{"id":4101,"date":"2025-09-18T09:06:11","date_gmt":"2025-09-18T12:06:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/?p=4101"},"modified":"2025-09-18T09:06:16","modified_gmt":"2025-09-18T12:06:16","slug":"mais-que-confeccao-uma-forma-de-expressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/2025\/09\/18\/mais-que-confeccao-uma-forma-de-expressao","title":{"rendered":"Mais que confec\u00e7\u00e3o, uma forma de express\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Para escutar o \u00e1udio da reportagem, clique abaixo:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/09\/Reportagem-em-audio-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/09\/Imagem-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4102\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/09\/Imagem-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/09\/Imagem-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/09\/Imagem-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/09\/Imagem-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/09\/Imagem-272x182.jpg 272w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/714\/2025\/09\/Imagem.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Mathias Ilnick<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para o senso comum, a moda pode parecer isto mesmo: um sistema superficial, movido pela l\u00f3gica irracional do consumo. A acad\u00eamica de Artes Visuais da UFSM D\u00e1rica Gomes n\u00e3o enxerga assim. \u201c\u00c9 algo afetivo, emocional, das ra\u00edzes. \u00c9 ancestral\u201d, comenta a jovem a respeito de sua rela\u00e7\u00e3o com o fazer art\u00edstico e a confec\u00e7\u00e3o de roupas. Ela afirma que a costura \u00e9 uma forma de se conectar com as origens e alcan\u00e7ar um estilo \u00fanico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de estudante, D\u00e1rica \u00e9 uma das colaboradoras do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/brechapenas\/\">Brech\u00f3 Apenas<\/a>, um empreendimento coletivo que exp\u00f5e seu acervo, geralmente, no brique da Vila Belga\u00a0e no <em>hall <\/em>do Restaurante Universit\u00e1rio I (RU I). O espa\u00e7o de conviv\u00eancia do RU \u00e9 casa para muitos outros neg\u00f3cios, organizados, inclusive, pelos pr\u00f3prios estudantes. Para expor, nenhum acordo \u00e9 necess\u00e1rio; o Brech\u00f3 Apenas, por exemplo, somente se instala e p\u00f5e \u00e0 venda pe\u00e7as de garimpo e de fabrica\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria &#8211; muitas delas, com o uso do <em>upcycling<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se n\u00e3o apenas de uma t\u00e9cnica, mas da \u201cep\u00edtome da autenticidade\u201d, como descreve Pedro Ivo Vieira, idealizador do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/relancebrecho\/\">Relance Brech\u00f3<\/a>. O <em>upcycling<\/em> \u00e9 uma abordagem sustent\u00e1vel na qual materiais que seriam descartados s\u00e3o transformados em novos produtos. Diferente da reciclagem tradicional, n\u00e3o h\u00e1 decomposi\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria &#8211; o novo produto \u00e9 criado a partir do velho, sem destruir sua forma original. No universo da moda, o <em>upcycling<\/em> acontece com recortes, costuras, pinturas e outras personaliza\u00e7\u00f5es que d\u00e3o continuidade \u00e0 hist\u00f3ria das pe\u00e7as.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>No Perspectiv<\/em> \u00e9 o nome dado pelo rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas formado pela UFSM Brenner Barbosa \u00e0 linha de pe\u00e7as sustent\u00e1veis produzida para seu Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso. As roupas, inspiradas nos estilos <em>Y2K<\/em>, <em>Clubber Punk<\/em> e <em>Hip-Hop<\/em>, foram produzidas a partir da reutiliza\u00e7\u00e3o de aparatos encontrados em pequenos bazares, todos bastante gastos e com avarias. Barbosa define-as como pe\u00e7as que atingiram o seu ciclo m\u00e1ximo na vis\u00e3o comercial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto, acompanhado de uma s\u00e9rie de v\u00eddeos e fotografias, simboliza o que o profissional de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas descreveu como a falta de perspectiva para encontrar sua vis\u00e3o de mundo dentro de Santa Maria. Os artistas visuais Leo Penna e Rayssa Barcelos, amigos de Brenner, foram respons\u00e1veis pela tradu\u00e7\u00e3o desses sentimentos nas pe\u00e7as ao trabalharem com estamparias que cobriam os rasgos das roupas originais. \u201cFoi uma liga\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es que eu tive durante a minha gradua\u00e7\u00e3o, que diziam respeito \u00e0s coisas que eu era e que eu sou\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito mais que uma iniciativa sustent\u00e1vel para a ind\u00fastria t\u00eaxtil &#8211; visto que o setor \u00e9 respons\u00e1vel por, aproximadamente, <a href=\"https:\/\/www.ellenmacarthurfoundation.org\/a-new-textiles-economy\">2% a 8% das emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa<\/a>, segundo estudo de 2017 da <em>Ellen MacArthur Foundation<\/em> -, o <em>upcycling <\/em>se mostra, tamb\u00e9m, uma maneira singular de express\u00e3o pessoal. Para Brenner, a t\u00e9cnica ressignifica algo criado por outra pessoa e produzido em larga escala. Ele acrescenta: \u201cvoc\u00ea revive uma coisa que poderia estar morta. Voc\u00ea transmite a sua realidade, a sua verdade, os seus consumos, as coisas em que voc\u00ea acredita\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sustentabilidade ainda n\u00e3o \u00e9 tend\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que velados, estigmas relacionados ao mercado da moda sustent\u00e1vel ainda persistem. Em question\u00e1rio realizado de forma <em>on-line<\/em> com 62 estudantes da UFSM, 25% informaram que n\u00e3o costumam comprar roupas em brech\u00f3s. D\u00e1rica, do Brech\u00f3 Apenas, ratifica o dado: \u201cmuitas vezes, a gente recebe cr\u00edticas do tipo: \u2018olha ali, aquele pessoal comprando roupa velha\u2019\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Relance Brech\u00f3, empreendimento inaugurado em Santa Maria no ano de 2021 e atualmente localizado no bairro Botafogo, no Rio de Janeiro, faz sucesso com o p\u00fablico carioca &#8211; mas n\u00e3o foi assim em todos os lugares por onde passou. Pedro Ivo percebe, desde a mudan\u00e7a, uma \u201cdiferen\u00e7a gritante\u201d no interesse dos ga\u00fachos e dos cariocas por moda sustent\u00e1vel. Segundo seu relato, os compradores da cidade maravilhosa deteriam maior poder aquisitivo, fator que incentiva a valoriza\u00e7\u00e3o de seu trabalho e das roupas comercializadas.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato \u00e9 que a moda sustent\u00e1vel &#8211; nisso, inclui-se a t\u00e9cnica de reciclagem t\u00eaxtil &#8211; ainda n\u00e3o faz parte da corrente de consumo cultural dominante. Para entusiastas da tem\u00e1tica, \u201co <em>upcycling<\/em>, realmente, \u00e9 o futuro\u201d, como manifestou Pedro Ivo. Essa opini\u00e3o \u00e9 reiterada n\u00e3o s\u00f3 pelos artistas independentes, mas por grandes nomes da ind\u00fastria como a estilista brit\u00e2nica Vivienne Westwood. Ela costumava dizer que o \u00fanico efeito poss\u00edvel que algu\u00e9m pode ter no mundo \u00e9 por meio de ideias impopulares.<\/p>\n\n\n<hr \/>\n<p><strong><em>Rep\u00f3rteres:<\/em><\/strong> Camille Moraes e Pedro Gon\u00e7alves<\/p>\n<p><strong><em>Contato:<\/em> <\/strong>camille.moraes@acad.ufsm.br\/ pedro.marion@acad.ufsm.br<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A t\u00e9cnica do upcycling re\u00fane moda sustent\u00e1vel e autenticidade<\/p>\n","protected":false},"author":8382,"featured_media":4102,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[460,470],"tags":[262,473,263],"class_list":["post-4101","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-30a-edicao","category-cultura-30a-edicao","tag-txt","tag-ed30","tag-jornalismo"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4101","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8382"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4101"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4101\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4102"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4101"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4101"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/revistatxt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4101"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}