{"id":240,"date":"2025-06-19T17:30:16","date_gmt":"2025-06-19T20:30:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/?p=240"},"modified":"2025-06-25T11:26:30","modified_gmt":"2025-06-25T14:26:30","slug":"a-universidade-e-territorio-indigena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/2025\/06\/19\/a-universidade-e-territorio-indigena","title":{"rendered":"A universidade \u00e9 territ\u00f3rio ind\u00edgena"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Durante muito tempo, os povos ind\u00edgenas foram mantidos \u00e0 margem das institui\u00e7\u00f5es de ensino superior no Brasil. Hoje, esse cen\u00e1rio come\u00e7a a mudar. Com passos firmes e objetivos claros, estudantes ind\u00edgenas t\u00eam ocupado espa\u00e7os nas universidades p\u00fablicas, trazendo consigo saberes, viv\u00eancias e perspectivas que enriquecem o ambiente acad\u00eamico. Sua presen\u00e7a n\u00e3o apenas amplia o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m convida a universidade a repensar suas estruturas, suas pr\u00e1ticas e seus pr\u00f3prios sentidos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Eles n\u00e3o vieram s\u00f3 para aprender o que est\u00e1 no curr\u00edculo. Vieram para relembrar que o conhecimento n\u00e3o \u00e9 monop\u00f3lio de ningu\u00e9m. Que sabedoria tamb\u00e9m \u00e9 saber escutar a mata, decifrar o tempo pelas nuvens, ler o mundo pelas marcas do ch\u00e3o. Vieram para mostrar que os saberes ancestrais e a ci\u00eancia podem caminhar juntos. Que a terra n\u00e3o \u00e9 recurso, \u00e9 parente.<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/06\/DSC_0226-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-242\" style=\"width:1102px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/06\/DSC_0226-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/06\/DSC_0226-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/06\/DSC_0226-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/06\/DSC_0226-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/06\/DSC_0226-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/06\/DSC_0226-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Alunos do curso de Licenciatura Intercultural Ind\u00edgena em visita ao Campus da UFSM\/FW. (Foto: Aline Iora)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A universidade, que por muito tempo foi marcada por uma l\u00f3gica euroc\u00eantrica e excludente, ganha novas perspectivas a partir da diversidade de experi\u00eancias, l\u00ednguas, vis\u00f5es de mundo e formas de conhecimento trazidas por esses estudantes. A presen\u00e7a ind\u00edgena amplia o di\u00e1logo intercultural, quebra estere\u00f3tipos e desafia os padr\u00f5es estabelecidos, promovendo uma educa\u00e7\u00e3o mais cr\u00edtica, reflexiva e conectada com a realidade brasileira.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em abril de 2024, um marco importante aconteceu em Frederico Westphalen: formou-se a primeira turma de<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Licenciatura em Educa\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena EAD<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> do Brasil, composta por estudantes Kaingang de diferentes aldeias da regi\u00e3o Norte do Rio Grande do Sul. Mais do que uma cerim\u00f4nia de cola\u00e7\u00e3o de grau, o momento representou o florescer de um novo ciclo, em que os saberes tradicionais ganham espa\u00e7o formal sem abrir m\u00e3o de sua ess\u00eancia. Ao formar-se na universidade sem precisar se distanciar de seus territ\u00f3rios, esses novos professores reafirmam que a educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena n\u00e3o deve ser apenas um direito garantido, mas tamb\u00e9m um reconhecimento de que outras formas de ensinar e aprender j\u00e1 existiam muito antes das salas de aula. Essa conquista n\u00e3o \u00e9 apenas individual ou acad\u00eamica, ela simboliza o avan\u00e7o de um pa\u00eds que, pouco a pouco, aprende a reconhecer a profundidade dos saberes que sempre estiveram aqui. Atualmente, o curso \u00e9 chamado de <\/span><a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/graduacao\/frederico-westphalen\/licenciatura-intercultural-indigena\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Licenciatura Intercultural Ind\u00edgena<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> e conta com uma turma de 100 alunos. Segundo a coordenadora do curso, a professora Aline Ferr\u00e3o Custodio Passini, neste ano o curso registrou um marco hist\u00f3rico de mais de 200 inscri\u00e7\u00f5es para concorrer a uma vaga na gradua\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Entre os nomes que constroem essa hist\u00f3ria est\u00e1 o de Daniela Kaingang, mulher ind\u00edgena, professora e egressa da primeira turma do curso. Hoje, ela retorna \u00e0 universidade como formadora da segunda turma de licenciandos ind\u00edgenas. \u201cEstar hoje aqui como professora formadora da segunda turma \u00e9 mais do que uma conquista individual\u201d, afirma. \u201c\u00c9 um s\u00edmbolo de resist\u00eancia, de continuidade e de compromisso com o nosso povo e com a luta coletiva.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para Daniela, a presen\u00e7a ind\u00edgena na universidade precisa ir al\u00e9m do acesso. Deve ser tamb\u00e9m uma pol\u00edtica de perman\u00eancia e de valoriza\u00e7\u00e3o dos saberes ancestrais. \u201cFormar professores ind\u00edgenas \u00e9 fortalecer a autonomia das nossas comunidades. \u00c9 reafirmar que temos o direito e a capacidade de ensinar a partir das nossas cosmovis\u00f5es, das nossas hist\u00f3rias, dos nossos territ\u00f3rios.\u201d Segundo ela, quando parentes de diferentes regi\u00f5es chegam com suas l\u00ednguas, espiritualidades e modos de vida, e encontram espa\u00e7o para se formar como educadores, \u00e9 a universidade quem mais tem a aprender.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao assumir o papel de docente, Daniela tamb\u00e9m assume um gesto pol\u00edtico. \u201cN\u00f3s estamos aqui, ocupamos esses espa\u00e7os e queremos construir com eles uma educa\u00e7\u00e3o verdadeiramente plural e justa. Seguimos firmes porque formar \u00e9 tamb\u00e9m transformar.\u201d<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/06\/DSC_0112-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-241\" style=\"width:1102px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/06\/DSC_0112-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/06\/DSC_0112-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/06\/DSC_0112-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/06\/DSC_0112-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/06\/DSC_0112-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/06\/DSC_0112-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Daniela Kaingang e Zaqueu Key Claudino participando do evento Compartilhando Saberes na UFSM\/FW. (Foto: Aline Iora)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A universidade s\u00f3 se torna verdadeiramente p\u00fablica, democr\u00e1tica e representativa quando todos os povos que comp\u00f5em o pa\u00eds t\u00eam voz, vez e espa\u00e7o dentro dela. Cada diploma conquistado n\u00e3o \u00e9 apenas um avan\u00e7o individual, mas uma semente plantada no ch\u00e3o de onde vieram. E talvez, um dia, a universidade entenda: n\u00e3o se trata de incluir. Trata-se de reconhecer que sempre estiveram aqui, mesmo quando n\u00e3o foram vistos.<\/span><\/p>\n<p>Por Franchesco de Oliveira Y Castro | Bolsista PET Educom Clima.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante muito tempo, os povos ind\u00edgenas foram mantidos \u00e0 margem das institui\u00e7\u00f5es de ensino superior no Brasil. Hoje, esse cen\u00e1rio come\u00e7a a mudar. 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