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Relatos de experiência no Exterior

Mande também seu relato de experiência no exterior com fotos para o e-mail: sai.comunicacao@ufsm.br

Argentina de Nordeste a Sul

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Geleira do Perito Moreno – El Calafate, Argentina

No primeiro semestre de 2017, entre os meses de março e julho, eu tive a oportunidade de viver um intercâmbio acadêmico na cidade de Corrientes, capital da província de Corrientes localizada no nordeste argentino. Através da UFSM que faz parte da Associação Grupo de Universidades de Montevidéu (AUGM), eu pude passar esse semestre estudando no curso de Comunicación Social da Universidad Nacional del Nordeste.

Após minha aprovação, recebi as informações sobre as disciplinas que poderia cursar, onde iria viver e como receberia o auxilio financeiro para moradia e alimentação. Na minha chegada, estava um professor que seria responsável por mim durante todo o intercâmbio me esperando na rodoviária acompanhado de um carro da universidade. Eles me levaram até o hostel indicado aos alunos, me apresentaram o campus do meu curso e o campus ao lado onde fica o Restaurante Universitário. Na mesma semana, me acompanhou à reitoria onde deveria ir para receber o cheque da bolsa mensal e ao bando para sacá-lo, também me passou o contato de um professor de espanhol que dava aulas de preparação ao exame CELU de proficiência de espanhol. Enfim, me senti bem recebida e não tive dúvidas ou problemas.

O hostel onde eu fiquei inicialmente, e do qual não saí, tinha um ar amigável e familiar, já haviam chegado antes de mim outros sete intercambistas, duas meninas mexicanas e uma espanhola que dividiam quarto comigo e quatro mexicanos que dividiam um quarto ao lado do nosso. Éramos de cursos diferentes, mas criamos um laço de amizade ao vivermos e viajamos juntos e durante esses meses.

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Ponte entre as provincias de Chaco e Corrientes na Argentina

Em março, juntamente a outros intercambistas que viviam em uma outra pousada, conhecemos às Cataratas de Iguazú na cidade de Puerto Iguazú do lado argentino da tríplice fronteira. Em abril, fomos somente entre as quatro garotas à capital do Paraguai, Assunção e às ruínas jesuíticas de Encarnação. Em junho, voltei a Mendoza, uma província argentina que já havia conhecido em 2015 e dessa vez servi de guia pelas lindas praças e pelo maravilhoso Parque San Martín, também fizemos passeio por algumas vinícolas e uma oliveira, além de cruzar para o Chile e passar uns dias em Santiago. Após o fim das minhas aulas e provas, encerrei o intercambio com uma viagem pela Patagônia Argentina, quando conhecemos Ushuaia, a cidade mais ao sul do mundo que nos recebeu com sol e nos prendeu com uma nevasca que cancelou nosso vôo. Lá, o dia tinha duração de apenas oito horas, mas o farol Lês Eclaireus e os centros de ski garantem bons passeios. Depois, fomos a El Calafate para ver a geleira do Perito Moreno e depois dessa última aventura, voltei para casa.

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Ushuaia, Tierra del Fuego – Argentina

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Santiago, Chile

Nesses meses, eu aprendi um pouco do sotaque argentino, mexicano e espanhol, participei de uma reunião com um ministro de Desenvolvimento (até pude entrevista-lo!), tive aulas de Opinión Pública que me ensinaram muita coisa, aprendi sobre a legislação argentina nas aulas de Derecho a la Informácion mais do que eu sei sobre a brasileira, aproveitei minhas aulas de Inglés III para matar minha curiosidade sobre o ensino de inglês em países hispânicos, vi pingüins, vivi na cidade com a costa mais conhecida da Argentina, conheci pessoas de diferentes países e escutei cada uma chutar uma nacionalidade diferente para mim de acordo com meu sotaque. Em fim, posso dizer que essa foi uma das experiências mais gratificantes da minha vida.

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Parque San Martin em Mendoza, Argentina e Ruínas Jesuíticas de Encarnación, Paraguai

Meu nome é Rafael Lemos da Silva e eu estudo Relações Internacionais na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). No segundo semestre de 2015, eu decidi fazer um intercâmbio acadêmico para a Universidade da Flórida (UF), tendo em vista que o meu curso requer uma experiência internacional.

O meu intercâmbio acadêmico foi incrível, porque foi a primeira vez que eu fui para outro país. O intercâmbio possibilitou o exercício diário do inglês e do espanhol. Por outro lado, incialmente eu achei difícil me adaptar à cultura estadunidense, porque eles não gostam de contato físico e costumam ser extremamente diretos em suas conversações. Além disso, existe uma cultura favorável ao consumo de fast food, o que prejudicou a minha saúde.

A Universidade da Flórida me ofereceu apoio durante todas as partes do processo de admissão e de estadia na universidade. Uma das minhas melhores amigas estadunidenses foi a responsável por me ajudar com diversas dúvidas que eu tive durante todo o processo, o qual levou cerca de cinco meses. Eu fiz alguns amigos incríveis durante o meu intercâmbio acadêmico porque os Estados Unidos atraem intercambistas do mundo inteiro. Dessa forma, hoje tenho amigos na Alemanha, na Coreia do Sul, na Grã-Bretanha e em outros países.

As minhas aulas foram sensacionais! Meus professores eram especialistas nos assuntos tratados em aula e tinham diversos livros publicados sobre os mesmos, o que enriquecia a aprendizagem. A estrutura das aulas era completamente diferente, porque eu tinha a mesma aula três vezes por semana durante 50 minutos, fazendo com que o professor sintetizasse a matéria e com que a disciplina cobrisse mais tópicos. As aulas eram dialogadas e muitos professores atribuíam uma nota considerável para a participação em sala de aula. Ademais, eu tinha cerca de 500 páginas em inglês para ler todas as semanas para as minhas aulas.

Um fator impressionante foi a infraestrutura da Universidade da Flórida. A universidade ocupa quase metade da cidade de Gainesville, na Flórida. Eu morei em uma república dentro da universidade e dividia o meu quarto com um americano. Eu geralmente passava mais tempo na biblioteca da universidade que possuía uma infraestrutura incrível. As bibliotecas ficavam abertas 24 horas por dia para estimular o estudo por parte dos alunos e eles tinham uma loja do Starbucks dentro da própria biblioteca.

As universidades estadunidenses costumam incentivar atividades internas para os seus estudantes. Por exemplo, durante o meu intercâmbio a Universidade da Flórida promoveu cerca de cinco shows com artistas americanos como T.I. e Andy Grammer. Além disso, a Universidade da Flórida costumava promover palestras sobre temas como a violência policial e convidava personalidades estadunidenses influentes nessas questões.

Eu recomendo fortemente as universidades dos Estados Unidos para alguém que queira estudar. Eu estabeleci contatos incríveis com os professores especialistas nas áreas que eu estudo na UFSM. Como costumam falar no time de futebol americano: GO GATORS!

P.S.: Abaixo algumas fotos do meu intercâmbio. Felizmente eu tive alguns períodos de recesso da universidade, possibilitando viajar pelos Estados Unidos. 

Jogo de Futebol Americano da UF                                                                              Jogo de Futebol Americano da UF 

Las Vegas                                                                                                  Las Vegas   

             

Disney                                                                                                     Disney  

Show da Taylor Swift

    Show da Taylor Swift

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No fim do segundo semestre de 2015, fui selecionada para participar de uma mobilidade acadêmica a partir de um convênio entre a UFSM e o Programa IBRASIL – Inclusive e Inovative  que é uma vertente do Programa ERASMUS MUNDUS.

No âmbito desta cooeperação, realizei uma candidatura online para cursar um semestre de Graduação, no Curso de Ciências da Educação, na Universidade de Lille 3 (UniLille3) – atual coordenadora geral europeia do IBRASIL – na França. Sendo selecionada, tive todas as minhas despesas de viagem pagas e reembolsadas como é previsto pelo Edital, como tive acesso durante 6 meses à uma bolsa de estudos.

Considerando que no Curso de Pedagogia- Noturno que é meu curso de origem, eu somente tinha que, ao retornar do intercâmbio, apresentar meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), ao chegar na UniLille3 eu pedi para a Coordenação Geral a possibilidade de realizar um estudo de pós-graduação, ou seja no Master 1, em Ciências da Educação com especialidade em Travail Educatif en contexte Social, Scolaire et de la Santé (Trabalho educativo em contexto Social, Escolar e da Saúde). Tal Master equivale no Brasil como o primeiro ano do Mestrado e te dá, ao fim dos estudos de um ano, o título de Maître, ou seja Mestre em Ciências da Educação.

Sobre o desenvolvimento do Master e dos estudos na França, pode-se dizer que este país possui um sistema de ensino bastante “tradicional” e configura-se com aulas expositivas (por parte dos professores) e “magistrais”, ou seja aulas realizadas em grandes anfiteatros para uma grande quantidade de alunos. Um dos fatores para esta organização é o de que as universidades francesas não dispõem de processos seletivos, como os que temos aqui no Brasil (Exame Nacional do Ensino Médio –ENEM e o démodé Vestibular). As universidades francesas são abertas para todos, isto siginifica que todos os franceses (para extrangeiros o processo é diferente e existe um processo de seleção que começa pelo Campus France) podem se inscrever em uma universidade pública ou privada desde que paguem os “direitos universitários de inscrição” que são obrigatórios. Isto e outros fatores como o grande número de jovens, alta taxa de desemprego, etc fazem com que as universidades estejam lotadas de estudantes e neste sentido, que as aulas se configurem mais como palestras do que como um trabalho dirigido entre o professor e aluno.

Tal situação relatada não deve ser entendida como uma variável de crítica, deve-se ter claro que estou apenas relatando o modelo de funcionamento de um sistema universitário que foi vivido. Ademais, atrevo-me à dizer que um dos anos que eu mais aprendi na minha vida acadêmica foi no ano de estudos na França. Uma aula expositiva, exigia uma atenção intensa de todos os alunos durante todo o tempo, tudo deveria ser anotado, os textos deveriam ser obrigatoriamente lidos, caso contrário não havia condições nenhuma de continuar, pois era impossível acompanhar o plano do professor sem a realização da leitura exigida.

 A experiência na França, para mim, é divida em duas categorias: a experiência universitária e a experiência cultural.

Sobre a experiência Universitária, como já disse se tratou de uma mudança total de hábitos e metodologia de vida que me custaram bastante esforços e organização rígida do meu dia. Posso dizer que neste sentido estudar na França foi uma das piores e melhores coisas da minha vida. Pior porque existe uma competição e exigência muito forte para que você acompanhe os professores (afinal ele não está muito disponível para uma turma de mais de 60 alunos), isto implicava em uma vida bastante solitária e concentrada em dias inteiros dentro da biblioteca e de suas leituras. E a melhor por ter vivido um dos momentos que eu mais tive que aprender coisas, ler coisas, e, um curto período tempo. Hoje, acredito que sou uma pessoa com opções de vida e ideias muito mais fortalecidas em virtude de todas as leituras que eu fui apresentada e que eu mesmo busquei conhecer pra entender este mundo apaixonante da sociologia educacional francesa. 

Com respeito à experiência cultural, posso dizer que sinto muito falta de comer um queijo de cabra, tomar um vinho para cada momento da minha refeição e beber uma das mais variadas cervejas que existe na cidade de Lille, a cidade mais flamenga da França e que por fazer divisa com a Bélgica proporciona uma variedade enorme de produção de cervejas na rota entre os dois países.

Lille é uma cidade acolhedora, mas que sofre muito com o desemprego e com as desigualdades sociais. Ela se situa a uma hora de Paris e já foi um dos pólos industriais mais fortes da França, mas que com o processo de maquinização das indústrias e de desemprego acabou marginalizando grande parte da população sobretudo a de imigrantes.

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 . Famosa arquitetura da cidade de Lille. Fonte: Camargo (2015)

 Posso dizer, a partir de minhas experiências, que a França é um país rico em conhecimentos e possui um modo de vida particular. Poder viver este modelo baseado em princípios de Liberté, Egalité et Fraternité te faz aprender e também sofrer. Afinal, concordando com os críticos “Liberdade e Igualdade” implicam em reconhecer uma responsabilidade individual, neste sentido possuir o direito de ser livre e de ser tratado igualmente pelas instituições em um país que é de certa forma desigual (mesmo lutando para não) faz doer. Ainda assim as estruturas sociais e os espaços públicos (sejam eles institucionalizados ou não) são muito diferentes do Brasil: escola pública de dia inteiro, sistema de bicicleta como meio de transporte , metrô, ônibus de 1 euro entre Paris e qualquer outro lugar da França e da Europa, trêm, um kebab em cada esquina, ajuda social (sim, muito mais ajuda social que o Brasil!), fazer atenção ao outro de maneira essencial e não superficial, caminhar com uma baguette na mão, tomar um café em uma terraça, etc te fazem parceber o quanto temos muito que conhecer e aprender.

Por fim, posso apenas afirmar que seguramente existem estudantes de outras nacionalidades que terão o mesmo carinho que eu pela cultura no Brasil ou de algum outro país, pois os modos de vida que mencionei se tratam único e exclusivamente de minha experiência. Ou seja, uma experiência de intercâmbio que me fez aprender e que faz aprender qualquer outro estudante que assim como eu, fez seu intercâmbio em algum lugar desse mundo. 

Realizei meu intercâmbio para Austrália de julho de 2012 a julho de 2013.  Lá, estudei health sciences na Universidade de New South Wales. Minha experiência foi ótima, em um ano pude conhecer um país e uma cultura diferentes de forma bem gradual e fidedigna. A Austrália é um pais novo, bonito, diferente e intrigante e posso dizer que mistura qualidades de outros países: ela tem o nosso clima com 4 estações bem definidas, é bem organizada e honesta como a Alemanha e obviamente, tem o toque de elegância da Inglaterra que a colonizou.
 
Foi ótimo ter a experiência de sair de casa, morar sozinha e conhecer outras pessoas. Aprimorei meu inglês e fiz amigos, vários, e de várias nacionalidades. Na universidade, estudei as disciplinas de um ponto de vista diferente. A carga horária era bem pesada, as provas eram difíceis, os trabalhos bem criteriosos e os professores bem exigentes. Mas tínhamos as lectures, labs, e tutorials para fazer experiências sobre o que vínhamos estudando, tirar todas nossas dúvidas e nos ajudar nos trabalhos finais. Além disso, também pude ter um pouco de experiência em pesquisa. 
 
Passado todo trabalho duro do semestre, vinham as férias e podíamos viajar com os amigos para conhecer os países ao redor como Fiji, Tailândia, Singapura e outros. Nem sempre foi fácil, tem horas que a saudade aperta, mas no fim vale a pena e muito!
 
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Sempre tive um desejo enorme de fazer um intercâmbio, porém, várias questões pesaram na hora de decidir se eu realmente estava disposto a essa “ aventura de aprendizados”. Várias dúvidas como: ficar tanto tempo longe da família, amigos e namorada; “perder” três semestres na graduação e o medo de sentir-me sozinho em um país desconhecido. Quando parei de me questionar sobre essas dúvidas e fiz o que o meu coração estava falando desde o começo. Decidi fazer o intercâmbio.
Foi a melhor decisão que já tomei . Hoje paro e penso: nossa! Por que essas dúvidas me fizeram hesitar por tanto tempo? Se eu soubesse o quão bom era fazer intercâmbio eu teria feito antes. Muitas pessoas me perguntam: O que o intercâmbio te acrescentou?
É uma questão muito difícil de ser respondida pois só quem fez um intercâmbio sabe realmente o quanto o contato com outra cultura nos enriquece pessoal e profissionalmente e ainda proporciona incríveis experiências de vida. Onde a saudade da família, dos amigos ou de casa não significa nada, frente a tudo que vivenciamos quando voltamos ao nosso país. A bagagem que trazemos não está só nas malas.

Intercambista em Olds College

Santa Maria – RS

Me chamo Bruno Mezzomo Pasqual, sou aluno de graduação de medicina veterinária pela Universidade Federal de Santa Maria – UFSM e estou atualmente estudando nos Estados Unidos. Faço parte da Chamada 196/NOVA-CAPES e estou matriculdo no Vet Tech (Veterinarian Technician) Program de Kirkwood Community College, situado em Cedar Rapids, Iowa. Cheguei nos USA dia 08 de Agosto de 2015 e minha bolsa terá validade até Dezembro de 2016. Tenho ótimos professores e até uma “mentor family”, espécie de tutor que tem o papel de me introduzir a cultura Americana. Não tive nenhuma dificuldade até agora, tive duas ocorrências médicas (uma pro conta de uma gripe e outra por um machucado no futebol) que foram prontamente resolvidas com o seguro, o apartamento que estou hospedado é muito bom e até estágio no período de Maio a Agosto eu vou realizar. Só tenho a agradecer a esta grande oportunidade de crescimento pessoal e professional que pude fazer parte.

Intercambista Bruno Pasqual em Cedar Rapids, Iowa, USA

Santa Maria-RS

Meu nome é Bruna Toso de Alcântara e me formei recentemente em Relações Internacionais pela UFSM. Assim, como muitos formados eu me lembro com alegria dos dias de minha graduação, e uma das melhores experiências que a Universidade me proporcionou foi meu intercâmbio para Valência, na Espanha.
De fato, à medida que cursava o curso me dei conta de que uma experiência internacional não só seria divertido, mas também algo essencial para um internacionalista. Em outras palavras, viver um tempo em outro lugar aprendendo a cultura local abriria meus olhos a outras perspectivas de mundo. Com isso em mente eu fui e busca da minha experiência “lá fora”.
O primeiro passo foi olhar as oportunidades no site da SAI e a partir dali cruzar meus interesses com o que as universidades parceiras ofereciam. Parece complicado, mas não é. Na realidade o que eu fiz foi ver a abertura de edital para a Universidade de Valência, ir até o site oficial dessa universidade e ver se ali estava algum curso que me aperfeiçoaria enquanto graduanda. Assim, me candidatei para o curso de ciências políticas de tal Universidade.
Então, documentos entregues conforme orientação da SAI, esperei ser chamada a entrevista. Nessa entrevista não há nenhuma pergunta acadêmica específica, mas sim , ela serve para ver o quanto você deseja o intercâmbio e como pretende se virar sozinho (fora de sua zona de conforto).
Pois bem, passei na entrevista, corri bastante com vistos e papelada, mas chegou o dia de embarcar e ir. Eu, que nunca havia feito nada parecido, e sequer tinha feito alguma viagem mais longe que Santa Catarina, sozinha eu embarquei com meu “portunhol” rumo a um país estrangeiro. E foi o máximo!
De antemão uma amiga minha me falou de um site para encontrar moradia compartilhada (Helloflatmate), então eu já fui com um endereço para lá. Além disso, eu observei atentamente as instruções da Universidade de Valência para fazer meu “check in” no país e universidade (é bem fácil, se pode fazer muita coisa online e somente alguns lugares que você deve passar em horário comercial). Assim, burocracias feitas, eu procurei um curso de espanhol para não ficar muito perdida nos afazeres do dia-a-dia (como ir ao mercado e saber o que você está comprando) e eu fui à aula de informações gerais que a Universidade dava para alunos estrangeiros.
De fato foi muito importante eu ter ido nessa aula, afinal além de avisos sobre questões de saúde (onde ficava posto no meu campus) eu descobri que a Universidade oferecia atividades extracurriculares esportivas, e dentro delas dança (minha paixão), foi a partir disso que comecei minhas aulas de flamenco lá na Espanha, com toda a infraestrutura necessária e em um local seguro e amistoso. Além disso, já no termino da aula o ERASMUS fez uma apresentação e se colocou de prontidão para cadastrar alunos interessados em fazer parte da rede. Como eu sou latino-americana não sabia se podia me filiar, mas olhem só, eles aceitam qualquer estudante internacional para sua rede de apoio! E quando eu falo em apoio, me refiro a estudantes dando dicas a estudantes e proporcionando viagens e festas. Dessa forma foi com o ERASMUS que viajei pela região da Andaluzia e passei uma semana no Marrocos. Eles fazem excursões a preços justos (pra orçamento de estudante, né) e colocam além de guias para pontos turísticos, festas todos os dias.
Basicamente, eu ia para as aulas, fazia meu curso de dança e quando tinha feriados prolongados eu viajava com o ERASMUS. Mas eu ainda tive a oportunidade de viajar via Universidade aos arredores de Valência, fui com o curso de Geografia para um Pueblo chamado Teruel, em uma trilha ecológica, e através de uma conhecida visitei Albufera, onde andei de barca. Ainda, dei sorte de estar na cidade na época das Fallas, uma festividade para celebrar o inicio da primavera, com muita comilança e fogo.
Todavia, o mais legal é que depois dos meses na Espanha, muitas portas se abriram. Eu consegui uma mobilidade acadêmica para a Universidade de Brasília, via PROGRAD, e lá, devido a minha experiência internacional, e minha proficiência em inglês, eu consegui um estágio na Embaixada do Reino Unido, na qual fiquei 10 meses, até ter de voltar para o RS para me formar e fazer provas de mestrado que eu almejava.
De toda a minha experiência se fosse para dar um conselho a quem quer viajar eu diria para não ter medo, e para aproveitar e fazer amizade, todo mundo vai entender que você não é nativo, mas a prática pode aperfeiçoar e muito tanto seu inglês como espanhol (como no meu caso). Além de tudo, o pessoal da SAI é super atencioso e as universidades parceiras são bem pragmáticas e acolhedoras. De fato, o futuro que nós esperamos às vezes se esconde em um simples ato, como em uma inscrição

Intercambista Bruna Toso na Universidade de Valência- Espanha

Santa Maria- RS

Caminhos Santafesinos: relato de intercâmbio na Argentina

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Entre março e julho de 2015, estudei, em regime de mobilidade acadêmica internacional (intercâmbio), na Universidade Nacional do Litoral (UNL), na cidade de Santa Fé (estado de Santa Fé, Argentina). Oportunidade contemplada pelo Programa Escala Estudantil da Associação de Universidades Grupo Montevidéu (AUGM), programa o qual tanto a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) quanto a UNL participam.

Lá em Santa Fé, morei na Residência de Estudantes Estrangeiros nº 1 (RAE 1), localizada na rua 9 de Júlio (centro da cidade). Trata-se de uma casa compartida para cerca de 30 estudantes internacionais (na maioria bolsistas de programas que a UNL participa e, atualmente, latino-americanos). Ao total, em 2015/1, em torno de 27: na sua maior parte brasileiros, seguidos por colombianos, mexicanos, chilenos, cubanos e uma peruana. Dentre os brasileiros éramos de universidades da região sul e sudeste: UFSM, UFRGS, UFSC, UFPR, UFSCAR e UNICAMP. Certamente morar na RAE 1 foi uma experiência marcante, enriquecedora e um desafio. Lá eram compartidos praticamente todos os espaços, móveis e eletrodomésticos e eletroeletrônicos: cozinhas, salas de entretenimento (televisão) e de estudos e informática, lavanderia, pátios internos, varais e quartos (no caso dos dormitórios entre duas a quatro pessoas e por divisão de gênero). A RAE estava cotidianamente movimentada: amigos e colegas de intercambistas, intercambistas das demais RAEs (que são quatro ao total), intercambistas de outras residências (europeus, por exemplo), tutores e demais pessoas. Em finais de semana, vésperas e dias de feriados e dias de jogo de Copa América tudo se intensificava. Era algo bom, pois tínhamos companhia seguidamente, mas para estudar lá era complicado por causa da movimentação e do barulho, principalmente se a pessoa estava inscrita em mais de duas disciplinas ou em disciplinas com muitos trabalhos e cargas de leituras. Mas, em geral, o pessoal era bastante dedicado aos estudos de segunda à quinta-feira e deixavam os finais de semana para sair em festas ou passeios e viagens.

UNL

No meu caso, tive que viajar duas vezes para Rosário (cidade em que se faz o visto de estudante e se renova ele) e acabei por conhecer a cidade com os demais intercambistas da universidade de lá. Também visitei o estado de Córdoba (Córdoba capital e cidades de Carlos Paz e Alta Gracia). Ademais fui duas vezes para a cidade de Paraná, vizinha de Santa Fé e que pertence ao estado de Entre Rios. Na primeira por conta própria de ônibus, na segunda via passeio de barco (Catamarán) organizado pela Secretaria de Relações Internacionais da UNL e com demais amigos intercambistas. Além disso, fui com colegas do curso de direito e de demais cursos, em uma viagem da universidade, para conferências na Universidade de Buenos Aires. Assim pude visitar a cidade de Buenos Aires, no tempo livre, e alguns de seus pontos turísticos.

Com relação ao país, ao povo e a cultura, a Argentina é um país encantador. Conheci bastante gente simpática e querida em Santa Fé e demais cidades do interior. Torna-se até engraçado comentar isso, são muito fãs de futebol e das praias do Brasil e comentam isso quanto enxergam um brasileiro, como acontecia comigo. Pode-se destacar acerca da cultura, dos costumes e demais aspectos do país as musicas (cúmbia e reggaeton), os mates (a semelhança à cultura gaúcha), os alfajores e os doces e salgados de padaria (facturas, medias lunas, pasteles e demais delícias); a siesta (em que no caso de Santa Fé o comércio fecha), o tango e a salsa (além do talento das pessoas de lá ao dançar), a arquitetura antiga e refinada nas cidades, a politização das pessoas (principalmente de graduações na áreas de sociais e humanas), as praças (com bastantes fontes ornamentadas), as sorveterias e, também, as peatonais e costaneiras (no caso de Santa Fé o comércio é ativo e é uma cidade à beira de um rio muito bonito para se contemplar).

CórdobaCongressoFestival - BAIRESFonte Santa Fe

Com relação à universidade, fiz disciplinas na área de Sociologia e do Direito, as quais serviram para enriquecer minha formação acadêmica, seja pelo referencial teórico seja pela oportunidade de estudar em outro país (com diferentes pessoas e perspectivas). Ademais, pude melhorar exponencialmente meu espanhol, através das leituras, escritas de trabalhos e apresentações. Além, claro, das aulas serem ministradas nesse idioma. Mas, acima de tudo, pude melhorar os conhecimentos da língua e aprender muito nas ruas (ao ir a algum lugar), em viagens (onde ao visitar outras regiões da Argentina pude aprender e perceber as distintas variações regionais do idioma), em conversas, dias de estudos e passeios com meus amigos e colegas e ,principalmente, através da convivência diária, na RAE e com pessoas falantes do espanhol, sendo elas de diversas nacionalidades latino-americanas.

Lago - RosárioPorto Velho - Paraná

Vista da montanha - Carlos Paz

Posso afirmar que cresci muito com a experiência, aprendi a vivenciar o novo e a não ter medo disso. Principalmente, quando o novo é inesperado, diferente e único. Convivi com diferentes pessoas, distintas “visões de mundo”, modos de ser e de agir. Percebi que quatro meses podem parecer longos, principalmente longe da família, mas quando nos deparamos já estamos numa rodoviária ou aeroporto regressando para casa e angustiados pelas despedidas – entre o querer ir e a vontade de permanecer por muito mais tempo -, aprendi que dizer adeus é necessário e que “pessoas vem e vão”, mas as que valem à pena permanecem (mesmo que distantes geograficamente) e que o mundo é grande e cada lugar é apenas um pedaço de um universo (de gente, de cores e de sabores). E, sobretudo, que quatro meses podem não ser muito para alguns, mas para outros podem ser uma vida.

Buenos Aires

Intercambista em UNL 

Santa Maria -RS