: \u201cN\u00e3o fa\u00e7a essa bobagem, menino, v\u00e1 estudar filosofia\u201d. No mesmo ano entrei para a gradua\u00e7\u00e3o em Filosofia na UERJ. J\u00e1 a forma\u00e7\u00e3o em Publicidade e Propaganda contou mais para mim como uma experi\u00eancia de vida, em um contexto em que eu saia da casa dos meus pais e vinha morar sozinho na capital do estado. Eram os anos do aprendizado de ser adulto. E como nunca quis trabalhar com publicidade, nem com jornalismo (e de fato nunca trabalhei), a faculdade serviu como um percurso formativo humano e social. Evidentemente, essa forma\u00e7\u00e3o human\u00edstica moldou grande parte do meu pensamento e da forma de abordar e interpretar a realidade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sobre a troca de experi\u00eancias no ambiente acad\u00eamico, Leandro recorda com carinho da conviv\u00eancia: \u201cFoi um dos momentos mais marcantes na minha trajet\u00f3ria profissional, especialmente a troca com os alunos, grande parte deles ainda presentes at\u00e9 hoje como colegas profissionais do livro. Muitos se tornaram editores, agentes liter\u00e1rios, revisores de textos, diagramadores, e ainda nos esbarramos. Desde minhas primeiras experi\u00eancias com autopublica\u00e7\u00e3o em 2004, percebi que eu gostava muito de ajudar as pessoas e compartilhar meus conhecimentos. Ser professor unia essas duas coisas. Por isso, desde 2011 tenho atuado como professor, sempre criando novos cursos, dando aulas, criando comunidade de pessoas interessadas em aprender mais sobre o fazer do livro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Leandro tamb\u00e9m conta sobre uma iniciativa pr\u00f3pria, o pr\u00eamio Leandro M\u00fcller de Literatura, inaugurado em 2004: \u201cPercebi que se tornou um importante instrumento de mem\u00f3ria, para que eu pudesse acompanhar minha pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o intelectual com o passar dos anos, saber que tipos de leitura eu frequentava em dado momento da minha vida e como elas me afetaram. Criei de forma que o pr\u00eamio fosse outorgado, ou seja, imposto e sem possibilidade de recusa. Claro que como uma brincadeira, pois os vencedores normalmente n\u00e3o tomam ci\u00eancia de que foram premiados e, mesmo se tomassem, n\u00e3o h\u00e1 vantagem alguma em vencer esse pr\u00eamio, salvo minha gratid\u00e3o pessoal\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sobre os desafios de se trabalhar no campo da editora\u00e7\u00e3o, Leandro opina: \u201cConsidero o mercado brasileiro muito \u2018internacionalista\u2019 e vejo isso como uma acomoda\u00e7\u00e3o dos editores, que preferem arriscar menos trazendo\/traduzindo obras j\u00e1 testadas em mercados estrangeiros. Evidentemente, n\u00e3o se pode ignorar que o p\u00fablico leitor brasileiro tamb\u00e9m tem muito interesse nos formatos importados, especialmente aqueles influenciados por outras ind\u00fastrias criativas como o cinema e os jogos. Mesmo assim, defendo que apostar mais em nossos escritores nacionais deveria ser um investimento a ser feito com mais intensidade, principalmente pelos grandes grupos editoriais. Sobre as oportunidades, muitas vir\u00e3o em decorr\u00eancia do surgimento de novas tecnologias e modos de leitura. Contudo, vejo uma tend\u00eancia da autopublica\u00e7\u00e3o e da publica\u00e7\u00e3o independente ganhar cada vez mais espa\u00e7o. Inicialmente ocupando as brechas deixadas pelo mercado editorial, mas depois, se tornando uma alternativa mais interessante para muitos autores do que se associar com editoras. \u00c9 importante que o editor mantenha-se atento para continuar sendo relevante para o p\u00fablico\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Leandro finaliza com dicas para todos os aspirantes ao setor editorial: \u201cFa\u00e7am cursos, leiam bastante, assistam tutoriais. Busquem o conhecimento formal al\u00e9m da experi\u00eancia pr\u00e1tica. Mas, principalmente, estabele\u00e7am e cultivem conex\u00f5es com profissionais. Procurem ir a lan\u00e7amentos de livros, leiam autores novos, comprem livros e criem sua pr\u00f3pria comunidade\u201d. A \u00edntegra da entrevista com Leandro M\u00fcller, em que ele comenta tamb\u00e9m sobre o processo criativo envolvido em suas atividades profissionais, estar\u00e1 dispon\u00edvel na 13\u00b0 edi\u00e7\u00e3o da Revista O QI. N\u00e3o perca!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leandro M\u00fcller (acervo pessoal) Em mais uma entrevista da s\u00e9rie que contempla estudiosos e atuantes na \u00e1rea da editora\u00e7\u00e3o, a O QI conversou com Leandro M\u00fcller, pesquisador do mercado editorial, doutor em Comunica\u00e7\u00e3o (UERJ \/ Universit\u00e9 Clermont-Auvergne), mestre em Comunica\u00e7\u00e3o (UERJ), graduado em Publicidade (UFRJ) e graduado em Filosofia (UERJ \/ Universidade do Porto). 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