{"id":2221,"date":"2016-09-13T09:43:10","date_gmt":"2016-09-13T12:43:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufsm.br\/revistatxt\/?p=2221"},"modified":"2019-08-26T15:01:42","modified_gmt":"2019-08-26T18:01:42","slug":"coragem-e-uma-palavra-feminina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/2016\/09\/13\/coragem-e-uma-palavra-feminina","title":{"rendered":"Coragem \u00e9 uma palavra feminina"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\">REPORTAGEM: J\u00daLIA MAIA E LUCIANA TURCATO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Maria Helenita Nascimento Bern\u00e1l saiu de casa para estudar em Santa Maria \u201ccom a cara e a coragem&#8221;. Em meio \u00e0 m\u00fasica, educa\u00e7\u00e3o e pol\u00edtica (n\u00e3o partid\u00e1ria, ressalta) marcou a hist\u00f3ria da UFSM durante a Ditadura Militar, quando foi ativista pela moradia feminina na Casa do Estudante. Na inf\u00e2ncia, em Cachoeira do Sul, Helenita j\u00e1 demonstrava o sonho de ser professora: ao inv\u00e9s de brincar de bonecas, brincava de dar aulas. Em 1979, formada no Magist\u00e9rio, mudou-se para Santa Maria para cursar Educa\u00e7\u00e3o Art\u00edstica com habilita\u00e7\u00e3o em M\u00fasica. Os pais a apoiaram, apesar de n\u00e3o terem condi\u00e7\u00f5es de mant\u00ea-la financeiramente. Mesmo assim, Maria persistiu; sabia que o m\u00e1ximo que poderia acontecer era ter que voltar para casa.<\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-content\/uploads\/sites\/714\/2016\/08\/unnamed-1024x681.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2222\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/08\/unnamed-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/08\/unnamed-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/08\/unnamed-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/08\/unnamed-272x182.jpg 272w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/08\/unnamed.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Na foto: Maria Helenita \/ Fotografia: J\u00falia Maia<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Na UFSM, Helenita fazia parte do movimento estudantil, no Grupo Resist\u00eancia. Esse grupo militava em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 reitoria, que na \u00e9poca era favor\u00e1vel \u00e0 ditadura, e tamb\u00e9m ao Diret\u00f3rio Central dos Estudantes (DCE), no qual os membros eram escolhidos pela pr\u00f3pria reitoria. Os encontros aconteciam sempre em lugares diferentes porque os contr\u00e1rios ao regime precisavam andar &#8220;falando de lado e olhando para o ch\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse tempo, as Casas do Estudante (CEU) I e II, tinham mais de 300 vagas, todas estritamente masculinas devido \u00e0 maioria dos estudantes serem homens. Para as mulheres, havia a CEUs III e IV, por\u00e9m cada uma com m\u00e9dia de 15 vagas.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante deste cen\u00e1rio, o movimento estudantil passou a questionar a desigualdade na forma de acesso \u00e0 Casa de Estudante. Em 1981, em acordo com a Diretoria da Casa, Maria Helenita &#8211; que j\u00e1 morava na CEU IV por n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es de manter uma moradia-, Jurema Zago e Elenizia Rossato ocuparam um dos quartos da CEU II com o prop\u00f3sito de iniciar um processo de moradia mista. Maria acredita que a reitoria n\u00e3o tentou impedi-las porque acreditava que n\u00e3o teriam coragem de continuar. Mas tiveram!<\/p>\n\n\n\n<p>Poucos meses depois, a Diretoria da Casa prop\u00f4s que houvesse tamb\u00e9m a ocupa\u00e7\u00e3o da CEU II. Por motivos diversos, Maria Helenita foi a \u00fanica que continuou no processo, ent\u00e3o convidou a amiga Jussara Wolker para ir com ela. Antes disso, garantiu que outras mulheres ocupassem as vagas da CEU I, para dar continuidade \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O apartamento ocupado por Maria Helenita e Jussara na CEU II foi o 1306. Possu\u00eda vagas para cinco pessoas e, em pouco tempo, todas foram preenchidas. No final daquele ano, outros ficaram vazios, e outras mulheres tiveram acesso \u00e0 moradia. Isso garantiu a amplia\u00e7\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o, de forma que, mesmo sendo contr\u00e1ria, a reitoria n\u00e3o tinha mais como impedir.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.ufsm.br\/revistatxt\/?attachment_id=2286\" rel=\"attachment wp-att-2286\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"798\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-content\/uploads\/sites\/714\/2016\/09\/unnamed1-1024x798.jpg\" alt=\"Na foto: Maria Helenita \/ Fotografia: J\u00falia Maia\" class=\"wp-image-2286\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/09\/unnamed1-1024x798.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/09\/unnamed1-300x234.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/09\/unnamed1-768x599.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/09\/unnamed1.jpg 1534w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Na foto: Maria Helenita \/ Fotografia: J\u00falia Maia<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria de Helenita comprova que ela sempre agiu criticamente de acordo com os ideais que defende, e ensinou isso a seus filhos e alunos. Mesmo assim, nunca tratou com desrespeito quem se posiciona de maneira diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente est\u00e1 aposentada como educadora musical, mas n\u00e3o pensa em parar. Continuou estudando m\u00fasica e, no final deste ano, completa sua segunda gradua\u00e7\u00e3o: Bacharelado em Musicoterapia. Ainda pretende fazer mestrado e dar aulas at\u00e9 o fim de sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, aos 58 anos, Maria Helenita vive na sua cidade natal com o marido, que inclusive conheceu no tempo da faculdade, e que morava no bloco 12, ao lado do dela. Conta que \u00e9 extremamente compensador saber que sua luta contribuiu para que as mulheres e homens tivessem os mesmos direitos de moradia na UFSM.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BASTIDORES&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O interesse em retratar o perfil de Maria Helenita Nascimento Bern\u00e1l se deu devido a importante contribui\u00e7\u00e3o desempenhada por ela na conquista da moradia mista na Casa do Estudante Universit\u00e1rio. Sua luta contribuiu para que o n\u00famero de vagas femininas aumentasse e se tornasse institucionalizado.<\/p>\n\n\n\n<p>Entramos em contato por telefone e marcamos uma data para a entrevista. De sua cidade, Cachoeira do Sul, Maria viajou para Santa Maria para que pud\u00e9ssemos entrevist\u00e1-la pessoalmente. Em nossa conversa informal permeada por risadas e boas hist\u00f3rias descobrimos uma mulher sensacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nossa entrevista, Maria Helenita respondeu com muita simpatia e bom humor a todas as perguntas que fizemos. Recolhemos muitos dados e hist\u00f3rias riqu\u00edssimas. Infelizmente, no momento de constru\u00e7\u00e3o do texto, alguns desses fatos precisaram ficar de fora, pelo pouco espa\u00e7o que possu\u00edamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a entrevista, realizada no Campus da UFSM, propomos para Maria Helenita visitar o quarto 1306, no bloco 13, apartamento que ela lembrava com muito carinho durante nossa conversa. Pedimos licen\u00e7a aos atuais moradores para que ela pudesse ver como est\u00e1 atualmente o quarto que ocupou anos atr\u00e1s. Proporcionar esse reencontro foi uma experi\u00eancia muito gratificante para n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Realizar este perfil foi muito compensador, visto que tivemos a oportunidade de conhecer a hist\u00f3ria da ocupa\u00e7\u00e3o feminina que at\u00e9 ent\u00e3o era desconhecida por n\u00f3s, pelo fato de existirem poucos registros sobre o fato. Al\u00e9m disso, conhecer um pouco sobre a vida de uma mulher corajosa que sempre lutou pelos seus direitos e daqueles que precisavam.<\/p>\n\n\n\n<p>Agradecemos a participa\u00e7\u00e3o de nossa perfilada, que foi muito atenciosa em todos os momentos, bem como sua disponibilidade em locomover-se at\u00e9 o campus da UFSM e nos permitir entender melhor a import\u00e2ncia do movimento estudantil e, principalmente, da luta feminina<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>REPORTAGEM: J\u00daLIA MAIA E LUCIANA TURCATO Maria Helenita Nascimento Bern\u00e1l saiu de casa para estudar em Santa Maria \u201ccom a cara e a coragem&#8221;. Em meio \u00e0 m\u00fasica, educa\u00e7\u00e3o e pol\u00edtica (n\u00e3o partid\u00e1ria, ressalta) marcou a hist\u00f3ria da UFSM durante a Ditadura Militar, quando foi ativista pela moradia feminina na Casa do Estudante. 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