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2020 e os desafios das Bibliotecas Universitárias Brasileiras



Claudiane Weber¹
 

Nós brasileiros temos um ditado: “o melhor lugar do mundo é dentro de um abraço”. É um hábito cultural, ao encontrar alguém, estender os braços e dar um abraço. E 2020 está sendo marcado como o ano em que não tivemos abraços.

A emergência causada pela COVID-19 e a adoção de medidas de distanciamento social e quarentena, expôs tanto as fragilidades quanto os desafios das bibliotecas e de suas equipes de profissionais.

Todas as bibliotecas fecharam suas portas a partir da segunda quinzena de março. Houve a adoção do trabalho remoto, com exceções de alguns bibliotecários e suas equipes que mantiveram o trabalho semipresencial conforme demanda específica.

Os desafios iniciais, para as bibliotecas universitárias, abrangeram desde a infraestrutura necessária, baseados fundamentalmente nas tecnologias da informação à reorganização das rotinas nos serviços bibliotecários (doméstica e de trabalho). E as reuniões online, abordavam basicamente sobre traçar estratégias e compartilhar conhecimentos para superar dificuldades.

Tivemos que garantir o acesso à informação e até mesmo o desenvolvimento de novas competências informacionais e tecnológicas, tanto para os usuários como para os bibliotecários.

Passaram a ser o centro da atenção o uso de fontes de informação em acesso aberto: as bases de dados online, os repositórios, os portais de revistas institucionais, os acervos de livros eletrônicos, etc. Ganharam relevância os canais eletrônicos como e-mail e as redes sociais. Intensificamos as postagens com conteúdo produzido na própria biblioteca, com objetivo de compartilhar informações confiáveis sobre o vírus; o que a Universidade está fazendo para auxiliar a comunidade; divulgação dos serviços das bibliotecas; informações sobre cultura, entretenimento, utilidades públicas, chegando às informações especializadas da área da saúde.

Quando tudo estava andando, dentro do que podemos considerar um “novo normal”, começamos a ter um outro nível de problemas. Como dissemos no início deste texto, somos um povo com uma cultura da proximidade, do abraço. E as bibliotecas são um espaço que reforçam os encontros, os convívios e as trocas entre as pessoas.

O longo período de distanciamento social, começou a trazer problemas de nível emocional: depressão, tristeza profunda, problemas de relacionamentos dentro das famílias, medo, insegurança, dificuldades em lidar com as perdas, dentre outros. Era hora de agir a partir de uma nova perspectiva, o apoio emocional.

Receber as pessoas de braços abertos, é o que os bibliotecários brasileiros fazem. E as bibliotecas dão sentido às nossas vidas e aos lugares onde elas estão.  Pensando nisso, iniciamos campanhas nas bibliotecas da UFSM, que de modo sutil, ofereceriam apoio emocional, como por exemplo: “O que alimenta você?” elaborando uma listagem de livros que traz o tema alimentação sob diversos enfoques: biológico, emocional, antropológico, social, literário e até mesmo político.  

Começamos também a dar apoio emocional em conversas via canal de WhatsApp, promovemos encontros online com psicólogos, terapeutas, e passamos a praticar um “ouvir mais atento”. Como o sistema de bibliotecas da universidade é formado por grandes equipes interdisciplinares, destacamos entre os próprios colegas, profissionais das áreas da saúde, que passaram a promover cursos e workshops online sobre temas que perpassam o bem-estar da pessoa.

A reabertura das bibliotecas está sendo o desafio no momento. Sabemos que isso inclui mudanças nas instalações, uso e adoção de equipamentos de proteção e protocolos de higienização, maiores habilidades profissionais no uso de tecnologias, mas também vislumbramos mudanças em atitudes e comportamentos, por exemplo, menos abraços e encontros pessoais, e mais criatividade e colaboração.

Sigamos em frente!

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¹Bibliotecária da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Doutora em Ciência da Informação, Integrante do Brazilian Committee of Copyright and Open Access (CBDA3)/ FEBAB.

Artigo publicado originalmente no Update CPDWLN da International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA) e traduzido pela própria autora. 

Referência para citação do original:

WEBER, Claudiane. 2020 and the challenges of Brazilian university libraries. IFLA Section – Continuing Professional Development and Workplace Learning Newsletter, January 2021, p. 15-16. Disponível em: https://www.ifla.org/files/assets/cpdwl/newsletters/cpdwl_newsletter_jan_2021_1.pdf. Acesso em: 12 jan. 2021.


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