{"id":3360,"date":"2020-07-02T15:12:04","date_gmt":"2020-07-02T18:12:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/?p=3360"},"modified":"2020-07-24T15:22:22","modified_gmt":"2020-07-24T18:22:22","slug":"a-realidade-de-quem-vive-na-casa-do-estudante-desafios-que-vao-alem-da-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/2020\/07\/02\/a-realidade-de-quem-vive-na-casa-do-estudante-desafios-que-vao-alem-da-pandemia","title":{"rendered":"A realidade de quem vive na casa do estudante: desafios que v\u00e3o al\u00e9m da pandemia"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Com apenas uma semana de aula, no dia 16 de mar\u00e7o, a UFSM decretou a suspens\u00e3o das atividades presenciais por conta da pandemia do novo coronav\u00edrus. A medida resultou no retorno de muitos alunos, que moram na casa do estudante, para suas cidades de origem. Entretanto, houve quem precisou permanecer nas instala\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias. A .TXT conversou com cinco acad\u00eamicos, que ap\u00f3s quase quatro meses de isolamento social dentro das moradias da universidade, vivem experi\u00eancias diferentes, mas em comum, sofrem com a saudade da fam\u00edlia, falta de rotina nos estudos e as incertezas para o futuro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Refer\u00eancia no Brasil, a Casa do Estudante Universit\u00e1rio (CEU) da UFSM \u00e9 um dos benef\u00edcios oferecidos pela assist\u00eancia estudantil da institui\u00e7\u00e3o. Destinada aos alunos de baixa renda, a assist\u00eancia busca contribuir para igualdade de oportunidades no acesso ao ensino p\u00fablico e diminuir a evas\u00e3o, decorrente da falta de condi\u00e7\u00f5es financeiras.\u00a0 Atualmente,<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">a CEU II acomoda mais de 1.800 estudantes, e no cen\u00e1rio atual cerca de 400 ainda seguiam nas moradias do Campus no final de junho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0A pandemia obrigou uma mudan\u00e7a repentina de h\u00e1bitos que antes eram comuns entre os moradores. A partida de v\u00f4lei no fim da tarde, a roda de chimarr\u00e3o e o vai e vem de pessoas entre os apartamentos perderam espa\u00e7o para conversas online, atividades f\u00edsicas individuais e sa\u00edda somente uma vez na semana para ir ao mercado.<\/span><\/p>\n<h4><b>Quando ir embora n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o<\/b><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0No in\u00edcio do ano, quando Wesley Pereira Rocha, 28 anos<\/span><b>,<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> saiu de Ariquemes, em Rond\u00f4nia, para cursar Gest\u00e3o em Turismo do outro lado do pa\u00eds, n\u00e3o imaginava que<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">o impacto da dissemina\u00e7\u00e3o de um v\u00edrus sem precedentes<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">o faria ficar isolado a mais de 3 mil quil\u00f4metros de sua fam\u00edlia. Foi justamente essa dist\u00e2ncia um dos motivos que o impediu de voltar para casa, al\u00e9m do medo de contrair o v\u00edrus no percurso e transmitir para os pais, que s\u00e3o do grupo de risco. Por ser calouro, Wesley ainda est\u00e1 alojado na Uni\u00e3o Universit\u00e1ria, uma moradia provis\u00f3ria para os estudantes de fora da cidade que chegam e n\u00e3o tem onde ficar. Apenas ele e mais quatro pessoas permaneceram no local, durante a pandemia. Com ambientes de uso coletivo, como dormit\u00f3rios, banheiros, cozinha e \u00e1rea de estudo, os acad\u00eamicos estabelecem regras para manter a organiza\u00e7\u00e3o do lugar. Wesley conta que, pelo baixo n\u00famero de pessoas, o conv\u00edvio entre os moradores tem sido tranquilo, situa\u00e7\u00e3o contrastante com a rotina agitada da Uni\u00e3o em tempos normais,<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">que j\u00e1 chegou acomodar 200 pessoas no in\u00edcio do ano. \u201cNa \u00e9poca em que a Uni\u00e3o estava cheia, onde eu ia tinha gente. Para ficar sozinho, eu literalmente tinha que sair daqui. E agora n\u00e3o, tem momentos que ficamos todos juntos, como nas refei\u00e7\u00f5es, e tem horas que cada um fica no seu canto\u201d, relata.\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3362\" aria-describedby=\"caption-attachment-3362\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3362\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-content\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/UNIA\u0303O-300x169.jpg\" alt=\"Descri\u00e7\u00e3o de Imagem: Fotografia horizontal e colorida de v\u00e1rias camas enfileiradas. As camas s\u00e3o do tipo beliche nas cores marrom e branco; na primeira fileira, quatro camas, sendo que somente a segunda possui um colch\u00e3o na parte inferior do beliche. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel contar a quantidade de fileiras e camas a partir da segunda fileira. As camas est\u00e3o em uma sala grande, com a parede traseira composta por janelas na cor azul, e a parede esquerda da imagem \u00e9 composta por azulejo na cor branca. O piso \u00e9 quadriculado na cor marrom e na parte superior, luzes brancas acesas no teto de cor branca.\" width=\"500\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/UNIA\u0303O-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/UNIA\u0303O-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/UNIA\u0303O-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/UNIA\u0303O.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3362\" class=\"wp-caption-text\"><em>Moradores da Uni\u00e3o, tem rotina alterada pela Pandemia<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Estudar longe de casa tamb\u00e9m \u00e9 a realidade de Nati Castro Fernandes, de 26 anos que \u00e9 natural do Piau\u00ed. A estudante do 6\u00b0 semestre de Arquitetura e Urbanismo e moradora da CEU, at\u00e9 tentou o retorno para casa, mas com a emerg\u00eancia da pandemia j\u00e1 n\u00e3o havia mais passagens dispon\u00edveis para o estado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Tamb\u00e9m houve outros motivos que fizeram alguns moradores permanecer na casa do estudante. Alice Figueiredo, 20 anos, cursa o 4\u00b0 semestre de Zootecnia e possui uma bolsa remunerada em um projeto da universidade voltado para o cuidado de animais em situa\u00e7\u00e3o de abandono. Diferente de outras atividades, essa \u00e9 considerada essencial e por isso, Alice ainda realiza o servi\u00e7o mesmo durante a pandemia. A companhia dos animais, segundo ela, \u00e9 o que torna os dias de isolamento um pouco mais leves.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3363\" aria-describedby=\"caption-attachment-3363\" style=\"width: 341px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-3363\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-content\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/Alice-com-dog-240x300.jpg\" alt=\"Descri\u00e7\u00e3o de Imagem: Fotografia vertical e colorida de Alice e um cachorro. A fotografia foi tirada em contra-ploung\u00e9, de baixo para cima. Alice tema pele morena, olhos escuros e cabelos lisos de tamanho m\u00e9dio e na cor castanho. Na frente dela, mais pr\u00f3ximo da c\u00e2mera, um cachorro de pelagem caramelo, porte m\u00e9dio, que olha para a frente. Alice est\u00e1 com roupas em cor cinza e olha para a c\u00e2mera com express\u00e3o neutra. Seu bra\u00e7o passa por cima do cachorro e segura a c\u00e2mera que retrata a imagem. Ao fundo, h\u00e1 galhos e folhas de uma \u00e1rvore e entre eles v\u00ea-se partes do c\u00e9u azul.\" width=\"341\" height=\"427\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/Alice-com-dog-240x300.jpg 240w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/Alice-com-dog-819x1024.jpg 819w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/Alice-com-dog-768x960.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/Alice-com-dog.jpg 918w\" sizes=\"(max-width: 341px) 100vw, 341px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3363\" class=\"wp-caption-text\"><em>A companhia dos animais tem tornado os dias mais facies para Alice Figueiredo<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h4><b>A adapta\u00e7\u00e3o ao ensino remoto e a falta de estrutura<\/b><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Muitos professores da UFSM adotaram o ensino de forma remota, que v\u00e3o desde indica\u00e7\u00f5es de leituras at\u00e9 encontros virtuais nos hor\u00e1rios das aulas. Manter uma rotina de estudos diante de um cen\u00e1rio repleto de incertezas n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil para nenhum estudante. Na CEU, essa realidade n\u00e3o \u00e9 diferente. Alice conta que nem sempre se sente disposta a realizar as atividades relacionadas \u00e0 faculdade e, por isso, n\u00e3o conseguiu estabelecer uma organiza\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de estudos. Mas, ressalta que n\u00e3o deixa as tarefas acumularem e tenta fazer quando se sente bem. Para Roselaine Piber, 54 anos, que faz mestrado em Extens\u00e3o Rural, o distanciamento da sua rotina normal tamb\u00e9m refletiu na nova din\u00e2mica de estudos: \u201cO meu orientador me deixou bem livre para fazer algumas leituras, mas no in\u00edcio eu me cobrava muito. N\u00e3o fazia, mas mesmo assim me cobrava\u201d. A mestranda diz que com o passar dos dias deixou de se cobrar tanto, pois soube que poder\u00e1 optar pela prorroga\u00e7\u00e3o da defesa de disserta\u00e7\u00e3o caso se sentir prejudicada.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3364\" aria-describedby=\"caption-attachment-3364\" style=\"width: 482px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-3364\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-content\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/ROSE-300x225.jpg\" alt=\"Descri\u00e7\u00e3o de Imagem: Fotografia horizontal e colorida de Roselaine sentada \u00e0 uma mesa. Ela tem a pele branca, olhos escuros e cabelos na altura do ombro e grisalhos. Usa \u00f3culos e veste uma camiseta na cor vermelha e cal\u00e7a na cor azul escuro. Ela sorri levemente para a c\u00e2mera. Est\u00e1 sentada em uma cadeira bege na cozinha; apoia as m\u00e3os na mesa e segura um garfo e uma faca por cima de um prato com legumes nas cores verde, amarelo e vermelho. A mesa \u00e9 coberta por uma toalha estampada em xadrez, com cores predominantes em tons vermelho e verde. Sobre a toalha, h\u00e1 pratos com verduras coloridas e outros objetos. No fundo h\u00e1 uma parede branca. No lado esquerdo, uma janela; ao centro, uma prateleira de vidro com utens\u00edlios de cozinha e alimentos; canto direito, uma estante e um microondas, ambos na cor branca. O ch\u00e3o \u00e9 de cer\u00e2mica branca.\" width=\"482\" height=\"361\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/ROSE-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/ROSE-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/ROSE-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/ROSE.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 482px) 100vw, 482px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3364\" class=\"wp-caption-text\"><em>Roselaine Piber, 54 anos, utiliza o tempo para mudar seus h\u00e1bitos alimentares.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Problemas como a frequente falta de \u00e1gua, luz ou internet, s\u00e3o outros fatores que atrapalham o ritmo de estudos de quem vive na casa do estudante. Os moradores relatam que j\u00e1 chegaram a ficar alguns dias sem acesso a internet e que, frequentemente, essa falta coincide com o hor\u00e1rio de alguma aula. A aus\u00eancia de \u00e1gua e luz \u00e9 ainda pior nesse momento, porque impede que se sigam as recomenda\u00e7\u00f5es de higieniza\u00e7\u00e3o ap\u00f3s chegar da rua. Alice, que precisa sair muitas vezes para atender as demandas da sua bolsa, demonstra preocupa\u00e7\u00e3o quanto a esse problema, pois tem receio de entrar \u2018suja\u2019 para dentro de casa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Ainda h\u00e1 quem n\u00e3o tem acesso ou enfrenta problemas com a tecnologia, \u00e9 o caso de Igor Prado, 22 anos, aluno do curso de Hist\u00f3ria Licenciatura, que no momento se encontra com o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">notebook<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> danificado e tem de fazer as atividades pelo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">smartphone. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Assim, at\u00e9 o aparelho voltar da manuten\u00e7\u00e3o, ele tem optado por leituras de livros e materiais impressos, pois de acordo com ele, a leitura no celular n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o proveitosa.<\/span><\/p>\n<h4><b>Sa\u00eddas para preservar a sa\u00fade mental<\/b><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u201cTudo bem n\u00e3o estar bem\u201d. \u00c9 assim que Igor responde quando questionado sobre sua sa\u00fade mental durante a quarentena. Ele diz estar aprendendo a respeitar seus sentimentos, mesmo que sejam de infelicidade. \u201cTento canalizar essas dores ps\u00edquicas que est\u00e3o na minha cabe\u00e7a para outro lugar\u201d, afirma. Igor j\u00e1 utilizou o servi\u00e7o de acompanhamento psicol\u00f3gico oferecido pelo Setor de Aten\u00e7\u00e3o Integral ao Estudante (SATIE) da UFSM, mas explica que no momento optou por n\u00e3o seguir com as consultas, pois n\u00e3o se sente t\u00e3o \u00e0 vontade com o modelo virtual adotado durante a pandemia. Ele encontra amparo ao acompanhar os v\u00eddeos de uma psic\u00f3loga no <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Youtube<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> que trata sobre a rela\u00e7\u00e3o entre sa\u00fade mental e o momento atual.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Al\u00e9m dos momentos de ang\u00fastia e instabilidade, o isolamento social tamb\u00e9m tem proporcionado a ado\u00e7\u00e3o de novos h\u00e1bitos. Cultivar uma horta, come\u00e7ar uma nova leitura e voltar a escrever poemas s\u00e3o atividades que passaram a fazer parte da rotina de Igor. O jovem permaneceu sozinho no apartamento, que antes da pandemia dividia com outras sete pessoas, e explica que as atividades ocupam a mente e servem como ref\u00fagio da situa\u00e7\u00e3o que vivemos.\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3365\" aria-describedby=\"caption-attachment-3365\" style=\"width: 352px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3365\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-content\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/IGOR-HORTA-225x300.jpg\" alt=\"Descri\u00e7\u00e3o de Imagem: Fotografia horizontal e colorida de Igor agachado em frente \u00e0 uma planta. Ele est\u00e1 enquadrado do centro \u00e0 direita da foto. Igor tem pele branca, cabelos pretos e curtos e barba, tamb\u00e9m, preta e curta. Veste um moletom bege e uma cal\u00e7a cinza. Est\u00e1 agachado, olha para baixo e mexe na terra com uma pazinha de jardinagem na cor laranja. Ao fundo, o c\u00e9u azul claro e, na metade da imagem.\" width=\"352\" height=\"469\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/IGOR-HORTA-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/IGOR-HORTA-768x1024.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/IGOR-HORTA.jpg 960w\" sizes=\"(max-width: 352px) 100vw, 352px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3365\" class=\"wp-caption-text\"><em>Lidar com a pr\u00f3pria horta \u00e9 uma v\u00e1lvula de escape para Igor Prado, 22 anos<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Nati lembra que no in\u00edcio se sentia mais triste, quando as not\u00edcias sobre a doen\u00e7a se intensificaram no pa\u00eds, mas com o passar dos dias se acostumou. Al\u00e9m de se dedicar \u00e0s atividades acad\u00eamicas, a maior parte do seu dia tem sido vazio, por isso usa o tempo para navegar na internet e descansar. Ela menciona que ter a companhia da colega de quarto ajuda: \u201cTendo outra pessoa, eu posso dividir o que eu sinto. \u00c9 bom ter algu\u00e9m para cozinhar e limpar a casa juntas\u201d.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3366\" aria-describedby=\"caption-attachment-3366\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3366\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-content\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/NATI-224x300.jpg\" alt=\"Descri\u00e7\u00e3o de Imagem: Fotografia vertical e colorida de Nati parada em frente a um pr\u00e9dio. Ela est\u00e1 enquadrada no centro da foto, de corpo inteiro. Tem tom de pele morena, cabelos pretos e amarrados; usa uma m\u00e1scara branca, veste blusa rosa, casaco lil\u00e1s, saia jeans azul sobre meia cal\u00e7a preta e t\u00eanis pretos. Ela olha para a c\u00e2mera e est\u00e1 de p\u00e9 em cima de uma madeira, com as m\u00e3os nos bolsos do casaco. O pr\u00e9dio \u00e9 branco, na entrada superior central, feita com vidros, \u201c46\u201d em cor preto, abaixo. O sol reflete em uma das portas que est\u00e1 aberta.\" width=\"350\" height=\"469\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/NATI-224x300.jpg 224w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/NATI.jpg 749w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3366\" class=\"wp-caption-text\"><em>Nati Castro Fernandes, 26 anos, s\u00f3 tem sa\u00eddo de casa uma vez na semana para ir ao supermercado<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h4><b>(Sobre) viver com o m\u00ednimo<\/b><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Com intuito de reduzir o fluxo de alunos e garantir a seguran\u00e7a dos moradores, a UFSM orientou que, aqueles que pudessem, retornassem para suas casas. Para isso, a institui\u00e7\u00e3o subsidiou o custo das passagens de \u00f4nibus ou avi\u00e3o. Os que precisaram ficar, passaram a receber um aux\u00edlio alimenta\u00e7\u00e3o mensal no valor de R$ 250,00, disponibilizado pela Pr\u00f3-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE), j\u00e1 que o Restaurante Universit\u00e1rio (RU), o qual era respons\u00e1vel pelas tr\u00eas refei\u00e7\u00f5es di\u00e1rias dos alunos, foi fechado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Apesar dos acad\u00eamicos valorizarem a assist\u00eancia estudantil oferecida e reconhecerem a import\u00e2ncia desse direito, demonstram preocupa\u00e7\u00e3o com a situa\u00e7\u00e3o atual. Com o constante aumento de pre\u00e7os dos alimentos nos supermercados, esse valor tem sido insuficiente para dar conta das refei\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas. \u201cQuem n\u00e3o tem uma ajuda e n\u00e3o pode trabalhar, \u00e9 bem dif\u00edcil, acho que \u00e9 muito pouco, n\u00e3o corresponde com as alimenta\u00e7\u00f5es que t\u00ednhamos no RU. Deveria ser revisto\u201d, destaca Roselaine. Em transmiss\u00e3o online da Sess\u00e3o do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extens\u00e3o (CEPE), em 5 de maio, o reitor Paulo Burmann alegou que existe um teto para o pagamento desse tipo de aux\u00edlio e que n\u00e3o pode ser alterado. Citou ainda as dificuldades or\u00e7ament\u00e1rias pelas quais a universidade passa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0H\u00e1 um grande distanciamento entre o valor ofertado pela PRAE, de R$ 250,00, e o gasto mensal do RU com cada estudante. Em tempos normais, a soma do caf\u00e9 da manh\u00e3 (R$ 5,50) e do almo\u00e7o e jantar (R$ 9,40 cada) resulta em R$ 651,10 mensais, quase o triplo do valor pago pelo aux\u00edlio alimenta\u00e7\u00e3o durante a pandemia.<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3367\" aria-describedby=\"caption-attachment-3367\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3367\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-content\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/e-mail-RU-1-300x151.jpg\" alt=\"Descri\u00e7\u00e3o de Imagem: Captura de tela de um e-mail que traz em destaque, na parte superior, em letras azuis marinho e fundo cinza \u201cUniversidade Federal de Santa Maria. Sistema de Restaurantes Universit\u00e1rios. Alerta de agendamento n\u00e3o comparecido\u201d. Abaixo, em fonte menor, com o texto em azul marinho, est\u00e1 \u201cPrezado(a). Verificamos que voc\u00ea agendou um Almo\u00e7o no RU \u2013 Campus I no dia 16.03.2020 e n\u00e3o compareceu. Isso gerou um custo de R$ 9,40 para a UFSM. Lembre-se de cancelar e evitar o desperd\u00edcio. Caso voc\u00ea tenha comparecido, desconsidere este e-mail. Notifica\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica do M\u00f3dulo de Restaurante Universit\u00e1rio do SIE. N\u00e3o responder este e-mail.\u201d O valor do custo do almo\u00e7o est\u00e1 em vermelho. O fundo \u00e9 branco.\" width=\"510\" height=\"257\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/e-mail-RU-1-300x151.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/e-mail-RU-1.jpg 664w\" sizes=\"(max-width: 510px) 100vw, 510px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3367\" class=\"wp-caption-text\"><em>Notifica\u00e7\u00e3o de n\u00e3o comparecimento do Restaurante Universit\u00e1rio<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Em outras Universidades Federais do estado, a assist\u00eancia estudantil tamb\u00e9m precisou ser repensada para atender os moradores das casas de estudantes. Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), os restaurantes universit\u00e1rios passaram a oferecer marmitas diariamente para aqueles que permanecem nas moradias. J\u00e1 na Universidade Federal do Rio Grande (FURG), al\u00e9m da distribui\u00e7\u00e3o das tr\u00eas refei\u00e7\u00f5es di\u00e1rias, tamb\u00e9m foi concedido aos residentes um aux\u00edlio no valor de R$ 200,00 para casos de emerg\u00eancia.<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Para conseguir dar conta de todos os gastos, alguns recorrem a outras alternativas. Como Wesley, que passou a receber uma bolsa com remunera\u00e7\u00e3o de R$ 250,00 para auxiliar na SATIE durante o per\u00edodo de pandemia, al\u00e9m de contar com uma pequena economia que fez antes de vir para o Sul. Entretanto, o estudante se mostra preocupado com as outras pessoas que n\u00e3o disp\u00f5em das mesmas condi\u00e7\u00f5es. O Aux\u00edlio Emergencial de R$ 600,00 concedido pelo Governo Federal tamb\u00e9m foi uma possibilidade, por\u00e9m, mesmo que os moradores se enquadrem em situa\u00e7\u00f5es financeiras parecidas, nem todos foram contemplados. Esse foi o caso de Nati, que ainda est\u00e1 com seu beneficio em an\u00e1lise no aplicativo, e sem muitas esperan\u00e7as de consegui-lo.\u00a0<\/span><\/p>\n<h4><b>As incertezas acerca do futuro<\/b><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Enquanto a retomada da vida normal ainda parece algo distante, os estudantes tentam lidar com as ang\u00fastias do confinamento, diante de um cen\u00e1rio que exp\u00f5e de forma escancarada as desigualdades sociais e econ\u00f4micas do pa\u00eds. As pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, temem n\u00e3o apenas a contamina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, mas tamb\u00e9m como sobreviver financeiramente. A falta de planejamento por parte dos governantes sobre essas quest\u00f5es \u00e9 justamente uma das preocupa\u00e7\u00f5es de Nati, que n\u00e3o enxerga a vida das pessoas como prioridade na atua\u00e7\u00e3o do Estado: \u201cEu n\u00e3o sei at\u00e9 que ponto vamos ter que ficar em isolamento, porque n\u00e3o se planeja nada\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Apesar das incertezas, a expectativa para o recome\u00e7o das aulas \u00e9 mais um sentimento comum a todos entrevistados. Wesley que se sente satisfeito com o curso escolhido, n\u00e3o v\u00ea a hora de estar em sala de aula para trocar experi\u00eancias com os professores e colegas. Alice tamb\u00e9m diz estar ansiosa para rever os amigos, mas reconhece que a volta deve acontecer no momento que a sa\u00fade de todos possa ser garantida.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3368\" aria-describedby=\"caption-attachment-3368\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3368\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-content\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/WESLEY-unia\u0303o-234x300.jpg\" alt=\"Descri\u00e7\u00e3o de Imagem: Fotografia vertical e colorida de Wesley, homem branco de barba preta comprida. A foto est\u00e1 na diagonal e ele est\u00e1 enquadrado no centro da foto. Usa uma touca na cor preta, camiseta verde escura e cal\u00e7as pretas, seu olhar est\u00e1 voltado para a frente. Possui um notebook branco apoiado em suas pernas, que est\u00e3o cruzadas; o notebook possui 4 adesivos. Ele est\u00e1 sentado em uma cama do tipo beliche, que tem fronha branca com estrelas pretas. A parede atr\u00e1s dele \u00e9 composto por uma janela na cor azul, com entrada de luz solar, e, do lado esquerdo, uma parede branca.\" width=\"350\" height=\"449\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/WESLEY-unia\u0303o-234x300.jpg 234w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/WESLEY-unia\u0303o-768x983.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2020\/07\/WESLEY-unia\u0303o.jpg 795w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3368\" class=\"wp-caption-text\"><em>Wesley Pereira Rocha, 28 anos, \u00e9 um dos cinco moradores da Uni\u00e3o Universit\u00e1ria nesse per\u00edodo<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right\"><em>Reportagem: <span style=\"font-weight: 400\">Caroline de Souza e Lu\u00eds Gustavo dos Santos<\/span><\/em><\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Com apenas uma semana de aula, no dia 16 de mar\u00e7o, a UFSM decretou a suspens\u00e3o das atividades presenciais por conta da pandemia do novo coronav\u00edrus. A medida resultou no retorno de muitos alunos, que moram na casa do estudante, para suas cidades de origem. Entretanto, houve quem precisou permanecer nas instala\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias. A .TXT [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2889,"featured_media":3361,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[241,31,242,247],"tags":[],"class_list":["post-3360","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-25-edicao","category-capa","category-especial","category-semana-1"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3360","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2889"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3360"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3360\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3361"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3360"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3360"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3360"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}