{"id":1030,"date":"2022-08-23T13:32:30","date_gmt":"2022-08-23T16:32:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/agronomia\/?p=1030"},"modified":"2022-08-23T13:32:32","modified_gmt":"2022-08-23T16:32:32","slug":"desenvolvimento-da-soja-x-manejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/agronomia\/2022\/08\/23\/desenvolvimento-da-soja-x-manejo","title":{"rendered":"Desenvolvimento da soja x manejo"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/779\/2022\/08\/sbjkdas-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1031\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/779\/2022\/08\/sbjkdas-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/779\/2022\/08\/sbjkdas-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/779\/2022\/08\/sbjkdas-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/779\/2022\/08\/sbjkdas-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/779\/2022\/08\/sbjkdas.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p id=\"c36d\" class=\"pw-post-body-paragraph jp jq is jr b js jt ju jv jw jx jy jz ka kb kc kd ke kf kg kh ki kj kk kl km ia gi\" data-selectable-paragraph=\"\">As cultivares de soja possuem um potencial m\u00e1ximo de rendimento determinado pela sua gen\u00e9tica. No entanto, esse potencial s\u00f3 \u00e9 expresso quando as condi\u00e7\u00f5es ambientais s\u00e3o \u00f3timas, sendo que, na pr\u00e1tica isso geralmente n\u00e3o ocorre. Os fatores ambientais modificam-se a cada safra e influenciam diretamente o potencial, por\u00e9m atrav\u00e9s de pr\u00e1ticas de manejo \u00e9 poss\u00edvel mitigar esses efeitos. Neste sentido, compreender quais s\u00e3o as fases de desenvolvimento da cultura da soja, bem como os per\u00edodos de maior sensibilidade da cultura aos fatores ambientais, \u00e9 essencial para adequar as pr\u00e1ticas de manejo.<\/p>\n<p id=\"147a\" class=\"pw-post-body-paragraph jp jq is jr b js jt ju jv jw jx jy jz ka kb kc kd ke kf kg kh ki kj kk kl km ia gi\" data-selectable-paragraph=\"\">Dentre as representa\u00e7\u00f5es do desenvolvimento da cultura da soja, a mais empregada divide o desenvolvimento da planta em duas fases: vegetativa (V) e reprodutiva (R). Na primeira, as subdivis\u00f5es s\u00e3o representadas numericamente como V1, V2, V3\u2026Vn, em que \u201cn\u201d representa o n\u00famero de n\u00f3s. Os dois primeiros est\u00e1dios s\u00e3o representados por VE (emerg\u00eancia) e VC (est\u00e1dio cotiledonar). J\u00e1 a fase reprodutiva, pode ser dividida em quatro partes, sendo elas: R1 e R2 o florescimento, R3 e R4 o desenvolvimento da vagem, R5 e R6 desenvolvimento da semente e R7 e R8 matura\u00e7\u00e3o da planta.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"432\" height=\"297\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/779\/2022\/08\/0_joSnzOK7GZoVuiNQ.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1032\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/779\/2022\/08\/0_joSnzOK7GZoVuiNQ.jpg 432w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/779\/2022\/08\/0_joSnzOK7GZoVuiNQ-300x206.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 432px) 100vw, 432px\" \/><figcaption><strong><em>Fonte:<\/em><\/strong><em>\u00a0\u201cComo a Planta de Soja se Desenvolve\u201d\u00b9.<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p id=\"5b59\" class=\"pw-post-body-paragraph jp jq is jr b js jt ju jv jw jx jy jz ka kb kc kd ke kf kg kh ki kj kk kl km ia gi\" data-selectable-paragraph=\"\">O primeiro est\u00e1dio de desenvolvimento \u00e9 a germina\u00e7\u00e3o e emerg\u00eancia. Nesse per\u00edodo, a semente inicia a sua germina\u00e7\u00e3o por meio da absor\u00e7\u00e3o de 50% do seu peso, de \u00e1gua. Posteriormente, s\u00e3o emitidas as estruturas prim\u00e1rias como a rad\u00edcula e ocorre a elonga\u00e7\u00e3o do hipoc\u00f3tilo em dire\u00e7\u00e3o ao solo, expondo os cotil\u00e9dones na superf\u00edcie. A dura\u00e7\u00e3o deste per\u00edodo, depende das condi\u00e7\u00f5es de umidade e temperatura do solo. Sendo assim, buscar uma profundidade de semeadura adequada para as condi\u00e7\u00f5es da \u00e1rea \u00e9 essencial para garantir a germina\u00e7\u00e3o e emerg\u00eancia adequadas.<\/p>\n<p id=\"df1d\" class=\"pw-post-body-paragraph jp jq is jr b js jt ju jv jw jx jy jz ka kb kc kd ke kf kg kh ki kj kk kl km ia gi\" data-selectable-paragraph=\"\">Cabe destacar que, a capacidade da pl\u00e2ntula em romper a superf\u00edcie do solo reduz com semeaduras mais profundas, e deve-se atentar tamb\u00e9m a temperatura na condi\u00e7\u00e3o de maior profundidade, pois ocasionam crescimento mais lento. Al\u00e9m disso, doses pequenas de fertilizantes depositadas abaixo da semente estimulam o crescimento radicular, mas a deposi\u00e7\u00e3o de fertilizantes muito pr\u00f3ximo da semente causa inj\u00farias a semente e as pl\u00e2ntulas.<\/p>\n<p id=\"9bc4\" class=\"pw-post-body-paragraph jp jq is jr b js jt ju jv jw jx jy jz ka kb kc kd ke kf kg kh ki kj kk kl km ia gi\" data-selectable-paragraph=\"\">O controle de plantas daninhas no per\u00edodo inicial tamb\u00e9m \u00e9 de suma import\u00e2ncia, buscando reduzir ou anular o efeito competitivo por \u00e1gua, luz e nutrientes. A inocula\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias fixadoras de nitrog\u00eanio (FBN) s\u00e3o fundamentais, tendo em vista que nos solos brasileiros, h\u00e1 baixa popula\u00e7\u00e3o destas bact\u00e9rias e estas s\u00e3o fundamentais para a disponibilidade de nitrog\u00eanio para a cultura.<\/p>\n<p id=\"e8fe\" class=\"pw-post-body-paragraph jp jq is jr b js jt ju jv jw jx jy jz ka kb kc kd ke kf kg kh ki kj kk kl km ia gi\" data-selectable-paragraph=\"\">Durante o per\u00edodo vegetativo, deve-se realizar o monitoramento de insetos-praga e doen\u00e7as, com o objetivo de que estes n\u00e3o reduzam o potencial fotossint\u00e9tico da cultura, com a redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea foliar. No per\u00edodo vegetativo, aproximadamente de V2 a V6, as plantas possuem uma capacidade de recuperar a sua \u00e1rea foliar no caso de eventos clim\u00e1ticos adversos, como granizo por exemplo. Entretanto, se esse dano atingir a por\u00e7\u00e3o abaixo do n\u00f3 cotiledonar, ela morrer\u00e1, pois n\u00e3o h\u00e1 nenhum broto axilar abaixo deste n\u00f3. Cabe destacar que outros aspectos como densidade de plantas, estande inicial, distribui\u00e7\u00e3o de sementes tamb\u00e9m s\u00e3o fundamentais.<\/p>\n<p id=\"f89f\" class=\"pw-post-body-paragraph jp jq is jr b js jt ju jv jw jx jy jz ka kb kc kd ke kf kg kh ki kj kk kl km ia gi\" data-selectable-paragraph=\"\">Na maioria das cultivares o crescimento vegetativo e a produ\u00e7\u00e3o de novos n\u00f3s continuam durante alguns est\u00e1dios reprodutivos. No est\u00e1dio R1 inicia-se o florescimento das plantas de soja (caracterizando o in\u00edcio do est\u00e1dio reprodutivo), que ocorre da base para o topo. Por esse motivo, as vagens da ponta do racemo s\u00e3o mais maduras que as vagens do \u00e1pice. Nesse momento, as taxas de crescimento vertical das ra\u00edzes aumentam e permanecem altas at\u00e9 o est\u00e1dio R4 e R5.<\/p>\n<p id=\"983f\" class=\"pw-post-body-paragraph jp jq is jr b js jt ju jv jw jx jy jz ka kb kc kd ke kf kg kh ki kj kk kl km ia gi\" data-selectable-paragraph=\"\">As plantas em R2, normalmente j\u00e1 acumularam 25% de sua mat\u00e9ria seca final e nutrientes, atingiu aproximadamente 50% de sua altura final e desenvolveu cerca de metade do n\u00famero total de n\u00f3s. Nessa fase, no entanto, os estresses (umidade, temperatura, luz, defici\u00eancia nutricional, etc.) reduzem ainda mais o potencial produtivo, com o abortamento de estruturas reprodutivas (flores). Esse est\u00e1dio marca o in\u00edcio de um per\u00edodo de r\u00e1pido e constante ac\u00famulo di\u00e1rio das taxas de mat\u00e9ria seca e de nutrientes pela planta, que continuar\u00e1 at\u00e9 logo ap\u00f3s o est\u00e1dio R6. Ademais, se 50% das folhas forem perdidas, o rendimento ser\u00e1 reduzido para aproximadamente 6%.<\/p>\n<p id=\"ce2f\" class=\"pw-post-body-paragraph jp jq is jr b js jt ju jv jw jx jy jz ka kb kc kd ke kf kg kh ki kj kk kl km ia gi\" data-selectable-paragraph=\"\">No est\u00e1dio R3, h\u00e1 o in\u00edcio da forma\u00e7\u00e3o da vagem (\u201ccanivetes\u201d ou \u201ccanivetinhos\u201d). \u00c9 importante destacar que, a produ\u00e7\u00e3o excedente de flores e vagens e o longo do per\u00edodo de florescimento (de R1 a R5) \u00e9 desej\u00e1vel. Isso permite um certo grau de escape a pequenos per\u00edodos de estresse. As condi\u00e7\u00f5es de estresse que causam altas taxas de aborto, de R1 a R3 normalmente n\u00e3o reduzem o rendimento. Ademais, o estresse nesses est\u00e1dios pode resultar em um aumento no n\u00famero de sementes por vagem e no peso por semente, que tamb\u00e9m ajuda a compensar o abortamento das flores e das vagens jovens. Algumas pr\u00e1ticas de manejo como: aduba\u00e7\u00e3o, espa\u00e7amento reduzido, estande adequado, irriga\u00e7\u00e3o e controle das plantas daninhas podem auxiliar na redu\u00e7\u00e3o da taxa de abortamento.<\/p>\n<p id=\"8c0f\" class=\"pw-post-body-paragraph jp jq is jr b js jt ju jv jw jx jy jz ka kb kc kd ke kf kg kh ki kj kk kl km ia gi\" data-selectable-paragraph=\"\">O est\u00e1dio R4 marca o in\u00edcio mais cr\u00edtico de desenvolvimento quanto ao rendimento. Estresses de umidade, luz, nutricionais, geadas, acamamento ou desfolha em qualquer per\u00edodo deste est\u00e1dio e logo ap\u00f3s, no R6, reduzir\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o mais que em qualquer outro per\u00edodo do desenvolvimento. Desses fatores, o de mais destaque \u00e9 o estresse h\u00eddrico, sendo assim, havendo a possibilidade de irriga\u00e7\u00e3o suplementar, essa pr\u00e1tica \u00e9 recomendada, com o objetivo de reduzir o abortamento e tamb\u00e9m auxiliar na mobiliza\u00e7\u00e3o de nutrientes acumulados pela planta no est\u00e1dio vegetativo.<\/p>\n<p id=\"21c6\" class=\"pw-post-body-paragraph jp jq is jr b js jt ju jv jw jx jy jz ka kb kc kd ke kf kg kh ki kj kk kl km ia gi\" data-selectable-paragraph=\"\">O est\u00e1dio R5 consiste no enchimento dos gr\u00e3os. Nesse momento, a demanda por \u00e1gua e nutrientes \u00e9 alta, devendo, se poss\u00edvel, manter a pr\u00e1tica de irriga\u00e7\u00e3o suplementar quando necess\u00e1rio. As defici\u00eancias h\u00eddricas podem reduzir a disponibilidade dos nutrientes porque as ra\u00edzes n\u00e3o podem absorv\u00ea-los e nem crescer nas camadas superficiais e mais secas do solo. Dessa forma, parte do f\u00f3sforo e do pot\u00e1ssio deve ser colocada em profundidades maiores, onde o solo estar\u00e1 \u00famido e os nutrientes dispon\u00edveis \u00e0 planta.<\/p>\n<p id=\"e474\" class=\"pw-post-body-paragraph jp jq is jr b js jt ju jv jw jx jy jz ka kb kc kd ke kf kg kh ki kj kk kl km ia gi\" data-selectable-paragraph=\"\">Posteriormente ao enchimento de gr\u00e3os, h\u00e1 o est\u00e1dio R6, que \u00e9 caracterizado pela semente cheia, mas ainda \u201cverde\u201d. Em R7, no in\u00edcio da maturidade, as chances de ocorrerem abortamento s\u00e3o menores, o n\u00famero total de vagens por planta e o n\u00famero de gr\u00e3os por vagem s\u00e3o fixados gradualmente com a maturidade da planta. Apesar das chances de abortamento serem menores, havendo per\u00edodos muito longos de estresse, principalmente h\u00eddrico, poder\u00e1 resultar na forma\u00e7\u00e3o de sementes menores e, consequentemente, redu\u00e7\u00e3o do rendimento. Outro aspecto que se deve atentar \u00e9 quanto \u00e0s altas popula\u00e7\u00f5es de plantas, irriga\u00e7\u00e3o e ocorr\u00eancia de chuvas torrenciais que aumentam a altura da planta e propiciam o acamamento das mesmas. Isto, reduz o rendimento devido a um aumento nas perdas de colheita a ao uso ineficiente da luz pela planta.<\/p>\n<p id=\"864d\" class=\"pw-post-body-paragraph jp jq is jr b js jt ju jv jw jx jy jz ka kb kc kd ke kf kg kh ki kj kk kl km ia gi\" data-selectable-paragraph=\"\">Em R8, quando h\u00e1 maturidade completa, pode-se observar os erros cometidos na lavoura, tais como: baixas densidades de semeadura ocasionando em vazios no campo, acamamento, estande reduzido, etc. A umidade de colheita \u00e9 um ponto fundamental para essa cultura. A umidade ideal para colheita e armazenamento \u00e9 de 13%. No entanto, ela \u00e9 iniciada com maiores porcentagens de umidade, sendo necess\u00e1ria a secagem posterior. O atraso desta opera\u00e7\u00e3o, com umidade abaixo de 13%, causa aumento nas perdas dos gr\u00e3os, no n\u00famero de gr\u00e3os danificados, e diminui o peso dos gr\u00e3os para comercializa\u00e7\u00e3o. Essas perdas podem ser evitadas com ado\u00e7\u00e3o de velocidade de colheita apropriada, manuten\u00e7\u00e3o da abertura do c\u00f4ncavo, regula\u00e7\u00e3o da velocidade do cilindro, das peneiras e do ar da ventila\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p id=\"98ab\" class=\"pw-post-body-paragraph jp jq is jr b js jt ju jv jw jx jy jz ka kb kc kd ke kf kg kh ki kj kk kl km ia gi\" data-selectable-paragraph=\"\">Com isso, nota-se que conhecer o desenvolvimento, bem como os per\u00edodos de maior ou menor suscetibilidade da cultura \u00e9 fundamental para atingir elevadas produtividades e adequar o manejo para momentos certos.<\/p>\n<h2 id=\"b22f\" class=\"kx ky is bn kv kz la lb lc ld le lf lg ka lh li lj ke lk ll lm ki ln lo lp lq gi\" data-selectable-paragraph=\"\">Autora:<\/h2>\n<p id=\"d7c9\" class=\"pw-post-body-paragraph jp jq is jr b js lr ju jv jw ls jy jz ka lt kc kd ke lu kg kh ki lv kk kl km ia gi\" data-selectable-paragraph=\"\">Mariana Miranda Wruck, acad\u00eamica do 9\u00ba semestre de Agronomia e bolsista do grupo PET Agronomia na Universidade Federal de Santa Maria \u2014 UFSM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As cultivares de soja possuem um potencial m\u00e1ximo de rendimento determinado pela sua gen\u00e9tica. 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