{"id":2148,"date":"2016-07-06T10:39:26","date_gmt":"2016-07-06T13:39:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufsm.br\/revistatxt\/?p=2148"},"modified":"2019-08-01T16:19:20","modified_gmt":"2019-08-01T19:19:20","slug":"africarte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/2016\/07\/06\/africarte","title":{"rendered":"AfricArte"},"content":{"rendered":"<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: right\">REPORTAGEM: KAMILA RUAS E VICT\u00d3RIA LOPES<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">O Brasil \u00e9 pa\u00eds com a maior popula\u00e7\u00e3o negra fora do continente africano e apesar disso, ainda \u00e9 muito prec\u00e1rio quando se trata de contar a hist\u00f3ria, \u00a0os costumes, a luta e a cultura dessa popula\u00e7\u00e3o que teve grande import\u00e2ncia para a constru\u00e7\u00e3o da identidade brasileira.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">Quando se trata da hist\u00f3ria dos negros no Rio Grande do Sul a abordagem \u00e9 escassa, n\u00e3o encontra-se com facilidade e n\u00e3o se tem o protagonismo devido como a hist\u00f3ria da coloniza\u00e7\u00e3o italiana e a alem\u00e3. \u00a0Em Santa Maria, a hist\u00f3ria da cidade mistura-se com a hist\u00f3ria do movimento negro no final do s\u00e9culo XIX,\u201co processo de aboli\u00e7\u00e3o da escravatura e a instala\u00e7\u00e3o da malha ferrovi\u00e1ria na cidade atra\u00edram para Santa Maria um grande contingente de negros e negras como m\u00e3o-de-obra para a ferrovia e para os v\u00e1rios servi\u00e7os necess\u00e1rios ao desenvolvimento da cidade\u201d diz o doutorando do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria (PPGH\/UFSM) e membro do movimento negro de Santa Maria, Jo\u00e3o Heitor Silva Macedo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nesse per\u00edodo, o movimento teve a necessi<span style=\"font-weight: 300\">dade de se organizar, assim, surgiram irmandades religiosas, clubes sociais e escolas de samba que eram como espa\u00e7os de resist\u00eancia, onde havia ajuda m\u00fatua, defesa de direitos e a autoafirma\u00e7\u00e3o positiva da identidade. O preconceito mesmo encoberto sempre esteve presente, o movimento negro de Santa Maria trouxe ferramentas no\u00a0combate ao racismo, como as pol\u00edticas de a\u00e7\u00f5es afirmativas, relata Jo\u00e3o Heitor. Essas a\u00e7\u00f5es incentivaram o surgimento do Museu Treze de Maio que foi criado em 1903 por ferrovi\u00e1rios negros.<\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">Ao longo do tempo, a cultura negra ainda luta por seu espa\u00e7o de direito em Santa Maria. Coletivos, projetos, grupos e at\u00e9 mesmo estudantes buscam ressaltar o protagonismo que at\u00e9 hoje \u00e9 invis\u00edvel ao olhar de muitos que ignoram ou desconhecem a cultura afro.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">Com isso, alguns projetos realizados por alguns estudantes da Universidade Federal de Santa Maria resgatam e criam maneiras de protagonizar, contar e evidenciar a cultura africana.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>\u00a0Kiriku &#8211; A lenda do menino guerreiro<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">\u00c9 uma pe\u00e7a teatral santamariense que percorreu cidades ga\u00fachas no ano de 2015, atrav\u00e9s da aprova\u00e7\u00e3o do projeto pela Lei Rouanet e patroc\u00ednio dos Correios. A hist\u00f3ria \u00e9 baseada na lenda africana Kiriku, na qual um menino rec\u00e9m nascido \u00e9 superdotado e \u00e9 encarregado de salvar sua aldeia de uma feiticeira.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2164\" aria-describedby=\"caption-attachment-2164\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2164 \" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-content\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13608026_1158889817506416_1682178128_n.jpg\" alt=\"13608026_1158889817506416_1682178128_n\" width=\"768\" height=\"576\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13608026_1158889817506416_1682178128_n.jpg 960w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13608026_1158889817506416_1682178128_n-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13608026_1158889817506416_1682178128_n-768x576.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2164\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">O espet\u00e1culo foi uma idealiza\u00e7\u00e3o de Marcos Caye Lara, formado em Artes C\u00eanicas bacharel em Dire\u00e7\u00e3o Teatral pela UFSM e, atualmente professor substituto do curso de Artes C\u00eanicas no CAL. Dentro do percurso da universidade, Marcos seguiu a linha de pesquisa a partir das religi\u00f5es africanas. Seguindo essa linha, se interessou pela hist\u00f3ria do filme Kiriku e a feiticeira, um longa-metragem baseado na lenda africana lan\u00e7ado em 1998 pelo franc\u00eas \u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Michel_Ocelot\">Michel Ocelot<\/a>.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">O espet\u00e1culo infantil com a tem\u00e1tica afro-brasileira foi produzido principalmente para ser inserido dentro das escolas. \u201cA gente v\u00ea muitas a\u00e7\u00f5es hoje em dia pra tentar incluir o debate da cultura afro-brasileira nas escolas, mas \u00e9 aquela coisa que as pessoas fazem mais por obriga\u00e7\u00e3o do que por interesse, mais porque a lei manda.\u201d \u00a0diz Marcos. Com o surgimento do edital dos Correios que disponibiliza uma verba de R$ 35 milh\u00f5es para a cultura e 10% desse dinheiro \u00e9 voltado para a\u00e7\u00f5es voltadas para a cultura afro-brasileira. O projeto foi selecionado e produzido no ano de 2015.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">O objetivo do projeto \u00e9 pensar na falta de conhecimento da cultura negra para as crian\u00e7as, al\u00e9m de, contribuir com a lei 10.639 onde torna-se obrigat\u00f3rio o ensino sobre a hist\u00f3ria e cultura africana e afro-brasileira nas escolas de ensino fundamental e m\u00e9dio. O tema da pe\u00e7a sai dos contos europeus e evid\u00eancia uma cultura que \u00e9 de extrema import\u00e2ncia para o Brasil, mas n\u00e3o \u00e9 valorizada pela sociedade.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">\u00a0A obra \u00e9 uma reflex\u00e3o a partir de elementos visuais e textuais, mas ao contr\u00e1rio do filme, ela n\u00e3o transmite uma vis\u00e3o euroc\u00eantrica de que a bruxa \u00e9 m\u00e1 \u00e9 somente do mau. Apenas a estrutura de situa\u00e7\u00f5es foram inspiradas nos filme, sendo remodeladas para a cultura para a realidade do Rio Grande do Sul. Um dos elementos usado para diferenciar, \u00e9 a perna de pau, que os atores usam para que a identifica\u00e7\u00e3o do Kiriku fique vis\u00edvel. A constru\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio remete a ra\u00edzes mais africanas, com o uso de cordas e fibras mais naturais. A equipe conta com 11 pessoas e todos est\u00e3o envolvidos com dire\u00e7\u00e3o, atua\u00e7\u00e3o, cenografia, ilumina\u00e7\u00e3o, trilha sonora e figurino.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">A pe\u00e7a trata de empoderamento negro, durante a escolha de elenco houve uma preocupa\u00e7\u00e3o para que o ele fosse composto por pessoas negras para que as crian\u00e7as se sentissem representadas ao assistir o espet\u00e1culo. \u201c\u00c9 dif\u00edcil ver refer\u00eancias negras em pap\u00e9is de empoderamento, dentro das novelas negros s\u00e3o \u201cqualquer\u201d personagem. Queria negros para que as crian\u00e7as se vissem e se sentissem representadas em primeiro momento.\u201d afirma o diretor.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">Para al\u00e9m, uma das apresenta\u00e7\u00f5es da pe\u00e7a, a produ\u00e7\u00e3o levou um tradutor de libras para os adultos e crian\u00e7as com defici\u00eancia auditiva. \u201cA gente conseguir entender de que \u00e9 al\u00e9m de entreter crian\u00e7as, traz uma pol\u00edtica afirmativa do povo negro e do deficiente auditivo que pode assistir o teatro\u201d diz Manoel Luthiery, estudante de Dan\u00e7a na UFSM, e protagonista da pe\u00e7a. \u00a0O espet\u00e1culo passou por quatro cidades, Uruguaiana, Santa Maria, Iju\u00ed e Bag\u00e9, cumprindo as 11 apresenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>\u00a0Protagonismo Negro &#8211; Programa de r\u00e1dio<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">A verdadeira representatividade da negritude na m\u00eddia brasileira \u00e9 algo que n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel. Quando h\u00e1 &#8220;representa\u00e7\u00e3o&#8221; a popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 muito estereotipada e estigmatizada nesse meio, s\u00e3o frequentemente marginalizadas. Isso ocorre dentro das Universidades tamb\u00e9m, apesar do n\u00famero de negros ter aumentando ap\u00f3s a inser\u00e7\u00e3o do sistema de cotas &#8211; 1,8% para 8,8% de negros -, ainda h\u00e1 car\u00eancia de representatividade no meio acad\u00eamico.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">Com esse problema encontrado dentro da UFSM tamb\u00e9m, Arianne Teixeira, jornalista formada pela UFSM, idealizou o programa de r\u00e1dio Protagonismo Negro em outubro de 2015. Convidou sua amiga, Clara Sit\u00f3 acad\u00eamica do curso de jornalismo, para produzir um programa voltando especialmente para a popula\u00e7\u00e3o negra. Com o objetivo de trazer a discuss\u00e3o da negritude para dentro da Universidade, \u00a0o programa \u00e9 produzido por negros e feito para negros e, traz pautas em que abarcam a experi\u00eancia, o movimento, as pol\u00edticas, a identidade negra, o genoc\u00eddio, o corpo e a car\u00eancia da representatividade na m\u00eddia e na pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o de ensino. \u201c\u00c9 muito importante encontrarmos essa representatividade para conseguir nos fortalecer\u201d diz Clara Sit\u00f3, uma das integrantes do programa.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">O programa vai ao ar todas as ter\u00e7as-feiras \u00e0s 13h10, na r\u00e1dio Universidade 800AM.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>\u00a0Capoeira &#8211; Andr\u00e9 (CEFD e NEMAEFS)<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">A capoeira tem sua origem no Brasil, era praticada pelos escravos nas senzalas, servia como forma de divers\u00e3o e de defesa pessoal. Para os senhores dos engenhos n\u00e3o descobrirem que havia luta dentro das senzalas, os escravos maquiavam a luta como uma dan\u00e7a, envolvendo cantigas. Quando eram procurados pelos capit\u00e3es-do-mato em suas fugas, os escravos faziam uso da capoeira para se defenderem e se manterem em seus quilombos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2168\" aria-describedby=\"caption-attachment-2168\" style=\"width: 864px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.ufsm.br\/revistatxt\/?attachment_id=2168\" rel=\"attachment wp-att-2168\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-2168  \" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-content\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13595748_1158885574173507_840229058_n.jpg\" alt=\"13595748_1158885574173507_840229058_n\" width=\"864\" height=\"576\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13595748_1158885574173507_840229058_n.jpg 960w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13595748_1158885574173507_840229058_n-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13595748_1158885574173507_840229058_n-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13595748_1158885574173507_840229058_n-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 864px) 100vw, 864px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2168\" class=\"wp-caption-text\">Fotografia: Mirella Joels<\/figcaption><\/figure>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">No decorrer da sua hist\u00f3ria a capoeira adquiriu alguns estilos. A capoeira Angola \u00e9 a tradicional, ela se assemelha a uma dan\u00e7a, devido ao seus movimentos, onde a ginga mostra a flexibilidade dos capoeiristas. \u00c9 o estilo que \u00e9 mais pr\u00f3ximo da capoeira praticada pelos escravos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">H\u00e1 tamb\u00e9m a capoeira Regional, nascida na d\u00e9cada de 1920 com mestre Bimba, que reestruturou a capoeira adicionando alguns golpes de outras lutas marciais e introduzindo a quest\u00e3o da gradua\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, implantou \u00a0nas pr\u00e1ticas t\u00e9cnicas, formas e sequ\u00eancias de treinos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">Ap\u00f3s passar por um per\u00edodo turbulento, onde a capoeira foi marginalizada e chegou a ser proibida. Atualmente a capoeira \u00e9 al\u00e9m da luta, \u00e9 uma arte, possuindo teor politico e socializador, assim \u00e9 considerada patrim\u00f4nio Cultural Imaterial da Humanidade.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">Acerca disso, h\u00e1 na UFSM alguns projetos ligado as capoeira. Um deles \u00e9 o programa Lutas Universidade Aberta, que visa atender a comunidade oferecendo aulas das diversas lutas. Entre elas, a capoeira que \u00e9 ministrada pelo acad\u00eamico de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica Bacharelado que possui 20 anos de conhecimento e pr\u00e1tica da capoeira, Andr\u00e9 Xilique Koth (Mestre Xilique Capoeira). Al\u00e9m da parte pr\u00e1tica, Andr\u00e9 evid\u00eancia a import\u00e2ncia do hist\u00f3rico da capoeira, \u201ca capoeira n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 luta, ela n\u00e3o foi criada assim, a capoeira foi criada com prop\u00f3sitos, de defesa de resist\u00eancia a opress\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">A capoeira vai al\u00e9m da luta, abarca todo um hist\u00f3rico-cultural, tamb\u00e9m \u00e9 trabalhada a inclus\u00e3o social, a musicalidade e a cultura afro. O projeto \u00e9 aberto ao p\u00fablico, qualquer pessoa que tiver interesse pode participar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>\u00a0Projeto Negressencia: Mulheres cujos Filhos s\u00e3o Peixes<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">O projeto Negressencia: Mulheres cujos filhos s\u00e3o peixes \u00e9 um espet\u00e1culo de dan\u00e7a negra contempor\u00e2nea, que atrav\u00e9s de um processo etnogr\u00e1fico foram recolhidas hist\u00f3rias de mulheres negras do Rio Grande do Sul, com o objetivo de representar e destacar \u00a0a mulher negra ga\u00facha. O projeto \u00e9 financiado pela bolsa Funarte de Fomento para Artistas e Produtores Negros. Manoel Luthiery, acad\u00eamico do curso de Dan\u00e7a &#8211; licenciatura na UFSM e, diretor do projeto, salienta sua import\u00e2ncia \u201ca gente deixa de procurar algu\u00e9m que seja nosso porta-voz e n\u00f3s mesmo somos os nossos porta-vozes\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2167\" aria-describedby=\"caption-attachment-2167\" style=\"width: 864px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.ufsm.br\/revistatxt\/?attachment_id=2167\" rel=\"attachment wp-att-2167\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-2167 \" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-content\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13599667_1158886240840107_836275382_n.jpg\" alt=\"13599667_1158886240840107_836275382_n\" width=\"864\" height=\"576\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13599667_1158886240840107_836275382_n.jpg 960w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13599667_1158886240840107_836275382_n-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13599667_1158886240840107_836275382_n-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13599667_1158886240840107_836275382_n-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 864px) 100vw, 864px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2167\" class=\"wp-caption-text\">Fotografia: Rafael Happke<\/figcaption><\/figure>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">No Negressencia funcionam quatro eixos, a forma\u00e7\u00e3o de bailarinos em dan\u00e7a negra, o \u00a0da pesquisa, a cria\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo e, o eixo pedag\u00f3gico. A pequisa ficou por conta da antrop\u00f3loga Andrea Santos que recolheu entrevistas e, do conv\u00edvio com algumas mulheres negras, trazendo para o projeto as hist\u00f3rias dessas mulheres. No eixo pedag\u00f3gico, os bailarinos v\u00e3o at\u00e9 comunidades discutir educa\u00e7\u00e3o e arte, atrav\u00e9s de oficinas de pr\u00e1tica art\u00edsticas, assim contribuindo para com a lei 10.639.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">O projeto \u00e9 assinado pela produtora cultural Marta Nunes, a qual comprou a ideia de Luthiery \u00a0que apresentou o projeto no final de uma disciplina. Ele desejava um projeto maior do que apenas um projeto de pesquisa acad\u00eamico \u201ceu queria um projeto de pesquisa de arte, a gente sabe a dificuldade e quanto a academia \u00e9 r\u00edgida no processo do artista ou do profissional que quer transitar fora dela\u201d afirma o diretor. O projeto conta com muito participantes, desde as entrevistas, passando pela dire\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o, bailarinos, ilumina\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">Manoel Luthiery traz em quest\u00e3o a car\u00eancia de incentivo de pol\u00edticas p\u00fablicas para a dan\u00e7a e a arte em geral:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u201cas pessoas \u00a0n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o de quanto eu trabalho de quanto meu trabalho \u00e9 \u00e1rduo e o qu\u00e3o eu necessito de valoriza\u00e7\u00e3o assim como qualquer outro profissional, e eu n\u00e3o necessito de uma valoriza\u00e7\u00e3o no sentido de riquezas, mas eu preciso viver, preciso comer, preciso me vestir, eu tenho as necessidades b\u00e1sicas de um ser humano.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<\/blockquote>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">As bolsas governamentais auxiliam v\u00e1rios desses projetos, pois a falta de incentivo para a dan\u00e7a \u00e9 grande, muitas vezes o dinheiro investido para a cria\u00e7\u00e3o da dan\u00e7a \u00e9 tirado do bolso dos pr\u00f3prios artistas. A import\u00e2ncia de bolsas de incentivo a cultura, principalmente a cultura negra, s\u00e3o essenciais para a forma\u00e7\u00e3o de uma sociedade em que a sua hist\u00f3ria \u00e9 maquiada com a cultura euroc\u00eantrica idealizada como a mais importante. \u00c9 necess\u00e1ria a discuss\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas para incentivar e manter projetos culturais.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2171\" aria-describedby=\"caption-attachment-2171\" style=\"width: 672px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.ufsm.br\/revistatxt\/?attachment_id=2171\" rel=\"attachment wp-att-2171\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2171 \" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-content\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13598938_1158979927497405_594390827_n.jpg\" alt=\"Modelo: Andressa Duarte Fotografia: Rafael Happke\" width=\"672\" height=\"448\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13598938_1158979927497405_594390827_n.jpg 960w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13598938_1158979927497405_594390827_n-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13598938_1158979927497405_594390827_n-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13598938_1158979927497405_594390827_n-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 672px) 100vw, 672px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2171\" class=\"wp-caption-text\">Modelo: Andressa Duarte Fotografia: Rafael Happke<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_2172\" aria-describedby=\"caption-attachment-2172\" style=\"width: 448px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.ufsm.br\/revistatxt\/?attachment_id=2172\" rel=\"attachment wp-att-2172\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2172 \" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-content\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13599058_1158978307497567_1066739307_n.jpg\" alt=\"Modelo: Andressa Duarte Fotografia: Rafael Happke\" width=\"448\" height=\"672\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13599058_1158978307497567_1066739307_n.jpg 640w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13599058_1158978307497567_1066739307_n-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 448px) 100vw, 448px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2172\" class=\"wp-caption-text\">Modelo: Andressa Duarte Fotografia: Rafael Happke<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_2173\" aria-describedby=\"caption-attachment-2173\" style=\"width: 672px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.ufsm.br\/revistatxt\/?attachment_id=2173\" rel=\"attachment wp-att-2173\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2173 \" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-content\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13599086_1158979894164075_916674452_n.jpg\" alt=\"Modelo: Andressa Duarte Fotografia: Rafael Happke\" width=\"672\" height=\"448\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13599086_1158979894164075_916674452_n.jpg 960w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13599086_1158979894164075_916674452_n-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13599086_1158979894164075_916674452_n-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13599086_1158979894164075_916674452_n-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 672px) 100vw, 672px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2173\" class=\"wp-caption-text\">Modelo: Andressa Duarte Fotografia: Rafael Happke<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_2174\" aria-describedby=\"caption-attachment-2174\" style=\"width: 448px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.ufsm.br\/revistatxt\/?attachment_id=2174\" rel=\"attachment wp-att-2174\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2174 \" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-content\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13608098_1158978304164234_12667869_n.jpg\" alt=\"Modelo: Andressa Duarte Fotografia: Rafael Happke\" width=\"448\" height=\"672\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13608098_1158978304164234_12667869_n.jpg 640w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/13608098_1158978304164234_12667869_n-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 448px) 100vw, 448px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2174\" class=\"wp-caption-text\">Modelo: Andressa Duarte Fotografia: Rafael Happke<\/figcaption><\/figure>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: center\">\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: center\"><strong>Relato de Apura\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">O tema dessa reportagem \u00e9 abordado pela primeira vez na .TXT. A hist\u00f3ria desse povo que sofreu e \u00a0batalhou para construir a identidade de nosso pa\u00eds deveria ser valorizada e lembrada todos os dias, assim como a dos outros povos. Mas esse assunto \u00e9 infelizmente evidenciado apenas em datas comemorativas. A cultura negra luta por maior reconhecimento e espa\u00e7o h\u00e1 muito tempo e, durante essa trajet\u00f3ria conquistou muitas coisas, mas ainda n\u00e3o tem o reconhecimento merecido.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">Durante a apura\u00e7\u00e3o dessa reportagem, notamos a luta constante dos estudantes, principalmente negros, que evidenciam \u00a0a cultura afro atrav\u00e9s projetos, buscando o reconhecimento dessa cultura. Eles, cada um em sua \u00e1rea, criaram uma forma de contar a hist\u00f3ria do povo africano, enaltecer sua cultura, sua contribui\u00e7\u00e3o na identidade do povo brasileiro e protagonizar essa luta que \u00e9 cont\u00ednua.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">Aprender mais sobre a cultura negra, o povo qual lutou e luta at\u00e9 hoje para garantir seus direitos e sua import\u00e2ncia na sociedade foi surpreendente e inspirador, abrindo nossos olhos para v\u00e1rios aspectos importantes abrangidos nesse assunto.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify\">Essa mat\u00e9ria tem o foco de colocar os holofotes n\u00e3o s\u00f3 nesses projetos, nessas pessoas que batalham todos os dias, se dedicam, suam por essa causa, mas em toda a cultura negra. Esperamos que essa mat\u00e9ria abra os olhos de muitas mais pessoas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>REPORTAGEM: KAMILA RUAS E VICT\u00d3RIA LOPES O Brasil \u00e9 pa\u00eds com a maior popula\u00e7\u00e3o negra fora do continente africano e apesar disso, ainda \u00e9 muito prec\u00e1rio quando se trata de contar a hist\u00f3ria, \u00a0os costumes, a luta e a cultura dessa popula\u00e7\u00e3o que teve grande import\u00e2ncia para a constru\u00e7\u00e3o da identidade brasileira. 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