{"id":3622,"date":"2022-09-05T18:37:38","date_gmt":"2022-09-05T21:37:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/?p=3622"},"modified":"2022-09-05T18:37:40","modified_gmt":"2022-09-05T21:37:40","slug":"pobreza-menstrual-e-seus-reflexos-no-ambito-academico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/2022\/09\/05\/pobreza-menstrual-e-seus-reflexos-no-ambito-academico","title":{"rendered":"POBREZA MENSTRUAL E SEUS REFLEXOS NO \u00c2MBITO ACAD\u00caMICO"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>Abordagens do tema por um prisma socioecon\u00f4mico na<\/em> UFSM<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/09\/ilustra-1-1-1-1024x724.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o colorida na horizontal, com o desenho de pe\u00e7as \u00edntimas manchadas de sangue na parte inferior. Na lateral esquerda do desenho, h\u00e1 uma calcinha azul, com uma mancha de sangue ao seu lado esquerdo que forma o s\u00edmbolo transg\u00eanero. Na parte central, h\u00e1 uma cueca Boxer branca, com uma mancha de sangue formando, acima, o s\u00edmbolo do cifr\u00e3o. Na lateral direita , h\u00e1 uma calcinha-cale\u00e7on lil\u00e1s, com uma mancha de sangue no interior , na parte superior, forma o s\u00edmbolo transg\u00eanero. O fundo \u00e9 em rosa pastel com textura de tecido ondulado.\" class=\"wp-image-3709\" width=\"512\" height=\"362\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/09\/ilustra-1-1-1-1024x724.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/09\/ilustra-1-1-1-300x212.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/09\/ilustra-1-1-1-768x543.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/09\/ilustra-1-1-1-1536x1086.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/09\/ilustra-1-1-1.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), a pobreza menstrual \u00e9 uma quest\u00e3o mundial de sa\u00fade p\u00fablica e dignidade humana, que surge a partir da limita\u00e7\u00e3o do acesso a saneamento b\u00e1sico, servi\u00e7os de sa\u00fade e informa\u00e7\u00e3o a quem menstrua. Dessa forma, pessoas que menstruam e est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade socioecon\u00f4mica e priva\u00e7\u00e3o da liberdade, s\u00e3o as mais afetadas pelo problema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ambiente acad\u00eamico, por ser formado majoritariamente por pessoas jovens e em processo de conquista de estabilidade econ\u00f4mica, \u00e9 um importante campo de estudo para esse tema. A UFSM acolhe milhares de estudantes de todos os cantos do pa\u00eds, que t\u00eam, entre si, contrastes de cultura e padr\u00e3o de vida, o que dialoga diretamente com a quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base nisso, o fato de absorventes n\u00e3o serem distribu\u00eddos como item b\u00e1sico de higiene dentro das unidades de Casa do Estudante Universit\u00e1rio (CEU) da UFSM, onde moram estudantes com aux\u00edlio de benef\u00edcio socioecon\u00f4mico, \u00e9 algo a ser avaliado. Os projetos de extens\u00e3o relacionados ao tema, desenvolvidos na Universidade, s\u00e3o uma op\u00e7\u00e3o de ajuda, mas o cen\u00e1rio pand\u00eamico limitou o alcance das atividades pr\u00e1ticas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>No Meu Fluxo: uma corrente do bem<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o objetivo de defender o direito \u00e0 dignidade de todas as pessoas que menstruam, surge o projeto No Meu Fluxo, que traz informa\u00e7\u00f5es a respeito da sa\u00fade menstrual e promove o autoconhecimento. O projeto de extens\u00e3o da UFSM, que conta com a participa\u00e7\u00e3o de alunas das \u00e1reas da sa\u00fade e da comunica\u00e7\u00e3o, come\u00e7ou a atuar em outubro de 2021, atrav\u00e9s das redes sociais e de epis\u00f3dios de podcast. A acad\u00eamica de medicina e participante do projeto, Tanize Milbradt, declarou que o principal intuito do projeto \u00e9 focar em educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, para levar o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o a pessoas em situa\u00e7\u00e3o de pobreza menstrual e tornar o assunto algo natural e desmistificado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Impactos na sa\u00fade \u00edntima<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo dados do relat\u00f3rio \u201cPobreza Menstrual no Brasil: desigualdade e viola\u00e7\u00e3o de direitos\u201d do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (UNICEF) e do Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA), de maio de 2021, sabe-se que o uso de m\u00e9todos improvisados para a conten\u00e7\u00e3o do sangue \u00e9 algo comum em cen\u00e1rios onde n\u00e3o h\u00e1 garantia de acesso a produtos adequados. Dentre esses improvisos, est\u00e3o o uso de peda\u00e7os de pano usados, roupas velhas, jornal e at\u00e9 miolo de p\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A m\u00e9dica Juliana da Rosa Wendt, orientadora do projeto No Meu Fluxo e especialista em medicina de fam\u00edlia e comunidade, explica que a utiliza\u00e7\u00e3o desses meios alternativos traz uma s\u00e9rie de riscos para a sa\u00fade, ocasionando infec\u00e7\u00f5es bacterianas e f\u00fangicas. A Doen\u00e7a Inflamat\u00f3ria P\u00e9lvica, causada por essas infec\u00e7\u00f5es, atinge \u00fatero, trompas e ov\u00e1rios, podendo levar \u00e0 infertilidade e at\u00e9 mesmo \u00e0 morte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da sa\u00fade \u00edntima, a pobreza menstrual prejudica tamb\u00e9m a sa\u00fade mental, uma vez que a pessoa em condi\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade socioecon\u00f4mica acaba se privando de ir \u00e0 escola ou ao trabalho durante o per\u00edodo, o que acarreta in\u00fameras outras problem\u00e1ticas sociais, por interferir na qualidade de ensino e na manuten\u00e7\u00e3o de renda. As consequ\u00eancias trazidas por esse problema n\u00e3o afetam somente pessoas com \u00fatero e deveriam ser quest\u00e3o de preocupa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, j\u00e1 que, a cada pessoa que \u00e9 privada de ter sua rotina com qualidade e integridade, indicam que falhamos como sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Todas por uma<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pobreza menstrual \u00e9 resultado, principalmente, da desigualdade social, visto que quem mais \u00e9 afetado por esse problema \u00e9 quem n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es financeiras e estruturais para enfrentar um ciclo com garantia de qualidade. Estudantes da UFSM que moram na CEU lidam, na maioria das vezes, com a falta de recursos e com a precariza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o de higiene que, por ser em uma moradia coletiva, \u00e9 dividido com v\u00e1rias pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A acad\u00eamica do curso de Produ\u00e7\u00e3o Editorial e moradora da CEU, Patricia Queiroz da Silva, conta que no apartamento onde mora cada pessoa \u00e9 respons\u00e1vel pela compra de seus pr\u00f3prios itens de higiene e sa\u00fade. A estudante desconhece projetos que realizem a distribui\u00e7\u00e3o de absorventes e relata que, quando precisou, recorreu a outras moradoras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse cen\u00e1rio exp\u00f5e que pessoas que moram na CEU e n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de arcar com o necess\u00e1rio para a higiene menstrual dependem da empatia e disponibilidade de outros moradores. O fato de ser dif\u00edcil conseguir conciliar estudos e trabalho para manter uma renda destaca a import\u00e2ncia de um aux\u00edlio efetivo para os estudantes em situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica delicada, visto que fatores socioecon\u00f4micos interferem diretamente no bem-estar e no rendimento acad\u00eamico dos estudantes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Menstrua\u00e7\u00e3o al\u00e9m de g\u00eaneros predefinidos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A inclus\u00e3o de homens transg\u00eanero \u00e9 outro ponto que n\u00e3o pode ser ignorado nesse debate sobre dignidade menstrual. O acad\u00eamico de jornalismo Gabriel Escobar da Silva, relata que, muitas vezes, h\u00e1 car\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es no atendimento m\u00e9dico disponibilizado a pessoas transmasculinas que fazem uso de horm\u00f4nios. O jovem frisa tamb\u00e9m o fato de que pessoas trans que menstruam nunca est\u00e3o nas campanhas sobre menstrua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa exclus\u00e3o se nota tamb\u00e9m no fato de haver uma quantidade limitada de pesquisas e dados relacionados a essa parcela social dentro da quest\u00e3o da pobreza menstrual. O preconceito acaba sendo um dos fatores determinantes para que homens trans n\u00e3o consigam ter o pleno usufruto de seus direitos e a garantia de um per\u00edodo menstrual seguro e digno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 ainda muitos outros vieses a serem abordados dentro dessa problem\u00e1tica. Pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua, popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria, crian\u00e7as e adolescentes em acolhimentos institucionais, entre outras minorias sociais, devem ser inclu\u00eddas na pauta de combate \u00e0 pobreza menstrual. A discuss\u00e3o sobre a necessidade de lutar contra a desinforma\u00e7\u00e3o e a priva\u00e7\u00e3o de liberdade e pela garantia de qualidade de vida para pessoas que menstruam \u00e9 algo recente, mas sua import\u00e2ncia \u00e9 atemporal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Dados e configura\u00e7\u00e3o social<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atrav\u00e9s de pesquisa feita por formul\u00e1rio online, disponibilizado por links em redes sociais, coletamos dados sobre o grau de instru\u00e7\u00e3o acerca da menstrua\u00e7\u00e3o e das quest\u00f5es socioecon\u00f4micas e de g\u00eanero em que ela se insere. Os resultados da pesquisa, aplicada a 47 pessoas, mostram que 87,2% n\u00e3o conhecem iniciativas na Universidade que visam instruir sobre o assunto e combater a pobreza menstrual e apenas uma pessoa disse saber a quem recorrer no meio acad\u00eamico em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade financeira relacionada \u00e0 compra de itens de higiene menstrual. Todos os participantes da pesquisa concordaram que o preconceito \u00e9 algo que dificulta o acesso desse p\u00fablico a itens e a informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Link das respostas da pesquisa:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/docs.google.com\/forms\/d\/1NEwXuNFFJC7CdjF2PVXqioF09JScs8xAYzJcUmLzeZQ\/edit#responses\">https:\/\/docs.google.com\/forms\/d\/1NEwXuNFFJC7CdjF2PVXqioF09JScs8xAYzJcUmLzeZQ\/edit#responses<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em>Reportagem: Kemyllin Dutra<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em> Ilustra\u00e7\u00e3o: Andressa G. Gon\u00e7alves<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abordagens do tema por um prisma socioecon\u00f4mico na UFSM Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), a pobreza menstrual \u00e9 uma quest\u00e3o mundial de sa\u00fade p\u00fablica e dignidade humana, que surge a partir da limita\u00e7\u00e3o do acesso a saneamento b\u00e1sico, servi\u00e7os de sa\u00fade e informa\u00e7\u00e3o a quem menstrua. 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