{"id":3993,"date":"2025-07-22T09:42:05","date_gmt":"2025-07-22T12:42:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/?p=3993"},"modified":"2025-07-23T14:15:43","modified_gmt":"2025-07-23T17:15:43","slug":"__trashed-4__trashed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/2025\/07\/22\/__trashed-4__trashed","title":{"rendered":"Duas frentes, um mesmo prop\u00f3sito"},"content":{"rendered":"\n<p>Segundo o <a href=\"https:\/\/view.officeapps.live.com\/op\/view.aspx?src=https%3A%2F%2Fadmin.ssp.rs.gov.br%2Fupload%2Farquivos%2F202505%2F15104209-site-violencia-contra-as-mulheres-2025-atualizado-em-05-maio-2025-publicacao.xlsx&amp;wdOrigin=BROWSELINK\">Monitoramento dos indicadores de Viol\u00eancia Contra as Mulheres do Rio Grande do Sul no ano de 2025 da Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica (SSP)<\/a>, aconteceram 18 mil casos de viol\u00eancia contra a mulher entre janeiro e abril, em uma m\u00e9dia de 4,6 ocorr\u00eancias por m\u00eas. Os crimes enquadrados s\u00e3o de feminic\u00eddio tentado, feminic\u00eddio consumado, amea\u00e7a, estupro e les\u00e3o corporal.<\/p>\n\n\n\n<p>Em plena Sexta-feira Santa, feriado marcado por reflex\u00f5es religiosas e familiares, <a href=\"https:\/\/www.terra.com.br\/nos\/seis-mulheres-sao-assassinadas-em-diferentes-cidades-do-rs-durante-a-sexta-feira-santa,8860b7bbcb3d2e99a6d63143bdd7f53eswxtwnl8.html#google_vignette\">seis mulheres foram brutalmente assassinadas em diferentes cidades do Rio Grande do Sul<\/a>. Os crimes, registrados ao longo de poucas horas, levantam uma grave preocupa\u00e7\u00e3o: at\u00e9 quando a viol\u00eancia contra a mulher ser\u00e1 tratada como rotina no Brasil? Os casos chamam aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas pela quantidade de v\u00edtimas em um \u00fanico dia, mas pela reincid\u00eancia de um padr\u00e3o tr\u00e1gico que exp\u00f5e a vulnerabilidade feminina diante da viol\u00eancia dom\u00e9stica, da neglig\u00eancia institucional e da cultura machista ainda enraizada na sociedade brasileira<\/p>\n\n\n\n<p>Na UFSM, duas professoras de \u00e1reas distintas se destacam por transformar ensino, pesquisa e extens\u00e3o em a\u00e7\u00f5es concretas de enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres e nos concederam entrevistas para a revista .TXT.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De um lado, a professora do curso T\u00e9cnico em Enfermagem do Col\u00e9gio Polit\u00e9cnico da UFSM, <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2538379515684954\">Laura Ferreira Cortes<\/a>, une a pr\u00e1tica da sa\u00fade ao ativismo social com projetos de extens\u00e3o voltados ao empoderamento feminino, \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de profissionais e \u00e0 articula\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos. De outro, a professora do curso de servi\u00e7o social <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/7382820396112114\">Laura Regina da Silva Camara Mauricio da Fonseca<\/a> tem mais de tr\u00eas d\u00e9cadas de experi\u00eancias dedicadas \u00e0 reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre g\u00eanero, vulnerabilidade e cidadania, com atua\u00e7\u00e3o direta em pol\u00edticas p\u00fablicas e forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Ambas lideram iniciativas que colocam a universidade em di\u00e1logo com a realidade social e constroem pontes entre a academia e a rede de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres em Santa Maria. Seus projetos n\u00e3o apenas acolhem v\u00edtimas de viol\u00eancia, tamb\u00e9m formam profissionais mais conscientes e preparados para atuar em contextos complexos. Com diferentes abordagens, elas mostram como o compromisso com os<\/p>\n\n\n\n<p>direitos humanos e a equidade de g\u00eanero podem e devem atravessar os muros da Universidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Entrevista<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>A .TXT conversou com as professoras da Universidade Federal de Santa Maria, Laura Ferreira Cortes e Laura Regina da Silva Camara.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>.TXT: Fale um pouco sobre a sua trajet\u00f3ria profissional e sua experi\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a projetos de apoio a mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile is-vertically-aligned-top\" style=\"grid-template-columns:37% auto\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/07\/IMG_1327-1-5-683x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4001 size-full\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/07\/IMG_1327-1-5-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/07\/IMG_1327-1-5-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/07\/IMG_1327-1-5-768x1152.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/07\/IMG_1327-1-5-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/07\/IMG_1327-1-5-1365x2048.jpg 1365w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/07\/IMG_1327-1-5-scaled.jpg 1707w\" sizes=\"(max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p><strong>Laura Ferreira: <\/strong>Minha trajet\u00f3ria profissional, ela vem em boa parte da gradua\u00e7\u00e3o ainda na enfermagem, da \u00e1rea da sa\u00fade, tem inquieta\u00e7\u00f5es muito relacionadas com a nossa forma\u00e7\u00e3o ser ainda muito biol\u00f3gica, focada nas les\u00f5es, no cuidado f\u00edsico e pouco abrangente em termos da realidade social das pessoas. A viol\u00eancia \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica e afeta diretamente a sa\u00fade das mulheres e das fam\u00edlias. E a\u00ed, vendo isso, durante a forma\u00e7\u00e3o, essa fragilidade nessa abordagem, eu despertei ent\u00e3o para esse olhar das quest\u00f5es de g\u00eanero, alinhado a docentes que trabalhavam com isso na \u00e9poca. E a\u00ed, a partir disso, ent\u00e3o, eu comecei a pesquisar no mestrado e principalmente no doutorado pensando nesse olhar ampliado para a rede de atendimento. Ent\u00e3o, como essas mulheres circulavam ap\u00f3s o atendimento na sa\u00fade, para onde elas iam, se elas eram encaminhadas para algum local, se elas iam para a rede, se elas voltavam para casa, enfim, fragilizadas, n\u00e3o tinham esse apoio. Foi a\u00ed que eu comecei a despertar o interesse no tema e eu trabalhei ent\u00e3o na pesquisa do mestrado com enfermeiras, entrevistando enfermeiras sobre esse processo de trabalho das portas de entrada dos servi\u00e7os de emerg\u00eancia do munic\u00edpio. E depois no doutorado eu trabalhei com profissionais em um grupo de trabalho para a gente pensar como era essa rede de atendimento, quais eram as fragilidades, quais eram as potencialidades e se existia essa rede de atendimento. <\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p> E da\u00ed, dos resultados da pesquisa do doutorado, a gente conclui que existem muitas falhas nessa rede, que os servi\u00e7os n\u00e3o estavam organizados, compondo uma rede conectada, integrada. Ent\u00e3o, existiam buracos nessa rede e a mulher acabava percorrendo muitos servi\u00e7os e, \u00e0s vezes, sem nenhuma ajuda ou, muitas vezes, s\u00f3 centrados na delegacia. E a\u00ed, essa continuidade, esse acompanhamento n\u00e3o existia. Ent\u00e3o, isso, os resultados da pesquisa, da minha tese.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando entrei na universidade, em 2018 como professora aqui no Polit\u00e9cnico, criei um projeto de extens\u00e3o: <a href=\"https:\/\/portal.ufsm.br\/projetos\/publico\/projetos\/view.html?idProjeto=63231\">o F\u00f3rum de enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia por parceiro \u00edntimo contra as mulheres do Munic\u00edpio de Santa Maria: promo\u00e7\u00e3o da cultura de paz e supera\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia<\/a>, que \u00e9 esse espa\u00e7o, que \u00e9 o f\u00f3rum, que \u00e9 um espa\u00e7o permanente para a gente discutir, n\u00f3s nos reunimos mensalmente e a gente contempla l\u00e1 todos os servi\u00e7os da rede. E \u00e9 um espa\u00e7o para a gente tentar integrar a a\u00e7\u00e3o profissional. Ent\u00e3o, tem v\u00e1rios setores, seguran\u00e7a p\u00fablica, assist\u00eancia social, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, conselho tutelar, enfim, seguran\u00e7a p\u00fablica, s\u00e3o profissionais que est\u00e3o \u00e0 frente dos servi\u00e7os e a gente busca discutir melhorias no atendimento e na integra\u00e7\u00e3o desses servi\u00e7os, justamente para que essa rede funcione de forma mais integrada. N\u00f3s temos o Centro de Refer\u00eancia da Mulher, tamb\u00e9m, que \u00e9 um servi\u00e7o que o f\u00f3rum ajudou a criar aqui em Santa Maria, que n\u00e3o existia, que ele busca, justamente, a articula\u00e7\u00e3o desses servi\u00e7os entre si. Ent\u00e3o, a minha trajet\u00f3ria \u00e9 um pouco a partir dessa hist\u00f3ria, da pr\u00e1tica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>.TXT: Fale um pouco sobre a sua trajet\u00f3ria profissional e sua experi\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a projetos de apoio a mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Laura Ferreira:<\/strong> Minha trajet\u00f3ria profissional, ela vem em boa parte da gradua\u00e7\u00e3o ainda na enfermagem, da \u00e1rea da sa\u00fade, tem inquieta\u00e7\u00f5es muito relacionadas com a nossa forma\u00e7\u00e3o ser ainda muito biol\u00f3gica, focada nas les\u00f5es, no cuidado f\u00edsico e pouco abrangente em termos da realidade social das pessoas. A viol\u00eancia \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica e afeta diretamente a sa\u00fade das mulheres e das fam\u00edlias. E a\u00ed, vendo isso, durante a forma\u00e7\u00e3o, essa fragilidade nessa abordagem, eu despertei ent\u00e3o para esse olhar das quest\u00f5es de g\u00eanero, alinhado a docentes que trabalhavam com isso na \u00e9poca. E a\u00ed, a partir disso, ent\u00e3o, eu comecei a pesquisar no mestrado e principalmente no doutorado pensando nesse olhar ampliado para a rede de atendimento. Ent\u00e3o, como essas mulheres circulavam ap\u00f3s o atendimento na sa\u00fade, para onde elas iam, se elas eram encaminhadas para algum local, se elas iam para a rede, se elas voltavam para casa, enfim, fragilizadas, n\u00e3o tinham esse apoio. Foi a\u00ed que eu comecei a despertar o interesse no tema e eu trabalhei ent\u00e3o na pesquisa do mestrado com enfermeiras, entrevistando enfermeiras sobre esse processo de trabalho das portas de entrada dos servi\u00e7os de emerg\u00eancia do munic\u00edpio. E depois no doutorado eu trabalhei com profissionais em um grupo de trabalho para a gente pensar como era essa rede de atendimento, quais eram as fragilidades, quais eram as potencialidades e se existia essa rede de atendimento. E da\u00ed, dos resultados da pesquisa do doutorado, a gente conclui que existem muitas falhas nessa rede, que os servi\u00e7os n\u00e3o estavam organizados, compondo uma rede conectada, integrada. Ent\u00e3o, existiam buracos nessa rede e a mulher acabava percorrendo muitos servi\u00e7os e, \u00e0s vezes, sem nenhuma ajuda ou, muitas vezes, s\u00f3 centrados na delegacia. E a\u00ed, essa continuidade, esse acompanhamento n\u00e3o existia. Ent\u00e3o, isso, os resultados da pesquisa, da minha tese. Quando entrei na universidade, em 2018 como professora aqui no Polit\u00e9cnico, criei um projeto de extens\u00e3o: o F\u00f3rum de enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia por parceiro \u00edntimo contra as mulheres do Munic\u00edpio de Santa Maria: promo\u00e7\u00e3o da cultura de paz e supera\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, que \u00e9 esse espa\u00e7o, que \u00e9 o f\u00f3rum, que \u00e9 um espa\u00e7o permanente para a gente discutir, n\u00f3s nos reunimos mensalmente e a gente contempla l\u00e1 todos os servi\u00e7os da rede. E \u00e9 um espa\u00e7o para a gente tentar integrar a a\u00e7\u00e3o profissional. Ent\u00e3o, tem v\u00e1rios setores, seguran\u00e7a p\u00fablica, assist\u00eancia social, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, conselho tutelar, enfim, seguran\u00e7a p\u00fablica, s\u00e3o profissionais que est\u00e3o \u00e0 frente dos servi\u00e7os e a gente busca discutir melhorias no atendimento e na integra\u00e7\u00e3o desses servi\u00e7os, justamente para que essa rede funcione de forma mais integrada. N\u00f3s temos o Centro de Refer\u00eancia da Mulher, tamb\u00e9m, que \u00e9 um servi\u00e7o que o f\u00f3rum ajudou a criar aqui em Santa Maria, que n\u00e3o existia, que ele busca, justamente, a articula\u00e7\u00e3o desses servi\u00e7os entre si. Ent\u00e3o, a minha trajet\u00f3ria \u00e9 um pouco a partir dessa hist\u00f3ria, da pr\u00e1tica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>TXT: Quais as a\u00e7\u00f5es o projeto promove para amparar essas mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia em Santa Maria?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Laura Ferreira: <\/strong>Ent\u00e3o, o f\u00f3rum em si trabalha com essa integra\u00e7\u00e3o da rede. Ent\u00e3o, n\u00f3s constru\u00edmos um fluxograma de atendimento junto aos servi\u00e7os, aos profissionais, que n\u00e3o existia. Ent\u00e3o, hoje n\u00f3s temos um direcionamento de como essa mulher deve circular na rede. Ent\u00e3o, esse apoio t\u00e9cnico foi feito. A gente busca, ent\u00e3o, essa qualifica\u00e7\u00e3o por meio desse curso de extens\u00e3o de profissionais, para que eles possam refletir sobre o seu processo de trabalho, sobre os aspectos psicossociais e humanit\u00e1rios no atendimento dessas mulheres, as quest\u00f5es \u00e9tnico-raciais, tamb\u00e9m n\u00f3s discutimos bastante no curso. Ent\u00e3o, pensando na forma\u00e7\u00e3o de profissionais, n\u00f3s temos contribu\u00eddo nesse aspecto. E, al\u00e9m disso, a gente traz mulheres diretamente l\u00e1 do CAPES. Ent\u00e3o, nas ter\u00e7as-feiras \u00e0 tarde, por meio dessas oficinas, \u00e9 um grupo que \u00e9 do CAPES, o Mulheres no Corre, que \u00e9 um grupo de mulheres em abuso de subst\u00e2ncias, em uso de \u00e1lcool e outras drogas. E ele visa a gera\u00e7\u00e3o de renda, mas o empoderamento tamb\u00e9m e a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental. Ent\u00e3o, elas produzem artesanatos, camisetas e ecobags. E elas vendem em feiras de artesanato e participam de eventos tamb\u00e9m. A gente faz muito essa interlocu\u00e7\u00e3o com a universidade. Elas v\u00eam para c\u00e1 tamb\u00e9m em aulas, participam, fazem apresenta\u00e7\u00f5es sobre projetos. E a gente trabalha muito a quest\u00e3o desse empoderamento. Ent\u00e3o, g\u00eanero \u00e9 a base do que a gente discute, as desigualdades de g\u00eanero, pensando nesse empoderamento feminino. E elas acabam construindo esse empoderamento juntas no grupo, compartilhando as viv\u00eancias. Cada uma fala sobre as suas dificuldades, sobre seus processos, sobre as viol\u00eancias que sofreram. E elas v\u00e3o se apoiando umas nas outras e a gente vai mediando isso. Por meio das discuss\u00f5es te\u00f3ricas, claro, mas que s\u00e3o da vida. Ent\u00e3o, a gente trabalha nessa l\u00f3gica l\u00e1 dentro do CAPES, nesse sentido. E na minha pr\u00e1tica tamb\u00e9m, como docente, junto com os estudantes do T\u00e9cnico de Enfermagem, a gente faz atendimento na unidade de sa\u00fade, no posto de sa\u00fade. Ent\u00e3o, a gente faz atendimento direto a mulheres tamb\u00e9m, mas n\u00e3o tem nenhum projeto espec\u00edfico para isso. Mas no nosso cotidiano, como eu trabalho essas tem\u00e1ticas em sala de aula, a gente acaba trabalhando tamb\u00e9m o servi\u00e7o, acolhendo de uma forma mais diferenciada. Fazendo os encaminhamentos, as articula\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias l\u00e1 tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>.TXT: Como essas atividades colaboram para a garantia da prote\u00e7\u00e3o dessas mulheres?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Laura Ferreira:<\/strong> Ent\u00e3o, a prote\u00e7\u00e3o \u00e9 justamente pensando no empoderamento delas, porque a supera\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia exige o empoderamento feminino. E o empoderamento \u00e9 uma categoria de an\u00e1lise que a gente compreende como sendo algo que \u00e9 constru\u00eddo. N\u00e3o sou eu, Laura, que vou l\u00e1 empoderar aquela mulher. Eu posso mediar esse empoderamento, posso levar elementos, meios para ela conhecer os seus direitos, para ela conseguir perceber a situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia, para se enxergar no mundo, posso mediar isso. Mas essa tomada de consci\u00eancia \u00e9 um processo, ela \u00e9 gradual. E se for coletiva, vai ser muito melhor, vai ser muito mais r\u00e1pido tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, a gente contribui nesse sentido, de mediar esse empoderamento delas, fazer a escuta dessas mulheres tamb\u00e9m, porque viol\u00eancia d\u00f3i muito, sofrer viol\u00eancia d\u00f3i muito. Ent\u00e3o, escutar elas se escutarem e a gente tentar pensar nas potencialidades que elas t\u00eam para que elas consigam se libertar daquela situa\u00e7\u00e3o, para que elas enxergue outras possibilidades de vida. Mas isso \u00e9 um grande desafio, ent\u00e3o a gente faz esse atendimento l\u00e1, mas nessa perspectiva, pensando na gera\u00e7\u00e3o de renda. E o f\u00f3rum tem contribu\u00eddo muito para fomentar que o munic\u00edpio possa pensar e propor mais pol\u00edticas p\u00fablicas para as mulheres, porque a gente entende que antes da viol\u00eancia a gente tem que ter a base da igualdade de g\u00eanero para conseguir prevenir a viol\u00eancia contra as mulheres. Ent\u00e3o, a gente trabalha muito nessa ideia da preven\u00e7\u00e3o, em alguns aspectos. At\u00e9 vamos em algumas escolas com algumas a\u00e7\u00f5es, quando somos chamados. Os cursos, ent\u00e3o, n\u00f3s temos feito as duas \u00faltimas edi\u00e7\u00f5es dos cursos, elas t\u00eam sido focadas para profissionais da educa\u00e7\u00e3o, para professores e professoras de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica da cidade, justamente para que eles consigam tentar lidar com essas situa\u00e7\u00f5es no ambiente escolar, mas tamb\u00e9m na sa\u00fade. Geralmente a gente abre a vaga para diferentes cursos, e esse curso \u00e9 bem interessante porque ele exige, a avalia\u00e7\u00e3o dele, o processo avaliativo dele, consiste na cria\u00e7\u00e3o de um produto para ser desenvolvido no seu contexto de trabalho. Ent\u00e3o, os professores, as professoras que participam do curso, precisam levar para as escolas um instrumento, alguma tecnologia, um produto, alguma tecnologia para usar com os alunos, que pode ser jogos, tem v\u00e1rias din\u00e2micas que eles constroem, e tem sido muito rico, ele j\u00e1 vai para a quinta edi\u00e7\u00e3o agora, o curso. Ent\u00e3o, a gente aposta muito na estrat\u00e9gia educativa desses profissionais de forma\u00e7\u00e3o e profissionais j\u00e1 formados, para a gente estar qualificando esse atendimento. E a manuten\u00e7\u00e3o desse fluxo, porque exige, para que a gente tenha um projeto do f\u00f3rum, ele consiste nas reuni\u00f5es, onde a gente tenta integrar as a\u00e7\u00f5es dos servi\u00e7os e criar estrat\u00e9gias para que os servi\u00e7os se integram na rede. Para que essa mulher n\u00e3o fique sem acolhimento, para que essa mulher possa ter uma perspectiva no momento que ela resolve denunciar e tamb\u00e9m antes da den\u00fancia. \u00c9 a\u00ed que o centro de refer\u00eancia, que \u00e9 o servi\u00e7o-chave hoje, pe\u00e7a-chave do fluxo, ele \u00e9 fundamental para que isso aconte\u00e7a. L\u00e1 no centro de refer\u00eancia elas s\u00e3o acolhidas, elas recebem o atendimento psicol\u00f3gico do servi\u00e7o social e tamb\u00e9m orienta\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas. E elas v\u00e3o percorrendo esse fluxograma, que \u00e9 o desenho da rede. A gente trabalha junto com o Minist\u00e9rio P\u00fablico tamb\u00e9m, a gente faz as reuni\u00f5es geralmente l\u00e1. Ent\u00e3o \u00e9 uma parceria interessante. A gente tem apostado tamb\u00e9m bastante nessa quest\u00e3o da qualifica\u00e7\u00e3o por meio de eventos. E vamos come\u00e7ar um projeto em parceria. Na verdade \u00e9 do ADH e a gente est\u00e1 entrando na parceria, que \u00e9 um projeto para atendimento dos agressores, dos homens. A gente vai come\u00e7ar com grupos reflexivos para homens, para tentar prevenir novos incidentes de viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>.TXT: Quais liga\u00e7\u00f5es o projeto tem com redes de prote\u00e7\u00e3o e garantia dos direitos \u00e0s mulheres?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Laura Ferreira:<\/strong> Na verdade, o f\u00f3rum vem para articular essa rede. Ent\u00e3o como \u00e9 que funciona? Existe uma pol\u00edtica nacional do enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres, que \u00e9 de 2007. Ela vem para concretizar a Lei Maria da Penha. Que foi criada em 2006. E a\u00ed essa pol\u00edtica, um dos seus eixos, que \u00e9 a dimens\u00e3o da assist\u00eancia a essas mulheres, ela contempla a rede. A rede de atendimento. E a rede de atendimento tem quatro bra\u00e7os. Que \u00e9 o direito e a justi\u00e7a, a seguran\u00e7a p\u00fablica, a sa\u00fade e a assist\u00eancia. Ent\u00e3o esses servi\u00e7os, o que incluem? Vou falar um pouquinho dessa rede, para ficar um pouco mais expl\u00edcito. Na justi\u00e7a, s\u00e3o criados os juizados especializados em viol\u00eancia dom\u00e9stica. Todos os casos entravam dentro das varas comuns, criminais. E agora n\u00e3o. Existe um juizado espec\u00edfico. No Santa Maria n\u00f3s temos um juizado espec\u00edfico para os casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Isso agiliza muito mais os julgamentos. As medidas protetivas. O juiz tem at\u00e9 48 horas para expedir as medidas protetivas. E agora, mais recentemente, em fun\u00e7\u00e3o dos n\u00fameros de homic\u00eddios que tiveram agora no feriado de P\u00e1scoa, a gente tem as medidas protetivas sendo solicitadas online tamb\u00e9m. Ent\u00e3o esse \u00e9 o sistema de justi\u00e7a. Al\u00e9m disso tem as promotorias e ainda as defensorias. Que v\u00e3o advogar por essas mulheres tamb\u00e9m. E o sistema de seguran\u00e7a p\u00fablica. N\u00f3s temos a pol\u00edcia civil. Por meio das delegacias da mulher. Ou as delegacias de atendimento geral. Aqui em Santa Maria n\u00f3s temos a delegacia funcionando de segunda a sexta. At\u00e9 as 18 horas. Ent\u00e3o n\u00e3o temos uma delegacia da mulher 24 horas. A delegacia que n\u00f3s temos \u00e9 uma delegacia de plant\u00e3o geral. Que atende todos os tipos de situa\u00e7\u00f5es aos finais de semana, o que \u00e9 uma dificuldade. Porque as mulheres n\u00e3o t\u00eam um atendimento especializado aos finais de semana. E nem \u00e0 noite. <\/p>\n\n\n\n<p>E a\u00ed n\u00f3s temos tamb\u00e9m um servi\u00e7o que \u00e9 a Patrulha Maria da Penha. Que \u00e9 da Brigada Militar. Que atende as mulheres com medidas protetivas. Ent\u00e3o como \u00e9 que funciona? Ela vai fazer o boletim de ocorr\u00eancia. E a\u00ed ela pode solicitar. Independente do risco que esse agressor est\u00e1 expondo. Ela solicita uma medida. Que essa medida \u00e9 um papel que o juiz vai expedir. Ordenando que esse agressor n\u00e3o se aproxime dessa mulher ou da sua fam\u00edlia. Suspendendo porte de arma. Enfim, existem v\u00e1rios tipos de medidas. Dessas medidas. Ent\u00e3o elas s\u00e3o fiscalizadas aqui em Santa Maria. Pela Patrulha Maria da Penha. Que \u00e9 um grupo de policiais. Que vai nas casas das mulheres com medidas. Para acompanhar o andamento da situa\u00e7\u00e3o. Se ela continua afastada. Se ela n\u00e3o est\u00e1 em risco. Se o agressor continua afastado dela. O servi\u00e7o social que seria assist\u00eancia social, todos os servi\u00e7os, como por exemplo, os CRAS. Que s\u00e3o os centros de refer\u00eancia de assist\u00eancia social. Os CRES. Que s\u00e3o os centros especializados em assist\u00eancia social. O centro de refer\u00eancia da mulher. Que \u00e9 um servi\u00e7o de assist\u00eancia social. E tamb\u00e9m a casa abrigo.As casas abrigo. Que s\u00e3o casas onde as mulheres podem ficar abrigadas. Com seus filhos por um per\u00edodo. At\u00e9 que ela consiga achar um outro lugar para ir. Ent\u00e3o enquanto ela estiver em risco. Ela pode permanecer abrigada nessa casa. E ainda tem a casa de passagem. Que \u00e9 para mulheres em situa\u00e7\u00e3o de rua. Isso s\u00e3o servi\u00e7os de assist\u00eancia social. Depois os servi\u00e7os de sa\u00fade, que seriam todos os servi\u00e7os de sa\u00fade do munic\u00edpio. A gente tem um espec\u00edfico para a mulher em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia. Especialmente sexual. Que \u00e9 o centro obst\u00e9trico do hospital universit\u00e1rio. E depois todas as unidades de sa\u00fade, as unidades b\u00e1sicas do munic\u00edpio. Mas para que eles funcionem como uma rede mesmo de produ\u00e7\u00e3o. Eles precisam estar em comunica\u00e7\u00e3o. Eles precisam estar articulados. E \u00e9 por isso que o centro de refer\u00eancia vem fazer esse grande bra\u00e7o articulador. A ideia \u00e9 que essa mulher digamos entrou na sa\u00fade. A sa\u00fade j\u00e1 articula esse centro de refer\u00eancia. Que vai articular o munic\u00edpio p\u00fablico. Vai articular com a delegacia. A mesma coisa quando a mulher vai denunciar. O ideal \u00e9 que ela j\u00e1 seja vinculada ao centro de refer\u00eancia. Para que ele vai fazer esse acolhimento psicol\u00f3gico. Com servi\u00e7o social. E j\u00e1 articula. J\u00e1 mapeia onde que essa mulher mora. Como \u00e9 que pode transportar ela para que ela n\u00e3o corra perigo na rua. Ent\u00e3o s\u00f3 assim a gente consegue evitar feminic\u00eddios. E mesmo assim j\u00e1 \u00e9 muito complexo a gente evitar. Mesmo com toda uma rede operando. O sistema machista patriarcal. Ele \u00e9 muito muito forte. E muitas vezes essas mulheres n\u00e3o est\u00e3o na rede. \u00c0s vezes at\u00e9 o medo. O medo porque como eu falei antes. A medida protetiva \u00e9 um papel. Tamb\u00e9m n\u00f3s temos aqui uma patrulha para patrulhar todas as mulheres. Ent\u00e3o s\u00e3o mais de 300 medidas protetivas por m\u00eas. Ent\u00e3o s\u00e3o muitas mulheres para poucos policiais. Em uma cidade de m\u00e9dio porte. Ent\u00e3o com uma viatura policial. Ent\u00e3o a gente ainda precisa avan\u00e7ar nisso. E para al\u00e9m disso tem essa quest\u00e3o da depend\u00eancia emocional. De todo um contexto. Dos pap\u00e9is de g\u00eanero, o que \u00e9 estar numa rela\u00e7\u00e3o para essa mulher. Ent\u00e3o essas representa\u00e7\u00f5es do relacionamento fazem com que elas permane\u00e7am muitas vezes. E desistam de denunciar. Ent\u00e3o \u00e9 um movimento muito ambivalente. Uma hora ela quer denunciar. Outra hora ela n\u00e3o quer. Ent\u00e3o \u00e9 bem complicado. Ent\u00e3o isso tudo existe em pol\u00edticas p\u00fablicas que possam fortalecer essa rede. Mas ampliar esse papel dessa rede. Tamb\u00e9m na preven\u00e7\u00e3o. \u00c9 toda uma cultura que precisa mudar. Para que a gente chegue ao feminic\u00eddio zero. Mas a gente j\u00e1 melhorou muito. S\u00f3 que precisamos avan\u00e7ar muito ainda.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>.TXT: Como o projeto age diante dos desafios de viol\u00eancia dessas mulheres?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Laura Ferreira: <\/strong>O projeto ele se responde nele mesmo. Por exemplo, quando a gente est\u00e1 l\u00e1 no CAPES e tem uma situa\u00e7\u00e3o muito complexa. Um caso de uma mulher que \u00e9 muito complexo. A gente tenta discutir esse caso em rede. Tentar assim a gente articula. Vou te dar um exemplo, por exemplo, teve um caso de uma mulher que estava em risco extremo de feminic\u00eddio. E a\u00ed a gente fez uma articula\u00e7\u00e3o com o Minist\u00e9rio P\u00fablico pra gente pensar junto com o promotor e com a delegada o que n\u00f3s pod\u00edamos fazer naquele momento. Que ela n\u00e3o tinha pra onde ir. Que a gente n\u00e3o tinha uma emin\u00eancia de pagamento de aluguel social. Ela n\u00e3o tinha onde ficar. E ela estava sendo perseguida. Ent\u00e3o a gente leva pra pr\u00f3pria rede discutir e acolher esse caso. Ent\u00e3o, parece simples. Mas \u00e9 muito dif\u00edcil a gente conseguir articular a sa\u00fade com a justi\u00e7a, por exemplo. Porque n\u00f3s somos \u00e1reas completamente diferentes. Forma\u00e7\u00f5es completamente diferentes. N\u00e3o existe um sistema de comunica\u00e7\u00e3o \u00fanico no Brasil inteiro. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 Santa Maria. No Brasil inteiro. No mundo inteiro. Os servi\u00e7os est\u00e3o aprendendo a se organizar mais articulados. Ent\u00e3o, a gente tem essa experi\u00eancia de aparecer um problema mais extremo, um desafio maior a gente tenta articular essa rede caso a caso. Porque cada uma vai exigir uma coisa. No caso dela, ela n\u00e3o tinha rede de apoio nenhuma nem para onde ir. A\u00ed j\u00e1 muda um pouco o cen\u00e1rio. Ent\u00e3o, vai depender de cada caso. Ent\u00e3o, os desafios mais complexos principalmente est\u00e3o relacionados \u00e0 habita\u00e7\u00e3o para onde elas v\u00e3o, a quest\u00e3o da renda. Nesse caso, ela n\u00e3o conseguia ir pra casa de abrigo onde ela tinha tido uma experi\u00eancia que n\u00e3o foi positiva l\u00e1. E a\u00ed, a gente realmente n\u00e3o tinha onde acolher essa mulher. Os casos mais desafiadores t\u00eam que ser discutidos com a rede entre os servi\u00e7os. Ent\u00e3o, \u00e9 isso que a gente ajuda a mediar essa articula\u00e7\u00e3o da rede.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>.TXT: De que forma o projeto prepara os profissionais para realizar atendimento \u00e0s v\u00edtimas?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Laura Ferreira:<\/strong> \u00c9 por meio da qualifica\u00e7\u00e3o do curso que a gente tem de extens\u00e3o que acontece geralmente no segundo semestre e na discuss\u00e3o do caso. Por exemplo, para os estudantes de enfermagem na pr\u00e1tica quando a gente est\u00e1 no servi\u00e7o de sa\u00fade a gente vai receber o caso da situa\u00e7\u00e3o, a gente vai fazer todo o acolhimento dela, a escuta dela vai tentar, ent\u00e3o, orientar sobre os seus direitos sobre os direitos dela e a\u00ed a gente vai fazer a notifica\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, que \u00e9 uma notifica\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, onde a gente preenche uma ficha para lan\u00e7ar num sistema que \u00e9 o SINAN, ent\u00e3o, do SUS que vai para a viol\u00eancia epidemiol\u00f3gica. E a\u00ed a gente faz essa articula\u00e7\u00e3o direta com o centro de refer\u00eancia a gente j\u00e1 marca o atendimento para ela ir no centro de refer\u00eancia. Ent\u00e3o, a forma\u00e7\u00e3o \u00e9 caso a caso, a gente trabalha esses conte\u00fados em sala de aula tamb\u00e9m, isso acho que \u00e9 bem importante destacar aqui dentro da universidade nas minhas disciplinas a gente trabalha nas salas de aula e ofertamos esse curso de extens\u00e3o que \u00e9 anualmente,&nbsp; fora algumas forma\u00e7\u00f5es que a gente faz, por exemplo, semana passada eu fui fazer uma fala com policiais da Patrulha Maria da Penha e da Brigada da Regi\u00e3o ent\u00e3o a gente foi fazer uma contribui\u00e7\u00e3o num curso de forma\u00e7\u00e3o deles ent\u00e3o \u00e9 mais pela educa\u00e7\u00e3o permanente mesmo, sobre essa tem\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>.TXT: Como as experi\u00eancias do projeto impactam a percep\u00e7\u00e3o dos futuros profissionais de enfermagem?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Laura Ferreira: <\/strong>Sim, eu percebo que elas e eles, geralmente a maioria \u00e9 mulher primeiro acho que \u00e9 um processo de empoderamento delas mesmo, empoderamento feminino ent\u00e3o como \u00e9 um projeto tamb\u00e9m que demanda muito articula\u00e7\u00e3o com outros setores com o judici\u00e1rio tamb\u00e9m manda e-mail, se comunica ent\u00e3o elas aprendem tamb\u00e9m a se comunicar de uma maneira mais formal e isso tamb\u00e9m contribui nesse processo formativo como conectar conhecer a rede, eu tenho que enviar o convite para tais e tais setores para o conselho tutelar, para o juiz como que eu ativo isso, ent\u00e3o essa forma\u00e7\u00e3o de articula\u00e7\u00e3o \u00e9 interessante mas tamb\u00e9m sobre a apropria\u00e7\u00e3o do tema, ent\u00e3o \u00e9 muita reflex\u00e3o, elas conseguem enxergar as situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia at\u00e9 para si mesmas e para familiares ent\u00e3o elas ampliam o olhar para al\u00e9m do atendimento da ferida, do curativo da les\u00e3o, da medica\u00e7\u00e3o elas conseguem olhar para esse problema que \u00e9 social, ent\u00e3o para o que est\u00e1 por tr\u00e1s daquela les\u00e3o. \u00c9 um aprendizado que a gente consegue estimular psicologicamente para as quest\u00f5es emocionais, psicol\u00f3gicas exatamente para o trauma, para os abusos para essa dor, esse sofrimento que ele n\u00e3o \u00e9 mensur\u00e1vel, ele n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o objetivo, ele \u00e9 emocional muitas vezes ps\u00edquico ent\u00e3o essa constru\u00e7\u00e3o se d\u00e1 dentro da forma\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m no espa\u00e7o do projeto e essa quest\u00e3o do olhar para a rede de entender que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a sa\u00fade que vai dar conta de um problema complexo desse tamanho ent\u00e3o que a sa\u00fade ela tem tantas dimens\u00f5es que ela precisa de uma rede de v\u00e1rios servi\u00e7os, v\u00e1rios setores s\u00f3 que isso n\u00e3o \u00e9 quase trabalhado na forma\u00e7\u00e3o em sa\u00fade ent\u00e3o esse \u00e9 um d\u00e9ficit que a gente ainda tem, ent\u00e3o eles conseguem enxergar essa rede e para serem ativadores dessa rede serem sujeitos e ativadores desses outros servi\u00e7os, ent\u00e3o acho que a grande contribui\u00e7\u00e3o, resumindo \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o desse olhar para al\u00e9m da doen\u00e7a olhar para todos os aspectos do indiv\u00edduo, a quest\u00e3o do conhecimento e da ativa\u00e7\u00e3o dessa rede e de pensar tamb\u00e9m nessas quest\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o do g\u00eanero de mudar a cultura machista ent\u00e3o elas passam por esse processo de empoderamento tamb\u00e9m que eu acredito que todas n\u00f3s precisamos nos empoderar para a gente conseguir fazer alguma coisa porque todos n\u00f3s estamos nessa cultura machista e patriarcal ent\u00e3o para a gente conseguir fazer alguma coisa, a gente tamb\u00e9m precisa passar por esse empoderamento e a leitura, os estudos a academia \u00e9 muito importante para nos ajudar a fortalecer isso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>.TXT: Poderia citar alguns projetos espec\u00edficos voltados para o enfrentamento da viol\u00eancia dom\u00e9stica, sa\u00fade da mulher na perspectiva de g\u00eanero, direitos humanos, cidadania e pol\u00edticas p\u00fablicas? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Laura Ferreira: <\/strong>o F\u00f3rum do Enfrentamento \u00e0 Viol\u00eancia contra as Mulheres de Santa Maria temos ent\u00e3o o curso de extens\u00e3o segura e esse outro projeto que \u00e9 o apoio matricial como dispositivo de cuidado \u00e0 mulher em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia tamb\u00e9m tem um outro projeto no Departamento de Terapia Ocupacional coordenado pela professora Tatiana de Move, que \u00e9 um projeto tamb\u00e9m que apoia as mulheres no Corre dentro do CAPES, que \u00e9 para ficar com as crian\u00e7as, \u00e9 um espa\u00e7o l\u00fadico terap\u00eautico para as crian\u00e7as que acompanham essas mulheres durante o atendimento porque uma grande dificuldade que a gente tinha \u00e9 que as mulheres n\u00e3o vinculavam o CAPES muitas vezes porque elas n\u00e3o tinham com quem deixar os filhos elas n\u00e3o tinham esse apoio para elas poderem estar l\u00e1 no servi\u00e7o ent\u00e3o a gente entendeu que esse era um espa\u00e7o importante, um espa\u00e7o para as crian\u00e7as ent\u00e3o a professora Tatiana tem as estudantes de terapia ocupacional que v\u00e3o para ficar com essas crian\u00e7as tamb\u00e9m nesse espa\u00e7o, ofertando atividades l\u00fadicas e ocupacionais para elas nesse espa\u00e7o tem tamb\u00e9m o o projeto da professora Miliana Freire, que \u00e9 sobre maternagem.<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>TXT: Fale um pouco sobre a sua trajet\u00f3ria profissional e sua experi\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a projetos de apoio a mulheres em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile is-vertically-aligned-top\" style=\"grid-template-columns:37% auto\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img decoding=\"async\" width=\"671\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/07\/IMG_9161-edit-1-671x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4003 size-full\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/07\/IMG_9161-edit-1-671x1024.jpg 671w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/07\/IMG_9161-edit-1-197x300.jpg 197w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/07\/IMG_9161-edit-1-768x1172.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/07\/IMG_9161-edit-1-1007x1536.jpg 1007w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/07\/IMG_9161-edit-1-1342x2048.jpg 1342w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/07\/IMG_9161-edit-1-scaled.jpg 1678w\" sizes=\"(max-width: 671px) 100vw, 671px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p><strong>Laura Fonseca: <\/strong>Tudo come\u00e7ou ainda no s\u00e9culo passado, quando eu atuava como docente na Universidade de Bras\u00edlia (UnB). No mestrado, desenvolvi uma pesquisa que relacionava g\u00eanero, pobreza e HIV. Na \u00e9poca, est\u00e1vamos por volta de 1997, 1998. Acompanhamos mulheres em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade por meio de um projeto de extens\u00e3o no ambulat\u00f3rio de infectologia. Observamos a din\u00e2mica da contamina\u00e7\u00e3o e recontamina\u00e7\u00e3o dessas mulheres, e o contexto social em que estavam inseridas. Alguns anos depois, ingressei na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, bem distante do Centro-Oeste. L\u00e1, al\u00e9m dos projetos de pesquisa, tamb\u00e9m desenvolvi atividades de extens\u00e3o voltadas \u00e0s mulheres que chegavam \u00e0 delegacia na \u00e9poca, ainda n\u00e3o havia uma delegacia especializada em v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica ou intrafamiliar, principalmente. Come\u00e7amos ent\u00e3o a realizar a\u00e7\u00f5es por meio da universidade, em parceria com o sistema de seguran\u00e7a p\u00fablica. Inicialmente, atuamos na capacita\u00e7\u00e3o das equipes das delegacias para que estivessem mais preparadas para lidar com essas mulheres. De certa forma, conseguimos alcan\u00e7\u00e1-las atrav\u00e9s da forma\u00e7\u00e3o desses profissionais. Desde o final de 2013, j\u00e1 na UFSM, comecei a atuar, a partir de 2014, no N\u00facleo de Ensino, Pesquisa e Extens\u00e3o Hegem\u00f4nicas que chamamos de <a href=\"https:\/\/portal.ufsm.br\/projetos\/publico\/projetos\/view.html?idProjeto=66942\">Hegem\u00f4nicas<\/a> com a\u00e7\u00f5es de pesquisa e extens\u00e3o voltadas para grupos mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Temos um trabalho de media\u00e7\u00e3o que vai al\u00e9m da pesquisa e das palestras: atuamos principalmente por meio dos est\u00e1gios em Servi\u00e7o Social, realizados em espa\u00e7os institucionais com v\u00ednculo direto com a tem\u00e1tica, como o CRM (Centro de Refer\u00eancia da Mulher) em Santa Maria. Ent\u00e3o, essa trajet\u00f3ria j\u00e1 soma cerca de 30 anos de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>.TXT: Quais a\u00e7\u00f5es o curso de Servi\u00e7o Social desenvolve para apoiar essas mulheres?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Laura Fonseca: <\/strong>As a\u00e7\u00f5es ocorrem principalmente por meio dos projetos de extens\u00e3o. Esses projetos t\u00eam momentos e etapas voltadas \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de profissionais que atuam diretamente com essa popula\u00e7\u00e3o. Temos, por exemplo, um projeto coordenado por uma professora do curso que trabalha com profissionais da assist\u00eancia social e da seguran\u00e7a p\u00fablica que atuam junto a mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia. Esse projeto \u00e9 voltado especialmente \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de assistentes sociais, psic\u00f3logos e outras pessoas de equipes multidisciplinares que trabalham com esses grupos. Tamb\u00e9m desenvolvemos a\u00e7\u00f5es de ensino por meio dos est\u00e1gios curriculares em espa\u00e7os s\u00f3cio ocupacionais diretamente relacionados \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher. Embora n\u00e3o tenhamos um projeto exclusivo voltado diretamente \u00e0s mulheres, nossas a\u00e7\u00f5es permeiam os contextos de vulnerabilidade que as afetam.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>.TXT: Como essas atividades contribuem para a garantia dos direitos e a autonomia das mulheres?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Laura Fonseca: <\/strong>Acreditamos que essas a\u00e7\u00f5es contribuem, primeiramente, por darem visibilidade \u00e0 realidade vivida por essas mulheres. Elas revelam o que est\u00e1 acontecendo e apresentam essa realidade tamb\u00e9m aos nossos estudantes. Como \u00e9 um curso superior, \u00e9 fundamental que desde o in\u00edcio os alunos tenham contato n\u00e3o s\u00f3 com os temas, mas com as situa\u00e7\u00f5es concretas do munic\u00edpio, do estado e do pa\u00eds. Por exemplo, no segundo semestre do curso, temos uma disciplina obrigat\u00f3ria chamada &#8220;G\u00eanero, Pol\u00edticas Sociais e Servi\u00e7o Social&#8221;, destinada a estudantes ingressantes. \u00c9 uma disciplina obrigat\u00f3ria, n\u00e3o optativa, e desde o in\u00edcio buscamos problematizar essa realidade em sala de aula.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>.TXT: Quais parcerias o curso tem com redes de prote\u00e7\u00e3o social, ONGs e pol\u00edticas p\u00fablicas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Laura Fonseca: <\/strong>Mantemos parcerias com todas as secretarias do munic\u00edpio de Santa Maria, tanto para est\u00e1gios quanto para projetos de extens\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 na \u00e1rea da viol\u00eancia, mas tamb\u00e9m em outras, como seguran\u00e7a alimentar e assist\u00eancia social. Temos parceria com as secretarias de Assist\u00eancia Social, Sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Atuamos tamb\u00e9m com o terceiro setor, especialmente com ONGs que atendem mulheres e outros grupos em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>.TXT: Como o curso lida com os desafios da vulnerabilidade social dessas mulheres?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Laura Fonseca: <\/strong>Essa pergunta \u00e9 muito boa. Primeiro, partimos do entendimento de que essas vulnerabilidades n\u00e3o s\u00e3o naturais; elas expressam uma realidade social mais ampla, na qual a universidade tamb\u00e9m est\u00e1 inserida. Assim, lidamos com essas quest\u00f5es por meio do ensino, da pesquisa e da extens\u00e3o. Alguns n\u00facleos s\u00e3o mais organizados em torno da quest\u00e3o da vulnerabilidade das mulheres, outros nem tanto, mas todos compartilham o compromisso de colocar a universidade a servi\u00e7o da sociedade e trazer a sociedade para dentro da universidade. Buscamos reconhecer e concretizar essa rela\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 a partir dela que conseguimos promover mudan\u00e7as. Os projetos s\u00e3o formas concretas de dialogar com a sociedade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>.TXT: De que maneira o curso prepara os profissionais para a defesa dos direitos dessas mulheres?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Laura Fonseca:<\/strong> Desde o in\u00edcio da forma\u00e7\u00e3o. O curso de Servi\u00e7o Social tem como base essa fundamenta\u00e7\u00e3o. Surgiu h\u00e1 quase 100 anos, no final da d\u00e9cada de 1930, exatamente para lidar com as express\u00f5es da &#8220;quest\u00e3o social&#8221;, ou seja, com as contradi\u00e7\u00f5es e desigualdades presentes na sociedade. O curso tem nove semestres e, do primeiro ao \u00faltimo, visa preparar profissionais para garantir direitos, atuar na sua defesa e desenvolver habilidades para fortalecer a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas em seus contextos de trabalho. Destaco algumas disciplinas como &#8220;Cidadania e Direitos Humanos&#8221;, &#8220;G\u00eanero&#8221;, &#8220;Fam\u00edlia e Segmentos Vulner\u00e1veis&#8221; e &#8220;Gerontologia Cr\u00edtica&#8221;, esta \u00faltima voltada \u00e0 popula\u00e7\u00e3o idosa, tamb\u00e9m vulner\u00e1vel. Todas essas disciplinas dialogam constantemente com a defesa de direitos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>.TXT: Como as experi\u00eancias no curso impactam a percep\u00e7\u00e3o dos futuros assistentes sociais sobre a equidade de g\u00eanero?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Laura Fonseca: <\/strong>Acredito que o impacto ocorre de maneiras diferentes, dependendo de como cada estudante recebe e vivencia a forma\u00e7\u00e3o. O conceito de equidade, por exemplo, \u00e9 muito presente na \u00e1rea da sa\u00fade, e se diferencia da igualdade justamente por reconhecer as diferen\u00e7as e propor a\u00e7\u00f5es a partir delas. A forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica n\u00e3o garante sozinha essa percep\u00e7\u00e3o, mas ela potencializa o entendimento e coloca o estudante diante da necessidade de incorporar essa perspectiva no exerc\u00edcio profissional. Essa diretriz est\u00e1 tamb\u00e9m assegurada em nosso C\u00f3digo de \u00c9tica Profissional, em vigor desde 1993, que j\u00e1 apontava a equidade como um princ\u00edpio e valor fundamental. Ent\u00e3o, embora o debate esteja mais presente atualmente, essa preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nova na profiss\u00e3o. Claro que a forma como cada um ir\u00e1 materializar essa vis\u00e3o depender\u00e1 tamb\u00e9m de sua trajet\u00f3ria cultural e social.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>.TXT: Poderia citar alguns projetos espec\u00edficos voltados para o enfrentamento da viol\u00eancia dom\u00e9stica, desigualdade econ\u00f4mica e outras formas de opress\u00e3o contra as mulheres?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Laura Fonseca: <\/strong>Temos um projeto coordenado pela professora Cristina Fraga, voltado \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de profissionais da seguran\u00e7a p\u00fablica para o enfrentamento da viol\u00eancia contra a mulher. Tamb\u00e9m temos o N\u00facleo <a href=\"https:\/\/portal.ufsm.br\/projetos\/publico\/projetos\/view.html?idProjeto=66942\">Hegem\u00f4nicas<\/a>, que coordena a\u00e7\u00f5es como o &#8220;Quartas Hegem\u00f4nicas&#8221; e grupos de estudos de g\u00eanero, voltados \u00e0 discuss\u00e3o das vulnerabilidades e de como elas afetam especialmente as mulheres. Al\u00e9m disso, temos atua\u00e7\u00e3o junto \u00e0 Casa Ver\u00f4nica e outras iniciativas dentro da pr\u00f3pria universidade.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Rep\u00f3rteres:<\/strong> <em>Joice Figueiredo e Ra\u00edssa Dietrich <\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Contato:<\/strong> joice.scherer@acad.ufsm.br<\/em> \/ <em>raissa.dietrich@acad.ufsm.br<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando o ensino encontra a realidade em prol do combate a viol\u00eancia contra a mulher. <\/p>\n","protected":false},"author":8925,"featured_media":4001,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[460,461],"tags":[262,473,263],"class_list":["post-3993","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-30a-edicao","category-entrevista-30a-edicao","tag-txt","tag-ed30","tag-jornalismo"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3993","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8925"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3993"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3993\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4001"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3993"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3993"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3993"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}