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				<title>O FAZER ARTÍSTICO E A FALTA DE ESPAÇOS ADEQUADOS PARA PRATICAR</title>
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				<pubDate>Fri, 09 Sep 2022 21:34:37 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[27ª Edição]]></category>
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						<description><![CDATA[Estudantes do Centro de Artes e Letras da UFSM reivindicam seus espaços de ensino Quando os estudantes de Artes Cênicas e Teatro da UFSM achavam que voltariam à normalidade do ensino presencial, no início de abril de 2022, foram surpreendidos por outro entrave: a inadequação do seu principal material de ensino, o teatro Caixa Preta. [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph {"align":"center"} -->
<p class="has-text-align-center"><em>Estudantes do Centro de Artes e Letras da UFSM reivindicam seus espaços de ensino</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Quando os estudantes de Artes Cênicas e Teatro da UFSM achavam que voltariam à normalidade do ensino presencial, no início de abril de 2022, foram surpreendidos por outro entrave: a inadequação do seu principal material de ensino, o teatro Caixa Preta. Desde 2016, o local, destinado a atividades artístico-culturais com espaço para aulas e espetáculos, possui problemas de infraestrutura que até hoje não foram resolvidos completamente. Em busca de soluções para a adversidade, os alunos realizaram protestos e reuniões junto à Direção do Centro de Artes e Letras da Universidade.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"align":"right","id":3714,"width":259,"height":339,"sizeSlug":"full","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image alignright size-full is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2022/09/textoteatro.jpg" alt="Foto vertical colorida do protesto realizado pelo teatro Caixa Preta. Ao centro, um grupo de alunos, cinco pessoas em pé e quatro sentadas, seguram velas, uma coroa de flores brancas e uma faixa branca escrita em preto a frase “O caixa é nosso”. Os estudantes, cinco garotas e quatro garotos, vestem em sua maioria roupas na cor preta e expressam tristeza em seus rostos. O local possui chão de cimento com paralelepípedos retangulares e ao fundo uma porta de vidro com estrutura em aço azul, que possui um cartaz amarelo pendurado com a frase “Não confunda a reação do oprimido com a violência do opressor” em preto. No lado esquerdo da foto, uma parede amarela se estende ao final da porta e os alunos estão posicionados em cima de dois degraus. " class="wp-image-3714" width="259" height="339" /><figcaption>Estudantes do CAL manifestando luto. Foto: Cristine Michelin</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph {"align":"left"} -->
<p class="has-text-align-left">O ato “Caixão de Lembranças”, realizado no dia 1 de junho, foi a primeira tomada de atitude pelos acadêmicos para que a situação de descaso com o espaço não fosse deixada de lado. Entre os objetivos havia a necessidade de unir forças entre os alunos para levar o problema da falta de espaços adequados para a realização das aulas e espetáculos até a Direção do CAL. Os discentes usaram a metáfora do enterro em seu manifesto para exemplificar sua visão e sua relação com o teatro: como se fosse preciso sepultar um corpo morto para que pudesse renascer. Como resultado, uma reunião entre os docentes e alunos de todos os cursos que demandam do Caixa Preta foi marcada para o dia 8 de junho, a fim de debater os próximos passos.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>No encontro, discutiu-se qual seria a melhor maneira de conduzir os direcionamentos necessários e, assim, entender as delimitações impostas naquele momento. A partir disso, uma comitiva foi criada entre os cursos de Dança, Música, Teatro e Artes Cênicas, com coordenadores e estudantes, além de representantes do centro e dos departamentos. A estudante de Teatro, Natália de Souza, que participou das ações citadas, expõe se sentir negligenciada e explica que o Caixa Preta não é apenas um lugar para espetáculos e sim o material pedagógico desses cursos e que, em sua falta, o ensino fica defasado.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Além da estrutura: o drama da pandemia</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>No dicionário Oxford Languages, a palavra drama é considerada como “uma situação ou sequência de acontecimentos em que predomina conflito de emoções, e pode incluir tumulto, agitação etc”. Entretanto, dentro do universo teatral seu significado é relativo, tanto o gênero quanto o próprio conflito da ação cênica podem ser interpretados em seu uso. Desta forma, é inegável a ligação direta dessa palavra com o teatro, e é assim que os alunos encaram as dificuldades.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O isolamento social, ocorrido por dois anos no Brasil, resultou em diferentes visões sobre o ensino superior artístico, principalmente por possuir uma grade curricular majoritariamente prática. A discente de Artes Cênicas, Isadora Diesel, ingressou na Universidade no ano de 2022, quando os cursos retornaram à normalidade. Assim, ela relata vivenciar um sentimento bom, por considerar o começo do curso como o mais importante para a adaptação. Entretanto, a aluna de Teatro e integrante do Diretório Acadêmico, Sofia Dotto, comenta se sentir desmotivada com a forma que esse retorno aconteceu. Isso porque, após o tempo pandêmico, se esperava que a retomada de todas as atividades ligadas ao aprendizado teatral fossem realizadas normalmente, porém Sofia conta ter se deparado com dificuldades novamente.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Em complemento a tal questão, Natália vivenciou o antes, o durante e o depois da pandemia. Para ela, a sensação de não ter ocorrido nenhuma mudança de 2020 para os dias atuais prevalece, <em>“parece ter sido tudo um sonho e que estamos voltando ao primeiro dia de aula</em>”. Contudo, ainda assim, a aluna se sente aliviada ao ver que, aos poucos, o curso se encaminha à normalidade.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Durante o ensino remoto, os desafios para adequar as cadeiras à ausência da tridimensionalidade do exercício cênico estendiam-se às mais pequenas coisas, como a modificação da voz por meio do microfone, a falta de materiais didáticos em casa e a apresentação de trabalhos por meio da internet. As alunas relatam experiências interessantes durante esse período, que envolvem conhecer mais sobre os colegas e as particularidades de cada um, além da criação de uma nova essência para esses semestres, apesar de não necessariamente se identificar com ela.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>No primeiro momento, apenas cadeiras teóricas foram ofertadas, tanto de semestres ímpares quanto pares, em razão da falta de conhecimento sobre a duração do Regime de Exercícios Domiciliares Especiais (REDE). Porém, no primeiro semestre de 2021, a grade curricular recebeu adaptações para poder ser ofertada aos alunos, e, no segundo semestre do ano, quase todas já estavam disponíveis. Em paralelo a isso, a coordenadora do curso de Artes Cênicas, Mariane Ribas, disponibilizou-se a atendimento via WhatsApp para os alunos das turmas de 2020 e 2021 por meio de um grupo e do chat privado. E, durante todo o período de matrículas, a coordenação realizou alguns encontros via Google Meet.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Da inovação às ruínas estruturais</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O teatro Caixa Preta da UFSM, também conhecido como Espaço Rozane Cardoso, é um local multiuso com características únicas na região, por não possuir estrutura fixa em seu interior, tornando-o modulável para criação de configurações de palco e plateia versáteis, de acordo com as necessidades de cada produção artística. A configuração de uma Black Box é marcada pela mobilidade dos assentos da plateia e pela pintura do ambiente em preto.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"align":"center","id":3715,"width":638,"height":479,"sizeSlug":"full","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image aligncenter size-full is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2022/09/fototeatro.jpg" alt="Foto horizontal colorida do interior do Caixa Preta de lado. Na faixa central da imagem, há pilhas de cadeiras pretas próximas a uma parede preta, com pé direito alto. Nessa parede, há cinco espumas de isolamento acústico na cor preta, e três na cor branca e uma mais escura. Do lado esquerdo, há uma cortina preta e classes de sala de aula.  Na parte inferior da imagem, o chão é de parquet marrom, com cinco tatames azuis e quatro bambus espalhados por ele.  No teto de cor preta, há estruturas de metal pretas que atravessam o teatro, dispostas em forma linear e quadrada, com iluminação em lâmpadas fluorescentes." class="wp-image-3715" width="638" height="479" /><figcaption>Interior do Teatro Caixa Preta da UFSM. Foto: Laurent Keller</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Essa concepção de espaço,<em> black box</em> (caixa preta), foi desenvolvida para o teatro experimental nos anos 1920, por Adolphe Appia, designer suíço, com o intuito de aproximar o público do que é encenado no palco. Contudo, foi na década de 1960 que o estilo ganhou popularidade pelo mundo. Na UFSM, o teatro Caixa Preta foi inaugurado em 1988 por Inês Marocco, Paulo Márcio Pereira, Nair Dagostini, Elisabeth da Silva Lopez, Beatriz Pippi e Edir Bizognin e Berenice Gorini, membros do Departamento de Artes Visuais, a partir da ideia do professor Irion Nolasco, no final dos anos 70. O espaço se tornou referência local para as Artes Cênicas, contudo, nos últimos oito anos, o Caixa Preta só foi mencionado negativamente, devido à série de irregularidades infraestruturais.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Em 2016, foi feito o primeiro parecer técnico pelo Núcleo de Segurança do Trabalho da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (PROGEP), em que foi constatado que o teatro estava em desacordo com as normas de segurança vigentes que detectou, dentre outros problemas: falta de extintor no rol de entrada; fiação desencapada; risco de choque; lâmpadas de teto sem proteção; piso inadequado para atividades teatrais e escada fora dos parâmetros de segurança. Recentemente, em setembro de 2021, o teatro passou por uma nova avaliação técnica pela PROGEP, em que muitos dos problemas de 2016 reapareceram. Apesar das recomendações, o ambiente quase não sofreu modificações, segundo relata o Diretor do Centro de Artes e Letras, Claudio Esteves. Atualmente, o teatro segue fechado para grandes espetáculos, sendo usado para aulas práticas e apresentações limitadas em relação ao público e à montagem.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Após a criação da comitiva, a direção do CAL voltou a pressionar a reitoria da UFSM para que um novo laudo técnico fosse feito e, dessa vez, cumprido. De acordo com Esteves, também é preciso que seja feito um aporte de recursos financeiros suficientes destinados à reforma e ao funcionamento do Caixa Preta, para incluir, por exemplo, o custeio de um técnico de luz e som especificamente para trabalhar no teatro. Isso porque professores não podem se responsabilizar por tais questões, menos ainda alunos. O ideal seria que alguém estivesse presente em ensaios e espetáculos para coordenar a parte técnica e garantir a segurança do lugar.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"align":"left","id":3716,"width":240,"height":320,"sizeSlug":"full","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image alignleft size-full is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2022/09/fotocadeira.jpg" alt="Foto vertical colorida de um corredor do Centro de Artes e Letras da UFSM. Em primeiro plano, aparecem espalhados pedaços de móveis velhos em MDF com tamanhos variados na cor marrom.ao fundo da imagem, uma porta vermelha com poster preso nela e uma placa com o número 1226. Do lado esquerdo da foto, um móvel de madeira retangular encostado na parede. A parede é de cor azul clara e possui uma série de quadros de formatura e um extintor de incêndio pendurado. Na parte superior da foto, uma estrutura metálica percorre toda extensão do corredor. O chão é de piso acinzentado." class="wp-image-3716" width="240" height="320" /><figcaption>Entulho nos corredores do CAL. Foto: Laurent Keller</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Somado aos entraves já citados, o prédio do CAL como um todo tem sofrido com falhas de manutenção, como chãos de salas de aula com farpas e presença de morcegos e abelhas pelo edifício. Além de haver poucas salas, elas também são pequenas para encenações, logo, os alunos de Teatro e de Artes Cênicas têm tentado driblar as adversidades para tentar alcançar uma formação digna. A acadêmica Natália confessa sentir medo de se formar incompleta, uma vez que os alunos não podem usufruir de outros espaços teatrais da Instituição, como o Centro de Convenções, devido a irregularidades, ou de locais externos, como o Theatro Treze de Maio, por causa da falta de recursos financeiros para alugar.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>O futuro incerto do teatro universitário</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Ainda sem data para realização de um novo parecer técnico, nem para disponibilização de recursos financeiros, os estudantes seguem firmes na luta em defesa do seu direito de ensino qualificado. Natália de Souza expõe se sentir de mãos atadas, porque <em>‘’o Caixa Preta é nosso, a gente deveria ter o contato com ele a todo momento’’</em>.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Sofia Dotto reforça a ideia de que os estudantes não devem desistir do que é deles por direito. Ela seguirá a exigir por melhorias, mesmo que ela não as possa usufruir durante sua jornada acadêmica, pois ao menos os futuros acadêmicos dos cursos de Artes Cênicas e Teatro poderão.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A expectativa é de que, com a criação da comitiva e o apoio da comunidade acadêmica, o espaço cultural Caixa Preta volte a funcionar como no passado, para que os acadêmicos da UFSM possam exercer sua arte de maneira adequada e digna novamente.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Acompanhe as próximas atividades do Teatro universitário da UFSM, pela página no Instagram @danoufsm e pelos sites dos cursos de Teatro (<a href="https://www.ufsm.br/cursos/graduacao/santa-maria/licenciatura-em-teatro/">https://www.ufsm.br/cursos/graduacao/santa-maria/licenciatura-em-teatro/</a>) e Artes Cênicas (<a href="https://www.ufsm.br/cursos/graduacao/santa-maria/artes-cenicas/">https://www.ufsm.br/cursos/graduacao/santa-maria/artes-cenicas/</a>). </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"align":"center","id":3717,"width":638,"height":477,"sizeSlug":"full","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image aligncenter size-full is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2022/09/corredor.jpg" alt="Foto horizontal colorida do corredor do Centro de Artes e Letras da UFSM. Nas proximidades das paredes do lado esquerdo e direito da foto, uma fila de pessoas se estende até o fundo. Os estudantes estão de costas e seguram velas, e ao fundo uma aluna segura uma coroa de flores brancas. O teto possui estruturas de metal lineares azuis, onde as luzes fluorescentes estão penduradas. As paredes são amareladas e possuem alguns quadros e estruturas de madeira em azul." class="wp-image-3717" width="638" height="477" /><figcaption>Corredor de alunos em protesto. Foto: Laurent Keller</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph {"align":"right"} -->
<p class="has-text-align-right"><em>Reportagem: Cristine Michelin e Laurent Keller.</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph {"align":"right"} -->
<p class="has-text-align-right"><em>Contato: cristinemichelin@gmail.com;laurentlimakeller@gmail.com.</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>POBREZA MENSTRUAL E SEUS REFLEXOS NO ÂMBITO ACADÊMICO</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2022/09/05/pobreza-menstrual-e-seus-reflexos-no-ambito-academico</link>
				<pubDate>Mon, 05 Sep 2022 21:37:38 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[27ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Comunidade]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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		<category><![CDATA[pobrezamenstrual]]></category>
		<category><![CDATA[UFSM]]></category>

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						<description><![CDATA[Abordagens do tema por um prisma socioeconômico na UFSM Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a pobreza menstrual é uma questão mundial de saúde pública e dignidade humana, que surge a partir da limitação do acesso a saneamento básico, serviços de saúde e informação a quem menstrua. Dessa forma, pessoas que menstruam e estão [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph {"align":"center"} -->
<p class="has-text-align-center"><em>Abordagens do tema por um prisma socioeconômico na</em> UFSM</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"align":"center","id":3709,"width":512,"height":362,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image aligncenter size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2022/09/ilustra-1-1-1-1024x724.jpg" alt="Ilustração colorida na horizontal, com o desenho de peças íntimas manchadas de sangue na parte inferior. Na lateral esquerda do desenho, há uma calcinha azul, com uma mancha de sangue ao seu lado esquerdo que forma o símbolo transgênero. Na parte central, há uma cueca Boxer branca, com uma mancha de sangue formando, acima, o símbolo do cifrão. Na lateral direita , há uma calcinha-caleçon lilás, com uma mancha de sangue no interior , na parte superior, forma o símbolo transgênero. O fundo é em rosa pastel com textura de tecido ondulado." class="wp-image-3709" width="512" height="362" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a pobreza menstrual é uma questão mundial de saúde pública e dignidade humana, que surge a partir da limitação do acesso a saneamento básico, serviços de saúde e informação a quem menstrua. Dessa forma, pessoas que menstruam e estão em situação de vulnerabilidade socioeconômica e privação da liberdade, são as mais afetadas pelo problema.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O ambiente acadêmico, por ser formado majoritariamente por pessoas jovens e em processo de conquista de estabilidade econômica, é um importante campo de estudo para esse tema. A UFSM acolhe milhares de estudantes de todos os cantos do país, que têm, entre si, contrastes de cultura e padrão de vida, o que dialoga diretamente com a questão.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Com base nisso, o fato de absorventes não serem distribuídos como item básico de higiene dentro das unidades de Casa do Estudante Universitário (CEU) da UFSM, onde moram estudantes com auxílio de benefício socioeconômico, é algo a ser avaliado. Os projetos de extensão relacionados ao tema, desenvolvidos na Universidade, são uma opção de ajuda, mas o cenário pandêmico limitou o alcance das atividades práticas.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>No Meu Fluxo: uma corrente do bem</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Com o objetivo de defender o direito à dignidade de todas as pessoas que menstruam, surge o projeto No Meu Fluxo, que traz informações a respeito da saúde menstrual e promove o autoconhecimento. O projeto de extensão da UFSM, que conta com a participação de alunas das áreas da saúde e da comunicação, começou a atuar em outubro de 2021, através das redes sociais e de episódios de podcast. A acadêmica de medicina e participante do projeto, Tanize Milbradt, declarou que o principal intuito do projeto é focar em educação e saúde, para levar o acesso à informação a pessoas em situação de pobreza menstrual e tornar o assunto algo natural e desmistificado.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Impactos na saúde íntima</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Segundo dados do relatório “Pobreza Menstrual no Brasil: desigualdade e violação de direitos” do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), de maio de 2021, sabe-se que o uso de métodos improvisados para a contenção do sangue é algo comum em cenários onde não há garantia de acesso a produtos adequados. Dentre esses improvisos, estão o uso de pedaços de pano usados, roupas velhas, jornal e até miolo de pão.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A médica Juliana da Rosa Wendt, orientadora do projeto No Meu Fluxo e especialista em medicina de família e comunidade, explica que a utilização desses meios alternativos traz uma série de riscos para a saúde, ocasionando infecções bacterianas e fúngicas. A Doença Inflamatória Pélvica, causada por essas infecções, atinge útero, trompas e ovários, podendo levar à infertilidade e até mesmo à morte.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Além da saúde íntima, a pobreza menstrual prejudica também a saúde mental, uma vez que a pessoa em condições de vulnerabilidade socioeconômica acaba se privando de ir à escola ou ao trabalho durante o período, o que acarreta inúmeras outras problemáticas sociais, por interferir na qualidade de ensino e na manutenção de renda. As consequências trazidas por esse problema não afetam somente pessoas com útero e deveriam ser questão de preocupação pública, já que, a cada pessoa que é privada de ter sua rotina com qualidade e integridade, indicam que falhamos como sociedade.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Todas por uma</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A pobreza menstrual é resultado, principalmente, da desigualdade social, visto que quem mais é afetado por esse problema é quem não tem condições financeiras e estruturais para enfrentar um ciclo com garantia de qualidade. Estudantes da UFSM que moram na CEU lidam, na maioria das vezes, com a falta de recursos e com a precarização do espaço de higiene que, por ser em uma moradia coletiva, é dividido com várias pessoas.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A acadêmica do curso de Produção Editorial e moradora da CEU, Patricia Queiroz da Silva, conta que no apartamento onde mora cada pessoa é responsável pela compra de seus próprios itens de higiene e saúde. A estudante desconhece projetos que realizem a distribuição de absorventes e relata que, quando precisou, recorreu a outras moradoras.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Esse cenário expõe que pessoas que moram na CEU e não têm condições de arcar com o necessário para a higiene menstrual dependem da empatia e disponibilidade de outros moradores. O fato de ser difícil conseguir conciliar estudos e trabalho para manter uma renda destaca a importância de um auxílio efetivo para os estudantes em situação econômica delicada, visto que fatores socioeconômicos interferem diretamente no bem-estar e no rendimento acadêmico dos estudantes.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Menstruação além de gêneros predefinidos</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A inclusão de homens transgênero é outro ponto que não pode ser ignorado nesse debate sobre dignidade menstrual. O acadêmico de jornalismo Gabriel Escobar da Silva, relata que, muitas vezes, há carência de informações no atendimento médico disponibilizado a pessoas transmasculinas que fazem uso de hormônios. O jovem frisa também o fato de que pessoas trans que menstruam nunca estão nas campanhas sobre menstruação.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Essa exclusão se nota também no fato de haver uma quantidade limitada de pesquisas e dados relacionados a essa parcela social dentro da questão da pobreza menstrual. O preconceito acaba sendo um dos fatores determinantes para que homens trans não consigam ter o pleno usufruto de seus direitos e a garantia de um período menstrual seguro e digno.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Há ainda muitos outros vieses a serem abordados dentro dessa problemática. Pessoas em situação de rua, população carcerária, crianças e adolescentes em acolhimentos institucionais, entre outras minorias sociais, devem ser incluídas na pauta de combate à pobreza menstrual. A discussão sobre a necessidade de lutar contra a desinformação e a privação de liberdade e pela garantia de qualidade de vida para pessoas que menstruam é algo recente, mas sua importância é atemporal.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Dados e configuração social</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Através de pesquisa feita por formulário online, disponibilizado por links em redes sociais, coletamos dados sobre o grau de instrução acerca da menstruação e das questões socioeconômicas e de gênero em que ela se insere. Os resultados da pesquisa, aplicada a 47 pessoas, mostram que 87,2% não conhecem iniciativas na Universidade que visam instruir sobre o assunto e combater a pobreza menstrual e apenas uma pessoa disse saber a quem recorrer no meio acadêmico em situação de vulnerabilidade financeira relacionada à compra de itens de higiene menstrual. Todos os participantes da pesquisa concordaram que o preconceito é algo que dificulta o acesso desse público a itens e a informações básicas.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Link das respostas da pesquisa:</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><a href="https://docs.google.com/forms/d/1NEwXuNFFJC7CdjF2PVXqioF09JScs8xAYzJcUmLzeZQ/edit#responses">https://docs.google.com/forms/d/1NEwXuNFFJC7CdjF2PVXqioF09JScs8xAYzJcUmLzeZQ/edit#responses</a></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph {"align":"right"} -->
<p class="has-text-align-right"><em>Reportagem: Kemyllin Dutra</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph {"align":"right"} -->
<p class="has-text-align-right"><em> Ilustração: Andressa G. Gonçalves</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>A LUTA CONTRA O ABANDONO ANIMAL</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2022/08/22/a-luta-contra-o-abandono-animal</link>
				<pubDate>Mon, 22 Aug 2022 21:53:22 +0000</pubDate>
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						<description><![CDATA[Embora batalhe diariamente para cuidar dos animais desamparados, o Zelo &#8211; vinculado à Pró-Reitoria de Extensão, tem seu foco voltado para a educação, na busca por conscientizar e sensibilizar contra o abandono. Com dificuldades financeiras e poucos voluntários, o projeto permaneceu ativo, até mesmo em meio à pandemia, para atender cães e gatos deixados no [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph {"align":"left"} -->
<p class="has-text-align-left">Embora batalhe diariamente para cuidar dos animais desamparados, o Zelo - vinculado à Pró-Reitoria de Extensão, tem seu foco voltado para a educação, na busca por conscientizar e sensibilizar contra o abandono. Com dificuldades financeiras e poucos voluntários, o projeto permaneceu ativo, até mesmo em meio à pandemia, para atender cães e gatos deixados no campus. Atualmente o foco é lidar com as consequências do isolamento e os novos desafios deixados por ele.</p>
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<p><strong><em>História</em></strong></p>
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<p>O projeto zelo foi idealizado pelo antigo vice-reitor da universidade, Paulo Bayard, em 2014. Médico veterinário por formação, Bayard enxergou a necessidade da formalização de uma iniciativa que assistisse os animais. Assim, uma equipe foi montada e vinculada ao seu gabinete. Em 2017 as atividades foram suspensas devido a desintegração da equipe e o início do segundo mandato do reitor Paulo Burmann, que trazia como vice, o professor de engenharia elétrica, Luciano Schuch. Por não ser da área, Schuch não se sentiu apto para continuar com o projeto vinculado ao seu gabinete. Apenas em agosto de 2018, o Projeto Zelo foi oficialmente lançado como um projeto estratégico - diretamente ligado à Pró-Reitoria de Extensão.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<p>A professora do&nbsp; Colégio Politécnico, Fabiana Stecca, que fazia parte da primeira composição da equipe como representante da unidade, foi convidada para coordenar o Zelo. A professora, docente do departamento há mais de 15 anos, já coordenava um projeto de extensão interno, que buscava recursos para cuidar dos animais que habitavam a área do politécnico - conhecido pela grande concentração, principalmente, de gatos.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<p><strong><em>O projeto</em></strong></p>
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<p>Sem uma sede física, o projeto não se caracteriza como um abrigo para animais, apenas ajuda aqueles que foram vítimas da adoção irresponsável. A coordenadora do projeto e professora do Colégio Politécnico, Fabiana Stecca, conta que o objetivo é transmitir&nbsp; informação, através de ações com a comunidade, como nas palestras ministradas pelo projeto ou através das mídias sociais - já são quase 6 mil seguidores no Instagram (@zeloufsm).&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<p>Porém, os resultados não têm sido tão favoráveis quanto o desejado. De acordo com Fabiana, o número nunca baixa da média de 90 animais dispersos pela universidade. Ainda que, maus tratos e abandono sejam crimes previstos no artigo 32 da Lei Federal N° 9.605 de 1988, e existam câmeras de monitoramento no campus, isso não parece intimidar os infratores. O projeto procura localizar onde os animais são deixados para identificar, através das imagens, o autor do crime e tomar medidas legais. Denúncias podem ser feitas pelo número 181.</p>
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<p><strong><em>Procedimentos</em></strong></p>
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<p>Ao tomar conhecimento de um novo animal no campus, o primeiro protocolo é identificar de onde ele veio e divulgar sua imagem nas redes sociais do zelo - afinal, a primeira hipótese é de que ele possa estar perdido. Fabiana conta que já houveram histórias bem sucedidas em que os adotantes reencontraram seus pets desaparecidos e puderam levá-los de volta ao lar após comprovar a tutoria. Quando ninguém entra em contato dentro das primeiras 24 horas, o animal fica sob a observação da equipe, ao passo que tentam conseguir um lar temporário. Caso não seja possível encontrar uma estadia, o animal fica solto no campus até consultar no Hospital Veterinário Universitário (HVU).</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<p>No caso de encontrar animais enfermos ou machucados, o recomendado é entrar em contato com o zelo pelas redes sociais. Fabiana ainda indica que seja tirada uma foto do animal e do local em que ele se encontra; e, se possível, que permaneça no local com o com ele até que alguém da equipe chegue para ajudar no resgate.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<p>O processo de adoção é feito por meio de entrevistas, divididas em etapas para certificar de que o animal terá condições de viver no ambiente oferecido pelo candidato. A coordenadora relatou casos em que o animal foi adotado e devolvido cerca de 24 horas depois, por arrependimento. Dessa forma, a indicação é que sejam feitas visitas prévias para conhecer o pet para evitar situações como essa. O termo de responsabilidade que deve ser assinado pelo adotante, também é uma forma de tentar prevenir atos impulsivos.&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;<strong><em>Pandemia</em></strong></p>
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<p>Com a pandemia, foram cerca de 30 abandonos de animais doentes. Nesse período, as zoonoses - doenças infecciosas transmissíveis entre animais e pessoas - aumentaram. Segundo Fabiana, animais com essas condições exigem mais cuidados e tratamentos de maior valor, por isso ressalta a expressividade da situação: "Não posso dizer que o abandono <em>só </em>cresceu, ele cresceu e ao mesmo tempo a maneira com que os animais apareceram no campus foi muito mais difícil de controlar”.&nbsp;</p>
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<p>A extensão territorial da universidade, a inexistência de abrigos em Santa Maria e a quantidade de animais soltos no campus, tornam difíceis as condições de monitorar as prescrições. Nos últimos dois anos, o número de disponibilização de lares temporários chegou a quase <em>zero, </em>segundo a coordenadora. Os animais são levados às consultas, recebem o diagnóstico e o receituário - que muitas vezes inclui remédios controlados - mas não há como acompanhar o tratamento.<em>&nbsp;</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<p>A TAE (Técnico Administrativo em Educação) do Centro de Ciências Naturais e Exatas, Natália Huber, abriu as portas de sua casa para oferecer acolhimento temporário aos bichos cerca de 6 vezes, entre 2019 e 2020. No entanto, é preciso ter a responsabilidade de averiguar as condições de espaço, segurança e disponibilidade de receber o animal. Porém, segundo Natália, as atribuições não devem intimidar, pois é gratificante acompanhar a evolução deles, desde sua chegada até sua recuperação. Além disso, ela acredita que é uma ação indispensável,<strong> “</strong>se não fizermos isso, além de não terem um lar naquele período delicado, os animais talvez não tenham tratamento.”</p>
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<p><strong><em>Desordem e solidão</em></strong></p>
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<p>A mudança repentina na rotina do campus fez com que os cães e gatos, que já habitavam o espaço antes do isolamento, sentissem&nbsp; um&nbsp; impacto. Fabiana, conta que muitos deles ficaram abatidos sem o movimento do campus e as mudanças em suas próprias rotinas. Com prédios fechados, sem alunos e funcionários, eles perderam suas referências de alimentação e carinho, buscando novos pontos da cidade universitária para se estabelecerem.&nbsp;</p>
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<figure class="wp-block-image"><img src="https://lh3.googleusercontent.com/kS5MSGKquKTaSXsjDHe0k-TuBGoVx9LRiwMGmv-SyOZOWvHwYe6wfLZYFs_5M33YB9Y3AaXMQkXHKBapU3dkZOANx_UJxsMmm4k29T5ZsIr2Bz13-FzlmZWrqQb140RcqJfDA4iMWJVLf3dRPuvVux0" alt="Foto horizontal e colorida de um cachorro de pelagem branca e caramelo, com os olhos escuros, e as orelhas para cima, aparece em destaque deitado com o focinho sobre a grama verde com uma pequena flor amarela desfocada em frente ao focinho; no fundo prédios brancos na lateral direita e na lateral esquerda e no meio o céu claro desfocado." /></figure>
<!-- /wp:image -->

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<p>&nbsp;Este é o caso do Silveira, cachorro que ganhou o apelido de “Pró-reitor de Assuntos Caninos” e um perfil no Instagram, que possui mais de 2 mil seguidores (@podraodog). Velho conhecido de quem circula pelo campus, ele costumava transitar em busca de carinho ou de uma aula para assistir. Contudo, na maior parte do tempo, ficava entre o Colégio Politécnico, o Centro de Convenções e o prédio 74 do Centro de Ciências Sociais e Humanas.</p>
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<p>Silveira sofreu com os impactos da pandemia; sem rumo com a nova realidade, ficou abatido e nem se alimentava mais. Fabiana conta que ele se perdeu no início do isolamento e foi achado pelos arredores do Hospital Universitário (HUSM), onde encontrou uma maior circulação. Apesar de ter grande porte e impor receio para quem não o conhece, Silveira é dócil, adora carinho e estar no meio de pessoas - exatamente o que encontrou no local.</p>
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<p>Já na metade de 2020, funcionários do<strong> </strong>pronto socorro pediram ajuda ao Projeto Zelo, para averiguar questões de saúde do animal, na intenção de torná-lo um residente da unidade<strong>.</strong> Depois de uma grande campanha, Silveira vive em sua casinha personalizada no pronto atendimento e é muito querido por funcionários e por quem circula por lá. Os motoristas de ambulâncias contam que sempre perguntam “cadê o ‘Silveirinha’?” assim que chegam, porque encontrá-lo pelos arredores já faz parte da rotina.</p>
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<p>Pode parecer que a história de Silveira teve um final feliz, mas está longe disso. Há anos ele espera por um lar que possa lhe oferecer tudo que precisa. Silveira e todos os bichos que vivem no campus estão disponíveis para adoção responsável, afinal, a universidade não é um lugar seguro para esses animais. Eles ficam expostos a riscos como: atropelamento, oscilações climáticas, fuga, entre outros fatores. Ainda que a equipe do projeto se dedique para atendê-los, o número de pessoas é baixo em relação à demanda. A coordenadora estima cerca de 20 envolvidos, entre voluntários e bolsistas, para uma quantidade cerca de <em>quatro vezes </em>maior de cães e gatos.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<p>O projeto não recebe financiamento do governo, apenas uma quantia para o pagamento das quatro bolsistas e para alguns repasses ao HVU. Apesar de ser um hospital vinculado à universidade, o hospital veterinário não isenta os custos dos atendimentos nem mesmo ao Zelo. Embora seja especificado na entrevista de adoção que a responsabilidade dos protocolos em relação a saúde do bicho passam a ser do tutor, Fabiana conta que muitos entram em contato depois da adoção na busca de procedimentos gratuitos para os animais.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":3680,"width":451,"height":680,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2022/08/silveira-2-680x1024.jpg" alt="Foto vertical e colorida de um cachorro de porte grande no interior de uma casinha de madeira marrom. O cachorro tem pelagem branca e caramelo. A partir da entrada da casinha, o rosto do cachorro está em destaque. Ele está deitado sobre cobertores coloridos, com os olhos fechados. A casa de madeira tem o telhado triangular e uma abertura; acima, o nome &quot;Silveira&quot; e a figura de um osso acima do nome. A casa está  sobre um palete de madeira. O fundo é o céu claro desfocado, detalhe de um carro branco na lateral esquerda  e uma parede branca na lateral direita." class="wp-image-3680" width="451" height="680" /></figure>
<!-- /wp:image -->

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<p><strong><em>Como ajudar</em></strong></p>
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<p>Roselaine, estudante de pós-graduação que vive na CEU III da UFSM, se voluntariou ao zelo depois de observar a grande procriação de gatos nos arredores da moradia. Mesmo sem condições de custear alimentação ou castração, ela entrou em contato com o projeto para ajudar de outras formas. Assim, começou a se aproximar das gatas e seus filhotes, na tentativa de alimentá-los e amansá-los para que pudessem ser castrados. Ela conta que passou 2020 nesse processo, que resultou em 18 felinos castrados - todos de forma privada, por conta da pandemia - e adotados. "Agora não tem nenhuma gata aqui correndo pela garagem", comemora.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<p>Para adotar ou se voluntariar ao projeto, basta entrar em contato pelo Instagram (@zeloufsm). As atividades desenvolvidas pelos voluntários variam entre apadrinhamento, ajuda no transporte de animais ao HVU, atendimento em eventos, entre outras. O auxílio também pode ser feito por meio da doação de ração, sachês e outros mantimentos, que podem ser consultados por meio das redes sociais. As doações em dinheiro são através do pix: fabiana@ufsm.br.&nbsp;</p>
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<figure class="wp-block-image"><img src="https://lh6.googleusercontent.com/IhmIv5WE93DTxOnGq1BC-V3ERzh2gF7_1u5MKu2lBrT-t8KPBZLI0EJ8rzSkc-mSs68GLDc9zrRHlOau84lTpk3YbLC9f7PYSfNklo89n_0GIPYFPL8itZ3xI8zEtRyY2WEJxPsUO6iPHeVp0Sm6i-c" alt="Foto horizontal e colorida mostra em ângulo diagonal o interior de uma sala com paredes brancas e chão marrom. Em destaque do lado direito um manequim de ferro vestido com uma camisa roxa estampada com desenho do rosto de cachorro no centro, abaixo escrito zelo e a frase a educação faz a proteção. No meio prateleiras de madeira na parede com pilhas de roupas dobradas, no chão caixas de papelão com roupas dobradas. Ao fundo do lado esquerdo uma arara com roupas penduradas em cabides." /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Além disso, o zelo possui um brechó que comercializa roupas, calçados e diversos itens doados, bem como produtos personalizados do projeto para arrecadar fundos aos animais. Chamado de Grife do Zelo, sua sede presencial se localiza na sala D7 do colégio politécnico - é possível consultar os horários ou agendar atendimento através do Instagram (@zeloufsm), para organização da agenda dos voluntários e bolsistas. O brechó também funciona no formato itinerante, com peças expostas em eventos e feiras como a Polifeira, que acontece todas as terças (na Avenida Roraima) e quintas-feiras (ao lado do Planetário da UFSM).&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image -->
<figure class="wp-block-image"><img src="https://lh6.googleusercontent.com/2Bp5-R0C-ZD-eriWvh5WcVsn-3Um2P_ec0ewMfo4Sly0zFSAiwTCn0NI38pRRO1PGp0ckt8P8f7HxPolr0S4U66om3jGlyjJN2oejs9VXs5Zf40dzcQiI3fWxDGs8O1IBnXOKsJxVbihURsOMZiWJHY" alt="Foto horizontal colorida em destaque olhando para a câmera duas mulheres achadas. A da esquerda uma mulher branca com cabelos ondulados castanhos na altura dos seios e sobrancelhas castanhas, no rosto uma máscara de tecido com fundo salmão e estampa floral vermelha usa camisa vermelha com o rosto de cachorro no centro abaixo a palavra zelo, por cima casaco preto calça preta e botas de cano alto preta. Na direita uma mulher branca com cabelos castanhos escuros lisos na altura da cintura. No rosto usa máscara de tecido com fundo branco e estampa de pequenas bolas vermelhas. Veste uma jaqueta verde escura com o símbolo da UFSM na manga esquerda, calça jeans azul clara e tênis preto. Entre as duas estão organizados sacos de ração e cobertores de cachorro. Acima da pilha de rações uma caixa de papelão com uma cartaz com a mensagem ajude com um kilo de ração abaixo a foto de três cachorros. O fundo na esquerda é uma barraca com armação de ferro o telhado e o fundo de lona branca debaixo do telhado roupas penduradas e uma mesa de escola com objetos indefinidos. amarrados na armação da barraca uma faixa nela preso um cartaz com a frase ajude com qualquer quantia e abaixo a foto de um cachorro. O fundo na direita um carro vermelho e um carro branco árvores verdes, uma barraca com telhado verde e duas pessoas em detalhe." /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph {"align":"right"} -->
<p class="has-text-align-right"><em>Reportagem: Júlia Weber</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph {"align":"right"} -->
<p class="has-text-align-right"><em>Fotos: Gabriel Escobar e Júlia Petenon</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>MÃES UNIVERSITÁRIAS LUTAM POR ACOLHIMENTO</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2022/08/15/maes-universitarias-lutam-por-acolhimento</link>
				<pubDate>Mon, 15 Aug 2022 21:29:39 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[27ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Comunidade]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[27ed]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[mãe]]></category>
		<category><![CDATA[mães universitárias]]></category>
		<category><![CDATA[UFSM]]></category>

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						<description><![CDATA[Desde 2009, as mães moradoras da Casa do Estudante da UFSM precisam lutar para manterem seus lugares dentro da Universidade e não terem seus direitos violados. Com o retorno das atividades presenciais, os obstáculos de adaptação foram agravados. A permanência no curso se torna extremamente difícil quando, além de se ocuparem com os estudos, as [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:image {"align":"center","id":3668,"width":1024,"height":680,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2022/08/DSC0222-1024x680.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida com uma mulher e uma criança abraçadas na entrada de um prédio da Casa do Estudante Universitária. A mulher é negra, de pele clara, tem cabelos escuros, lisos e curtos; está com o rosto inclinado para baixo e os olhos fechados; veste camiseta preta com letras brancas, calça jeans com lavagem escura e calçado preto. Ela segura em seu colo uma menina de faixa etária próxima a três anos. A menina é negra, de pele clara, tem cabelos escuros, levemente ondulados e na altura do ombro; com a cabeça inclinada para baixo e os olhos fechados; veste camiseta, calça e calçado pretos. A entrada do prédio é azul acinzentado; as paredes internas são brancas na parte superior, e há uma porta de vidro. O lado esquerdo da porta está aberto e o outro fechado. Nos extremos laterais da imagem há partes de duas janelas e grades azuis. Na parte inferior há uma calçada de concreto cinza com detalhes de piso tátil avermelhado e uma rampa de acesso com leve inclinação." class="wp-image-3668" width="1024" height="680" /></figure></div>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Desde 2009, as mães moradoras da Casa do Estudante da UFSM precisam lutar para manterem seus lugares dentro da Universidade e não terem seus direitos violados. Com o retorno das atividades presenciais, os obstáculos de adaptação foram agravados.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A permanência no curso se torna extremamente difícil quando, além de se ocuparem com os estudos, as acadêmicas preocupam-se com o bem-estar, a segurança de seus filhos e, ainda, lutam pela garantia de sua integridade. A instituição, apesar de oferecer recursos que auxiliam na criação dessas crianças - como o auxílio creche - deixa a desejar na questão de políticas públicas que olhem para essas famílias, de forma que as façam se sentir pertencentes à comunidade acadêmica. Para a Doutora em Comunicação pela UFSM, Milena Freire de Oliveira, que estuda a maternidade em diferentes áreas, a falta dessas políticas, de dados e de apoio faz com que a gente concorde que mães realmente não façam parte da Universidade.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A estudante de Educação Especial, Renata Gonçalves, 46 anos, é mãe de Sophia, 7, e de Maria Julia, 25, também universitária. Desde 2019, Renata vive com a filha mais nova dentro da UFSM e conta que, durante a quarentena, elas receberam um auxílio de 220 reais para gastos com alimentação, valor que, entre abril e junho de 2022, passou a ser de 100 reais. Entretanto, as crianças não foram contempladas e ganhavam apenas uma porção individual de alimentos <em>in natura,</em> para serem preparados em casa aos domingos e feriados. A partir de julho de 2022, essas porções passaram a ser distribuídas a todos os moradores da casa.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A Universidade também oferta o auxílio creche para as mães, no valor de 375 reais. Segundo a assistente social da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis, Mara Lucia Bortoluzzi Londero, 20 crianças contam com essa assistência atualmente. Para as acadêmicas, a quantia é baixa, já que não há escolas na região com mensalidade nessa faixa de preço. A acadêmica de Pedagogia, Maria Julia Santos da Silva, afirma que paga 1.127,00 reais na creche de sua filha, Clarice, e precisa unir o auxílio, a pensão paga pelo pai da criança e uma parte do que recebe em seu estágio para conseguir arcar com a mensalidade.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>As mães não têm garantia de um apartamento particular para elas e suas famílias, e precisam dividir o banheiro com outros residentes da casa. Fato que acarretou em problemas para as crianças, como a invasão de privacidade durante o uso dos sanitários e chuveiros. Na atualidade, algumas delas residem em um apartamento completo, com cômodos separados, como acontece no caso de Maria Julia e de Renata.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Obstáculos ao maternar e estudar</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A falta de políticas públicas efetivas voltadas para essas universitárias faz com que sua existência dentro da comunidade seja invisibilizada. As mães não recebem licença maternidade, o que implica na preocupação simultânea com os filhos e com a vida acadêmica. Para a Doutora em Comunicação pela UFSM, Milena Freire de Oliveira, uma mulher que é mãe não consegue concorrer com as outras mulheres e com os homens, sejam eles pais ou não, porque para o homem, estatisticamente, é indiferente.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Maria Julia mudou-se para a Casa do Estudante em 2019, quando sua filha tinha menos de um ano. Desde então, a jovem tem passado por adversidades na graduação por precisar conciliar a maternidade e os estudos. Maju, como gosta de ser chamada, relembra os dias&nbsp; que resistiu em favor de sua permanência na Universidade e conta que vive um turbilhão de emoções diariamente.Sente-se triste e isolada do resto dos acadêmicos. Para ela, há dificuldade, por parte da comunidade em assimilar a existência das mães no ambiente estudantil. A graduanda diz compreender, de certa maneira, a euforia dos jovens em gostar de fazer festas com volume alto, mas, por outro lado, ela gostaria que também entendessem que há mães com filhos pequenos no apartamento vizinho.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Tanto para Maria Julia quanto para Renata, a perspectiva para o futuro das mães universitárias se resume em luta e resistência. Renata relembra que as mães que estudaram na UFSM, no passado, lutaram para que a Casa do Estudante fosse um direito garantido. É necessário que essa luta continue.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Casos pessoais</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A própria sociedade não olha para as mães pautando a possibilidade delas ocuparem um espaço dentro de uma universidade. O julgamento e o descaso é evidente na falta de políticas específicas para elas, mas também na relação de alunos e professores para com essas mães. Uma estudante, que prefere não ser identificada, afirma que precisou faltar as duas primeiras aulas de uma cadeira de seu curso e quando foi explicar para a professora o motivo, a resposta que recebeu foi: “sabe, eu tinha um amigo que morava na CEU, a vida dele era bem difícil também, mas ele nunca reclamou de nada”. Para a estudante, apesar de existirem professores que a acolhem e respeitam, tem muitos que “acham que a nossa vida é super tranquila, é super boa", comenta.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Para algumas moradoras da CEU, a questão da maternidade não é a única com a qual precisam lidar. As mães negras, por exemplo, contam que vivenciam situações de racismo em suas rotinas. Renata é uma mulher negra e comenta que já passou por momentos em que ficou nítido que sua cor influenciou na forma em como foi tratada, fato que também afeta suas filhas. A acadêmica afirma ter passado por situações que a abalaram psicologicamente, como o preconceito e o capacitismo em relação a sua filha, que tem Síndrome de Down. Quando recebe comentários do tipo “como você é forte”, ou “você é guerreira”, Renata refuta: “não é força, é a realidade, eu não sou guerreira”.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Pessoas não brancas, mulheres e pessoas com deficiência são excluídas ou ignoradas pela sociedade, pois o racismo, machismo, capacitismo e outras desigualdades ainda são questões muito presentes, inclusive na Universidade. Milena comenta que, por a instituição estar inserida na sociedade, ela irá reproduzir preconceitos e desigualdades, “a universidade tem tudo para ser um ambiente progressista, um ambiente de mudança, de transformação, mas a gente sabe que infelizmente não é bem assim”.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph {"align":"right"} -->
<p class="has-text-align-right"><em>Reportagem: Gabriel Escobar e Júlia Petenon</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph {"align":"right"} -->
<p class="has-text-align-right"><em>Foto: Gabriel Escobar</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>ALUNA DE OURO</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2022/08/12/aluna-de-ouro</link>
				<pubDate>Fri, 12 Aug 2022 20:00:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[27ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Comunidade]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[27ed]]></category>
		<category><![CDATA[Acessibilidade]]></category>
		<category><![CDATA[deficiência auditiva]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[inclusão]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[UFSM]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=3649</guid>
						<description><![CDATA[A audição é um sentido capaz de promover sensações únicas e incomparáveis. Para os que a possuem na sua totalidade, ouvir uma música, conversar pelo telefone e escutar os sons da natureza são coisas comuns que passam na maioria das vezes despercebidas. Imagine viver sem isso.&nbsp; No dia 13 de junho, a TXT entrevistou a [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:image {"align":"center","id":3650,"width":768,"height":512,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2022/08/I-1-1024x683.jpg" alt=" Fotografia horizontal e colorida de uma mulher de pele branca na parte direita da imagem. Ela está de perfil direito, em plano médio longo. Ela está com expressão facial de vibração, a boca está aberta, os braços estão dobrados para cima e o corpo está inclinado para trás. Tem pele branca, rosto angular, olhos escuros e cabelos loiros e lisos presos em um coque na parte superior da cabeça. Ela veste camiseta amarela com detalhes em verde nas mangas e a bandeira do Brasil no lado direito do peito, short azul marinho justo e joelheiras brancas. Ela está em uma quadra de vôlei  na cor salmão. O fundo é dividido, de forma horizontal, em três linhas: na parte superior, a cor roxa; na parte central, a cor azul celeste, e na parte inferior, a cor salmão." class="wp-image-3650" width="768" height="512" /><figcaption><em>Foto: Tiago Moreira</em></figcaption></figure></div>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A audição é um sentido capaz de promover sensações únicas e incomparáveis. Para os que a possuem na sua totalidade, ouvir uma música, conversar pelo telefone e escutar os sons da natureza são coisas comuns que passam na maioria das vezes despercebidas. Imagine viver sem isso.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>No dia 13 de junho, a TXT entrevistou a doutoranda em Medicina Veterinária pela UFSM, Eduarda Santi. Natural de Nova Palma, RS, a estudante foi diagnosticada com deficiência auditiva e, desde a infância, se acostumou a quebrar barreiras com a ajuda das duas paixões de sua vida: o esporte e o estudo.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Inúmeras vezes campeã pelo Santa Maria Soldiers, Eduarda alcançou a sua maior glória esportiva no ano de 2022, quando disputou as Surdolimpíadas Mundiais na modalidade vôlei. O evento ocorreu no mês de maio, em Caxias do Sul. Quanto aos estudos, dedicou uma década de sua vida à UFSM. Dos dez anos, quase nove foram vividos na Medicina Veterinária e o resto na Odontologia, que cursou até o terceiro semestre.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong><em>.TXT: </em></strong><strong>Há quanto tempo você está na UFSM? Como foi o seu início na Instituição?</strong></p>
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<p><strong>Eduarda:</strong> Estou há 10 anos na UFSM. Eu me formei no ensino médio no final de 2010 e passei por meio do PEIES em Odontologia. Na época, eu escolhi esse curso em decorrência da minha deficiência auditiva e da questão da mulher no mercado de trabalho da Veterinária. Os meus pais queriam que eu fizesse um curso mais tranquilo, porque o meu pai é veterinário, então ele sabe que se trata de um trabalho mais pesado e mais sujo. No fim, eu fiz até o terceiro semestre de Odontologia, aguentei só as cadeiras básicas. No terceiro semestre, passei a ter aulas de “Saúde Coletiva” e tínhamos que atender jovens em uma escola aqui de Santa Maria. Na primeira vez que fui atender uma criança, percebi que não era o que eu queria. Além disso, eu tenho umas amigas que faziam Veterinária e me falaram muito bem do curso, eu só conseguia pensar que eu devia fazer também. Então, resolvi começar umas cadeiras do curso como aluna especial e eu amei. No ano seguinte fiz o vestibular e fui aprovada.</p>
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<p><strong><em>.TXT:</em></strong><strong> Como é a sua relação com a Medicina Veterinária dentro da UFSM?</strong></p>
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<p><strong>Eduarda:</strong> Dentre todas as áreas da Veterinária, eu sempre pensei em trabalhar com campo. No 3º semestre, acabei conhecendo o Laboratório de Parasitologia e gostei muito, tanto que estou no laboratório até hoje. Eu me formei no final de 2018 e em 2019 comecei o mestrado. Em 2020 veio a pandemia e essa parte do mestrado ficou complicada, porque eu estava no início do experimento, que tinha como objetivo testar a eficácia de um tipo de cogumelos contra larvas e adultos de uma espécie de mosca varejeira. Por causa disso, eu disse que nunca faria doutorado porque queria fazer um ano sabático. Nessa época, voltei a praticar esportes e entrei na Associação de Surdos de Santa Maria. Eu joguei os Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), e quando você está na universidade, tem muitas oportunidades nesses eventos. Então, fui conversar com algumas pessoas da UFSM e me falaram para começar o doutorado. Conversei com a professora Gláucia, que eu já admirava, manifestei interesse em fazer o doutorado e ela aceitou me orientar.</p>
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<p><strong><em>.TXT:</em></strong><strong> Como você sente a questão da acessibilidade na UFSM? </strong><strong>Ocorreram </strong><strong>mudanças nos 10 anos que você está na Instituição?</strong></p>
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<p><strong>Eduarda:</strong> Falando sobre mim, eu sou surda oralizada, então, não preciso de intérprete. Na Odontologia, por exemplo, achava que a coordenação pudesse avisar os professores. Então, fui para a aula achando que eles já tinham sido avisados sobre a minha deficiência. Eu cheguei a sofrer preconceito, colegas dando risada, e isso foi um dos motivos para eu mudar de curso. Quando eu cheguei na Veterinária, o coordenador disse que eu tinha que avisar os professores e os colegas da minha deficiência, explicar a situação para eles. A questão da acessibilidade em si, no que diz respeito ao pessoal, melhorou muito, mas só me ajudou porque eu já falava, ninguém foi atrás de mim para perguntar se estava tudo bem. No doutorado, por causa da pandemia, o uso de máscara foi complicado, porque como eu faço muita leitura labial, foi horrível para mim. Quanto aos professores, a professora do laboratório que eu trabalho, por exemplo, ficou com medo no início, mas ela foi muito receptiva. O pessoal todo da Veterinária foi muito receptivo.</p>
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<p><strong><em>.TXT:</em></strong><strong> Como começou essa sua relação com o esporte? Quando passou a ser algo mais sério?</strong></p>
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<p><strong>Eduarda: </strong>Desde criança eu não gostava de brincar de boneca, mas adorava jogar futebol por causa dos meus tios. A minha mãe me influenciava muito, ela gostava que eu pudesse conversar com pessoas diferentes e então, eu jogava em vários times. Joguei handebol, futebol, vôlei, tênis de mesa, tudo que possa imaginar. O momento que eu passei a ver o esporte de forma mais séria foi quando eu comecei a jogar futebol americano no Santa Maria Soldiers. Eu competi durante 5 anos, mas por causa do doutorado, tive que limitar algumas coisas, já que era muita tarefa para mim.&nbsp;</p>
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<!-- wp:image {"align":"center","id":3651,"width":768,"height":513,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2022/08/ALX_1761-1024x684.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida em tons de verde e azul, de uma mulher de pele branca que segura uma bola de futebol americano atrás da cabeça. Ela está no centro da imagem, de perfil, em plano geral fechado, e tem pele branca, cabelos lisos e compridos na cor loiro escuro, presos em rabo de cavalo. Veste camisa branca com detalhes em verde escuro, calção escuro, meias pretas longas e chuteiras verdes com detalhes escuros. Está com o braço direito inclinado para trás, e com uma bola avermelhada de futebol americano na mão. Ao fundo, em desfoque, sete mulheres com camisas com camisa azul e calção preto, e dois homens com roupas em cinza e em preto. Estão em um gramado verde claro e, ao fundo, estrutura de metal cinza e alta, um muro de concreto cinza e árvores em tons de verde. " class="wp-image-3651" width="768" height="513" /><figcaption><em>Foto: Arquivo pessoal de Eduarda Santi</em></figcaption></figure></div>
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<p><strong><em>.TXT: </em></strong><strong>Em uma partida, você sente dificuldades para se comunicar com companheiras ouvintes?</strong></p>
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<p><strong>Eduarda:</strong> Toda vez que eu ia treinar em um time de ouvintes, eu tinha que avisar da minha deficiência. Se alguém me chama de costas, eu dificilmente escuto, então tem que vir e fazer o toque para eu virar de frente. São coisas meio complicadas, porque as pessoas precisam se dar conta que precisam estar de frente para mim. No futebol americano, por exemplo, que eu joguei por 5 anos, o treinador não podia gritar ou falar para mim, então a gente se comunicava muito por sinais. Nós treinamos algumas jogadas e ele fazia o uso das mãos, ou só mexia a boca, porque eu faço leitura labial. Outra alternativa era com a ajuda de uma colega que ia falar com ele e passava a mensagem para mim. Mas é uma situação complicada, às vezes, o colega esquece, acontecia algum probleminha e a pessoa vinha pedir desculpas.&nbsp;</p>
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<p><strong><em>.TXT:</em></strong><strong> Como foi o convite para disputar as Surdolimpíadas?</strong></p>
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<p><strong>Eduarda:</strong> Uma menina da Veterinária queria jogar vôlei de areia, e eu não jogava há muito tempo. Nós jogamos e ela disse que tinha gostado do meu estilo de jogo. Uma semana depois, tinha a convocação da UFSM para jogar o JUBs, os Jogos Universitários Brasileiros em Brasília, e isso foi meio que um convite, porque tinham 10 meninas e precisavam de mais uma. Então, eu fiquei dois meses treinando e fomos para Brasília, ficamos bem colocadas. Passou um tempo e a treinadora da seleção gaúcha masculina soube, por um amigo do meu treinador, que tinha uma deficiente auditiva que jogava vôlei com ouvintes. Assim, ela disse para eu entrar no time da seleção gaúcha para jogar as Surdolimpíadas Nacionais em São José dos Campos (SP). Na competição, estava o treinador da seleção brasileira e ele me viu. Depois disso, ele me mandou mensagens dizendo que queria me ver na seletiva da seleção. Isso foi em janeiro deste ano e logo depois fui convocada.</p>
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<p><strong><em>.TXT: </em></strong><strong>Como é para você conciliar o esporte com os estudos?</strong></p>
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<p><strong>Eduarda:</strong> Em função das Surdolimpíadas, eu fiquei 2 semanas longe dos estudos. Quando eu voltei para o laboratório, tinha muita informação, foi bem difícil, porque o doutorado ainda é muito novo para mim. Então, agora eu quero recuperar o ritmo dos estudos para depois voltar a treinar, porque eu penso que se é para fazer algo, tem que ser bem feito. Não quero fazer "meia boca”. Se fosse assim eu jogava vôlei com a cabeça no laboratório e ficava preocupada pensando nas coisas que teria que fazer, a maneira que eu teria que estudar.</p>
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<p><strong><em>.TXT:</em></strong><strong> Qual a sensação de representar o Brasil em uma competição dessa relevância?</strong></p>
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<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Eduarda: </strong>É muito incrível saber que você está ali representando o Brasil. Achei uma experiência muito legal, que eu vou levar para a vida. Só que ao mesmo tempo, foi muito exaustivo. Tinha muita pressão, muita informação nova. Mas eu pretendo continuar, tanto que, quando eu fui para lá, me chamaram para o time de handebol, para jogar o mundial na Dinamarca no ano que vem. Já no vôlei, o treinador me disse para treinar de levantadora, porque ele quer me levar para jogar as Surdolimpíadas Mundiais de 2025 no Japão.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong><em>&nbsp;.TXT:</em></strong> <strong>Você já pensou em seguir na carreira esportiva de forma profissional?</strong></p>
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<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Eduarda:</strong> Eu não sei. Realizei o meu sonho, que era servir o Brasil, e quero continuar porque é uma emoção diferente. É muito legal ver as pessoas te dando apoio, crianças pedindo foto e autógrafo, isso é legal, porque você acaba sendo uma inspiração para elas. Sendo sincera, você tem que investir muito no esporte, é uma coisa cara. Eu consegui um patrocínio para ir para as Surdolimpíadas para pagar o funcional, nutricionista, comprar tênis, roupa, foi muito caro. No fim, o esporte precisa de muito investimento para dar um retorno, a Veterinária eu sei que vai me dar um retorno futuramente.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong><em>.TXT:</em></strong><strong> Quais são as suas maiores inspirações?</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<p><strong>Eduarda:</strong> As pessoas que eu mais me inspiro na vida são os meus pais. Minha mãe, porque, se não fosse por ela, eu não estaria aqui falando. Deram o diagnóstico para a minha mãe dizendo que eu não ia falar, que era para fazer libras, mas a minha mãe botou na cabeça que eu ia falar sim e fiquei fazendo fono durante 15 anos. O meu pai também, porque ele sempre foi muito trabalhador, pensando no melhor a se fazer por nós, pensando sempre na frente.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong><em>.TXT:</em></strong><strong> Quanto ao seu futuro, você já tem planos?</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Eduarda: </strong>Eu sempre pensei em ter uma empresa própria e em prestar concurso, mas também já pensei em trabalhar com o meu pai na lavoura dele. Mas eu pensava isso antes de fazer o doutorado, quando entrei aqui, comecei a gostar de ensinar e dar aulas. Então, quem sabe eu não sigo como professora? Eu tenho um certo receio por causa da minha deficiência, mas por que não? Eu falo de concurso e de empresa própria, mas no fundo sinto que eu quero ser professora.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph {"align":"right"} -->
<p class="has-text-align-right"><em>Reportagem: Antonio Oliveira e Kauã Mello</em> </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph {"align":"right"} -->
<p class="has-text-align-right"></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>LUTO PERINATAL: UMA DOR SILENCIOSA</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2022/08/10/luto-perinatal-uma-dor-silenciosa</link>
				<pubDate>Wed, 10 Aug 2022 20:00:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[27ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[27ed]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[luto perinatal]]></category>
		<category><![CDATA[Maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[tabu]]></category>
		<category><![CDATA[UFSM]]></category>

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						<description><![CDATA[Em 2018, segundo a Fiocruz, 45.875 óbitos perinatais foram registrados no Brasil. Este luto é sentido pelas milhares de mães que perdem seus bebês entre a 22ª semana de gestação e o 7º dia após o parto. Dor, vazio e tristeza são os sentimentos das três mulheres com idades, experiências e vidas diferentes, que desejaram [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:image {"align":"center","id":3648,"sizeSlug":"medium","linkDestination":"none"} -->
<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-medium"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2022/08/luto-perinatal-ilustra-1-e1660050542955-169x300.png" alt="Ilustração colorida da silhueta de uma mulher grávida. Ela é branca e está nua, com uma das mãos sobre a barriga. Acima do pescoço, girassóis amarelos com cabos e folhas verdes." class="wp-image-3648" /></figure></div>
<!-- /wp:image -->

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<p>Em 2018, segundo a Fiocruz, 45.875 óbitos perinatais foram registrados no Brasil. Este luto é sentido pelas milhares de mães que perdem seus bebês entre a 22ª semana de gestação e o 7º dia após o parto. Dor, vazio e tristeza são os sentimentos das três mulheres com idades, experiências e vidas diferentes, que desejaram seus filhos, esperaram por eles e não puderam sequer levá-los para casa. O sofrimento do luto perinatal é o que une as histórias de Jeniffer Weschenfelder, Jaqueline Sandra Rigon e Bruna Fani.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<p>A estudante de Biomedicina, Jeniffer Weschenfelder, aos 19 anos, descobriu a gravidez e, mesmo sem ter sido planejada, a partir da primeira consulta, ao ouvir os batimentos cardíacos de Helena, encarou a gestação com felicidade. A emoção dela e do marido Leonardo Schneider Vega, logo compartilharia lugar com a preocupação. Ao realizar os primeiros exames de rotina, sua médica observou alterações e percebeu que Helena tinha um cisto na nuca. Os pais foram orientados a buscar uma análise mais detalhada em Porto Alegre. Na capital, o médico informou que o diagnóstico do bebê só poderia ser dado de fato, na hora do nascimento, portanto, não seria possível garantir que a menina não tivesse complicações futuras.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<p>Com quase oito meses de gestação, Jeniffer sentiu-se mal e notou que Helena não estava se mexendo. Acompanhada por seu esposo, foi ao Hospital Vida &amp; Saúde, em Santa Rosa para fazer um ultrassom. No exame, após mostrar a neném para a mãe, o médico responsável apontou para o coraçãozinho de Helena no monitor e disse: “aqui está parado”. Naquele momento, a mãe relata que sentiu o coração parar e, ao saber sobre o falecimento da pequena, desejou petrificar aquele momento para as duas ficarem para sempre juntas. "A Helena foi muito desejada, a gente a queria do jeito que fosse, só queríamos ela viva”, disse a mãe relembrando o caos do momento.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Após o parto, ela e seu marido tiveram um tempo com a filha, puderam escolher a roupa, pegar no colo e fazer algumas fotos para recordação. Em tom emotivo, Jeniffer conta: “se eu fechar os olhos agora é como se eu sentisse o cheirinho dela”. Após um ano e três meses, a jovem mãe diz estar finalmente se permitindo ser feliz de novo, mas ressalta que o luto é para vida toda, a dor nunca passa.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<p>A professora de ensino fundamental, Jaqueline Sandra Rigon, de 49 anos, sempre teve o sonho de ser mãe.&nbsp; Ao encontrar dificuldades para engravidar, no ano de 2006, realizou um tratamento que resultou na gravidez das gêmeas, Luísa e Lara. As meninas vieram ao mundo no Hospital Vida &amp; Saúde de Santa Rosa, com oito meses e peso abaixo do esperado, algo comum no desenvolvimento de uma gravidez gemelar. &nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<p>As bebês recém-nascidas foram para a UTI Neonatal. Luísa foi para casa no quinto dia e Lara ficou hospitalizada, pois ainda não estava dentro dos limites de peso. No sétimo dia após o nascimento, o hospital informou à família que a menina estava sentindo falta de ar e seus batimentos estavam irregulares. Foi constatado que Lara possuía problemas cardíacos e deveria ser submetida a uma cirurgia em Porto Alegre. O pai Carlos Vladimir Petry acompanhou a neném em seu procedimento de emergência e Jaqueline, em casa, se recuperava da cirurgia e cuidava da recém nascida Luisa.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Após ouvir comentários sobre a cirurgia ser muito comum em bebês, Jaqueline estava esperançosa e confiante, sentimentos que logo foram suprimidos quando o ex-marido ligou para comunicar o falecimento de Lara durante a cirurgia. “A expectativa era muito grande: iria ter duas meninas. Estava tudo preparado, tinham duas caminhas, pares de tudo. Já se passaram 16 anos desde a perda da minha filha, mas a dor ainda existe”, destacou a mãe.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>“Ele nasceu mal”, isso foi tudo que a professora de português e redação, formada pela UFSM, Bruna Fani ouviu de seu pediatra ao dar à luz ao seu filho Vicente. Grávida aos 23 anos, ela relata ter sido vítima de um caso de violência obstétrica no Hospital Casa de Saúde em Santa Maria, no ano de 2016.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O fato, que ganhou repercussão nacional, mobilizou a comunidade materna em busca de respostas. Bruna relata que teve suas palavras deslegitimadas ao explicar para as enfermeiras sobre a dor que estava sentindo, de fato, não ser normal. Segundo ela, seu corpo não suportava o sofrimento. Após Fani ficar horas sem receber nenhuma observação, as enfermeiras concordaram em ouvir os sinais do bebê e perceberam que algo não estava certo com Vicente.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O parto ocorreu durante a troca de plantão do hospital. A médica obstetra, apressada,&nbsp; disse: “vamos mãe, você não está se ajudando. Precisamos de mais força, senão vamos ficar aqui até de noite...”. Quando Vicente nasceu, a mãe não ouviu o choro. Sem demora, ele foi encaminhado para a sala do pediatra. Esses instantes foram apenas uma prova dos momentos tensos que Bruna viveria em seguida.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Segundo o pediatra de plantão, seu filho teve uma asfixia durante o parto: seis longos minutos sem respirar. Após ser reanimado, foi encaminhado à UTI Neonatal do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), onde foi entubado. Após dias de luta e agonia, três paradas cardíacas tiraram a vida de Vicente. Quando foi informada sobre o quadro do menino, a mãe se desolou: “a pediatria era no sexto andar, acredito que os seis andares ouviram os meus gritos, meu choro… ninguém me continha”.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Protocolo médico</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Não existe um protocolo hospitalar, propriamente dito, apenas para informar os familiares sobre um óbito perinatal, segundo a pediatra neonatal do HUSM, Roseli Henn. Contudo, há uma série de ações, não obrigatórias, que a equipe médica costuma realizar prezando o zelo para com os familiares. O óbito é informado pela equipe em um ambiente secundário. Em seguida, são oferecidos a ida até o leito para ver o bebê, o pegar no colo, a opção de gravar alguma digital, ou outro registro, e a oportunidade de vesti-lo com alguma roupinha da preferência.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A pediatra ressalta que, durante a estadia do neném na UTI neonatal, nenhuma informação sobre a gravidade do caso pode ser omitida. Apesar de a maioria dos casos não evoluírem ao óbito, é necessário que se oriente sobre a possibilidade. Em situações de extrema emergência, como em um quadro de evolução para uma paralisia cerebral, é recomendado que a equipe dos cuidados paliativos seja acionada para comunicar aos pais sobre o que, de fato, está acontecendo.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Em situações de falecimento intrauterino, acima de 20 semanas de gestação, é realizado o parto vaginal ou o parto cesáreo, de forma cirúrgica. Conforme a enfermeira obstétrica do HUSM, Amanda Zubiaurre de Barros, a escolha do parto baseia-se em uma série de fatores: é preferível que seja realizada a indução ao parto normal, ou de forma espontânea. Caso a mulher tenha cesarianas anteriores ou algo que contraindique o parto vaginal, opta-se pelo método cirúrgico.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>É ideal que em todo parto haja um acompanhante – companheiro, familiar ou amigo – de escolha materna, para notar as ações do obstetra e do pediatra, em casos de complicações durante a operação, como asfixia (mais comum), visto que a mãe se encontra em situação vulnerável. Ter a certeza de que foi realizado o possível para reanimar o recém-nascido, porém sem resultado, facilita a compreensão. Além disso, caso não haja alguém presente, a mãe terá que ser informada sobre o óbito sozinha.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Tabu</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>“Você é jovem, terá outros filhos”, “quem sabe você não seria uma boa mãe”, “foi a vontade de Deus”. Esses são exemplos de comentários que as mães ouvidas nesta reportagem relataram ter ouvido de familiares, amigos, conhecidos, e que tiveram impactos negativos ao invés de confortar. A psicóloga Janete Judite De Conti explica que existe uma dificuldade na sociedade em falar e entender o luto perinatal.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Depressão e síndrome do pânico foram citadas pelas mães como consequências do vivenciado. Tanto Jeniffer quanto Jaqueline e Bruna buscaram acompanhamento psicológico para expressar a dor e criar novos sentidos (existenciais) à experiência da perda e do sofrimento. O HUSM oferece atendimento psicológico e assistência social para mães e pais durante a internação da criança e após o óbito, conforme a enfermeira obstétrica Amanda Zubiaurre de Barros.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O suporte emocional e os vínculos saudáveis são necessários para que a mãe possa realmente sentir a ausência, caso contrário, o luto pode se tornar silencioso e negado, podendo evoluir para um luto complicado, segundo a psicóloga. Pela resistência que algumas pessoas e famílias têm em entender o fato da perda perinatal como um luto, cria-se uma barreira ou impedimento para que o outro possa sofrer e viver sua dor. Com isso, o sentimento acaba sendo reprimido e, internamente, devastador, complementa a psicóloga.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Segundo o relato das mães, os comentários religiosos feitos em redes e círculos sociais, na tentativa de acolher, provocaram revolta e descrença. Frases como: "Vivi uma situação parecida, mas graças a Deus meu filho sobreviveu” provocaram em Jeniffer e Bruna inúmeras revoltas contra suas crenças divinas. “Por que Deus ajudou essas crianças e o meu filho não?”, indagou-se Bruna ao relatar não entender como o amor e a piedade podem se&nbsp; transformar em preconceito e críticas.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Dor transformada em ativismo</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Nas redes sociais, Bruna recebeu mensagens de mulheres que haviam passado por situações semelhantes. A partir disso, ela buscou engajar-se na causa e lutar para que casos como o de Vicente não se repitam. “O amor e a energia da minha maternidade foram para o ativismo. Vivi minha maternidade nas ruas, por meu filho e pelas crianças que virão.”, destacou a mãe.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A ONG Amada Helena, de Porto Alegre, realiza projetos focados na transformação social acerca do luto parental. Entre eles, uma cartilha de orientação, com instruções sobre o que é positivo e o que é negativo de se dizer aos pais que perderam seus filhos recentemente, para não causar uma reação contrária ao seu objetivo: acolhê-los na dor.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Para mais informações sobre a ONG, acompanhe o Instagram: @ong.amadahelena ou visite o site: amada-helena.org</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:gallery {"linkTo":"none"} -->
<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped"><!-- wp:image {"id":3646,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2022/08/WhatsApp-Image-2022-08-09-at-09.25.32.jpeg" alt="Fotografia quadrada e colorida em plano aberto de um Grupo de pessoas, majoritariamente mulheres, em um protesto contra a violência obstétrica. Elas Carregam cartazes e banners sobre crianças que foram vítimas de procedimentos irresponsáveis e violência obstétrica durante o parto. Na frente do grupo, uma mulher cis, branca, com cabelos castanhos. Veste uma camiseta branca com escritas não legíveis e uma calça jeans preta e usa uma touca vermelha. Com as mãos perto da boca, segura um megafone vermelho." class="wp-image-3646" /></figure>
<!-- /wp:image -->

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<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2022/08/WhatsApp-Image-2022-08-09-at-09.25.32-1.jpeg" alt="Fotografia quadrada em preto e branco de um protesto contra a violência obstétrica. Mulheres seguram uma faixa com a escrita: Pelas crianças, pela saúde, pela vida!!! Em primeiro plano, uma mulher de costas. Veste uma camiseta branca com a escrita: A justiça é cega, mas as mães não são! E usa uma touca de cor escura. Ao fundo da imagem, um ônibus de transporte público e ao lado um caminhão com cartazes de crianças." class="wp-image-3647" /></figure>
<!-- /wp:image --></figure>
<!-- /wp:gallery -->

<!-- wp:paragraph {"align":"right"} -->
<p class="has-text-align-right"><em>Reportagem: </em>&nbsp;<em>Gabriela Wohlenberg e Nathalia Espindola</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph {"align":"right"} -->
<p class="has-text-align-right"><em>Ilustração:</em> <em>Andressa Gonçalves</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph {"align":"right"} -->
<p class="has-text-align-right"><em>Galeria: Arquivo pessoal de Bruna Fani</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>DESAFIOS DO TRANSPORTE COLETIVO NO RETORNO PRESENCIAL</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2022/08/08/desafios-do-transporte-coletivo-no-retorno-presencial</link>
				<pubDate>Mon, 08 Aug 2022 20:37:50 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[27ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[27ed]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[retorno]]></category>
		<category><![CDATA[UFSM]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=3637</guid>
						<description><![CDATA[Em 2020, todos foram surpreendidos com a pandemia da Covid-19 e obrigados a encarar uma nova realidade: a quarentena. Nesse cenário, a comunidade acadêmica teve de se adaptar para seguir com as atividades na segurança de casa, por meio do ensino remoto. Após dois anos de isolamento social, os estudantes retornam à universidade e a [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:image {"align":"center","id":3642,"width":768,"height":410,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2022/08/DSC0726-1-e1659987410861-1024x547.jpg" alt=" Foto horizontal colorida de um ponto de ônibus com várias pessoas e um ônibus em tons de laranja e branco. A imagem está em um plano geral fechado e o ônibus está levemente na diagonal direita. A parte frontal do ônibus é branca, e tem um letreiro luminoso com o texto “T. Neves” e o número “1961” ao lado; o parabrisa tem um ícone de acessibilidade para pessoas usuárias de cadeira de rodas nas cores azul e branca, e o parachoque é da cor laranja. A lateral é dividida horizontalmente na cor laranja e branca por uma linha ondulada, em que a parte branca ocupa o espaço inferior. No lado esquerdo, há várias pessoas paradas embaixo de uma estrutura metálica na cor preta, em formato de toldo. A maioria está de costas ou de perfil, algumas seguram mochilas e bolsas. As pessoas que se encontram de lado ou de frente usam máscara. O fundo tem  árvores altas e com copa com poucas folhas, o céu na cor azul claro, sem nuvens, e a fachada de um prédio. " class="wp-image-3642" width="768" height="410" /></figure></div>
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<p>Em 2020, todos foram surpreendidos com a pandemia da Covid-19 e obrigados a encarar uma nova realidade: a quarentena. Nesse cenário, a comunidade acadêmica teve de se adaptar para seguir com as atividades na segurança de casa, por meio do ensino remoto. Após dois anos de isolamento social, os estudantes retornam à universidade e a mobilidade voltou a ser uma preocupação. As principais reclamações dos acadêmicos são a limitação de horários ofertados e a superlotação.</p>
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<p>O Secretário de Mobilidade Urbana, José Orion Ponsi da Silveira, explica que em razão de uma queda de aproximadamente 85% no número de passageiros transportados no início da pandemia, algumas medidas foram adotadas a fim de reduzir os custos com a estrutura do transporte e de manter uma tarifa equilibrada para os usuários. “Foi feita uma redução de 100 veículos, de 50% dos salários dos diretores das empresas transportadoras e de 50% dos cobradores, o que resultou numa economia estimada em 15 milhões de reais", disse o Secretário.</p>
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<p>A baixa demanda também acarretou na supressão de horários e de seis linhas, que passaram a ser atendidas pelas demais, além da união de cinco setores. Mais tarde, um novo corte no número de cobradores manteve apenas 25% dos funcionários, e o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) - taxa presente na passagem que é recolhida pelas empresas responsáveis e entregue à prefeitura - foi convertido. </p>
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<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2022/08/TABELA-3-e1659990089514-1024x380.png" alt="Tabela informativa horizontal com o título: “Dados do período pandêmico”. A tabela é formada por cinco colunas e quatro linhas. A primeira coluna e a primeira linha são da cor laranja, e o restante da tabela tem a cor cinza. A primeira linha faz referência à quantidade de ônibus em operação durante os anos de pandemia. Em  2019: 235; em 2020 e 2021: 117; e em 2022: 190. A segunda linha refere-se ao número de passageiros por dia.Em 2019: 100 mil; em 2020 e 2021: 12 mil; e em 2022: 50 mil. A terceira linha do número de estudantes. Em 2019: 1,721 milhão; em 2020: 510 mil; em 2021: 167 mil; e em 2022: 735 mil." class="wp-image-3643" width="768" height="285" /><figcaption><em>Média fornecida pela Secretaria de Mobilidade Urbana</em></figcaption></figure></div>
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<p><strong>O dilema entre a economia e o corte de servidores</strong></p>
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<p>O presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Condutores de Veículos Rodoviários de Santa Maria e Região (Sitracover), Rogério dos Santos Costa, conta que antes da pandemia havia cerca de 1000 trabalhadores no setor, porém atualmente existe apenas metade desse número. De acordo com ele, o principal fator dessa queda foi o fim parcial do ofício do  cobrador por meio de um decreto não informado pela prefeitura à Sitracover, e ressalta que não foram apenas 500 cobradores demitidos, mas quinhentas famílias que, de repente, se viram desempregadas. “Foi o fim de um posto de trabalho, esses cobradores podem fazer um curso e se tornarem motoristas, mas então quinhentos motoristas serão demitidos. É uma perspectiva triste, mas infelizmente é inevitável, cada vez mais cidades estão cortando essa função”, afirmou.</p>
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<p>Os motoristas, segundo Rogério, se sentem insatisfeitos porque seus serviços dobraram, e não estão recebendo a mais por isso. Além de receber os pagamentos, o condutor precisa ficar atento à catraca, que está distante, e isso torna ainda mais lento o embarque dos passageiros. As negociações salariais estão em andamento e já foi  sinalizada  a questão desses trabalhadores ganharem um aumento por exercer a função de cobrador. No entanto, não há previsão para o ajuste, apenas foi oferecida uma comissão de 3%, a princípio.  Mas, de acordo com o presidente, essa porcentagem pode ser cortada a qualquer momento: “Nós não queremos comissão, nós queremos incorporação ao salário” disse. </p>
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<p>Em respostas às queixas do sindicato o secretário afirma que, em um primeiro momento, não aconteceu  uma conversa inicial com a Sitracover sobre o corte dos cobradores, devido a necessidade de fazer isso o mais rápido possível. Entretanto, no segundo corte de 25%, realizou-se a discussão para atualizá-los dos fatores que motivaram essa redução. Ele revelou que, em virtude da queda no volume de usuários,  o custo mensal para manter os ônibus em funcionamento ultrapassou um milhão de reais por mês e o impacto financeiro no município chegou a dois milhões. Conforme Orion Ponsi, para economizar precisavam ser feitos cortes urgentes sob o risco de um colapso do sistema. Caso naquele momento não houvesse o corte dos cobradores, todo o grupo de funcionários e passageiros sairia prejudicado.</p>
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<p><strong>Licitação e a problemática na UFSM</strong></p>
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<p>Diante desse contexto, o acadêmico do 6º semestre de Engenharia Acústica, Wellington Bertagnolli Veiga, diz estar insatisfeito com o transporte coletivo, sobretudo no  que se refere à organização dos horários, a superlotação e o prolongado tempo de viagem devido a união das linhas. O aluno conta que, para se deslocar até o campus utiliza a linha Tancredo Neves Via Santa Marta e, muitas vezes, tem de chegar na universidade uma hora antes do planejado, por causa dos grandes espaços entre os horários ofertados e da incompatibilidade com o início do período das aulas.  </p>
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<p>De acordo com o secretário, tanto o retorno de veículos que haviam sido suspensos durante a pandemia, quanto a divisão dos setores unidos está acontecendo gradativamente, conforme as  necessidades dos usuários. Contudo, em relação ao atendimento dos alunos da UFSM, revela ter dificuldades para adequar a distribuição de horários e a quantidade da frota devido à perda do padrão de referência por causa da quarentena. Além disso, relatou que a gestão do sistema de transporte de Santa Maria sempre foi feita pelas empresas transportadoras e que ao município cabia apenas a fiscalização do serviço. Ressalta, no entanto, que existe uma movimentação para tornar a gestão compartilhada com a administração municipal, a fim de garantir que esteja cada vez mais próxima da demanda da população. </p>
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<p>Em relação à redução do valor da passagem, um subsídio de R$6,24 milhões que prevê o reajuste tarifário de R$4,85 para R$4,50 até o final do ano para aqueles que utilizam o cartão cidadão e vale-transporte, foi sancionado pelo prefeito Jorge Pozzobom, no dia 14 de junho. O preço, para quem paga em dinheiro ou utiliza o cartão de estudante, se manteve em R$5 e R$2,50, respectivamente. Para o secretário Ponsi, o subsídio é a forma mais democrática do pagamento da tarifa, visto que toda a sociedade se beneficia  do uso do serviço, na medida em que este reduz o volume de carros nas vias, o congestionamento, a poluição e o tempo de resposta de atividades essenciais como a de emergência e o policial.</p>
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<p>De acordo com ele, pela primeira vez em 50 anos será realizada a licitação do sistema de transporte de Santa Maria, por se tratar de uma exigência legal. Tal procedimento prevê uma reorganização em todo o conjunto e faz exigências como: a modernização dos ônibus, o aporte de veículos elétricos ou de outras tecnologias limpas e a implementação de tecnologias no processo de bilhetagem. </p>
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<p>Esta licitação permitiria que o pagamento da passagem também fosse realizado com cartão de crédito e débito de todas as bandeiras e bancos. Ademais, Ponsi afirma que será contratada uma empresa transportadora, e que a licitação possibilita uma adição contratual na casa dos 25%, para garantir a prestação dos serviços, caso haja aumento no número de passageiros. A proposta seria apresentada ao mercado no dia 30 de junho, mas a pedido do Conselho Municipal de Transportes (CMT) a apresentação foi prorrogada para janeiro de 2023. </p>
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<p>No entanto, tais melhorias permanecem sendo apenas promessas. Enquanto isso, os estudantes continuam reféns das antigas e novas dificuldades. Veiga relata que antes da pandemia o serviço já não era satisfatório, mas os cortes no orçamento do setor intensificaram os problemas e a precariedade dos veículos. “Os ônibus precisam ser trocados, estão muito velhos. Um dia, o ônibus em que eu estava, simplesmente, apagou no meio de uma curva no final da Faixa Nova. Chegou a um ponto onde a nossa segurança também está ameaçada pela má qualidade e pelo desgaste da estrutura.” disse. Diante de tantos problemas, a comunidade vai aguardar e cobrar pelo cumprimento das medidas prometidas.</p>
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<p class="has-text-align-right"><em>Reportagem:</em> <em>Adriana Ossuna e Camilly dos Santos Barros</em></p>
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<p class="has-text-align-right"><em>Foto: Júlia Petenon</em></p>
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<p class="has-text-align-right"><em>Contato:</em></p>
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<p class="has-text-align-right"><strong>adriana.ossuna@acad.ufsm.br</strong></p>
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<p class="has-text-align-right"><strong>camilly.barros@acad.ufsm.br</strong></p>
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