{"id":238,"date":"2025-06-18T11:53:56","date_gmt":"2025-06-18T14:53:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/?p=238"},"modified":"2025-06-18T11:53:58","modified_gmt":"2025-06-18T14:53:58","slug":"guerra-que-mata-e-faz-morrer-por-que-incluir-conflitos-armados-no-debate-climatico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/2025\/06\/18\/guerra-que-mata-e-faz-morrer-por-que-incluir-conflitos-armados-no-debate-climatico","title":{"rendered":"Guerra que mata e faz\u00a0morrer: por que incluir conflitos armados no debate clim\u00e1tico"},"content":{"rendered":"\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/06\/whatsapp-image-2025-06-16-at-15.38.01-1024x682.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-239\" style=\"width:1102px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/06\/whatsapp-image-2025-06-16-at-15.38.01-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/06\/whatsapp-image-2025-06-16-at-15.38.01-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/06\/whatsapp-image-2025-06-16-at-15.38.01-768x512.jpeg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/06\/whatsapp-image-2025-06-16-at-15.38.01-1536x1023.jpeg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/06\/whatsapp-image-2025-06-16-at-15.38.01-272x182.jpeg 272w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/06\/whatsapp-image-2025-06-16-at-15.38.01.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Por Julia Weber* e Cl\u00e1udia Herte de Moraes**<\/p>\n<p>O debate clim\u00e1tico internacional tem se concentrado em temas como desmatamento, emiss\u00f5es industriais e transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. No entanto, os conflitos armados tamb\u00e9m representam uma fonte relevante de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa e devem ser considerados nas negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas multilaterais. A imposi\u00e7\u00e3o da guerra de Israel contra a popula\u00e7\u00e3o palestina em Gaza chama a aten\u00e7\u00e3o tanto pelo volume de emiss\u00f5es gerado quanto pela complexidade da reconstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Diante disso, a inclus\u00e3o desse tipo de impacto no debate clim\u00e1tico ganhou visibilidade com a recente miss\u00e3o humanit\u00e1ria internacional que chegou a Gaza por via mar\u00edtima. A iniciativa envolve ativistas de diferentes pa\u00edses, entre eles nomes como Greta Thunberg e o brasileiro Thiago \u00c1vila. A miss\u00e3o foi\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oc.eco.br\/missao-humanitaria-a-gaza-e-interceptada-por-israel\/\">interceptada por Israel<\/a>, evidenciando os\u00a0 abusos e arbitrariedades das autoridades locais.<\/p>\n<p>Greta Thunberg e seus colegas foram deportados. A jovem ativista, conhecida mundialmente por sua luta clim\u00e1tica, passou a ser alvo de cr\u00edticas por se manifestar em defesa da Palestina, \u201cmas, na realidade, as causas andam intimamente ligadas\u201d, conforme analisa<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/leosakamoto\/\">\u00a0<\/a><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DK7EyfLpjRc\/?igsh=MW9kbGkwaXlocWxpag%3D%3D\">Leo Sakamoto<\/a>. Em sua coluna divulgada nas redes sociais do portal UOL, Sakamoto situa que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica pode ser considerada um tema urgente, mas \u00e9 difuso, enquanto que falar contrariamente ao genoc\u00eddio em Gaza \u00e9 um tema silenciado. Desta forma chovem cr\u00edticas \u00e0 ambientalista sueca. A pr\u00f3pria\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DKiBLSnRFVp\/\">Greta Thunberg<\/a>\u00a0explicou que sua preocupa\u00e7\u00e3o ambiental n\u00e3o \u00e9 apenas para \u201csalvar \u00e1rvores\u201d, mas que se importa com o bem- estar humano e planet\u00e1rio, afirmando que n\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a clim\u00e1tica sem justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>A guerra mata inocentes e tamb\u00e9m ajuda ao decl\u00ednio das condi\u00e7\u00f5es ambientais da Terra. Segundo reportagem do portal \u201c<a href=\"https:\/\/umsoplaneta.globo.com\/clima\/noticia\/2025\/05\/30\/guerra-em-gaza-produz-emissoes-de-carbono-maiores-que-de-100-paises-aponta-estudo.ghtml\">Um S\u00f3 Planeta<\/a>\u201d, a ofensiva militar israelense em Gaza, entre outubro de 2023 e maio de 2024, foi respons\u00e1vel pela emiss\u00e3o de aproximadamente 281 mil toneladas de CO\u2082 equivalente. Esse volume supera as emiss\u00f5es anuais de mais de 100 pa\u00edses, conforme levantamento do \u201cSocial Justice and Ecology Secretariat\u201d. De acordo com o estudo, as principais fontes dessas emiss\u00f5es foram os ataques a\u00e9reos, o deslocamento de tropas e o uso de equipamentos militares.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das a\u00e7\u00f5es militares, os impactos ambientais se estendem ao processo de reconstru\u00e7\u00e3o. Dados reunidos pelo portal \u201c<a href=\"https:\/\/climainfo.org.br\/2024\/06\/09\/custo-do-carbono-da-reconstrucao-de-gaza-sera-maior-que-emissoes-anuais-de-135-paises\/\">ClimaInfo<\/a>\u201d estimam que a reconstru\u00e7\u00e3o da infraestrutura de Gaza poder\u00e1 gerar emiss\u00f5es superiores \u00e0s de 135 pa\u00edses em um ano. O c\u00e1lculo considera as atividades necess\u00e1rias para reerguer cidades destru\u00eddas, incluindo o transporte de materiais, produ\u00e7\u00e3o de cimento e gera\u00e7\u00e3o de energia.<\/p>\n<p>Esses aspectos revelam que os efeitos da guerra ultrapassam os limites da destrui\u00e7\u00e3o imediata. Eles se projetam no ambiente e deixam marcas no territ\u00f3rio e no clima. Ao mesmo tempo, refor\u00e7am a compreens\u00e3o de que seres humanos e natureza n\u00e3o est\u00e3o desassociados, pois os impactos sobre um inevitavelmente repercutem no outro. Como lembra o pensador ind\u00edgena Ailton Krenak, \u201ca ideia de que a humanidade est\u00e1 separada da natureza \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o moderna que tem custado caro ao planeta e \u00e0 vida\u201d.\u00a0 Em contextos de conflito, a degrada\u00e7\u00e3o ambiental e as condi\u00e7\u00f5es de vida humana caminham lado a lado, demonstrando que \u00e9 preciso considerar essas rela\u00e7\u00f5es de forma integrada.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DK7EyfLpjRc\/?igsh=MW9kbGkwaXlocWxpag%3D%3D\">Sakamoto<\/a>\u00a0destaca que, segundo Greta Thunberg, o genoc\u00eddio em Gaza aplica a destrui\u00e7\u00e3o ambiental como arma de guerra, provocando perda de biodiversidade, contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, eros\u00e3o do solo, destrui\u00e7\u00e3o de terras agr\u00edcolas, e uso ainda mais intenso de combust\u00edveis f\u00f3sseis. Por\u00e9m, o tratamento destas quest\u00f5es nos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 muito pontual, circulando apenas entre colunistas e portais n\u00e3o hegem\u00f4nicos, como nesta repercuss\u00e3o na\u00a0<a href=\"https:\/\/apublica.org\/2025\/06\/greta-gaza-e-a-impossibilidade-de-haver-justica-climatica-sem-justica-social\/#:~:text=A%20guerra%20piora%20a%20pr%C3%B3pria,de%20Costa%20Rica%20e%20Est%C3%B4nia.\">P\u00fablica<\/a>. Chama a aten\u00e7\u00e3o, portanto, que grande parte da imprensa deixe de lado essa interse\u00e7\u00e3o entre clima e guerras, a\u00e7\u00f5es de poderosos que s\u00e3o totalmente inaceit\u00e1veis pelos danos aos direitos humanos, sociais e ambientais nos territ\u00f3rios afetados.<\/p>\n<p>Discutir esta quest\u00e3o em f\u00f3runs como a COP 30, em Bel\u00e9m (PA), representa uma oportunidade para ampliar o entendimento da vari\u00e1vel clim\u00e1tica nos assuntos de seguran\u00e7a, geopol\u00edtica e desenvolvimento. Este tema deve fazer parte do debate p\u00fablico e contribuir para fortalecer a abordagem da justi\u00e7a clim\u00e1tica, conceito que tem ganhado espa\u00e7o nas edi\u00e7\u00f5es recentes das confer\u00eancias. Para al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio pensar em uma transi\u00e7\u00e3o ambiental justa e que situe a dignidade da vida humana em todos os territ\u00f3rios. O respeito \u00e0 diversidade deve orientar humanistas e ativistas em defesa da a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, da justi\u00e7a e da paz. Tamb\u00e9m a comunica\u00e7\u00e3o precisa se pautar pela \u00e9tica da sustentabilidade e da vida.<\/p>\n<p>* Graduanda em Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas na UFSM, bolsista do PET Educom Clima\u00a0 E-mail:\u00a0<a href=\"mailto:weber.julia@acad.ufsm.br\">weber.julia@acad.ufsm.br<\/a>.<\/p>\n<p>** Jornalista, doutora em Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o, professora na UFSM. Tutora do PET Educom Clima (UFSM) e l\u00edder do Grupo M\u00e3o na M\u00eddia (CNPq\/UFSM). Integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq\/UFRGS) e do Laborat\u00f3rio de Comunica\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica. E-mail:\u00a0<a href=\"mailto:claudia.moraes@ufsm.br\">claudia.moraes@ufsm.br<\/a>.<\/p>\n<p>***Publicado originalmente no Observat\u00f3rio de Jornalismo Ambiental.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Julia Weber* e Cl\u00e1udia Herte de Moraes** O debate clim\u00e1tico internacional tem se concentrado em temas como desmatamento, emiss\u00f5es industriais e transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. No entanto, os conflitos armados tamb\u00e9m representam uma fonte relevante de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa e devem ser considerados nas negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas multilaterais. 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