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A situação dos bolsistas durante a pandemia



Devido à pandemia de Covid-19, a Universidade Federal de Santa Maria teve suas atividades presenciais não essenciais suspensas no dia 16 de março. Dentre tais atividades não essenciais está a prática e a continuidade de projetos de pesquisa, ensino e extensão. Os bolsistas da instituição adaptaram-se ao ambiente virtual e seguiram suas funções de forma remota. Mesmo com a manutenção das atividades há preocupação por parte dos estudantes com o possível corte de bolsas por causa da impossibilidade de cumprimento de carga horária presencial. 

A suspensão das atividades presenciais ainda segue em vigor em virtude do aumento no números de casos de Covid-19 no país. No dia 1º de julho, o Brasil atingiu mais de 1 milhão e 400 mil casos de infecções e passou de 60 mil mortes. Com a crescente propagação da doença, ainda não há perspectiva de volta à normalidade. Diante desse cenário, os bolsistas da UFSM que cumprem suas obrigações de forma remota têm se adaptado ao novo cenário e as limitações impostas pela pandemia. A bolsista do PET (Programa de Educação Tutorial) Enfermagem, Nathália Boff, 27 anos, relata que demorou para se adaptar com as atividades remotas. “Fazíamos tudo ao vivo o que agora tem que ser online. Demora um pouco para se concentrar mas a gente tenta aos poucos”.

Descrição de imagem: Fotografia vertical e colorida de uma mulher jovem, com faixa etária de 25 anos, que sorri. Ela está enquadrada no centro da foto, em primeiro plano. Ela tem pele negra, olhos escuros, cabelos castanho escuros, ondulados e de comprimento médio. Usa óculos escuros. Sua cabeça está levemente inclinada para a direita da imagem e direciona o braço esquerdo até a cabeça. Ela veste uma camiseta na cor rosa bebê, uma correntinha no pescoço e uma pulseira na mão direita; a corrente e a pulseira têm tom dourado. Atrás, parreiras de uva e iluminação do sol presente.
Nathália Boff é estudante de Enfermagem e participa das ações remotas do PET durante esse período

A tentativa de adaptação tem dado certo. Nathália conta que, mesmo distante, o PET Enfermagem tem pensado em formas de fornecer conteúdo para a comunidade. O programa já fez um minicurso online com professores sobre primeiros socorros e enviou material sobre o assunto para as escolas da cidade. Mesmo com o cumprimento de atividades, há preocupação com o corte nas bolsas devido à impossibilidade de realização das ações presenciais. Nathália ainda recebe o pagamento mensal, mas revela que a falta dele teria impacto financeiro e também em seu desempenho acadêmico. Ela acredita que o recebimento das bolsas é o reconhecimento do trabalho realizado durante as atividades remotas: “valoriza e também nos motiva a melhorar e crescer”, conta. 

Descrição de imagem: Card vertical em tons de azul e com elementos dispersos. No canto superior esquerdo, a frase “#VALORIZAPET” na cor branca; abaixo, uma imagem retangular com textos escritos na cor branco e salmão, divididos em três colunas intercaladas. No lado superior direito, uma imagem vertical, na cor vermelha com a frase “infecções sexualmente transmissíveis” na cor branca. Sobreposta a essa, outra imagem horizontal com a frase “Material de primeiros socorros” escrito em branco, sobre fundo de uma foto ilustrativa com um boneco posto sobre uma mesa. No canto inferior direito, uma imagem retangular com um homem branco, que aponta o dedo para cima; Atrás da imagem, o card de divulgação de um evento com o rosto do mesmo homem em destaque; o fundo é majoritariamente verde militar, com textos em branco. No canto inferior direito, uma imagem retangular com fundo azul marinho; na parte superior do card, a frase “Reunião Administrativa 20/05/2020”; abaixo um mosaico com 16 imagens; em cada imagem, o rosto de uma pessoa. Ainda no canto inferior direito e abaixo do card, sobre o fundo azul do quadro, a frase “#OPETNÃOPARA”. No centro do quadro, “PET Enfermagem” com o logo do projeto embaixo.
O PET Enfermagem já realizou diversas atividades como palestras, cartilhas e minicursos para a comunidade

Quem vive uma realidade parecida é Carine Donel de 21 anos. A estudante de Enfermagem, que também é bolsista no PET, diz que o seu maior desafio durante a pandemia é a mudança para a casa dos pais e adaptação de rotinas distintas, seja com os pais, seja com os colegas. A bolsista acrescenta: “é um desafio conseguir nos conectar e adaptar os projetos a esse distanciamento”. 

Descrição de imagem: Fotografia vertical e colorida de uma mulher com cerca de 20 anos, que sorri. Ela está enquadrada no centro da foto, em primeiro plano. Tem tem pele branca, olhos azuis e cabelos loiros, cacheados e de cumprimento médio. Veste uma regata xadrez com flores nas cores amarelo e vermelho. O fundo da imagem é esverdeado.
Assim como Nathália, a bolsista Carine Donel (foto) realiza as atividades de forma remota

Carine compartilha a mesma preocupação em relação ao corte nas bolsas. A jovem revela que o receio se deve ao atraso no pagamento mensal, bem como as cobranças do Ministério da Educação (MEC) referente às atividades remotas. “A gente sabe que trabalha em um programa que tem como pilares o ensino, a pesquisa e a extensão. Com um dos pilares prejudicados, surge o medo de não conseguir manter a carga horária necessária”, explica Carine. 

Mudança. Uma palavra que resume bem esse período para Giane Scholz Konig Machado, 52 anos, acadêmica de Pedagogia na UFSM e bolsista há mais de um ano no Museu Educativo Gamad’eça. Antes da suspensão de atividades presenciais, diariamente, ela tinha contato com o público por meio de visitas guiadas pelo espaço e demais funções no museu. Com a pandemia, sentiu necessidade de migrar para um novo ambiente, o virtual. Ela relata que durante a pandemia o foco está no planejamento de projetos que possam ser trabalhados no retorno das ações presenciais. Para isso, a pesquisa, a organização e a realização de cursos têm sido as tarefas principais de Giane: “eu fiz um curso EAD sobre acessibilidade em museu, já que a gente pensa muito nisso, em tornar o museu mais acessível”, diz. 

Descrição de imagem: Fotografia vertical e colorida de uma mulher com cerca de 50 anos. Ela está enquadrada no centro da foto, em primeiro plano, e seu rosto está em destaque. Tem expressão facial séria. Tem pele branca, olhos azuis; cabelos loiros, lisos e de comprimento médio. Usa óculos de grau com armação quadrada e bordas arredondadas, na cor rosa. Olha fixamente para a frente. Ela veste uma regata verde. A parede ao fundo da imagem é na cor branca.
Giane Scholz Konig Machado deixou as ações presenciais do museu para se dedicar aos cursos online nesse período

O período distante da maioria das tarefas rotineiras tem sido o momento de ampliar os conhecimentos. Assim como Giane, Nathália conta que tem aproveitado o tempo para o estudo de novos assuntos. “Eu aproveitei esse momento pra estudar algumas áreas que durante a graduação eu não estava conseguindo mas que eu gosto e tenho interesse”, relata a estudante de Enfermagem. 

Uma mudança díspar

Para Victória Nunes Ramos, as coisas aconteceram diferente. A estudante de Engenharia Civil teve a bolsa suspensa no início da pandemia. Ela participa do Grupo de Estudos e Pesquisas em Pavimentação e Segurança Viária (GEPPASV) que desenvolve estudos e pesquisas para a caracterização de ligantes e misturas asfálticas. O grupo também faz levantamentos sobre o desempenho estrutural e funcional de alguns trechos experimentais, além da disseminação do conhecimento por meio de cursos de graduação e pós-graduação da UFSM e a prestação de serviços e atualização à comunidade geral. 

Descrição de imagem: Fotografia vertical e colorida de uma mulher jovem, cerca de 20 anos. Ela está enquadrada no centro da foto, em primeiro plano, e sorri. Tem pele branca, olhos verdes; cabelos loiro escuro, lisos e de comprimento médio. Sua cabeça está levemente inclinada para a esquerda da imagem e o cabelo cobre o ombro esquerdo. Usa uma corrente dourada com a palavra “Victória”. Ela veste uma blusa tomara que caia na cor azul marinho. O fundo da imagem é composto por paredes na cor bege.
Victória Nunes Ramos está com a bolsa suspensa durante a pandemia

O GEPPASV trabalha suas pesquisas no Laboratório de Materiais de Construção Civil, localizado no campus de Camobi. Victória conta que o laboratório recebe bolsas tanto da graduação, quanto da pós-graduação, além de estágios remunerados da Petrobras que funcionam como uma iniciação científica. Neste ano, a estudante de Engenharia Civil começou a bolsa Petrobras, que é a grande financiadora dos projetos, principalmente no que diz respeito aos equipamentos de alto custo. Mas, com a pandemia devido ao Covid-19, todas as bolsas Petrobras foram suspensas com o cancelamento do contrato, até a situação se normalizar. Segundo Victória, os bolsistas da graduação ajudam na pesquisa dos pós-graduandos que agora, na fase de ensaios precisam de auxílio. 

Descrição de imagem: Fotografia horizontal e colorida. No primeiro plano da imagem, uma mesa branca com doze cilindros na cor cinza, numerados aleatoriamente; dois deles, um na extremidade direita e outro na extremidade esquerda, possuem discos na cor prateada na parte superior e inferior. Ao fundo, 10 cilindros de largura e altura maiores e de cor preta; também são numerados aleatoriamente. Acima deles, alguns cilindros na cor bege, estão dispostos de forma que a parte redonda do cilindro apareça na imagem. Ao fundo, uma parede bege.
O GEPPASV faz pesquisas sobre Pavimentação e Segurança Viária

No caso de Victória, a bolsa é importante para o pagamento de contas visto que a estudante é de Santiago e tem despesas em Santa Maria como aluguel, internet e condomínio que continuam com as cobranças independente da pandemia. “Como estudo em dois turnos, as bolsas são a opção mais viável para nos ajudar nas despesas”, explica. Para a  jovem, o GEPPASV é a oportunidade de ter conhecimentos que ela não tem somente com as disciplinas da graduação: “É algo que conta bastante na hora dos processos seletivos para quem quer seguir na área acadêmica, que é o meu caso”.

Ações de Extensão em andamento

O Edital do Fundo de Incentivo de Extensão (FIEX) também sofreu alterações. No período de suspensão das atividades presenciais na instituição, não existem bolsistas vinculados ao edital. O FIEX consiste em selecionar e fomentar as atividades de extensão da UFSM, e propicia a participação da comunidade acadêmica no desenvolvimento de ações de extensão com aporte de recursos institucionais. O edital do projeto é lançado anualmente, ou seja, o Edital FIEX 2020 foi lançado em dezembro de 2019. Segundo o Pró-reitor de Extensão, Flavi Ferreira Lisboa Filho, foram feitas todas as etapas de inscrição, submissão, avaliação e publicação do resultado final, mas ficou suspensa a seleção de indicação de bolsistas. “Não existem bolsistas de extensão vinculados ao edital porque ele não entrou em funcionamento”, relata Flavi. 

Além do FIEX, outros editais da Pró-reitoria de Extensão estão suspensos, como o Observatório de Direitos Humanos e o Geoparque. Esses editais tinham um prazo de submissão que era posterior a data de publicação da primeira Portaria do Reitor que decretou as atividades remotas. O Pró-reitor explica: “Esses editais só vão retornar depois que as atividades presenciais forem retomadas, até lá, eles estão suspensos mas recebendo as inscrições de quem quer postular seus pleitos”. 

Flavi Ferreira Lisboa Filho também explica que para a retomada de atividades presenciais das ações de extensão, é necessário desenvolver alguns protocolos inerentes à um plano de retorno da UFSM. “Talvez nós consigamos retornar algumas ações de extensão antes da retomada de disciplinas relativas ao ensino em si”, completa. 

Para a retomada, é preciso definir um protocolo de retorno. Uma das condições fundamentais é a designação de uma comissão de biossegurança da universidade que vai determinar quais os procedimentos que devem ser adotados por todos para garantir a segurança dos participantes da ação, sejam eles docentes, técnico-administrativos em educação, estudantes ou o público atendido. “Nós estamos nesse estágio: indicação da comissão de biossegurança e pensando em protocolos”, afirma Flavi sobre o planejamento de tomada gradual com aqueles que se sentem em condições de retornar fazendo os devidos ajustes. 

Apesar do trabalho que vem sendo feito pela Pró-reitoria de Extensão, Flavi esclarece que a retomada ainda está na fase de organização e de planejamento: “Vai estar liberado depois que nós publicarmos uma instrução normativa que oriente os coordenadores da ação quanto a isso. Mas é fundamental nós termos as indicações da comissão de biossegurança para que isso aconteça”. 

Enquanto a retomada das ações de extensão está sendo planejada, outras iniciativas foram pensadas nesse período. A Pró-reitoria de Extensão lançou um edital específico para fomentar Ações de Extensão que visem o enfrentamento, prevenção e combate ao Covid-19. Até 30 de junho, foram 28 ações contempladas e 46 bolsas estudantis. Mais uma ação que tem se adaptado às mudanças que a pandemia de Covid-19 impôs na UFSM e na realidade de alunos e servidores da universidade. 

Descrição de imagem: Captura de tela colorida do site da Pró-Reitoria de Extensão. Na parte superior e ao centro de uma faixa fina na cor cinza claro, a frase “Submissão de propostas”. Do lado esquerdo, a frase “Chamada Pública” em destaque; abaixo, “Apoio a ações de extensão relativas à Covid-19”, seguido por uma linha horizontal fina e, abaixo, “Seleção de ações de extensão voltadas à prevenção, cuidados, combate e enfrentamento do novo coronavírus” e “Inscrições a partir de 30/04/2020 (fluxo contínuo), através do e-mail:”. Embaixo das escritas, há uma caixa retangular na cor roxa com o texto: “cafe.pre@ufsm.br; abaixo, fora do retângulo, “Para mais informações, consulte o edital”. Ainda do lado esquerdo da imagem e abaixo dos textos anteriores, uma ilustração colorida com um homem à esquerda, segurando um escudo azul na mão direita e uma espada prata na  mão esquerda. Ele está com o corpo inclinado para frente e para a esquerda da ilustração. Tem a pele negra e cabelo preto. Usa uma camiseta amarela e uma calça roxa; usa uma máscara preta no rosto. No centro da ilustração, o logo da UFSM. Do lado direito da ilustração, uma mulher de pele branca, segurando uma espada na mão direita e um escudo na mão esquerda. Tem cabelos longos e azuis. Usa uma camiseta rosa e uma calça amarela. Apoia a perna direita em uma pedra azul. O fundo é branco, com seis elementos rosas no formato de vírus. Abaixo da ilustração, um botão retangular azul com o texto: “Acesse a Chamada 07/2020. Aqui!.”, na cor branca. Do lado direito da imagem, em azul: “A chamada visa apoiar e incentivar ações de extensão desenvolvidas com objetivo de contribuir com a prevenção, cuidados, combate e enfrentamento à pandemia do novo coronavírus (COVID-19).” “As inscrições serão recebidas em regime de fluxo contínuo enquanto perdurar o período de pandemia do COVID-19 e conforme disponibilidade de recursos orçamentários.” “As propostas deverão ser encaminhadas para o e-mail cafe.pre@ufsm.br, com assunto: proposta (nº registro) – nome da ação – chamada 07/2020”. O fundo da captura de tela é branco.
A Pró-reitoria de Extensão lança edital para estimular Ações de Extensão na Universidade

Mudanças e impactos na saúde mental 

Carine Donel, Nathália Boff e Giane Machado. Três bolsistas que exercem suas atividades de forma distintas durante a pandemia, mas compartilham dos mesmos desafios: a mudança e a adaptação. As alterações na rotina de quem não pode mais fazer suas atividades presencias acarreta em dificuldade de adaptação ao novo cenário. A psicóloga Paula Biazus explica que a demora para se adaptar não é um problema, visto que foram muitas mudanças em um curto espaço de tempo. “É preciso assentar as informações, que são muitas, para então organizarmo-nos”. Segundo ela, para isso, é importante entender o ritmo, as prioridades e especialmente o que pode ser feito para se adapar. “É preciso entender também nossa relação com o controle dos fatores, nem tudo está ao nosso alcance e entender o que podemos fazer e como podemos fazer é mister nessa situação”, complementa. 

Quanto às mudanças bruscas e impacto na saúde mental, Paula Biazus revela que diversas pesquisas são conduzidas para aprimorar o entendimento sobre o assunto: “Do que já se sabe, tanto das investigações atuais quanto do acumulado científico é que sim, há possibilidade de impacto; entretanto, há também a superação como horizonte”. Para a psicóloga, um dos agravantes para tais questões é a velocidade de informações e a ansiedade por elas provocada. “Parece que não conseguimos mais lidar com o tempo e que a demora na compreensão das coisas e situações implicasse em perdas ou falhas”, ressalta Paula Biazus. Para ela, apesar de não se saber muitas coisas sobre a pandemia, pode-se trabalhar com o que já existe. Dessa forma, é possível dividir as responsabilidades. 

A psicóloga Paula Biazus dá algumas dicas que podem ajudar a lidar com mudanças e adaptações: entender o que é prioridade, manter os horários mais próximos possível da rotina antes do isolamento social e ter momentos para descansar. Também é importante cuidar da alimentação, sono, exposição ao sol – necessário para produção de melatonina (hormônio produzido após nossa exposição ao sol e que auxilia na indução do sono) e de vitamina D – a qual tem diversas funções no organismo. “Precisamos aprender a gerir nosso tempo, bem como observar que não estamos sozinhos – entender para o que precisamos de ajuda pode ser um dos maiores ensinamentos desse período”, completa a psicóloga. 

Reportagem: Thais Immig

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