{"id":3511,"date":"2021-08-27T17:24:19","date_gmt":"2021-08-27T20:24:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/?p=3511"},"modified":"2021-08-27T22:17:31","modified_gmt":"2021-08-28T01:17:31","slug":"trezentos-anos-de-divida-historica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/2021\/08\/27\/trezentos-anos-de-divida-historica","title":{"rendered":"Trezentos anos de d\u00edvida hist\u00f3rica"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"3511\" class=\"elementor elementor-3511\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-f0db908 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"f0db908\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-632f21b8\" data-id=\"632f21b8\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-4c3976a8 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"4c3976a8\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><!-- wp:gallery {\"ids\":[3520],\"linkTo\":\"none\",\"sizeSlug\":\"full\",\"align\":\"center\"} --><\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery aligncenter columns-1 is-cropped\">\n<ul class=\"blocks-gallery-grid\">\n<li class=\"blocks-gallery-item\"><span style=\"background-color: #eeeff1;color: #000000;font-size: 0.875rem;text-align: center\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-3520\" style=\"color: #000000;font-size: 1rem;background-color: #ffffff\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2021\/08\/9E18D12E-0D9A-4A90-874E-5C509F41D423-1.jpg\" alt=\"Descri\u00e7\u00e3o: Fotografia em preto e branco, em plano geral, de uma casa simples e pequena, com paredes feitas de retalhos de t\u00e1buas na horizontal e peda\u00e7os de lona cobrindo as frestas. O telhado \u00e9 constru\u00eddo com capim e cip\u00f3s que mant\u00eam o telhado na casa. Ao fundo, \u00e0 direita, uma casa feita com retalhos de madeira e telhado de telha. A casa est\u00e1 rodeada de vegeta\u00e7\u00e3o rasteira. Ao fundo da imagem, uma colina com algumas \u00e1rvores.\" width=\"567\" height=\"366\" data-id=\"3520\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2021\/08\/9E18D12E-0D9A-4A90-874E-5C509F41D423-1.jpg 567w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2021\/08\/9E18D12E-0D9A-4A90-874E-5C509F41D423-1-300x194.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><span style=\"color: #000000;font-size: 0.875rem\">Casa da primeira moradora, Maria Isabel Pinto. casa constru\u00edda por volta de 1910, a partir de retalhos de madeira, pau a pique, revestimento de barro e telhado de capim.<\/span><\/span><\/li>\n<\/ul>\n<\/figure>\n<p><!-- \/wp:gallery --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;font-size: 1rem\">No Brasil, de forma oficial, a escravid\u00e3o teve fim no dia 13 de maio de 1888. Depois de muita press\u00e3o e revolta dos negros escravizados, a princesa Isabel assinou a Lei \u00c1urea,\u00a0 que decretava a liberta\u00e7\u00e3o dos escravos no pa\u00eds. No entanto, com a precariedade de informa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o das pessoas da \u00e9poca, principalmente quando se tratava de escravos de senhores, a situa\u00e7\u00e3o desse povo s\u00f3 piorava. Isso ficou claro quando a Lei \u00c1urea foi assinada, j\u00e1 que muitos desses escravos sentiram na pele as dificuldades de n\u00e3o ter uma forma\u00e7\u00e3o, saber ler ou ter o que comer.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Sem saber o que fazer ou para onde ir, muitos continuaram a trabalhar para os senhores donos de latif\u00fandios por troca de sobras de comida e por um teto. Eram m\u00e3o de obra bra\u00e7al.\u00a0 Ainda no per\u00edodo colonial, a revolta dos negros, deu origem aos quilombos. O maior e mais conhecido da Am\u00e9rica Latina \u00e9 o quilombo dos Palmares, localizado no nordeste, no estado de Alagoas.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><strong>O que significa o termo quilombola?<\/strong><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>O termo quilombola se refere a um povo que se alocava em lugares altos e de dif\u00edcil acesso, como perto de rios ou na mata, j\u00e1 que sempre acabavam sendo escorra\u00e7ados por outros povos dominantes. Descendentes de\u00a0 ex-escravos, que fugiam\u00a0 de seus senhores ou que compravam a sua alforria, mas que mesmo assim eram considerados fugitivos.\u00a0<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>A palavra quilombo origina-se do termo <em>kilombo<\/em>, presente no idioma dos povos Bantu, origin\u00e1rios de Angola, e significa \u2018local de pouso ou acampamento\u2019. Os povos da \u00c1frica Ocidental eram, antes da chegada dos colonizadores europeus, essencialmente n\u00f4mades, e os locais de acampamento eram utilizados para repouso em longas viagens. De acordo com o <a href=\"https:\/\/www.dicio.com.br\/quilombo\/\">dicion\u00e1rio<\/a> on-line da l\u00edngua portuguesa atual, a palavra quilombo significa ref\u00fagio.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><strong>\u201cNingu\u00e9m melhor do que n\u00f3s para contar a nossa hist\u00f3ria\u201d\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Luiz Concei\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:image {\"align\":\"center\",\"id\":3523,\"sizeSlug\":\"full\",\"linkDestination\":\"none\"} --><\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-3523\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2021\/08\/isabel-1.jpg\" alt=\"Descri\u00e7\u00e3o: Fotografia antiga, enquadrada do peito para cima, na cor s\u00e9pia, de uma mulher negra idosa, sorrindo timidamente. Ela \u00e9 magra, com cabelos crespos e brancos, e veste uma camisa branca. Ao fundo, uma parede de madeira escura e r\u00fastica.\" width=\"411\" height=\"476\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2021\/08\/isabel-1.jpg 411w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2021\/08\/isabel-1-259x300.jpg 259w\" sizes=\"(max-width: 411px) 100vw, 411px\" \/>\n<p>\u00a0<\/p>\n<figcaption>Senhora Maria Isabel Pinto, que d\u00e1 origem ao nome da associa\u00e7\u00e3o da comunidade &#8216;Vov\u00f3 Isabel&#8217;.<\/figcaption>\n<\/figure>\n<\/div>\n<p><!-- \/wp:image --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;font-size: 1rem\">Fl\u00e1vio Moreira, presidente da associa\u00e7\u00e3o da comunidade Quilombola \u2018Vov\u00f3 Isabel\u2019, localizada em Nova Palma, Regi\u00e3o Central do (RS), diz que: &#8220;a comunidade existe desde 1840, mas tem um passado um pouco turbulento, por conta das invas\u00f5es dos campeiros, que invadiam as terras ocupadas pelos povos tradicionais\/quilombolas e arrastavam suas casas, acarretando na fuga de muitos moradores para o meio do mato, o que fez com que muitos n\u00e3o voltassem ao lugar de origem por medo\u201d. Assim como na \u2018Vov\u00f3 Isabel\u2019, essa hist\u00f3ria de invas\u00f5es se repetia nas demais comunidades, pelo fato de ex-escravos serem considerados inferiores se comparados a pessoas brancas, e da n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o dos colonizadores em dividir o espa\u00e7o de conv\u00edvio.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:image {\"align\":\"center\",\"id\":3524,\"width\":402,\"height\":402,\"sizeSlug\":\"full\",\"linkDestination\":\"none\"} --><\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-3524\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2021\/08\/acacio-reportagem-2.jpeg\" alt=\"Descri\u00e7\u00e3o: Fotografia antiga em retrato, na cor s\u00e9pia, enquadrada da cintura para cima, de um homem negro vestindo farda policial e um quepe. Com fei\u00e7\u00e3o s\u00e9ria, o homem olha para a c\u00e2mera e posiciona suas m\u00e3os na altura do est\u00f4mago. Ao fundo, uma parede de concreto.\" width=\"402\" height=\"402\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2021\/08\/acacio-reportagem-2.jpeg 178w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2021\/08\/acacio-reportagem-2-150x150.jpeg 150w\" sizes=\"(max-width: 402px) 100vw, 402px\" \/>\n<p>\u00a0<\/p>\n<figcaption>O senhor Ac\u00e1cio Flores, homem que d\u00e1 origem ao nome da associa\u00e7\u00e3o da comunidade &#8216;Ac\u00e1cio Flores&#8217;.<\/figcaption>\n<\/figure>\n<\/div>\n<p><!-- \/wp:image --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;font-size: 1rem\">Na Quarta Col\u00f4nia h\u00e1, at\u00e9 os dias de hoje, cinco comunidades quilombolas: duas localizadas no munic\u00edpio de Restinga Seca, uma em Nova Palma e outra em Dona Francisca. Todas possuem o certificado da Funda\u00e7\u00e3o Palmares, que comprova que as comunidades s\u00e3o remanescentes quilombolas. Al\u00e9m dessas, h\u00e1 a comunidade de Silveira Martins, que est\u00e1 em processo de certifica\u00e7\u00e3o, processo esse que tem o aux\u00edlio do projeto de extens\u00e3o da UFSM, Cons\u00f3rcio Quilombola, coordenado pelo professor de Direito Jos\u00e9 Luiz de Moura Filho.<\/span><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>De forma not\u00f3ria, os povos quilombolas foram escanteados e acabaram \u00e0s margens da sociedade, separados e afastados uns dos outros, para que perdessem a voz e a for\u00e7a. Como resultado, as comunidades n\u00e3o sabiam da exist\u00eancia umas das outras, mesmo s\u00e9culos depois. Um dos l\u00edderes da comunidade \u2018Ac\u00e1cio Flores\u2019, Luiz Concei\u00e7\u00e3o, relata que: \u201cN\u00f3s da comunidade Ac\u00e1cio Flores, n\u00e3o sab\u00edamos da exist\u00eancia de comunidades quilombolas nas cidades de Silveira Martins e Nova Palma, apenas conhec\u00edamos a de Restinga Seca\u201d.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><strong>Projeto de extens\u00e3o da universidade<\/strong><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Pensando nessa problem\u00e1tica da falta de comunica\u00e7\u00e3o, de voz e vez das comunidades negras e, principalmente, quilombolas, foi desenvolvido um projeto de aproxima\u00e7\u00e3o dessas comunidades, o projeto Cons\u00f3rcio Quilombola. Desde 2020, os encontros acontecem de maneira presencial apenas com os l\u00edderes das comunidades, que respeitam as regras de preven\u00e7\u00e3o \u00e0 Covid-19.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>\u201cEste projeto \u00e9 uma sequ\u00eancia, um desdobramento de um projeto anterior que n\u00f3s t\u00ednhamos em 2020 que \u00e9 o geopa quilombo\u201d. Dentro do plano estrat\u00e9gico e institucional da Universidade Federal de Santa Maria, que visa credenciar e certificar o territ\u00f3rio de Ca\u00e7apava do Sul e da Quarta Col\u00f4nia como geoparques. \u201cO intuito do projeto, al\u00e9m de aproximar as comunidades quilombolas, \u00e9 deixar as comunidades cientes e informadas sobre as pol\u00edticas p\u00fablicas, especialmente as voltadas \u00e0 sociedade, \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra, mais precisamente a quilombola, na \u00e1rea de habita\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, gera\u00e7\u00e3o de renda, entre outras\u201d, explica Moura Filho.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>A Universidade Federal de Santa Maria tamb\u00e9m atua em conjunto com a cidade de Ca\u00e7apava do Sul, com o projeto de extens\u00e3o \u201c<a href=\"https:\/\/portal.ufsm.br\/projetos\/publico\/projetos\/view.html?idProjeto=68319\">O Patrim\u00f4nio Cultural Sobre a Morte nas \u00c1reas Quilombolas em Picadas das Vassouras<\/a>\u201d, coordenado pela professora de Arquivologia, Fernanda Kieling Pedrazzi.\u00a0 A professora explica que o objetivo \u00e9 valorizar as comunidades quilombolas e divulgar os documentos e espa\u00e7os sobre a morte dessas comunidades. Ela informa ainda que pretende criar \u201cum evento online sobre os achados em campo voltado a discutir este tema, levantando quest\u00f5es funer\u00e1rias de tradi\u00e7\u00e3o, cultura, identidade, mem\u00f3ria e patrim\u00f4nio em conson\u00e2ncia com as novas tecnologias e ainda organizar e publicizar os documentos referentes \u00e0 morte e enterro de membros de comunidades remanescentes de quilombos\u201d.\u00a0<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>\u201cConsidero esses projetos excelentes, pois precisamos nos unir, est\u00e1vamos distantes e sem comunica\u00e7\u00e3o. Chegou a hora do negro aparecer, pois n\u00f3s n\u00e3o somos reconhecidos\u201d, relata Concei\u00e7\u00e3o, membro da comunidade &#8216;Ac\u00e1cio Flores\u2019. Al\u00e9m da uni\u00e3o entre as comunidades, Moreira destaca que: \u201c\u00e9 preciso fortalecer a regi\u00e3o, fazendo eventos culturais, com a contribui\u00e7\u00e3o de todas as comunidades, porque aqui na quarta col\u00f4nia, se fala do alem\u00e3o e italiano, e n\u00f3s somos deixados de lado, al\u00e9m de ser pouco falado e valorizado. Assim, quanto mais unidos, mais f\u00e1cil se torna o acesso, pois vamos acabar tendo mais for\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><strong>Resgate: cultura, tradi\u00e7\u00e3o e hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:image {\"align\":\"center\",\"id\":3521,\"sizeSlug\":\"full\",\"linkDestination\":\"none\"} --><\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-3521\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2021\/08\/WhatsApp-Image-2021-08-18-at-10.37.48.jpeg\" alt=\"Descri\u00e7\u00e3o: Fotografia horizontal, em preto e branco, de nove meninas negras de seis a onze anos. As seis meninas maiores est\u00e3o atr\u00e1s, e tr\u00eas menores na linha da frente. Todas elas est\u00e3o vestidas de baianas, com blusa branca e saia florida at\u00e9 os p\u00e9s. Todas est\u00e3o sorrindo, e usam acess\u00f3rios, como la\u00e7o de cabelo na cor branca e colares de mi\u00e7anga.\" width=\"823\" height=\"495\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2021\/08\/WhatsApp-Image-2021-08-18-at-10.37.48.jpeg 823w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2021\/08\/WhatsApp-Image-2021-08-18-at-10.37.48-300x180.jpeg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2021\/08\/WhatsApp-Image-2021-08-18-at-10.37.48-768x462.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 823px) 100vw, 823px\" \/>\n<p>\u00a0<\/p>\n<figcaption>Alunas da escola e da comunidade Vov\u00f3 Isabel, no resgate da cultura afro, por meio da vestimenta tradicional antes da apresenta\u00e7\u00e3o de m\u00fasica.<\/figcaption>\n<\/figure>\n<\/div>\n<p><!-- \/wp:image --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;font-size: 1rem\">Um dos principais objetivos do Projeto de aproxima\u00e7\u00e3o das comunidades \u00e9 mostrar a cultura, a religi\u00e3o, os costumes e outras tradi\u00e7\u00f5es desses povos. \u201cA ideia \u00e9 estabelecer algum tipo de equipamento, como por exemplo um museu, estamos discutindo com as lideran\u00e7as comunit\u00e1rias e possivelmente agora, ainda nesse ano, se a pandemia der uma tr\u00e9gua, reunir em um coletivo mais amplo, conversando com todos os moradores da comunidade e n\u00e3o s\u00f3 as lideran\u00e7as\u201d, explica o professor Moura Filho.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>As comunidades quilombolas j\u00e1 t\u00eam trabalhos de resgate \u00e0 cultura e tradi\u00e7\u00f5es nas pr\u00f3prias instala\u00e7\u00f5es. A comunidade \u2018Ac\u00e1cio Flores\u2019 trabalha com grupo de dan\u00e7a afro, que carrega consigo quest\u00f5es de dan\u00e7a, ra\u00e7a e cren\u00e7as, al\u00e9m da turma de percuss\u00e3o, que recebe todos do munic\u00edpio. Na comunidade \u2018Vov\u00f3 Isabel\u2019, \u00e9 ensinado a hist\u00f3ria, as origens na escola local, al\u00e9m do grupo de capoeira, percuss\u00e3o e dan\u00e7a afro. Na localidade de Martimianos \u00e9 trabalhado o artesanato.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>A religi\u00e3o nessas comunidades ainda \u00e9 um ponto a ser discutido e levado ao debate, pois em nenhuma das comunidades h\u00e1 a presen\u00e7a de uma religi\u00e3o de matriz africana, apenas crist\u00e3s. Moreira relata que: \u201ca quest\u00e3o da religi\u00e3o ainda n\u00e3o foi retomada, para n\u00e3o haver um conflito, seria importante conhecermos um pouco mais, mas nem todos entendem da mesma forma\u201d. A fala do l\u00edder comunit\u00e1rio referenda o preconceito que as pessoas ainda t\u00eam n\u00e3o s\u00f3 com as comunidades, mas tamb\u00e9m com as religi\u00f5es de matriz africana.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><strong>A atua\u00e7\u00e3o do jovem<\/strong><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Uma das lideran\u00e7as da\u00a0 comunidade de Martimianos, em Restinga Seca, Teresinha Paim, relata que \u201cOs jovens da nossa comunidade tem uma participa\u00e7\u00e3o muito boa, eles querem colaborar\u00a0 e trabalhar, e eu considero isso muito bom, pois daqui a alguns anos eles ir\u00e3o puxar a frente\u201d.\u00a0<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Ao ser questionado sobre seu papel na comunidade, o acad\u00eamico de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, e remanescente Quilombola, Hueliton da Silva, relata &#8220;pretendo manter contato e criar algum programa de est\u00edmulo ao estudo e profissionaliza\u00e7\u00e3o, tendo em vista a baixa m\u00e9dia de ingresso em universidades pelos membros da comunidade\u201d. O universit\u00e1rio tem ci\u00eancia da import\u00e2ncia do estudo e da forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, e v\u00ea na gradua\u00e7\u00e3o \u201cuma oportunidade de romper o ciclo de depend\u00eancia como m\u00e3o de obra de agricultores que cercam o entorno da comunidade&#8221;. Para ele, \u00e9 uma maneira\u00a0 de se\u00a0 profissionalizar, aumentar o conhecimento e ser exemplo para os demais integrantes da mesma\u201d.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Atualmente, h\u00e1 21 jovens matriculados na UFSM e que pertencem a tr\u00eas comunidades quilombolas da Quarta Col\u00f4nia, mas esse n\u00famero pode e deve ser maior. A acad\u00eamica de Zootecnia, Tha\u00eds da Silva Moreira, diz que se v\u00ea como &#8220;privilegiada, tenho orgulho das minhas ra\u00edzes, mas na minha percep\u00e7\u00e3o acredito que a condi\u00e7\u00e3o financeira \u00e9 umas das dificuldades que mais implica para se manter na Universidade nos dias atuais, mas n\u00e3o que seja um bloqueio ao conhecimento\u201d.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>A condi\u00e7\u00e3o financeira de algumas pessoas dessas comunidades negras, muitas vezes, \u00e9 prec\u00e1ria, muitas est\u00e3o em estado de vulnerabilidade social, em consequ\u00eancia de\u00a0 governos omissos e de um sistema opressor. Dados de analistas, com base no Mapa da Fome da ONU, mostram que o <a href=\"https:\/\/mmtbrasil.com\/o-lugar-do-brasil-no-mapa-da-fome\/\">Brasil sofreu um grande retrocesso ao voltar a constar no mapa da fome<\/a>, por conta da queda do PIB de 2015 e, mais recentemente, devido \u00e0 extin\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional, pelo atual presidente do pa\u00eds, ainda no seu primeiro ano de mandato, afirma Luciano Alencar Barros, professor de economia da UFRJ.\u00a0<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Esses dados v\u00eam ao encontro da fala de Silva: \u201cna comunidade, geralmente \u00e9 estimulado o trabalho de auto-sustento, pois muitos precisam trabalhar, o que acarreta em um sujeito sem um horizonte, ganhando o de cada dia e continuando o ciclo de peonagem bra\u00e7al da comunidade\u201d. O acad\u00eamico relata a realidade de muitos jovens brasileiros, que abandonam os estudos por necessidades financeiras, acarretando em um baixo n\u00edvel de escolaridade, principalmente de pessoas negras e perif\u00e9ricas.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>No entanto, um ponto positivo e que deve ser comemorado \u00e9 a inser\u00e7\u00e3o dessas pessoas na Universidade, por interm\u00e9dio de programas governamentais, como por exemplo, do Sisu, Prouni. O sistema de cotas abrange as mais diversas pessoas da sociedade e torna o ensino superior um lugar de inclus\u00e3o e de todos.\u00a0<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Apesar de muito criticado, o sistema de cotas foi uma forma de amenizar uma d\u00edvida hist\u00f3rica da sociedade com a popula\u00e7\u00e3o negra e ind\u00edgena, pois n\u00e3o pode ser esquecido que o Brasil escravizou e eliminou esses povos por mais de 300 anos, e isso ainda se reflete em nossa sociedade atual. Portanto, n\u00e3o se trata de favor, caridade ou doa\u00e7\u00e3o, mas sim de direito \u00e0 participa\u00e7\u00e3o, a ouvir e ser ouvido, \u00e9 uma quest\u00e3o de respeito. E \u00e9 o que o povo preto luta e busca.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><strong>Vov\u00f3 Isabel &#8211;<\/strong> \u00c9 o nome da associa\u00e7\u00e3o da comunidade, remete \u00e0 ex-escrava e uma das primeiras a se estabilizar no local em 1907, onde viveu com seus 13 filhos at\u00e9 a partida, assim, ela viu toda a evolu\u00e7\u00e3o da comunidade, al\u00e9m de ter sido a moradora mais antiga que tem registro. Vale ressaltar que a comunidade tamb\u00e9m \u00e9 reconhecida pelo seu nome Crist\u00e3o, Rinc\u00e3o do Santo In\u00e1cio.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Instagram:\u00a0 <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/vozes_do_quilombo\/?hl=pt-br\">@vozes_do_quilombo<\/a><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Facebook: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pages\/?category=your_pages&amp;ref=bookmarks\">Quilombo Vov\u00f3 Isabel<\/a><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><strong>Ac\u00e1cio Flores &#8211; <\/strong>O nome que d\u00e1 origem ao da comunidade \u00e9 tamb\u00e9m o da rua em Dona Francisca, onde se encontra a sede da comunidade. Ac\u00e1cio Flores veio da Bahia, ajudou a construir a escola, hospital, igreja, etc. Al\u00e9m disso, criou seus quatro filhos sozinho, ap\u00f3s o falecimento de sua esposa. Ainda se tornou policial e foi protagonista em um cen\u00e1rio onde o negro era tido como figurante.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Facebook: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/acacioflores.quilombolas\">Ac\u00e1cio Flores\u00a0<\/a><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><strong>Vov\u00f4 Geraldo de Rinc\u00e3o dos Martimianos &#8211; <\/strong>Era o nome do antigo dono das terras, onde se localiza a comunidade hoje, e marido de uma ex-escrava, que t\u00eam seus descendentes residindo e resgatando a cultura e os direitos da comunidade.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Cr\u00e9ditos:<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Reportagem: Willian da Silva\u00a0<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Fotografia: arquivo da comunidade Vov\u00f3 Isabel e Associa\u00e7\u00e3o Ac\u00e1cio Flore<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, de forma oficial, a escravid\u00e3o teve fim no dia 13 de maio de 1888. Depois de muita press\u00e3o e revolta dos negros escravizados, a princesa Isabel assinou a Lei \u00c1urea,\u00a0 que decretava a liberta\u00e7\u00e3o dos escravos no pa\u00eds. No entanto, com a precariedade de informa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o das pessoas da \u00e9poca, principalmente quando [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4539,"featured_media":3520,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[251,260,275],"tags":[],"class_list":["post-3511","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-26a-edicao","category-comunidade-26a-edicao","category-pagina-inicial"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3511","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4539"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3511"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3511\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3520"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3511"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3511"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3511"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}