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				<title>TINA VIERO: PROFISSÃO PAIXÃO</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2023/07/30/tina-viero-uma-historia-de-esperanca</link>
				<pubDate>Sun, 30 Jul 2023 14:55:55 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[28ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Perfil]]></category>
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		<category><![CDATA[ed28]]></category>
		<category><![CDATA[Enfermagem]]></category>
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						<description><![CDATA[A técnica de enfermagem soma mais de 30 anos dedicados ao trabalho na saúde infantil.]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:image {"align":"center","id":3793,"width":768,"height":576,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image aligncenter size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2023/07/maria-eduarda-pag-27-1024x768.jpg" alt="Fotografia quadrada e colorida de Tina, uma mulher branca de meia idade em frente a um quadro. A fotografia está em primeiro plano. Tina tem estatura baixa, cabelos curtos, loiros e lisos, tem olhos castanhos. Ela usa óculos de grau com armação transparente e brincos pequenos e dourados. Ela veste uma jaqueta com capuz, que é grossa, nas cores azul, branca e rosa, sobre camiseta branca. Atrás dela, um quadro colorido da &quot;Turma do Ique&quot; em uma parede branca. O quadro tem as cores laranja, azul marinho e branco. No lado esquerdo do quadro, desenho de uma criança em pé, que sorri e está com o punho direito para cima. Ao lado da criança, o nome &quot;Turma do Ique&quot;. O quadro tem moldura branca. Ao fundo, parede branca." class="wp-image-3793" width="768" height="576" /><figcaption class="wp-element-caption">Tina Viero | Foto: Vitória Sarturi</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Ao chegar na Turma do Ique, fui recebida por Tina, uma figura acolhedora que me cumprimentou com um sorriso. Ela vestia um uniforme, o que indicava seu envolvimento com o projeto.&nbsp; O ambiente estava movimentado, com crianças que corriam pelo <em>playground </em>e adolescentes acompanhados de seus familiares. Apesar da diferença de idade, todos estavam ali pelo mesmo motivo: consultas médicas.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Na tentativa de encontrar um lugar silencioso, fomos ao escritório. Mas ainda assim houveram algumas interrupções: crianças e adolescentes procuravam por Tina para dar um beijo de bom dia. Essas demonstrações de carinho chamaram minha atenção e levantaram o questionamento sobre o envolvimento dela na Turma do Ique. Por que ela é tão querida pelos jovens atendidos no projeto?</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:quote -->
<blockquote class="wp-block-quote"><!-- wp:paragraph {"align":"center"} -->
<p class="has-text-align-center"><strong>O CENTRO DE TRATAMENTO E CONVIVÊNCIA:</strong><br><em>Desde sua criação, a Turma do Ique é um espaço acolhedor e foi criado com o intuito de trazer um pouco de alegria à vida de jovens que passam pelo câncer.</em></p>
<!-- /wp:paragraph --></blockquote>
<!-- /wp:quote -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Maria Cristina Faria Corrêa Viero, mais conhecida como Tina, é a primeira a chegar todos os dias, pontualmente às 6h20 da manhã. Mesmo que não seja uma obrigação, ela abre&nbsp; as portas da instituição, o que demonstra&nbsp; cuidado e consideração pelos pacientes - especialmente aqueles que enfrentam longas viagens, principalmente durante o inverno. Sua preocupação é visível já que&nbsp; muitos deles realizam trajetos noturnos para chegar até o centro de convivência.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Sua história com a instituição começou em um momento delicado na vida pessoal, o que resultou no afastamento do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), onde trabalhava como Técnica em Enfermagem há mais de 30 anos. Foi nesse período que Lenir Gebert, uma amiga, a convidou para participar da Turma do Ique. Desde então, Tina encontrou seu propósito: auxiliar e cuidar das crianças e adolescentes em tratamento e levar a eles esperança e carinho em meio às adversidades.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Segundo ela, a Turma do Ique é um céu aberto para quem frequenta o local, sendo um contraste com épocas anteriores em que crianças ficavam nos corredores do hospital com os adultos. Embora o trabalho com jovens tenha acontecido por acaso, Tina percebeu que tinha um dom para isso.”É maravilhoso para mim deixá-los à vontade e ser escolhida por eles. Meu papel é dar colo a cada um que chega aqui. Sinto que é uma missão cumprida na minha vida’’.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Durante a conversa, fomos interrompidas por uma adolescente que abriu a porta do escritório em busca de Tina. Um sorriso se formou no rosto da enfermeira ao receber um simples ‘’bom dia’’ e um carinhoso beijo em sua bochecha. Ela comenta que esses gestos, como o da jovem, sempre chegam a ela de forma espontânea. Sobre os afetos que recebe, Tina os compara com um plantio: ‘’Se você plantar morangos, colhe morangos, e eu colho um monte de moranguinhos. É uma sensação muito boa’’.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Tina diz que todos os dias há momentos marcantes na Turma do Ique. Para ela, os melhores são quando o paciente está no projeto apenas para uma revisão. Com o consentimento dos pais, faz questão de compartilhá-los em suas redes sociais. Para isso, conta que precisa ter cautela, já que às vezes pode ocorrer a recidiva do câncer. Ao falar de sua rotina no projeto, ela expressa seu amor e cuidado pelos jovens: "São filhos que a enfermagem me deu para cuidar e proteger’’.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:heading {"level":5} -->
<h5 class="wp-block-heading"><strong>“O câncer não para”</strong></h5>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Durante a pandemia, a Turma do Ique não fechou as portas porque ‘’o câncer não para’’, conforme relata Tina. Como Técnica de Enfermagem, ela conta que recepcionava os pacientes na portaria e verificava suas temperaturas. Mesmo com o medo do desconhecido, os funcionários da instituição trabalharam normalmente.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A dedicação de Tina é evidente em cada gesto de carinho e cuidado com os jovens em tratamento. A Turma do Ique não é apenas um trabalho, mas um compromisso que vai além das responsabilidades profissionais. Para Tina,  é o amor que impulsiona a sua atuação diária em que vocação e paixão se entrelaçam para fazer a diferença na vida daqueles que precisam: “A Turma do Ique para mim é profissão paixão.’’  </p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots" />
<!-- /wp:separator -->

<!-- wp:heading {"level":3} -->
<h3 class="wp-block-heading">Uma história de esperança</h3>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Tina ingressou na UFSM por meio de concurso público em 1983, quando o HUSM chegava ao décimo terceiro ano de funcionamento. O interesse dela  pela área da saúde surgiu na infância por conta de seu pai, Miguel Sevi Viero, que era médico e tinha o consultório em casa. Nessa época, antes de iniciar o curso, já auxiliava o pai como instrumentadora cirúrgica. Ela conta que antes de iniciar no curso, já o auxiliava sendo instrumentadora cirúrgica.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Tina começou sua carreira na ala psiquiátrica, mas como descobriu que não era o que gostava de fazer, ficou na função por apenas seis meses.&nbsp; Decidida a explorar outras oportunidades, foi para o CTI, em que permaneceu por dez anos. Mais tarde, por necessidades de serviço, fez sua última mudança: foi para a&nbsp; Hemato-Oncologia. Desde então, já são 30 anos no serviço.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:pullquote {"style":{"typography":{"fontStyle":"normal","fontWeight":"500"}}} -->
<figure class="wp-block-pullquote" style="font-style:normal;font-weight:500"><blockquote><p>O serviço de Hemato-Oncologia é especializado no cuidado de crianças e adolescentes com leucemias, tumores e distúrbios hematológicos. Nessa unidade é fornecida assistência multiprofissional com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos pacientes e reintegrá-los à vida social.</p></blockquote></figure>
<!-- /wp:pullquote -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Segundo Tina, na época em que começou, Santa Maria era referência no tratamento de câncer infantil. Ela conta que no passado, as crianças eram acomodadas em lugares que não eram apropriados, como em alas de pediatria ou junto aos adultos. Por isso, houve a necessidade de criar um centro de transplante e uma ala específica para crianças imunodeprimidas. Foi nessa época que, em parceria com sua amiga Lenir Gebert, participou da fundação do Centro de Transplante de Medula Óssea (CTMO) e do Centro de Atendimento à Criança e Adolescente com Câncer (CTCriaC). Nessas circunstâncias, as condições de trabalho eram diferentes: <em>‘’Havia menos chefes e conseguimos muitas coisas através da parceria e boa vontade das pessoas. Todos eram muito focados.’’</em><strong><em> </em></strong>conta Tina.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A Técnica em Enfermagem relata que passou por todas as áreas da Hemato-Oncologia: coletas de medula óssea e células tronco, além da aféreses - área em que ocorre a separação dos componentes do sangue por meio de um equipamento automatizado. Também auxiliou as colegas no isolamento protetor, ou seja, quarto privado para pacientes que têm algum tipo de infecção comprometida.<em>‘’A Hemato-Oncologia enfrentava uma grande demanda em um espaço limitado, então foram realizadas mudanças para garantir a segurança e o bem-estar dos pacientes’’</em>,<em> complementa Tina.&nbsp;</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Ela enfatiza que a Hemato-Oncologia, a partir desses serviços, oferece melhores condições para as crianças e os adolescentes, ao proporcionar um espaço ao ar livre e protegido.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O paciente hemato-oncológico desenvolve uma conexão afetiva muito forte com a equipe. Por isso, durante sua trajetória no hospital, ela lembra que presenciou vitórias que a marcaram muito. Também enfrentou perdas que foram difíceis de assimilar porque o&nbsp; hospital não oferece apoio psicológico adequado para lidar com essas situações.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

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<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots" />
<!-- /wp:separator -->

<!-- wp:paragraph {"align":"right"} -->
<p class="has-text-align-right"><strong>Reportagem: </strong><em>Maria Eduarda Silva da Silva</em><br><strong>Contato:</strong> <em><a href="mailto:%6d%61%72%69%61-%73il%76%61.%32@%61%63%61d%2e%75f%73%6d%2e%62%72">maria-silva.2@acad.ufsm.br</a></em></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>A TRANSFORMAÇÃO DA CIÊNCIA PELA TECNOLOGIA</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2023/07/20/a-transformacao-da-ciencia-pela-tecnologia</link>
				<pubDate>Thu, 20 Jul 2023 12:00:32 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[28ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[ed28]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=3805</guid>
						<description><![CDATA[Professor  aborda os benefícios e desafios éticos presentes no uso desses mecanismos]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:image {"align":"center","id":3807,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2023/07/Maria-Fernanda-Dias-Entrevista-1-1-1024x683.jpg" alt="Fotografia retangular e colorida de homem branco de meia-idade, que está de perfil. Ele tem barba, bigode e cabelos em transição do preto ao grisalho, tem nariz pontudo e olhos castanhos. Ele veste uma camisa jeans fina e azul em um tom médio. Usa óculos de grau em armação redonda. Está com expressão facial séria e olha para o lado direito da imagem. Atrás dele, uma estante com dois analisadores de espectros de cor branca em formato retangular. Ao fundo, uma parede com tomadas dispostas na horizontal para que os aparelhos sejam conectados." class="wp-image-3807" /><figcaption class="wp-element-caption">Professor André Luiz Aita | Foto: Vitória Sarturi</figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Docente da UFSM há mais de 20 anos, André Luiz Aita tem graduação em Engenharia Elétrica e mestrado em Ciências da Computação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), doutorado pela <em>Delft University of Technology (Delft)</em>, na Holanda, e hoje é docente do Programa de Pós-Graduação de Ciências da Computação na UFSM.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Com experiência na área de ciência da computação, Aita explora as possibilidades transformadoras proporcionadas e discute os desafios éticos e de privacidade associados ao seu uso. Em entrevista para a .TXT, ele compartilha sua visão sobre as responsabilidades dos desenvolvedores em garantir o uso ético e responsável das inovações.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>.TXT: Como a ciência da computação ajuda a resolver problemas complexos que antes eram considerados insolúveis?</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>André: </strong>Não eram insolúveis. A solução que ainda não era conhecida. Por exemplo, a matemática, às vezes, tem problemas insolúveis talvez porque ainda não se tenha descoberto a solução. A computação trabalha com programação, que necessita de processadores, de computadores, para que o algoritmo e o programa rode. E a tecnologia, nos últimos anos, vem evoluindo de tal forma que esses processadores e esses computadores evoluíram muito. Então, aquelas tarefas que a princípio eram insolúveis porque consumiam muito tempo, hoje conseguimos fazer talvez em um dia ou em uma hora.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>.TXT: Você acredita que existam desvantagens no uso excessivo da tecnologia na pesquisa?</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>André: </strong>Todo excesso é prejudicial e não só nessa área. Então nós temos que saber dosar. Eu diria assim: excessos são prejudiciais. A resposta é simples e não está associada à tecnologia. Se você toma a tecnologia e a usa em excesso, pode ter algum problema, algum revés em função desse uso demasiado.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>.TXT: Quais são os desafios éticos e de privacidade associados ao uso da tecnologia na pesquisa científica?</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>André: </strong>A tecnologia permite a fácil comunicação. Não é a tecnologia que resulta nessa suposta falta de privacidade. Nós observamos as pessoas se expondo a partir de uma ferramenta que existe, certo? Quantas fotos você e eu temos publicadas na internet hoje? E essas fotos não se apagam nunca mais. A ferramenta que você tem disponível é que te permite se expor. A tecnologia está disponível, mas é você que escolhe se vai querer se expor ou não.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>.TXT: Como os avanços em tecnologia afetam a forma como a ciência é aprendida?&nbsp;</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>André: </strong>Durante a pandemia percebemos um enorme avanço da tecnologia para ensino remoto e aprendizado. Antigamente, nós tínhamos uma única referência, que era a biblioteca, ou íamos ao professor, que era quem tinha o conhecimento. Hoje temos uma abundância de informações: não necessariamente são todas verdadeiras, mas há uma abundância delas.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>.TXT: Quais são as responsabilidades dos desenvolvedores de tecnologia em garantir que suas inovações sejam utilizadas de forma ética e responsável?&nbsp;</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>André: </strong>O fabricante de uma faca é responsável por sua produção. Qual é a responsabilidade dele durante a fabricação da faca? Seria a mesma que aquele responsável pela tecnologia tem? Em outras palavras, qual será o uso que você dará a essa faca? No momento que se disponibiliza esse recurso, você sabe que permite que pessoas de má índole o utilizem. Que façam mau uso da tecnologia. De certa forma, têm responsabilidade. Às vezes, você constrói algo para o melhor uso e nem imagina que aquilo que produz terá um uso que não esperava. Normalmente projetamos coisas para que sejam bem utilizadas.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:spacer {"height":"30px"} -->
<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>
<!-- /wp:spacer -->

<!-- wp:paragraph {"align":"right"} -->
<p class="has-text-align-right"><strong>Reportagem: </strong><em>Maria Fernanda Dias</em><br><strong>Contato:</strong> <em><a href="mailto:ma%72i%61f%65%72nand%612%30%301%2e%6df%6d@%67ma%69%6c.%63o%6d">mariafernanda2001.mfm@gmail.com</a></em></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>ALUNA DE OURO</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2022/08/12/aluna-de-ouro</link>
				<pubDate>Fri, 12 Aug 2022 20:00:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[27ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Comunidade]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[27ed]]></category>
		<category><![CDATA[Acessibilidade]]></category>
		<category><![CDATA[deficiência auditiva]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[inclusão]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[UFSM]]></category>

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						<description><![CDATA[A audição é um sentido capaz de promover sensações únicas e incomparáveis. Para os que a possuem na sua totalidade, ouvir uma música, conversar pelo telefone e escutar os sons da natureza são coisas comuns que passam na maioria das vezes despercebidas. Imagine viver sem isso.&nbsp; No dia 13 de junho, a TXT entrevistou a [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:image {"align":"center","id":3650,"width":768,"height":512,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2022/08/I-1-1024x683.jpg" alt=" Fotografia horizontal e colorida de uma mulher de pele branca na parte direita da imagem. Ela está de perfil direito, em plano médio longo. Ela está com expressão facial de vibração, a boca está aberta, os braços estão dobrados para cima e o corpo está inclinado para trás. Tem pele branca, rosto angular, olhos escuros e cabelos loiros e lisos presos em um coque na parte superior da cabeça. Ela veste camiseta amarela com detalhes em verde nas mangas e a bandeira do Brasil no lado direito do peito, short azul marinho justo e joelheiras brancas. Ela está em uma quadra de vôlei  na cor salmão. O fundo é dividido, de forma horizontal, em três linhas: na parte superior, a cor roxa; na parte central, a cor azul celeste, e na parte inferior, a cor salmão." class="wp-image-3650" width="768" height="512" /><figcaption><em>Foto: Tiago Moreira</em></figcaption></figure></div>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A audição é um sentido capaz de promover sensações únicas e incomparáveis. Para os que a possuem na sua totalidade, ouvir uma música, conversar pelo telefone e escutar os sons da natureza são coisas comuns que passam na maioria das vezes despercebidas. Imagine viver sem isso.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>No dia 13 de junho, a TXT entrevistou a doutoranda em Medicina Veterinária pela UFSM, Eduarda Santi. Natural de Nova Palma, RS, a estudante foi diagnosticada com deficiência auditiva e, desde a infância, se acostumou a quebrar barreiras com a ajuda das duas paixões de sua vida: o esporte e o estudo.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Inúmeras vezes campeã pelo Santa Maria Soldiers, Eduarda alcançou a sua maior glória esportiva no ano de 2022, quando disputou as Surdolimpíadas Mundiais na modalidade vôlei. O evento ocorreu no mês de maio, em Caxias do Sul. Quanto aos estudos, dedicou uma década de sua vida à UFSM. Dos dez anos, quase nove foram vividos na Medicina Veterinária e o resto na Odontologia, que cursou até o terceiro semestre.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong><em>.TXT: </em></strong><strong>Há quanto tempo você está na UFSM? Como foi o seu início na Instituição?</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Eduarda:</strong> Estou há 10 anos na UFSM. Eu me formei no ensino médio no final de 2010 e passei por meio do PEIES em Odontologia. Na época, eu escolhi esse curso em decorrência da minha deficiência auditiva e da questão da mulher no mercado de trabalho da Veterinária. Os meus pais queriam que eu fizesse um curso mais tranquilo, porque o meu pai é veterinário, então ele sabe que se trata de um trabalho mais pesado e mais sujo. No fim, eu fiz até o terceiro semestre de Odontologia, aguentei só as cadeiras básicas. No terceiro semestre, passei a ter aulas de “Saúde Coletiva” e tínhamos que atender jovens em uma escola aqui de Santa Maria. Na primeira vez que fui atender uma criança, percebi que não era o que eu queria. Além disso, eu tenho umas amigas que faziam Veterinária e me falaram muito bem do curso, eu só conseguia pensar que eu devia fazer também. Então, resolvi começar umas cadeiras do curso como aluna especial e eu amei. No ano seguinte fiz o vestibular e fui aprovada.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong><em>.TXT:</em></strong><strong> Como é a sua relação com a Medicina Veterinária dentro da UFSM?</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Eduarda:</strong> Dentre todas as áreas da Veterinária, eu sempre pensei em trabalhar com campo. No 3º semestre, acabei conhecendo o Laboratório de Parasitologia e gostei muito, tanto que estou no laboratório até hoje. Eu me formei no final de 2018 e em 2019 comecei o mestrado. Em 2020 veio a pandemia e essa parte do mestrado ficou complicada, porque eu estava no início do experimento, que tinha como objetivo testar a eficácia de um tipo de cogumelos contra larvas e adultos de uma espécie de mosca varejeira. Por causa disso, eu disse que nunca faria doutorado porque queria fazer um ano sabático. Nessa época, voltei a praticar esportes e entrei na Associação de Surdos de Santa Maria. Eu joguei os Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), e quando você está na universidade, tem muitas oportunidades nesses eventos. Então, fui conversar com algumas pessoas da UFSM e me falaram para começar o doutorado. Conversei com a professora Gláucia, que eu já admirava, manifestei interesse em fazer o doutorado e ela aceitou me orientar.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong><em>.TXT:</em></strong><strong> Como você sente a questão da acessibilidade na UFSM? </strong><strong>Ocorreram </strong><strong>mudanças nos 10 anos que você está na Instituição?</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Eduarda:</strong> Falando sobre mim, eu sou surda oralizada, então, não preciso de intérprete. Na Odontologia, por exemplo, achava que a coordenação pudesse avisar os professores. Então, fui para a aula achando que eles já tinham sido avisados sobre a minha deficiência. Eu cheguei a sofrer preconceito, colegas dando risada, e isso foi um dos motivos para eu mudar de curso. Quando eu cheguei na Veterinária, o coordenador disse que eu tinha que avisar os professores e os colegas da minha deficiência, explicar a situação para eles. A questão da acessibilidade em si, no que diz respeito ao pessoal, melhorou muito, mas só me ajudou porque eu já falava, ninguém foi atrás de mim para perguntar se estava tudo bem. No doutorado, por causa da pandemia, o uso de máscara foi complicado, porque como eu faço muita leitura labial, foi horrível para mim. Quanto aos professores, a professora do laboratório que eu trabalho, por exemplo, ficou com medo no início, mas ela foi muito receptiva. O pessoal todo da Veterinária foi muito receptivo.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong><em>.TXT:</em></strong><strong> Como começou essa sua relação com o esporte? Quando passou a ser algo mais sério?</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Eduarda: </strong>Desde criança eu não gostava de brincar de boneca, mas adorava jogar futebol por causa dos meus tios. A minha mãe me influenciava muito, ela gostava que eu pudesse conversar com pessoas diferentes e então, eu jogava em vários times. Joguei handebol, futebol, vôlei, tênis de mesa, tudo que possa imaginar. O momento que eu passei a ver o esporte de forma mais séria foi quando eu comecei a jogar futebol americano no Santa Maria Soldiers. Eu competi durante 5 anos, mas por causa do doutorado, tive que limitar algumas coisas, já que era muita tarefa para mim.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"align":"center","id":3651,"width":768,"height":513,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2022/08/ALX_1761-1024x684.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida em tons de verde e azul, de uma mulher de pele branca que segura uma bola de futebol americano atrás da cabeça. Ela está no centro da imagem, de perfil, em plano geral fechado, e tem pele branca, cabelos lisos e compridos na cor loiro escuro, presos em rabo de cavalo. Veste camisa branca com detalhes em verde escuro, calção escuro, meias pretas longas e chuteiras verdes com detalhes escuros. Está com o braço direito inclinado para trás, e com uma bola avermelhada de futebol americano na mão. Ao fundo, em desfoque, sete mulheres com camisas com camisa azul e calção preto, e dois homens com roupas em cinza e em preto. Estão em um gramado verde claro e, ao fundo, estrutura de metal cinza e alta, um muro de concreto cinza e árvores em tons de verde. " class="wp-image-3651" width="768" height="513" /><figcaption><em>Foto: Arquivo pessoal de Eduarda Santi</em></figcaption></figure></div>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong><em>.TXT: </em></strong><strong>Em uma partida, você sente dificuldades para se comunicar com companheiras ouvintes?</strong></p>
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<p><strong>Eduarda:</strong> Toda vez que eu ia treinar em um time de ouvintes, eu tinha que avisar da minha deficiência. Se alguém me chama de costas, eu dificilmente escuto, então tem que vir e fazer o toque para eu virar de frente. São coisas meio complicadas, porque as pessoas precisam se dar conta que precisam estar de frente para mim. No futebol americano, por exemplo, que eu joguei por 5 anos, o treinador não podia gritar ou falar para mim, então a gente se comunicava muito por sinais. Nós treinamos algumas jogadas e ele fazia o uso das mãos, ou só mexia a boca, porque eu faço leitura labial. Outra alternativa era com a ajuda de uma colega que ia falar com ele e passava a mensagem para mim. Mas é uma situação complicada, às vezes, o colega esquece, acontecia algum probleminha e a pessoa vinha pedir desculpas.&nbsp;</p>
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<p><strong><em>.TXT:</em></strong><strong> Como foi o convite para disputar as Surdolimpíadas?</strong></p>
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<p><strong>Eduarda:</strong> Uma menina da Veterinária queria jogar vôlei de areia, e eu não jogava há muito tempo. Nós jogamos e ela disse que tinha gostado do meu estilo de jogo. Uma semana depois, tinha a convocação da UFSM para jogar o JUBs, os Jogos Universitários Brasileiros em Brasília, e isso foi meio que um convite, porque tinham 10 meninas e precisavam de mais uma. Então, eu fiquei dois meses treinando e fomos para Brasília, ficamos bem colocadas. Passou um tempo e a treinadora da seleção gaúcha masculina soube, por um amigo do meu treinador, que tinha uma deficiente auditiva que jogava vôlei com ouvintes. Assim, ela disse para eu entrar no time da seleção gaúcha para jogar as Surdolimpíadas Nacionais em São José dos Campos (SP). Na competição, estava o treinador da seleção brasileira e ele me viu. Depois disso, ele me mandou mensagens dizendo que queria me ver na seletiva da seleção. Isso foi em janeiro deste ano e logo depois fui convocada.</p>
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<p><strong><em>.TXT: </em></strong><strong>Como é para você conciliar o esporte com os estudos?</strong></p>
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<p><strong>Eduarda:</strong> Em função das Surdolimpíadas, eu fiquei 2 semanas longe dos estudos. Quando eu voltei para o laboratório, tinha muita informação, foi bem difícil, porque o doutorado ainda é muito novo para mim. Então, agora eu quero recuperar o ritmo dos estudos para depois voltar a treinar, porque eu penso que se é para fazer algo, tem que ser bem feito. Não quero fazer "meia boca”. Se fosse assim eu jogava vôlei com a cabeça no laboratório e ficava preocupada pensando nas coisas que teria que fazer, a maneira que eu teria que estudar.</p>
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<p><strong><em>.TXT:</em></strong><strong> Qual a sensação de representar o Brasil em uma competição dessa relevância?</strong></p>
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<p><strong>Eduarda: </strong>É muito incrível saber que você está ali representando o Brasil. Achei uma experiência muito legal, que eu vou levar para a vida. Só que ao mesmo tempo, foi muito exaustivo. Tinha muita pressão, muita informação nova. Mas eu pretendo continuar, tanto que, quando eu fui para lá, me chamaram para o time de handebol, para jogar o mundial na Dinamarca no ano que vem. Já no vôlei, o treinador me disse para treinar de levantadora, porque ele quer me levar para jogar as Surdolimpíadas Mundiais de 2025 no Japão.</p>
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<p><strong><em>&nbsp;.TXT:</em></strong> <strong>Você já pensou em seguir na carreira esportiva de forma profissional?</strong></p>
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<p><strong>Eduarda:</strong> Eu não sei. Realizei o meu sonho, que era servir o Brasil, e quero continuar porque é uma emoção diferente. É muito legal ver as pessoas te dando apoio, crianças pedindo foto e autógrafo, isso é legal, porque você acaba sendo uma inspiração para elas. Sendo sincera, você tem que investir muito no esporte, é uma coisa cara. Eu consegui um patrocínio para ir para as Surdolimpíadas para pagar o funcional, nutricionista, comprar tênis, roupa, foi muito caro. No fim, o esporte precisa de muito investimento para dar um retorno, a Veterinária eu sei que vai me dar um retorno futuramente.&nbsp;</p>
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<p><strong><em>.TXT:</em></strong><strong> Quais são as suas maiores inspirações?</strong></p>
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<p><strong>Eduarda:</strong> As pessoas que eu mais me inspiro na vida são os meus pais. Minha mãe, porque, se não fosse por ela, eu não estaria aqui falando. Deram o diagnóstico para a minha mãe dizendo que eu não ia falar, que era para fazer libras, mas a minha mãe botou na cabeça que eu ia falar sim e fiquei fazendo fono durante 15 anos. O meu pai também, porque ele sempre foi muito trabalhador, pensando no melhor a se fazer por nós, pensando sempre na frente.</p>
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<p><strong><em>.TXT:</em></strong><strong> Quanto ao seu futuro, você já tem planos?</strong></p>
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<p><strong>Eduarda: </strong>Eu sempre pensei em ter uma empresa própria e em prestar concurso, mas também já pensei em trabalhar com o meu pai na lavoura dele. Mas eu pensava isso antes de fazer o doutorado, quando entrei aqui, comecei a gostar de ensinar e dar aulas. Então, quem sabe eu não sigo como professora? Eu tenho um certo receio por causa da minha deficiência, mas por que não? Eu falo de concurso e de empresa própria, mas no fundo sinto que eu quero ser professora.</p>
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<p class="has-text-align-right"><em>Reportagem: Antonio Oliveira e Kauã Mello</em> </p>
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<p class="has-text-align-right"></p>
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