{"id":3649,"date":"2022-08-12T17:00:00","date_gmt":"2022-08-12T20:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/?p=3649"},"modified":"2022-08-12T17:38:03","modified_gmt":"2022-08-12T20:38:03","slug":"aluna-de-ouro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/2022\/08\/12\/aluna-de-ouro","title":{"rendered":"ALUNA DE OURO"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/I-1-1024x683.jpg\" alt=\" Fotografia horizontal e colorida de uma mulher de pele branca na parte direita da imagem. Ela est\u00e1 de perfil direito, em plano m\u00e9dio longo. Ela est\u00e1 com express\u00e3o facial de vibra\u00e7\u00e3o, a boca est\u00e1 aberta, os bra\u00e7os est\u00e3o dobrados para cima e o corpo est\u00e1 inclinado para tr\u00e1s. Tem pele branca, rosto angular, olhos escuros e cabelos loiros e lisos presos em um coque na parte superior da cabe\u00e7a. Ela veste camiseta amarela com detalhes em verde nas mangas e a bandeira do Brasil no lado direito do peito, short azul marinho justo e joelheiras brancas. Ela est\u00e1 em uma quadra de v\u00f4lei  na cor salm\u00e3o. O fundo \u00e9 dividido, de forma horizontal, em tr\u00eas linhas: na parte superior, a cor roxa; na parte central, a cor azul celeste, e na parte inferior, a cor salm\u00e3o.\" class=\"wp-image-3650\" width=\"768\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/I-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/I-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/I-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/I-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/I-1-272x182.jpg 272w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/I-1.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption><em>Foto: Tiago Moreira<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A audi\u00e7\u00e3o \u00e9 um sentido capaz de promover sensa\u00e7\u00f5es \u00fanicas e incompar\u00e1veis. Para os que a possuem na sua totalidade, ouvir uma m\u00fasica, conversar pelo telefone e escutar os sons da natureza s\u00e3o coisas comuns que passam na maioria das vezes despercebidas. Imagine viver sem isso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 13 de junho, a TXT entrevistou a doutoranda em Medicina Veterin\u00e1ria pela UFSM, Eduarda Santi. Natural de Nova Palma, RS, a estudante foi diagnosticada com defici\u00eancia auditiva e, desde a inf\u00e2ncia, se acostumou a quebrar barreiras com a ajuda das duas paix\u00f5es de sua vida: o esporte e o estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>In\u00fameras vezes campe\u00e3 pelo Santa Maria Soldiers, Eduarda alcan\u00e7ou a sua maior gl\u00f3ria esportiva no ano de 2022, quando disputou as Surdolimp\u00edadas Mundiais na modalidade v\u00f4lei. O evento ocorreu no m\u00eas de maio, em Caxias do Sul. Quanto aos estudos, dedicou uma d\u00e9cada de sua vida \u00e0 UFSM. Dos dez anos, quase nove foram vividos na Medicina Veterin\u00e1ria e o resto na Odontologia, que cursou at\u00e9 o terceiro semestre.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>.TXT: <\/em><\/strong><strong>H\u00e1 quanto tempo voc\u00ea est\u00e1 na UFSM? Como foi o seu in\u00edcio na Institui\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eduarda:<\/strong> Estou h\u00e1 10 anos na UFSM. Eu me formei no ensino m\u00e9dio no final de 2010 e passei por meio do PEIES em Odontologia. Na \u00e9poca, eu escolhi esse curso em decorr\u00eancia da minha defici\u00eancia auditiva e da quest\u00e3o da mulher no mercado de trabalho da Veterin\u00e1ria. Os meus pais queriam que eu fizesse um curso mais tranquilo, porque o meu pai \u00e9 veterin\u00e1rio, ent\u00e3o ele sabe que se trata de um trabalho mais pesado e mais sujo. No fim, eu fiz at\u00e9 o terceiro semestre de Odontologia, aguentei s\u00f3 as cadeiras b\u00e1sicas. No terceiro semestre, passei a ter aulas de \u201cSa\u00fade Coletiva\u201d e t\u00ednhamos que atender jovens em uma escola aqui de Santa Maria. Na primeira vez que fui atender uma crian\u00e7a, percebi que n\u00e3o era o que eu queria. Al\u00e9m disso, eu tenho umas amigas que faziam Veterin\u00e1ria e me falaram muito bem do curso, eu s\u00f3 conseguia pensar que eu devia fazer tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, resolvi come\u00e7ar umas cadeiras do curso como aluna especial e eu amei. No ano seguinte fiz o vestibular e fui aprovada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>.TXT:<\/em><\/strong><strong> Como \u00e9 a sua rela\u00e7\u00e3o com a Medicina Veterin\u00e1ria dentro da UFSM?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eduarda:<\/strong> Dentre todas as \u00e1reas da Veterin\u00e1ria, eu sempre pensei em trabalhar com campo. No 3\u00ba semestre, acabei conhecendo o Laborat\u00f3rio de Parasitologia e gostei muito, tanto que estou no laborat\u00f3rio at\u00e9 hoje. Eu me formei no final de 2018 e em 2019 comecei o mestrado. Em 2020 veio a pandemia e essa parte do mestrado ficou complicada, porque eu estava no in\u00edcio do experimento, que tinha como objetivo testar a efic\u00e1cia de um tipo de cogumelos contra larvas e adultos de uma esp\u00e9cie de mosca varejeira. Por causa disso, eu disse que nunca faria doutorado porque queria fazer um ano sab\u00e1tico. Nessa \u00e9poca, voltei a praticar esportes e entrei na Associa\u00e7\u00e3o de Surdos de Santa Maria. Eu joguei os Jogos Universit\u00e1rios Brasileiros (JUBs), e quando voc\u00ea est\u00e1 na universidade, tem muitas oportunidades nesses eventos. Ent\u00e3o, fui conversar com algumas pessoas da UFSM e me falaram para come\u00e7ar o doutorado. Conversei com a professora Gl\u00e1ucia, que eu j\u00e1 admirava, manifestei interesse em fazer o doutorado e ela aceitou me orientar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>.TXT:<\/em><\/strong><strong> Como voc\u00ea sente a quest\u00e3o da acessibilidade na UFSM? <\/strong><strong>Ocorreram <\/strong><strong>mudan\u00e7as nos 10 anos que voc\u00ea est\u00e1 na Institui\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eduarda:<\/strong> Falando sobre mim, eu sou surda oralizada, ent\u00e3o, n\u00e3o preciso de int\u00e9rprete. Na Odontologia, por exemplo, achava que a coordena\u00e7\u00e3o pudesse avisar os professores. Ent\u00e3o, fui para a aula achando que eles j\u00e1 tinham sido avisados sobre a minha defici\u00eancia. Eu cheguei a sofrer preconceito, colegas dando risada, e isso foi um dos motivos para eu mudar de curso. Quando eu cheguei na Veterin\u00e1ria, o coordenador disse que eu tinha que avisar os professores e os colegas da minha defici\u00eancia, explicar a situa\u00e7\u00e3o para eles. A quest\u00e3o da acessibilidade em si, no que diz respeito ao pessoal, melhorou muito, mas s\u00f3 me ajudou porque eu j\u00e1 falava, ningu\u00e9m foi atr\u00e1s de mim para perguntar se estava tudo bem. No doutorado, por causa da pandemia, o uso de m\u00e1scara foi complicado, porque como eu fa\u00e7o muita leitura labial, foi horr\u00edvel para mim. Quanto aos professores, a professora do laborat\u00f3rio que eu trabalho, por exemplo, ficou com medo no in\u00edcio, mas ela foi muito receptiva. O pessoal todo da Veterin\u00e1ria foi muito receptivo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>.TXT:<\/em><\/strong><strong> Como come\u00e7ou essa sua rela\u00e7\u00e3o com o esporte? Quando passou a ser algo mais s\u00e9rio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eduarda: <\/strong>Desde crian\u00e7a eu n\u00e3o gostava de brincar de boneca, mas adorava jogar futebol por causa dos meus tios. A minha m\u00e3e me influenciava muito, ela gostava que eu pudesse conversar com pessoas diferentes e ent\u00e3o, eu jogava em v\u00e1rios times. Joguei handebol, futebol, v\u00f4lei, t\u00eanis de mesa, tudo que possa imaginar. O momento que eu passei a ver o esporte de forma mais s\u00e9ria foi quando eu comecei a jogar futebol americano no Santa Maria Soldiers. Eu competi durante 5 anos, mas por causa do doutorado, tive que limitar algumas coisas, j\u00e1 que era muita tarefa para mim.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/ALX_1761-1024x684.jpg\" alt=\"Fotografia horizontal e colorida em tons de verde e azul, de uma mulher de pele branca que segura uma bola de futebol americano atr\u00e1s da cabe\u00e7a. Ela est\u00e1 no centro da imagem, de perfil, em plano geral fechado, e tem pele branca, cabelos lisos e compridos na cor loiro escuro, presos em rabo de cavalo. Veste camisa branca com detalhes em verde escuro, cal\u00e7\u00e3o escuro, meias pretas longas e chuteiras verdes com detalhes escuros. Est\u00e1 com o bra\u00e7o direito inclinado para tr\u00e1s, e com uma bola avermelhada de futebol americano na m\u00e3o. Ao fundo, em desfoque, sete mulheres com camisas com camisa azul e cal\u00e7\u00e3o preto, e dois homens com roupas em cinza e em preto. Est\u00e3o em um gramado verde claro e, ao fundo, estrutura de metal cinza e alta, um muro de concreto cinza e \u00e1rvores em tons de verde. \" class=\"wp-image-3651\" width=\"768\" height=\"513\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/ALX_1761-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/ALX_1761-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/ALX_1761-768x513.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/ALX_1761-1536x1026.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/ALX_1761-272x182.jpg 272w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/ALX_1761.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption><em>Foto: Arquivo pessoal de Eduarda Santi<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong><em>.TXT: <\/em><\/strong><strong>Em uma partida, voc\u00ea sente dificuldades para se comunicar com companheiras ouvintes?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eduarda:<\/strong> Toda vez que eu ia treinar em um time de ouvintes, eu tinha que avisar da minha defici\u00eancia. Se algu\u00e9m me chama de costas, eu dificilmente escuto, ent\u00e3o tem que vir e fazer o toque para eu virar de frente. S\u00e3o coisas meio complicadas, porque as pessoas precisam se dar conta que precisam estar de frente para mim. No futebol americano, por exemplo, que eu joguei por 5 anos, o treinador n\u00e3o podia gritar ou falar para mim, ent\u00e3o a gente se comunicava muito por sinais. N\u00f3s treinamos algumas jogadas e ele fazia o uso das m\u00e3os, ou s\u00f3 mexia a boca, porque eu fa\u00e7o leitura labial. Outra alternativa era com a ajuda de uma colega que ia falar com ele e passava a mensagem para mim. Mas \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o complicada, \u00e0s vezes, o colega esquece, acontecia algum probleminha e a pessoa vinha pedir desculpas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>.TXT:<\/em><\/strong><strong> Como foi o convite para disputar as Surdolimp\u00edadas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eduarda:<\/strong> Uma menina da Veterin\u00e1ria queria jogar v\u00f4lei de areia, e eu n\u00e3o jogava h\u00e1 muito tempo. N\u00f3s jogamos e ela disse que tinha gostado do meu estilo de jogo. Uma semana depois, tinha a convoca\u00e7\u00e3o da UFSM para jogar o JUBs, os Jogos Universit\u00e1rios Brasileiros em Bras\u00edlia, e isso foi meio que um convite, porque tinham 10 meninas e precisavam de mais uma. Ent\u00e3o, eu fiquei dois meses treinando e fomos para Bras\u00edlia, ficamos bem colocadas. Passou um tempo e a treinadora da sele\u00e7\u00e3o ga\u00facha masculina soube, por um amigo do meu treinador, que tinha uma deficiente auditiva que jogava v\u00f4lei com ouvintes. Assim, ela disse para eu entrar no time da sele\u00e7\u00e3o ga\u00facha para jogar as Surdolimp\u00edadas Nacionais em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP). Na competi\u00e7\u00e3o, estava o treinador da sele\u00e7\u00e3o brasileira e ele me viu. Depois disso, ele me mandou mensagens dizendo que queria me ver na seletiva da sele\u00e7\u00e3o. Isso foi em janeiro deste ano e logo depois fui convocada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>.TXT: <\/em><\/strong><strong>Como \u00e9 para voc\u00ea conciliar o esporte com os estudos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eduarda:<\/strong> Em fun\u00e7\u00e3o das Surdolimp\u00edadas, eu fiquei 2 semanas longe dos estudos. Quando eu voltei para o laborat\u00f3rio, tinha muita informa\u00e7\u00e3o, foi bem dif\u00edcil, porque o doutorado ainda \u00e9 muito novo para mim. Ent\u00e3o, agora eu quero recuperar o ritmo dos estudos para depois voltar a treinar, porque eu penso que se \u00e9 para fazer algo, tem que ser bem feito. N\u00e3o quero fazer &#8220;meia boca\u201d. Se fosse assim eu jogava v\u00f4lei com a cabe\u00e7a no laborat\u00f3rio e ficava preocupada pensando nas coisas que teria que fazer, a maneira que eu teria que estudar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>.TXT:<\/em><\/strong><strong> Qual a sensa\u00e7\u00e3o de representar o Brasil em uma competi\u00e7\u00e3o dessa relev\u00e2ncia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eduarda: <\/strong>\u00c9 muito incr\u00edvel saber que voc\u00ea est\u00e1 ali representando o Brasil. Achei uma experi\u00eancia muito legal, que eu vou levar para a vida. S\u00f3 que ao mesmo tempo, foi muito exaustivo. Tinha muita press\u00e3o, muita informa\u00e7\u00e3o nova. Mas eu pretendo continuar, tanto que, quando eu fui para l\u00e1, me chamaram para o time de handebol, para jogar o mundial na Dinamarca no ano que vem. J\u00e1 no v\u00f4lei, o treinador me disse para treinar de levantadora, porque ele quer me levar para jogar as Surdolimp\u00edadas Mundiais de 2025 no Jap\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>&nbsp;.TXT:<\/em><\/strong> <strong>Voc\u00ea j\u00e1 pensou em seguir na carreira esportiva de forma profissional?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eduarda:<\/strong> Eu n\u00e3o sei. Realizei o meu sonho, que era servir o Brasil, e quero continuar porque \u00e9 uma emo\u00e7\u00e3o diferente. \u00c9 muito legal ver as pessoas te dando apoio, crian\u00e7as pedindo foto e aut\u00f3grafo, isso \u00e9 legal, porque voc\u00ea acaba sendo uma inspira\u00e7\u00e3o para elas. Sendo sincera, voc\u00ea tem que investir muito no esporte, \u00e9 uma coisa cara. Eu consegui um patroc\u00ednio para ir para as Surdolimp\u00edadas para pagar o funcional, nutricionista, comprar t\u00eanis, roupa, foi muito caro. No fim, o esporte precisa de muito investimento para dar um retorno, a Veterin\u00e1ria eu sei que vai me dar um retorno futuramente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>.TXT:<\/em><\/strong><strong> Quais s\u00e3o as suas maiores inspira\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eduarda:<\/strong> As pessoas que eu mais me inspiro na vida s\u00e3o os meus pais. Minha m\u00e3e, porque, se n\u00e3o fosse por ela, eu n\u00e3o estaria aqui falando. Deram o diagn\u00f3stico para a minha m\u00e3e dizendo que eu n\u00e3o ia falar, que era para fazer libras, mas a minha m\u00e3e botou na cabe\u00e7a que eu ia falar sim e fiquei fazendo fono durante 15 anos. O meu pai tamb\u00e9m, porque ele sempre foi muito trabalhador, pensando no melhor a se fazer por n\u00f3s, pensando sempre na frente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>.TXT:<\/em><\/strong><strong> Quanto ao seu futuro, voc\u00ea j\u00e1 tem planos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Eduarda: <\/strong>Eu sempre pensei em ter uma empresa pr\u00f3pria e em prestar concurso, mas tamb\u00e9m j\u00e1 pensei em trabalhar com o meu pai na lavoura dele. Mas eu pensava isso antes de fazer o doutorado, quando entrei aqui, comecei a gostar de ensinar e dar aulas. Ent\u00e3o, quem sabe eu n\u00e3o sigo como professora? Eu tenho um certo receio por causa da minha defici\u00eancia, mas por que n\u00e3o? Eu falo de concurso e de empresa pr\u00f3pria, mas no fundo sinto que eu quero ser professora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Reportagem: Antonio Oliveira e Kau\u00e3 Mello<\/em> <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A audi\u00e7\u00e3o \u00e9 um sentido capaz de promover sensa\u00e7\u00f5es \u00fanicas e incompar\u00e1veis. Para os que a possuem na sua totalidade, ouvir uma m\u00fasica, conversar pelo telefone e escutar os sons da natureza s\u00e3o coisas comuns que passam na maioria das vezes despercebidas. 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