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TV Campus e TV OVO voltam à rotina de produção



Fotografia colorida de um auditório, pela perspectiva de quem está no palco. Diversas poltronas azuis escalonadas por altura, todas vazias, estão divididas por dois corredores. Ao centro da imagem, no aglomerado maior de cadeiras, um homem utiliza uma câmera; ao seu lado uma mesa com um computador. No aglomerado de poltronas da esquerda, um homem com chapéu na cabeça utiliza uma câmera. Ao fundo, centralizado, um homem está sentado na ilha de edição. Na parte inferior da imagem, o limite do palco com duas caixas de som, uma à esquerda e outra à direita. Na parte superior da imagem, um mezanino com mais poltronas. Diversos spots de luz branca iluminam o auditório.
Auditório do Centro de Eventos vazio durante uma gravação. Foto: Vitor Ceolin

Com a declaração da pandemia pela Organização Mundial da Saúde, em março de 2020, assistimos a suspensão de filmagens, o fechamento dos cinemas e o cancelamento das estreias de filmes. Depois de algum tempo, as filmagens voltaram a acontecer, com protocolos de biossegurança de forma a proteger os participantes das gravações,  festivais de cinema ocorreram de forma online e o streaming cresceu. E você já se perguntou como ficaram as produções audiovisuais locais? Como a UFSM e a cidade de Santa Maria têm tratado isso? Para tentar entender essa situação, ouvimos integrantes do Estúdio 21 e da TV Campus, que atuam dentro da UFSM, e da TV OVO, tv comunitária de Santa Maria.

A produção audiovisual na TV Campus

A TV Campus, que em 2021 completa 26 anos, foi a primeira televisão universitária a exibir conteúdo via cabo no país e tem a  missão de difundir, através do audiovisual, as atividades e o conhecimento científico das áreas de ensino, pesquisa e extensão da UFSM.  A equipe da TV Campus possui nove servidores, dois contratados e oito acadêmicos. Para entender como foi o trabalho da emissora nesse tempo de pandemia, conversamos com o diretor da TV, Gabriel Machado Soares. 

Em março de 2020, quando todos tiveram que trabalhar de casa, a TV Campus parou totalmente as gravações até entender como ocorreriam  as atividades dali para frente. Aproveitaram o tempo para editar e finalizar as gravações já feitas, além de reorganizar as rotinas. O maior impacto foi não estar mais no Campus para produzir as imagens, além de ter ficado sem a infraestrutura dos estúdios de gravação e salas de edição. Soares ressalta que a produção da TV Campus, depois de um período de crescimento, caiu muito em 2020.  Primeiro pela questão da impossibilidade de trabalhar no campus, a saída de um local com  infraestrutura e a ida para casa. E segundo, o conteúdo que estava sendo produzido antes da pandemia, perdeu o sentido, isso porque  passaram a ter uma pauta única, a Covid-19.

O diretor informa que antes havia três tipos de produções: conteúdo original, 100% produzido pela TV Campus; coproduções – conteúdo que a emissora se envolve na produção, mas não é exclusivo da TV Campus; e o conteúdo compartilhado, que é produzido por outras instituições, mas com relevância para o público da emissora. Soares destaca que produziam um programa de entrevistas no estúdio e faziam uma espécie de curadoria de conteúdo de outras instituições no programa Rede IFES, no qual as aberturas eram gravadas na TV Campus. O programa Cine Nacional também exigia da equipe a seleção de curtas-metragens de todo o Brasil e a gravação da abertura e encerramento das exibições.

A pandemia de Covid-19 foi  pauta única durante todo o primeiro semestre de 2020 e parte do segundo semestre também. Primeiro, os temas tratavam de dúvidas sobre  a doença, quais seus sintomas, como se proteger, entre outros aspectos. Depois foram mostradas as ações desenvolvidas pela UFSM para enfrentar a pandemia. Aos poucos voltaram  formatos já existentes, como o ‘TVC’, um jornal com o dia a dia dos acontecimentos na Universidade. No final de 2020, o ‘TV Campus Entrevista’ foi reformulado e reestreou em fevereiro de 2021 , com todos envolvidos em trabalho remoto: produtor, convidado, apresentador e editor. O ‘Elas na Ciência’ é um programa novo que foi criado durante a pandemia e vai para a segunda temporada.

Fotografia colorida de um homem de cabelo curto e castanho, sem camisa no meio do palco iluminado. Ele está agachado de joelhos, em cima de uma porção de terra. À direita uma pilha de folhas secas e algumas rosas vermelhas. À esquerda um amontoado de folhas secas. Ao fundo, tudo está escuro.
Ator no palco durante a gravação do Palco Online. Foto: Vitor Ceolin

A TV Campus fez alguns trabalhos presenciais nesse período pandêmico, como os espetáculos do ‘Palco Online’ e o ‘Concerto de Inverno’, coproduções com a Pró-reitoria de Extensão (PRE) e com a Coordenadoria de Tecnologia Educacional (CTE). Soares enfatiza que havia condições adequadas aos protocolos de biossegurança da Universidade. Apenas servidores envolveram-se nestas produções. O diretor da TV Campus conta que estava em  pré-produção um documentário sobre os 50 anos do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM). Entretanto, a partir de conversas com médicos, diretores e assessoria, foi decidido não prosseguir com a produção. 

Soares destaca que as mídias da TV Campus cresceram muito devido à procura crescente por conteúdo audiovisual: “Nosso canal no YouTube dobrou de tamanho nesse período, e o canal começou em 2012, a gente conseguiu mais seguidores nesse um ano do que nos outros oito anos.” A produção da emissora disponibilizada no canal 15 da Net também está disponível em seu canal do Youtube, no Farol da UFSM, e alguns conteúdos estão disponíveis  no Facebook da TV Campus. Desde maio de 2021 a TV Campus tem um bloco de 30 minutos na TV Câmara de Santa Maria, canal aberto 18.2, no qual apresenta programas, reportagens e documentários, que mostram os projetos de pesquisa, ensino e extensão e divulgam as ações institucionais e da comunidade acadêmica. 

Ainda não é possível visualizar o retorno do Estúdio 21

O Estúdio 21 é mantido pelo Departamento de Ciências da Comunicação e abriga espaços para a pesquisa e a produção eletrônica. Inclui estrutura de estúdio, gravação e edição de materiais para televisão, rádio e outras plataformas digitais. A equipe do Estúdio 21 é formada por sete servidores e ainda conta com bolsistas, estagiários e voluntários. 

O diretor de produção Felipe Dagort destaca que o Estúdio 21 parou totalmente durante a pandemia: “Fizemos pouquíssimos trabalhos, mais voltados ao institucional, só com gravação de reuniões e fotos, nada com grandes produções.”. Dagort diz que ainda  não consegue visualizar um possível cenário de retorno, devido ao espaço físico do estúdio. Como as salas são pequenas, as atividades presenciais com alunos ficam prejudicadas: “A produção de vídeos para a Universidade talvez possa voltar, mas as aulas é muito difícil”, finaliza.

A TV OVO se adaptou e continuou a produzir

A TV OVO é uma associação sem fins lucrativos criada em 1996 por Paulo Tavares e um grupo de adolescentes que, na época, participavam de oficinas ministradas por ele. Atua na formação audiovisual de jovens, na produção de vídeos comunitários,  curtas-metragens e no registro da memória santa-mariense. Desenvolve projetos e oficinas em comunidades periféricas e escolas públicas, além de realizar cursos de formação, cineclube e núcleos de vídeo comunitário. 

O integrante do conselho fiscal da entidade e documentarista Marcos Borba explica que quando a pandemia foi declarada, as atividades foram paralisadas por quatro meses – de março a julho de 2020. Nesse período começaram a organizar as atividades de forma online, passaram a fazer reuniões semanais e realizaram um colóquio sobre Audiovisual e Representatividade Negra com a participação do ator Flávio Bauraqui.

A realização das oficinas foi cancelada devido à suspensão das aulas presenciais, e foi preciso pensar em uma forma de ensinar como produzir audiovisual. Borba destaca que resolveram criar a série ‘Luz, skate e ação’ no Youtube para ensinar sobre a produção de audiovisual, com uma linguagem simples. A série tem seis episódios. O personagem é um youtuber, que não sabia nada de audiovisual e passa a pesquisar e compartilhar o tema com seus seguidores. O primeiro episódio aborda a ideia tida pela personagem e a criação do roteiro; o segundo traz a pré-produção da série; o terceiro aborda a direção de fotografia; o quarto trata da direção de arte, da gravação e da decupagem; o quinto ensina sobre a edição e finalização; e o último episódio aborda a exibição. Para as gravações, que aconteceram entre setembro e outubro de 2020, utilizaram os protocolos de segurança, como lugares ventilados, uso de máscaras e álcool em gel e uma equipe reduzida  (o ator e mais quatro pessoas, com apenas três na sala de gravação). Os ensaios foram online para minimizar os riscos de contágio. A edição e finalização foi online: os editores faziam o trabalho em casa, mandavam a versão para o resto da equipe, que assistia e pedia os ajustes necessários. Depois dos cortes, a edição pronta ia para finalização. Você  pode assistir a série em: Luz, Skate, Ação!

Fotografia colorida de um rapaz de pele parda, cabelo castanho e curto, sentado atrás de uma mesa, apoiando suas mãos sobre um caderno. Ele está centralizado na imagem e veste uma camiseta cinza. Em destaque, centralizado, adicionada na imagem, a informação “Luz, skate, ação!” na cor verde. Logo abaixo, a informação “Episódio 1” na cor branca. A esquerda da mesa uma luminária azul e algumas canetas coloridas. Ao centro um fone de ouvido preto e cinza e alguns post-its coloridos. À direita um notebook cinza com alguns adesivos colados. Ao fundo, à esquerda uma parede branca com alguns quadros, um violão e um cabideiro com roupas; ao centro uma cortina branca e à direita uma parede branca com alguns quadros, uma cama, um skate e duas prateleiras.
Capa da série Luz, skate, ação! Imagem: divulgação TV OVO

A série TBT foi criada a partir do documentário sobre recuperação de memória, que estava em produção e também precisou de adaptações.  A equipe então decupou todo o arquivo dos últimos anos,  pescou histórias e apresentou uma série audiovisual, chamada TBT por onde passa a história da cidade. Essas medidas foram tomadas para proteger a equipe da TV OVO e as pessoas que seriam  entrevistadas, já que  são mais velhas,  que fazem parte dos grupos de risco da Covid-19.

No momento, apenas uma colaboradora vai presencialmente à TV OVO, os demais só quando é necessário. Segundo Borba, “Tem muita gente em home-office que tá nas suas cidades, porque a gente tem voluntários de outras cidades e hoje são feitas algumas gravações, mas todas elas externas”. Na produção de documentários, as gravações têm ocorrido em ambientes abertos, com boa circulação de ar e com material de proteção adequado: máscaras PFF2, óculos de proteção, álcool em gel para higienização e equipes pequenas. A pré e a pós-produção continuam acontecendo de forma remota. Borba destaca que: “Acho que isso é uma das coisas que a pandemia ensinou, que a gente consegue trabalhar remotamente, conversar, ter ideias, organizar uma produção não necessariamente estando frente a frente”. Entretanto, destaca que nada substitui o contato, embora seja possível seguir as produções de forma virtual.

Sobre as perspectivas do futuro, Borba acredita que vão conseguir fazer trabalhos em modelo híbrido, especialmente os colóquios, será possível ter a participação de diversas pessoas que não conseguiriam estar em Santa Maria, seja por questões de agenda ou pela falta de recursos financeiros. O documentarista relata que “essa troca de experiências com pessoas que têm conhecimento muito, muito bom e não necessariamente vão se dispor a se deslocar até aqui”. Um documentário sobre o ‘Bric da Vila Belga’ está em pré-produção e, por enquanto, a equipe realiza entrevistas de forma remota, para entender melhor o tempo que será necessário para gravar com os participantes.

Borba expõe que uma das suas preocupações é  sobre as sessões, seja no cinema ou nas exibições cineclubistas, que a TV OVO faz. “Tenho um pouco de dúvida e talvez a pandemia tenha machucado um pouco essa nossa relação porque a gente passou a consumir muito mais audiovisual em várias plataformas sozinho. A ideia de ficar todos juntos em silêncio assistindo um filme, talvez isso seja um pouquinho mais complicado”, relata Borba.

Em 2021, a TV OVO trabalha em seis documentários, um colóquio sobre o tema “Audiovisual e Questões Socioambientais”, em formato de live, três workshops na área do audiovisual, realização de duas sessões de cinema em espaços públicos e exibições cineclubistas, com exibição de produções gaúchas independentes. Mesmo que as escolas voltem integralmente às atividades presenciais, as oficinas nas escolas não retornarão ao presencial em 2021.

 

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Reportagem: Cadiani Lanes Garcez

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