{"id":133,"date":"2025-04-17T11:33:45","date_gmt":"2025-04-17T14:33:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/?p=133"},"modified":"2025-04-29T11:37:32","modified_gmt":"2025-04-29T14:37:32","slug":"quando-o-clima-vira-pauta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/2025\/04\/17\/quando-o-clima-vira-pauta","title":{"rendered":"Os desafios da pauta clim\u00e1tica"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Aquecimento global. Nos \u00faltimos anos, esses termos ganharam visibilidade e se tornam cada vez mais comuns em nossas vidas. O aumento das temperaturas globais, o derretimento das geleiras, as enchentes e as secas prolongadas s\u00e3o apenas algumas das consequ\u00eancias de uma crise clim\u00e1tica que afeta todos os cantos do planeta. Nesse cen\u00e1rio, a m\u00eddia surge como uma das principais respons\u00e1veis por alertar, informar e mobilizar a popula\u00e7\u00e3o para a urg\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c0 medida que os impactos do aquecimento global se tornam mais frequentes, a cobertura jornal\u00edstica evolui. Se antes se limitava a reportagens pontuais sobre desastres naturais, hoje ela explora m\u00faltiplas faces de conceitos cient\u00edficos \u00e0 den\u00fancias de a\u00e7\u00f5es que amea\u00e7am o planeta. O desafio \u00e9 comunicar um problema global complexo sem afastar o p\u00fablico, que muitas vezes se sente sobrecarregado ou impotente diante da gravidade da situa\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para driblar esse obst\u00e1culo, jornalistas t\u00eam buscado maneiras mais acess\u00edveis e engajadoras de tratar o tema. Como destaca a professora Cl\u00e1udia Moraes, da UFSM, \u201cdecorrente de educa\u00e7\u00e3o ambiental, da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e da atua\u00e7\u00e3o de meios de comunica\u00e7\u00e3o, o tema se torna mais palp\u00e1vel para a popula\u00e7\u00e3o\u201d. Assim, o jornalismo ambiental n\u00e3o apenas informa, mas tamb\u00e9m aproxima, conecta e cria identifica\u00e7\u00e3o com o cotidiano das pessoas, facilitando a compreens\u00e3o e incentivando a reflex\u00e3o.<\/span><\/p>\n<h3><b>Hist\u00f3rias e imagens que falam por si<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Uma das principais estrat\u00e9gias adotadas pelos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 a humaniza\u00e7\u00e3o da pauta clim\u00e1tica. Em vez de se concentrar em apenas dados cient\u00edficos, muitas reportagens t\u00eam dado voz a pessoas diretamente afetadas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, como pequenos agricultores que perderam suas colheitas por causa de secas prolongadas, fam\u00edlias desalojadas por enchentes e comunidades ind\u00edgenas que lutam contra o desmatamento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Outra t\u00e1tica cada vez mais usada \u00e9 o uso de imagens impactantes para mostrar a urg\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o. Fotos de florestas em chamas, geleiras derretendo e animais em extin\u00e7\u00e3o ajudam a chamar a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, especialmente em redes sociais. Um exemplo marcante dessa estrat\u00e9gia foi a foto de um cavalo caramelo durante as enchentes que afetaram o Rio Grande do Sul em 2024. A imagem, que rapidamente se espalhou pelas redes sociais, foi pauta em diversos jornais, captando a imensid\u00e3o do desastre. N\u00e3o apenas evidenciou o desespero da situa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m destacou de forma v\u00edvida o impacto das chuvas intensas agravadas pelo aquecimento global.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O jornalismo exerce um papel fundamental ao registrar experi\u00eancias coletivas e projetar caminhos futuros, especialmente em contextos de crise. Mais do que n\u00fameros, \u00e9 essencial dar visibilidade \u00e0s hist\u00f3rias vividas. Em 2023, o Brasil foi o sexto pa\u00eds com maior n\u00famero de deslocamentos por desastres, segundo a ONU, com 745 mil casos \u2014 sendo meio milh\u00e3o apenas no Rio Grande do Sul ap\u00f3s as inunda\u00e7\u00f5es. \u2014\u00a0 o que gera um preju\u00edzo n\u00e3o apenas socioecon\u00f4mico, mas tamb\u00e9m geogr\u00e1fico e sociocultural.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"759\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/mg_4114_0.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-134\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/mg_4114_0.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/mg_4114_0-300x222.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/mg_4114_0-768x569.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tiago Dalmolin e seus filhos na varanda da sua casa, ap\u00f3s enchente que atingiu toda a regi\u00e3o. | Foto: Bruno Peres\/Ag\u00eancia Brasil | Mu\u00e7um (RS), 22\/06\/2024<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3><b>Do t\u00e9cnico ao compreens\u00edvel<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Traduzir a linguagem cient\u00edfica para um formato acess\u00edvel \u00e9 outro cuidado adotado pela m\u00eddia que cobre o tema ambiental. O uso frequente de dados cient\u00edficos tornou-se essencial para manter o p\u00fablico bem informado, sem cair no excesso de termos t\u00e9cnicos que podem dificultar a compreens\u00e3o. Embora esses dados sejam importantes para embasar as reportagens, a maneira como s\u00e3o apresentadas exige um cuidado especial, pois \u00e9 necess\u00e1rio tornar a informa\u00e7\u00e3o compreens\u00edvel sem perder a precis\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nesse sentido, as reportagens online contam com recursos visuais como infogr\u00e1ficos, anima\u00e7\u00f5es explicativas e entrevistas com especialistas que ajudam a esclarecer termos que s\u00e3o importantes para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, e muitas vezes desconhecidos pelo p\u00fablico geral. Al\u00e9m disso, as entrevistas com especialistas acabam sendo ainda mais importantes, pois permitem que cientistas e estudiosos traduzam de maneira simples e acess\u00edvel os termos t\u00e9cnicos, oferecendo uma experi\u00eancia contextualizada e f\u00e1cil de entender.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As fontes seguras s\u00e3o fundamentais para garantir a qualidade do jornalismo, especialmente\u00a0 quando se trata de temas complexos como os ambientais. Consult\u00e1-las sempre que poss\u00edvel \u00e9 uma pr\u00e1tica essencial para assegurar que a informa\u00e7\u00e3o transmitida seja precisa e acess\u00edvel, o que fortalece a confian\u00e7a do p\u00fablico nas not\u00edcias. Como dizem os pesquisadores Luciano Victor e Andreia Couto, da Escola de Comunica\u00e7\u00e3o e Artes (ECA) da USP, \u201cmesmo em um per\u00edodo de cr\u00edticas \u00e0 ci\u00eancia, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e ao jornalismo, \u00e9 importante resgatar a responsabilidade e a seguran\u00e7a apresentada por fontes com credibilidade\u201d.<\/span><\/p>\n<h3><b>O desafio de manter a aten\u00e7\u00e3o<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apesar dos esfor\u00e7os, a cobertura clim\u00e1tica ainda enfrenta obst\u00e1culos. O excesso de informa\u00e7\u00f5es, a concorr\u00eancia com outras pautas urgentes e a prolifera\u00e7\u00e3o de desinforma\u00e7\u00e3o nas redes sociais dificultam o trabalho de jornalistas e comunicadores. Segundo a pesquisadora de Jornalismo Ambiental da UFRGS, Ilza Girardi, \u201cos jornalistas t\u00eam que dedicar muito tempo para saber a verdade e divulgar a informa\u00e7\u00e3o correta\u201d. A luta contra o negacionismo clim\u00e1tico exige aten\u00e7\u00e3o redobrada e uma constante checagem de fatos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Cabe \u00e0 m\u00eddia n\u00e3o apenas noticiar os efeitos da crise ambiental, mas tamb\u00e9m contribuir para a constru\u00e7\u00e3o de uma consci\u00eancia coletiva sobre a gravidade e a urg\u00eancia do tema. Ao adotar estrat\u00e9gias que aproximam o p\u00fablico da realidade clim\u00e1tica &#8211; seja por meio de hist\u00f3rias humanas, imagens comoventes ou linguagem acess\u00edvel &#8211; os meios de comunica\u00e7\u00e3o ajudam a transformar informa\u00e7\u00f5es em engajamento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em um cen\u00e1rio cada vez mais afetado por eventos extremos, a continuidade e a qualidade da cobertura jornal\u00edstica sobre o clima ser\u00e3o decisivos para o futuro das pol\u00edticas ambientais e das atitudes sociais. Mais do que nunca, informar \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de agir.<\/span><\/p>\n<p>Luana Novaes | Bolsista do PET Educom Clima\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><b>Saiba mais:<\/b><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/impressoes.pucgoias.edu.br\/o-jornalismo-ambiental-deve-cobrar-do-governo-a-inclusao-da-educacao-ambiental-em-todos-os-niveis-de-ensino\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Ilza Girardi: \u201cO jornalismo ambiental deve cobrar do governo a inclus\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o ambiental em todos os n\u00edveis de ensino\u201d\u00a0<\/span><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/theconversation.com\/nao-so-relatos-dados-e-alertas-papel-do-jornalismo-ambiental-na-crise-climatica-e-bem-maior-232437\"><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o s\u00f3 relatos, dados e alertas: papel do jornalismo ambiental na crise clim\u00e1tica \u00e9 bem maior<\/span><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/faroljornalismo.substack.com\/p\/em-2025-coberturas-de-desastres-climaticos\"><span style=\"font-weight: 400\">Newsletter Farol Jornalismo: Cobertura de desastres clim\u00e1ticos 2025<\/span><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/artigos\/os-jornalistas-e-os-desastres-naturais-e-ambientais\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Os jornalistas e os desastres naturais e ambientais<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Aquecimento global. Nos \u00faltimos anos, esses termos ganharam visibilidade e se tornam cada vez mais comuns em nossas vidas. O aumento das temperaturas globais, o derretimento das geleiras, as enchentes e as secas prolongadas s\u00e3o apenas algumas das consequ\u00eancias de uma crise clim\u00e1tica que afeta todos os cantos do planeta. 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