{"id":3667,"date":"2022-08-15T18:29:39","date_gmt":"2022-08-15T21:29:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/?p=3667"},"modified":"2022-08-17T16:58:11","modified_gmt":"2022-08-17T19:58:11","slug":"maes-universitarias-lutam-por-acolhimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/2022\/08\/15\/maes-universitarias-lutam-por-acolhimento","title":{"rendered":"M\u00c3ES UNIVERSIT\u00c1RIAS LUTAM POR ACOLHIMENTO"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/DSC0222-1024x680.jpg\" alt=\"Fotografia horizontal e colorida com uma mulher e uma crian\u00e7a abra\u00e7adas na entrada de um pr\u00e9dio da Casa do Estudante Universit\u00e1ria. A mulher \u00e9 negra, de pele clara, tem cabelos escuros, lisos e curtos; est\u00e1 com o rosto inclinado para baixo e os olhos fechados; veste camiseta preta com letras brancas, cal\u00e7a jeans com lavagem escura e cal\u00e7ado preto. Ela segura em seu colo uma menina de faixa et\u00e1ria pr\u00f3xima a tr\u00eas anos. A menina \u00e9 negra, de pele clara, tem cabelos escuros, levemente ondulados e na altura do ombro; com a cabe\u00e7a inclinada para baixo e os olhos fechados; veste camiseta, cal\u00e7a e cal\u00e7ado pretos. A entrada do pr\u00e9dio \u00e9 azul acinzentado; as paredes internas s\u00e3o brancas na parte superior, e h\u00e1 uma porta de vidro. O lado esquerdo da porta est\u00e1 aberto e o outro fechado. Nos extremos laterais da imagem h\u00e1 partes de duas janelas e grades azuis. Na parte inferior h\u00e1 uma cal\u00e7ada de concreto cinza com detalhes de piso t\u00e1til avermelhado e uma rampa de acesso com leve inclina\u00e7\u00e3o.\" class=\"wp-image-3668\" width=\"1024\" height=\"680\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/DSC0222-1024x680.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/DSC0222-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/DSC0222-768x510.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/DSC0222-1536x1020.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/DSC0222-272x182.jpg 272w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2022\/08\/DSC0222.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Desde 2009, as m\u00e3es moradoras da Casa do Estudante da UFSM precisam lutar para manterem seus lugares dentro da Universidade e n\u00e3o terem seus direitos violados. Com o retorno das atividades presenciais, os obst\u00e1culos de adapta\u00e7\u00e3o foram agravados.<\/p>\n\n\n\n<p>A perman\u00eancia no curso se torna extremamente dif\u00edcil quando, al\u00e9m de se ocuparem com os estudos, as acad\u00eamicas preocupam-se com o bem-estar, a seguran\u00e7a de seus filhos e, ainda, lutam pela garantia de sua integridade. A institui\u00e7\u00e3o, apesar de oferecer recursos que auxiliam na cria\u00e7\u00e3o dessas crian\u00e7as &#8211; como o aux\u00edlio creche &#8211; deixa a desejar na quest\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que olhem para essas fam\u00edlias, de forma que as fa\u00e7am se sentir pertencentes \u00e0 comunidade acad\u00eamica. Para a Doutora em Comunica\u00e7\u00e3o pela UFSM, Milena Freire de Oliveira, que estuda a maternidade em diferentes \u00e1reas, a falta dessas pol\u00edticas, de dados e de apoio faz com que a gente concorde que m\u00e3es realmente n\u00e3o fa\u00e7am parte da Universidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A estudante de Educa\u00e7\u00e3o Especial, Renata Gon\u00e7alves, 46 anos, \u00e9 m\u00e3e de Sophia, 7, e de Maria Julia, 25, tamb\u00e9m universit\u00e1ria. Desde 2019, Renata vive com a filha mais nova dentro da UFSM e conta que, durante a quarentena, elas receberam um aux\u00edlio de 220 reais para gastos com alimenta\u00e7\u00e3o, valor que, entre abril e junho de 2022, passou a ser de 100 reais. Entretanto, as crian\u00e7as n\u00e3o foram contempladas e ganhavam apenas uma por\u00e7\u00e3o individual de alimentos <em>in natura,<\/em> para serem preparados em casa aos domingos e feriados. A partir de julho de 2022, essas por\u00e7\u00f5es passaram a ser distribu\u00eddas a todos os moradores da casa.<\/p>\n\n\n\n<p>A Universidade tamb\u00e9m oferta o aux\u00edlio creche para as m\u00e3es, no valor de 375 reais. Segundo a assistente social da Pr\u00f3-Reitoria de Assuntos Estudantis, Mara Lucia Bortoluzzi Londero, 20 crian\u00e7as contam com essa assist\u00eancia atualmente. Para as acad\u00eamicas, a quantia \u00e9 baixa, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 escolas na regi\u00e3o com mensalidade nessa faixa de pre\u00e7o. A acad\u00eamica de Pedagogia, Maria Julia Santos da Silva, afirma que paga 1.127,00 reais na creche de sua filha, Clarice, e precisa unir o aux\u00edlio, a pens\u00e3o paga pelo pai da crian\u00e7a e uma parte do que recebe em seu est\u00e1gio para conseguir arcar com a mensalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>As m\u00e3es n\u00e3o t\u00eam garantia de um apartamento particular para elas e suas fam\u00edlias, e precisam dividir o banheiro com outros residentes da casa. Fato que acarretou em problemas para as crian\u00e7as, como a invas\u00e3o de privacidade durante o uso dos sanit\u00e1rios e chuveiros. Na atualidade, algumas delas residem em um apartamento completo, com c\u00f4modos separados, como acontece no caso de Maria Julia e de Renata.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Obst\u00e1culos ao maternar e estudar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A falta de pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas voltadas para essas universit\u00e1rias faz com que sua exist\u00eancia dentro da comunidade seja invisibilizada. As m\u00e3es n\u00e3o recebem licen\u00e7a maternidade, o que implica na preocupa\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea com os filhos e com a vida acad\u00eamica. Para a Doutora em Comunica\u00e7\u00e3o pela UFSM, Milena Freire de Oliveira, uma mulher que \u00e9 m\u00e3e n\u00e3o consegue concorrer com as outras mulheres e com os homens, sejam eles pais ou n\u00e3o, porque para o homem, estatisticamente, \u00e9 indiferente.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria Julia mudou-se para a Casa do Estudante em 2019, quando sua filha tinha menos de um ano. Desde ent\u00e3o, a jovem tem passado por adversidades na gradua\u00e7\u00e3o por precisar conciliar a maternidade e os estudos. Maju, como gosta de ser chamada, relembra os dias&nbsp; que resistiu em favor de sua perman\u00eancia na Universidade e conta que vive um turbilh\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es diariamente.Sente-se triste e isolada do resto dos acad\u00eamicos. Para ela, h\u00e1 dificuldade, por parte da comunidade em assimilar a exist\u00eancia das m\u00e3es no ambiente estudantil. A graduanda diz compreender, de certa maneira, a euforia dos jovens em gostar de fazer festas com volume alto, mas, por outro lado, ela gostaria que tamb\u00e9m entendessem que h\u00e1 m\u00e3es com filhos pequenos no apartamento vizinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto para Maria Julia quanto para Renata, a perspectiva para o futuro das m\u00e3es universit\u00e1rias se resume em luta e resist\u00eancia. Renata relembra que as m\u00e3es que estudaram na UFSM, no passado, lutaram para que a Casa do Estudante fosse um direito garantido. \u00c9 necess\u00e1rio que essa luta continue.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Casos pessoais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00f3pria sociedade n\u00e3o olha para as m\u00e3es pautando a possibilidade delas ocuparem um espa\u00e7o dentro de uma universidade. O julgamento e o descaso \u00e9 evidente na falta de pol\u00edticas espec\u00edficas para elas, mas tamb\u00e9m na rela\u00e7\u00e3o de alunos e professores para com essas m\u00e3es. Uma estudante, que prefere n\u00e3o ser identificada, afirma que precisou faltar as duas primeiras aulas de uma cadeira de seu curso e quando foi explicar para a professora o motivo, a resposta que recebeu foi: \u201csabe, eu tinha um amigo que morava na CEU, a vida dele era bem dif\u00edcil tamb\u00e9m, mas ele nunca reclamou de nada\u201d. Para a estudante, apesar de existirem professores que a acolhem e respeitam, tem muitos que \u201cacham que a nossa vida \u00e9 super tranquila, \u00e9 super boa&#8221;, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Para algumas moradoras da CEU, a quest\u00e3o da maternidade n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica com a qual precisam lidar. As m\u00e3es negras, por exemplo, contam que vivenciam situa\u00e7\u00f5es de racismo em suas rotinas. Renata \u00e9 uma mulher negra e comenta que j\u00e1 passou por momentos em que ficou n\u00edtido que sua cor influenciou na forma em como foi tratada, fato que tamb\u00e9m afeta suas filhas. A acad\u00eamica afirma ter passado por situa\u00e7\u00f5es que a abalaram psicologicamente, como o preconceito e o capacitismo em rela\u00e7\u00e3o a sua filha, que tem S\u00edndrome de Down. Quando recebe coment\u00e1rios do tipo \u201ccomo voc\u00ea \u00e9 forte\u201d, ou \u201cvoc\u00ea \u00e9 guerreira\u201d, Renata refuta: \u201cn\u00e3o \u00e9 for\u00e7a, \u00e9 a realidade, eu n\u00e3o sou guerreira\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Pessoas n\u00e3o brancas, mulheres e pessoas com defici\u00eancia s\u00e3o exclu\u00eddas ou ignoradas pela sociedade, pois o racismo, machismo, capacitismo e outras desigualdades ainda s\u00e3o quest\u00f5es muito presentes, inclusive na Universidade. Milena comenta que, por a institui\u00e7\u00e3o estar inserida na sociedade, ela ir\u00e1 reproduzir preconceitos e desigualdades, \u201ca universidade tem tudo para ser um ambiente progressista, um ambiente de mudan\u00e7a, de transforma\u00e7\u00e3o, mas a gente sabe que infelizmente n\u00e3o \u00e9 bem assim\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Reportagem: Gabriel Escobar e J\u00falia Petenon<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Foto: Gabriel Escobar<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 2009, as m\u00e3es moradoras da Casa do Estudante da UFSM precisam lutar para manterem seus lugares dentro da Universidade e n\u00e3o terem seus direitos violados. Com o retorno das atividades presenciais, os obst\u00e1culos de adapta\u00e7\u00e3o foram agravados. 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