{"id":3619,"date":"2022-08-10T17:00:00","date_gmt":"2022-08-10T20:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/?p=3619"},"modified":"2022-08-10T17:03:11","modified_gmt":"2022-08-10T20:03:11","slug":"luto-perinatal-uma-dor-silenciosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/2022\/08\/10\/luto-perinatal-uma-dor-silenciosa","title":{"rendered":"LUTO PERINATAL: UMA DOR SILENCIOSA"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-medium\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"169\" height=\"300\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/luto-perinatal-ilustra-1-e1660050542955-169x300.png\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o colorida da silhueta de uma mulher gr\u00e1vida. Ela \u00e9 branca e est\u00e1 nua, com uma das m\u00e3os sobre a barriga. Acima do pesco\u00e7o, girass\u00f3is amarelos com cabos e folhas verdes.\" class=\"wp-image-3648\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/luto-perinatal-ilustra-1-e1660050542955-169x300.png 169w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/luto-perinatal-ilustra-1-e1660050542955-575x1024.png 575w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/luto-perinatal-ilustra-1-e1660050542955.png 763w\" sizes=\"(max-width: 169px) 100vw, 169px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Em 2018, segundo a Fiocruz, 45.875 \u00f3bitos perinatais foram registrados no Brasil. Este luto \u00e9 sentido pelas milhares de m\u00e3es que perdem seus beb\u00eas entre a 22\u00aa semana de gesta\u00e7\u00e3o e o 7\u00ba dia ap\u00f3s o parto. Dor, vazio e tristeza s\u00e3o os sentimentos das tr\u00eas mulheres com idades, experi\u00eancias e vidas diferentes, que desejaram seus filhos, esperaram por eles e n\u00e3o puderam sequer lev\u00e1-los para casa. O sofrimento do luto perinatal \u00e9 o que une as hist\u00f3rias de Jeniffer Weschenfelder, Jaqueline Sandra Rigon e Bruna Fani.<\/p>\n\n\n\n<p>A estudante de Biomedicina, Jeniffer Weschenfelder, aos 19 anos, descobriu a gravidez e, mesmo sem ter sido planejada, a partir da primeira consulta, ao ouvir os batimentos card\u00edacos de Helena, encarou a gesta\u00e7\u00e3o com felicidade. A emo\u00e7\u00e3o dela e do marido Leonardo Schneider Vega, logo compartilharia lugar com a preocupa\u00e7\u00e3o. Ao realizar os primeiros exames de rotina, sua m\u00e9dica observou altera\u00e7\u00f5es e percebeu que Helena tinha um cisto na nuca. Os pais foram orientados a buscar uma an\u00e1lise mais detalhada em Porto Alegre. Na capital, o m\u00e9dico informou que o diagn\u00f3stico do beb\u00ea s\u00f3 poderia ser dado de fato, na hora do nascimento, portanto, n\u00e3o seria poss\u00edvel garantir que a menina n\u00e3o tivesse complica\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n\n\n\n<p>Com quase oito meses de gesta\u00e7\u00e3o, Jeniffer sentiu-se mal e notou que Helena n\u00e3o estava se mexendo. Acompanhada por seu esposo, foi ao Hospital Vida &amp; Sa\u00fade, em Santa Rosa para fazer um ultrassom. No exame, ap\u00f3s mostrar a nen\u00e9m para a m\u00e3e, o m\u00e9dico respons\u00e1vel apontou para o cora\u00e7\u00e3ozinho de Helena no monitor e disse: \u201caqui est\u00e1 parado\u201d. Naquele momento, a m\u00e3e relata que sentiu o cora\u00e7\u00e3o parar e, ao saber sobre o falecimento da pequena, desejou petrificar aquele momento para as duas ficarem para sempre juntas. &#8220;A Helena foi muito desejada, a gente a queria do jeito que fosse, s\u00f3 quer\u00edamos ela viva\u201d, disse a m\u00e3e relembrando o caos do momento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o parto, ela e seu marido tiveram um tempo com a filha, puderam escolher a roupa, pegar no colo e fazer algumas fotos para recorda\u00e7\u00e3o. Em tom emotivo, Jeniffer conta: \u201cse eu fechar os olhos agora \u00e9 como se eu sentisse o cheirinho dela\u201d. Ap\u00f3s um ano e tr\u00eas meses, a jovem m\u00e3e diz estar finalmente se permitindo ser feliz de novo, mas ressalta que o luto \u00e9 para vida toda, a dor nunca passa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A professora de ensino fundamental, Jaqueline Sandra Rigon, de 49 anos, sempre teve o sonho de ser m\u00e3e.&nbsp; Ao encontrar dificuldades para engravidar, no ano de 2006, realizou um tratamento que resultou na gravidez das g\u00eameas, Lu\u00edsa e Lara. As meninas vieram ao mundo no Hospital Vida &amp; Sa\u00fade de Santa Rosa, com oito meses e peso abaixo do esperado, algo comum no desenvolvimento de uma gravidez gemelar. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As beb\u00eas rec\u00e9m-nascidas foram para a UTI Neonatal. Lu\u00edsa foi para casa no quinto dia e Lara ficou hospitalizada, pois ainda n\u00e3o estava dentro dos limites de peso. No s\u00e9timo dia ap\u00f3s o nascimento, o hospital informou \u00e0 fam\u00edlia que a menina estava sentindo falta de ar e seus batimentos estavam irregulares. Foi constatado que Lara possu\u00eda problemas card\u00edacos e deveria ser submetida a uma cirurgia em Porto Alegre. O pai Carlos Vladimir Petry acompanhou a nen\u00e9m em seu procedimento de emerg\u00eancia e Jaqueline, em casa, se recuperava da cirurgia e cuidava da rec\u00e9m nascida Luisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s ouvir coment\u00e1rios sobre a cirurgia ser muito comum em beb\u00eas, Jaqueline estava esperan\u00e7osa e confiante, sentimentos que logo foram suprimidos quando o ex-marido ligou para comunicar o falecimento de Lara durante a cirurgia. \u201cA expectativa era muito grande: iria ter duas meninas. Estava tudo preparado, tinham duas caminhas, pares de tudo. J\u00e1 se passaram 16 anos desde a perda da minha filha, mas a dor ainda existe\u201d, destacou a m\u00e3e.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEle nasceu mal\u201d, isso foi tudo que a professora de portugu\u00eas e reda\u00e7\u00e3o, formada pela UFSM, Bruna Fani ouviu de seu pediatra ao dar \u00e0 luz ao seu filho Vicente. Gr\u00e1vida aos 23 anos, ela relata ter sido v\u00edtima de um caso de viol\u00eancia obst\u00e9trica no Hospital Casa de Sa\u00fade em Santa Maria, no ano de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato, que ganhou repercuss\u00e3o nacional, mobilizou a comunidade materna em busca de respostas. Bruna relata que teve suas palavras deslegitimadas ao explicar para as enfermeiras sobre a dor que estava sentindo, de fato, n\u00e3o ser normal. Segundo ela, seu corpo n\u00e3o suportava o sofrimento. Ap\u00f3s Fani ficar horas sem receber nenhuma observa\u00e7\u00e3o, as enfermeiras concordaram em ouvir os sinais do beb\u00ea e perceberam que algo n\u00e3o estava certo com Vicente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O parto ocorreu durante a troca de plant\u00e3o do hospital. A m\u00e9dica obstetra, apressada,&nbsp; disse: \u201cvamos m\u00e3e, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 se ajudando. Precisamos de mais for\u00e7a, sen\u00e3o vamos ficar aqui at\u00e9 de noite&#8230;\u201d. Quando Vicente nasceu, a m\u00e3e n\u00e3o ouviu o choro. Sem demora, ele foi encaminhado para a sala do pediatra. Esses instantes foram apenas uma prova dos momentos tensos que Bruna viveria em seguida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o pediatra de plant\u00e3o, seu filho teve uma asfixia durante o parto: seis longos minutos sem respirar. Ap\u00f3s ser reanimado, foi encaminhado \u00e0 UTI Neonatal do Hospital Universit\u00e1rio de Santa Maria (HUSM), onde foi entubado. Ap\u00f3s dias de luta e agonia, tr\u00eas paradas card\u00edacas tiraram a vida de Vicente. Quando foi informada sobre o quadro do menino, a m\u00e3e se desolou: \u201ca pediatria era no sexto andar, acredito que os seis andares ouviram os meus gritos, meu choro\u2026 ningu\u00e9m me continha\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Protocolo m\u00e9dico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o existe um protocolo hospitalar, propriamente dito, apenas para informar os familiares sobre um \u00f3bito perinatal, segundo a pediatra neonatal do HUSM, Roseli Henn. Contudo, h\u00e1 uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es, n\u00e3o obrigat\u00f3rias, que a equipe m\u00e9dica costuma realizar prezando o zelo para com os familiares. O \u00f3bito \u00e9 informado pela equipe em um ambiente secund\u00e1rio. Em seguida, s\u00e3o oferecidos a ida at\u00e9 o leito para ver o beb\u00ea, o pegar no colo, a op\u00e7\u00e3o de gravar alguma digital, ou outro registro, e a oportunidade de vesti-lo com alguma roupinha da prefer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A pediatra ressalta que, durante a estadia do nen\u00e9m na UTI neonatal, nenhuma informa\u00e7\u00e3o sobre a gravidade do caso pode ser omitida. Apesar de a maioria dos casos n\u00e3o evolu\u00edrem ao \u00f3bito, \u00e9 necess\u00e1rio que se oriente sobre a possibilidade. Em situa\u00e7\u00f5es de extrema emerg\u00eancia, como em um quadro de evolu\u00e7\u00e3o para uma paralisia cerebral, \u00e9 recomendado que a equipe dos cuidados paliativos seja acionada para comunicar aos pais sobre o que, de fato, est\u00e1 acontecendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em situa\u00e7\u00f5es de falecimento intrauterino, acima de 20 semanas de gesta\u00e7\u00e3o, \u00e9 realizado o parto vaginal ou o parto ces\u00e1reo, de forma cir\u00fargica. Conforme a enfermeira obst\u00e9trica do HUSM, Amanda Zubiaurre de Barros, a escolha do parto baseia-se em uma s\u00e9rie de fatores: \u00e9 prefer\u00edvel que seja realizada a indu\u00e7\u00e3o ao parto normal, ou de forma espont\u00e2nea. Caso a mulher tenha cesarianas anteriores ou algo que contraindique o parto vaginal, opta-se pelo m\u00e9todo cir\u00fargico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 ideal que em todo parto haja um acompanhante \u2013 companheiro, familiar ou amigo \u2013 de escolha materna, para notar as a\u00e7\u00f5es do obstetra e do pediatra, em casos de complica\u00e7\u00f5es durante a opera\u00e7\u00e3o, como asfixia (mais comum), visto que a m\u00e3e se encontra em situa\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel. Ter a certeza de que foi realizado o poss\u00edvel para reanimar o rec\u00e9m-nascido, por\u00e9m sem resultado, facilita a compreens\u00e3o. Al\u00e9m disso, caso n\u00e3o haja algu\u00e9m presente, a m\u00e3e ter\u00e1 que ser informada sobre o \u00f3bito sozinha.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tabu<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVoc\u00ea \u00e9 jovem, ter\u00e1 outros filhos\u201d, \u201cquem sabe voc\u00ea n\u00e3o seria uma boa m\u00e3e\u201d, \u201cfoi a vontade de Deus\u201d. Esses s\u00e3o exemplos de coment\u00e1rios que as m\u00e3es ouvidas nesta reportagem relataram ter ouvido de familiares, amigos, conhecidos, e que tiveram impactos negativos ao inv\u00e9s de confortar. A psic\u00f3loga Janete Judite De Conti explica que existe uma dificuldade na sociedade em falar e entender o luto perinatal.<\/p>\n\n\n\n<p>Depress\u00e3o e s\u00edndrome do p\u00e2nico foram citadas pelas m\u00e3es como consequ\u00eancias do vivenciado. Tanto Jeniffer quanto Jaqueline e Bruna buscaram acompanhamento psicol\u00f3gico para expressar a dor e criar novos sentidos (existenciais) \u00e0 experi\u00eancia da perda e do sofrimento. O HUSM oferece atendimento psicol\u00f3gico e assist\u00eancia social para m\u00e3es e pais durante a interna\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a e ap\u00f3s o \u00f3bito, conforme a enfermeira obst\u00e9trica Amanda Zubiaurre de Barros.<\/p>\n\n\n\n<p>O suporte emocional e os v\u00ednculos saud\u00e1veis s\u00e3o necess\u00e1rios para que a m\u00e3e possa realmente sentir a aus\u00eancia, caso contr\u00e1rio, o luto pode se tornar silencioso e negado, podendo evoluir para um luto complicado, segundo a psic\u00f3loga. Pela resist\u00eancia que algumas pessoas e fam\u00edlias t\u00eam em entender o fato da perda perinatal como um luto, cria-se uma barreira ou impedimento para que o outro possa sofrer e viver sua dor. Com isso, o sentimento acaba sendo reprimido e, internamente, devastador, complementa a psic\u00f3loga.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o relato das m\u00e3es, os coment\u00e1rios religiosos feitos em redes e c\u00edrculos sociais, na tentativa de acolher, provocaram revolta e descren\u00e7a. Frases como: &#8220;Vivi uma situa\u00e7\u00e3o parecida, mas gra\u00e7as a Deus meu filho sobreviveu\u201d provocaram em Jeniffer e Bruna in\u00fameras revoltas contra suas cren\u00e7as divinas. \u201cPor que Deus ajudou essas crian\u00e7as e o meu filho n\u00e3o?\u201d, indagou-se Bruna ao relatar n\u00e3o entender como o amor e a piedade podem se&nbsp; transformar em preconceito e cr\u00edticas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dor transformada em ativismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nas redes sociais, Bruna recebeu mensagens de mulheres que haviam passado por situa\u00e7\u00f5es semelhantes. A partir disso, ela buscou engajar-se na causa e lutar para que casos como o de Vicente n\u00e3o se repitam. \u201cO amor e a energia da minha maternidade foram para o ativismo. Vivi minha maternidade nas ruas, por meu filho e pelas crian\u00e7as que vir\u00e3o.\u201d, destacou a m\u00e3e.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A ONG Amada Helena, de Porto Alegre, realiza projetos focados na transforma\u00e7\u00e3o social acerca do luto parental. Entre eles, uma cartilha de orienta\u00e7\u00e3o, com instru\u00e7\u00f5es sobre o que \u00e9 positivo e o que \u00e9 negativo de se dizer aos pais que perderam seus filhos recentemente, para n\u00e3o causar uma rea\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria ao seu objetivo: acolh\u00ea-los na dor.<\/p>\n\n\n\n<p>Para mais informa\u00e7\u00f5es sobre a ONG, acompanhe o Instagram: @ong.amadahelena ou visite o site: amada-helena.org<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"620\" height=\"412\" data-id=\"3646\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/WhatsApp-Image-2022-08-09-at-09.25.32.jpeg\" alt=\"Fotografia quadrada e colorida em plano aberto de um Grupo de pessoas, majoritariamente mulheres, em um protesto contra a viol\u00eancia obst\u00e9trica. Elas Carregam cartazes e banners sobre crian\u00e7as que foram v\u00edtimas de procedimentos irrespons\u00e1veis e viol\u00eancia obst\u00e9trica durante o parto. Na frente do grupo, uma mulher cis, branca, com cabelos castanhos. Veste uma camiseta branca com escritas n\u00e3o leg\u00edveis e uma cal\u00e7a jeans preta e usa uma touca vermelha. Com as m\u00e3os perto da boca, segura um megafone vermelho.\" class=\"wp-image-3646\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/WhatsApp-Image-2022-08-09-at-09.25.32.jpeg 620w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/WhatsApp-Image-2022-08-09-at-09.25.32-300x199.jpeg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/WhatsApp-Image-2022-08-09-at-09.25.32-272x182.jpeg 272w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"542\" height=\"542\" data-id=\"3647\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/WhatsApp-Image-2022-08-09-at-09.25.32-1.jpeg\" alt=\"Fotografia quadrada em preto e branco de um protesto contra a viol\u00eancia obst\u00e9trica. Mulheres seguram uma faixa com a escrita: Pelas crian\u00e7as, pela sa\u00fade, pela vida!!! Em primeiro plano, uma mulher de costas. Veste uma camiseta branca com a escrita: A justi\u00e7a \u00e9 cega, mas as m\u00e3es n\u00e3o s\u00e3o! E usa uma touca de cor escura. Ao fundo da imagem, um \u00f4nibus de transporte p\u00fablico e ao lado um caminh\u00e3o com cartazes de crian\u00e7as.\" class=\"wp-image-3647\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/WhatsApp-Image-2022-08-09-at-09.25.32-1.jpeg 542w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/WhatsApp-Image-2022-08-09-at-09.25.32-1-300x300.jpeg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/WhatsApp-Image-2022-08-09-at-09.25.32-1-150x150.jpeg 150w\" sizes=\"(max-width: 542px) 100vw, 542px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Reportagem: <\/em>&nbsp;<em>Gabriela Wohlenberg e Nathalia Espindola<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Ilustra\u00e7\u00e3o:<\/em> <em>Andressa Gon\u00e7alves<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Galeria: Arquivo pessoal de Bruna Fani<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2018, segundo a Fiocruz, 45.875 \u00f3bitos perinatais foram registrados no Brasil. Este luto \u00e9 sentido pelas milhares de m\u00e3es que perdem seus beb\u00eas entre a 22\u00aa semana de gesta\u00e7\u00e3o e o 7\u00ba dia ap\u00f3s o parto. Dor, vazio e tristeza s\u00e3o os sentimentos das tr\u00eas mulheres com idades, experi\u00eancias e vidas diferentes, que desejaram [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5735,"featured_media":3645,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[312,314],"tags":[262,321,263,324,326,327,288,325,257],"class_list":["post-3619","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-27a-edicao","category-saude-27a-edicao-2","tag-txt","tag-27ed","tag-jornalismo","tag-luto-perinatal","tag-maternidade","tag-mulher","tag-saude","tag-tabu","tag-ufsm"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3619","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5735"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3619"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3619\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3645"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3619"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3619"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3619"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}