{"id":149,"date":"2025-04-19T09:29:38","date_gmt":"2025-04-19T12:29:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/?p=149"},"modified":"2025-04-19T09:29:39","modified_gmt":"2025-04-19T12:29:39","slug":"eles-sempre-estiveram-aqui","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/2025\/04\/19\/eles-sempre-estiveram-aqui","title":{"rendered":"Eles sempre estiveram aqui"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O 19 de abril amanhece como qualquer outro dia para os que vivem onde a mata respira mais alto que o concreto. N\u00e3o h\u00e1 pausa, n\u00e3o h\u00e1 festa. H\u00e1 vida que insiste. H\u00e1 corpos que permanecem mesmo quando tudo ao redor tenta apag\u00e1-los. No calend\u00e1rio oficial, \u00e9 o Dia dos Povos Ind\u00edgenas. No ch\u00e3o da floresta, \u00e9 apenas mais um dia de luta para continuar existindo. Enquanto nas cidades a data se repete como um gesto autom\u00e1tico, \u00e0s vezes lembrada com cartazes nas escolas ou com cocares de cartolina. Nas aldeias, ela atravessa como uma pergunta n\u00e3o respondida: o que vale um dia quando o restante do ano \u00e9 invas\u00e3o, \u00e9 viol\u00eancia, \u00e9 esquecimento? A floresta n\u00e3o celebra. Ela observa e sussurra verdades que poucos querem ouvir.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em um pa\u00eds fundado sobre o apagamento, o que significa dedicar um dia aos povos origin\u00e1rios? O que se celebra quando ainda se nega? Quantas escolas urbanas param para dizer \u00e0s crian\u00e7as que os primeiros brasileiros ainda est\u00e3o aqui, vivos e amea\u00e7ados? S\u00e3o muitas perguntas e poucas pessoas procurando por respostas.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cN\u00f3s, habitantes da floresta, n\u00e3o maltratamos a Terra. N\u00e3o desmatamos a floresta sem medida. Toda essa destrui\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nossa marca, \u00e9 a pegada dos brancos, o rastro de voc\u00eas na terra. \u00c9 isso que queremos falar.\u201d diz Davi Kopenawa Yanomami, xam\u00e3 e l\u00edder pol\u00edtico yanomami. Ele n\u00e3o acusa, revela a ferida aberta que tantos insistem em negar, com a calma dos que j\u00e1 viram o tempo passar em ciclos e n\u00e3o em rel\u00f3gios. Hoje, a luta continua mais complexa, talvez, mas t\u00e3o brutal quanto sempre foi. Grileiros, garimpeiros, pol\u00edticos com discursos envernizados de progresso. Homens engravatados que falam em \u201cdesenvolvimento\u201d com a mesma boca que recusa a demarca\u00e7\u00e3o. Enquanto isso, ind\u00edgenas seguem sendo assassinados, suas terras invadidas e seus corpos silenciados.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"678\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/925432-flip_paraty_rj_0395-1024x678.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-151\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/925432-flip_paraty_rj_0395-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/925432-flip_paraty_rj_0395-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/925432-flip_paraty_rj_0395-768x509.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/925432-flip_paraty_rj_0395-1536x1018.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/925432-flip_paraty_rj_0395-2048x1357.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O xam\u00e3 ind\u00edgena Davi Kopenawa, paj\u00e9 e presidente da Hutukara Associa\u00e7\u00e3o Yanomami, participa de mesa que a Flip dedicada aos \u00edndios e \u00e0 Amaz\u00f4nia (Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Enquanto o planeta pede por solu\u00e7\u00f5es diante do colapso clim\u00e1tico, s\u00e3o justamente os povos ind\u00edgenas, h\u00e1 s\u00e9culos silenciados, que sustentam um conhecimento profundo sobre equil\u00edbrio ecol\u00f3gico, ciclos naturais e conviv\u00eancia com a natureza. N\u00e3o se trata apenas de proteger culturas amea\u00e7adas, mas de reconhecer que essas culturas carregam chaves para outras formas de habitar o planeta. Numa encruzilhada civilizat\u00f3ria, onde o conhecimento acad\u00eamico parece n\u00e3o bastar para conter a devasta\u00e7\u00e3o, o di\u00e1logo com os saberes ind\u00edgenas surge como um caminho urgente e talvez o mais promissor para construir alternativas sustent\u00e1veis e regenerativas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A emerg\u00eancia clim\u00e1tica n\u00e3o come\u00e7ou agora. Para os povos ind\u00edgenas, o fim do mundo j\u00e1 vem acontecendo h\u00e1 mais de cinco s\u00e9culos a cada \u00e1rvore tombada, a cada rio envenenado, a cada palavra interditada. Mas eles seguem. N\u00e3o como sobreviventes parados, mas como guardi\u00f5es de um outro futuro poss\u00edvel. A educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, nesse contexto, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um direito ou uma pol\u00edtica p\u00fablica \u00e9 um ato de exist\u00eancia e resist\u00eancia. E talvez seja tamb\u00e9m a chave que nos falta para reaprender a viver no planeta sem destru\u00ed-lo.<\/span><\/p>\n<h3>&nbsp;<\/h3>\n<h3><b>Povos Ind\u00edgenas no Brasil<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O Censo Demogr\u00e1fico 2022, realizado pelo IBGE com apoio da Funda\u00e7\u00e3o Nacional dos Povos Ind\u00edgenas (Funai), registrou 1.693.535 ind\u00edgenas no Brasil, representando 0,83% da popula\u00e7\u00e3o total. Esse n\u00famero cresceu 88,82% em rela\u00e7\u00e3o a 2010, quando eram 896.917 ind\u00edgenas. O aumento se deve tanto a mudan\u00e7as metodol\u00f3gicas quanto \u00e0 maior reivindica\u00e7\u00e3o da identidade ind\u00edgena.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mais da metade (51,25%) dos ind\u00edgenas vivem na Amaz\u00f4nia Legal. A regi\u00e3o Norte concentra 44,48% dessa popula\u00e7\u00e3o (753.357 pessoas) e o Nordeste, 31,22% (528,8 mil). Os estados com maior n\u00famero de ind\u00edgenas s\u00e3o Amazonas (490,9 mil) e Bahia (229,1 mil), que juntos somam 42,51% do total. Roraima, apesar de ter o quinto maior n\u00famero absoluto, \u00e9 o estado com maior propor\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas (15,29% da popula\u00e7\u00e3o local).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Dos 5.570 munic\u00edpios brasileiros, 4.832 t\u00eam pelo menos um residente ind\u00edgena (86,7%). Os tr\u00eas com maiores n\u00fameros absolutos s\u00e3o Manaus (71,7 mil), S\u00e3o Gabriel da Cachoeira (48,3 mil) e Tabatinga (34,5 mil), todos no Amazonas. Munic\u00edpios como Uiramut\u00e3 (RR) e Santa Isabel do Rio Negro (AM) t\u00eam os maiores percentuais relativos de ind\u00edgenas (acima de 96%).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 2022, o Brasil tinha 630.041 domic\u00edlios com ao menos um ind\u00edgena (0,87% do total de domic\u00edlios). Destes, 21,79% estavam em Terras Ind\u00edgenas e 78,21% fora delas. A m\u00e9dia de moradores nesses domic\u00edlios era superior \u00e0 m\u00e9dia nacional: 4,6 pessoas em Terras Ind\u00edgenas e 3,37 fora delas, contra 2,79 no total do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n\n\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"633\" height=\"870\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/Captura-de-tela-2025-04-17-161509.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-152\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/Captura-de-tela-2025-04-17-161509.png 633w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/Captura-de-tela-2025-04-17-161509-218x300.png 218w\" sizes=\"(max-width: 633px) 100vw, 633px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Desde 1991, o IBGE inclui a categoria \u201cind\u00edgena\u201d em seus question\u00e1rios, mas avan\u00e7os significativos s\u00f3 ocorreram a partir do Censo de 2010, com melhorias metodol\u00f3gicas e maior visibilidade estat\u00edstica para essa popula\u00e7\u00e3o. Esses dados s\u00e3o fundamentais para orientar pol\u00edticas p\u00fablicas e garantir direitos constitucionais aos povos ind\u00edgenas.<\/span><\/p>\n<h3>&nbsp;<\/h3>\n<h3><b>Vinte anos de APIB<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 2025, a Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (APIB) celebra 20 anos de luta e mobiliza\u00e7\u00e3o pelos direitos origin\u00e1rios garantidos na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, como territ\u00f3rio, autodetermina\u00e7\u00e3o, cultura e pol\u00edticas p\u00fablicas espec\u00edficas. Criada durante o Acampamento Terra Livre (ATL), a APIB se consolidou como refer\u00eancia nacional do movimento ind\u00edgena, que hoje ocupa espa\u00e7os no Governo Federal. No entanto, representa\u00e7\u00e3o sem estrutura n\u00e3o \u00e9 suficiente: \u00e9 urgente garantir or\u00e7amento, autonomia e respeito \u00e0 diversidade dos povos ind\u00edgenas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O cen\u00e1rio pol\u00edtico atual, marcado pelo avan\u00e7o da extrema-direita, representa s\u00e9rias amea\u00e7as aos direitos ind\u00edgenas. No STF, a cria\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara de Concilia\u00e7\u00e3o, sem consulta \u00e0 APIB, e o novo anteprojeto de lei proposto pelo ministro Gilmar Mendes fragilizam garantias constitucionais, como o direito \u00e0 consulta pr\u00e9via e \u00e0 demarca\u00e7\u00e3o. No Congresso, propostas como as PECs do Marco Temporal (48) e da indeniza\u00e7\u00e3o da terra nua (132), al\u00e9m da CPI contra a demarca\u00e7\u00e3o, tentam anular conquistas hist\u00f3ricas. Durante o 21\u00ba ATL, em 2025, mais de 8 mil ind\u00edgenas marcharam pacificamente em Bras\u00edlia, sendo recebidos com viol\u00eancia policial, inclusive contra a deputada C\u00e9lia Xakriab\u00e1, v\u00edtima de racismo e viol\u00eancia pol\u00edtica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Diante da emerg\u00eancia clim\u00e1tica, os povos ind\u00edgenas reafirmam seu papel como guardi\u00f5es da Terra e da Constitui\u00e7\u00e3o. Seus saberes tradicionais, expressos na agroecologia, na gest\u00e3o coletiva dos territ\u00f3rios e na espiritualidade, oferecem caminhos concretos para regenera\u00e7\u00e3o do planeta. No ATL 2025, foi lan\u00e7ada a Comiss\u00e3o Internacional Ind\u00edgena para a COP30, articulada com o Caucus Ind\u00edgena, como espa\u00e7o de protagonismo ind\u00edgena nos f\u00f3runs globais.<\/span><\/p>\n<h3>&nbsp;<\/h3>\n<h3><b>Ailton Krenak e o chamado para adiar o fim do mundo<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Entre as vozes ind\u00edgenas que se projetaram para al\u00e9m de suas aldeias, levando seus saberes para universidades, parlamentos e pra\u00e7as p\u00fablicas, est\u00e1 Ailton Krenak. L\u00edder ind\u00edgena, ambientalista, escritor brasileiro do povo krenak e Imortal da Academia Brasileira de Letras. Pode-se dizer que Krenak tem sido uma das figuras mais relevantes do Brasil contempor\u00e2neo no debate sobre a crise civilizat\u00f3ria e ecol\u00f3gica. Em suas falas e livros como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u201cIdeias para adiar o fim do mundo\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">,<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> \u201cA vida n\u00e3o \u00e9 \u00fatil\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> , <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u201cO amanh\u00e3 n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 venda\u201d <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u201cFuturo ancestral\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Krenak prop\u00f5e uma ruptura radical com o modelo ocidental de desenvolvimento, que ele aponta como insustent\u00e1vel e destrutivo.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/Inserir-um-titulo-1-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-153\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/Inserir-um-titulo-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/Inserir-um-titulo-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/Inserir-um-titulo-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/Inserir-um-titulo-1-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/Inserir-um-titulo-1.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para Krenak, a emerg\u00eancia clim\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o t\u00e9cnica ou cient\u00edfica, mas um sintoma de uma doen\u00e7a mais profunda: o rompimento entre o ser humano e a Terra. \u201cN\u00f3s descolamos da natureza, nos separamos do rio, da montanha, da floresta, e passamos a nos ver como algo \u00e0 parte do mundo\u201d, afirma. Seu pensamento nos convida a reconhecer que o planeta n\u00e3o \u00e9 um recurso a ser explorado, mas um organismo vivo do qual fazemos parte e do qual dependemos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m disso, Krenak denuncia a ideia de humanidade como um conceito excludente, que historicamente deixou de fora os povos ind\u00edgenas, os negros, os pobres e os ribeirinhos. Para ele, o que chamamos de humanidade \u00e9, muitas vezes, apenas uma parcela dela: a que colonizou, explorou e devastou. Adiar o fim do mundo, nesse sentido, \u00e9 tamb\u00e9m construir outros mundos poss\u00edveis, onde caibam todas as formas de vida, todos os modos de exist\u00eancia.<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/img_8343_0-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-154\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/img_8343_0-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/img_8343_0-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/img_8343_0-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/img_8343_0-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/img_8343_0-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/04\/img_8343_0-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">S\u00e3o Paulo (SP), 24\/10\/2023 &#8211; Exposi\u00e7\u00e3o Hiromi Nagakura at\u00e9 a Amaz\u00f4nia com Ailton Krenak, com curadoria de Ailton Krenak, no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Krenak nos ensina que resistir n\u00e3o \u00e9 apenas sobreviver, mas continuar sonhando e plantando esses sonhos na terra, como quem acredita que ainda h\u00e1 futuro.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>Educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena como sa\u00edda a crise ambiental<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena surge como uma alternativa necess\u00e1ria para enfrentar as m\u00faltiplas crises ambientais que o planeta atravessa. Mais do que um conjunto de pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas, ela representa uma cosmovis\u00e3o, um modo de entender o mundo baseado no equil\u00edbrio entre o ser humano e a natureza. Esse modelo educativo traz consigo um profundo respeito pelos ciclos naturais, pela biodiversidade e pelos saberes ancestrais que orientam o uso sustent\u00e1vel dos recursos.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao contr\u00e1rio do paradigma ocidental dominante, que historicamente promoveu a explora\u00e7\u00e3o intensiva da natureza com fins econ\u00f4micos, os povos ind\u00edgenas t\u00eam cultivado, por mil\u00eanios, formas de conviv\u00eancia harm\u00f4nica com o meio ambiente. A educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena n\u00e3o dissocia o ser humano do seu territ\u00f3rio: ela integra o saber local, a oralidade, as experi\u00eancias pr\u00e1ticas e espirituais, formando cidad\u00e3os com senso de coletividade, responsabilidade ambiental e pertencimento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Inserir esses saberes nos curr\u00edculos escolares, respeitando a autonomia e as l\u00ednguas origin\u00e1rias, amplia a compreens\u00e3o sobre o que \u00e9 sustentabilidade verdadeira. Essa abordagem pode oferecer caminhos concretos para o combate ao desmatamento, \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o de biomas e \u00e0 crise clim\u00e1tica, atrav\u00e9s da valoriza\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas agr\u00edcolas regenerativas, da prote\u00e7\u00e3o de mananciais, e da preserva\u00e7\u00e3o de sementes nativas, por exemplo.&nbsp; Num momento em que os efeitos da crise clim\u00e1tica se intensificam, pensar a educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena \u00e9 tamb\u00e9m repensar o modelo de mundo que escolhemos seguir.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Neste dia 19 de abril \u00e9 importante refletir sobre o tipo de celebra\u00e7\u00e3o que fazemos, ao tratar esta data como algo folcl\u00f3rico, com encena\u00e7\u00f5es,&nbsp; que servem mais para lavar a culpa colonial do que para reconhecer a pot\u00eancia da diversidade ind\u00edgena. Inclusive, voc\u00ea sabia que existem mais de 300 povos e mais de 270 l\u00ednguas ind\u00edgenas no pa\u00eds? O Dia dos Povos Ind\u00edgenas, ent\u00e3o, n\u00e3o deveria ser um dia de homenagens vazias. Mas sim, de escuta ativa. De rever\u00eancia. De rever o que somos. Porque, no fundo, n\u00e3o \u00e9 sobre eles. \u00c9 sobre todos n\u00f3s, porque eles sempre estiveram aqui.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>Por Franchesco de Oliveira Y Oliveira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Dica de Podcast<br><\/strong><\/h3>\n<p class=\"cvGsUA direction-ltr align-start para-style-body\"><span class=\"OYPEnA font-feature-liga-off font-feature-clig-off font-feature-calt-off text-decoration-none text-strikethrough-none\">Ou\u00e7a o podcast da Ag\u00eancia P\u00fablica, <\/span><span class=\"OYPEnA font-feature-liga-off font-feature-clig-off font-feature-calt-off text-decoration-none text-strikethrough-none\">\u201cEspecial Mundo em colapso com <\/span><span class=\"OYPEnA font-feature-liga-off font-feature-clig-off font-feature-calt-off text-decoration-none text-strikethrough-none\">Ailton Krenak, Carlos Nobre e <\/span><span class=\"OYPEnA font-feature-liga-off font-feature-clig-off font-feature-calt-off text-decoration-none text-strikethrough-none\">Daniela Chiaretti\u201d<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: Especial Mundo em colapso - com Ailton Krenak, Carlos Nobre e Daniela Chiaretti\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/56GCHcDiLoN2mu8nXFqG7W?si=pvozupYxShSN-F4LGOTpdA&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h3><b>Fontes:<\/b><\/h3>\n<p><b>ARTICULA\u00c7\u00c3O DOS POVOS IND\u00cdGENAS DO BRASIL (APIB). <\/b><i><span style=\"font-weight: 400\">A resposta somos n\u00f3s: vinte anos de APIB e a emerg\u00eancia clim\u00e1tica.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> 11 abr. 2025. Dispon\u00edvel em:<\/span><a href=\"https:\/\/apiboficial.org\/2025\/04\/11\/a-resposta-somos-nos-vinte-anos-de-apib-e-a-emergencia-climatica\/\"> <span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/apiboficial.org\/2025\/04\/11\/a-resposta-somos-nos-vinte-anos-de-apib-e-a-emergencia-climatica\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em: 17 abr. 2025.<\/span><\/p>\n<p><b>FUNDA\u00c7\u00c3O NACIONAL DOS POVOS IND\u00cdGENAS (FUNAI). <\/b><i><span style=\"font-weight: 400\">Terras Ind\u00edgenas: dados geoespaciais e mapas.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Dispon\u00edvel em:<\/span><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/funai\/pt-br\/atuacao\/terras-indigenas\/geoprocessamento-e-mapas\"> <span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.gov.br\/funai\/pt-br\/atuacao\/terras-indigenas\/geoprocessamento-e-mapas<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em: 17 abr. 2025.<\/span><\/p>\n<p><b>FUNDA\u00c7\u00c3O NACIONAL DOS POVOS IND\u00cdGENAS (FUNAI). <\/b><i><span style=\"font-weight: 400\">P\u00e1gina institucional.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Dispon\u00edvel em:<\/span><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/funai\/pt-br\"> <span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.gov.br\/funai\/pt-br<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em: 17 abr. 2025.<\/span><\/p>\n<p><b>KEREXU, Juliana; JULI\u00c3O, Cristiane.<\/b> <i><span style=\"font-weight: 400\">Emerg\u00eancia clim\u00e1tica: povos ind\u00edgenas chamam para a cura da Terra!<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Material da Semana dos Povos Ind\u00edgenas]. Portugu\u00eas. 32 p., 2024.<\/span><\/p>\n<p><b>NEXO JORNAL. <\/b><i><span style=\"font-weight: 400\">Como a mudan\u00e7a do clima afeta os povos ind\u00edgenas no Brasil.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> 26 abr. 2023. Dispon\u00edvel em:<\/span><a href=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/expresso\/2023\/04\/26\/como-a-mudanca-do-clima-afeta-os-povos-indigenas-no-brasil\"> <span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.nexojornal.com.br\/expresso\/2023\/04\/26\/como-a-mudanca-do-clima-afeta-os-povos-indigenas-no-brasil<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em: 17 abr. 2025.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O 19 de abril amanhece como qualquer outro dia para os que vivem onde a mata respira mais alto que o concreto. N\u00e3o h\u00e1 pausa, n\u00e3o h\u00e1 festa. H\u00e1 vida que insiste. H\u00e1 corpos que permanecem mesmo quando tudo ao redor tenta apag\u00e1-los. No calend\u00e1rio oficial, \u00e9 o Dia dos Povos Ind\u00edgenas. No ch\u00e3o da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8453,"featured_media":151,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[19],"tags":[],"class_list":["post-149","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagem-especial"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8453"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=149"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/wp-json\/wp\/v2\/media\/151"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=149"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=149"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=149"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}