{"id":2150,"date":"2016-09-13T10:04:03","date_gmt":"2016-09-13T13:04:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufsm.br\/revistatxt\/?p=2150"},"modified":"2019-08-21T17:56:26","modified_gmt":"2019-08-21T20:56:26","slug":"a-arte-de-fazer-sorrir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/2016\/09\/13\/a-arte-de-fazer-sorrir","title":{"rendered":"A arte de fazer sorrir"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\">REPORTAGEM: ANDRESSA MOTTER, B\u00c1RBARA MARMOR E JULIANO CASTRO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><i>Inspirar e despertar sorrisos, sem obter remunera\u00e7\u00e3o em troca: esta \u00e9 a miss\u00e3o daqueles que se dedicam ao voluntariado. Em Santa Maria, v\u00e1rios s\u00e3o os projetos e institui\u00e7\u00f5es que funcionam com a ajuda desse tipo de trabalho.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Acorda \u00e0s 7 horas da manh\u00e3, sai da Casa do Estudante, toma caf\u00e9 no Restaurante Universit\u00e1rio e segue para a Turma Ique, local onde h\u00e1 dois anos atua como volunt\u00e1rio. Mesmo em conson\u00e2ncia com as dif\u00edceis provas e com a carga hor\u00e1ria apertada, Lucas Andr\u00e9 Lamb Werner, de 22 anos, trata o voluntariado como compromisso fixo da rotina. \u201cPara mim, ver o sorriso dessas crian\u00e7as, quando a gente brinca com elas, \u00e9 o maior pagamento. Fa\u00e7o porque gosto\u201d, afirma o jovem, com convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-content\/uploads\/sites\/714\/2016\/09\/unnamed-2-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2260\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/09\/unnamed-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/09\/unnamed-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/09\/unnamed-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/09\/unnamed-2-272x182.jpg 272w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/09\/unnamed-2.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Fotografia: Andressa Motter<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Atualmente, Lucas cursa Engenharia El\u00e9trica na UFSM, por\u00e9m j\u00e1 conhecia a Turma do Ique desde muito antes de ser aluno da Universidade. Aos 8 anos, frequentou o centro para tratar uma leucemia. Ele conta que, durante o tratamento, acompanhava todos os procedimentos com cuidado, mas o trabalho dos volunt\u00e1rios lhe chamava mais a aten\u00e7\u00e3o. \u201cEu n\u00e3o entendia o porqu\u00ea de eles estarem ali fazendo a gente rir, conversando, falando que tudo ia passar. A \u00fanica coisa que sabia era que me sentia muito bem com eles. E hoje, poder estar aqui, n\u00e3o \u00e9 apenas retribuir o que fizeram comigo, mas sim proliferar o sentimento de que tudo vai passar\u201d, conta Lucas.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 10 anos, a Turma do Ique acolhe crian\u00e7as e suas fam\u00edlias durante o tratamento do c\u00e2ncer. Os pacientes recebem acompanhamento m\u00e9dico e psicol\u00f3gico enquanto aguardam por procedimentos no Hospital Universit\u00e1rio de Santa Maria (Husm). A equipe \u00e9 formada por m\u00e9dicos, psic\u00f3logos, assistentes e volunt\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Voluntariado \u00e9 o ato de doar tempo e conhecimento para fomentar a sociedade em que se vive, atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o remuneradas, mas que t\u00eam valor importante para a comunidade e para o pr\u00f3ximo. Volunt\u00e1rio, portanto, \u00e9 aquele que trabalha com espontaneidade, capricho e vontade pr\u00f3pria, sem constrangimento ou coa\u00e7\u00e3o. Em Santa Maria, muitos s\u00e3o os projetos que contam com o aux\u00edlio de volunt\u00e1rios e s\u00f3 se efetivam pela doa\u00e7\u00e3o ao outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Altivo Goularte Rodrigues \u00e9 volunt\u00e1rio na Turma do Ique h\u00e1 aproximadamente tr\u00eas anos. Uma vez por semana, ajuda a cozinhar para as crian\u00e7as e familiares. Segundo ele, a rela\u00e7\u00e3o com os demais volunt\u00e1rios \u00e9 excelente e todos doam-se para a atividade: \u201cNo momento em que estamos fazendo a comida, nos dedicamos com amor e com energia muito positiva\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde que se aposentou de sua fun\u00e7\u00e3o na Caixa Econ\u00f4mica Federal (CEF), h\u00e1 dez anos, Altivo faz apenas trabalhos volunt\u00e1rios. Al\u00e9m de auxiliar na Turma do Ique, presta assist\u00eancia a mais de 60 fam\u00edlias atrav\u00e9s do Centro Esp\u00edrita do qual faz parte, e integra a ONG Moradia e Cidadania. Esta, composta por funcion\u00e1rios da CEF, trabalha na constru\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de moradias a pessoas em condi\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade social. Em Santa Maria, a ONG j\u00e1 construiu 27 casas, inclusive para crian\u00e7as que frequentam a Turma do Ique. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 fechar o ano de 2016 com a 30\u00aa casa conclu\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p>Tatiele Corr\u00eaa \u00e9 m\u00e3e de Conrado, quatro anos. Segundo ela, o trabalho dos volunt\u00e1rios da Turma do Ique \u00e9 muito importante para a recupera\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e tamb\u00e9m para a assist\u00eancia aos pais. \u201cEles alegram o ambiente\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>O pequeno Felipe Fontel, nove anos, vem todas as quartas-feiras de Guarani das Miss\u00f5es, no noroeste do Estado, para tratar-se de c\u00e2ncer. Ele relata, com brilho nos olhos, que os volunt\u00e1rios brincam, trazem livrinhos, contam hist\u00f3rias e animam a todos.<\/p>\n\n\n\n<p>Voluntariado \u00e9 sensibilidade, emo\u00e7\u00e3o e como\u00e7\u00e3o. \u00c9 com essas palavras que Hern\u00e1n Mostajo define o projeto \u201cDarth Vader \u2013 Legi\u00e3o do Bem\u201d. O que no in\u00edcio era apenas vontade de despertar um sorriso nas crian\u00e7as em tratamento oncol\u00f3gico, se tornou um projeto que j\u00e1 divertiu quase mil pacientes.<\/p>\n\n\n\n<p>A Legi\u00e3o, que no ano 2013 iniciou suas a\u00e7\u00f5es com apenas cinco integrantes, hoje conta com 77 volunt\u00e1rios dispostos a fazer o bem. As atividades s\u00e3o coordenadas pelo professor e cientista Hern\u00e1n Mostajo. Entretanto, \u00e9 a integra\u00e7\u00e3o e o engajamento dos volunt\u00e1rios que d\u00e1 vida ao projeto, j\u00e1 que organizam as festas, brech\u00f3s, e carnavais. Eles fazem \u201cbagun\u00e7a\u201d mas, ao final, limpam todo o espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mostajo explica que um dos grandes objetivos do grupo \u00e9 promover o voluntariado em seu sentido mais humano. Desta forma, al\u00e9m da entrega de brinquedos e das interven\u00e7\u00f5es feitas em hospitais e creches, os volunt\u00e1rios, sempre caracterizados como os personagens da s\u00e9rie \u201cStar Wars\u201d, divertem as crian\u00e7as e apoiam os pais dos pacientes. A volunt\u00e1ria Andressa Vicedo, 17 anos, destaca sua a\u00e7\u00e3o: \u201c\u00e9 muito gratificante: a gente ganha um sorriso e faz algo por algu\u00e9m que precisa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A Legi\u00e3o do Bem atua em parceria com o Centro de Apoio a Crian\u00e7a com C\u00e2ncer (CACC), o Husm e a Associa\u00e7\u00e3o dos Pais e Amigos de Excepcionais (Apae). As interven\u00e7\u00f5es acontecem, ainda, em creches e ONGs, como o Lar de Mirian e M\u00e3e Celita, e a SOS Aldeias Infantis. Al\u00e9m disso, as a\u00e7\u00f5es dos volunt\u00e1rios se estendem a outras cidades, como Passo Fundo, Iju\u00ed e Porto Alegre.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho volunt\u00e1rio inspira e, para a maioria dos pacientes, \u00e9 inesquec\u00edvel. Prova disso \u00e9 o caso de Lucas, que hoje leva esperan\u00e7a para crian\u00e7as que precisam de carinho. Eles n\u00e3o s\u00e3o remunerados e, em muitos momentos, sequer reconhecidos, mas est\u00e3o l\u00e1&nbsp;dispostos a contar uma hist\u00f3ria, preparar um almo\u00e7o quentinho, brincar e despertar um sorriso.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4y_OYsAGR88\">Assista aqui a reportagem Guerreiros da Vida, elaborada por Juliano Castro<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Hist\u00f3ria do voluntariado<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>O modelo de trabalho volunt\u00e1rio em vigor hoje resulta de um processo amplo no qual v\u00e1rios modelos foram praticados. Segundo informa\u00e7\u00f5es do Fa\u00e7a Parte &#8211; Instituto Brasil Volunt\u00e1rio, a a\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria no pa\u00eds vivenciou quatro momentos bem definidos desde seu surgimento.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro deles foi a benemer\u00eancia, inaugurado no s\u00e9culo XIX com o nascimento formal do voluntariado. Na \u00e9poca, os problemas sociais eram entendidos como desvios da ordem dominante e atribu\u00eddos a indiv\u00edduos \u201cem desgra\u00e7a\u201d, os quais, por n\u00e3o terem oportunidade de reintegrar-se \u00e0 sociedade, precisavam da caridade organizada. Assim, fam\u00edlias mais abastadas distribu\u00edam seus excedentes entre os necessitados. Neste contexto social paternalista, rigoroso e excludente, o voluntariado de benemer\u00eancia era incipiente, moralizador, feminino e baseado em r\u00edgidos valores morais.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do s\u00e9culo XX, as institui\u00e7\u00f5es filantr\u00f3picas assistenciais passaram a ter interven\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico. Inicia-se, ent\u00e3o, o segundo momento, conhecido por \u201cEstado do Bem-Estar Social\u201d, que tornou o atendimento aos necessitados uma responsabilidade do Estado. Embora, na \u00e9poca, tenham sido desenvolvidas pol\u00edticas interessantes, o individualismo foi favorecido em preju\u00edzo das iniciativas volunt\u00e1rias ou associativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a queda do Estado do Bem-Estar Social, na d\u00e9cada de 60, o movimento volunt\u00e1rio foi questionado politicamente. Sofreu influ\u00eancia de correntes contestat\u00f3rias e libert\u00e1rias &#8211; caracter\u00edsticas em quase todos os movimentos sociais de origem popular da \u00e9poca. Com essas mudan\u00e7as em curso, grupos lideraram a participa\u00e7\u00e3o ativa nas quest\u00f5es sociais e, consequentemente, foram criadas diversas organiza\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s esse per\u00edodo, surge o voluntariado combativo, um movimento desorientado, espont\u00e2neo, predominantemente jovem e sem perspectivas de uma consolida\u00e7\u00e3o institucional. A a\u00e7\u00e3o centrava-se no pressuposto de uma mudan\u00e7a de ordem social e situava-se, muitas vezes, no \u00e2mbito do protesto. Na metade da d\u00e9cada de 80, com a democratiza\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e dos pa\u00edses em desenvolvimento, o neoliberalismo surgiu como concep\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-econ\u00f4mico-cultural no Ocidente.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Fa\u00e7a Parte, os Estados ajustaram seus or\u00e7amentos e diminu\u00edram lentamente os financiamentos da assist\u00eancia social. Os recursos foram transferidos para os empreendimentos privados ou para as m\u00e3os dos antigos beneficiados. A resposta foi o nascimento de um voluntariado que se esfor\u00e7ou para diminuir as necessidades daqueles que ficaram fora do sistema.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u201cmodelo dos anos 80\u201d, a quest\u00e3o social deixou de ser responsabilidade exclusiva do Estado, que passou a dividi-la com a sociedade civil. O trabalho volunt\u00e1rio come\u00e7a, ent\u00e3o, a ser debatido como pe\u00e7a-chave na interven\u00e7\u00e3o dos problemas sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 90, o volunt\u00e1rio \u00e9 considerado um cidad\u00e3o que, motivado por valores de participa\u00e7\u00e3o e solidariedade, doa seu tempo, trabalho e talento de maneira espont\u00e2nea e n\u00e3o remunerada em prol de causas de interesse social e comunit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es sobre trabalho volunt\u00e1rio e como tornar-se um colaborador, acesse <a href=\"http:\/\/www.facaparte.org.br\/\">http:\/\/www.facaparte.org.br\/<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>REPORTAGEM: ANDRESSA MOTTER, B\u00c1RBARA MARMOR E JULIANO CASTRO Inspirar e despertar sorrisos, sem obter remunera\u00e7\u00e3o em troca: esta \u00e9 a miss\u00e3o daqueles que se dedicam ao voluntariado. 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