{"id":223,"date":"2025-06-04T14:13:13","date_gmt":"2025-06-04T17:13:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/?p=223"},"modified":"2025-06-04T14:13:15","modified_gmt":"2025-06-04T17:13:15","slug":"criancas-e-adolescentes-na-pauta-climatica-a-urgencia-de-inclui-los-nas-politicas-e-debates-da-cop-30","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/2025\/06\/04\/criancas-e-adolescentes-na-pauta-climatica-a-urgencia-de-inclui-los-nas-politicas-e-debates-da-cop-30","title":{"rendered":"Crian\u00e7as e adolescentes na pauta clim\u00e1tica: a urg\u00eancia de inclu\u00ed-los nas pol\u00edticas e debates da COP-30"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\">Por Nadja Nobre*<\/p>\n<p class=\"has-text-align-left\">A crise clim\u00e1tica \u00e9 um dos principais desafios globais da atualidade, mas seus efeitos n\u00e3o recaem de forma igual sobre todos. Entre os mais impactados, crian\u00e7as e adolescentes frequentemente s\u00e3o invisibilizados ou pouco considerados nos espa\u00e7os de negocia\u00e7\u00f5es internacionais, como a Confer\u00eancia das Partes (COP), acordos clim\u00e1ticos, f\u00f3runs e tamb\u00e9m nas pol\u00edticas ambientais brasileiras.<\/p>\n<p>Dados<a href=\"https:\/\/andi.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/andi.org.br-guia-pautaclimatica-guia-pautaclimatica.pdf\">\u00a0apresentados pela ANDI<\/a>\u00a0que fazem parte do relat\u00f3rio<a href=\"http:\/\/www.unicef.org\/media\/105531\/file\/UNICEF_climate%20crisis_child_rights_crisis-summary.pdf?utm_source=chatgpt.com\">\u00a0<em>The Climate Crisis is a Child Rights Crisis<\/em><\/a><em>\u00a0(2021)<\/em>, do Unicef, mostram que mais de 1 bilh\u00e3o de crian\u00e7as, quase a metade de todas as crian\u00e7as do mundo, vivem atualmente em pa\u00edses expostos a riscos clim\u00e1ticos. Al\u00e9m disso, a exposi\u00e7\u00e3o a eventos extremos, como enchentes, ciclones, secas e ondas de calor, afeta de maneira desproporcional meninos e meninas, colocando em amea\u00e7a seus direitos \u00e0 sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, prote\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>No Brasil, essa vulnerabilidade \u00e9 ainda mais acentuada. Os grupos mais expostos a desastres clim\u00e1ticos s\u00e3o, majoritariamente, fam\u00edlias lideradas por mulheres negras e com presen\u00e7a de crian\u00e7as, conforme aponta<a href=\"https:\/\/www.unicef.org\/brazil\/media\/21346\/file\/criancas-adolescentes-e-mudancas-climaticas-brasil-2022.pdf\">\u00a0estudo<\/a> do Unicef. Estima-se que 8,3 milh\u00f5es de pessoas vivem em \u00e1reas classificadas como de risco no pa\u00eds, sendo que cerca de 2,1 milh\u00f5es s\u00e3o crian\u00e7as e adolescentes com at\u00e9 14 anos de idade. O panorama \u00e9 mais cr\u00edtico na Regi\u00e3o Norte, onde os menores de cinco anos correspondem a mais de 13% da popula\u00e7\u00e3o residente nessas \u00e1reas suscet\u00edveis a desastres.\u00a0<\/p>\n<p>\u00c0 medida que nos aproximamos da 30\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima (COP-30), que acontecer\u00e1 em Bel\u00e9m (PA), o Brasil tem uma grande oportunidade e responsabilidade nas negocia\u00e7\u00f5es globais, podendo liderar discuss\u00f5es estrat\u00e9gicas sobre financiamento para adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o, justi\u00e7a clim\u00e1tica e, sobretudo, garantir que os grupos mais vulner\u00e1veis, como crian\u00e7as e adolescentes, sejam inclu\u00eddos nos debates e decis\u00f5es. Mais do que uma oportunidade, trata-se de uma necessidade \u00e9tica e pol\u00edtica, especialmente para assegurar que as pol\u00edticas ambientais integrem efetivamente essa faixa et\u00e1ria.<\/p>\n<p>Com esse objetivo, a ANDI lan\u00e7ou recentemente o guia\u00a0<a href=\"https:\/\/andi.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/andi.org.br-guia-pautaclimatica-guia-pautaclimatica.pdf\">\u201cOs direitos das crian\u00e7as e dos adolescentes na pauta clim\u00e1tica: guia para a cobertura jornal\u00edstica\u201d<\/a>, de autoria de Aline Falco. A publica\u00e7\u00e3o busca apoiar profissionais da comunica\u00e7\u00e3o na abordagem da crise clim\u00e1tica sob a perspectiva dos direitos de crian\u00e7as e adolescentes, destacando como esse grupo \u00e9 particularmente vulner\u00e1vel aos seus impactos.<\/p>\n<p>O guia est\u00e1 estruturado em quatro cap\u00edtulos. Para come\u00e7ar, a autora apresenta informa\u00e7\u00f5es essenciais sobre o hist\u00f3rico e o funcionamento das COPs, explicando como se d\u00e3o as negocia\u00e7\u00f5es e destacando a relev\u00e2ncia do Brasil ao sediar a 30\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia das Partes.\u00a0<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, a publica\u00e7\u00e3o concentra-se em tra\u00e7ar um panorama sobre os principais instrumentos da pol\u00edtica clim\u00e1tica no Brasil, apontando avan\u00e7os, desafios e o papel fundamental das pol\u00edticas subnacionais e das a\u00e7\u00f5es locais. Afinal, as cidades s\u00e3o respons\u00e1veis por grande parte das emiss\u00f5es e, ao mesmo tempo, s\u00e3o vulner\u00e1veis aos seus impactos.<\/p>\n<p>O guia aprofunda, ent\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o entre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, propondo reflex\u00f5es sobre o fato de que, embora crian\u00e7as e adolescentes n\u00e3o sejam respons\u00e1veis pela crise clim\u00e1tica global, s\u00e3o eles quem mais sofrem com a falta de medidas eficazes para reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. Essa se\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m evidencia como os impactos clim\u00e1ticos se entrela\u00e7am com quest\u00f5es de renda, g\u00eanero, ra\u00e7a e desigualdade.<\/p>\n<p>O estudo<a href=\"https:\/\/www.fadc.org.br\/sites\/default\/files\/2024-11\/Mudancas-climaticas-e-seus-impactos-na-sobrevivencia-infantil.pdf?utm_source=site&amp;utm_medium=noticia&amp;utm_campaign=mudancas+climaticas\">\u00a0\u201cMudan\u00e7as clim\u00e1ticas e seus impactos na sobreviv\u00eancia infantil\u201d<\/a>\u00a0(2024), da Funda\u00e7\u00e3o Abrinq, tamb\u00e9m mostra como os impactos clim\u00e1ticos afetam de maneira mais profunda meninas e meninos que vivem em contextos sociais e econ\u00f4micos desfavor\u00e1veis. Esses efeitos se sobrep\u00f5em a outros fatores, como pobreza, falta de acesso a servi\u00e7os b\u00e1sicos e infraestrutura inadequada, ampliando a vulnerabilidade dessa popula\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o mesmo estudo revela que as crian\u00e7as nascidas em 2024 estar\u00e3o expostas, ao longo da vida, a riscos significativamente maiores devido ao aquecimento global. Se o planeta sofrer um aumento m\u00e9dio de 3\u00b0C, essas crian\u00e7as poder\u00e3o vivenciar at\u00e9 duas vezes mais inc\u00eandios e ciclones, tr\u00eas vezes mais enchentes, quatro vezes mais quebras de safra e at\u00e9 cinco vezes mais per\u00edodos de seca do que aquelas que nasceram na d\u00e9cada de 1970. A vulnerabilidade a doen\u00e7as tropicais, como dengue, mal\u00e1ria e leishmaniose, tamb\u00e9m ser\u00e1 maior, j\u00e1 que essas enfermidades tendem a se tornar mais frequentes com o avan\u00e7o das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Por fim, o guia analisa criticamente a presen\u00e7a, e, na maioria das vezes, a aus\u00eancia de refer\u00eancias \u00e0 inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia nos principais acordos e documentos internacionais sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Mapeia tamb\u00e9m iniciativas e movimentos que buscam incluir as vozes dessa faixa et\u00e1ria nas negocia\u00e7\u00f5es globais, n\u00e3o apenas como v\u00edtimas, mas tamb\u00e9m como sujeitos pol\u00edticos com direito \u00e0 participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com essa publica\u00e7\u00e3o, a ANDI contribui para ampliar e qualificar a cobertura jornal\u00edstica sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, especialmente ao articular a pauta ambiental com a garantia dos direitos de crian\u00e7as e adolescentes. E destacar como a crise clim\u00e1tica impacta de forma desproporcional esse grupo social \u00e9 importante, especialmente agora, com a realiza\u00e7\u00e3o da COP-30 no Brasil.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-left\">Portanto, \u00e9 fundamental e urgente que os profissionais de comunica\u00e7\u00e3o, a sociedade civil e formuladores de pol\u00edticas p\u00fablicas reconhe\u00e7am e integrem as especificidades e vulnerabilidades desse grupo nos debates e na constru\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<br \/><br \/>*Jornalista, formada pela Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia (UFU) e integrante do Laborat\u00f3rio de Comunica\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica (UFRGS\/CNPq). E-mail: nadja.rnobre@gmail.com<\/p>\n<div class=\"wordads-ad-wrapper wordads-ad-wrapper--inline wordads-ad-hidden\">\n<div class=\"wordads-ad\">\n<div class=\"wordads-ad-title\">**Publicado originalmente no Observat\u00f3rio de Jornalismo Ambiental.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"jp-post-flair\" class=\"sharedaddy sd-like-enabled sd-sharing-enabled\">\n<div class=\"sharedaddy sd-sharing-enabled\">\u00a0<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/06\/6006051f-dc0c-4885-9981-c15146de1f1d.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-225\" style=\"width:1448px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/06\/6006051f-dc0c-4885-9981-c15146de1f1d.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/06\/6006051f-dc0c-4885-9981-c15146de1f1d-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/06\/6006051f-dc0c-4885-9981-c15146de1f1d-768x576.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto: Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Nadja Nobre* A crise clim\u00e1tica \u00e9 um dos principais desafios globais da atualidade, mas seus efeitos n\u00e3o recaem de forma igual sobre todos. 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