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FUTURO DA CONSTRUÇÃO CIVIL



Fotografia horizontal, colorida, em primeiro plano, de uma Impressora 3D. A impressora é da cor preta, com bico azul, tem elementos metálicos e está sobre uma mesa branca. O bico da impressora está perto das camadas de concreto. O concreto é cinza e ondulado, e forma um círculo. Ele está em cima de um suporte de MDF apoiado em uma plataforma branca. No fundo da imagem, uma parede branca do laboratório, e ao lado, uma mesa branca com um equipamento não identificado nas cores cinza e roxo.

Impressão em concreto promete ser o futuro da construção civil. Foto: Luísa Monteiro/Acervo do Centro de Tecnologia

“Esse vai ser o futuro da construção civil?”. Foi o que um grupo de pesquisadores da UFSM se perguntou ao assistir uma palestra sobre concreto digital.  A perspectiva futurista e a vontade de estudar mais o assunto, motivaram os pesquisadores. Eles idealizaram um projeto e o tiraram do papel o mais rápido possível para colocar a UFSM dentro do “boom” da impressão 3D de concreto. Assim nasceu o projeto NanoCem3D, que estuda a manufatura que promete trazer o futuro para dentro da nossa universidade. 

No final de 2021, o Grupo de Estudos em Materiais Sustentáveis para Construção (GEMASC), iniciou as tratativas para a busca de recursos e compra da impressora 3D. A partir daí, alguns dos pesquisadores direcionaram seus esforços para o estudo da impressão de concreto. A ideia do projeto é contribuir para tornar a construção civil um campo mais sustentável. O professor e orientador do projeto, Erich Rodríguez, conta a importância de trabalhar com a indústria automatizada para proporcionar uma construção mais rápida e com menos desperdício de resíduos. Segundo Rodríguez, “nosso objetivo é tentar resolver esses problemas a longo prazo, porque a indústria digital pode ser uma boa alternativa”. 

A nova tecnologia surge em oposição aos materiais tradicionalmente utilizados na construção civil. Embora ela seja relativamente recente e ainda muito cara, a impressão de concreto tem enorme potencial de desenvolvimento de mercado. Os pesquisadores trabalham com uma peça deste quebra-cabeça. Eles precisam estudar o processo em microescala para que, eventualmente, possa ser implementado em grande escala. Para contribuir com o aperfeiçoamento econômico desta tecnologia, são desenvolvidas pesquisas sobre materiais, parâmetros, softwares e processos.

Fotografia horizontal colorida, em primeiro plano de um laboratório. Na extremidade direita da imagem,  um notebook preto,  aberto. Na tela, o programa que controla a impressora, com o modelo em 3D do molde de concreto nas cores vermelha, verde e azul. Em segundo plano está a impressora 3D. Ela é da cor preta, tem elementos metálicos e está sobre uma mesa branca. No fundo da imagem, elementos que compõem o laboratório. Na extremidade direita, um pano azul marinho que cobre alguns equipamentos. Ao lado, uma porta cinza, aberta com o corredor desfocado. Na parte esquerda da foto, um armário de madeira.
A impressora é comandada diretamente pelo software do computador. Foto: Luísa Monteiro/Acervo do Centro de Tecnologia

A doutoranda em Engenharia Civil e pesquisadora do projeto, Tuani Zat, conta que na construção civil ainda se utilizam processos ultrapassados e que o objetivo do estudo é inovar na produção. A automação da construção, a longo prazo, é mais benéfica ao meio-ambiente do que o método tradicional,  reduz a mão de obra e diminui o desperdício de materiais.

Um dos motivos de buscar alternativas para a utilização de concreto é a preocupação com a emissão de dióxido de carbono e com o alto consumo do clínquer, principal constituinte do cimento e um grande poluidor. Dentro do GEMASC, os pesquisadores trabalham com materiais alternativos desde 2018 e, no último ano, a equipe decidiu começar os estudos na área de impressão de concreto em 3D.

O projeto foi dividido em três frentes de pesquisa: uma com argamassa mais básica para que possam estudar as propriedades mecânicas do material – processos de corte, camadas e etc -, uma que testa o processo de impressão com geopolímeros – ligantes alternativos produzidos a partir de resíduos – e uma que que trabalha com cimento branco para estudar questões decorativas. Além disso, a equipe testa quantas camadas o material suporta, em quanto tempo ele consegue imprimir e outras particularidades.

No dia a dia,  o grupo escolhe o foco de pesquisa que eles irão se dedicar naquele momento e depois definem seus objetivos. Antes de tudo, constituem uma mistura que seja imprimível na máquina, para depois estudar suas diversas propriedades e encontrar a consistência perfeita.

Fotografia horizontal, colorida, em plano geral de duas mulheres com propriedades de um concreto. A mulher, em primeiro plano, está de perfil. É branca, tem cabelos castanhos presos em uma trança, veste um jaleco branco e usa luvas de plástico azul. Nas mãos, segura um recipiente redondo e metálico, que está inclinado para baixo. Ao lado dela, outra mulher, em segundo plano. Ela é branca, tem os cabelos loiros claros e soltos, veste um jaleco branco, usa luvas de plástico azul e óculos de grau na cor dourada. Ela segura o cabo de uma espátula que está dentro do recipiente redondo. O recipiente despeja o concreto líquido e cinza em uma forma pequena e branca. A forma está em cima de um disco de ferro, na cor cinza chumbo. No fundo da imagem, paredes brancas e armários cinzas de metal com caixas de papelão. Entre os armários e a parede tem tubos de PVC e tábuas de madeira.
Antes da impressão, as pesquisadoras testam as propriedades do concreto. Foto: Luísa Monteiro/Acervo do Centro de Tecnologia

Para realizar a impressão, os pesquisadores precisam pensar em um material que tenha bom desenvolvimento, pouco desperdício e seja funcional com um tempo rápido de produção. A equipe testa diversas misturas, alterando suas propriedades até encontrar a condição que atinja os objetivos delimitados para aquele estudo. O orientador do projeto costuma nortear a composição da mistura e a doutoranda Tuani Zat é responsável por organizar a equipe e designar as tarefas de cada um. 

Cimento sustentável 

A doutoranda da UFSM, Tuani Zat,  trabalha com a impressão 3D de materiais cimentícios mais sustentáveis para a construção civil. Ela explica que o cimento como o utilizamos hoje é um grande emissor de CO² e, além de gerar muitos desperdícios, o processo de produção é ultrapassado. Zat possui histórico com pesquisas em materiais sustentáveis devido ao seu trabalho de mestrado na produção de cerâmica vermelha a partir de resíduos.  Para ela, é fundamental que a UFSM incentive tecnologias que prezam por um futuro melhor e inovem dentro da construção civil.

Fotografia horizontal, colorida, em plano médio, de uma mulher no laboratório. A mulher é branca, tem os cabelos loiros e soltos, veste um jaleco branco, usa luvas de plástico azul e óculos de grau na cor dourada. O olhar está direcionado para uma impressora 3D. A impressora 3D é preta, tem elementos metálicos e está sobre uma mesa branca. Na parte esquerda da imagem, uma mesa de azulejo branco, com uma balança e moldes de concreto em cima. À direita, moldes de concreto de tamanhos diferentes em cima de uma mesa branca. Ao fundo, estão as paredes brancas do laboratório.
Tuani Zat fez seu mestrado e está executando seu doutorado pelo Programa de Pós Graduação em Engenharia Civil (PPGEC) na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

Em seu projeto de doutorado, ela trabalha com a funcionalidade da impressão com materiais sustentáveis através dos estudos da reologia do material. Zat modifica as propriedades a níveis micro e nano que alteram as especificidades do material final. A viscosidade, tensão, força aplicada e etc são características que não importam nos métodos tradicionais e que, para a automação, necessitam de mais estudos. Ela afirma que seus objetivos são produzir materiais alternativos e um laudo de que são viáveis para a impressão: “Queremos viabilizar o uso de diferentes materiais na construção da forma mais sustentável possível”. 

Cinza Volante

A graduanda em Engenharia Civil, Maria Fernanda Dornelles Howes, desenvolve seu Trabalho de Conclusão de Curso dentro do projeto de impressão de concreto em 3D. Howes utiliza o geopolímero, material obtido através de resíduos, em sua pesquisa. Ela trabalha com a cinza volante, encontrada na fumaça da queima de carvão mineral. O material, que seria descartado pela indústria, é destinado para produção de concreto alternativo. Outro benefício para a utilização da cinza volante seria a renovabilidade, uma vez que é obtida na queima de carvão mineral, sendo possível sempre se obter mais sem gerar escassez.

Fotografia horizontal, colorida, em plano médio de duas mulheres no laboratório. A mulher, em primeiro plano, está de perfil, é branca, com uma expressão de felicidade, tem cabelos castanhos, presos numa trança. Veste um jaleco branco e usa brincos de pérolas brancas. Nas mãos, uma ferramenta não identificada na cor cinza, encosta em um tubo cinza escuro de uma impressora 3D. Ao lado dela,  outra mulher, em segundo plano. Ela está de frente, é branca, tem os cabelos loiros claros. Veste um jaleco branco e  usa luvas de plástico azul e óculos de grau na cor dourada. As mãos estão encostadas no tubo da impressora. A impressora é da cor preta, tem elementos metálicos e está sobre uma mesa branca. No fundo da imagem, um notebook na cor prata. As paredes do laboratório são brancas.
Fotografia horizontal, colorida em plano geral de duas mulheres em um laboratório. Na parte esquerda da imagem,  uma mulher branca, com cabelos loiros e soltos. Veste um jaleco branco e usa luvas de plástico azul e óculos de grau na cor dourada. Ela segura um tubo cinza. Ao lado dela, uma mulher branca, com cabelos castanhos presos em uma trança. Ela veste um jaleco branco com a logo do Grupos de Estudos em Materiais Sustentáveis na Construção (GEMASC) em laranja no peito. As mãos estão sobre um notebook cinza. O notebook está sobre uma mesa de azulejo branco. Na mesa, tem uma impressora 3D, na cor preta, um carregador de notebook, uma garrafa térmica, na cor bege, uma garrafinha de água, na cor laranja, e duas xícaras de café, nas cores preta e marrom. Ao fundo, as paredes brancas do laboratório e uma porta entreaberta, na cor cinza.

Reportagem: Ana Luiza Dutra e Luísa Monteiro

Fotos: Luísa Monteiro

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