{"id":717,"date":"2021-06-29T17:19:19","date_gmt":"2021-06-29T20:19:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/agronomia\/?p=717"},"modified":"2021-06-29T17:19:22","modified_gmt":"2021-06-29T20:19:22","slug":"importancia-do-manejo-da-resistencia-de-insetos-na-cultura-da-soja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/agronomia\/2021\/06\/29\/importancia-do-manejo-da-resistencia-de-insetos-na-cultura-da-soja","title":{"rendered":"Import\u00e2ncia do manejo da resist\u00eancia de insetos na cultura da soja"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/779\/2021\/06\/12-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-718\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/779\/2021\/06\/12-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/779\/2021\/06\/12-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/779\/2021\/06\/12-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/779\/2021\/06\/12-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/779\/2021\/06\/12.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"dddb\" class=\"ix iy hg iz b ja jb jc jd je jf jg jh ji jj jk jl jm jn jo jp jq cw ev\" data-selectable-paragraph=\"\">Com o grande avan\u00e7o de \u00e1reas cultivadas com soja no pa\u00eds nos \u00faltimos anos, aumentou tamb\u00e9m a incid\u00ean<span id=\"rmm\">c<\/span>ia de pragas oportunas dessa cultura nas lavouras brasileiras. Isso se deve, em grande parte, ao uso intensivo de agrot\u00f3xicos com o mesmo modo de a\u00e7\u00e3o (MoA). Com o passar do tempo e uso constante de inseticidas com o mesmo modo de controle, favoreceu a sobreviv\u00eancia de insetos \u201cpr\u00e9-adaptados\u201d que carregam genes resistentes. Esse processo aumentou a frequ\u00eancia destas pragas nas lavouras e diminuiu a efici\u00eancia dos produtos. Em 2013, teve-se a ado\u00e7\u00e3o de cultivares de soja expressando a prote\u00edna Bt Cry1Ac com efeito inseticida, tecnologia que se mostrou eficiente no controle das principais pragas-alvo da soja. Contudo, deve-se atentar sobre a import\u00e2ncia de fazer o manejo integrado de insetos para que se consiga retardar ou minimizar a evolu\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia.<\/p>\n<p id=\"bba9\" class=\"ix iy hg iz b ja jr jb jc jd js je jf jg jt jh ji jj ju jk jl jm jv jn jo jq cw ev\" data-selectable-paragraph=\"\">A prote\u00edna Cry1Ac \u00e9 eficiente no controle de lepid\u00f3pteros como a lagarta-da-soja\u00a0<em class=\"jw\">(Anticarsia gemmatalis)<\/em>, lagartas falsas-medideiras\u00a0<em class=\"jw\">(Chrysodeixis includens)<\/em>\u00a0e\u00a0<em class=\"jw\">(Rachiplusia nu)<\/em>, broca-das-axilas\u00a0<em class=\"jw\">(Crosidosema aporema)<\/em>\u00a0e esp\u00e9cies do g\u00eanero\u00a0<em class=\"jw\">Helicoverpa<\/em>\u00a0<em class=\"jw\">spp<\/em>\u00a0(BERNARDI et al., 2016) e a \u00fanica dispon\u00edvel no mercado para a soja. Contudo, com a introdu\u00e7\u00e3o da cultura da soja subsequente \u00e0 do milho nas mesmas \u00e1reas, as lagartas do complexo\u00a0<em class=\"jw\">Spodoptera,\u00a0<\/em>em especial a\u00a0<em class=\"jw\">S. frugiperda\u00a0<\/em>est\u00e3o cada vez mais presentes nas lavouras e apresentando h\u00e1bito de rosca no est\u00e1dio de pl\u00e2ntulas. Estas lagartas n\u00e3o s\u00e3o controladas pela prote\u00edna e, por isso, devem ser manejadas com uso de inseticidas.<\/p>\n<p id=\"01d8\" class=\"ix iy hg iz b ja jr jb jc jd js je jf jg jt jh ji jj ju jk jl jm jv jn jo jq cw ev\" data-selectable-paragraph=\"\">Para prolongar a vida \u00fatil da prote\u00edna Cry1Ac, presente nas sojas Bt, \u00e9 indicado fazer o uso de ref\u00fagio \u2014 \u00e1rea de plantio destinada a cultivares que n\u00e3o expressam genes da bact\u00e9ria\u00a0<em class=\"jw\">Bacillus thuringiensis<\/em>, recomendada aos agricultores que fazem uso de sementes com tecnologia Bt. A indica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica \u00e9 de que o tamanho da \u00e1rea destinada ao ref\u00fagio deve ser 20% da \u00e1rea total plantada. A cultivar de ref\u00fagio deve ter tempo de desenvolvimento e matura\u00e7\u00e3o similar \u00e0 Bt e estar a menos de 800 metros de dist\u00e2ncia da \u00e1rea com cultivo de soja Bt\u00a0<strong class=\"iz cj\">(Figura 1.)<\/strong>\u00a0(BERNARDI et al., 2016). Segundo o Comit\u00ea de A\u00e7\u00e3o a Resist\u00eancia a Inseticidas (IRAC-BR), as \u00e1reas de ref\u00fagio devem ser manejadas como toda a lavoura, tentando ao m\u00e1ximo minimizar o uso de inseticidas foliares nestas \u00e1reas para n\u00e3o causar a mortalidade de insetos suscet\u00edveis que est\u00e3o presentes ali (objetivo principal do ref\u00fagio). Se houver a extrema necessidade do uso de inseticidas, deve-se optar por aqueles que n\u00e3o sejam da tecnologia a base de Bt e buscar por inseticidas que apresentam MoA distintos. Essas a\u00e7\u00f5es ir\u00e3o ajudar na preserva\u00e7\u00e3o da tecnologia por mais tempo.<\/p>\n<p data-selectable-paragraph=\"\">\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"271\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/779\/2021\/06\/0_BOnPBK-N-yB_1wN.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-719\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/779\/2021\/06\/0_BOnPBK-N-yB_1wN.jpg 700w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/779\/2021\/06\/0_BOnPBK-N-yB_1wN-300x116.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption><strong><em>Figura 1. Fonte:<\/em><\/strong><em>\u00a0Revista Globo Rural<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"53e9\">Uma das estrat\u00e9gias usadas com maior frequ\u00eancia e em maior \u00e1rea para controle das pragas da soja s\u00e3o os inseticidas qu\u00edmicos, mas seu uso cont\u00ednuo selecionou popula\u00e7\u00f5es de pragas resistentes, como a falsa-medideira&nbsp;<em>(C. includens)<\/em>, que hoje \u00e9 considerada uma das principais pragas desfolhadoras de soja e algod\u00e3o no Brasil. Monitoramentos do Comit\u00ea de A\u00e7\u00e3o a Resist\u00eancia a Inseticidas (IRAC-BR), juntamente com empresas privadas e institui\u00e7\u00f5es de ensino, v\u00eam desenvolvendo desde a safra 2013\/14 o monitoramento da suscetibilidade dessa praga oriunda de diversos estados do pa\u00eds. Os estudos constataram que os insetos apresentaram redu\u00e7\u00e3o na suscetibilidade na maioria das popula\u00e7\u00f5es quando expostos ao MoA 15: inibidores da bioss\u00edntese de quitina, tipo 0 e MoA 18: agonistas de receptores de ecdisteroides (IRAC-BR).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"7049\">Desta forma, \u00e9 muito importante fazer o uso de inseticidas respeitando rigorosamente os per\u00edodos espec\u00edficos na cultura em que deve ser feita a aplica\u00e7\u00e3o de inseticidas (as chamadas \u201cjanelas de aplica\u00e7\u00e3o\u201d), os est\u00e1dios fenol\u00f3gicos da planta e o n\u00edvel de dano de ataques de pragas. Se dentro de um mesmo per\u00edodo for necess\u00e1rio fazer mais de uma aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 aconselhado fazer a rota\u00e7\u00e3o de inseticidas com modos de a\u00e7\u00e3o diferentes para n\u00e3o induzir resist\u00eancia na pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o. No entanto, se for aplicado mais de uma vez o mesmo produto, o seu efeito residual n\u00e3o deve passar de 30 dias para diminuir a possibilidade de o efeito atingir mais de uma gera\u00e7\u00e3o da praga.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"0447\">Nas pulveriza\u00e7\u00f5es com inseticidas durante o ciclo da cultura recomenda-se rotacionar os modos de a\u00e7\u00e3o, tentando ao m\u00e1ximo usar apenas uma vez o mesmo modo de controle, uma vez que inseticidas com modos de a\u00e7\u00e3o diferentes (por exemplo, IRAC MoA 1A, 13 e 22A) ligam-se em s\u00edtios diferentes atacando os insetos de formas diferentes, o que diminui as chances do inseto desenvolver resist\u00eancia m\u00faltipla, ou seja, a mais de um mecanismo de a\u00e7\u00e3o\u00a0<strong>(Figura 2.)<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"633\" height=\"573\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/779\/2021\/06\/0_LbqztJa9rhNqV8bS.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-720\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/779\/2021\/06\/0_LbqztJa9rhNqV8bS.png 633w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/779\/2021\/06\/0_LbqztJa9rhNqV8bS-300x272.png 300w\" sizes=\"(max-width: 633px) 100vw, 633px\" \/><figcaption><strong><em>Figura 2. Fonte:<\/em><\/strong><em>\u00a0Manejo da Resist\u00eancia de Insetos a Plantas Bt (BERNARDI et al., 2016)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"297f\">Sendo assim, para garantir uma maior efici\u00eancia no controle de pragas, retardando ou minimizando a evolu\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia desses insetos na lavoura, aumentando a produtividade, a vida \u00fatil dos inseticidas e da prote\u00edna expressa em cultivares Bt, \u00e9 extremamente importante que o produtor adote boas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas. Entre elas ressaltam-se o manejo da resist\u00eancia de insetos, fazendo uso de \u00e1reas de ref\u00fagio, a rota\u00e7\u00e3o de inseticidas com modos de a\u00e7\u00e3o diferentes e o monitoramento da frequ\u00eancia de pragas-alvo na propriedade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"cc07\">Refer\u00eancias<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"b8eb\">IRAC-BR, Comit\u00ea de A\u00e7\u00e3o a Resist\u00eancia a Inseticidas Brasil. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.irac-br.org\/\">https:\/\/www.irac-br.org\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"d37a\">BERNARDI, Oderlei et al. Manejo da Resist\u00eancia de Insetos a Plantas Bt.&nbsp;<strong>Edi\u00e7\u00e3o. PROMIP\u2013Manejo Integrado de Pragas, Engenheiro Coelho, SP, Brasil<\/strong>, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"7ff3\">BOAS PR\u00c1TICAS AGRON\u00d4MICAS.&nbsp;<strong>Soja Bt.&nbsp;<\/strong>Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/boaspraticasagronomicas.com.br\/culturas-bt\/soja-bt\/\">https:\/\/boaspraticasagronomicas.com.br\/culturas-bt\/soja-bt\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"3b2a\">REVISTA GLOBO RURAL.&nbsp;<strong>O que \u00e9 e como fazer ref\u00fagio agr\u00edcola<\/strong>. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/revistagloborural.globo.com\/vida-na-fazenda\/como-fazer\/noticia\/2017\/02\/o-que-e-e-como-fazer-refugio-agricola.html\">https:\/\/revistagloborural.globo.com\/vida-na-fazenda\/como-fazer\/noticia\/2017\/02\/o-que-e-e-como-fazer-refugio-agricola.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"1fb6\"><strong>Autor:<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"7c4f\">Venicius Ernesto Pretto \u2014 Acad\u00eamico do 3\u00ba semestre curso de Agronomia e Bolsista do PET Agronomia na Universidade Federal de Santa Maria \u2014 UFSM<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o grande avan\u00e7o de \u00e1reas cultivadas com soja no pa\u00eds nos \u00faltimos anos, aumentou tamb\u00e9m a incid\u00eancia de pragas oportunas dessa cultura nas lavouras brasileiras. 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