{"id":2206,"date":"2016-07-14T09:30:21","date_gmt":"2016-07-14T12:30:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufsm.br\/revistatxt\/?p=2206"},"modified":"2019-08-21T17:46:45","modified_gmt":"2019-08-21T20:46:45","slug":"a-inseguranca-tambem-mora-aqui","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/2016\/07\/14\/a-inseguranca-tambem-mora-aqui","title":{"rendered":"A inseguran\u00e7a tamb\u00e9m mora aqui"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\">REPORTAGEM: CALINE GAMBIN, MAYARA SOUTO E MIRELLA JOELS<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Chovia, n\u00e3o tinha ningu\u00e9m passando pelos blocos, estava caindo uma tempestade na hora. Fui tomar banho no banheiro do meu bloco. Quando j\u00e1 estava terminando, olhei pra cima para pegar minhas coisas, que estavam na divis\u00f3ria do box, e vi um celular. A princ\u00edpio, pensei que fosse algu\u00e9m que esperava um telefonema ou escutaria m\u00fasica. Depois, percebi que aquele celular estava virado para mim. A\u00ed me assustei, me vesti, coloquei o meu roup\u00e3o e sai do box. Foi quando dei de cara com o homem que me filmava, ou tirava fotos, com o celular. N\u00e3o tive nenhuma rea\u00e7\u00e3o na hora, s\u00f3 fui para casa e falei para minha colega de quarto.<\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-content\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/C36A4729-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2207\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/C36A4729-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/C36A4729-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/C36A4729-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/C36A4729-1-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Fotografia: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O relato \u00e9 de J.U, v\u00edtima de ass\u00e9dio no banheiro de seu bloco na Casa do Estudante (CEU) do campus sede da UFSM, e foi um dos precursores na discuss\u00e3o sobre a seguran\u00e7a. A partir disso, acad\u00eamicos passaram a conviver com a inseguran\u00e7a que circunda os corredores da Casa. Um grupo fechado no Facebook dos moradores da CEU II virou uma ferramenta&nbsp; para estudantes denunciarem e alertarem os ass\u00e9dios e tentativas de furto que ocorrem no local. Foi atrav\u00e9s dessa rede social de comunica\u00e7\u00e3o, que se come\u00e7ou a ter ci\u00eancia dos ass\u00e9dios que aconteciam dentro dos banheiros, como o de J.U., e a busca por quem os cometia. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m foram compartilhados no grupo v\u00e1rios casos de furto e tentativas de arrombamento das portas.<\/p>\n\n\n\n<p>Um desses casos, foi o roubo da bicicleta de Diogo Nardi, no 3\u00ba andar do bloco 15, onde mora. O estudante de Engenharia El\u00e9trica saiu para a aula por volta das 13h30 e, quando retornou, \u00e0s 17h30, n\u00e3o encontrou sua bicicleta. Ao perceber que se tratava de um furto, chamou os vigilantes que prestam servi\u00e7o para a Universidade e solicitou o registro de um Boletim Interno (BI). Num primeiro momento, seu pedido foi negado e s\u00f3 com muita insist\u00eancia os seguran\u00e7as registraram a queixa. No outro dia, o estudante fez um Boletim de Ocorr\u00eancia (BO) na Pol\u00edcia Civil (PC). Com o documento em m\u00e3os, pediu para olhar as imagens captadas pelas c\u00e2meras de seguran\u00e7a instaladas em volta do pr\u00e9dio. Diogo considerava que seria f\u00e1cil a identifica\u00e7\u00e3o da sua bicicleta, que diferentemente das outras do bloco, tinha suspens\u00e3o na frente e atr\u00e1s. Mas apenas o vigilante p\u00f4de ter acesso \u00e0s filmagens e, ao assisti-las, relatou que n\u00e3o identificou qualquer furto.<\/p>\n\n\n\n<p>Diogo considera que h\u00e1 falta de preparo dos vigilantes e afirma ter sofrido neglig\u00eancia no atendimento: \u201cO vigilante disse que n\u00e3o faria o registro do furto, pois n\u00e3o era sua obriga\u00e7\u00e3o. Foi assim tamb\u00e9m quando tentei registrar na Pol\u00edcia Civil e o cara me disse que era para ir \u00e0 Pol\u00edcia Federal. Mas a bicicleta era minha, n\u00e3o da UFSM\u201d, detalha o acad\u00eamico.<\/p>\n\n\n\n<p>Na semana seguinte, as vizinhas de Diogo tiveram seu apartamento invadido. A acad\u00eamica de Filosofia, J\u00e9ssica Ribas, estava em casa, acompanhada da sua colega de quarto, quando ouviram um barulho. Elas se depararam com um homem dentro do apartamento, que fugiu assim que as viu. \u201cEu sa\u00ed para correr atr\u00e1s dele e ele come\u00e7ou a correr tamb\u00e9m\u201d, relatou a estudante. A primeira rea\u00e7\u00e3o de J\u00e9ssica foi informar a uma das respons\u00e1veis pela Diretoria da Casa que tinha visto o suposto \u201ctarado\u201d que filmou J.U. O homem at\u00e9 chegou a ser localizado pelas estudantes e levado ao posto dos seguran\u00e7as, mas quando questionado sobre o ocorrido, alegou que n\u00e3o havia roubado nada. Segundo J\u00e9ssica, ele tentou se justificar e, conforme percebia que a hist\u00f3ria n\u00e3o era convincente, contava outra vers\u00e3o. As v\u00edtimas relataram que ao contatar a Pol\u00edcia Militar (PM), os policiais invalidaram o ocorrido sob o argumento de que a culpa seria das estudantes, que haviam deixado a porta do apartamento apenas encostada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-content\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/C36A4715-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2208\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/C36A4715-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/C36A4715-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/C36A4715-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/C36A4715-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Fotografia: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Uma semana depois, ocorreu um caso curioso no bloco ao lado. Desta vez, uma pessoa escalou a parede de um banheiro de acessibilidade, passou por uma pequena abertura e roubou a bicicleta de G.F. Ela mora no apartamento em frente, e \u00e9 a \u00fanica que tem acesso a esse banheiro. Como apenas ela possui a chave, julgava ser um local seguro e usava o espa\u00e7o para guardar sua bicicleta. Durante o furto, G.F. estava no seu quarto e ouviu barulhos de objetos que ca\u00edam. Com medo, n\u00e3o quis intervir. Contudo, quando notou que n\u00e3o havia mais ningu\u00e9m, avisou os vigilantes, que, segundo ela, fizeram pouco caso da situa\u00e7\u00e3o: \u201cPor ser final de semana, o pr\u00e9dio estava bem vazio. Eu fui chamar os guardas, mas ningu\u00e9m atendeu, ningu\u00e9m quis nem anotar o n\u00famero do apartamento\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>A acad\u00eamica pediu, ent\u00e3o, orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 Pol\u00edcia, que deslocou viaturas at\u00e9 a UFSM para registrar o BO. Ao contr\u00e1rio do caso de Diogo, desta vez as c\u00e2meras de seguran\u00e7a capturaram o momento do furto. Pela baixa qualidade das imagens, s\u00f3 foi poss\u00edvel ver a movimenta\u00e7\u00e3o de um vulto, que entrou no bloco do apartamento da jovem e saiu sete minutos depois, pedalando a bicicleta.<\/p>\n\n\n\n<p>G.F. tamb\u00e9m diz j\u00e1 ter encontrado no banheiro de seu bloco o homem que \u00e9 chamado pelos alunos de \u201co tarado\u201d. Ela concluiu isso ap\u00f3s perceber que as caracter\u00edsticas e o hor\u00e1rio se aproximavam aos que foram relatados por uma v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o apartamento de J\u00e9ssica foi invadido, na semana anterior, G.F. e J.U. foram tentar identificar se o homem detido por invas\u00e3o era o \u201ctarado\u201d. Entretanto, o suspeito n\u00e3o foi reconhecido como tal e, ap\u00f3s horas de discuss\u00e3o se ele seria levado ou n\u00e3o para a delegacia, o homem foi liberado pela pol\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Seguran\u00e7a e jurisdi\u00e7\u00e3o no Campus<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A CEU II \u00e9 a moradia dos estudantes que declaram car\u00eancia econ\u00f4mica e \u00e9 composta por cinco pr\u00e9dios divididos em blocos, com apartamentos de seis, quatro e dois lugares. Os pr\u00e9dios 30, 40 e 50 t\u00eam apartamentos para quatro ou seis pessoas, e incluem banheiros. J\u00e1 nos de n\u00famero 10 e 20 h\u00e1 pequenos quartos de duas pessoas e um banheiro coletivo por andar. N\u00e3o h\u00e1 portas nas entradas, ent\u00e3o, h\u00e1 livre circula\u00e7\u00e3o de pessoas estranhas nos blocos. Isso acontece principalmente nos primeiros edif\u00edcios, onde ocorreram os casos.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme dados do secret\u00e1rio geral do Gabinete do Reitor, Marionaldo Ferreira, dos 230 vigilantes que trabalham na UFSM, 42 s\u00e3o concursados; os demais s\u00e3o terceirizados contratados pela empresa \u201cVigillare Sistemas de Monitoramento\u201d. Os profissionais atuam em postos de vigil\u00e2ncia espalhados pelo Campus, inclusive em frente \u00e0 CEU II. Todavia, mesmo com a proximidade, os alunos relatam a indiferen\u00e7a dos vigilantes diante das necessidades de seguran\u00e7a nos pr\u00e9dios da Casa do Estudante.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-content\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/C36A4736-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2211\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/C36A4736-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/C36A4736-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/C36A4736-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/07\/C36A4736-1-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Fotografia: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A UFSM conta, tamb\u00e9m, com o monitoramento de 210 c\u00e2meras: 88 m\u00f3veis e 122 fixas. Segundo o chefe de vigil\u00e2ncia, Sim\u00f5es, atualmente tr\u00eas delas n\u00e3o funcionam e est\u00e3o em reparo. Os estudantes, entretanto, defendem que esta tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 uma medida efetiva devido \u00e0 baixa qualidade das imagens captadas.<\/p>\n\n\n\n<p>O chefe da Vigil\u00e2ncia da UFSM, Edu\u00edno Sim\u00f5es, explica que \u201ca fun\u00e7\u00e3o dos vigilantes \u00e9 a seguran\u00e7a patrimonial, ou seja, ela n\u00e3o envolve pessoas. O que a gente faz \u00e9 um extra, mas n\u00e3o \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o nossa\u201d. Como n\u00e3o integram a defini\u00e7\u00e3o de \u201cpatrim\u00f4nio\u201d da Universidade, a seguran\u00e7a aos estudantes n\u00e3o existe oficialmente. Em casos de furto, o vigilante \u00e9 instru\u00eddo a fazer um Boletim Interno, no qual s\u00e3o registrados todos os ocorridos de seu turno de servi\u00e7o. Posteriormente, os registros s\u00e3o repassados ao superior e faz-se um levantamento de tudo que aconteceu na Universidade quinzenalmente. Se for da vontade da v\u00edtima que haja uma investiga\u00e7\u00e3o, ela pode acionar a PM ou fazer um BO.<\/p>\n\n\n\n<p>Como n\u00e3o compete aos guardas agir diretamente contra o criminoso, surge o questionamento: qual \u00f3rg\u00e3o oficial da \u00e1rea de seguran\u00e7a pode interferir nessas situa\u00e7\u00f5es? O delegado da 4\u00aa Delegacia de Pol\u00edcia de Santa Maria &#8211; Camobi, Antonio Firmino, que atende aos chamados feitos pelos estudantes que moram no Campus, diz que: \u201ca Pol\u00edcia Federal pode interferir em crimes de interesse da Uni\u00e3o, por exemplo, se algu\u00e9m furta um bem da universidade. O resto n\u00e3o \u00e9 territ\u00f3rio federal, \u00e9 um territ\u00f3rio comum. Tanto a Pol\u00edcia Militar, quanto a Pol\u00edcia Civil podem ir l\u00e1\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos casos de furto ou ass\u00e9dio, \u00e9 dever da Pol\u00edcia Militar se deslocar at\u00e9 o local e relatar o ocorrido \u00e0 Pol\u00edcia Civil. Firmino esclarece que a v\u00edtima deve registrar o Boletim de Ocorr\u00eancia para dar in\u00edcio \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o do crime, pois a Pol\u00edcia n\u00e3o tem acesso ao Boletim Interno realizado pela seguran\u00e7a do Campus. Al\u00e9m disso, o B.O. n\u00e3o garante o direito \u00e0 v\u00edtima de acessar as imagens das c\u00e2meras de vigil\u00e2ncia da universidade. Quem pode assisti-las \u00e9 a Pol\u00edcia, enquanto investiga. Segundo o delegado, a ocorr\u00eancia registrada por J\u00e9ssica \u00e9 considerada um crime de viola\u00e7\u00e3o de domic\u00edlio, e a pena \u00e9 deten\u00e7\u00e3o de um a tr\u00eas anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se um homic\u00eddio fosse cometido dentro da institui\u00e7\u00e3o, o respons\u00e1vel seria culpado e a Universidade poderia pagar indeniza\u00e7\u00e3o pela falta de prote\u00e7\u00e3o. \u201cEm princ\u00edpio, a UFSM deveria oferecer seguran\u00e7a ali dentro\u201d, declara o delegado.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o secret\u00e1rio geral do Gabinete do Reitor, Marionaldo Ferreira, afirmou que a Universidade tem dever de cuidar da educa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de zelar pela seguran\u00e7a dos alunos: \u201cO estatuto da Universidade n\u00e3o toca nessa quest\u00e3o de seguran\u00e7a, o estatuto \u00e9 geral. N\u00f3s n\u00e3o garantimos a seguran\u00e7a\u201d. Quanto \u00e0 poss\u00edvel cria\u00e7\u00e3o de um projeto interno de seguran\u00e7a, Marionaldo diz que s\u00e3o promovidas palestras educativas para os vigilantes, e ele acredita que essa seja a \u00fanica medida ao alcance da UFSM: \u201cn\u00f3s estamos fazendo reuni\u00f5es com a empresa Vigillare, porque \u00e9 um processo educativo do servidor vigilante, e tamb\u00e9m tem que ser um processo educativo com a comunidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Solu\u00e7\u00f5es apontadas e prazos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quem defende os interesses dos moradores da casa s\u00e3o os respons\u00e1veis pela Diretoria da CEU II que, em conjunto com os \u00f3rg\u00e3os reitores da Universidade e as v\u00edtimas, come\u00e7aram a pensar em medidas reais e eficazes.<\/p>\n\n\n\n<p>A Pr\u00f3-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) sugeriu a coloca\u00e7\u00e3o de portas de vidro com travas de emerg\u00eancia no <em>hall <\/em>de entrada dos pr\u00e9dios, al\u00e9m de c\u00e2meras em cada bloco e sistemas de interfone. O hor\u00e1rio de fechamento das portas seria definido pelos estudantes de cada bloco. Haver\u00e1, tamb\u00e9m, a coloca\u00e7\u00e3o de tijolos perfurados em cima das portas dos banheiros, chamados cogob\u00f3s, que garantem a ventila\u00e7\u00e3o higi\u00eanica e dificultam a vis\u00e3o de quem tenta \u201cespiar\u201d de fora. A Diretoria da CEU II convocou assembleias para a vota\u00e7\u00e3o dessas sugest\u00f5es, que foram acatadas pelos moradores.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns alunos, entretanto, n\u00e3o aprovaram a instala\u00e7\u00e3o das c\u00e2meras. Segundo Emileidi Gon\u00e7alves e Jeison de Paula, membros da Diretoria da Casa do Estudante, a ideia era manter as filmagens em arquivos, e o acesso a elas s\u00f3 seria liberado quando necess\u00e1rio. Mesmo assim, foi argumentado contra a medida: \u201calguns moradores dizem que se sentiriam \u2018presos\u2019 com as c\u00e2meras no corredores\u201d, afirmou Emileidi. Ent\u00e3o, chegou-se ao consenso das c\u00e2meras n\u00e3o ficarem voltadas para o corredor, e sim, para o lado da rua, por ser considerada uma medida menos repressiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas as melhorias sugeridas pela Prae, como as portas de vidro e interfones, v\u00e3o demorar para sair do papel. O integrante da Coordenadoria de Planejamento Acad\u00eamico (Copa) da Pr\u00f3-Reitoria de Gradua\u00e7\u00e3o (Prograd), Benoine Josu\u00e9 Poll, diz que, em um primeiro momento, \u00e9 necess\u00e1rio fazer um levantamento das condi\u00e7\u00f5es das portas em cada bloco da CEU II, de modo a or\u00e7ar os custos para uniformiz\u00e1-las seguindo o planejamento de preven\u00e7\u00e3o de inc\u00eandio. Ap\u00f3s essa verifica\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 necess\u00e1rio elaborar um edital para s\u00f3 ent\u00e3o come\u00e7ar as reformas. A previs\u00e3o de Poll \u00e9 de que todas as etapas desse processo aconte\u00e7am ainda este ano, em um prazo de tr\u00eas ou quatro meses. Segundo a Prae, o pedido para licita\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi encaminhado, e deve demorar cerca de 90 dias para ser finalizado.<\/p>\n\n\n\n<p>O Pr\u00f3-Reitor de Assuntos Estudantis, Clayton Hillig, refor\u00e7a que o Projeto de Seguran\u00e7a da UFSM \u00e9 patrimonial: \u201cessa situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais vinculada a legisla\u00e7\u00e3o de forma geral, do que propriamente a um estatuto espec\u00edfico&nbsp; de dentro da Institui\u00e7\u00e3o.\u201d. A respeito da seguran\u00e7a dos alunos, Hilling afirma: \u201ca liberdade e a seguran\u00e7a s\u00e3o antag\u00f4nicas, quanto mais seguran\u00e7a tiver menos liberdade tu vai ter.\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O chefe de Vigil\u00e2ncia, Edu\u00edno Sim\u00f5es, afirma que a UFSM vai investir na amplia\u00e7\u00e3o e melhoria dos equipamentos de seguran\u00e7a no Campus. Uma das medidas \u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o das c\u00e2meras de seguran\u00e7a que, segundo ele, t\u00eam baixa resolu\u00e7\u00e3o. O projeto, desenvolvido em parceria com a empresa Vigillare, iniciar\u00e1 em setembro deste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudantes que integram a Diretoria da CEU II pretendem promover um f\u00f3rum para discutir quest\u00f5es de seguran\u00e7a no campus, e sugerem a cria\u00e7\u00e3o de um projeto institucional de seguran\u00e7a. Eles afirmam: \u201cA estrutura f\u00edsica muda, mas se o projeto de seguran\u00e7a for bem aplicado, ele pode durar anos\u201d. As atividades iniciar\u00e3o ap\u00f3s a resolu\u00e7\u00e3o das medidas estruturais.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto os moradores aguardam as prometidas reformas, o clima na CEU II \u00e9 de preocupa\u00e7\u00e3o. J\u00e9ssica n\u00e3o fica mais em casa com a porta destrancada, G.F n\u00e3o passa mais os finais de semana no campus, e v\u00e1rias meninas convivem com o medo de tomar banho ou at\u00e9 mesmo de ir ao banheiro. Entre o receio de estar na CEU e a expectativa de ver as promessas concretizadas, G.F desabafa: \u201cembora a UFSM saiba o que est\u00e1 acontecendo e as licita\u00e7\u00f5es para auxiliar na seguran\u00e7a ainda possam demorar muito tempo, espero que essa situa\u00e7\u00e3o se resolva ou que, ao menos, possa ir ao banheiro sem medo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bastidores<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"A inseguran\u00e7a tamb\u00e9m mora aqui - Bastidores\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/V4X4zN6jKhU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>REPORTAGEM: CALINE GAMBIN, MAYARA SOUTO E MIRELLA JOELS Chovia, n\u00e3o tinha ningu\u00e9m passando pelos blocos, estava caindo uma tempestade na hora. Fui tomar banho no banheiro do meu bloco. Quando j\u00e1 estava terminando, olhei pra cima para pegar minhas coisas, que estavam na divis\u00f3ria do box, e vi um celular. A princ\u00edpio, pensei que fosse [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":723,"featured_media":2979,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[27,120],"tags":[],"class_list":["post-2206","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-21a-edicao","category-geral-pt-21a-edicao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2206","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/723"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2206"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2206\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2979"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2206"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2206"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2206"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}