{"id":173,"date":"2025-05-27T16:11:14","date_gmt":"2025-05-27T19:11:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/?p=173"},"modified":"2025-05-27T16:13:27","modified_gmt":"2025-05-27T19:13:27","slug":"a-invisibilidade-da-agricultura-familiar-nas-coberturas-das-cheias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/2025\/05\/27\/a-invisibilidade-da-agricultura-familiar-nas-coberturas-das-cheias","title":{"rendered":"A invisibilidade da agricultura familiar nas coberturas das cheias"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Jessica Thais Hemsing * e <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Cl\u00e1udia Herte de Moraes**<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Um dos papeis sociais do jornalismo \u00e9 de oportunizar voz e vez. Em tempos de desastres, \u00e9 necess\u00e1rio compromisso social para ouvir aqueles que s\u00e3o invisibilizados: pessoas da periferia, trabalhadores rurais, comunidades tradicionais, ind\u00edgenas e quilombolas, entre outros. Por isso \u00e9 importante expor a realidade de quem vive \u00e0 margem da aten\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica, mas sofre mais constantemente com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, como \u00e9 o caso dos agricultores familiares que lidam na terra e muitas vezes ficam sem a produ\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio alimento em fun\u00e7\u00e3o de desastres socioambientais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As jornadas de agricultores familiares s\u00e3o intensas. Geralmente, trabalham entre 12 e 16 horas por dia. No campo, n\u00e3o tem final de semana. N\u00e3o tem feriado. Enquanto muitos na cidade celebram datas como o Natal e o Ano Novo, eles seguem trabalhando para garantir comida na mesa de milh\u00f5es. Dar voz a essas pessoas por meio dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 reconhecer sua import\u00e2ncia e romper com a l\u00f3gica de um jornalismo hegem\u00f4nico que, muitas vezes, prioriza apenas o agroneg\u00f3cio ou simplesmente n\u00e3o considera os impactos dos desastres para a agricultura familiar. Um exemplo publicado neste Observat\u00f3rio foi o caso das queimadas no Amazonas em 2022, em que <\/span><a href=\"https:\/\/jornalismoemeioambiente.com\/2022\/10\/03\/as-queimadas-na-agricultura-familiar-no-estado-do-amazonas\/\"><span style=\"font-weight: 400\">n\u00e3o houve men\u00e7\u00e3o \u00e0s perdas dos agricultores.<\/span><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Da mesma forma, durante as enchentes hist\u00f3ricas que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, o portal <\/span><a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/\"><span style=\"font-weight: 400\">UOL<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> pouco abordou a situa\u00e7\u00e3o da agricultura familiar. Mesmo ap\u00f3s o auge da crise, em agosto de 2024, uma das poucas mat\u00e9rias que tangenciam o assunto mencionava, na generalidade, a import\u00e2ncia de<\/span> <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/ecoa\/ultimas-noticias\/2024\/08\/31\/o-que-japao-e-nova-zelandia-tem-a-ensinar-ao-rs-para-mitigar-desastres.htm\"><span style=\"font-weight: 400\">pol\u00edticas p\u00fablicas que promovam a diversifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> (31\/08\/2024). A abordagem, ainda assim, foi de maneira superficial, com a mesma narrativa de aumento de produtividade e intrigando uma disputa com o agroneg\u00f3cio, ao inv\u00e9s de real\u00e7ar a realidade dos pequenos agricultores e as formas diferenciadas de uso da terra no contexto da crise clim\u00e1tica. A falta de reportagens em 2024 n\u00e3o se justifica, pois haviam dados dispon\u00edveis em \u00f3rg\u00e3os como a Emater\/RS-AScar, que divulgou ainda em junho de 2024 que <\/span><a href=\"https:\/\/www.agricultura.rs.gov.br\/mais-de-206-mil-propriedades-rurais-foram-afetadas-pelas-enchentes-no-rs\"><span style=\"font-weight: 400\">mais de 206 mil propriedades rurais foram afetadas pelas enchentes no RS<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em contraste, <\/span><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Brasil de Fato<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o popular, publicou v\u00e1rias mat\u00e9rias sobre o tema no mesmo per\u00edodo, denunciando as desigualdades no campo, oferecendo uma perspectiva popular e de luta de classes, e dando visibilidade \u00e0 realidade e necessidade dos agricultores familiares no enfrentamento da calamidade. Entre os destaques est\u00e3o reportagens como <\/span><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/05\/17\/chuvas-no-rs-destroem-lavouras-de-arroz-e-hortalicas-do-mst-e-provocam-prejuizo-de-r-64-milhoes\/\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Chuvas no RS destroem lavouras de arroz e hortali\u00e7as do MST e provocam preju\u00edzo de R$ 64 milh\u00f5es<\/span><\/i><\/a> <span style=\"font-weight: 400\">(17\/05\/2024), que revela as deteriora\u00e7\u00f5es causadas pelas chuvas em in\u00fameros assentamentos da reforma agr\u00e1ria, e <\/span><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/05\/09\/enchente-no-sul-arrasa-lavouras-de-arroz-organico-do-mst-prejuizos-podem-chegar-a-10-mil-toneladas\/\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Enchente no Sul arrasa lavouras de arroz org\u00e2nico do MST; preju\u00edzos podem chegar a 10 mil toneladas<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> (09\/05\/2024), que exp\u00f5e o impacto direto no que diz respeito \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Embora seja respons\u00e1vel por grande parte dos alimentos que chegam \u00e0 nossa mesa, a agricultura familiar quase sempre \u00e9 esquecida nas coberturas jornal\u00edsticas sobre trag\u00e9dias clim\u00e1ticas. Ou, ao menos, \u00e9 a \u00faltima a ser lembrada. Os agricultores perderam tudo com a enchente: a planta\u00e7\u00e3o, o sustento, o ch\u00e3o e suas casas. Mas n\u00e3o perderam a esperan\u00e7a e buscam se reerguer, mesmo diante da invisibilidade imposta pelos ve\u00edculos hegem\u00f4nicos.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">* Graduanda em Jornalismo na UFSM, integrante do PET Educom Clima (UFSM), bolsista do Fundo de Incentivo \u00e0 Extens\u00e3o (FIEX), E-mail: <\/span><a href=\"mailto:jessica.thais@acad.ufsm.br\"><span style=\"font-weight: 400\">jessica.thais@acad.ufsm.br<\/span><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">** Jornalista, doutora em Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o, professora na UFSM. Tutora do PET Educom Clima (UFSM) e l\u00edder do Grupo M\u00e3o na M\u00eddia (CNPq\/UFSM). Integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq\/UFRGS) e do Laborat\u00f3rio de Comunica\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica. E-mail: <\/span><a href=\"mailto:claudia.moraes@ufsm.br\"><span style=\"font-weight: 400\">claudia.moraes@ufsm.br<\/span><\/a><\/p>\n<p>*** Publicado originalmente no Observat\u00f3rio de Jornalismo Ambiental<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jessica Thais Hemsing * e Cl\u00e1udia Herte de Moraes** Um dos papeis sociais do jornalismo \u00e9 de oportunizar voz e vez. Em tempos de desastres, \u00e9 necess\u00e1rio compromisso social para ouvir aqueles que s\u00e3o invisibilizados: pessoas da periferia, trabalhadores rurais, comunidades tradicionais, ind\u00edgenas e quilombolas, entre outros. 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