{"id":2230,"date":"2016-09-15T09:43:17","date_gmt":"2016-09-15T12:43:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ufsm.br\/revistatxt\/?p=2230"},"modified":"2019-08-26T14:57:20","modified_gmt":"2019-08-26T17:57:20","slug":"a-ufsm-durante-os-anos-de-chumbo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/2016\/09\/15\/a-ufsm-durante-os-anos-de-chumbo","title":{"rendered":"A UFSM durante os anos de chumbo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\">REPORTAGEM: LUCAS MORO E SU\u00c9LEN LAVARDA<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Se hoje encontramos uma universidade com espa\u00e7o para debate e liberdade de express\u00e3o, durante o regime militar esses direitos n\u00e3o eram assegurados. A Comiss\u00e3o da Verdade na UFSM foi criada em junho de 2015 para esclarecer os fatos que ocorreram na Universidade durante a ditadura. O que j\u00e1 foi feito?<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-large wp-image-2271\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-content\/uploads\/sites\/714\/2016\/08\/14315700_1700659180259643_1092611031_o-1024x613.jpg\" alt=\"\" width=\"584\" height=\"349\" \/><\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"614\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-content\/uploads\/sites\/714\/2016\/08\/14315700_1700659180259643_1092611031_o-1024x614.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2271\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/08\/14315700_1700659180259643_1092611031_o-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/08\/14315700_1700659180259643_1092611031_o-300x180.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/08\/14315700_1700659180259643_1092611031_o-768x460.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2016\/08\/14315700_1700659180259643_1092611031_o.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s da Assessoria Especial de Seguran\u00e7a e Informa\u00e7\u00e3o (Aesi), localizada no 5\u00ba andar da reitoria, os militares monitoravam a comunidade acad\u00eamica e repassavam informa\u00e7\u00f5es para o Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00e3o (SNI), em Bras\u00edlia. Estudantes, professores e t\u00e9cnicos que fossem militantes pol\u00edticos ou cidad\u00e3os considerados \u201csubversivos\u201d sofriam com a cassa\u00e7\u00e3o de seus direitos pol\u00edticos, demiss\u00e3o ou perda do direito de exerc\u00edcio de seus cargos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para esclarecer o que ocorreu naquela \u00e9poca, evitar novas persegui\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m viola\u00e7\u00e3o de direitos, o Comit\u00ea Santa-mariense pelo Direito \u00e0 Mem\u00f3ria e \u00e0 Verdade e entidades de representa\u00e7\u00e3o da universidade propuseram a cria\u00e7\u00e3o de uma \u201cComiss\u00e3o da Verdade\u201d na UFSM. Essa comiss\u00e3o \u00e9 aut\u00f4noma e tem o desafio de trazer \u00e0 tona o que ocorreu durante a ditadura.<\/p>\n\n\n\n<p>A cria\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o segue o caminho do que foi realizado em outras institui\u00e7\u00f5es, como as universidades de Bras\u00edlia (UNB), de S\u00e3o Paulo (USP), a Federal da Bahia (Ufba), a Federal de Santa Catarina (UFSC), a Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (Puc- SP). Essas institui\u00e7\u00f5es, assim como a UFSM, se empenham em restabelecer a verdade sobre os acontecimentos desse per\u00edodo atrav\u00e9s do trabalho de suas comiss\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Em homenagem ao ex-professor do curso de Medicina da UFSM e ex-prefeito de Santa Maria, cassado pelo Ato Institucional n\u00ba 1, a Comiss\u00e3o \u201cPaulo Devanier Lauda\u201d de Mem\u00f3ria e Verdade da UFSM foi institu\u00edda em junho de 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o da Verdade e Mem\u00f3ria da UFSC destaca a necessidade das comiss\u00f5es de \u201crevisitar os fatos, estabelecer marcos de mem\u00f3ria que evidenciem para sua comunidade e a sociedade em geral, a apura\u00e7\u00e3o de abusos contra as liberdades e a dignidade humana\u201d. A preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 registrar essas experi\u00eancias para que as futuras gera\u00e7\u00f5es conhe\u00e7am a hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A Comiss\u00e3o da Verdade da UFSM conta com onze titulares e cinco suplentes que representam os tr\u00eas segmentos acad\u00eamicos a partir de indica\u00e7\u00f5es do DCE, da Assufsm e Sedufsm. Al\u00e9m de representantes do Conselho Universit\u00e1rio (Consun), \u00f3rg\u00e3o m\u00e1ximo de representa\u00e7\u00e3o da UFSM, e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), com o intuito de representar a sociedade civil e o Comit\u00ea Santa-mariense da Verdade. A organiza\u00e7\u00e3o, conta tamb\u00e9m com o suporte t\u00e9cnico de representantes dos cursos da Hist\u00f3ria, Arquivologia e Direito.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o ano passado, o trabalho da comiss\u00e3o ficou restrito ao in\u00edcio das investiga\u00e7\u00f5es, \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o interna e com a busca de documentos existentes dentro da pr\u00f3pria universidade junto ao Departamento de Arquivo Geral (DAG). Estes documentos deveriam mostrar melhor o funcionamento da repress\u00e3o dentro da UFSM, assim como, outras informa\u00e7\u00f5es relevantes sobre o per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, segundo o coordenador-geral da comiss\u00e3o, Diorge Alceno Konrad, al\u00e9m das dificuldades enfrentadas por provas desaparecidas que supostamente foram eliminadas, os documentos sobre a Aesi tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o no arquivo geral da UFSM, uma vez que todos eram enviados diretamente ao Servi\u00e7o de Informa\u00e7\u00e3o em Bras\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 foi solicitado que se fa\u00e7a junto \u00e0 reitoria um pedido, atrav\u00e9s de a\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, para que haja acesso aos arquivos da \u00e9poca ainda existentes sobre a UFSM. No entanto, este processo \u00e9 complicado, pois pouca coisa do SNI j\u00e1 foi revelada.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos documentos da pr\u00f3pria universidade e dos \u00f3rg\u00e3os federais, \u00e9 importante que se estabele\u00e7a parcerias com comiss\u00f5es de outras universidades e com a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, com esse intuito, representantes da UFSM estiveram presentes no F\u00f3rum das Comiss\u00f5es da Verdade das Universidades. Diorge releva que h\u00e1 ainda a ideia de organizar um dia de debates ou um semin\u00e1rio em Santa Maria com a participa\u00e7\u00e3o de integrantes de comiss\u00f5es da verdade de outras universidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Outro meio de investiga\u00e7\u00e3o s\u00e3o os relatos de testemunhas da repress\u00e3o, como na Comiss\u00e3o da Verdade da Puc-SP que realizou audi\u00eancias p\u00fablicas com depoimentos de militantes e n\u00e3o militantes da \u00e9poca. O processo adotado pela Puc pode ser usado como modelo para o trabalho da comiss\u00e3o da UFSM, que fez sua \u00fanica audi\u00eancia no dia 15 de abril de 2016. Na ocasi\u00e3o, foi ouvido o professor aposentado do curso de Medicina, Eduardo Rolim. Ele foi afastado da universidade em 1964, dois anos depois teve seus direitos pol\u00edticos suspensos e perdeu o mandato de vereador pelo PTB. Rolim, que ainda tem cl\u00ednica na cidade, s\u00f3 foi reintegrado \u00e0 UFSM em 1987, j\u00e1 na redemocratiza\u00e7\u00e3o. O relato est\u00e1 em fase de transcri\u00e7\u00e3o e o conte\u00fado vai ser revelado ap\u00f3s revis\u00e3o. Em uma pr\u00f3xima audi\u00eancia, que ainda n\u00e3o tem data definida, ser\u00e1 ouvida&nbsp;Lys Lauda, filha de&nbsp;Paulo Devanier Lauda, professor \u2018expurgado\u2019 da UFSM na \u00e9poca do golpe militar.<\/p>\n\n\n\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o dos fatos revelados atrav\u00e9s das investiga\u00e7\u00f5es e do trabalho destas comiss\u00f5es para a comunidade acad\u00eamica e a sociedade em geral tamb\u00e9m \u00e9 essencial. Por isso, em universidades como PUC-SP e UFSC trazem em suas p\u00e1ginas na web detalhes das investiga\u00e7\u00f5es e acervo fotogr\u00e1fico, al\u00e9m de informa\u00e7\u00f5es sobre as universidades e o ambiente acad\u00eamico durante o regime militar.<\/p>\n\n\n\n<p>A falta de recursos humanos para produzir e manter um site focado no trabalho da comiss\u00e3o da UFSM \u00e9 o principal empecilho nesse processo. No entanto, Diorge Konrad ressalta a ideia de que, al\u00e9m do relat\u00f3rio final, seja elaborado tamb\u00e9m um memorial f\u00edsico dentro da universidade para que se tenha acesso aos documentos e a outros materiais reunidos pela comiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cAt\u00e9 agora foi um trabalho dif\u00edcil e lento, pois al\u00e9m da falta de recursos financeiros e humanos, os integrantes da comiss\u00e3o s\u00e3o ocupados, ent\u00e3o praticamente trabalhamos na investiga\u00e7\u00e3o somente nos dias da reuni\u00e3o e quando acontece alguma a\u00e7\u00e3o por parte da comiss\u00e3o \u00e9 somente nesses dias\u201d avalia o coordenador, Diorge.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ele tamb\u00e9m solicita aos que possuem informa\u00e7\u00f5es sobre este per\u00edodo de repress\u00e3o que procurem a comiss\u00e3o nas reuni\u00f5es abertas, que ocorrem todas as sextas-feiras pela manh\u00e3 no 2\u00ba andar da reitoria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso valorizar o trabalho destas comiss\u00f5es, principalmente dentro das universidades, para que este debate nunca se apague, e que sejam estimulados estudos sobre o tema. Tamb\u00e9m \u00e9 importante que se continue investigando, para que todos os abusos dessa \u00e9poca sombria sejam denunciados e que nunca mais seja poss\u00edvel que se repitam.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BASTIDORES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem surgiu com as perguntas que fizemos a n\u00f3s mesmos quando soubemos da exist\u00eancia de uma comiss\u00e3o para investigar as persegui\u00e7\u00f5es ocorridas durante o regime militar dentro de nossa universidade. Como \u00e9 feito o trabalho dessa comiss\u00e3o? Como foi a repress\u00e3o feita pelos militares na UFSM? S\u00e3o perguntas que buscam esclarecer os ocorridos e mostrar \u00e0 comunidade acad\u00eamica o trabalho de investiga\u00e7\u00e3o, para que se tenha consci\u00eancia dos abusos desse per\u00edodo e das cicatrizes deixadas na hist\u00f3ria da universidade. De acordo com o lema das comiss\u00f5es da verdade: N\u00e3o se esquecer para que nunca se repita.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Entrevistamos o Coordenador-geral da comiss\u00e3o da UFSM e professor de hist\u00f3ria, Diorge Konrad, que esclareceu muitas d\u00favidas sobre o trabalho interno da comiss\u00e3o e revelou as dificuldades enfrentadas pela falta de recursos e de tempo dos integrantes. Destacou tamb\u00e9m os poss\u00edveis trabalhos, que devem ser realizados pela comiss\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>REPORTAGEM: LUCAS MORO E SU\u00c9LEN LAVARDA Se hoje encontramos uma universidade com espa\u00e7o para debate e liberdade de express\u00e3o, durante o regime militar esses direitos n\u00e3o eram assegurados. A Comiss\u00e3o da Verdade na UFSM foi criada em junho de 2015 para esclarecer os fatos que ocorreram na Universidade durante a ditadura. 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