{"id":3792,"date":"2023-07-30T11:55:55","date_gmt":"2023-07-30T14:55:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/?p=3792"},"modified":"2023-08-04T10:26:45","modified_gmt":"2023-08-04T13:26:45","slug":"tina-viero-uma-historia-de-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/2023\/07\/30\/tina-viero-uma-historia-de-esperanca","title":{"rendered":"TINA VIERO: PROFISS\u00c3O PAIX\u00c3O"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2023\/07\/maria-eduarda-pag-27-1024x768.jpg\" alt=\"Fotografia quadrada e colorida de Tina, uma mulher branca de meia idade em frente a um quadro. A fotografia est\u00e1 em primeiro plano. Tina tem estatura baixa, cabelos curtos, loiros e lisos, tem olhos castanhos. Ela usa \u00f3culos de grau com arma\u00e7\u00e3o transparente e brincos pequenos e dourados. Ela veste uma jaqueta com capuz, que \u00e9 grossa, nas cores azul, branca e rosa, sobre camiseta branca. Atr\u00e1s dela, um quadro colorido da &quot;Turma do Ique&quot; em uma parede branca. O quadro tem as cores laranja, azul marinho e branco. No lado esquerdo do quadro, desenho de uma crian\u00e7a em p\u00e9, que sorri e est\u00e1 com o punho direito para cima. Ao lado da crian\u00e7a, o nome &quot;Turma do Ique&quot;. O quadro tem moldura branca. Ao fundo, parede branca.\" class=\"wp-image-3793\" width=\"768\" height=\"576\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2023\/07\/maria-eduarda-pag-27-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2023\/07\/maria-eduarda-pag-27-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2023\/07\/maria-eduarda-pag-27-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2023\/07\/maria-eduarda-pag-27-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2023\/07\/maria-eduarda-pag-27-2048x1536.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tina Viero | Foto: Vit\u00f3ria Sarturi<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Ao chegar na Turma do Ique, fui recebida por Tina, uma figura acolhedora que me cumprimentou com um sorriso. Ela vestia um uniforme, o que indicava seu envolvimento com o projeto.&nbsp; O ambiente estava movimentado, com crian\u00e7as que corriam pelo <em>playground <\/em>e adolescentes acompanhados de seus familiares. Apesar da diferen\u00e7a de idade, todos estavam ali pelo mesmo motivo: consultas m\u00e9dicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na tentativa de encontrar um lugar silencioso, fomos ao escrit\u00f3rio. Mas ainda assim houveram algumas interrup\u00e7\u00f5es: crian\u00e7as e adolescentes procuravam por Tina para dar um beijo de bom dia. Essas demonstra\u00e7\u00f5es de carinho chamaram minha aten\u00e7\u00e3o e levantaram o questionamento sobre o envolvimento dela na Turma do Ique. Por que ela \u00e9 t\u00e3o querida pelos jovens atendidos no projeto?<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>O CENTRO DE TRATAMENTO E CONVIV\u00caNCIA:<\/strong><br><em>Desde sua cria\u00e7\u00e3o, a Turma do Ique \u00e9 um espa\u00e7o acolhedor e foi criado com o intuito de trazer um pouco de alegria \u00e0 vida de jovens que passam pelo c\u00e2ncer.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Maria Cristina Faria Corr\u00eaa Viero, mais conhecida como Tina, \u00e9 a primeira a chegar todos os dias, pontualmente \u00e0s 6h20 da manh\u00e3. Mesmo que n\u00e3o seja uma obriga\u00e7\u00e3o, ela abre&nbsp; as portas da institui\u00e7\u00e3o, o que demonstra&nbsp; cuidado e considera\u00e7\u00e3o pelos pacientes &#8211; especialmente aqueles que enfrentam longas viagens, principalmente durante o inverno. Sua preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel j\u00e1 que&nbsp; muitos deles realizam trajetos noturnos para chegar at\u00e9 o centro de conviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua hist\u00f3ria com a institui\u00e7\u00e3o come\u00e7ou em um momento delicado na vida pessoal, o que resultou no afastamento do Hospital Universit\u00e1rio de Santa Maria (HUSM), onde trabalhava como T\u00e9cnica em Enfermagem h\u00e1 mais de 30 anos. Foi nesse per\u00edodo que Lenir Gebert, uma amiga, a convidou para participar da Turma do Ique. Desde ent\u00e3o, Tina encontrou seu prop\u00f3sito: auxiliar e cuidar das crian\u00e7as e adolescentes em tratamento e levar a eles esperan\u00e7a e carinho em meio \u00e0s adversidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, a Turma do Ique \u00e9 um c\u00e9u aberto para quem frequenta o local, sendo um contraste com \u00e9pocas anteriores em que crian\u00e7as ficavam nos corredores do hospital com os adultos. Embora o trabalho com jovens tenha acontecido por acaso, Tina percebeu que tinha um dom para isso.\u201d\u00c9 maravilhoso para mim deix\u00e1-los \u00e0 vontade e ser escolhida por eles. Meu papel \u00e9 dar colo a cada um que chega aqui. Sinto que \u00e9 uma miss\u00e3o cumprida na minha vida\u2019\u2019.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a conversa, fomos interrompidas por uma adolescente que abriu a porta do escrit\u00f3rio em busca de Tina. Um sorriso se formou no rosto da enfermeira ao receber um simples \u2018\u2019bom dia\u2019\u2019 e um carinhoso beijo em sua bochecha. Ela comenta que esses gestos, como o da jovem, sempre chegam a ela de forma espont\u00e2nea. Sobre os afetos que recebe, Tina os compara com um plantio: \u2018\u2019Se voc\u00ea plantar morangos, colhe morangos, e eu colho um monte de moranguinhos. \u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o muito boa\u2019\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Tina diz que todos os dias h\u00e1 momentos marcantes na Turma do Ique. Para ela, os melhores s\u00e3o quando o paciente est\u00e1 no projeto apenas para uma revis\u00e3o. Com o consentimento dos pais, faz quest\u00e3o de compartilh\u00e1-los em suas redes sociais. Para isso, conta que precisa ter cautela, j\u00e1 que \u00e0s vezes pode ocorrer a recidiva do c\u00e2ncer. Ao falar de sua rotina no projeto, ela expressa seu amor e cuidado pelos jovens: &#8220;S\u00e3o filhos que a enfermagem me deu para cuidar e proteger\u2019\u2019.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u201cO c\u00e2ncer n\u00e3o para\u201d<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Durante a pandemia, a Turma do Ique n\u00e3o fechou as portas porque \u2018\u2019o c\u00e2ncer n\u00e3o para\u2019\u2019, conforme relata Tina. Como T\u00e9cnica de Enfermagem, ela conta que recepcionava os pacientes na portaria e verificava suas temperaturas. Mesmo com o medo do desconhecido, os funcion\u00e1rios da institui\u00e7\u00e3o trabalharam normalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>A dedica\u00e7\u00e3o de Tina \u00e9 evidente em cada gesto de carinho e cuidado com os jovens em tratamento. A Turma do Ique n\u00e3o \u00e9 apenas um trabalho, mas um compromisso que vai al\u00e9m das responsabilidades profissionais. Para Tina,\u00a0 \u00e9 o amor que impulsiona a sua atua\u00e7\u00e3o di\u00e1ria em que voca\u00e7\u00e3o e paix\u00e3o se entrela\u00e7am para fazer a diferen\u00e7a na vida daqueles que precisam: \u201cA Turma do Ique para mim \u00e9 profiss\u00e3o paix\u00e3o.\u2019\u2019\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\" \/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Uma hist\u00f3ria de esperan\u00e7a<\/h3>\n\n\n\n<p>Tina ingressou na UFSM por meio de concurso p\u00fablico em 1983, quando o HUSM chegava ao d\u00e9cimo terceiro ano de funcionamento. O interesse dela\u00a0 pela \u00e1rea da sa\u00fade surgiu na inf\u00e2ncia por conta de seu pai, Miguel Sevi Viero, que era m\u00e9dico e tinha o consult\u00f3rio em casa. Nessa \u00e9poca, antes de iniciar o curso, j\u00e1 auxiliava o pai como instrumentadora cir\u00fargica. Ela conta que antes de iniciar no curso, j\u00e1 o auxiliava sendo instrumentadora cir\u00fargica.<\/p>\n\n\n\n<p>Tina come\u00e7ou sua carreira na ala psiqui\u00e1trica, mas como descobriu que n\u00e3o era o que gostava de fazer, ficou na fun\u00e7\u00e3o por apenas seis meses.&nbsp; Decidida a explorar outras oportunidades, foi para o CTI, em que permaneceu por dez anos. Mais tarde, por necessidades de servi\u00e7o, fez sua \u00faltima mudan\u00e7a: foi para a&nbsp; Hemato-Oncologia. Desde ent\u00e3o, j\u00e1 s\u00e3o 30 anos no servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\" style=\"font-style:normal;font-weight:500\"><blockquote><p>O servi\u00e7o de Hemato-Oncologia \u00e9 especializado no cuidado de crian\u00e7as e adolescentes com leucemias, tumores e dist\u00farbios hematol\u00f3gicos. Nessa unidade \u00e9 fornecida assist\u00eancia multiprofissional com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos pacientes e reintegr\u00e1-los \u00e0 vida social.<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Segundo Tina, na \u00e9poca em que come\u00e7ou, Santa Maria era refer\u00eancia no tratamento de c\u00e2ncer infantil. Ela conta que no passado, as crian\u00e7as eram acomodadas em lugares que n\u00e3o eram apropriados, como em alas de pediatria ou junto aos adultos. Por isso, houve a necessidade de criar um centro de transplante e uma ala espec\u00edfica para crian\u00e7as imunodeprimidas. Foi nessa \u00e9poca que, em parceria com sua amiga Lenir Gebert, participou da funda\u00e7\u00e3o do Centro de Transplante de Medula \u00d3ssea (CTMO) e do Centro de Atendimento \u00e0 Crian\u00e7a e Adolescente com C\u00e2ncer (CTCriaC). Nessas circunst\u00e2ncias, as condi\u00e7\u00f5es de trabalho eram diferentes: <em>\u2018\u2019Havia menos chefes e conseguimos muitas coisas atrav\u00e9s da parceria e boa vontade das pessoas. Todos eram muito focados.\u2019\u2019<\/em><strong><em> <\/em><\/strong>conta Tina.<\/p>\n\n\n\n<p>A T\u00e9cnica em Enfermagem relata que passou por todas as \u00e1reas da Hemato-Oncologia: coletas de medula \u00f3ssea e c\u00e9lulas tronco, al\u00e9m da af\u00e9reses &#8211; \u00e1rea em que ocorre a separa\u00e7\u00e3o dos componentes do sangue por meio de um equipamento automatizado. Tamb\u00e9m auxiliou as colegas no isolamento protetor, ou seja, quarto privado para pacientes que t\u00eam algum tipo de infec\u00e7\u00e3o comprometida.<em>\u2018\u2019A Hemato-Oncologia enfrentava uma grande demanda em um espa\u00e7o limitado, ent\u00e3o foram realizadas mudan\u00e7as para garantir a seguran\u00e7a e o bem-estar dos pacientes\u2019\u2019<\/em>,<em> complementa Tina.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ela enfatiza que a Hemato-Oncologia, a partir desses servi\u00e7os, oferece melhores condi\u00e7\u00f5es para as crian\u00e7as e os adolescentes, ao proporcionar um espa\u00e7o ao ar livre e protegido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O paciente hemato-oncol\u00f3gico desenvolve uma conex\u00e3o afetiva muito forte com a equipe. Por isso, durante sua trajet\u00f3ria no hospital, ela lembra que presenciou vit\u00f3rias que a marcaram muito. Tamb\u00e9m enfrentou perdas que foram dif\u00edceis de assimilar porque o&nbsp; hospital n\u00e3o oferece apoio psicol\u00f3gico adequado para lidar com essas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\" \/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Reportagem: <\/strong><em>Maria Eduarda Silva da Silva<\/em><br><strong>Contato:<\/strong> <em><a href=\"mailto:%6d%61%72%69%61-%73il%76%61.%32@%61%63%61d%2e%75f%73%6d%2e%62%72\">maria-silva.2@acad.ufsm.br<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A t\u00e9cnica de enfermagem soma mais de 30 anos dedicados ao trabalho na sa\u00fade infantil.<\/p>\n","protected":false},"author":6330,"featured_media":3793,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[358,369],"tags":[262,370,387,329,263,386],"class_list":["post-3792","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-28a-edicao","category-perfil-28a-edicao","tag-txt","tag-ed28","tag-enfermagem","tag-entrevista","tag-jornalismo","tag-perfil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3792","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6330"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3792"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3792\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3793"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3792"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3792"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3792"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}