{"id":4096,"date":"2025-09-12T14:05:51","date_gmt":"2025-09-12T17:05:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/?p=4096"},"modified":"2025-09-12T14:05:52","modified_gmt":"2025-09-12T17:05:52","slug":"a-luta-das-mulheres-no-esporte-universitario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/2025\/09\/12\/a-luta-das-mulheres-no-esporte-universitario","title":{"rendered":"A Luta das Mulheres no Esporte Universit\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<p>Para escutar o \u00e1udio da reportagem, clique abaixo:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/09\/TXT-Audio.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>A quadra pode parecer um lugar democr\u00e1tico: quem tem talento, joga. No entanto, para as mulheres, esse caminho \u00e9 repleto de obst\u00e1culos. Na UFSM, os times femininos enfrentam muito mais do que advers\u00e1rias, lidam com estruturas prec\u00e1rias, preconceitos e, muitas vezes, com o sil\u00eancio institucional.<\/p>\n\n\n\n<p>A t\u00e9cnica do Handebol Feminino da UFSM, Ysadora Freitas, afirma que \u00e9 necess\u00e1rio ter postura e conduta para conquistar respeito. Com mais de 10 anos de experi\u00eancia como atleta e agora como treinadora, ela fala com propriedade sobre o que \u00e9 liderar uma equipe em um ambiente ainda marcado pela desigualdade. \u201cJ\u00e1 vivi o machismo na pele, em diferentes contextos. Quando sou a \u00fanica mulher em reuni\u00f5es t\u00e9cnicas ou em competi\u00e7\u00f5es, a postura das pessoas muda\u201d, exp\u00f5e. Ysadora conta que hoje consegue lidar melhor com essas situa\u00e7\u00f5es, pois h\u00e1 homens que a auxiliam na beira da quadra. \u201cEles me ajudam a fazer os outros me escutarem.\u201d O relato mostra uma realidade recorrente entre mulheres do esporte: \u00e9 preciso provar o tempo todo que o trabalho desenvolvido \u00e9 s\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A mesma sensa\u00e7\u00e3o aparece nas falas das jogadoras. \u201cA gente tem que espernear, gritar, para ter um reconhecimento que no masculino \u00e9 b\u00e1sico, algo normal\u201d, relata a atleta da equipe UFSM\/Dallas Futsal, Elizabeth Amaral Neves. Mesmo com um hist\u00f3rico de conquistas t\u00e3o relevante quanto o masculino, o time feminino ainda enfrenta desafios relacionados \u00e0 visibilidade e valoriza\u00e7\u00e3o. Atualmente, composto por metade das atletas da universidade e metade de fora, a diversidade enriquece o elenco, mas tamb\u00e9m torna dif\u00edcil conciliar hor\u00e1rios de treino com o calend\u00e1rio acad\u00eamico. \u201cSemana de prova, aula \u00e0 noite, projetos\u2026 tudo interfere\u201d, comenta Elizabeth.<\/p>\n\n\n\n<p>Falta estrutura b\u00e1sica. As atletas de Futsal relatam que um dos gin\u00e1sios n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es adequadas para sediar jogos, e, quando chove, a umidade impossibilita o treino. Al\u00e9m disso, embora haja apoio de fisioterapeutas, o time ainda carece de nutricionistas e psic\u00f3logos. A jogadora ainda afirma: \u201cA gente tem o curso de Nutri\u00e7\u00e3o na universidade, mas n\u00e3o consegue trazer esses alunos para o projeto. A maioria prefere atuar com os meninos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para as jogadoras do Voleibol UFSM, Caroline Cipolatto e L\u00edvia Lese, o esporte feminino tem recebido mais apoio nos \u00faltimos anos, mas ainda h\u00e1 diferen\u00e7as claras de tratamento por g\u00eanero. \u201cA gente ia para torneios em que o feminino era deixado para jogar no domingo, enquanto o masculino podia escolher entre s\u00e1bado e domingo. At\u00e9 hoje, a premia\u00e7\u00e3o \u00e9 o que mais mostra essa diferen\u00e7a\u201d, conta Caroline. L\u00edvia cita a lista de 100 atletas mais bem pagos do mundo, divulgada pelo site <em>Sportico<\/em>: \u201cTodos s\u00e3o homens. N\u00e3o sei quando vai aparecer uma mulher nessa lista. \u00c9 uma luta.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A representatividade feminina nas comiss\u00f5es t\u00e9cnicas \u00e9 uma conquista. \u201cEu gosto de ver a mulher em posi\u00e7\u00e3o de comando\u201d, diz Caroline. O projeto Voleibol conta com uma comiss\u00e3o t\u00e9cnica formada majoritariamente por mulheres &#8211; treinadora, auxiliar, preparadora f\u00edsica e fisioterapeuta &#8211; al\u00e9m do apoio de professoras da Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, Nutri\u00e7\u00e3o e Medicina da UFSM.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipe de Basquete feminino da UFSM tamb\u00e9m enfrenta dificuldades. O time nasceu em 2022 quando algumas atletas foram convidadas a disputar um campeonato 3&#215;3 no Cear\u00e1. Sem equipe t\u00e9cnica e com um grupo pequeno, elas jogaram contra advers\u00e1rios experientes e voltaram com o t\u00edtulo dos Jogos Universit\u00e1rios Brasileiros (JUBs) . Ali come\u00e7ava a constru\u00e7\u00e3o de uma equipe que hoje representa o estado na Liga Ga\u00facha e no JUBs. Assim como no futsal, a rotina tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Entre treinos \u00e0 noite, aulas durante o dia e infraestrutura limitada, as atletas se dividem para manter o sonho vivo. Das quatro quadras dispon\u00edveis na universidade, apenas uma possui medidas e tabela oficiais para o basquete.<\/p>\n\n\n\n<p>A capit\u00e3 do time de basquete, Evelyn Spengler,&nbsp; rompeu o ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho em novembro de 2024, durante os Jogos Interatl\u00e9ticas de Santa Maria (JISM). Em dezembro, passou por cirurgia e desde ent\u00e3o vive o desafio da recupera\u00e7\u00e3o e do afastamento tempor\u00e1rio. \u201cA parte mais dif\u00edcil \u00e9 n\u00e3o poder jogar. N\u00e3o poder estar ali com as gurias, n\u00e3o ajudar como ajudava antes.\u201d Ela \u00e9 formada em Fisioterapia, cursa Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e organiza sua vida em torno do esporte. \u201cJ\u00e1 deixei de ir a anivers\u00e1rio para estar no treino. Meu foco sempre foi: primeiro o treino, depois os outros afazeres.\u201d Hoje, ela apoia e incentiva a equipe de fora da quadra, enquanto treina individualmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Evelyn lamenta a aus\u00eancia de categorias de base no basquete em Santa Maria e no estado, e aponta a falta de incentivo desde a escola como um dos principais entraves para que mais meninas se interessem pela modalidade. Para ela, embora a visibilidade do esporte feminino universit\u00e1rio tenha crescido, a falta de divulga\u00e7\u00e3o e investimento ainda desmotiva muitas atletas. \u201cSe n\u00e3o tem renda com o esporte, a mulher tem que trabalhar. A\u00ed muitas desistem, mesmo com talento. Quantas \u2018Martas\u2019 j\u00e1 n\u00e3o foram perdidas por isso?\u201d, questiona. A desigualdade de tratamento e visibilidade \u00e9 a maior barreira, segundo a jogadora,. Enquanto o masculino \u00e9 impulsionado por m\u00eddia e lucro, no feminino \u00e9 preciso lutar todos os dias apenas para ser vista.<\/p>\n\n\n\n<p>Na UFSM, a estrutura oferecida ao time de basquete tamb\u00e9m \u00e9 limitada, e o espa\u00e7o \u00e9 disputado pelas demais modalidades como&nbsp; futsal e handebol, o que obriga o grupo a treinar em quadras menores, em hor\u00e1rios alternativos, geralmente \u00e0 noite. \u201c\u00c0s vezes come\u00e7amos \u00e0s oito e terminamos depois das dez da noite, porque \u00e9 o \u00fanico hor\u00e1rio poss\u00edvel. A maioria das gurias tem aula, est\u00e1gio, trabalho\u2026 e mesmo assim, seguem firmes\u201d, explica Evelyn.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O apoio da Universidade \u00e9 importante, mas ainda insuficiente. A UFSM oferece materiais de treino, acesso \u00e0 academia e, quando poss\u00edvel, transporte para competi\u00e7\u00f5es. No entanto, quando se trata dos Jogos Universit\u00e1rios Brasileiros (JUBs), por exemplo, o suporte vem do Governo do Estado Rio Grande do Sul atrav\u00e9s da Secretaria de Esporte e Lazer (SEL), que garante transporte a\u00e9reo, al\u00e9m de todo suporte log\u00edstico durante a realiza\u00e7\u00e3o dos jogos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/09\/Clara-e-Jaine-Foto-1-Imp-683x1024.jpg\" alt=\"Fotografia vertical e colorida de um gin\u00e1sio poliesportivo vazio \u00e0 noite, iluminado por luzes artificiais. No ch\u00e3o, h\u00e1 linhas brancas que delimitam as \u00e1reas destinadas a diferentes modalidades esportivas, nas cores azul e laranja. Ao fundo, h\u00e1 uma goleira de estrutura de ferro nas cores vermelho e branco. Acima dela, h\u00e1 uma estrutura de cesta de basquete na cor branca com marca\u00e7\u00f5es pretas e, mais acima, a presen\u00e7a de um placar eletr\u00f4nico. A estrutura de ferro do teto est\u00e1 exposta e h\u00e1 diversas l\u00e2mpadas de led fixadas nela, al\u00e9m de uma cesta de basquete. Ao fundo, paredes de tijolos \u00e0 vista na cor marrom-claro com alguns detalhes em azul. H\u00e1 janelas de vidro com esquadrias claras que mostram o lado de fora do gin\u00e1sio, completamente escuro.\" class=\"wp-image-4100\" style=\"width:806px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/09\/Clara-e-Jaine-Foto-1-Imp-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/09\/Clara-e-Jaine-Foto-1-Imp-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/09\/Clara-e-Jaine-Foto-1-Imp-768x1152.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/09\/Clara-e-Jaine-Foto-1-Imp-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/09\/Clara-e-Jaine-Foto-1-Imp-1365x2048.jpg 1365w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/09\/Clara-e-Jaine-Foto-1-Imp-scaled.jpg 1707w\" sizes=\"(max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Gin\u00e1sio poliesportivo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Ser vista tamb\u00e9m \u00e9 vencer<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os relatos revelam que o esporte universit\u00e1rio feminino vai muito al\u00e9m da competi\u00e7\u00e3o. Funciona tamb\u00e9m como espa\u00e7o de resist\u00eancia, onde mulheres enfrentam diariamente a falta de estrutura, o machismo e a invisibilidade. Ainda assim, seguem firme, treinam, competem e abrem caminhos para que outras mulheres ocupem esse lugar. A busca por igualdade atravessa tanto a quadra quanto a vida fora dela. Vencer, nesse contexto, \u00e9 tamb\u00e9m ser reconhecida, ser vista, ser valorizada.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Reportagem: <\/strong><em>Ja\u00edne Cristofari e Clara Basso<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Contato: <\/strong>jainecristofari@gmail.com \/ claraantonelobasso2006@gmail.com<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atletas enfrentam falta de estrutura, invisibilidade e desigualdade de g\u00eanero.<\/p>\n","protected":false},"author":8890,"featured_media":4100,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[460,469],"tags":[262,476,263,257],"class_list":["post-4096","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-30a-edicao","category-esporte-30a-edicao","tag-txt","tag-ed30-2","tag-jornalismo","tag-ufsm"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4096","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8890"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4096"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4096\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4100"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4096"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4096"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4096"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}